segunda-feira, 23 de julho de 2018

Candidato novo

De repente, descobre-se que a vida não é feita só de Bolsonaros, escreve J. R. Guzzo na coluna Fatos, de Veja.com:


Desde o começo da disputa eleitoral para a sucessão do presidente Michel Temer, o candidato mais natural, lógico e viável para se contrapor às forças do ex-presidente Lula, solto ou preso, e mais a turma toda que tenta copiá-lo, tem sido o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Por uma destas esquisitices comuns à política brasileira, porém, até agora o seu nome foi o menos falado entre os 1.500 candidatos à Presidência da República, reais ou imaginários, sobreviventes ou já sepultados, que apareceram até o presente momento na campanha. Neste meio tempo muito já se discutiu, com toda a seriedade do mundo, a “canditatura” do ex-ministro Joaquim Barbosa. Alguém ainda se lembra da “candidatura” do apresentador de televisão Luciano Huck? Discute-se diariamente, até hoje, cada sílaba dita por Marina Silva, que consegue desfilar há meses sua candidatura presidencial na mídia sem ter um único deputado na sua “base de apoio”. Até o próprio Michel Temer, imaginem se é possível, foi tido como candidato à sua própria sucessão. Só não se falava do único candidato de verdade para disputar a eleição em nome dos brasileiros que não querem Lula e os seus etcs. Ou, nas raras vezes em que se dizia alguma coisa a respeito, era para informar que sua candidatura estava para se desfazer, em meio a mais uma crise terminal.

Passa o tempo e, como seria inevitável acontecer, o nome de Alckmin enfim aparece com o tamanho que sempre teve, ao se constatar as realidades de uma eleição presidencial brasileira: a possibilidade, para ele, de ter cerca de 50% do tempo de propaganda obrigatória na TV, o apoio da caldeirada de partidos que existem unicamente para entrar no governo e a força de gravidade dos que só pulam na disputa depois de calcularem com cuidado quem tem mais chance de ganhar. Pronto: Geraldo Alckmin, que não existia, passou a existir como “o homem do segundo turno” (é dado como fato científico pela crônica política que a disputa será entre “Lula” e algum outro qualquer) e, como tal, começará a ter vida no noticiário. Breve aqui, portanto, um novo alvo para a artilharia da esquerda nacional ─ até agora concentrada no deputado Jair Bolsonaro, o inimigo mais evidente e, pelo que dizem, mais duro de roer. Mais: aguardem o fogo cerrado dos “liberais civilizados”, modelo tucano de luxo. Já começaram as conversas de que Alckmin não é “anti-Lula” o suficiente; que pode trazer de volta o “imposto sindical”; que gosta da Petrobras mais do que deveria, etc.

Ficam todos escandalizados, de repente, pelo fato de Alckmin ter aceito o apoio de partidos “não-éticos”. Que horror, não é mesmo? Quem jamais ouviu falar que uma coisa dessas tenha acontecido algum dia na política brasileira? Há outros crimes, além desses. Alckmin não tem ideias brilhantes. Não tem posições firmes. Não tem uma “visão do Brasil e do mundo”. Não dá murro na mesa. Não é engraçado. Não grita. É como se os outros candidatos fossem gigantes da política; é como se a sucessão de Michel Temer estivesse sendo disputada entre Winston Churchill, Franklin Roosevelt e Santo Antonio de Pádua. Votar em Geraldo Alckmin equivaleria a votar contra algum desses portentos ─ e não contra os que estão aí na vida real, incluindo o Homem do Aerotrem.

Lula, o PT e a sua coleção de minions, mais os antilulistas que se imaginam europeus, avançados e fiéis à uma “agenda social” apostaram tudo, até agora, no combate à Jair Bolsonaro ─ na sua maneira de ver as coisas, um adversário “pronto”, odiado pelos comentaristas políticos, por toda a mídia e por quem se considera “contra os militares”, seja isso lá o que for. De tanto falar nele, construíram o fantasma Bolsonaro. Esqueceram que Alckmin existia. Agora terão de vencer os dois.

4 comentários:

Danir disse...

Eu penso que o Alckmin é competente e "poderia" ser um bom presidente, não fosse por alguns pequenos detalhes. 1- precisamos de pessoas firmes e resolutas no poder. Não é o caso de Alckmin que vende a imagem de um vaselina - A mulher de Cesar etc.... 2- O socialismo de qualquer cor já cansou, principalmente por não ter nenhum resultado prático, em nenhum lugar. É uma ilusão mesquinha. 3- O globalismo é uma castração do indivíduo, soterrado sobre uma "unificação" que apaga qualquer traço de individualidade, identidade nacional e consequentemente independência de pensamento. Alckmin me parece um globalista 4- Ele pertence a um partido que além de ser um parceiro do pt no que diz respeito ao foro de São Paulo defende posições paternalistas como soluções para os problemas do pais. Interferem, serceiam e regulam como se isto fosse a solução. " Eu quero ter a liberdade de escolher; quero ter a liberdade de me defender, eu abomino a ideia do politicamente correto, pela sua falsidade; eu acredito que a escola deve formar profissionais competentes e pessoas cultas e articuladas para lidar com problemas complexos com sua capacidade individual. Cidadãos são formados em casa e não na escola. Acredito que falar duro e até um pouco destemperado, não necessariamente identifica um Ogro. Nunca votei no pt, e por falta de opção votei várias vezes no psdb, aceitando o raciocínio de que é melhor votar no menos pior, do que se omitir e dar espaço para o mais pior. É o caso de votar em Aécio no lugar de Dilma ou em Serra no lugar de Lula. Por mais rato que o Aécio seja, sempre será melhor do que Dilma ou Lula, e mais sucetível a pressões para conter certos digamos, instintos atávicos em políticos. Se não existisse um Bolsonaro, com sua capacidade de provocar uma ruptura e mudança de rumo ideológico eu até poderia votar no Alckmin, mas com seu aparecimento, vou correr o risco. Marina, Ciro, Barbosa e Huck, Carequinha, Cacareco e muitos outros são somente lixo colocado à nossa frente em uma embalagem edulcorada para nos ganhar no papo. Já me decidi; a não ser que aconteça um Tsunami, eu vou votar em Bolsonaro e só espero que esta eleição tenha uma apuração honesta e transparente. Chega de gente afetada e desonesta me dizendo o que e como fazer. Eu já estou bem grandinhos para cometer erros e acertos por conta própria. Melhor JAIR se acostumando.

Anônimo disse...

Sr. Guzzo, o "crime", como o sr. diz, de GA, a meu ver, foi ter ficado colado ao saco (?!!?) de dilmanta roscofe por tempo demais, até praticamente a hora da votação do "impixe". Sei que os tucanos primam pelo murismo, mas ali era o momento de afirmarem-se valores opostos aos que degradaram a política e mais, a sociedade brasileira por mais de dez anos. E essa liderança, infeliz e miseravelmente, faltou. Falhou. Agora, tenho de avaliar muito bem se deposito minha confiança no médico interiorano, se ele terá pulso para fazer a faxina que o "mordomo" deveria ter iniciado assim que assumiu o cargo.

Anônimo disse...

SAI PÁ LÁ, FIOTE DE CRUZ CREDO DO PSDBagulho!
Foi socio do PT, ambos andam a aterrizados com a Lava-Jato, querendo destruí-la de qualquer jeito!
Nós "nao sabemos" o porque de "tanto terror dela", mas supomos que andam enfiados em praticamente tudo quanto são falcatruas por ser parceiro do rato-se-esgoto PT de tudo quanto são tramoias junto com essa ndranghetta!

Anônimo disse...

Faltando apenas dois meses para o pleito e nunca tivemos tanta falta de concorrente com um proposta plausível.
Opção de votar em frases de efeito é rompantes por falta de concorrente com neurônios ativos ou discurso audível deixa a sensação de que iremos continuar enxugando gelo, com Temer, por mais quatro anos. Pois nenhum dos rompantes é exequível sem um Congresso de rompantes.