segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Banditismo do colarinho branco: PF faz buscas em casas de ministro do TCU e do "porquinho" Marco Maia

PF abre nova frente de investigações envolvendo o ministro do TCU Vital do Rêgo (PMDB) e o ministro Marco Maia (PT), ex-presidente da Câmara:


Agentes da Polícia Federal (PF) cumprem na manhã desta segunda-feira mandados de busca e apreensão nas casas do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) e ex-senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) e do deputado federal Marco Maia (PT-RS), ex-presidente da Câmara, em Brasília. Segundo o blog do Moreno, a PF também realiza operações em Canoas e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Maia mora em um condomínio de Canoas. Em 2014, Vital presidiu a CPI da Petrobras e Maia foi relator da comissão.

A Polícia Federal do Rio Grande do Sul realizou operação no Condomínio no bairro Estância Velha, em Canoas. A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) porque o deputado tem foro privilegiado na corte.

O deputado Marco Maia não estava na residência, em Canoas, no momento da operação da PF. Segundo aliados, apenas a esposa se encontrava no local. O gabinete prepara uma manifestação oficial do parlamentar, que estaria em Brasília.

Os mandados de busca estão sendo cumpridos em Brasília, Paraíba e Rio Grande do Sul em endereços "pessoais, funcionais e empresariais" do ministro e do deputado.

Um dos delatores da Lava-Jato, Ricardo Pessoa afirmou ter repassado mais de R$ 5 milhões para saírem, ele e outros empreiteiros, ilesos pelas investigações da CPI da Petrobras.

CPI DA PETROBRAS

As suspeitas sobre os dois políticos surgiram a partir de colaboração premiada do ex-senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) na Operação Lava-Jato. Segundo o delator, muitos empresários ligados a obras da Petrobras foram convocados para prestar depoimento à CPI da Petrobras, em 2014. Integrantes da comissão teriam pedido dinheiro para campanhas eleitorais e, em troca, derrubariam requerimentos "que fossem sensíveis, ou seja, que fossem desfavoráveis aos empresários".

Delcídio cita também em sua delação o ex-senador Gim Argello (PTB), preso na Lava-Jato, e o deputado Fernando Francischini (PR).

Em nota divulgada, a Procuradoria-Geral da República lembra que as acusações que pesam contra Vital e Maia já resultaram na condenação do ex-senador Gim Argello (PTB-DF) a 19 anos de prisão. Argello foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo Delícidio, o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, fazia reuniões em Brasília com outros empresários e integrantes da CPI. Outros empreiteiros, como Ricardo Pessoa (UTC) e José Antunes Sobrinho (Engevix), participavam desses encontros. Eles tentavam criar uma "força-tarefa" no intuito de "blindá-los em razão desses requerimentos". Pessoa, relatou Delcídio, ficou "revoltado" com o pedido de dinheiro dos parlamentares. O senador diz não ter certeza, mas, pelo comportamento de Pessoa, "a propina foi paga", valores que teriam sido pagos em espécie e "por fora". Os deputados e senadores estariam pedindo para suas campanhas eleitorais.

Os mandados de busca e apreensão para coleta de provas foram autorizados pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF. Em maio, Zavascki determinou abertura de inquérito para investigar o ex-senador e atual ministro do TCU por corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro. A decisão foi tomada a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Teori concedeu prazo de 90 dias para o cumprimento das diligências iniciais, que inclui depoimentos e produção de provas, também a pedido de Janot.

A operação foi batizada de "Deflexão. 'O nome da operação faz referência ao verbo defletir, que significa provocar mudança ou alteração no posicionamento normal de algo. Uma alusão ao fato de que, mediante propina, empreiteiros investigados passaram à condição de blindados de uma eventual responsabilização " explica a polícia. (O Globo).

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