quinta-feira, 12 de julho de 2018

Aparelhamento do Estado e politização da Justiça

A
O aparelhamento do Estado, escreve William Waack no Estadão, produz sustos como de domingo passado. No entanto, o articulista parece dar uma certa aliviada em relação ao nefasto papel do PT nesse processo de solapamento das instituições:


Mais ou menos na mesma época em que o PT estava sendo fundado no Brasil os militantes de vários grupos de esquerda na então Alemanha Ocidental inventaram um nome bonito para a tática de abandonar as ruas, as passeatas, os protestos e deixar de ser oposição extraparlamentar para ganhar votos e entrar no parlamento. Chamava-se “a marcha através das instituições”. No Brasil o PT preferiu tomar conta delas, aparelhando-as e transformando o que deveriam ser instâncias do Estado em braços servindo ao partido.

Ao lado do submarxismo primitivo que dominou boa parte do mundo acadêmico e da “produção de ideias” (incluindo jornalismo) esse controle de vastas esferas de órgãos públicos produz sustos como o do domingo, quando um desembargador resolveu cumprir uma missão político-partidária para libertar o chefe do partido que virou seita. Chegou há tempos ao STF, onde um ministro paralisa privatizações não só por se sentir contrariado em suas opiniões políticas, mas por acreditar que a Lava Jato é uma operação engendrada por serviços secretos de potências estrangeiras para roubar o pré-sal do Brasil.

Nem vale a pena examinar um absurdo desses (“debater um absurdo significa dar a ele um ar de legitimidade”, dizia Raymond Aron durante a Guerra Fria quando confrontado com quimeras inventadas por comunistas). Mas o absurdo do plantonista amigo que queria libertar Lula levanta duas questões de grande alcance: a) até onde permanece intacto e obedecendo à direção de partidos o aparelhamento do Estado brasileiro? b) em que medida o enfraquecimento, deterioração, solapamento, destruição das instituições – como o caso do Judiciário também, rachado pela política – é um fenômeno duradouro?

A “privatização” do Estado brasileiro, entendido como sua apropriação por entes privados (como o são partidos políticos) precede o PT, mas não é uma ocorrência uniforme. Algumas instâncias, sobretudo da área econômica, apresentam bolsões de eficiência e formas de conduta próximas ao que se chamaria de uma burocracia impessoal. Outras são aquilo que o Padre Vieira criticava em sermões já no século 17: cabides de emprego para inúteis – alguns mais, outros menos gananciosos. Sobre essa máquina diminui o controle ideológico que o PT exercia. Estamos indo de volta para uma situação na qual impera “apenas” o fisiologismo.

3 comentários:

Anônimo disse...

Exatamente isso: os comunistas quando no poder, articularem colocar seus militantes assumidos nas varias esferas do judiciario para defenderem as ideias da ndranghetta, caso de PT ex advogado do PT, entrou lá via partidarismo, caso Tóffoli, que não pode ser presidente do STF - NÃO É JUIZ - porém, é um integrante-militante dessa facção bandida, terrorista e criminosa!

Anônimo disse...

Respondendo a WW: não deve durar muito, pelo menos no aspecto de "pensamento", pois as "ideias" da esquerda a cada dia se desmoralizam mais. Sobrará o fisiologismo, que também é uma praga, mas menos daninha.

Anônimo disse...

O submarxismo primitivo campeou pelo mundo todo por um bom (mau, péssimo) tempo, mas enfim se esgotou. Ainda causará estragos em alguns países infelizes até morrer de inanição também lá. Pior é o marxismo "cultural", mais sofisticado e enrolador.