quinta-feira, 7 de junho de 2018

O preço do desconhecimento no Brasil

Índice de Democracia Local mostra que a maioria dos cidadãos não sabe as atribuições de cada ente ou órgão do poder público, o que dificulta a cobrança e alimenta o populismo. Editorial da Gazeta do Povo:


Como o cidadão pode cobrar e pressionar o poder público se não sabe quais são as atribuições de cada ente ou órgão? Este é um desafio que se impõe na análise dos dados do Índice de Democracia Local, elaborado pelo Instituto Atuação e divulgado em parceria com a Gazeta do Povo nesta semana. Dentro do quesito “Cultura democrática”, a chamada “dimensão cognitiva” teve a segunda pior nota em todos os sub-itens pesquisados, com 26,6 em uma escala que vai de zero a 100 (o pior desempenho foi o da “participação em sentido amplo”, que mede o envolvimento dos cidadãos com partidos políticos, associações e entidades).

Os curitibanos foram chamados a responder quem eram os responsáveis por montar e executar planos de governo e orçamentos, elaborar e aprovar leis, fiscalizar o uso do dinheiro público e defender, por meio de denúncias, os interesses da sociedade. Os resultados são preocupantes: apenas 13% e 15% dos entrevistados citaram, respectivamente, o Ministério Público e o Tribunal de Contas diante da descrição de suas atribuições, enquanto mais da metade dos curitibanos não sabiam, não conheciam ou nunca tinham ouvido falar de órgãos de fiscalização e denúncia.

A situação não melhora muito quando se trata dos poderes Executivo e Legislativo. Apenas quatro em cada dez entrevistados associaram corretamente o prefeito (ou a prefeitura) e a Câmara Municipal (ou os vereadores) a suas atribuições. Mas 30% dos curitibanos disseram não saber ou não conhecer nenhuma instituição ou político responsável por elaborar leis, e 40% afirmaram o mesmo quando perguntados quem faz os planos de governo e orçamentos. Além disso, quando perguntados sobre as responsabilidades da prefeitura, o tripé saúde/educação/segurança liderou com folga, ainda que a segurança pública seja responsabilidade estadual e as atribuições do município terminem nos primeiros anos do ensino fundamental.

Podemos resumir este quadro da seguinte forma: o cidadão que se diz insatisfeito – e, em muitos casos, com toda a razão – com a qualidade do serviço público nem sempre sabe de quem cobrar, e muito menos tem a noção de como funcionam os processos que poderiam ajudar a melhorar a prestação desse serviço, como a elaboração de uma denúncia, um projeto de lei ou mais recursos no orçamento municipal. Desconhecimento e desinteresse se alimentam em um círculo vicioso que envenena a participação política do cidadão – participação esta que ocorre no âmbito partidário-eleitoral, mas principalmente no dia a dia do município, nas ruas e nos bairros.

6 comentários:

O Libertário disse...

Que novidade! É claro que os brasileiros nada entendem de governo, administração pública, contas públicas e controles. Nada disso é discutido, debatido, esmiuçado nas escolas, programas de televisão, mesas redondas e noticiários. Perguntem aos brasileiros sobre futebol, novelas e música popular. Sabem tudo pois isso é debatido nos meios de comunicação de massa, de manhã, ao meio dia, à tarde, à noite e de madrugada. Não há como não ficar por dentro.

Anônimo disse...

Enquanto desconhecimento e desinteresse se alimentam, o povo passa fome.

Anônimo disse...

Doutor, eu não me engano
Meu Brasil é bolivariano
Doutor, eu não me engano
Meu Brasil é bolivariano
Que coisa fascista
O STF foi fazer
Vetou o voto eletrônico
Pra fraude prevalecer
Ah, doutor eu não me engano
Meu Brasil é bolivariano!

Anônimo disse...

CORRIGINDO!!!

Doutor, eu não me engano
Meu Brasil é bolivariano!
Doutor, eu não me engano
Meu Brasil é bolivariano!
Que coisa fascista
O STF foi fazer
Vetar o voto impresso
Pra fraude prevalecer
Ah! Doutor, eu não me engano
Meu Brasil é bolivariano!

Anônimo disse...

a GAZETA DO POVO poderia começar a difundir conhecimentos da organização dos tres poderes e os seus atributos (nos niveis federal, estadual e municipal)!!

Anônimo disse...

Artur Nogueira diz:
Já disseram que o BR não é para principiantes.Nem nação é ou quem sabe chegará a ser um dia.
É esse o tipo de estado democrático de direito que a “casta imperial” quer para o Brasil.
No BR tudo é atraso. Vivemos como se fosse na época da colonização. Terra de atravessadores, oportunistas e mandarins. Terra de castas, aproveitadores e usurpadores do bem comum. Aliás por essas bandas, poucos pensam no bem comum. Estamos mais para “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Temos alguns bolsões de riqueza/desenvolvimento contra enormes territórios arrasados por carencia social e econômica. Verdadeira miséria sem fim. Privaçao extrema. BR é um feudo. Um feudo nas mãos do estamento burocrático e seus beneficiários. Na verdade, Estado BR foi e vem sendo repartido em lotes controlados por partidos políticos que, em conluio com uma parte da chamada elite econômica-(capitalismo de laços eternos) mais os poderes Judiciário, Executivo e Tribunais de(faz) contas dominam a cena político-econômico-social, fazendo com que a parte produtiva/ativa da sociedade arque com o ônus cada vez mais elevado para sustentar as benesses , os privilégios dessa enorme e dispendiosa máquina burocrática-administrativa do Estado brasileiro. Sobra Estado para os bem nascidos, para os amigos do rei, para os pilantras oportunistas. Por outro lado, falta Estado para a imensa massa ignorante, desprovida de emprego qualificado (educação de qualidade), sem serviços de saúde com qualidade, sem cultura, sem segurança, e que vai sobrevivendo graças às migalhas distribuídas através de programas sociais (que poderiam ser melhor elaborados e atingir seu objetivo) de cunho populistas/demagógicos/assistencialista . E como não conseguem sair dessa “matrix” – ignorância e dependência econômica, vão ficando reféns das políticas sociais populistas. E o que é pior- essa enorme massa vai buscar , fora do Estado, referências morais, sociais e até econômicas para continuar sobrevivendo. É onde entra o narcotráfico.
E tão perverso e devastador quanto a doutrinação política ideológica perpetrada pela esquerda há mais de 30 anos , é a corrupção endêmica no BR.
Tem que ser muito "idealista" para tentar sobreviver na terra brasilis....