quarta-feira, 26 de abril de 2017

Burros n'água: Chávez e Hollande, esperança do socialismo.

Maria João Marques, colaboradora do Observador, recorda, lá em Portugal, as peripécias do socialistas, aliás sempre previsíveis na estupidez ideológica em qualquer lugar do mundo (as universidades que o digam). Palavrão, para essa gente e seus acólitos, é pouco:


Jane Austen bem diz, pela voz de Lizzy Bennett, algures no Orgulho e Preconceito, que ‘uma boa memória é imperdoável’. De facto: a natureza humana é tão propensa ao disparate que qualquer relação só sobrevive se lhe for aplicada uma boa dose de esquecimento seletivo sobre as aleivosias alheias e próprias.

Como sempre, a boa literatura capta e descreve os fenómenos humanos antes de a ciência os dissecar. Para garantir que não existia memória da feroz aversão por Mr Darcy, mais tarde substituída por paixão, Lizzy assegura que ‘this is the last time that i shall ever remember it myself’. Boa estratégia, que a ciência veio aplaudir: apesar da psicologia e da neurobiologia da memória estarem longe de conhecer tudo da formação e armazenamento das memórias, sabe-se que quanto menos as memórias forem acedidas, mais facilmente são esquecidas.

É estratégia também usada pela esquerda nacional: fingir que nunca colocou Chavez e Hollande (no meio de outros fogos-fátuos ainda mais ridículos, como Yannis Varoufakis) no altar das grandes esperanças e estandartes do socialismo mundial. Não se fala, ninguém se lembra, deixa de existir.

Mas recordemos. Hollande venceu em 2012. Logo socialistas nacionais se deixarem conquistar e entregaram-se a loas próprias de adolescentes apaixonados. Lembro-me de ter lido como finalmente Portugal (sim, Portugal) teria alguém que defendesse os seus interesses junto da União Europeia. Por oposição, claro, aos diabólicos PSD e CDS, que se dedicavam em todas as horas de expediente a implorar aos senhores de Bruxelas que impusessem impostos ainda mais draconianos e sugassem de todas as formas possíveis o sangue e a linfa dos portugueses.

O líder do PS de então, António José Seguro, embevecido descreveu-o: ‘uma lufada de ar fresco e um novo ciclo de esperança para a Europa’. Mário Soares mostrou enlevo mais intenso. Asseverava que (preparem-se para tanto esplendor) ‘François Hollande sonha com um outro New Deal, à semelhança de Franklin Roosevelt, e no encontro que teve com Barack Obama tornaram-se mais do que aliados, amigos.’ Hollande era uma personalidade tão potente que, vejam bem, foi capaz de amolecer um bocadinho o coração negro e demoníaco de Passos Coelho, tudo num breve encontro em Chicago. Defendeu-o dos ataques da malvada direita, que queria enlamear tão glorioso presidente fazendo uso da sua vida privada, algo que gente de bem não faz, avisou. (Diz o mesmo Soares dos inícios da democracia que atacou politicamente Sá Carneiro pela sua relação com Snu Abecassis.) E pelo PS foi tudo assim.

Ora Hollande viveu para deixar o PS com um resultado de 6% nas eleições presidenciais. É certo que Macron era o candidato preferido de Hollande. E que os socialistas franceses escolheram o esquerdista chalado Benoit Hamon para a candidatura presidencial. Em todo o caso, é impossível não nos regalarmos com a argúcia dos socialistas nacionais na hora de escolherem as suas mascotes e porta-esperança do socialismo.

Recordemos ainda o affair venezuelano. Neste caso, em boa verdade, a tentativa de assobiar para o lado vem só de PS e BE. O PCP, mais genuíno, continua a defender o regime chavista da Venezuela. Mesmo depois das manifestações massivas, das mortes dos manifestantes, das cargas policiais sobre quem protesta, dos inúmeros atropelos à liberdade e à democracia, da supressão de opositores, da fome e da pobreza a alastrar apesar das reservas petrolíferas, das filas para os supermercados onde escasseiam os bens básicos, da nacionalização das padarias. João Ferreira – o candidato à Câmara de Lisboa pelo PCP – fez a 6 de abril uma intervenção no Parlamento Europeu defendendo os ‘factos reais’ da maravilhosa situação na Venezuela. Que, de resto, só vive sobressaltos graças à ‘ingerência’ dos vilões imperialistas. (E verbalizam tudo isto sem a ajuda de estupefacientes.)

Mas se PS e BE fingem que nunca se cruzaram com o regime chavista, avive-se a memória. O reincidente Soares, criticando Maduro, elogiou Chavez. Depois, note-se, de Chavez abrir caminho para o estrondoso Maduro, que Soares criticava, e patrocinar referendos manhosos para manutenção do crescente poder presidencial, ou encerrar compulsivamente, em várias levas, rádios e televisões privadas pouco obedientes. Bom, calar órgãos de comunicação social hostis é o sonho de qualquer socialista português. Talvez também por isto Sócrates decretou Chavez um ‘amigo de Portugal’. Em 2016 – repito, em 2016, quando o regime chavista já tinha descambado na catástrofe ditatorial e produtora de miséria – a câmara socialista da Amadora teve a falta de vergonha de inaugurar uma Praça Hugo Chavez. Diz-me quem celebras, dir-te-ei quem és.

E o Bloco? É amigo de coração do regime chavista desde sempre. Lembro-me de ver Louçã (aqui em mais um elogio) na televisão declarando que a vitória de Chavez, em referendo, significava a vitória do socialismo e da população mais pobre. A queda dos preços do petróleo é que minou o sucesso venezuelano – há sempre uma desculpa, não é? Também defendem, quase sem tirar nem por, as políticas económicas que cozinharam a calamidade venezuelana.

Espero que tenham apreciado esta viagem pela memória das miseráveis amizades chavistas dos partidos da geringonça. Como se vê, PCP, PS e BE estão sempre certos a avaliar líderes e ideologias dos regimes. É o mesmo acerto e discernimento que devemos esperar noutras bandas da sua atuação.

Mas não queria finalizar com escárnio. Permitam-me terminar com uma nota otimista sobre a eleição de Macron. Como já referi, a linha socialista chalada de Hamon – a mesma de Costa, Pedro Nuno Santos, Galamba, Porfírio Silva e três quartos do atual PS – estampou-se gloriosamente. E, com ela, a narrativa de que o eleitorado só castiga por estes dias o socialismo moderado. Mais importante: Macron mostrou que o anti-establishment (grande vencedor da noite) não tem de estar sequestrado por extremismos nem por subprodutos corrosivos como Corbyn, Farage, Trump, Le Pen, o rabo de cavalo do senhor do Podemos, Catarina Martins. É uma boa lição.

2 comentários:

Anônimo disse...

COMUNISTAS ESTÃO DEDURADOS: SÓ TRAPAÇAS E FRAUDES!
Vejam o caso dos sindicatos, em geral: os comunista apreciam mesmo é serem parasitas, caso dos sindicatos de fachada com a contribuição sindical para defender os "trabalhadores"!
Eles fomentam greves para depois pegarem uma grana por fora para acabarem com as mesmas que eles programaram para gerar mais $$$$ dos industriais que estão sendo prejudicados...
Comunistas só dão rasteiras no outros, né Dom Mula, quando foi sindicalista?

Paolo Hemmerich disse...

Na verdade, Hollande e o PS saíram VITORIOSOS pois, numa jogada de mestre, LANÇARAM dois candidatos, um oficial (que ficou com a rejeição ao PS); e o outro informal (Macron), em quem os eleitores socialistas despejaram seus votos!! Parece que os analistas comeram moscas!!!