terça-feira, 19 de junho de 2018

Brasil, o eterno convalescente.

Relembrando o fatídico 7 a 1 da última Copa, Bruno Vieira Amaral faz uma crítica impiedosa da seleção brasileira no Observador: "o Brasil está em convalescença futebolística desde que se convenceu que o mundo lhe deve sempre mais estrelas do que aquelas que ostenta na camisa":


Quando o seu país mais precisou dele, Neymar Jr. não desiludiu e apresentou ao mundo um novo penteado. Não sou dos que julgam um atleta pelo penteado, pelas tatuagens ou por outros acessório, mas quem aposta tudo na estética capilar e descura os dotes fuebolísticos arrisca-se a ser crucificado quando as coisas não correm bem. Em abono do jogador do Paris Saint-Germain, diga-se que é injusto usá-lo como bode expiatório, prática que os brasileiros usam amiúde para explicar o insucesso, desde os tempos do malogrado Barbosa, aquele infeliz guarda-redes de 50 que, segundo a lenda negra (no pun intended), pôs uma nação inteira a chorar.

Por muito boa vontade que se tenha para com Tite, qualquer adepto honesto deveria começar por reconhecer que o Brasil continua em convalescença. Não é desde o Mineiraço e os traumáticos 7-1. Não é desde o colapso de Ronaldo, o Fenómeno, em 98. Não é desde a equipa-maravilha de 82, a melhor de sempre a não ganhar nada, dizem os mais reputados especialistas em derrotas de elevado teor de pureza estética. Não é desde o já referido Barbosa e do carrasco Ghiggia que fez todo um povo caminhar pelas ruas do Rio de Janeiro como se as duas bombas de Hiroxima e Nagasáqui tivessem atingido em simultâneo o Maracanã. Não, o Brasil está em convalescença desde que D. Pedro deu o Grito do Ipiranga.

Mas não é altura para discussões sobre história. O Brasil está em convalescença futebolística desde que se convenceu que o mundo lhe deve sempre mais estrelas do que aquelas que ostenta na camisola, ou seja, desde que o futebol é futebol moderno. E como insiste em cobrar essa suposta dívida, todas as vitórias são triunfos da humanidade e todas as derrotas são catástrofes irremediáveis. Que eu me lembre, só uma derrota do Brasil em Mundiais foi aceite com resignação, tal a superioridade do adversário e magnificência do homem que o liderava. Foi em 2006 e o homem era Zidane. De resto, a derrota do Brasil é sempre entendida intimamente pela torcida como uma violação das leis naturais do desporto, um erro cósmico para o qual é necessário encontrar um responsável humano, como se agora resolvêssemos processar pelo degelo do Ártico um motorista da Câmara de Águeda.

Barbosa, Serginho, Carlos, Ronaldo, Júlio César, a reunificação da Alemanha ou Neymar podem ser boas desculpas mas não escondem a realidade. O Brasil é um eterno convalescente. O atropelamento de Belo Horizonte foi há quatro anos. Em 2014, o espírito à volta do escrete era de governo de salvação nacional. Recuperou-se o último treinador campeão do mundo, o Felipão com o seu arsenal esotérico constituído por analfabetismo táctico, Murtosa e Senhora do Caravaggio, e os jogadores, com David Luiz e Thiago Silva à cabeça, entravam em transes pentecostais no final dos jogos. Dessa seleção aziaga restam quatro ou cinco jogadores. Júlio César, Maicon e outros reformaram-se. Coutinho, Firmino e Gabriel Jesus despontaram. Scolari deu o lugar a Tite. O medo, esse, continua lá, com contrato vitalício com a CBF, no lugar que devia ser da alegria.

Por caminhos inesperados, o “escrete” de 2014 redimiu mesmo Barbosa, como lembraram os jornais após o vexame de Belo Horizonte. Depois de cinco jogos no fio da ilusão, o Brasil foi apresentado à realidade que, como habitualmente, vestia as cores da Alemanha. Os sete golos rasgaram o peito dos brasileiros, mas o que lhes amarrotou o orgulho foi o golo de honra marcado no período de descontos por Óscar, que soou como o último prego num esquife que a nação do futebol tinha andado a carpinteirar há muitos, desde que se habituara a ganhar com tractores no meio e um frasquinho de perfume lá na frente.

No rescaldo da catástrofe de Belo Horizonte, houve quem dissesse que era preciso alterar toda a estrutura do futebol brasileiro para seguir exemplos de sucesso como a Espanha, a Alemanha ou, santo deus!, a Islândia. E o que é que o Brasil fez perante a necessidade de “reformas estruturais”? Pôs Tite no banco e o treinador, por sua vez, apostou nos “quatro meninos” – Neymar, Coutinho, Gabriel Jesus e Willian –, mais uma daquelas fórmulas mágicas e irracionais com que o Brasil procura saltar os obstáculos concretos com que se depara. Neymar, longe da melhor forma, seguiu o mesmo caminho e também optou pela transformação cosmética.

Ontem, a culpa foi do VAR, do egoísmo de Neymar, do cabelo de Neymar, do diabo a quatro. Amanhã será do adversário malvado que, em conluio com forças demoníacas, cometer o sacrilégio de trespassar o santuário sagrado guardado por Alisson. E assim sucessivamente. Como todos os convalescentes, o Brasil precisa de sopas, descanso e de uma boa dose de sensatez. Mas, mesmo numa altura em que a canarinha nunca foi menos consensual do que agora, sensatez ainda é artigo em falta na farmácia Brasil.

6 comentários:

Anônimo disse...

Se os "pibes" de ouro trouxerem ou não a taça, qual o problema ? Esse negócio que futebol, carnaval e outras cositas , são nossas identidades culturais é balela. Funcionou como uma catarse durante bom tempo. Claro que por aqui, ainda é um esporte de massa. Mas desde que existe, quem se deu bem foram FIFA, CBF, os anunciantes, a mídia que sempre explorou e manipulou a massa e claro os protagonistas, suas excelências jogadores e comissão técnica.
Mistura de populismo com oportunismo. Hipocrisia. Aliás, os políticos também gostam de fazer o uso político do futebol.Tem até presidente africano-Senegal, que tirou férias para ir assistir aos jogos da Copa e ex-presidente preso, fazendo comentários da seleção brasileira. Coisas de subdesenvolvimento.

SHAMI disse...

QUO VADIS
Em campo vivemos uma possível esperança em onze marmanjos dos quais meia dúzia ainda vive em solo brasileiro e luta para"SER VISTO"nesta vitrine de negociatas que é uma Copa do MUNDO,cheia de corruptos , como qualquer reles sub-nação terceiro mundista.
Hoje sofremos no RS mais um daqueles 7 X 1 similar ao do jogo ,ao da UFSC e agora na UFRGS..:

https://poncheverde.blogspot.com/2018/06/policia-federal-devassa-ufrgs-agora-17.html?spref=fb

a desgraça continua comendo a pouca carne sã que resta.
eu não guento

Anônimo disse...

"A IMPRENSA É A NOSSA ARMA MAIOR DO PARTIDO" - Stálin.
INFILTRE, E DEPOIS CONTROLE OD A MIDIA DE COMUNICAÇÃO DAS MASSAS - 2º mandamento do Decálogo de Lênin.
Esse é o esquema que levou os comunistas ao poder pela PRODIGIOSA FORÇA DAS ESQUERDAS "CATÓLICAS" da Teologia da Libertação-TL-CNBB-CEBs e também da TL PROTESTANTE, composta de grandes seitas, denunciadas pelo famoso blogger protestante Julio Severo, com força e influencia similares e admitido até pelo chefão da gang, o Lula, confiram:
"... *Diante de uma platéia de cerca de 50 pastores de diversas denominações protestantes [Quanta injustiça, não? Em 2002, Lula, com toda a sua defesa do aborto e do homossexualismo, conseguiu o apoio de mais de 500 importantes líderes evangélicos. Marta só conseguiu 50? Cadê o resto dos burros?], o presidente disse que "ninguém sofreu mais preconceito" que ele mesmo. "Ninguém tem mais horas nas costas de preconceito do que eu. Agora quem está sofrendo preconceito é a Marta, é uma campanha de preconceito. E justamente pelo que ela fez de bom pela cidade." [Pelos elevados investimentos que o governo Lula faz no homossexualismo, para ele a sodomia é o bem maior".]
*http://juliosevero.blogspot.com/search?q=Lula+diz+que+evang%C3%A9licos+n%C3%A3o+devem+retribuir
De nossa parte, caiamos em cima das esquerdas e desmascaremos esses grupelhos bandidos!

Anônimo disse...

"Quando me analiso, me censuro; quando me comparo, me consolo". Assim falou Valéry. Essa bobeira de levar o futebol muito a sério não é exclusividade brasileira. Algum motivo deve haver para o esporte se disseminar tanto pelo mundo, e não é só a bobeira da humanidade. O futebol de fato bem jogado é um showzaço, um balé.

Anônimo disse...

Quando o "Brasil" perdeu para Zidane? Não foi em 1998?

Anônimo disse...

Um bando de multi-milionários disputando um jogo infantil e isto se torna a coisa mais importante do mundo.