sábado, 21 de janeiro de 2017

A morte e a morte de Teori Zavascki

Com a indicação do sucessor de Teori Zavascki, o presidente Michel Temer tem a oportunidade de demonstrar, enfim, de que lado está: com ou contra a Lava-Jato. "A situação é bem maniqueísta. Ou se está com o bem, ou se está com o mal". Post de Percival Puggina:


Roubo descaradamente o título da obra de Jorge Amado sobre o passamento de Quincas Berro D’Água para tecer considerações a respeito do acidente aéreo que resultou na morte do gaúcho Teori Zavascki, ministro relator do processo da Lava Jato no STF.

A morte é um acontecimento fortuito ou anunciado. As pessoas morrem, subitamente, por inesperada causa interna, ou acidente; e morrem , previsivelmente, quando acometidas por moléstias que conduzem a tal desfecho. O que acende tantas luzes de advertência em relação à morte de Teori Zavascki é saber o quanto ela atende à conveniência de verdadeira multidão de pessoas sem escrúpulos, que praticaram graves, continuados e comprovados crimes, com a finalidade de roubar a nação. A trágica morte de Teori Zavascki, então, sai dos padrões da normalidade e se torna um caso a exigir meticulosa investigação. A clássica pergunta que comparece a tantos inquéritos em que se busca a autoria do crime na persecução penal - a quem isso é proveitoso? - leva a algumas centenas de prontuários. A morte de Teori pode beneficiar muita gente, em diferentes graus de conveniência. Até que se concluam as perícias técnicas, as causas do acidente permanecerão envoltas em incertezas. Mas a morte de Teori não extingue a colossal tarefa que lhe fora confiada, para desconforto de tantos. Quando o STF acelerava o passo, a fatalidade ou o crime deram-lhe um tranco.

Por outro lado, sempre há outro lado, o infortúnio coloca nas mãos de Michel Temer oportunidade talvez única de desanuviar inteiramente, perante a opinião pública, sua relação com a Lava Jato. Do perfil que tiver o jurista escolhido por ele para suprir a vaga, muito se poderá deduzir. Sob certas condições, até nomes sugeridos e refugados ficarão sujeitos a especulações. Nessa, ou Michel Temer acerta e se conserta ou erra e se enterra.

Pessoalmente, não dou sugestões. No entanto, espero que o presidente indique alguém que, além da imprescindível formação jurídica – aquela que se define como notório saber – e da idoneidade moral, destoe do realejo “progressista”, “politicamente correto” e esquerdista em variados graus que assinala a atual formação do plenário daquela Corte. O tom monocromático que o STF adquiriu após um quarto de século de indicações feitas por governos de esquerda e centro-esquerda conspira contra a democracia. Cria graves desacertos com o parlamento. Induz o STF a invadir competências do Congresso. Põe a Corte em grave contradição com bem identificada vontade nacional numa série de pautas face às quais a sociedade se foi tornando crescentemente liberal e/ou conservadora. Esse desajuste no qual a sociedade vai para um lado e o STF para outro, responde pela grave desconfiança de tantos em relação à real disposição do STF para cumprir seu dever no julgamento de casos de corrupção.

Esperemos que Temer se afine com a ministra Carmem Lúcia, presidente da Corte, que não hesitou em avocar a si, imediatamente, a vacante relatoria da Lava Jato. A situação é bem maniqueísta. Ou se está com o bem, ou se está com o mal.

4 comentários:

Reginaldo Gadelha disse...

O que vi disse que já não saibamos ?

Anônimo disse...

A Constituição Federal e as leis penais devem ser alteradas com urgência. Quando chegar a época em que se cumpram penas de 15, 20, 25, 30, 35 anos e perpétua, o BRASIL melhorará social e economicamente. Duvido que a bandidagem brasileira (seja lá que cor ou classe social tenha) se arrisque a perder as benesses do brasil (###) em troca de anos de cadeia.
(###) Praias Ensolaradas, Futebol, Mulherada, Churrascos, Viagens nos Feriadões, Botecos nos Fins de Semana, etc...

Diastêmico disse...

Gostei

Despetralhando disse...

Estando lá vários togados com viés de esquerda, ou simplesmente sabujo dos indicadores, ficará difícil termos a LJ com potencial para varrer da política safados que polulam a casa de conveniência chamada congresso.