sexta-feira, 14 de julho de 2017

A eterna vítima

Às voltas com lei, que violou sistematicamente, assim como vilipendiou as instituições, Lula posa de vítima - a eterna vítima. Editorial do Estadão:


A trajetória de vida de Luiz Inácio Lula da Silva é marcada pela vitimização. Até certo ponto, a condição lhe teria sido determinada pelas adversidades que afligem tantos milhões de brasileiros como ele. Só mais tarde, quando a malandragem já estava suficientemente desenvolvida para capturar o potencial político daquela condição, é que nasceu a persona pública de Lula, a eterna vítima.

Ele é o sétimo de oito filhos de um humilde casal de lavradores analfabetos, o menino que passou fome e não teve acesso à plena educação formal. É o sertanejo forte descrito por Euclides da Cunha, o jovem que sobreviveu à inclemência do agreste pernambucano e veio fazer a vida na Grande São Paulo. É o metalúrgico que ousou enfrentar a ganância da burguesia e ascendeu como a maior liderança sindical do Brasil. É o político nato que lutou contra a ditadura e ajudou a escrever uma nova Constituição democrática. É o candidato que passou quatro campanhas presidenciais sendo achincalhado por não ter um diploma universitário, mas triunfou no final. “Fui acusado de não ter diploma superior. Ganho como meu primeiro diploma, o diploma de presidente da República do meu País”, disse ele, chorando, em dezembro de 2002. Agora, é o criminoso condenado injustamente a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Lula da Silva não existe na esfera pública se não estiver sendo vítima de alguma injustiça ou atacado pela força de uma arbitrariedade. Jamais é o sujeito ativo de seus próprios infortúnios, o único responsável pelas consequências das más escolhas que faz. Quando os fatos contradizem o mito, que se reescrevam os fatos.

No primeiro pronunciamento após a condenação histórica pelo ineditismo – Lula da Silva é o primeiro ex-presidente da República condenado por um crime comum –, a cantilena da vitimização deu o tom. O que se viu na manhã de ontem, no diretório do PT em São Paulo, foi o personagem de sempre, dizendo as platitudes de sempre. Durante o discurso, que durou pouco mais de meia hora, em nenhum momento Lula da Silva contestou objetivamente as razões de sua condenação, minuciosamente descritas ao longo das 238 páginas da sentença proferida pelo juiz Sérgio Moro.

Sabedor de que a esmagadora maioria de sua audiência cativa não irá ler a peça condenatória – e aqueles que a lerem o farão com os olhos enviesados pela paixão que devotam ao demiurgo –, Lula se dedicou ao discurso político de candidato à Presidência, um recurso, aliás, que hoje lhe parece ser mais importante do que aqueles que seus advogados, certamente, irão interpor na Justiça.

O desapreço que Lula demonstra ter pelo Poder Judiciário é tal que o ex-presidente não se limitou a criticar o teor da sentença que o condenou, um direito legítimo que assiste a qualquer réu. No que chamou de “entrevista coletiva” – outra mistificação, pois não abriu espaço para perguntas dos jornalistas –, Lula foi além e questionou a própria legitimidade do Poder Judiciário para julgá-lo. “Só quem tem o direito de decretar o meu fim é o povo brasileiro”, disse ele.

A fragilidade de Lula da Silva no campo jurídico é evidente. A sentença condenatória divulgada ontem corresponde apenas a um dos cinco processos a que o ex-presidente responde. Para ele e seus sequazes, a alternativa à cadeia é a aposta numa candidatura à Presidência em 2018. “Senhores da Casa Grande, permitam que alguém da senzala cuide deste povo”, disse o pré-candidato, agora condenado, transformando o que deveria ser um ato de contrição em um ato político-eleitoral.

A sentença do juiz Sérgio Moro expôs ao Brasil o verdadeiro Lula da Silva, não o personagem que ele criou para sua própria conveniência política, envernizado ao longo dos anos por marqueteiros contratados a peso de ouro.

Mantida a sentença condenatória da primeira instância pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 4.ª Região, Lula estará inelegível. Caso o tempo da Justiça não seja o mesmo da política, que as urnas sejam tão implacáveis quanto a sentença. Para o bem do Brasil e dos brasileiros.

9 comentários:

Anônimo disse...

Vítimas na verdade somos nós, que sofremos na pele com esse boçal, dilmanta, zedesceu, ruinddade, farso gênero, pilantrel e todos os outros jecas totalitários.

HACKHAM disse...

Psicopata em alto grau.

Anônimo disse...

Do texto: "É o metalúrgico que ousou enfrentar a ganância da burguesia e ascendeu como a maior liderança sindical do Brasil. É o político nato que lutou contra a ditadura e ajudou a escrever uma nova Constituição democrática"

Quanta mentira!!!

Ele criava as greves no ABC, e depois ia ao grande capital receber o seu quinhão para terminar com elas.

Lutou contra a ditadura??? Ele era um X-9 !

Ajudou a escrever uma nova CF ???? Desde quando ???? Ele nunca quis assinar a nova Constituição.

Lula é uma farsa!!!!


Chris/SP

Orlando Tambosi disse...

Tomei como ironia, Chris. O PT, na verdade, se recusou a assinar a Constituição.

Anônimo disse...

Lula como personagem seria cÇomico se não fôsse trágico. Mas não lhe digam isso. E nem que a definição é de Shakespeare. Ele já está muito enrolado.

César de Castro Silva disse...

So uma perguntinha:POR QUE LULA NUNCA CONTESTOU OU INGRESSOU COM ALGUMA AÇÃO CONTRA OS LIVROS DE TUMA JÚNIOR E JOSÉ NEUMANE QUE TÃO BEM MOSTRARAM QUEM ELLE É ?????

Despetralhando disse...

O segundo parágrafo é uma farsa tal qual o luiz51, nunca antes na história deste país um pulha nos mostra que, quando não está de conchavo com azelite está fazendo política rasteira do nós contra eles.
Acho que uma "gravata de corda" atrelada a um ramo ficaria de bom tamanho.

Anônimo disse...

Que os desembargadores da capital gaúcha não nos desapontem com seu futuro acórdão! Caso contrário, infelizmente, eles e seus respectivos familiares não terão vida fácil na sociedade sulista.

Anônimo disse...

Entrei aqui para postar meu comentário sobre uma das frases do editorial do Estadão, mas não será preciso: Chris disse tudo o que pretendia escrever aqui !
Chris, faço minhas suas palavras e acrescento apenas uma palavra, ou melhor, reescrevo sua última frase para caracterizar melhor esse ser maligno que infectou o Brasil:
Lula é uma farsa e, mais que isso, um psicopata criminoso e covarde!