quarta-feira, 12 de julho de 2017

Zveiter e os Marinho: relações que atravessam três gerações.

Sérgio Zveiter, relator da denúncia contra Michel Temer na CCJ do Congresso, tem profundas ligações com a família Marinho, dona da Rede Globo. Fernão Lara Mesquita traça um perfil devastador dessas figuras - não por acaso, figurões do falido Rio de Janeiro:


As relações entre as famílias Zveiter e Marinho atravessam tres gerações. Luiza Zveiter, filha de Luiz Zveiter, irmão de Sérgio, o relator da denuncia contra Michel Temer na CCJ do Congresso, é apresentadora da GloboNews. O pai de Sérgio, avô de Luiza, Waldemar Zveiter, fundador do escritório de advocacia da família, tornou-se desembargador do TJ do Rio de Janeiro pelo “Quinto Constitucional”, uma velha gambiarra que reserva 20% desses postos a nomeações pelos governadores furando o concurso público exigido.

A familia saltou para esferas mais altas quando, em 1989, o escritório Zveiter defendeu Roberto Marinho no divórcio litigioso de sua primeira mulher, Ruth Albuquerque. Logo depois defendeu também a Rede Globo no processo contra a TV Aratu, da Bahia, quando transferiu dela para a TV Bahia, da família de Antonio Carlos Magalhães, os direitos de retransmissão da Globo para aquele estado. Ministro das Comuicações de Jose Sarney, ACM, como se sabe, deu uma sobrevida aos velhos “coronéis” da política nordestina que a “Nova Republica” que nascia depois de 21 anos de regime militar prometia jogar no esquecimento, presenteando-os com as concessões de rádio e televisão que acabaram por reeditá-los como “coronéis eletrônicos”.

Waldemar acabou sendo indicado ministro do STJ por Jose Sarney, proprietário da retransmissora da Globo no Maranhão, em 1989.

Até hoje o escritório dos Zveiter advoga para a Globo.

Como o pai, Luiz Zveiter também foi indicado desembargador pelo “Quinto” em 1995. Desde 1996 os dois irmãos vêm dividindo o comando do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, um “órgão disciplinar” da Confederação Brasileira de Futebol. Entre 1996 e 1998 e depois entre 2000 e 2005, Luiz presidiu o STJD. Forçado a sair em 2005, sucedeu-o seu filho Flávio. Entre 1998 e 2000 o comando coube a Sérgio que protagonizou o rumoroso “caso Sandro Hiroshi” no campeonato de 1999, que tirou o Botafogo do rebaixamento “no tapetão”, um caso tão escandaloso que acabou suspendendo por um ano o Campeonato Brasileiro de Futebol.

Luiz tambem foi presidente do TJRJ no bienio 2009-2010. Outro de seus feitos controversos foi a reconstrução do Palácio da Justiça do RJ pelo famigerado empreiteiro Fernando Cavendish, da Delta, aquele da “festa dos guardanapos” no Ritz de Paris, e a Carioca Engenharia, outra das que mais frequentam as delações da Lava Jato. Sob Sergio Cabral o escritório da familia conquistou oficialmente contratos de R$ 30,9 milhões com a Cedae enquanto Luiz Zveiter era presidente do TJRJ.

Sua “popularidade” nos meios jurídicos cariocas pode ser medida por um único feito. No meio do recesso de junho de 2009 da ALERJ, conseguiu aprovar a Lei dos Fatos Funcionais por meio da qual, a titulo de equiparar os magistrados do Rio de Janeiro aos proventos do Ministério Publico, instituiu uma boa parte dos 14 “benefícios adicionais” a que os magistrados daquele estado, os mais agraciados do país, “têm direito” hoje.

Em 2010 a PGR, hoje sob o dr. Janot e então sob Roberto Gurgel, questionou os supersalários do judiciário carioca apontando a inconstitucionalidade da Lei dos Fatos Funcionais. Em 2012 teve inicio o julgamento do caso no plenário do STF e o ministro Ayres Britto, o primeiro a se manifestar, votou pela inconstitucionalidade da lei. Na sequência, porem, o ministro Luis Fux, nomeado por Dilma em 2011, “pediu vistas do processo” que até hoje não retornou ao plenário.

Em 2014 Luiz Zveiter só pôde se candidatar novamente à presidência do TJRJ graças a liminar com que Luis Fux derrubou norma do Conselho Nacional de Justiça proibindo a reeleição para esse cargo. Como não foi bem sucedido nessa tentativa vai concorrer a nova reeleição em dezembro próximo e é o favorito para o cargo. (Coincidentemente, em abril deste ano, Marianna Fux, filha do ministro, também tornou-se desembargadora pelo “Quinto Constitucional” como é tradição na família Zveiter).

Sergio Zveiter é o membro da família que se voltou mais para a política. Foi presidente da seccional carioca da OAB aos 33 anos. Com ajuda do irmão, processado por aparecer nas suas campanhas enquanto era presidente do TJRJ, e com financiamentos da UTC (R$ 400 mil), da Carioca Engenharia (350 mil), da Andrade Gutierrez (294 mil) e mais “R$ 4 milhões de dinheiro da própria família” elegeu-se deputado federal pelo PSD em 2010, e reelegeu-se em 2014. Tudo entre licenças para servir governos. Passou pelo PDT e agora esta no PMDB. Ocupou quatro cargos de governo: secretario de Justiça de Anthony Garotinho, de Jutiça e Direitos do Cidadão de Rosinha Garotinho, de defesa do Consumidor novamente de Rosinha, de Trabalho e Renda de Sergio Cabral que esta preso, e secretario de Habitação e Cidadania do prefeito Eduardo Paes. Licenciou-se novamente em 2015 para assumir a secretaria de Eduardo Paes. Os processos mais rumorosos em que esteve envolvido antes dessa ultima função, aliás, referem-se a favorecimentos a grupos do setor imobiliário para construção em áreas proibidas, inclusive uma que veio a ser vizinha do campo de golfe construido para as Olimpiadas pelo ultimo governo a que serviu, a prefeitura de Eduardo Paes.

Um comentário:

Anônimo disse...

Maravilhosa cidade...