terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Se o Carnaval gera riqueza, por que tanta controvérsia?

Post de Ricardo Bordin, no blog Por Um Brasil sem Populismo, levanta boas questões sobre o Carnaval, supostamente um acontecimento nacional. Como a festança não consegue se sustentar sobre as próprias pernas?

Em meio ao cenário de recessão que assola o Brasil desde que o “dique” que segurava a catástrofe financeira engendrada pelo PT em seus 13 anos de Planalto¹ (leia-se: logo após garantir a reeleição de Dilma), as prefeituras de mais de 70 cidades do Brasil já avisaram que não irão destinar dinheiro do pagador de impostos para a realização dos desfiles de carnaval. Não chega a parecer sandice: se eu estou passando por um período de vacas magras, natural é ficar um tempo sem frequentar festas, certo? A irresponsabilidade fiscal, ao fim e ao cabo, cobra seu preço, e supérfluos acabam entrando na lista de cortes a serem efetuados nas despesas.
carnaval-cnl
Não foi bem assim, todavia, que reagiu determinada parcela de nossa população. Em meio aos muxoxos produzidos aqui e acolá, foi possível captar três principais motivos para o azedume. Vejamos, pois, se procede a choradeira:
1) A festa pagã mais tradicional do país gera empregos:
Segundo consta dos arrazoados, o dinheiro proveniente dos cofres públicos investido na folia de momo retorna na forma de oportunidades para os envolvidos com os preparativos e a produção do evento. De fato, não há como negar o que se vê.
São criadas vagas diretas no mercado de trabalho quando a administração local repassa dinheiro para as escolas e blocos, e estas, então, compram material para a confecção de fantasias e demais adereços, adquirem instrumentos musicais e promovem gastos afins. A “indústria do carnaval”, ademais, pode ter a capacidade de gerar empregos de forma indireta, estimulando os setores hoteleiro e alimentício, por exemplo, fomentados pelos gastos dos foliões.
Mas o perrengue reside no que não se vê. Se este mesmo prefeito direcionar estes recursos para Educação e Saúde (e eu duvido que alguém de mente sana discorde deste remanejamento), outras atividades econômicas relacionadas a estes setores, da mesma forma, serão impulsionadas e poderão, então, contratar mais pessoal. E se os cidadãos não poderão gastar seus caraminguás durante os dias de apresentações – fazendo o “dinheiro circular”, o sonho dos Keynesianos² (e pesadelo de quem fica pra ver o resultado), fique tranquilo: eles acharão alguma outra coisa para gastar. E possivelmente seja mais útil, sinceramente.
Ah, mas e se a festa atrai pessoas de outros rincões? Passemos, então, ao item 2.
2) Se há demanda, então deve haver interesse publicitário:
Carnavais como o do Rio de Janeiro dispensam comentários: são espetáculos que trazem turistas de todas as partes do globo, empilhando dólares e euros nas caixas registradoras dos empreendedores locais, desde o vendedor de chá na praia até o proprietário do Copacabana Palace.
Mas é de se indagar: se este show possui um potencial de marketing tão notável, como ele não consegue se auto-sustentar? Por que as agremiações precisam de subvenção do Estado? Um evento transmitido para diversos países não tem como captar recursos por conta própria?
A resposta, ao que parece, pode ser encontrada no regulamento da liga das escolas de samba do RJ – e que costuma ser emulado, em grande parte, por outras associações do gênero Brasil afora:
regulamento
Ora, se as escolas de samba são tolhidas por suas próprias entidades representativas da ferramenta mais eficiente que poderiam utilizar para obter recursos – isto é, o merchandising – fica fácil crer porque todo ano seus diretores precisam ir com o pires na mão mendigar para o prefeito e o governador.
Não que seja o caso de fazer um carro alegórico em forma de garrafa de Coca-Cola, ou a porta-bandeira tremular um símbolo do Mcdonalds, mas ostentar marcas, de forma discreta, poderia representar a independência dos desfiles de carnaval que rendem Ibope em relação ao governo.
Eu também não gosto muito de ver anúncios na camisa do meu time, mas eu entendo que é necessário para a subsistência dele. Só fica esquisito quando há anunciantes demais. É a diferença entre aquele carro antigo colorido (de tantas marcas) da equipe March de F-1, e a eternizada em nossa memória McLaren de Ayrton Sena ostentando o Malboro no aerofólio.
Ou seja, sequer estamos diante de um caso similar aos financiamentos da Lei Rouanet, nos quais são contemplados certos artistas que jamais sobreviveriam no livre mercado – e outros muito ricos –, pelo simples fato de que os consumidores, cuja vontade é soberana, não os elegeram para brilhar nas telas ou palcos. Ao contrário: os organizadores do carnaval são capazes de gerar muita receita, mas eles não conseguem canalizá-la para seus cofres porque se recusam a fazer propaganda. Aí só resta resmungar mesmo.
3) Se não houver dinheiro público envolvido, não haverá desfiles nem nosso “sagrado” carnaval: será?
Este argumento lembra-me do início do governo Temer: “se não houver Ministério da Cultura, não haverá cultura”, diziam os incautos e os argutos. Quer dizer que as pessoas ficarão trancafiadas em casa na última semana de fevereiro, se não rolar patrocínio estatal? Não haverá samba nos morros e nas periferias? Não sairão às ruas os blocos e muambas? Não se reunirão às pessoas nas praias, nos botecos e até mesmo em suas casas para fazer uma bagunça?
Além disso, se fazem questão de desfilar, que tal um financiamento coletivo (crowdfunding), como bem ensinou o pessoal do “Libera Que Eu Conservo”³?
Conclusão: não procede a lamúria, meritíssimo. Segue o baile – seja de carnaval ou não.

3 comentários:

Joe Cool disse...

Carnaval em cidades do interior (pequenas, grandes ou médias) não é apenas desperdício de dinheiro, como roubo mesmo. Um montante absurdo é destinado a escolas de samba que não conseguem juntar 100 pessoas com desfiles onde papel laminado e cabos de vassoura são nitidamente usados como adereços, sem contar que as tais alegorias terminam jogadas no meio da rua após o "desfile". Então para surpresa descobre que a escola tem ligação com o vereador X ou pertence a um conhecido bandido da região.

Paulo disse...

Se cortarem o carnaval muitos bananeiros são capazes de se suicidarem de tão idiotas que são. Então corta logo! Aliás carnaval junto com futebol e assistir novelas são as únicas coisas que esses inúteis sabem fazer muito bem e se preocupam dedicando maior parte de suas vidas aprimorando. Entenderam porque aqui nunca vai ter nenhum prêmio Nobel de ciências ou pelo menos vamos conseguir algum dia sair deste terceiro (quarto?) mundo?

Anônimo disse...

Marchezan, meu fio!! Num faça issu!!! Dê tudim que pidirem pros carnavar!!! Cum issu, o circu tá agarantido!! Daí só vai fartá o pão!!! Seje ixperto, Marchezan!!!