quarta-feira, 12 de abril de 2017

Depois da lista de Fachin, que misturou alhos com bugalhos, é hora de renovação.

Merval Pereira pergunta: que país sairá dessa crise que envolve praticamente toda a República? Ganha força, diz ele, a tese da Constituinte. O Brasil velho, de fato, está morrendo em praça pública:


Aconteceu o que se previa, muitos temiam e outros desejavam: a lista de Fachin misturou alhos com bugalhos e colocou todos os relacionados no mesmo patamar. Que país sairá dessa crise que, no seu ápice, envolve 9 ministros do governo Temer, 29 senadores e 42 deputados federais, 12 governadores e cinco ex-presidentes do Brasil, José Sarney (PMDB), Fernando Collor (PTB), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT) ? O próprio presidente estaria na lista, não fosse protegido pela imunidade temporária que o cargo lhe confere.

A avalanche de pedidos de inquéritos pela Procuradoria-Geral da República só demonstra que nossos esquemas partidários e eleitorais estão falidos, e precisam ser revisados sem que os responsáveis por essa tarefa sejam políticos eleitos pelo esquema que ora se desconstrói em praça pública.

A tese da Constituinte para rever todos os nossos parâmetros institucionais ganhará força necessariamente diante da constatação de que o esquema vigente levou ao descrédito a classe política, sem a qual não haverá democracia digna desse nome.

Pelas delações premiadas dos executivos da Odebrecht, corroborando outras denúncias que já foram feitas ao longo desses três anos da Operação Lava Jato, há muitos anos nosso sistema político-eleitoral sofre de uma disfunção que foi sendo progressivamente disseminada pelo organismo institucional, até se transformar em uma doença letal.

O ponto mais baixo dessa história se passou sem dúvida durante a era petista, em que a corrupção eleitoral transformou-se em uma política de Estado. A coincidência de a lista de Fachin ter sido divulgada quase ao mesmo tempo em que o depoimento do ex-presidente da Odebrecht foi prestado ao juiz Sérgio Moro realça a tese de que o PT não apenas adotou os métodos em vigor na política brasileira quando Lula chegou ao poder em 2003, como os aprofundou para dar a seu partido uma capacidade financeira que lhe permitisse ficar no poder por pelo menos 20 anos, como era o plano inicial de seu principal pensador, o ex-ministro José Dirceu, preso em decorrência dos dois grandes escândalos que foram desvendados nos últimos 10 anos, o mensalão e o petrolão, um decorrente do outro.

Foi a mesma tática adotada para a criação do Bolsa Família, seu principal programa social. O PT pegou todos os programas sociais que vinham sendo implantados no país já anos antes, como a Bolsa Escola do então governador de Brasília Cristovam Buarque, e juntou todos num só, como aliás já era proposto por diversos economistas dedicados ao assunto, como José Marcio Camargo, que foi o verdadeiro idealizador do conceito do Bolsa Família.

O problema imediato é saber como o Congresso vai reagir a esse tsunami, justamente na hora em que é preciso aprovar a ajuda aos Estados e, sobretudo, a reforma da Previdência. Em seguida, é preciso observar as movimentações políticas para a eleição de 2018.

Provavelmente todos os parlamentares, governadores e prefeitos denunciados poderão se candidatar a algum cargo, no objetivo de manter o foro privilegiado. Os processos no Supremo Tribunal Federal (STF) são demorados e não terminarão a tempo de impedi-los que se candidatem. Talvez um ou outro político que já seja considerado réu possa ser julgado a tempo de ser impedido de se candidatar, mas serão poucos os atingidos.

Os processos da primeira instância, para aqueles que como Lula não têm foro privilegiado, andam mais rápido, e talvez pelo caminho apanhem um ou outro que já seja considerado réu, como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha ou o próprio ex-presidente da República.

O fato é que será difícil a um denunciado pela Procuradoria-Geral da República pleitear uma eleição majoritária, principalmente governador ou presidente da República. Muita gente vai ter que refazer seus projetos de futuro, e o país terá que reencontrar um novo caminho político.

A ruptura institucional que se vê pode não trazer convulsões sociais, mas certamente exige decisões corajosas para encontrar o novo que vai surgir do velho que está morrendo em praça pública. (O Globo).

4 comentários:

Anônimo disse...

PÉ NO RABO DE TODOS ESSES QUE SE CANDIDATAREM EM 2018 NESSA LISTA E MAIS ENVOLVIDOS NOUTRAS - APENAS ISSO!
A ordem para 2018 seria de fazer uma RECICLAGEM GERAL, desprezar todos esses constantes nessas listas e outros mais que são sabidos e conhecidos, que as redes sociais se encarregarão de apontarem os nomes para veto deles nas eleições.
Evidentemente, que NÃO SEJA EM LISTA FECHADA(lista-esconde-corruptos) pois ninguém vota no escuro, para depois reaparecerem os mesmos profissionais da política, na maior cara de pau e nós os otarios, que concordamos com essa sujeira!

Alexandre Sampaio disse...

São Paulo, 12 de abril de 2.017

Alhos com bugalhos?!? O que diabos Merval Pereira quis dizer com essa tolice??? Por um acaso, ele tem bandidos de estimação? Pois a população não tem! Que asneira é essa de tentar preservar um sistema carcomido, podre, corrupto, ineficiente, caríssimo como essa republiqueta de bananas onde vivemos? Jornalistas, são de fato, os piores inimigos do povo. Ao invés de informar com isenção, tomam partido das quadrilhas que intitulam-se partidos políticos, e fazem o serviço sujo da desinformação. Sempre achei esse Merval Pereira um cretino. Após esse texto ridículo, passo a considerá-lo além de cretino, um vendido.

Orlando Tambosi disse...

Sampaio, acho que a coisa pode redundar em relativismo a favor dos petistas, como se fossem todos iguais. Não, não são todos iguais. O que os petistas perpetraram é incomparável.

Anônimo disse...

Artur Nogueira diz:
" É verdade que há muitos idiotas(corruptos, mau caráter) no congresso.
Mas os idiotas(corruptos, mau caráter) constituem boa parte da população e merecem estar bem representada"...
não sei de onde "pesquei" essa frase, os adjetivos entre parenteses fica por minha conta...