Mal assumiu a presidência da Câmara, o deputado Aldo Rebelo, que tem entre seus feitos notáveis a instituição do "Dia Nacional do Saci Pererê" (31 de outubro), já absolve o governo e o bando dos "mensaleiros". "Nunca acreditei que o mensalão existisse", diz ele candidamente. Quanto a propinas em troca de votos, ah, nisto ele também não acredita. Certamente, o nobre deputado só crê no Saci Pererê, na Mula sem Cabeça, no Padim Ciço e em assombrações albanesas brandindo foice e martelo.
O ceticismo do deputado do PCdoB (SP) não é filosófico, mas ideológico. O primeiro é uma atitude fundamental a qualquer processo de conhecimento e salutar em relação à política; o segundo é prisioneiro de dogmas, sacrificando os fatos em favor de conveniências partidárias. Repito o que disse em outra nota: Aldo Rebelo agirá como preposto do governo LuLLa (a foto da Folha de S.P. diz tudo), do qual já foi líder na Câmara, além de ministro da Coordenação Política. O uso do cachimbo faz a boca torta...
Caberá à oposição impor limites à sua atuação e lembrá-lo de que a Casa não é um anexo do Palácio. Mas, com o fisiologismo correndo solto, nunca se sabe.
POLÍTICA COMO FARSA
Reinaldo Azevedo, no site Primeira Leitura:
"O discurso de Aldo (...) expôs, como ninguém, a política como farsa. Disse aos parlamentares, em última instância, que só foi contra as CPIs e jogou pesado contra as investigações porque o governo mandou: como líder, era sua obrigação. Parece burocraticamente correto, mas não é. Quem é seu chefe agora? Teria sido candidato sem a indicação de Lula? Teria sido eleito sem a caneta de Lula? Aldo que me desculpe: agora, como antes, quem paga a conta tem a preferência.
Escreveu-se ontem, isto sim, um triste capítulo do Parlamento brasileiro, com a eleição de um presidente de Câmara de cabresto, para a qual contaram uma montanha de dinheiro e, ora vejam!, a influência de ninguém menos do que Severino Cavalcanti. Pior: tivessem sido defenestrados os que merecem ser cassados, Aldo poderia tomar o rumo de Tirana."
http://www.primeiraleitura.com.br/auto/entenda.php?id=6314
UM RETRATO DE ALDO
Maria Lúcia Victor Barbosa, socióloga:
"Calado, feições inexpressivas, Rebelo é o típico comunista que se anula em nome do todo. Isso ele demonstrou de sobra quando foi usado pelo então todo-poderoso José Dirceu, que manobrava à sombra e mandava para frente de batalha o aparente coordenador político do governo. Quando as manobras fracassavam, e isso aconteceu várias vezes, a culpa era do Aldo. E durante a fritura de meses, o disciplinado camarada se submeteu sem queixas às labaredas da fogueira da humilhação.
Agora o presidente da Câmara, Aldo Rebelo, testemunha de defesa de José Dirceu, apesar de ser tão sério se permitiu uma piada: disse ser independente do governo. Entretanto, ele está pronto para continuar a trajetória de serviços à causa. Na verdade, já trouxe esperanças a Dirceus e Janenes, a Luizinhos e João Paulos. Desse modo, não será surpresa se das longas CPIs restar como cassado somente Roberto Jefferson. Os demais seriam inocentados. Apenas no caso do deputado José Dirceu, que se diz o mais inocente de todos, permanece um mistério: se ele é tão puro quanto uma criancinha, por que será que saiu chispando quando Roberto Jefferson desferiu aquele “saí daí Zé, para não complicar o presidente?”
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