sexta-feira, 21 de julho de 2017

Globo apóia aumento de impostos e da inflação: esta é a mídia golpista "de direita".

Como de hábito, Ricardo Bordin traça nítido quadro do que está acontecendo no país mais corrupto do mundo e que sempre passa a conta para o contribuinte:


Michel Temer, tão logo assumiu o comando do Planalto, anunciou alvissareiras intenções de promover um forte ajuste fiscal que permitiria, por via reflexa, reduzir a inflação, a taxa básica de juros e o desemprego, bem como alavancar a criação de riqueza, sem a necessidade de aumentar impostos. Mas tudo indica que o aperto de cinto programado ficou bem aquém do necessário, e lá vem o brasileiro pagar a conta das inúmeras concessões feitas aos mais diversos grupos de pressão que não curtiram a idéia de entrar no rateio do sofrimento pela recuperação da economia:
O governo anunciou nesta quinta-feira (20) o aumenta da tributação sobre os combustíveis e um bloqueio adicional de R$ 5,9 bilhões em gastos no orçamento federal. Em nota, os ministério da Fazenda e do Planejamento informaram que será elevada a alíquota de PIS e Cofins sobre os combustíveis. O aumento começa a valer nesta sexta (21).
Ao ser divulgada a péssima notícia, a expectativa era de que dificilmente alguém do estamento midiático apoiaria tal medida extremamente mal-vinda, dado o cenário de insistente estagnação nacional – ainda mais considerando a notável disposição da imprensa nos dias que correm para bater no Chefe do Executivo, bastante enrolado diante da eficiência seletiva da PGR.

Mas eis que, para “surpresa” de muitos, um certo veículo de comunicação – tido como “direitista” pela ala que assim considera todos que não são de extrema-esquerda – achou bacana a iniciativa da equipe de Henrique Meireles de, na incapacidade de cortar na própria carne, largar no lombo do Zé Povão a fatura do descontrole dos cofres públicos:

Vejam que coisa: chegou o dia em que a Globo apoiou uma política tipicamente de esquerda de Temer, justamente por ser essa a linha editorial da emissora; mas ainda assim ela vai tomar pedrada da esquerda por prestar apoio a um presidente “de direita”.

Que ninguém imagine, por favor, que esta não é a opinião da rede de jornalismo apenas porque sua matéria afirma que “economistas” acreditam ser acertada a providência: existem pareceres de profissionais da área para todos os gostos, e a empresa simplesmente põe o microfone na boca daqueles com quem concorda.

O pior é que os entrevistados também deixaram claro que “um pouco” de inflação não vai fazer tão mal assim. É. Só vai tirar mais poder de compra do João, que vai comprar menos no armazém do Pedro, que vai precisar demitir a Maria e comprar menos mercadoria para revenda do Rafael, que vai contratar menos serviços de transporte de carga do Roberto do caminhão…parece promissor!

Thomas Piketty e Paul Krugman (e Ciro Gomes) poderiam ter perfeitamente assinado esta reportagem. Afinal, sem este aumento de impostos, ficaria difícil manter os inúmeros programas de redistribuição de renda governamentais – especialmente os voltados aos metacipalistas, via BNDES e demais benesses obtidas por quem tem “boas relações institucionais” -, ainda que a custo de prejudicar investimentos privados, o que acaba por incluir mais pessoas no rol de pessoas necessitadas destes programas – gerando um ciclo esquizofrênico descrito por Andrew Klavan neste vídeo:

Laissez-faire é a expressão francesa que simboliza o liberalismo econômico, segundo o qual o mercado deve funcionar livremente, sem interferência estatal, apenas amparado pela proteção aos direitos de propriedade. Sua origem é atribuída ao comerciante Legendre, que a teria pronunciado numa reunião no final do século VII presidida por Jean-Batiste Colbert, ministro de Estado e da economia do rei Luís XIV, em meio a clamores para que o governo “parasse de ajudar” os empreendedores locais e apenas os deixasse em paz.

Pois já passou da hora dos empreendedores brasileiros – aqueles não eleitos “campeões nacionais” – bradarem o mesmo grito em uníssono. Não que a Globo vá repercutir, claro. Ela é “de direita”, mas nem tanto…

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