quinta-feira, 6 de julho de 2017

As flechas de Janoesley contra a Lava-Jato

Valentina de Botas, colaboradora de Augusto Nunes, desce a lenha em Rodrigo Janot, o arrogante procurador-geral da República (que república quer ele?). Não a recrimino, depois de assistir a entrevista que ele deu a Rodrigo D'Avila, onde se mostrou trôpego, às vezes balbuciante nas respostas. Depois dessa, o homem que "absolveu" o açougueiro-mor perdeu o resto de confiança que alguém podia ter:


Toca o berrante

Comecemos por onde? Pelo começo não dá mais, pois Janoesley, marqueteiro do PT, impõe a narrativa fraudulenta que deslocou para o governo Temer a gênese e o comando da roubalheira+competência que trouxe o país a um momento tão perigoso. Uma espécie de começo posposto pelos fatos borrados, pelo pensamento aplainado. O fim, não sabemos como será, então fiquemos com o impreciso momento presente: Geddel é investigado por atos cometidos no governo Dilma Rousseff e também foi ministro de Lula. Ah, e isso muda o quê? Isso desentorta a informação, torna honesta a crônica dos fatos, ilumina o centro da cena e oferece ao público que assiste abestalhado a coisa como a coisa é. Na chamada grande imprensa, os poucos que fazem tais lembretes sustentam a esperança de o debate ainda respirar, mesmo que acabem agredidos pelo berrante avisando que o combate é a pessoas: o combate ao crime se tornou coadjuvante.

Nauseado-parcial da república

No programa Conexão Roberto D’Ávila, o procurador-parcial da república disse que sentiu náuseas ao ouvir a gravação ilegal da conversa imprópria entre Joesley e Temer. Mas não por ela ser ilegal. Somente com autorização do STF o presidente de qualquer poder da república pode ser gravado. Por isso Teori Zavascki determinou a Sérgio Moro o descarte dos áudios gravados de Lula, aquele em que Dilma foi pega falando do Bessias. Ao contrário de Zavascki, Janot não fica nauseado com uma ilegalidade para combater a ilegalidade que lhe dá náusea. O nauseado-parcial da república não sentiu nada ao ouvir Dilma gravada falando sobre o “papel que o Bessias tá levando, viu, Lula?”; nem com a gravação da tentativa de Mercadante, então ministro de Dilma, de comprar o silêncio do senador Delcídio do Amaral que estava preso; nem quando Monica Moura contou do endereço de e-mail clandestino pelo qual Dilma avisava ao casal marqueteiro os passos da Lava Jato. O que falta para desmascarar o nauseado-parcial da república que tem um antiemético natural para as ilegalidades petistas?

Flechas contra a Lava Jato

“Enquanto houver bambu, lá vai flecha”. Ótimo, que os merecidos alvos sejam alvejados! Mas o súbito arqueiro poderia contar onde guardava tanto bambu enquanto Dilma Rousseff era presidente. Só Pasadena era um extenso bambual e o arqueiro, talvez se imaginando no lugar trágico de Sofia a fazer uma escolha entre poupar Dilma e poupar Dilma, resolveu poupar Dilma. Cumprir a lei não lhe pareceu estímulo suficiente para mandar algumas flechas contra alvos escancarados em vigarices sem fim. Assim, estava o arqueiro posto em sossego, sem ter enxergado um calheiros ou um mercadante a um palmo do arco, quando Joesley Batista apareceu. Alvo fulgurante para flechas flamejantes parido no tremendo bambual cultivado por Lula e Dilma, Joelsey as desviou para Temer, alvo menor, mas isso se arranja transformando-o no chefe da bambuzada. O arqueiro se empolgou para nova escolha de Sofia: basear uma denúncia contra Temer numa prova ilegal ou basear uma denúncia contra Temer numa prova ilegal? Decidiu basear uma denúncia contra Temer numa prova ilegal. O problema não é investigar ou não investigar este ou aquele político, mas decidir contra a lei. Deixando Joesley livre e mais rico, apresentando uma denúncia contra Temer cujo próprio teor admite a inexistência de provas, Janot talvez não consiga derrubar o presidente, mas cumpriu metade da meta ao desidratá-lo antes das reformas que não serão como seriam e tirou Lula da cova política. As flechas do arqueiro lambão atingiram o país e a própria Lava Jato.

A grandeza de Fernando Henrique Cardoso

FHC quer um gesto de grandeza do presidente e pede que renuncie para abater a Constituição antecipando-se eleições diretas. Não tenho certeza, talvez fosse melhor Temer renunciar, nem por grandeza, e sim porque ou bem um governante governa ou bem se defende, mas que sua eventual renúncia preserve os ditames constitucionais. A fala de FHC é só mais uma tristeza nestes dias tristes contemplar a falta de coragem do nosso último estadista vivo para convidar a alguma sobriedade e ao respeito à Constituição. Ele quer grandeza de Temer. Compreendo. Talvez por passar tanto tempo considerando Dilma Rousseff honrada, FHC não saiba ao certo o que fez da própria grandeza, restando-lhe apelar à alheia.

O que a Harvard Law School não ensina

Aécio e Temer têm foro especial, não estão, portanto, na “jurisdição” de Deltan Dallagnol. Mas o dono de currículo brilhante, lustrado na Harvard Law School, militante das redes sociais e procurador do MFP nas horas vagas, tem dedicado posts à prisão/investigação do senador e do presidente. Sobre Lula, que está na jurisdição do blogueiro, nada. Se entendesse como funciona uma democracia, silenciaria sobre quaisquer investigados. A tagarelice panfletária do blogueiro e o fanatismo do militante conspurcam as funções institucionais do procurador num proselitismo incabível que pode melar-a-Lava-Jato; no mínimo, isso toma o tempo e/ou a atenção na busca de provas para condenar a bandidagem. Dallagnol parece ignorar o que os brasileiros imunes à idolatria ao MPF/LJ já sabemos: power-point e politicagem não mandam ninguém para a cadeia.

Um dos meus defeitos

Pensei em comentar o fato de o PSDB ameaçar outra vez abandonar a base do governo. Mas um defeito meu impede que me ocupe desses tucanos: não tenho paciência para maricas.

É a economia, fanáticos

Frustrante para grande parte da grande imprensa anunciar os pequenos sinais positivos da economia – por serem positivos, não por serem pequenos. Apesar do perigoso fundamentalismo de uma porção patética da Lava Jato, apesar do fundamentalismo à esquerda e à direita, apesar das flechas, apesar do berrante tangendo a manada; e o Brasil que presta e trabalha responde bem, mostrando alguma imunidade contra quem se elegeu para o arruinar e contra os que se autoatribuíram a autoritária missão de o salvar. 

Certezas escondidas atrás da lata de biscoito

Como todo indivíduo é discutível, tenho cá meus fatores de indeterminação, mas tento me apegar a algumas certezas na vida, umas três ou quatro – não sei com certeza – que escondo atrás da lata de biscoito na última prateleira do armário da cozinha. Eu as protejo de mim mesma como a noiva esconde do noivo o vestido de casamento. Uma delas é que no mundo há belezas, o mistério é saber tocá-las e por elas deixar-se tocar. Talvez, meu eventual leitor, você pense que estou falando de coisas grandiosas, profundas ou definitivas. Desculpe, não tenho esse alcance. Falo de alguém que o tem, aliás de um texto dele: a resenha de Augusto Nunes, publicada na atual edição da Veja, de Oswaldo Aranha – Uma Fotobiografia, de Pedro Corrêa do Lago. Nestes nossos dias em que a era da covardia vestida de insensatez parece suceder a era da mediocridade sem que esta seja superada, o texto confirma a impressão. Nunes garante que o livro está à altura do grande Oswaldo Aranha, vou conferir assim que puder. A resenha está e é luminosa negação do desencanto que nos tornamos ao mesmo tempo em que o desvela. Só lendo. Toque esta beleza e deixe-se tocar.

6 comentários:

César de Castro Silva disse...

Perfeito! Parabéns pela matéria, faço minhas suas palavras.

Anônimo disse...

Janot foi colocado por Dilmaracutaia, precisa mais?
Eis aí seu atestado de público de esquerdismo, podendo se o comparar a Lewandowsky, Toffoli e a coisas mais comunistas!

Anônimo disse...

A empregada da Globo fake News Sandra Annenberg anunciou no JH a pouco wuecem 11 anos o país tem deflação, mas isso não é pq a economia vai bem e sim pela redução do consumo.. KKKKKKKKKKKKKKK
Como é difícil pra essa cambada dar o braço a torcer!

Anônimo disse...

Não assisti a edição pq não tenho mais estômago pra essas fakes, vi na chamada

Anônimo disse...

Valentina de Botas, você sempre lava minha alma com seus textos iluminados de verdade, sensatez e clareza ímpares!
Perfeito em todos temas abordados ! Parabéns e obrigada pela leitura gratificante !

AILTON FERREIRA disse...

E quando o Estado, governo de Pernambuco, parte da categoria de classe dos advogados, empresários e os próprios parentes se unem para matar à sua mãe idosa incapaz para que o roubo de propriedade intelectual der certo? COMO VOCES QUE ESTÃO CHOCADOS COM O CRIME DO GEAP FICARIAM? Os Pernambucanos que criticam os ministros do stf, o governo de Dilma e Lula e não denunciam ou crítica o caso da Facepe FUNDAÇÃO DE AMPARO A CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO e finep mcti onde os juízes, promotores e procuradores são omissos diante de graves violação aos direitos humanos são HIPÓCRITAS: Existe uma máfia instalada formada por juízes, promotores, procuradores, defensores públicos , empresários, advogados e família aliciada para o crime organizado em Recife Pernambuco. Mãe idosa incapaz falecida e eu somos uma das vítimas dessa quadrilha já denunciada no ministério da justiça e senado... O pgr Rodrigo Janot vem dando guarida a esses marginais. POR QUER O MPPE NÃO APARECEU NA OPERAÇÃO TURBULÊNCIA?...... O ministério público de Pernambuco vem sendo omisso em graves denúncias de corrupção, crime organizado, quadrilha, abuso de poder e terrorismo político-econômico de estado para proteger o governo de Pernambuco PSB desde a época do falecido ex-governador Eduardo Campos......... VÍTIMA DO GOVERNO DE PERNAMBUCO DE EDUARDO CAMPOS, mãe 82 anos, TEM PROVAS NO STJ PELA RP 471 DEFERINDO O REQUERIMENTO DEVIDO A ROUBO DE PROPRIEDADE INTELECTUAL PRATICADO PELA FACEPE FUNDAÇÃO DE AMPARO A CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE PERNAMBUCO, FINEP MCTI E DUAS EMPRESAS PRIVADAS CALTECH DE FLÁVIO FONTES E 5IT DE ALLYSON PRAXEDES E HERMANO VENÂNCIO PROTEGIDAS PELO ACÓRDÃO ENTRE GOVERNO DE PERNAMBUCO PSB, TJPE DEFENSORIA PÚBLICA, MPFPE, MPPE E PGR RODRIGO JANOT MONTEIRO.