sábado, 18 de março de 2017

Em 2018, tudo vai ser diferente.

Ninguém sabe como serão as eleições de 2018, mas serão bem diferentes do que já se viu até agora, escreve Dora Kramer na edição impressa de Veja:


A candidatura do ex-presidente Lula ao Planalto a um terceiro mandato é algo tão consistente quanto um suflê de vento. Não só a dele. Da mesma inconsistência padecem os demais pretendentes que já começam a se escalar, ou a ser escalados, como integrantes do elenco de 2018: o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o prefeito da capital, João Doria, o presidente do partido de ambos, Aécio Neves, Marina Silva, Ciro Gomes, o deputado Jair Bolsonaro, o senador Ronaldo Caiado.

Na categoria das miragens enquadra-se a candidatura própria à Presidência pelo PMDB, promessa feita e nunca cumprida desde os desempenhos memoráveis em 1989 e 1994, quando obteve respectivamente 4,73% e 4,38% dos votos. Hoje, provavelmente não teria muito mais que isso, caso levasse adiante o plano de trocar o papel de passageiro pela condição de condutor.

Não vai acontecer, entre outros motivos porque ao partido interessa conduzir (a Presidência) a partir do banco do carona. Daí, também, a importância de preservar a força (bruta) no Congresso, conforme sobejamente demonstrado no impeachment de Dilma Rousseff. O controle, ou não, do Legislativo determina o rumo do Executivo. É mais barato e lucrativo, portanto, investir em eleições locais de onde saem deputados e senadores. Ademais, não há nomes disponíveis no PMDB. Os mais destacados estão presos ou enfurnados até o pescoço em processos, denúncias e pronúncias. A saída já encaminhada pelo senador Aécio Neves seria uma aliança com o PSDB. Detentor do controle absoluto da direção do partido, ele não facilitará a vida dos adversários internos e reforça seu cacife.

Instalou o deputado Antonio Imbassahy no gabinete palaciano antes ocupado por Geddel Vieira Lima, distribuiu aliados em postos-chave no Senado, tornou-se credor do presidente da Câmara ao emprestar apoio dos tucanos à reeleição de Rodrigo Maia, juntou-se a José Serra contra Alckmin e convenceu Michel Temer de que solução melhor que essa não há. Engenharia perfeita, não fosse o risco de a obra desabar por reação do eleitorado à presença de tucanos nas investigações da Lava Jato e/ou ao comprometimento do partido com um governo cuja popularidade só faz cair. Nesse quesito, o PT investe numa miragem com base nas pesquisas que indicam Lula à frente de seus oponentes “se a eleição fosse hoje”. Ocorre que nem a eleição é “hoje” nem o ex-presidente está em situação confortável: é o campeão de rejeição, o único a figurar como réu em processos criminais com potencial para lhe subtrair a elegibilidade e mesmo a liberdade. É o comandante de um partido zonzo com sucessivas derrotas políticas, jurídicas e eleitorais, um político que só circula em público entre convertidos.

As citadas excelências escrevem roteiros cuja validade depende de fatos imprevisíveis. Simulam controle sobre uma realidade em total descontrole e, assim, iludem o eleitor. A disputa de 2018 ninguém sabe como será. Mas certamente será muito diferente de tudo o que já se viu.

2 comentários:

Paulo disse...

Será? Tomara! Mas conhecendo bem o caminho que a Nau SS FRACASSO tomou me parece que vai ser outro ano perdido onde os ¨bravos¨ bananeiros vão eleger outro esquerdista (maquiado de ¨di direita!¨) ou coisa pior (Lula) enquanto ficam na torcida da lava-jato ou algo parecido continuar andando aos trancos e barrancos e os vagabundos continuar sendo presos e...ficando presos! Claro, tudo regado assistindo ¨boas¨ novelas, torcendo para times de futebol e pulando carnaval que ninguém é de ferro.

Anônimo disse...

Em 2018, quem quiser poderá participar novamente da MARMELADA ELEITORAL. Bom apetite!

Índio/SP