sexta-feira, 21 de abril de 2017

Conspiração contra a Lava-Jato

Desesperados com as delações da Odebrecht, Renan, Requião et caterva conspiram abertamente contra a Lava-Jato. Editorial do Globo:


As memoráveis gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, de conversas com próceres do PMDB sobre formas de conter a Lava-Jato, ilustram bem o que acontece no momento no Senado, com a tramitação do projeto de autoria do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), um dos gravados, para supostamente conter abusos de autoridade, com a relatoria de Roberto Requião (PMDB-PR), da tropa de choque de defesa de Lula e Dilma.

De intenção meritória — autoridades precisam mesmo ser contidas, no uso abusivo do poder —, o projeto, na verdade, é um ataque direto de políticos implicados em escândalos contra agentes públicos dedicados a reprimir a corrupção: juízes, procuradores, policiais e quantos mais forem.

Das conversas gravadas por Machado, também apanhado pela força-tarefa de Curitiba, participam vários das listas de (Rodrigo) Janot e de (Edson) Fachin, procurador-geral e ministro do Supremo responsável pelo inquérito da Lava-Jato. Como o próprio Renan, os peemedebistas Eunício Oliveira (CE) e Romero Jucá (RR). As gravações registraram o tom de conspiração contra a Lava-Jato.

É uma articulação que prossegue. Na quarta, Requião leu na Comissão de Constituição e Justiça do Senado seu relatório substitutivo. Em tese, incluiria algumas sugestões, mas continuou enviesado.

Uma das provas disso é que, ao contrário do que afirmara, não incluiu no texto recomendações do juiz Sérgio Moro, da Lava-Jato, ouvido no Senado sobre o tema, num simulacro de abertura a opiniões divergentes.

Em nota, Moro negou ter concordado com o texto de Requião, e este retirou o nome do juiz do relatório. Em debates no Senado, Moro havia proposto que se incluísse no projeto que juízes não podem ser processados por divergências em relação à interpretação das leis. Tampouco o Ministério Público, ao propor indiciamentos, nem policiais ao cumprirem determinação judicial. Aceitar isso significaria acabar com a independência da Justiça e do MP, um dos requisitos do estado democrático de direito.

A mobilização de políticos contra a Lava-Jato também tem registro em outros projetos de lei. O deputado Wadih Damous (PT-RJ), por exemplo, próximo a Lula, protocolou, dentro do espírito da conversa gravada por Sérgio Machado, projeto para proibir preso assinar acordo de colaboração premiada. Ora, ora.

Outro alvo de todos é revogar o entendimento do Supremo de que pena confirmada em segunda instância pode começar logo a ser cumprida.

Parece no mínimo estranho que Renan, Requião e outros continuem a conspirar contra a Lava-Jato, em meio à reverberação das delações da Odebrecht. A explicação pode ser simples: por desespero.

2 comentários:

Vajra Prema disse...

CONTRA O AUSO DA MELA JATO
Randolfe Rodrigues, Cristovam Buarque e Reguffe gravaram um vídeo alertando para o risco de aprovação do projeto de abuso de autoridade.
Assista e compartilhe:
https://www.youtube.com/watch?v=K39QtrmVJOg

Anônimo disse...

Os mais interessados em punirem juízes estão entre os mais enrolados, querendo se defenderem atacando os juízes por não pactuarem com bandalheiras!
Os mais corruptos, tipo Renan Calheiros, o interessadíssimo, assim como os quadrilheiros do PT, muitos do parceiro PSDB e mesmo do PMDB que foi base alugada por varios anos do PT, assim como PP, PRB iguais ou doutras formas colaboraram com a ORCRIM-PT!