domingo, 21 de maio de 2017

Eh boi

Artigo de Fernando Gabeira o estouro da boiada da corrupção:


Estava no meio de um artigo sobre a conversa com Deltan Dallagnol no Teatro do Leblon, a respeito dos livros que publicamos. Mandei o artigo para o espaço. Durante muitos anos trabalhei, no Congresso, para proibir bombas de fragmentação. Elas ficam no terreno, às vezes parecem um brinquedo e, de repente, bum: explodem. Nesse terreno minado, no entanto, a JBS nunca me enganou. Faz alguns anos que a menciono em artigos. Ela recebia muito dinheiro do BNDES. E doava também muito dinheiro para as campanhas políticas. O PT levava a maior parte, mas não era o único.

A Polícia Federal já estava no rastro, investigando suas fontes de renda, BNDES, FGTS, todos esses lugares onde o dinheiro público flui para o bolso dos empresários. Assim como no caso da Odebrecht, as relações com o mundo político eram muito amplas. Elas são suficientes para nos jogar, pelo menos agora, numa rota de incertezas.

Temer foi para o espaço, Aécio foi para o espaço, embora este já estivesse incandescente, como aqueles mísseis da Coreia do Norte no momento do voo. O PT e Lula já sobrevoam o mar do Japão. Tudo isso acontece num momento em que há sinais de uma tímida recuperação econômica. Como navegar nesses mares em que é preciso desmantelar o grande esquema de corrupção e não se pode perder o foco nos 14 milhões de desempregados?

Escrevo de noite, num quarto de hotel, não me sinto capaz de formular todos os passos da saída. Mantenho apenas o que disse no Teatro do Leblon: a história não recomeça do zero, haverá mortos, fraturas expostas, ferimentos leves, algo deve restar para receber a renovação que, acredito, virá em 2018. E até lá? Não creio que se deva inventar nada fora da Constituição. Mas será tudo muito difícil. Mesmo porque, em caso de necessidade, a Constituição pode ser legalmente emendada.

No Teatro do Leblon, ainda no meio da semana, não quis fazer considerações finais. Não há ponto final, dizia. As coisas ainda estão se desenrolando num ritmo alucinante. O sistema político no Brasil entrou em colapso. Isso já era uma realidade para muitos, agora deve se tornar um consenso nacional. A sociedade terá um papel decisivo, pois deve preparar uma renovação e simultaneamente monitorar os ritos fúnebres do velho sistema. A grande questão: que caminho será o menos traumático para uma economia combalida?

No meio dos anos 1980 já existia uma forte discussão a respeito de partidos políticos. Não seriam uma forma de organização condenada? Discutia-se isso também em outros países. Partido ou movimento, o que é melhor para reunir as pessoas?

A discussão na França, creio, deve ter influenciado, anos depois, a eleição de Macron, agora em 2017. Ele estava à frente de um movimento, mas precisará dos partidos para governar. As fórmulas da renovação política trazem inúmeras possibilidades. Talvez seja difícil falar delas com tantos obstáculos a curto prazo no universo político.

No momento em que escrevo há surpresas, eletricidade, sensação. Só há clima talvez para se discutirem as medidas mais imediatas. O processo de redemocratização no Brasil chegou a um impasse. Precisa de um novo fôlego, algo que, guardadas as proporções, traga de novo as esperanças despertadas pelo fim do longo período ditatorial.

Foi um longo processo de degradação. As últimas bombas que ainda estão espalhadas pelo terreno ainda podem explodir. Mas a explosão de cada uma delas deve ser celebrada.

A corrupção, apesar das recusas da esquerda em reconhecer sua importância, tornou-se o grande obstáculo para o crescimento do país. Não vamos nos livrar totalmente dela. Há um longo caminho para fortalecer a estrutura das leis, desenvolver uma luta no campo cultural — onde as transformações são mais lentas — e sinceramente mostrar às pessoas que é razoável que estejam surpresas com tantas revelações escabrosas. Mas um pouco mais de atenção já teria detectado o escândalo na fonte, nas relações da JBS com o BNDES, na sua ampla influência nas eleições. Até que ponto tanta surpresa seria possível num universo não só com um pouco mais de transparência, mas também com menos ingenuidade?

O tom de prosperidade, crescimento, projeção internacional ajudou a JBS a dourar a pílula, mesma fórmula de Cabral para encobrir seus crimes.

Nos dias anteriores ao escândalo da JBS, a presidente do BNDES ainda achava estranhas as notícias de corrupção no banco e anunciava que iria apurar as irregularidades na gestão anterior.

E falamos delas há anos. Se essa gente insiste tanto em nos infantilizar é porque, ao longo desse tempo, a tática se mostrou eficaz.

A vigilância pode nos libertar dela, embora sempre vá existir um grupo numeroso que vê nas denúncias contra seus líderes uma conspiração diabólica. Esses, entregamos a Deus, sua viagem é basicamente religiosa.(O Globo).

5 comentários:

Paolo Hemmerich disse...

- POR QUÊ JOESLEY TEVE DE ENVOLVER TEMER E AÉCIO? TUDO FEITO COM A ANUÊNCIA DA PGR?

- PARA GANHAR FORO PRIVILEGIADO E FUGIR DE MORO!!!!

- POIS SOMENTE MORO TEM CORAGEM PARA MANDAR PRENDER BANDIDOS!!!!

Paolo Hemmerich

Anônimo disse...

FEDEU A CARNIÇA, ABUTRES DAS ESQUERDAS!
O problema foi que os aliados de Temer descobriram rapidinho as manobras dos espertalhões da JBS, mamões dos cofres no tempo dos ABUTRES COMUNISTAS DO PT, os lulopestistas!
Foram brecados por Temer por não a regalias e daí partiram pro golpe!
Esses vigaristas se enriqueciam do erario público em detrimento do povo e Temer, de acuado a principio, reagiu com força e as esquerdas esfriaram, pois dessa vez o golpe da montagem do audio deu demasiado na cara, muito mal feito, certos locais imprescindiveis mostrando inaudíveis, com trechos doutras falas!
O pior foi na hora da apresentação: fedeu a uma tal carniça insuportável, a ponto que até dos abutres das esquerdas cairem fora, como no esfriamento das manifestações de hoje!
Sentiram que estão sendo vigiadas!

Maria Gontijo disse...

"...a JBS nunca me enganou. Faz alguns anos que a menciono em artigos. Ela recebia muito dinheiro do BNDES. E doava também muito dinheiro para as campanhas políticas. O PT levava a maior parte, mas não era o único."
De qualquer maneira, o fato de levar a maior parte é significativo. E é significativo não por uma questão ética mas sim por uma questão prática: o partido político que leva a maior parte por debaixo dos panos é o partido político que mais lesa indiretamente os cidadãos brasileiros. Isso pesa e não pode ser diluído entre todos os partidos na mesma medida.

AHT disse...

A REPÚBLICA SOCIALCAPETALISTA DE UESLEYLAND


A origem dessa república

Remonta ao ano de 1957, quando o Zé Mineiro, um
Empreendedor nato, decidiu mudar com a família
Para Brasília, a Novacap em construção, onde seria
Útil e um dos pioneiros fornecendo carne para os
Batalhões de trabalhadores vindos de todo o Brasil.
Laborioso e atento, percebera a oportunidade:
Isenção de impostos durante 4 anos viabilizaria o
Crescimento de sua atividade comercial. Acertou!
Assim, em 1970 e em outra localidade, o seu

Sonho foi realizado ao conseguir comprar
O abatedouro que originou o “Frigorífico Friboi”,
Cuja icônica marca foi sugerida pelo amigo Mário.
Intuição, Acreditar, Garra, Determinação para
Atingir Objetivos, Gerar Empregos e merecidos
Lucros, graças à Competência e Foco no Social.
Com a aquisição em 1980 de mais uma Unidade,
A Friboi (JBS) aumentou o abate de gado de 100
Para 300 cabeças/dia, iniciando a presença
E vendas para o Sul e Sudeste do país.
Trajetória da JBS embalou de vez. Um sucesso.
A JBS, em 1996: no Mercado Comum Europeu!
Logo, a aproximação com o Governo foi
Incentivada e, nos gabinetes em Brasília, as
Soluções que viabilizariam o estrondoso e
Total domínio da equação público/privada,
Alavancando as dimensões e lucros do Grupo.

Descobriu-se, enfim, que os dois filhos daquele
Empreendedor nato, o Zé Mineiro, os Uesleys,

Ultrapassaram os limites da moral e legalidade.
Engendraram e expandiram plano de corrupção
Sem precedentes e que massacrou a Nação.
Lava Jato, felizmente, pôs um fim nessa história
Envolvendo os Três Poderes e os dois Uesleys, os
Yuppies tupiniquins que optaram pelo Crime.
Ligeiros, delataram muitos e se livraram fácil.
Apesar dos crimes, livres, bilionários nos EUA e
No iate, cinicamente rindo da ex-Pátria Brasil.
Do Zé Mineiro, o amigo Mario teria compaixão?

Autor: AHT – 21/05/2017

shamijacobus disse...

QUO VADIS
Boa letra de funk goiano. !!
O Gabeira sempre dá um jeito de colocar uma "mentirinha" nas prosas?.
BOMBAS DE FRAGMENTAÇÃO estão proibidas fazem muito tempo,apesar do Brasil e outros NÃO SEREM signatários,mas tem aqui fábrica das mesmas.

http://www.globalsecurity.org/military/systems/munitions/cluster.htm

eu não guento