sábado, 20 de janeiro de 2018

O péssimo selvagem

O primeiro-ministro de Portugal, o socialista António Costa, que viola o português tanto quanto Dilma, é o alvo da crônica semanal do jornalista Alberto Gonçalves, publicada pelo Observador. "O dr. Costa escreve como fala e, para nossa miséria, provavelmente fala como pensa":


Na quinta-feira, o dr. Costa escreveu no Twitter: “Tive com o Presidente da República da Eslovénia e tivemos uma excelente e amigável reunião de trabalho”. Desconheço o idioma em que a excelente e amigável reunião decorreu, mas rezo aos santinhos para que não fosse o português. Numa única frase, o dr. Costa conseguiu incluir “tivemos”, do verbo “ter”, e “tive”, do verbo “tar”, sem perceber que um dos vocábulos apenas cabe nas sofisticadas conversas mantidas pelas altas esferas do PS.

Vendo bem, pouco surpreende num sujeito que diz “verdeira” (queria dizer “verdadeira”), “poder-lhe-dizia” (“podia dizer-lhe”), “competividade” (“competitividade”), “prelenamente” (“plenamente”), “insintizamos” (“sintetizamos”), “era o que eu estou” (“era o que eu estava”), “pulação” (“população”), “arrepatação” (?), “badéfice” (“défice”), “protividade” (“produtividade”), “mobilição” (“mobilização”), “precalidade” (“precaridade”). E isto numa única ocasião, uma intervenção no parlamento há cerca de um ano (encontra-se facilmente na “net”, sob o adequado título “António Costa desafia Jorge Jesus para um duelo de português”). O dr. Costa escreve como fala e, para nossa miséria, provavelmente fala como pensa.

Mesmo se acertasse na grafia ou na fonética, as palavras que compõem o discurso do dr. Costa são escassas e, em geral, horrendas. “Competitividade”. “Desafio”. “Sustentabilidade”. “Estreitar”. As expressões são ainda piores: “prestação operacional”, “fazer renascer”, “aposta estratégica”, “coesa e competitiva”. Se adicionarmos a desastrosa pontuação (“Reuni hoje em São Bento, com o Primeiro Ministro [sic – nem o próprio cargo escapa à razia gramatical] da Grécia.”), é inevitável que cada texto do homem constitua uma portentosa colectânea de vacuidades, para cúmulo quase sempre mentirosas. O que vale ao dr. Costa é o inadvertido sentido de humor, talento que, em Setembro passado, o levou a louvar a língua portuguesa na ONU. Meses antes, incitara os professores de português a partirem para França – um óptimo conselho, já que, a julgar pelo dialecto do primeiro-ministro, há décadas que aqui não andam a fazer nada.

Muitos acharão que, sendo o dr. Costa um indivíduo que usurpa as eleições para alcançar o poder, abre o poder a forças totalitárias, derruba a austeridade através do generoso aumento dos impostos, nacionaliza subtilmente o que se mexe e o que não se mexe também, regulamenta os comportamentos e não tarda a respiração, compra parcelas da sociedade mediante benesses e a devastação do resto, controla os “media” que consegue controlar e censura o que não controla, subtrai à ralé para resgatar compinchas e “elites” e despreza com estranho descaramento tragédias inéditas, o pormenor dos atentados lexicais é só um pormenor, um anexo, um pechisbeque minúsculo e até divertido. Não é. Sem o analfabetismo, acumulado em militância partidária de décadas, seria improvável que alguém cometesse as proezas acima descritas. A espectacular ignorância da criatura é essencial para compreender a criatura e as respectivas acções.

A História, claro, prova que a sabedoria não garante a virtude. Porém, não faltam histórias sobre a facilidade com que a boçalidade extrema propicia a malvadez, e assegura calamidades proporcionais à influência do boçal. O mito do “bom selvagem” é exactamente um mito. Por definição, o selvagem – incluindo aquele a quem se vestiu um fatinho e largou no Rossio às gargalhadas – é manhoso, cruel e incapaz de experimentar empatia. O selvagem torce a realidade até esta se encaixar nos seus pobres delírios. O selvagem confunde delírios com princípios e convicções com apetites. O selvagem é mau. O selvagem é péssimo. Reduzido ao primitivismo, o ser humano dedica-se a uma actividade exclusiva: a sobrevivência, à custa de tudo e de todos.

A fim de chegar onde pretende, e onde o seu turvo discernimento exige, o selvagem faz (com previsível brutalidade) o que é preciso e diz (com previsíveis calinadas) o que era escusado. Além de atropelar a língua, e justamente por causa disso, o selvagem atropela o que calha. O selvagem fica impecavelmente numa jaula. Às vezes, o azar coloca-o num trono. Numa ocasião ou noutra, nem países civilizados escapam a cair nas mãos de um puro, rematado e perfeito selvagem. No Portugal recente, cujo nível civilizacional está aberto a debate, essa negra hipótese era uma fatalidade adiada por milagre. É evidente que os milagres acabaram. Tamos desgraçados.

5 comentários:

Maria Gontijo disse...

A ironia finíssima de Alberto Gonçalves é para ser degustada aos bocadinhos!
"Tamos" bem servidos de cronistas lusitanos!

Anônimo disse...

De forma geral, os comunistas e socilistas são um bando de ignorantes, têm as mentes obcecadas por ideias marxistas que nunca, jamais, até hoje deram resultado senão de atraso, miseria geral do povão, muita violencia interna e finalmente e conversão do país em um Sudão, Haiti etc., baseando ver em qual situação ficaram os páíses da ex cortina de Ferro pós comunismo!
A vitrine dessa imundicie do marxismo-comunismo-socialismo é a Venezuela, a cada dia que passa só piora, com mais de 2 000 000 de pessoas vítima da peste comunista que forçadamente sairam do país como refugiados, que tiveram seus bens confiscados pelo governo totalitarista do Chávez, agora do pestilento Maduro!!

Anônimo disse...

Esse costa (acertei a inicial?) parece ser outra toupeira esquerdista, quase um pleonasmo, mas os portugueses em geral falam tão depressa e tão fechado que muitas vezes engolem mesmo as sílabas.

Anônimo disse...

Quer dizer que o Lula se reproduziu em portugues de Portugal ? Terá sido a maezinha nascida analfabeta tambem? Tamos bem servidos.

SHAMI disse...

QUO VADIS
Saindo das zorópa e uma leve descaída lusitana em Lisboa,já deu o ar de Sta Efigênia,BRÁS no agora cidadão europeu,sirva isto lá para qualquer cousa..
PQP !!!
Salvou aquela churrascada para retirar os traços de massa restante na carcaça.kkk

eu não guento