sábado, 20 de maio de 2017

Janot vai para o banco dos réus?

Esta é a pergunta formulada pelo jornalista Fernão Lara Mesquita, do blog Vespeiro, com quem compartilho boa parte das dúvidas sobre o escândalo dos ésleys. Segue o post:


Michel Temer está ressuscitando…

Estava começando a escrever aqui que, vistas inúmeras vezes as cenas dos depoimentos dos ésleys e sua turma na PGR tive várias vezes a impressão que interrogadores e interrogados estavam numa encenação quando a FSP de sábado chegou às bancas com uma matéria bombástica.

O perito Ricardo Caires dos Santos, do TJSP, analisou a gravação Joesley x Temer e detectou “mais de 50 pontos nos quais ela foi editada“, alguns deles dos mais capciosos.

Em duas das respostas de Temer nos trechos que se referiam a Eduardo Cunha, por exemplo.

Estas:

“Tá… Ele veio [corte] tá esperando [corte] dar ouvido à defesa.. O Moro indeferiu 21 perguntas dele… que não tem nada a ver com a defesa dele”

“Era pra me trucar, eu não fiz nada [corte]… No Supremo Tribunal totalidade só um ou dois [corte]… aí, rapaz mas temos [corte] 11 ministros“.

Ha mais de 40 interrupções sobre as quais o perito diz que “não dá pra dizer se são cortes ou defeitos do gravador“.


Um único corte numa gravação já é bastante para anulá-la como prova.

A matéria esclarece, também, a cronologia dos acontecimentos: o áudio do Jaburu foi gravado em 7 de março; a gravação nunca passou pela PF, foi feita, “processada” e divulgada por conta exclusiva da PGR do dr. Janot; a PF só foi chamada a entrar no caso em 10 de abril.

As tais “ações coordenadas“, das quais a gravação é a maior, foram portanto decididas, combinadas com Joesley e autorizadas apenas e tão somente pela PGR e ANTES dos depoimentos que as TVs estão mostrando agora.

Já tinha ficado registrado aqui que o que sustenta aquela gravação é um longo monólogo de Joesley cuidadosamente estruturado para contar duas ou três histórias diferentes e registrar vários nomes de envolvidos, como se tivesse sido pensada para instruir um processo e caracterizar os dois únicos crimes que podem derrubar um presidente — obstrução de justiça e crime cometido no atual mandato — e que a participação de Temer resumia-se a três ou quatro frases e mais um monte de monossílabos. Agora informa-se que mesmo estes foram editados.


Como e porque os 2 milhões de reais de Aécio tiveram prioridade nos grampos da PGR e em suas “ações coordenadas” sobre as dezenas de outros episódios cabeludérrimos delatados, entre os quais os 150 milhões de dólares postos numa conta direta para Lula e Dilma no exterior, é outro aspecto que, depois de ouvidos os vários depoimento, chama a atenção. Saud, o operador do departamento de propinas da JBS, chega ao exagero de, lá dentro da salinha de interrogatórios da PGR, levar fotos ampliadas em duas folhas da fachada da casa de Aécio e a ampliação de um outro documento que, nitidamente, exibia para a câmera e não para os seus inquisidores.

Para que? Não havia nenhuma necessidade disso para se fazer entender por eles.

Em vários outros momentos interrogadores e interrogados se substituem acrescentando pedaços de uma mesma história, como se já a tivessem ouvido antes. Coisas tipo: “E aquele episódio X, como foi mesmo…“, e Joesley emendava. Pelas reações tranquilas e burocráticas dos inquisidores tudo soava, não como a exposição de novidades surpreendentes e chocantes como de fato eram para quem as ouve pela primeira vez como é o padrão dos interrogatórios do juiz Moro que têm sido divulgados, mas um relato montado “para o público“.


Cabe, de qualquer maneira, perguntar como a PGR do dr. Janot se resolveu a montar a mãe de todas as “ações controladas“, com Joesley se insinuando na residência do presidente da República para falar “por acaso” precisamente nos assuntos que poderiam levar à caracterização dos dois únicos crimes capazes de derrubá-lo se ele e quem o instruiu não soubessem de antemão exatamente o que queriam colher?

Michel Temer certamente não é santo e ir parar na Presidência da Republica não revogaria nem o seu passado, nem a sua cultura, assim, por encanto. Mas que ele pôs o que aprendeu por maus caminhos a serviço de uma boa causa essencial para o Brasil num momento de agonia é, pura e simplesmente, fato.

Tudo que os ésleys contam sobre como foram sendo empurrados a servir 1829 políticos e candidatos de 29 partidos com cerca de meio bilhão de reais em poucos anos é claramente verdadeiro, inclusive as partes que afetam Michel Temer. O que não é verdadeiro nos depoimentos deles é exatamente o que não disseram nem lhes foi perguntado pelos auxiliares do dr. Janot sobre o homem (e seu “poste“) que lhes proporcionou saltar de um faturamento de 4 bi para outro de 170 bi em sete anos, como seria de se esperar. A PGR só estava especialmente interessada nos R$ 2 milhõezinhos de Aécio Neves.

É a mesma técnica de mentir – por omissão – que a imprensa usa porque trombar de frente com a verdade num registro histórico que pode ser conferido e desmascarado logo adiante seria só uma burrice.


Essa história está esquisita por qualquer ângulo que se olhe desde o primeiro minuto. Hoje veio a notícia que tornou essa esquisitice oficial. O MPF (a turma do Moro) não aceitou a libertação com uma multinha de amigo (menor que o que ganharam operando com dólar a repercussão da sua própria “bomba“) com que a PGR tinha liberado os ésleys, e impôs-lhes, por cima do dr. Janot, uma multa de R$ 11 bilhões que eles recusaram pagar. À meia noite de ontem expirou o prazo para um acordo de leniência com o MPF (e pode-se negociar um na PGR e outro no MPF?) pelo que, os 2ésleys podem acabar, nos próximos dias, virando no mínimo fregueses da Interpol como merecem duplamente depois da covarde tentativa de assassinato contra um país agonizante de que se permitiram tornar protagonistas para se livrar a preço de ocasião de 10 anos de falcatruas e da apropriação indébita de dezenas de bilhões de dinheiro público.

Pelo rumo que a coisa tomou agora, pode ser que eles não sejam os únicos a serem obrigados a trocar de assento, da banca da acusação para o banco dos réus.

7 comentários:

Anônimo disse...

Dia 10 de abril de 2017, prédio da PGR em Brasília-DF:

JOESLEY: – Doutor Janot, tenho aqui comigo uma gravação que fiz com o Pres. Temer, sem ele saber…
JANOT: – Posso verificar a gravação?
JOESLEY: – É para isso que estou aqui!
JANOT, após ver toda a gravação: – Sr, Joesley, isso é grave!! Esse Presidente é um bandido! O senhor correu um sério risco…
JOESLEY: O senhor viu ali, quando eu CONFESSEI PARA ELE que comprei um procurador, um preso e uns deputados, para a Dilma, E TEMER NÃO ME DEU VOZ DE PRISÃO!!
JANOT: – Pois é, é grave! Temer PREVARICOU!! Vamos falar com Fachin!!!
FACHIN, após assistir a Gravação: Gravíssimo, Dr. Janot!!! O senhor viu? Temer PREVARICOU!!! Esse Sr. Joesley correu um tremendo risco!!! Mande ele se esconder em NYC!!!

Unknown disse...

Vamos fazer um abaixo assinado para impinchar o Janot e o Facchin

César de Castro Silva disse...

Por essa e outras sobradas de curvas da PGR o povo está começando a perder a credibilidade no Ministério Público. Cuidado Dr. Janot, meu avô sempre me disse que o calor dos holofotes da imprensa pode derreter os neurônios quando o sujeito fica muito exposto a eles.

Avelar Livio dos Santos disse...

Os caras da JBS fizeram o papel deles: ganhar dinheiro. Se no Brasil só se ganha corrompendo agentes publicos do Estado regulador, a culpa não é deles. Quem ROUBOU O BRASIL foi o FDP do ALIBABA e seus 400 LADRÕES.

Paolo Hemmerich disse...

- POR QUÊ JOESLEY TEVE DE ENVOLVER TEMER E AÉCIO? TUDO FEITO COM A ANUÊNCIA DA PGR?

- PARA GANHAR FORO PRIVILEGIADO E FUGIR DE MORO!!!!

- POIS SOMENTE MORO TEM CORAGEM PARA MANDAR PRENDER BANDIDOS!!!!

Paolo Hemmerich

Manoel Francisco Gomes disse...

Se não vai, deveria ! Sua conduta no caso dos irmãos JBS tramando com Lula a queda de Temer é para lá de suspeita. É preciso apurar suas reais intenções.

Anônimo disse...

As esquerdas atrevidas são peçonhentas, vivem de tramas e trapaças e são inventivas de como será o próximo trambique contra seus adversarios, como Temer e aliados.
Suportam tudo, menos após serem desmpoleirados verem seus desafetos consertando o esses malfieores fizeram e fazem de tudo para obstruirem seus caminhos!
Só que, as com redes sociais vigiando, monitorando os laboratorios de engenharia social deles onde processam seus crimes estão muito repetidos, pois varias modalidades de golpes desses marginais já são bem conhecidos, portanto, cortando rapidinho os efeitos dos venenos que tentam nos inocular, serpentes como são!