É a última citação, desta vez do velho Tolstoi (1828-1910), e não foge ao espírito de tudo o que postei (eita, termo feio!) hoje:
Para escapar a ladrões ocasionais e que se toma por ladrões, entregamo-nos a ladrões permanentes, organizados, e que se toma por benfeitores: entregamo-nos aos governos. Do Diário íntimo.
segunda-feira, 31 de outubro de 2005
Eles não querem
Os tucanos estão onde sempre estiveram: em cima do muro. O PFL é um distraído aprendiz de práticas oposicionistas. A cada remelexo da oposição, o luLLismo ameaça com o ventilador e os acanhados recuam, mal escondendo o rabo preso. Peço desculpas antecipadas ao visitante,mas repito o que disse ontem: o governo petista tem a sorte que o governo Collor (toc-toc-toc) não teve – uma oposição à altura da que o PT sempre exerceu antes de ser governo, inclusive durante o longo reinado do príncipe dos sociólogos (toc-toc-toc). O Brasil caminha para uma gigantesca anulação de votos em 2006.
Ah, quem quiser ver Serra e Bornhausen pisando em ovos, clique aqui: http://www.estadao.com.br/nacional/noticias/2005/out/31/145.htm
Ah, quem quiser ver Serra e Bornhausen pisando em ovos, clique aqui: http://www.estadao.com.br/nacional/noticias/2005/out/31/145.htm
Refundações
"Fundai uma Sociedade das Pessoas Honestas: todos os ladrões farão parte dela."
Alain (1868/1951)
Reflexão
"QUE HEI DE FAZER EM ROMA? NÃO SEI MENTIR", escreveu o poeta satírico Juvenal, no século II da nossa era. O cidadão brasileiro que contempla a capital dos poderes, nestes tempos de mentira e cinismo, é tentado a parodiá-lo: QUE HEI DE FAZER EM BRASÍLIA? NÃO SEI MENTIR.
domingo, 30 de outubro de 2005
Tá faltando o quê?
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o senador tucano Tasso Jereissati (CE) considerou "um fato gravíssimo, sob todos os aspectos", a denúncia de que a campanha de LuLLa recebeu dinheiro de Cuba, conforme reportagem da revisita Veja desta semana. Comprovada a denúncia, o presidente "não vai ter condições de governar", isto é, "vai ter que entregar o cargo." Recorde-se que Tasso sempre foi elogiado como bonzinho, moderado etc. O que está faltando mesmo é uma oposição à altura da oposição que o PT foi. LuLLa teve, até agora, a sorte que faltou a CoLLor. O PSDB não sai do muro e o PFL, que sempre esteve no poder, engatinha no papel de oposicionista. Triste Brasil.
LuLLa e o funcionalismo II
O professor Hélio Schuch faz um interessante raciocínio em seu blog (A Tchurma, link ao lado) a respeito dos últimos governantes. Reproduzo o texto aqui.
Sarney criou o Plano Cruzado e o "gatilho" (sempre que a inflação chegava nos 20%, um reajuste igual corrigia os salários, ou seja, o plano "disparava" a correção salarial, automaticamente), Collor inventou o confisco da poupança, FHC o Real. É claro que o governo Lula não poderia ficar atrás e também criou o seu. Chama-se "Endividamento de funcionários públicos e aposentados". É por isso que quando se vai ao centro da cidade chovem os volantes oferecendo empréstimos a estas categorias. E outros para que se resolva o endividamento. Recebi um muito sugestivo: "RESOLVA SEUS PROBLEMAS COM: Serasa, SPC, Cheques, Cartões de Crédito. Limpe seu crédito". Mas o endividamento é geral entre os trabalhadores e um excelente assunto de pauta para os veículos jornalísticos.
Hélio tem razão. O traço mais significativo da era LuLLa é o endividamento dos servidores públicos e aposentados em geral. Não conheço um funcionário público que não tenha seu salário mordido por desconto em folha. De CoLLor a LuLLa, o ataque ao funcionalismo não mudou. Essa categoria profissional teve seus planos de carreira rasgados, seus direitos extirpados (ver as pertinentes observações de um visitante na nota "LuLLa e o funcionalismo", abaixo) e seus salários estão praticamente congelados há mais de 10 anos. Sobrevivendo de empréstimos em arapucas (muitas delas pertencentes a bancos poderosos, cujos lucros nunca foram tão gigantescos), precisam sempre entrar em greve para obter alguma migalha, enfrentando todo tipo de desgaste. O empobrecimento é visível particularmente nas universidades públicas, setor onde a defasagem salarial é brutal, principalmente se comparada aos níveis salariais do Legislativo e do Judiciário. Quem pode ir embora, vai - ou já foi. Os outros, vítimas de mais uma reforma da previdência, devem cumprir novas exigências para não perder tudo. Caso se demitam, nada levam. E se ficam, também nada levam. São reféns. Hélio resumiu a questão.
Sarney criou o Plano Cruzado e o "gatilho" (sempre que a inflação chegava nos 20%, um reajuste igual corrigia os salários, ou seja, o plano "disparava" a correção salarial, automaticamente), Collor inventou o confisco da poupança, FHC o Real. É claro que o governo Lula não poderia ficar atrás e também criou o seu. Chama-se "Endividamento de funcionários públicos e aposentados". É por isso que quando se vai ao centro da cidade chovem os volantes oferecendo empréstimos a estas categorias. E outros para que se resolva o endividamento. Recebi um muito sugestivo: "RESOLVA SEUS PROBLEMAS COM: Serasa, SPC, Cheques, Cartões de Crédito. Limpe seu crédito". Mas o endividamento é geral entre os trabalhadores e um excelente assunto de pauta para os veículos jornalísticos.
Hélio tem razão. O traço mais significativo da era LuLLa é o endividamento dos servidores públicos e aposentados em geral. Não conheço um funcionário público que não tenha seu salário mordido por desconto em folha. De CoLLor a LuLLa, o ataque ao funcionalismo não mudou. Essa categoria profissional teve seus planos de carreira rasgados, seus direitos extirpados (ver as pertinentes observações de um visitante na nota "LuLLa e o funcionalismo", abaixo) e seus salários estão praticamente congelados há mais de 10 anos. Sobrevivendo de empréstimos em arapucas (muitas delas pertencentes a bancos poderosos, cujos lucros nunca foram tão gigantescos), precisam sempre entrar em greve para obter alguma migalha, enfrentando todo tipo de desgaste. O empobrecimento é visível particularmente nas universidades públicas, setor onde a defasagem salarial é brutal, principalmente se comparada aos níveis salariais do Legislativo e do Judiciário. Quem pode ir embora, vai - ou já foi. Os outros, vítimas de mais uma reforma da previdência, devem cumprir novas exigências para não perder tudo. Caso se demitam, nada levam. E se ficam, também nada levam. São reféns. Hélio resumiu a questão.
sábado, 29 de outubro de 2005
Dinheiro de Cuba na campanha de LuLLa
A revista Veja deste fim de semana vem com reportagem de capa explosiva: a campanha de LuLLa recebeu pelo menos 3 milhões de dólares de Cuba. A dinheirama veio acondicionada em caixas de rum e uísque. Transitou por Brasília e Campinas até chegar ao comitê de LuLLa em São Paulo, segundo dois ex-assessores do ministro Palocci. Dólares na cueca, dólares em caixas de bebidas, agora só falta dólar nas meias e no forro dos paletós!
LuLLa e o funcionalismo

Destaco comentário do visitante NF sobre a nota "Curiosidades da corte". No final da nota, fiz referência à incoerência do ministro Eros Grau na votação da contribuição dos inativos. Este ponto e outras decisões da era LuLLa são abordados por NF, atento observador da cena política e conhecedor dos temas jurídicos, como se percebe no estilo do texto.
A propósito da CONTRIBUIÇÃO DOS INATIVOS, devo dizer o seguinte: desde o início o governo Lula atacou as instituições da República. Passou a jogar a opinião pública contra o funcionalismo e o judiciário, no intuito de solapar o segmento conhecedor da máquina pública e que poderia advertir a nação contra o assalto que o seu partido praticaria a seguir. Desestimulou, pela baixa remuneração e falta de reajustes, a permanência no serviço público dos mais preparados, tudo para criar o clima favorável ao bote. Ao mesmo tempo urdiu mecanismos destinados ao desmantelamento do Judiciário, como o tal do conselho de desenvolvimento, em sua maioria empresários sonegadores e estelionatários da previdência social. Eles concluíram um documento, uma farsa, apoiando a Reforma da Previdência, que agora sabemos montada para favorecer interesses econômicos de banqueiros e fundos previdenciários, como aqueles da empresa em que o filho dele, Lula, tem participação. Quando, no Senado, a PEC da Previdência(Proposta de Emenda Constitucional) estava sendo desmantelada nas discussões, conforme se constata do exame dos anais, e os senadores apresentavam emendas salvaguardando a constitucionalidade que se pretendia desmoronar, foi urdido na Casa Civil um plano sórdido, ilegal, no sentido de sonegar o normal desfecho do processo legislativo, e cindir a PEC em duas, a principal e outra paralela, para onde iriam as emendas que teriam obrigatoriamente ter que ser apreciadas em conjunto. Esta afronta fraudulenta ao processo legislativo, eivada da ilegalidade da proibição da apresentação repetida do mesmo tema na mesma legislatura, não encontraria senador que assinaria tamanha barbaridade que o tornaria execrado pelos estudiosos quando futuramente examinassem as tentativas de golpe ou ditadura branca. Foi aí que apareceu um membro do senado de primeiro mandato, totalmente desconhecedora do processo legislativo, e que se prestou a tal violência constitucional. A ilegalidade era tão flagrante, tão absurda, tão inconstitucional, que poucos tinham maiores preocupações, pois até o então presidente do Supremo, Maurício Correa, garantia que enquanto estivesse à frente do órgão máximo do Judiciário, tamanha inconstitucionalidade seria rechaçada. Tranqüilos, os maiores juristas deste país, elaboraram alentados estudos fundados na perene doutrina jurídica. Mas eis que o STF, com a aposentadoria de seu presidente, sofre uma renovação, perde o seu caráter independente e vira um órgão político. As decisões do STF depois que se politizou e perdeu o tradicional, isento e confiável equilíbrio, contribuíram para desestabilizar a nação, abrindo caminho para uma DITADURA BRANCA, onde o direito adquirido é desrespeitado na forma mais grosseira, como na reforma da previdência, coisa que nem na Ditadura de 1964 ocorria, ela que para não ferir os direitos adquiridos promovia cassações de juízes mantendo entretanto intocados os salários. A politização do Supremo e sua falta de credibilidade nos meios jurídicos já foi até alvo de denúncia da AJURIS -Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul à ONU.
No final do comentário, o visitante menciona críticas da associação dos magistrados gaúchos à atuação do STF e, particularmente, do ministro Jobim, já comentadas aqui em três notas (ver arquivo de outubro). Volte sempre, NF, seus comentários inteligentes sempre trazem boas informações. E seu site, tenha certeza, logo estará na lista de links. Saudações.
Atritos entre a corte e o Congresso
As decisões do STF em favor de Dirceu são manchete da Folha de hoje. Esta página fez referência ao problema na nota postada anteriormente. Por isso reproduzo aqui parte da matéria do jornal:
Decisões do STF a favor de Dirceu provocam insatisfação em CPIs e no Conselho de Ética. Parlamentares reclamam de ingerência do Supremo.
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA DA AGÊNCIA FOLHA, EM BRASÍLIA .As sucessivas manobras judiciais promovidas pelo ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) para adiar a sua possível cassação intensificaram ontem a insatisfação de integrantes do Legislativo que argumentam haver interferência indevida do STF (Supremo Tribunal Federal) nos assuntos congressuais."Não queremos atrito, mas eu, particularmente, acho que houve uma interferência indevida do Judiciário no Legislativo. É um assunto interno", afirmou o presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PTB-SP). Anteontem, o ministro do STF Eros Grau ordenou que o relatório do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) que pede a cassação de Dirceu seja refeito. Na prática, a decisão anulou a votação do conselho que, por 13 votos a 1, havia recomendado ao plenário a cassação de Dirceu. A Folha apurou que a reação negativa de deputados aos múltiplos artifícios jurídicos já leva preocupação aos advogados de Dirceu. No final de semana deverá haver uma reavaliação a respeito dos prós e contras de se continuar questionando sistematicamente decisões da Câmara, uma vez que isso pode gerar ressentimentos entre os deputados - os mesmo que decidirão, em plenário, a sorte do ex-ministro.
Decisões do STF a favor de Dirceu provocam insatisfação em CPIs e no Conselho de Ética. Parlamentares reclamam de ingerência do Supremo.
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA DA AGÊNCIA FOLHA, EM BRASÍLIA .As sucessivas manobras judiciais promovidas pelo ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) para adiar a sua possível cassação intensificaram ontem a insatisfação de integrantes do Legislativo que argumentam haver interferência indevida do STF (Supremo Tribunal Federal) nos assuntos congressuais."Não queremos atrito, mas eu, particularmente, acho que houve uma interferência indevida do Judiciário no Legislativo. É um assunto interno", afirmou o presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PTB-SP). Anteontem, o ministro do STF Eros Grau ordenou que o relatório do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) que pede a cassação de Dirceu seja refeito. Na prática, a decisão anulou a votação do conselho que, por 13 votos a 1, havia recomendado ao plenário a cassação de Dirceu. A Folha apurou que a reação negativa de deputados aos múltiplos artifícios jurídicos já leva preocupação aos advogados de Dirceu. No final de semana deverá haver uma reavaliação a respeito dos prós e contras de se continuar questionando sistematicamente decisões da Câmara, uma vez que isso pode gerar ressentimentos entre os deputados - os mesmo que decidirão, em plenário, a sorte do ex-ministro.
Curiosidades da corte
Matéria publicada no Estadão de ontem sobre o ministro Eros Grau, do STF, chama a atenção para curiosos fatos e relações. 1) Ele foi nomeado pelo governo LuLLa; 2) é amigo do comissário José Dirceu, que foi à sua posse; 3) deu parecer favorável a Dirceu em três ocasiões, a última delas depois de o Conselho de Ética ter recomendado, por 13x1, a cassação do comissário (motivo: apesar de ter retirado vários trechos do parecer, conforme fora determinado, o relator Júlio Delgado (PSB-MG) manteve a referência sobre os sigilos bancário e telefônico na página 29 e não leu o novo parecer na sessão). Eros Grau é um nome familiar ao funcionalismo público aposentado. Apesar de ter escrito parecer considerando inconstitucional a cobrança de contribuição previdenciária dos inativos, tão logo assumiu o posto votou a favor.
sexta-feira, 28 de outubro de 2005
Os inimigos da modernidade
Já que falei, a propósito da nota anterior, do sociólogo italiano Luciano Pellicani, aí vai um trecho da apresentação de um de seus últimos livros (I nemici della modernità, Roma, Ideazione, 2000):
O processo de modernização produziu um choque intelectual e moral que deu origem a uma vasta família de doutrinas hostis à sociedade aberta. Algumas em nome da Tradição; outras, em nome da Revolução. Mas tanto estas quanto aquelas aspiram à restauração da sociedade fechada, extirpando o individualismo e derrubando o mercado. Portanto, entre os inimigos da Modernidade se deve incluir não só os pensadores declaradamente reacionários, mas também e sobretudo os pensadores revolucionários - os quais, em nome da libertação dos explorados, lançaram uma declaração de guerra permanente contra a civilização liberal e os valores do Iluminismo.
Antiamericanismo

Antes de mais nada, comunico aos visitantes mais assíduos que tive problemas de conexão (Brasil Telecom) e por isso não atualizei a página já na noite de ontem. Pretendia fazer - e faço-o agora - uma referência ao comentário do jornalista Aluizio Amorim (link ao lado) a propósito de manifestações contra a visita do presidente norte-americano George Bush ao Brasil, no próximo dia 6 de novembro. Aluizio diz, com razão, que os protestos contra Bush, incentivados por setores ligados ao PT (vide o site Carta Maior), significam um desperdício de oportunidades, além de revelarem um viés retrógrado. Concordo plenamente e acrescento que o ódio à cultura norte-americana é bastante comum na América Latina (não é exclusividade do fundamentalismo islâmico).
Lembro, a propósito, o que disse o sociólogo Luciano Pellicani (nenhum livro traduzido no Brasil), intelectual que editou nos anos 80 a revista socialista MondOperaio. Estudioso da modernidade, Pellicani detecta nas múltiplas raízes psicológicas e culturais do antiamericanismo um traço comum: a inspiração antiliberal, venha da esquerda ou da direita (comunismo e fascismo abominavam o liberalismo).
A América do antiamericanismo não é uma sociedade real, mas uma gigantesca metáfora, uma verdadeira "tara espiritual", diz Pellicani. Para esse tipo de retórica, de fato, falar em América do Norte é falar "num mundo onde tudo é dinheiro, cálculo, técnica, consumo, conformismo, vulgaridade" - resumindo numa palavra: barbárie disfarçada de civilização.
Para o antiamericanismo, a própria superiodidade tecnológica, científica e organizacional da América é "sinal inequívoco e irrefutável de sua inferioridade moral". Pellicani observa que os jargões utilizados pelos movimentos que alimentam essa retórica é bastante revelador: não se trata de um juízo negativo sobre certos aspectos da "american way of life", mas de "uma verdadeira demonização que cobre a sociedade americana e a totalidade de suas manifestações."
Nada a objetar. Teremos ocasião de ver, nos próximos dias, muitos colunistas reverberarem esse tipo de retórica. Ah, é permitido subestimar a inteligência de Bush. Já insinuar algo a respeito de LuLLa - que declarou nunca ter lido um livro - é preconceito.
(NA FOTO, cena comum em terrritório cucaracha)
quinta-feira, 27 de outubro de 2005
Os signatários da coisa
Esta é a lista dos signatários daquilo que chamei, na nota abaixo, de Manifesto pela indecência - eles dizem que a cassação do comissário Dirceu seria uma "injustiça" (Não importam as provas? Não importam as evidências? Não importam os fatos?). Entre eles estão alguns acadêmicos cujo pensamento ficou paralisado nos anos 80 (como tia Olgária, da USP, que escreveu um livrinho sobre 68 intitulado "As barricadas do desejo"). A história, para esses notáveis, parou aí. Mas surpreende (ou melhor, não surpreende) que haja, além de jornalistas (como Kotscho, o ex-assessor de imprensa de LuLLa), tanta gente ligada ao cinema e às artes. Sabemos que se trata de gente absolutamente independente, que abomina prebendas, sinecuras, verbas estatais etc. Pesquem aí embaixo....
abelardo blanco (arquiteto) >> afonso borges (jornalista e produtor cultural) >> afonso magalhães (coordenador da central de movimentos populares) >> aldo lins e silva (advogado e conselheiro da república) >> alfredo buso (arquiteto) >> aluisio palmar(jornalista) >> alvaro caropreso (jornalista) >> ana clara schemberg (bióloga) >> ana de hollanda (cantora) >> antonio abujamra (dramaturgo) >> antonio grassi (ator) >> antonio netto (presidente da cgtb) >> antonio pitanga (ator) >> argemiro ferreira (jornalista) >> ariovaldo ramos (pastor evangélico) >> aton fon filho (advogado) >> augusto boal (autor e diretor teatral) >> beth fleury (jornalista e escritora) >> caio rosenthal (médico) >> cecília vicente de azevedo alves pinto (escritora) >> cláudio cerri (jornalista) >> claudio kahns (cineasta) >> claudio tozzi (pintor) >> consuelo de castro (escritora) >> cosette alves (empresária) >> dalmo dallari (jurista) >> darcio pauperio serio (advogado) >> eduarda duvivier (arquiteta e escultora) >> eduardo fagnani (economista) >> emir sader (cientista político) >> fernando lyra (advogado) >> fernando morais (escritor) >> flávio tavares (jornalista e escritor) >> frederico mazzucchelli (economista) >> gianfrancesco guarnieri (ator e escritor) >> guilherme fontes (ator e cineasta) >> hildegard angel (jornalista) >> jards macalé (músico) >> joão felício (presidente da cut) >> josé de abreu (ator) >> josé roberto aguilar (artista plástico) >> laércio de almeida lopes (psiquiatra) >> lawrence pih (empresário) >> lia ribeiro dias (jornalista) >> luciano chirolli (diretor de teatro) >> luciano coutinho (economista) >> lucy barreto (produtora de cinema) >> luis vergueiro (publicitário) >> luiz carlos barreto (cineasta) >> luiz fernando emediato (jornalista e editor) >> luiz gonzaga belluzzo (economista) >> luiz paulo rosenberg (economista) >> malu alves ferreira (jornalista) >> manoel de serra (presidente da contag) >> márcia frazão (escritora) >> maria alice vergueiro (atriz) >> maria augusta carneiro ribeiro (socióloga) >> maria das graças sena (produtora de cinema) >> maria do amparo araújo (familiares de mortos e desaparecidos) >> maria helena moreira alves (cientista política) >> mariza leão (cineasta) >> olgária mattos (filósofa) >> oscar niemeyer (arquiteto) >> osmar prado (ator) >> ottoni fernandes jr. (jornalista) >> paulo betti (ator) >> paulo caruso (cartunista) >> paulo maldos (psicólogo) >> paulo ribeiro (jornalista e empresário) >> paulo thiago (cineasta) >> pedro paulo sena madureira (editor) >> radha abramo (crítica de arte) >> raimundo rodrigues pereira (jornalista) >> reinaldo guarany (artista plástico e escritor) >> ricardo kotscho (jornalista) >> rui goethe da costa falcão (jornalista e advogado) >> sérgio amadeu (sociólogo) >> sérgio rezende (cineasta) >> sérgio sérvulo da cunha (advogado) >> sérgio sister (jornalista e artista plástico) >> silvio da rin (documentarista) >> suzana keniger lisboa (familiares de mortos e desaparecidos) >> sylvia bahiense naves (diretora da cinemateca brasileira) >> tizuka yamasaki (cineasta) >> toni cotrim (publicitário) >> vanderley caixe (advogado) >> vanya guarnieri (socióloga) >> vladimir sacchetta (jornalista e produtor cultural) >> wagner tiso (músico) >> zélio alves pinto (artista plástico) >> ziraldo (cartunista) carlos tavares (jornalista, advogado, bancário.
Tudo surrupiado do blog do Fernando Rodrigues, link ao lado.
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Tudo surrupiado do blog do Fernando Rodrigues, link ao lado.
Manifesto pela indecência
Pasmem, senhores e senhoras! O comissário José Dirceu conseguiu um manifesto de apoio assinado por, digamos, intelectuais, que, contra todas as evidências, acham que a cassação do deputado petista "é uma injustiça" (ato falho: escrevem assim mesmo, com o verbo no presente). Ainda não vimos tudo. A era petista nos reserva, a cada dia, novas aulas de cinismo. Gente que arrotava ética. Eis o manifesto, para se ler com um saquinho de plástico à mão, para emergências.
Cassação do deputado José Dirceu é um ato de injustiça
"O país atravessa há praticamente cinco meses uma avalanche de denúncias e especulações. A partir de depoimentos do ex-deputado Roberto Jefferson, nos quais acusou a existência de um suposto esquema para compra de votos entre parlamentares, teve início uma escalada para colocar no banco dos réus o governo do presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores.
Um clima de rancorosa euforia tomou conta das forças oposicionistas. Não hesitaram em classificar e reinterpretar os fatos de acordo com suas conveniências. Pouco importa que nenhuma prova concreta corrobore a versão difundida por setores da mídia convertidos em supremos promotores pairando acima das instituições democráticas. Aos acusadores sequer interessa que as investigações não tenham, até o presente, confirmado qualquer esquema para compra de votos na Câmara. Ou que inexistam evidências sólidas contestando o depoimento do ex-tesoureiro petista, segundo o qual recursos não-contabilizados saldaram dívidas eleitorais e foram originados por empréstimos bancários legalmente reconhecidos pelo Banco Central.
Um grave delito foi cometido, aliás confessado por seus autores, quando se recorreu a métodos irregulares de financiamento, em flagrante violação da lei eleitoral. Milhões de cidadãos não escondem sua decepção com a contaminação do PT por este expediente tradicional e perverso de nosso sistema político. Mas a exploração pública que agora disso se faz contraria preceitos constitucionais e revela ranço antidemocrático. Ignoram-se o direito de defesa, a presunção da inocência, o devido processo legal e a isenção investigativa.
Nos momentos de maior histeria, o objetivo chegou a ser o mandato delegado pelo povo ao presidente da República. Mas desde o início da crise, de forma intensa e incessante, o peso principal de tamanha artilharia recaiu sobre o deputado José Dirceu de Oliveira e Silva, ex-presidente do PT e ex-chefe da Casa Civil.
Não há contra este parlamentar indícios materiais que o vinculem aos recursos irregulares. A principal testemunha de acusação, o ex-deputado Roberto Jefferson, perdeu seu mandato, entre outras razões, porque denunciou sem provas a existência do chamado "mensalão", quebrando o decoro parlamentar. Um paradoxo que não pode calar: o mesmo colegiado que cassou um dos seus por acusação caluniosa pode expulsar de suas fileiras a principal vítima das calúnias de quem foi condenado exatamente por suas mentiras?
Não estão em questão os erros que o ex-ministro possa ter cometido ou sua responsabilidade política pela crise que atravessa seu partido e o país. A democracia prescreve, para esses males, o julgamento das urnas e a crítica dos correligionários. Imputam-se ao ex-ministro, isto sim, delitos que configurariam desrespeito aos compromissos exigíveis de um mandatário . A ausência de provas levou seus denunciantes a um eufemismo, apelidando de julgamento político um processo que fere garantias constitucionais e ameaça transformar as instituições parlamentares em tribunal de exceção.
A Câmara dos Deputados tem a oportunidade e o dever cívico de impedir esse retrocesso. O deputado José Dirceu não pode ser banido uma segunda vez da vida pública pelo projeto político que representa. Não pode ser punido para satisfazer o ódio dos que sempre foram inimigos das causas que abraçou. Não pode ser cassado para saciar a fome de vingança das forças que historicamente resistiram às mudanças e aos sonhos. Defendemos o mandato do deputado José Dirceu. Não precisamos desculpá-lo por seus equívocos, concordar com suas atitudes ou subscrever suas idéias. Mas a cassação desse parlamentar seria uma afronta às regras democráticas cuja conquista custou tanta luta e sacrifício."
Cassação do deputado José Dirceu é um ato de injustiça
"O país atravessa há praticamente cinco meses uma avalanche de denúncias e especulações. A partir de depoimentos do ex-deputado Roberto Jefferson, nos quais acusou a existência de um suposto esquema para compra de votos entre parlamentares, teve início uma escalada para colocar no banco dos réus o governo do presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores.
Um clima de rancorosa euforia tomou conta das forças oposicionistas. Não hesitaram em classificar e reinterpretar os fatos de acordo com suas conveniências. Pouco importa que nenhuma prova concreta corrobore a versão difundida por setores da mídia convertidos em supremos promotores pairando acima das instituições democráticas. Aos acusadores sequer interessa que as investigações não tenham, até o presente, confirmado qualquer esquema para compra de votos na Câmara. Ou que inexistam evidências sólidas contestando o depoimento do ex-tesoureiro petista, segundo o qual recursos não-contabilizados saldaram dívidas eleitorais e foram originados por empréstimos bancários legalmente reconhecidos pelo Banco Central.
Um grave delito foi cometido, aliás confessado por seus autores, quando se recorreu a métodos irregulares de financiamento, em flagrante violação da lei eleitoral. Milhões de cidadãos não escondem sua decepção com a contaminação do PT por este expediente tradicional e perverso de nosso sistema político. Mas a exploração pública que agora disso se faz contraria preceitos constitucionais e revela ranço antidemocrático. Ignoram-se o direito de defesa, a presunção da inocência, o devido processo legal e a isenção investigativa.
Nos momentos de maior histeria, o objetivo chegou a ser o mandato delegado pelo povo ao presidente da República. Mas desde o início da crise, de forma intensa e incessante, o peso principal de tamanha artilharia recaiu sobre o deputado José Dirceu de Oliveira e Silva, ex-presidente do PT e ex-chefe da Casa Civil.
Não há contra este parlamentar indícios materiais que o vinculem aos recursos irregulares. A principal testemunha de acusação, o ex-deputado Roberto Jefferson, perdeu seu mandato, entre outras razões, porque denunciou sem provas a existência do chamado "mensalão", quebrando o decoro parlamentar. Um paradoxo que não pode calar: o mesmo colegiado que cassou um dos seus por acusação caluniosa pode expulsar de suas fileiras a principal vítima das calúnias de quem foi condenado exatamente por suas mentiras?
Não estão em questão os erros que o ex-ministro possa ter cometido ou sua responsabilidade política pela crise que atravessa seu partido e o país. A democracia prescreve, para esses males, o julgamento das urnas e a crítica dos correligionários. Imputam-se ao ex-ministro, isto sim, delitos que configurariam desrespeito aos compromissos exigíveis de um mandatário . A ausência de provas levou seus denunciantes a um eufemismo, apelidando de julgamento político um processo que fere garantias constitucionais e ameaça transformar as instituições parlamentares em tribunal de exceção.
A Câmara dos Deputados tem a oportunidade e o dever cívico de impedir esse retrocesso. O deputado José Dirceu não pode ser banido uma segunda vez da vida pública pelo projeto político que representa. Não pode ser punido para satisfazer o ódio dos que sempre foram inimigos das causas que abraçou. Não pode ser cassado para saciar a fome de vingança das forças que historicamente resistiram às mudanças e aos sonhos. Defendemos o mandato do deputado José Dirceu. Não precisamos desculpá-lo por seus equívocos, concordar com suas atitudes ou subscrever suas idéias. Mas a cassação desse parlamentar seria uma afronta às regras democráticas cuja conquista custou tanta luta e sacrifício."
Fascismo à vista
Chamo atenção aqui para o artigo de Reinaldo Azevedo no site Primeira Leitura, ainda a propósito dos cartazes contra o senador Bornhausen (atenção, petistas: nunca votei no Jorge). Ele indica de onde vem a "inspiração" para manifestações desse tipo. E não exagera ao relacioná-las com práticas fascistas. Só faltou mencionar o ataque explícito à imprensa que também aparece nos cartazes contra Bornhausen (ver nota abaixo).Transcrevo uma parte do texto, remetendo ao site.
"Uma das características evidentes do PT é o que classifico de verticalização do processo político: a base, com efeito, repercute as decisões e avaliações do comando. Não se distinguem partido, governo e Estado. O todo está em toda parte, e cada parte reproduz as características do todo. É assim que se constrói o Moderno Príncipe gramsciano. Ele se torna o imperativo categórico e passa a definir o que é virtuoso e o que é criminoso na sociedade. Vou falar aqui, como verão, dos cartazes pusilânimes associando o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) ao nazismo. Seria uma resposta política a uma frase sua, segundo a qual o Brasil ficará livre “desta raça por uns 30 anos”, referindo-se ao PT. Volto a isso mais tarde. Só reitero aqui a censura que já fiz ao pessimismo de Bornhausen: só 30 anos, senador? Por quê? Essa “raça”, enquanto não respeitar a democracia, tem de ser banida permanentemente da... democracia!
O primeiro que saiu classificando Bornhausen de “racista” por conta daquela frase, que eu me lembre, foi o professor Emir Sader, notório militante petista. Depois, reproduziu a sua fala o deputado José Dirceu (PT-SP). Também endossou a suposição, por vias transversas, o professor Luiz Felipe de Alencastro numa entrevista à Folha. Até culminar com Luiz Marinho, ministro do Trabalho, ex-presidente da CUT, segundo quem “Bornhausen tem saudades do nazismo”.
Vejam como são as coisas. Marinho, o chefe inconteste da CUT até hoje, é, na prática, o líder de Avel Alencar. Quem é Avel Alencar? Justamente o homem que mandou imprimir os cartazes associando Bornhausen a Hitler. Ah, sim: ele também é militante da CUT há 17 anos e é diretor jurídico — jurídico!!! — do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados do Distrito Federal — que é, vejam só, filiado à CUT, de Luiz Marinho, que é o ex-presidente da CUT, capa-preta do PT, ministro do Trabalho, o que fecha o círculo. O layout teria saído da liderança do PT da Assembléia Distrital do DF. O todo está em toda parte, e cada parte reproduz as características do todo."
http://www.primeiraleitura.com.br/auto/entenda.php?id=6474
"Uma das características evidentes do PT é o que classifico de verticalização do processo político: a base, com efeito, repercute as decisões e avaliações do comando. Não se distinguem partido, governo e Estado. O todo está em toda parte, e cada parte reproduz as características do todo. É assim que se constrói o Moderno Príncipe gramsciano. Ele se torna o imperativo categórico e passa a definir o que é virtuoso e o que é criminoso na sociedade. Vou falar aqui, como verão, dos cartazes pusilânimes associando o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) ao nazismo. Seria uma resposta política a uma frase sua, segundo a qual o Brasil ficará livre “desta raça por uns 30 anos”, referindo-se ao PT. Volto a isso mais tarde. Só reitero aqui a censura que já fiz ao pessimismo de Bornhausen: só 30 anos, senador? Por quê? Essa “raça”, enquanto não respeitar a democracia, tem de ser banida permanentemente da... democracia!
O primeiro que saiu classificando Bornhausen de “racista” por conta daquela frase, que eu me lembre, foi o professor Emir Sader, notório militante petista. Depois, reproduziu a sua fala o deputado José Dirceu (PT-SP). Também endossou a suposição, por vias transversas, o professor Luiz Felipe de Alencastro numa entrevista à Folha. Até culminar com Luiz Marinho, ministro do Trabalho, ex-presidente da CUT, segundo quem “Bornhausen tem saudades do nazismo”.
Vejam como são as coisas. Marinho, o chefe inconteste da CUT até hoje, é, na prática, o líder de Avel Alencar. Quem é Avel Alencar? Justamente o homem que mandou imprimir os cartazes associando Bornhausen a Hitler. Ah, sim: ele também é militante da CUT há 17 anos e é diretor jurídico — jurídico!!! — do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados do Distrito Federal — que é, vejam só, filiado à CUT, de Luiz Marinho, que é o ex-presidente da CUT, capa-preta do PT, ministro do Trabalho, o que fecha o círculo. O layout teria saído da liderança do PT da Assembléia Distrital do DF. O todo está em toda parte, e cada parte reproduz as características do todo."
http://www.primeiraleitura.com.br/auto/entenda.php?id=6474
quarta-feira, 26 de outubro de 2005
Ataque ao senador e à imprensa
Eis os cartazes que mostram o senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) vestindo uniforme nazista. Eles foram afixados ao longo do Eixo Monumental, uma das principais avenidas da cidade, no Setor Comercial Sul, área de grande movimentação, e até na Esplanada dos Ministérios.Detalhe significativo: o ataque não é só ao senador, mas também à revista Veja, cuja posição crítica e independente em relação ao governo LuLLa causa desconforto aos governistas. Bornhausen tem apanhado por ter dito, referindo-se ao PT, que "a gente vai se ver livre desta raça por pelo menos 30 anos". Deduziu daí essa turma pouco chegada à lógica que o homem é racista. Evidente exagero.
O fato é que a "campanha" deve ter custado caro. Não é difícil saber de onde veio o dinheiro...
Bem, quanto ao PT, prefiro a definição do Millôr: "O PT não é um partido. É uma etnia".
Definitiva.
Merval pisou na jaca

ATENÇÃO, BRASILEIRO, VOCÊ É BURRO!
Merval Pereira é um bom articulista do jornal O Globo e da Globo News. Em geral, suas análises são finas e acertam o alvo. Ontem, porém, pisou na bola, ou melhor, na jaca. Num longo texto intitulado “A força conservadora”, fez esquisitas, preconceituosas e arrogantes elucubrações.
Diz ele: A vitória do “não” no referendo sobre o desarmamento evidencia mais uma vez que existe espaço no eleitorado brasileiro para uma candidatura conservadora, que priorize conceitos do tipo “lei e ordem”. Foi uma reviravolta até certo ponto surpreendente, pela diferença acachapante, motivada por uma série de preconceitos e manipulações de natureza política que levantaram questões que não estavam realmente em jogo, mas que acabaram influenciando decisivamente o resultado final.
Já no primeiro parágrafo Merval deixa claro que quem votou “não” é conservador, ou seja, chama de conservadora (e isto deve ser coisa muito ruim!) a maioria da população brasileira que decidiu manter o direito de possuir arma de fogo, ainda que esta mesma maioria não tenha arma. Trata-se da mesma população que, também majoritariamente, sufragou LuLLa anos atrás. Naquela ocasião seria progressista?
Ser favorável à lei e à ordem é conservadorismo? Como assim, Merval? Então o Rio de Janeiro, que tem um Estado paralelo comandado pelo narcotráfico, é progressista? Será que as criancinhas, sempre brandidas como vítimas de balas perdidas, são atingidas por projéteis inteligentes, como pergunta Millôr? “São balas com código Herodes? Saem por aí evitando adultos e velhos, só atacando creches e berçários?” (está na Veja desta semana).
O pior é que Merval subestima os brasileiros. Mais que isto, implicitamente chama-os de idiotas – todos são vítimas de manipulação e preconceitos. Será que ninguém é razoável, ninguém raciocina? Ninguém estudou história, direito, filosofia? Nenhum argumento pelo “não” é legítimo? Só é inteligente aquele carioca praieiro, ongueiro, idealista embalado tardiamente pela nostálgica cantiga dos anos 60, que tem a intenção de “mudar o mundo” e acha que essa intenção é suficiente? Merval se acha “progressista” e mais inteligente do que os outros apenas por ter votado junto com as igrejas, os mensaleiros corruptos do PT, as dondocas da Rede Globo, o presidente LuLLa (que nunca leu um livro) e a dona Marisa, que vive reformando o palácio?
E lá vai Merval ladeira abaixo, depois de insinuar que um PFL “modernizado” seria o grande vencedor deste pífio referendo que em nada mudará a situação de violência no Brasil, cujas raízes são históricas, econômicas etc. (o resultado apenas gritou que um Estado que não garante proteção ao cidadão não pode tirar-lhe o direito de se defender):
O que o referendo do desarmamento deixou evidenciado é que a polarização entre PT e PSDB pode ser quebrada por uma candidatura independente que encarne o espírito conservador que dominou o eleitorado brasileiro na defesa da comercialização das armas de fogo, como se fôssemos realmente o país descrito pelo correspondente do "New York Times" Larry Rohter, habitado por pessoas que estão dispostas a atirar umas nas outras. Na verdade, o que ficou demonstrado é que um candidato que conseguir transformar esse sentimento de insegurança e desamparo que domina a sociedade brasileira em uma plataforma política, tem o caminho aberto para uma boa campanha rumo à Presidência da República.
Alto lá, Merval! A suposta polarização PT/PSDB é “progressista”, “esquerdista” ou coisa assim? E se fosse, seria melhor para o país só por isso mesmo? Que diabo será esse “espírito conservador”, essa entidade incorpórea que “dominou o eleitorado brasileiro na defesa da comercialização das armas de fogo”? Deve ser algum demônio fora dessa polaridade que o articulista considera social-democrática. Ora, Merval, PSDB e PT são tão social-democratas quanto o PFL é liberal. Que alternativa?
Tinha que sobrar mesmo para o coitado do Larry Rother, que além de tudo é gringo.
terça-feira, 25 de outubro de 2005
Marcha lenta
E o PSDB começa a se mexer para afastar o senador Eduardo Azeredo (MG) da presidência do partido. Não quer que as denúncias de caixa dois e seu envolvimento com Marcos Valério colem no partido. Já demorou, embora tenha sido mais rápido que o PT, que deixou o cadáver de Delúbio fedendo na sala durante meses. O assunto é matéria de capa da Folha de hoje.
LuLLatur
Até o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB), acha um escândalo a indústria de diárias no governo LuLLa (que ultrapassou 1 bilhão de reais, conforme já comentado aqui). Ele promete fiscalização mais rigorosa contra esse abuso. Só agora? Essa cifra, claro, exclui os gastos do próprio LuLLa, que já fez 43 viagens ao exterior, com resultado zero, segundo a Veja. O procurador-geral do Tribunal de Contas da União, Lucas Furtado, também ficou estarrecido com esses gastos "estratosféricos", que atribui a uma mistura de "desorganização" e "fraude".
Mestre Bobbio
"Não tenho esperança alguma. Como leigo, vivo em um mundo onde a dimensão da esperança é desconhecida. Explico: a esperança é uma virtude teológica. Quando Kant afirma que um dos três grandes problemas da filosofia é 'o que devo esperar', refere-se com esta pergunta à questão religiosa. As virtudes do leigo são outras: o rigor crítico, a dúvida metódica, a moderação, o não prevaricar, a tolerância, o respeito pelas idéias alheias; virtudes mundanas e civis."
De senectute (1996)
segunda-feira, 24 de outubro de 2005
Ética relativista
DE LULLA:
"O que o PT fez do ponto de vista eleitoral é o que é feito no Brasil sistematicamente."
DE BERZOINI, o algoz dos velhinhos da Previdência:
"Não devemos ser hipócritas. Caixa dois é algo muito comum na política brasileira.
O caixa dois é do nosso folclore político."
RESUMO DA ÓPERA:
"O PT expôs o país a uma era de mediocridade. A culpa e a vergonha foram
desmoralizadas pela aplicação contumaz
da esperteza delinqüente."
(Tales Alvarenga, na Veja)
Os professores e os labregos do governo
O governo do homem que nunca leu um livro e se jacta de não ser culto continua tratando as universidades a pontapés. Os professores universitários federais, em greve há quase 60 dias, reivindicam um reajuste salarial emergencial de 18%, modestíssimo para quem teve o último aumento efetivo apenas no governo Itamar (no governo FHC - vade retro! -, só foram retocados alguns penduricalhos). A resposta do governo é "não" (era "sim" pra desarmar cidadãos honestos). Aos professores, não oferece mais que 500 milhões de reais para o reajuste, montante que não contempla todas as categorias. Enquanto isso, os labregos partidários e sindicais com que aparelhou o Estado gastaram mais de um 1 bilhão de reais só em diárias (um deles chegou a receber 170 mil reais!). A impressão é que, no MEC, ninguém sabe o que fazer diante da situação das universidades. Devem pensar: que se procure o Delúbio, que se procure o Valério, como sempre fizeram. Este é o modo petista de "governar".
História da ciência
Sai o terceiro volume da coleção Breve História da Ciência Moderna.
Depois de passear pela efervescência cultural da Idade Média e pelas origens da ciência moderna a partir do Renascimento, a coleção Breve História da Ciência Moderna mostra aos leitores como se deu a consolidação da racionalidade científica, baseada na experimentação e na matematização da natureza. O terceiro volume da série, Das Luzes ao sonho do doutor Frankenstein, traz um panorama dos processos que ratificaram a concepção mecânica do universo e, com igual força, fizeram surgir críticas ferozes a esse pensamento, manifestadas da filosofia à arte. Resenha completa no site da Ciência Hoje: http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/4015
Depois de passear pela efervescência cultural da Idade Média e pelas origens da ciência moderna a partir do Renascimento, a coleção Breve História da Ciência Moderna mostra aos leitores como se deu a consolidação da racionalidade científica, baseada na experimentação e na matematização da natureza. O terceiro volume da série, Das Luzes ao sonho do doutor Frankenstein, traz um panorama dos processos que ratificaram a concepção mecânica do universo e, com igual força, fizeram surgir críticas ferozes a esse pensamento, manifestadas da filosofia à arte. Resenha completa no site da Ciência Hoje: http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/4015
LuLLa, o "campeão dos capitalistas".
Não é só o risco da "gripe do frango" que assusta o Brasil. Há outro: o"risco LuLLa". Quem fala neste último risco é o historiador Thomas Skidmore, um dos pioneiros dos estudos "brasilianistas" nas universidade norte-americanas. Em entrevista à revista Época desta semana, ele ainda se diz perplexo com a ortodoxia econômica do governo, chama LuLLa de "campeão dos capitalistas" e define como "risco LuLLa" a manutenção dessa bandeira conservadora nas eleições de 2006. Mr. Skidmore tem razão. No Brasil, quem está mais contente com o governo são os banqueiros. Entrevista aberta em: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT1057227-1666-1,00.html
Quem perde
Márcio Thomas Bastos, advogado criminalista, ministro da Justiça do governo LuLLa e defensor do "sim" no referendo, apressou-se a dizer, ontem mesmo, que o resultado da votação do referendo das armas "não está relacionado à aprovação ou desaprovação do governo do presidente Lula." Não é o que parece. A Folha de S. Paulo, que divulgou pesquisa no domingo dando vitória ao "não" (e as urnas foram ainda mais longe: 64% ao "não" contra 36% ao "sim"), demonstra que a aprovação ao governo também oscila de acordo com a intenção de voto declarada pelo eleitorado. No cruzamento feito pelo Datafolha, que ouviu 2.537 pessoas, entre aqueles que pretendiam votar "sim", 34% consideraram o governo ótimo ou bom (seis pontos percentuais acima da média). Esse índice é superior ao de reprovação: para 23%, cinco pontos abaixo da média calculada pela pesquisa, o governo é analisado como ruim ou péssimo. Já no grupo dos que declararam votar hoje pela permanência do comércio de armas de fogo e munição, o "não" parece também se estender ao governo. A taxa de aprovação cai para 26%. A de reprovação, porém, fica quatro pontos acima da média verificada pelo Datafolha -32%.
Fernando Rodrigues (link ao lado) diz em sua coluna de hoje que a expressiva vitória do "não" foi "uma derrota para todos os presidenciáveis que já apareceram para 2006: Lula, Serra, Alckmin, Aécio, FHC e Garotinho. Todos defenderam o “sim”. Perderam feio. Outros que se saíram mal são os congressistas que encamparam publicamente a campanha do “sim”. O nome à frente de todos é o de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Renan, mais do que ninguém, pressionou pela realização do referendo. Esperava lustrar sua imagem – ele tem um passado eclético, tendo apoiado Collor, Itamar, FHC e Lula."
A conclusão de Rodrigues: "na realidade, o derrotado maior é o que precisava melhorar a imagem de maneira imediata, desesperadamente. Por exemplo, Lula saindo do mensalão”.
Mas é preciso acrescentar: perdem também a Igreja católica, a imagem dos artistas globais, os petistas (especialmente Dirceu, João Paulo Cunha e o "Professor" Luizinho, que defenderam o "sim" na TV).
Fernando Rodrigues (link ao lado) diz em sua coluna de hoje que a expressiva vitória do "não" foi "uma derrota para todos os presidenciáveis que já apareceram para 2006: Lula, Serra, Alckmin, Aécio, FHC e Garotinho. Todos defenderam o “sim”. Perderam feio. Outros que se saíram mal são os congressistas que encamparam publicamente a campanha do “sim”. O nome à frente de todos é o de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Renan, mais do que ninguém, pressionou pela realização do referendo. Esperava lustrar sua imagem – ele tem um passado eclético, tendo apoiado Collor, Itamar, FHC e Lula."
A conclusão de Rodrigues: "na realidade, o derrotado maior é o que precisava melhorar a imagem de maneira imediata, desesperadamente. Por exemplo, Lula saindo do mensalão”.
Mas é preciso acrescentar: perdem também a Igreja católica, a imagem dos artistas globais, os petistas (especialmente Dirceu, João Paulo Cunha e o "Professor" Luizinho, que defenderam o "sim" na TV).
domingo, 23 de outubro de 2005
As origens do jornalismo IV
As regras da notícia
"Abolida a censura prévia, em 1695, também a Inglaterra passa a se distinguir no campo do jornalismo diário. Em Londres floresceriam as iniciativas mais duradouras, como a do Daily Courant, editado a partir de 1702, e a do The Evening Post, o primeiro vespertino inglês, lançado quatro anos depois. É então que a cultura da notícia dá o salto que, mudanças tecnológicas à parte, caracteriza o jornalismo ainda hoje. Já em seu primeiro número o Daily Courant anuncia as regras técnicas e as normas éticas que pautariam sua conduta. A cobertura do noticiário estrangeiro deveria citar as fontes, evitar "qualquer acréscimo de circunstâncias falsas a um evento", relatando tudo "correta e imparcialmente". "No início de cada artigo", prossegue a apresentação, "o Autor citará o jornal estrangeiro em que se baseou, de modo que o Público (...) possa julgar com maior conhecimento a credibilidade e imparcialidade do relato." Dispensando "comentários ou suposições subjetivos", serão noticiados apenas "dados de fato." E o jornal conclui: "Este Courant (como mostra o título) será publicado diariamente: sendo pensado para dar todas as notícias tão logo cheguem com o correio: e se limita à metade do espaço, para poupar o público pelo menos metade das impertinências dos jornais comuns". Credibility and fairness (credibilidade e imparcialidade) - eis a primeira formulação de uma deontologia profissional do jornalista, que depois se traduziria na clássica distinção entre fatos e opiniões. A carta de apresentação do Daily salienta a exigência de atualidade e enuncia sinteticamente algumas diretrizes que se tornariam fundamentais na profissão e hoje figuram em qualquer manual de redação: fidelidade aos fatos, preocupação com a verdade, rigor na apuração e seleção, além de exatidão e concisão. Delineia-se aqui a fórmula dos "cinco W", isto é, o lead da notícia, que o jornalismo inglês consagraria: who (quem), what (o que), where (onde), when (quando), why (por quê?). Não satisfeitas as condições do lead, ou o texto está mal elaborado ou não se trata de notícia. Essas questões não escaparam a Peucer, que relaciona com "a vontade do escritor de periódicos" tanto "a credibilidade" quanto "o amor à verdade". "Não seja o caso que", afirma ele, "preso por um afã partidário, misture ali, temerariamente, alguma coisa de falso ou escreva coisas insuficientemente exploradas sobre temas de grande importância". No relato, "caberá ater-se àquelas circunstâncias já conhecidas que se costuma ter sempre em conta em uma ação, tais como a pessoa, o objeto, a causa, o modo, o local, e o tempo." Peucer está atento, também, à necessidade de concisão, clareza e atenção aos fatos. O estilo dos periódicos não haverá de ser "nem oratório nem poético", pois "aquele distancia o leitor desejoso de novidade", e "este lhe causa confusão, além de não expor as coisas com clareza suficiente." Os relatos jornalísticos devem seguir o fato tal "como sucedeu" e, para isso, "o narrador se faz servir uma linguagem por um lado pura, mas por outro, clara a concisa", evitando "as palavras obscuras e a confusão na ordem sintática." Diante das exigências da cultura da notícia, então cada vez mais difusa, não surpreende que o primeiro quotidiano inglês tenha manifestado, já em seu número de estréia, a intenção de se destacar das publicações concorrentes, em geral menos criteriosas. Afinal, não eram incomuns, à época do Daily Courant e de Peucer, registros sensacionalistas de monstros e maravilhas, publicados lado a lado com relatos de cunho mais factual. Jeanneney cita como exemplo o jornal francês Mercure galant, que em 1680 manteve seus leitores em suspenso com a fantástica estória da "serpente de La Tour du Pin", animal com "um maravilhoso rubi entre os dentes" (sic), que aparecera várias vezes entre os camponeses. Note-se que esse tipo de relato fantasioso pouco preocupava as elites, os religiosos e governantes. Curiosamente, o jornalista passou a ser mais criticado e malvisto quando, já consolidada a cultura da notícia, se torna mais objetivo, isto é, quando segue mais de perto os fatos, desprezando os "comentários ou suposições subjetivos". Mas foi desse modo que a imprensa, particularmente a periódica, ajudou a expandir o conhecimento. Quanto a Peucer, ainda que fosse mais conservador que seus contemporâneos iluministas, soube captar as transformações vividas pela imprensa no século da revolução científica e dos periódicos, sistematizando conceitos e regras que, esparsos nas páginas de jornais e revistas, compunham o perfil de uma nova profissão - a de jornalista."
*Professor da UFSC e autor de O declínio do marxismo e a herança hegeliana, Florianópolis, Edufsc, 1999. (O artigo aqui reproduzido é uma versão resumida de "Tobias Peucer e as origens do jornalismo", publicado na revista Estudos em jornalismo e mídia, Florianópolis, vol. 1, n. 2, 2004)
"Abolida a censura prévia, em 1695, também a Inglaterra passa a se distinguir no campo do jornalismo diário. Em Londres floresceriam as iniciativas mais duradouras, como a do Daily Courant, editado a partir de 1702, e a do The Evening Post, o primeiro vespertino inglês, lançado quatro anos depois. É então que a cultura da notícia dá o salto que, mudanças tecnológicas à parte, caracteriza o jornalismo ainda hoje. Já em seu primeiro número o Daily Courant anuncia as regras técnicas e as normas éticas que pautariam sua conduta. A cobertura do noticiário estrangeiro deveria citar as fontes, evitar "qualquer acréscimo de circunstâncias falsas a um evento", relatando tudo "correta e imparcialmente". "No início de cada artigo", prossegue a apresentação, "o Autor citará o jornal estrangeiro em que se baseou, de modo que o Público (...) possa julgar com maior conhecimento a credibilidade e imparcialidade do relato." Dispensando "comentários ou suposições subjetivos", serão noticiados apenas "dados de fato." E o jornal conclui: "Este Courant (como mostra o título) será publicado diariamente: sendo pensado para dar todas as notícias tão logo cheguem com o correio: e se limita à metade do espaço, para poupar o público pelo menos metade das impertinências dos jornais comuns". Credibility and fairness (credibilidade e imparcialidade) - eis a primeira formulação de uma deontologia profissional do jornalista, que depois se traduziria na clássica distinção entre fatos e opiniões. A carta de apresentação do Daily salienta a exigência de atualidade e enuncia sinteticamente algumas diretrizes que se tornariam fundamentais na profissão e hoje figuram em qualquer manual de redação: fidelidade aos fatos, preocupação com a verdade, rigor na apuração e seleção, além de exatidão e concisão. Delineia-se aqui a fórmula dos "cinco W", isto é, o lead da notícia, que o jornalismo inglês consagraria: who (quem), what (o que), where (onde), when (quando), why (por quê?). Não satisfeitas as condições do lead, ou o texto está mal elaborado ou não se trata de notícia. Essas questões não escaparam a Peucer, que relaciona com "a vontade do escritor de periódicos" tanto "a credibilidade" quanto "o amor à verdade". "Não seja o caso que", afirma ele, "preso por um afã partidário, misture ali, temerariamente, alguma coisa de falso ou escreva coisas insuficientemente exploradas sobre temas de grande importância". No relato, "caberá ater-se àquelas circunstâncias já conhecidas que se costuma ter sempre em conta em uma ação, tais como a pessoa, o objeto, a causa, o modo, o local, e o tempo." Peucer está atento, também, à necessidade de concisão, clareza e atenção aos fatos. O estilo dos periódicos não haverá de ser "nem oratório nem poético", pois "aquele distancia o leitor desejoso de novidade", e "este lhe causa confusão, além de não expor as coisas com clareza suficiente." Os relatos jornalísticos devem seguir o fato tal "como sucedeu" e, para isso, "o narrador se faz servir uma linguagem por um lado pura, mas por outro, clara a concisa", evitando "as palavras obscuras e a confusão na ordem sintática." Diante das exigências da cultura da notícia, então cada vez mais difusa, não surpreende que o primeiro quotidiano inglês tenha manifestado, já em seu número de estréia, a intenção de se destacar das publicações concorrentes, em geral menos criteriosas. Afinal, não eram incomuns, à época do Daily Courant e de Peucer, registros sensacionalistas de monstros e maravilhas, publicados lado a lado com relatos de cunho mais factual. Jeanneney cita como exemplo o jornal francês Mercure galant, que em 1680 manteve seus leitores em suspenso com a fantástica estória da "serpente de La Tour du Pin", animal com "um maravilhoso rubi entre os dentes" (sic), que aparecera várias vezes entre os camponeses. Note-se que esse tipo de relato fantasioso pouco preocupava as elites, os religiosos e governantes. Curiosamente, o jornalista passou a ser mais criticado e malvisto quando, já consolidada a cultura da notícia, se torna mais objetivo, isto é, quando segue mais de perto os fatos, desprezando os "comentários ou suposições subjetivos". Mas foi desse modo que a imprensa, particularmente a periódica, ajudou a expandir o conhecimento. Quanto a Peucer, ainda que fosse mais conservador que seus contemporâneos iluministas, soube captar as transformações vividas pela imprensa no século da revolução científica e dos periódicos, sistematizando conceitos e regras que, esparsos nas páginas de jornais e revistas, compunham o perfil de uma nova profissão - a de jornalista."
*Professor da UFSC e autor de O declínio do marxismo e a herança hegeliana, Florianópolis, Edufsc, 1999. (O artigo aqui reproduzido é uma versão resumida de "Tobias Peucer e as origens do jornalismo", publicado na revista Estudos em jornalismo e mídia, Florianópolis, vol. 1, n. 2, 2004)
As origens do jornalismo III
O mercado holandês
"Amsterdã passa a ocupar, no século 17, o lugar que Veneza ocupara no século anterior como centro de informação e de produção e comercialização de livros. Gazetas de notícias eram ali impressas regularmente em diversas línguas, como é o caso dos primeiros jornais publicados em inglês e francês, em 1620: The Corrant out of Italy, Germany etc. e Courant d'Italie, Alemaigne etc. (Atualidades da Itália, Alemanha etc.). Mais de 270 livreiros e impressores atuavam na cidade, imprimindo também bíblias, mapas, atlas, dicionários, enciclopédias e relatos de viagens em vários idiomas, do latim ao francês, do inglês ao alemão, além de russo, iídiche, armênio e georgiano. Contam os historiadores que os marinheiros ingleses dependiam dos editores holandeses para informações e orientações "até mesmo sobre as costas da Inglaterra". Tanto se publicava (e não só na Holanda) que, ao final do século, surge também a resenha de livros. É ainda em Amsterdã que o filósofo calvinista Pierre Bayle (1647-1706), exilado da França, começa a publicar, em 1684, as Nouvelles de la République des Lettres (Notícias da República das Letras), cujo sucesso foi imediato. Cresciam, agora, as publicações eruditas e culturais, a exemplo das revistas das academias científicas (como a citada Philosophycal transactions, da Royal Society inglesa). Em Paris, o Journal des Savants (1665), mantido pela Academia de Ciências, cultiva, em suas 12 páginas semanais, um modelo mais cultural e literário que seu congênere inglês, logo seguido pelo romano Giornale de' Letterati (1668), de circulação mensal. Em Leipzig, as Acta Eruditorum (1684), editadas em latim, se transformariam numa das revistas mais famosas do século (foi em suas páginas, por exemplo, que Leibniz expôs o cálculo diferencial). Nesse meio tempo, a Leipzig de Peucer se afirma como um dos centros do jornalismo europeu. E é precisamente em Leipzig que se edita o primeiro jornal diário, experiência que só foi possível devido ao sistema conjunto de serviços postais e tipográficos. O Neueinlauffende Nachricht von Kriegs-und Welthandeln (Notícia corrente dos fatos da Guerra e do mundo) foi publicado quotidianamente durante mais de uma década pelo tipógrafo e livreiro Timotheus Ritsch. Ainda que essa experiência permanecesse como um fato isolado por algum tempo, estava aberto o caminho para uma presença cada vez mais forte do jornalismo. A profissão de jornalista, de fato, amplia sua autonomia em relação aos ofícios de impressor e editor, disseminando algumas regras técnicas que constituirão a cultura da notícia do jornal moderno. A imprensa começaria a tomar o lugar do púlpito, como lembra Elizabeth Eisenstein em seu belo estudo sobre "as revoluções do livro" (A revolução da cultura impressa, Ática, 1988). De agora em diante, a seleção e circulação de notícias seriam geridas por laicos, o que contribuiria para o processo de secularização (ou dessacralização) da cultura, essencial ao avanço do espírito científico. A partir do século 18, de fato, o púlpito foi definitivamente suplantado pela imprensa periódica, e o dito "nada é sagrado" acabou por caracterizar a carreira do jornalista. "Frente à furiosa cobiça de novidade e sede generalizada de notícias, os esforços dos moralistas católicos e dos evangélicos protestantes (...) se revelaram pouco úteis. O jornal mensal foi substituído pelo semanal e este, enfim, pelo quotidiano. Surgiam cada vez mais jornais de província (...). Os bisbilhoteiros freqüentadores de igreja já podiam saber dos assuntos locais percorrendo as colunas dos jornais, silenciosamente, na própria casa."
"Amsterdã passa a ocupar, no século 17, o lugar que Veneza ocupara no século anterior como centro de informação e de produção e comercialização de livros. Gazetas de notícias eram ali impressas regularmente em diversas línguas, como é o caso dos primeiros jornais publicados em inglês e francês, em 1620: The Corrant out of Italy, Germany etc. e Courant d'Italie, Alemaigne etc. (Atualidades da Itália, Alemanha etc.). Mais de 270 livreiros e impressores atuavam na cidade, imprimindo também bíblias, mapas, atlas, dicionários, enciclopédias e relatos de viagens em vários idiomas, do latim ao francês, do inglês ao alemão, além de russo, iídiche, armênio e georgiano. Contam os historiadores que os marinheiros ingleses dependiam dos editores holandeses para informações e orientações "até mesmo sobre as costas da Inglaterra". Tanto se publicava (e não só na Holanda) que, ao final do século, surge também a resenha de livros. É ainda em Amsterdã que o filósofo calvinista Pierre Bayle (1647-1706), exilado da França, começa a publicar, em 1684, as Nouvelles de la République des Lettres (Notícias da República das Letras), cujo sucesso foi imediato. Cresciam, agora, as publicações eruditas e culturais, a exemplo das revistas das academias científicas (como a citada Philosophycal transactions, da Royal Society inglesa). Em Paris, o Journal des Savants (1665), mantido pela Academia de Ciências, cultiva, em suas 12 páginas semanais, um modelo mais cultural e literário que seu congênere inglês, logo seguido pelo romano Giornale de' Letterati (1668), de circulação mensal. Em Leipzig, as Acta Eruditorum (1684), editadas em latim, se transformariam numa das revistas mais famosas do século (foi em suas páginas, por exemplo, que Leibniz expôs o cálculo diferencial). Nesse meio tempo, a Leipzig de Peucer se afirma como um dos centros do jornalismo europeu. E é precisamente em Leipzig que se edita o primeiro jornal diário, experiência que só foi possível devido ao sistema conjunto de serviços postais e tipográficos. O Neueinlauffende Nachricht von Kriegs-und Welthandeln (Notícia corrente dos fatos da Guerra e do mundo) foi publicado quotidianamente durante mais de uma década pelo tipógrafo e livreiro Timotheus Ritsch. Ainda que essa experiência permanecesse como um fato isolado por algum tempo, estava aberto o caminho para uma presença cada vez mais forte do jornalismo. A profissão de jornalista, de fato, amplia sua autonomia em relação aos ofícios de impressor e editor, disseminando algumas regras técnicas que constituirão a cultura da notícia do jornal moderno. A imprensa começaria a tomar o lugar do púlpito, como lembra Elizabeth Eisenstein em seu belo estudo sobre "as revoluções do livro" (A revolução da cultura impressa, Ática, 1988). De agora em diante, a seleção e circulação de notícias seriam geridas por laicos, o que contribuiria para o processo de secularização (ou dessacralização) da cultura, essencial ao avanço do espírito científico. A partir do século 18, de fato, o púlpito foi definitivamente suplantado pela imprensa periódica, e o dito "nada é sagrado" acabou por caracterizar a carreira do jornalista. "Frente à furiosa cobiça de novidade e sede generalizada de notícias, os esforços dos moralistas católicos e dos evangélicos protestantes (...) se revelaram pouco úteis. O jornal mensal foi substituído pelo semanal e este, enfim, pelo quotidiano. Surgiam cada vez mais jornais de província (...). Os bisbilhoteiros freqüentadores de igreja já podiam saber dos assuntos locais percorrendo as colunas dos jornais, silenciosamente, na própria casa."
As origens do jornalismo II
Os primeiros periódicos
"A verdadeira imprensa periódica aparece no início do século 17 em Antuérpia, nos Países Baixos, com a publicação semanal da folha As últimas notícias (Nieuwe Tydinghen), a partir de maio de 1605. Nos anos seguintes, novas publicações semanais surgem quase ao mesmo tempo na Basiléia, em Estrasburgo, Frankfurt, Berlim, Hamburgo, Praga, Colônia e Amsterdã. Londres terá seu primeiro jornal em 1622; Paris, em 1631; Florença, em 1636; Roma, em 1640; e Madri, em 1661. Na França, Theophraste Renaudot, editor da Gazette e médico do rei Luiz XIII, já antecipava, na década de 1630, alguns pontos importantes em relação aos jornais, tratando das fontes e estabelecendo a diferença entre história e relato jornalístico. "A história", observa ele, "é o relato das coisas acontecidas, a gazeta é somente a voz corrente. A primeira é tida por dizer sempre a verdade, a segunda já faz muito se impede a mentira. E não mente nem mesmo quando refere notícias falsas que lhe foram comunicadas como verdadeiras. Só a mentira difundida conscientemente como tal pode torná-la digna de reprovação." Ainda que a solução proposta por Renaudot fosse desculpar de antemão o gazetier de boa-fé, eximindo-o de qualquer responsabilidade, não resta dúvida de que ele foi o primeiro a suscitar o problema das fontes, essenciais ao trabalho jornalístico. Quanto às fontes, Peucer parece sugerir a pluralidade. Diz ele que "é preciso averiguar se quando um fato acontecido recentemente é anunciado imediatamente em locais diversos, é confirmado pelo testemunho de muitos". Se houver discordância, confere-se "uma credibilidade provável às coisas narradas, de sorte que afinal ao mais sério, pode suceder-lhe que algumas vezes se lhe misture coisas falsas com coisas verdadeiras sem culpa sua." Sobretudo, "não se pode mentir nem dizer coisas falsas de sorte que o outro forme uma opinião falsa ou seja enganado". É exatamente no século 17 que se desenham alguns traços da imprensa moderna: já é amplo o leque de gêneros, e a nova profissão começa a ampliar sua própria liberdade, apesar das interferências dos governos e da corrupção. Excetuando-se a liberal Holanda, no entanto, haveria censura prévia e férreo controle da imprensa por parte das monarquias européias até o século seguinte. O rei Frederico Guilherme I, da Prússia, por exemplo, permitiria a existência, durante seu reinado (1713-1740), de apenas dois jornais, a cargo de funcionários por ele próprio designados: um, oficial, dedicado a assuntos da realeza; outro, literário, dedicado exclusivamente aos livros escolhidos pelo rei (a situação na Alemanha e na Áustria só mudaria com a ascensão de Frederico II, iluminista, amigo dos filósofos, que desenvolve uma concepção menos grosseira do mundo cívico). Basta lembrar que livros ainda eram queimados em praça pública em pleno século 18, entre eles as Cartas filosóficas, de Voltaire (obra publicada em 1733), e o Emílio, de Rousseau (1762).O sistema de censura mais abrangente, contudo, foi o instituído pela Igreja Católica no século 16: o Index Librorum Prohibituorum (Index dos Livros Proibidos). Concebido para se contrapor à Reforma (e à imprensa), incluía não só obras de teologia protestante, mas livros sobre outros assuntos escritos por "hereges". Na lista figuravam nomes famosos, como Copérnico, Galilei, Bacon, Descartes, Locke, Espinosa, Voltaire, Rousseau. Atualizado regularmente até a 32ª edição, de 1948 (com uma relação de 4 mil livros), o Index foi um obstáculo à circulação do conhecimento no mundo católico: fora das bibliotecas dos grandes centros, era difícil encontrar exemplares de livros proibidos. Sobre a censura, o que tem a dizer Peucer? As "precauções" que sugere para a seleção da matéria dos relatos jornalísticos certamente não expressam a visão de um iluminista: "Não se insira nos periódicos nada que prejudique os bons costumes ou a verdadeira religião (...). É por isso que em algumas cidades se estabeleceu, com uma prudente decisão, que não seja permitido imprimir periódicos sem que estes tenham sido aprovados pela censura. Dá-se, com efeito, a honesta disciplina, para que os espíritos inocentes não sejam ofendidos com esta espécie de páginas impuras espalhadas aqui e ali, ou que, por outro lado, os que são propensos ao mal, não venham a ser incitados por esse tipo de escritos."
"A verdadeira imprensa periódica aparece no início do século 17 em Antuérpia, nos Países Baixos, com a publicação semanal da folha As últimas notícias (Nieuwe Tydinghen), a partir de maio de 1605. Nos anos seguintes, novas publicações semanais surgem quase ao mesmo tempo na Basiléia, em Estrasburgo, Frankfurt, Berlim, Hamburgo, Praga, Colônia e Amsterdã. Londres terá seu primeiro jornal em 1622; Paris, em 1631; Florença, em 1636; Roma, em 1640; e Madri, em 1661. Na França, Theophraste Renaudot, editor da Gazette e médico do rei Luiz XIII, já antecipava, na década de 1630, alguns pontos importantes em relação aos jornais, tratando das fontes e estabelecendo a diferença entre história e relato jornalístico. "A história", observa ele, "é o relato das coisas acontecidas, a gazeta é somente a voz corrente. A primeira é tida por dizer sempre a verdade, a segunda já faz muito se impede a mentira. E não mente nem mesmo quando refere notícias falsas que lhe foram comunicadas como verdadeiras. Só a mentira difundida conscientemente como tal pode torná-la digna de reprovação." Ainda que a solução proposta por Renaudot fosse desculpar de antemão o gazetier de boa-fé, eximindo-o de qualquer responsabilidade, não resta dúvida de que ele foi o primeiro a suscitar o problema das fontes, essenciais ao trabalho jornalístico. Quanto às fontes, Peucer parece sugerir a pluralidade. Diz ele que "é preciso averiguar se quando um fato acontecido recentemente é anunciado imediatamente em locais diversos, é confirmado pelo testemunho de muitos". Se houver discordância, confere-se "uma credibilidade provável às coisas narradas, de sorte que afinal ao mais sério, pode suceder-lhe que algumas vezes se lhe misture coisas falsas com coisas verdadeiras sem culpa sua." Sobretudo, "não se pode mentir nem dizer coisas falsas de sorte que o outro forme uma opinião falsa ou seja enganado". É exatamente no século 17 que se desenham alguns traços da imprensa moderna: já é amplo o leque de gêneros, e a nova profissão começa a ampliar sua própria liberdade, apesar das interferências dos governos e da corrupção. Excetuando-se a liberal Holanda, no entanto, haveria censura prévia e férreo controle da imprensa por parte das monarquias européias até o século seguinte. O rei Frederico Guilherme I, da Prússia, por exemplo, permitiria a existência, durante seu reinado (1713-1740), de apenas dois jornais, a cargo de funcionários por ele próprio designados: um, oficial, dedicado a assuntos da realeza; outro, literário, dedicado exclusivamente aos livros escolhidos pelo rei (a situação na Alemanha e na Áustria só mudaria com a ascensão de Frederico II, iluminista, amigo dos filósofos, que desenvolve uma concepção menos grosseira do mundo cívico). Basta lembrar que livros ainda eram queimados em praça pública em pleno século 18, entre eles as Cartas filosóficas, de Voltaire (obra publicada em 1733), e o Emílio, de Rousseau (1762).O sistema de censura mais abrangente, contudo, foi o instituído pela Igreja Católica no século 16: o Index Librorum Prohibituorum (Index dos Livros Proibidos). Concebido para se contrapor à Reforma (e à imprensa), incluía não só obras de teologia protestante, mas livros sobre outros assuntos escritos por "hereges". Na lista figuravam nomes famosos, como Copérnico, Galilei, Bacon, Descartes, Locke, Espinosa, Voltaire, Rousseau. Atualizado regularmente até a 32ª edição, de 1948 (com uma relação de 4 mil livros), o Index foi um obstáculo à circulação do conhecimento no mundo católico: fora das bibliotecas dos grandes centros, era difícil encontrar exemplares de livros proibidos. Sobre a censura, o que tem a dizer Peucer? As "precauções" que sugere para a seleção da matéria dos relatos jornalísticos certamente não expressam a visão de um iluminista: "Não se insira nos periódicos nada que prejudique os bons costumes ou a verdadeira religião (...). É por isso que em algumas cidades se estabeleceu, com uma prudente decisão, que não seja permitido imprimir periódicos sem que estes tenham sido aprovados pela censura. Dá-se, com efeito, a honesta disciplina, para que os espíritos inocentes não sejam ofendidos com esta espécie de páginas impuras espalhadas aqui e ali, ou que, por outro lado, os que são propensos ao mal, não venham a ser incitados por esse tipo de escritos."
As origens do jornalismo I
Como hoje é domingo, indico uma sessão de leitura mais longa. Saiu na edição de ontem do Diário Catarinense uma versão resumida (pero no mucho) de artigo que escrevi para a revista acadêmica Estudos em Jornalismo e Mídia, do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo e Mídia, da Universidade Fedeal de Santa Catarina. Publico-o aqui, em partes (copiadas e coladas do próprio jornal), já que para lê-lo no site do Diário (http://www.diario.com.br) é necessário preencher cadastro.
História
As origens do jornalismo
As primeiras notícias impressas surgiram nas gazetas venezianas entre o final do século 15 e o início do 16
POR ORLANDO TAMBOSI*
"O alemão Tobias Peucer, considerado o autor da primeira tese de doutorado sobre jornalismo, publicada no final do século 17 (Os relatos jornalísticos, Revista Comunicação & sociedade, nº. 33, com tradução de P. Rocha Dias), teve o mérito de sistematizar os principais conceitos da recém-nascida imprensa periódica, boa parte deles vigentes ainda hoje. Os pressupostos teóricos e regras técnicas que ele enuncia correspondem à "cultura da notícia" que começava a se consolidar nos principais centros da Europa - principalmente na Holanda - em função da expansão do comércio e da proliferação de periódicos (o próprio termo "jornalista" passou a ser utilizado em francês, inglês e italiano somente por volta de 1700). Filho da modernidade tal como as ciências, o jornalismo seria decisivo, no século 18, à difusão das idéias do Iluminismo - só então assumindo características político-ideológicas mais nítidas -, que desembocariam na formação da chamada "opinião pública" e na Revolução Francesa de 1789. O opúsculo de Peucer (constituído de 29 parágrafos) surge três anos depois da publicação de Princípios matemáticos de filosofia natural, de Isaac Newton (1642-1727), o pai da Física Moderna, e no mesmo ano em que vieram à luz o Ensaio sobre o intelecto humano e Dois tratados sobre o governo, do filósofo John Locke (1632-1704), fundador do empirismo e teórico do liberalismo. Na Alemanha de Peucer, o filósofo e lógico Wilhelm Leibniz (1646-1716) estabelecia as diferenças entre a investigação científica e a pesquisa filosófico-metafísica, criticava Descartes (1596-1650) e polemizava com Newton sobre a primazia na criação do cálculo diferencial. A revolução científica, que já varrera boa parte da Europa, lentamente começa a mudar a imagem do mundo, solapando a concepção aristotélico-cristã do universo. A pequena Holanda se tornará, no decorrer do século, o refúgio de comerciantes, cientistas, filósofos e técnicos perseguidos em seus países por motivos religiosos. A fuga de cérebros e capitais dos países da Contra-Reforma transforma Amsterdã no principal centro capitalista da Europa e, conseqüentemente, no principal mercado de informação. Tolerância religiosa e florescimento intelectual, de fato, caminhariam juntos na ascensão da burguesia mercantil holandesa, retratada nas pinturas de Vermeer e Rembrandt. Mas não é na Holanda que nascem os "relatos jornalísticos". A progressiva expansão dos mercados exigiu, já a partir do século 15, uma rede de informações cada vez mais articulada. Notícias manuscritas relatando a situação político-econômica e as transações comerciais e financeiras, celeremente reproduzidas por copistas em poucas centenas de exemplares, abasteciam as elites das principais cidades. Veneza era, então, o centro editorial da Europa (a imprensa, recorde-se, fora inventada por Johann Gutenberg em 1438), posição que preservaria durante todo o século 16: funcionavam ali aproximadamente 500 casas impressoras. As primeiras notícias impressas, contudo, só surgem entre o final do século 15 e o início do século 16, a princípio com periodicidade bastante irregular, característica que se prolongará até o início do século seguinte. Tratam-se das gazetas, assim chamadas por tomarem de empréstimo o nome da moeda veneziana gazzetta, utilizada para comprá-las. Panfletos sobre eventos da atualidade já eram vendidos no século 16, mas são os jornais e revistas publicados depois de 1600 que melhor ilustram o comércio da informação: as notícias já eram vistas como mercadoria no século 17. O fato é reconhecido também por Peucer: "As causas da aparição dos periódicos impressos com tempestiva freqüência hoje em dia são em parte a curiosidade humana e em parte a busca de lucro, tanto da parte dos que confeccionam os periódicos, como da parte daqueles que os comerciam, vendem."
História
As origens do jornalismo
As primeiras notícias impressas surgiram nas gazetas venezianas entre o final do século 15 e o início do 16
POR ORLANDO TAMBOSI*
"O alemão Tobias Peucer, considerado o autor da primeira tese de doutorado sobre jornalismo, publicada no final do século 17 (Os relatos jornalísticos, Revista Comunicação & sociedade, nº. 33, com tradução de P. Rocha Dias), teve o mérito de sistematizar os principais conceitos da recém-nascida imprensa periódica, boa parte deles vigentes ainda hoje. Os pressupostos teóricos e regras técnicas que ele enuncia correspondem à "cultura da notícia" que começava a se consolidar nos principais centros da Europa - principalmente na Holanda - em função da expansão do comércio e da proliferação de periódicos (o próprio termo "jornalista" passou a ser utilizado em francês, inglês e italiano somente por volta de 1700). Filho da modernidade tal como as ciências, o jornalismo seria decisivo, no século 18, à difusão das idéias do Iluminismo - só então assumindo características político-ideológicas mais nítidas -, que desembocariam na formação da chamada "opinião pública" e na Revolução Francesa de 1789. O opúsculo de Peucer (constituído de 29 parágrafos) surge três anos depois da publicação de Princípios matemáticos de filosofia natural, de Isaac Newton (1642-1727), o pai da Física Moderna, e no mesmo ano em que vieram à luz o Ensaio sobre o intelecto humano e Dois tratados sobre o governo, do filósofo John Locke (1632-1704), fundador do empirismo e teórico do liberalismo. Na Alemanha de Peucer, o filósofo e lógico Wilhelm Leibniz (1646-1716) estabelecia as diferenças entre a investigação científica e a pesquisa filosófico-metafísica, criticava Descartes (1596-1650) e polemizava com Newton sobre a primazia na criação do cálculo diferencial. A revolução científica, que já varrera boa parte da Europa, lentamente começa a mudar a imagem do mundo, solapando a concepção aristotélico-cristã do universo. A pequena Holanda se tornará, no decorrer do século, o refúgio de comerciantes, cientistas, filósofos e técnicos perseguidos em seus países por motivos religiosos. A fuga de cérebros e capitais dos países da Contra-Reforma transforma Amsterdã no principal centro capitalista da Europa e, conseqüentemente, no principal mercado de informação. Tolerância religiosa e florescimento intelectual, de fato, caminhariam juntos na ascensão da burguesia mercantil holandesa, retratada nas pinturas de Vermeer e Rembrandt. Mas não é na Holanda que nascem os "relatos jornalísticos". A progressiva expansão dos mercados exigiu, já a partir do século 15, uma rede de informações cada vez mais articulada. Notícias manuscritas relatando a situação político-econômica e as transações comerciais e financeiras, celeremente reproduzidas por copistas em poucas centenas de exemplares, abasteciam as elites das principais cidades. Veneza era, então, o centro editorial da Europa (a imprensa, recorde-se, fora inventada por Johann Gutenberg em 1438), posição que preservaria durante todo o século 16: funcionavam ali aproximadamente 500 casas impressoras. As primeiras notícias impressas, contudo, só surgem entre o final do século 15 e o início do século 16, a princípio com periodicidade bastante irregular, característica que se prolongará até o início do século seguinte. Tratam-se das gazetas, assim chamadas por tomarem de empréstimo o nome da moeda veneziana gazzetta, utilizada para comprá-las. Panfletos sobre eventos da atualidade já eram vendidos no século 16, mas são os jornais e revistas publicados depois de 1600 que melhor ilustram o comércio da informação: as notícias já eram vistas como mercadoria no século 17. O fato é reconhecido também por Peucer: "As causas da aparição dos periódicos impressos com tempestiva freqüência hoje em dia são em parte a curiosidade humana e em parte a busca de lucro, tanto da parte dos que confeccionam os periódicos, como da parte daqueles que os comerciam, vendem."
sábado, 22 de outubro de 2005
Minha escolta

Sorry, partidários do "sim", mas esta será a minha escolta na votação de amanhã.Prefiro a companhia destes, que seriam "do mal", à companhia dos artistas globais, dos padres, do comissário Dirceu, do "Professor" Luizinho e, claro, do LuLLa - os "bonzinhos".
Vão gastar assim no inferno!
Olha ele aí de novo, o PTerossauro! O PT não é o partido da boquinha?O governo LuLLa vai com sede ao pote: já gastou mais de 1 bilhão de reais só em diárias para funcionários públicos. Há casos de servidores que receberam até 168 mil reais! Enquanto isso, os professores universitários - tratados a pão e água desde o governo FHC - precisam fazer greve por reajuste salarial. E o governo só oferece 500 milhões. Leia a notícia completa no blog A tchurma, do amigo Hélio Schuch: http://hschuch.blogspot.com/)
Agora é "não" (IV)

SE VOCÊ ACREDITA NELES, VOTE "SIM".
"Quem são estes que estão querendo desarmar a população ordeira e deixar armas em poder de bandidos – como disse, clara e objetivamente, o ministro da Justiça?
São cientistas sociais, profundos conhecedores do assunto, ou apenas “otoridades” com poderes excessivos e autoritários para nos podar o livre arbítrio e demonstrar que são exatamente o que não são?".
Os questionamentos são do blog Jus Sperniandi, do desembargador aposentado Ilton Dellandréa, que acrescento à lista de links. O artigo está na íntegra em http://dellandrea.zip.net/. Vale a pena visitar.
Agora é "não" (II)
Pesquisa da Folha de S. Paulo, divulgada pelos principais jornais e TVs, antecipa que o "não" vencerá o referendo de amanhã sobre o comércio de armas de fogo. A pesquisa do Datafolha, realizada em 151 municípios, demonstra que o "não" tem 57% das intenções de voto, ficando o "sim" com 43%. Segundo o jornal, foram entrevistadas 2.086 pessoas e desconsideradas respostas diferentes do "não" ou "sim" - o Tribunal Superior Eleitoral ignora votos brancos e nulos na divulgação do resultado.
O Iconoclasta respeita os partidários do "sim", mas diz de uma vez por todas que votará "não" porque: 1) o governo defende o "sim"; 2) a igreja católica defende o "sim"; 3) alguns artistas da Rede Globo defendem o "sim"; e 4) os petistas (como o comissário Dirceu e outros cassáveis, argh!) defendem o "sim". O governo, a igreja, os artistas globais e os petistas que botem as barbas de molho. Como esta página deixa claro já na apresentação, é iconoclástica - jamais será governista ou igrejeira nem se guiará por ideologias.
O Iconoclasta respeita os partidários do "sim", mas diz de uma vez por todas que votará "não" porque: 1) o governo defende o "sim"; 2) a igreja católica defende o "sim"; 3) alguns artistas da Rede Globo defendem o "sim"; e 4) os petistas (como o comissário Dirceu e outros cassáveis, argh!) defendem o "sim". O governo, a igreja, os artistas globais e os petistas que botem as barbas de molho. Como esta página deixa claro já na apresentação, é iconoclástica - jamais será governista ou igrejeira nem se guiará por ideologias.
sexta-feira, 21 de outubro de 2005
Mil visitas !

O Iconoclasta acaba de atingir 1.000 visitas, segundo dados do Sitemeter, contador de acessos instalado na noite do dia 2 de outubro. Para uma página que tem menos de um mês de vida e foi pouco divulgada - por culpa do próprio escrevinhador - esse número, atingido em pouco menos de três semanas, é bastante expressivo e constitui motivo de satisfação. Aproveito a ocasião para agradecer visitantes, leitores, amigos, colaboradores e críticos que me honraram com sua visita e seus comentários.
Tim-tim!!!
(Bem, o champanhe é apenas virtual, já que o aviltante salário de professor universitário federal, infelizmente, não dá para comprar nem a mais pífia sidra)
O STF e a política
O senador Jefferson Péres foi rápido. Ontem mesmo, depois da explícita atuação do ministro Nelson Jobim no STF em favor do comissário Zé Dirceu, apresentou projeto de lei que altera a Lei de Inelegibilidades. Embora não tenha citado nomes, deixou claro que o alvo era mesmo o presidente do Supremo Tribunal Federal. A mudança obrigará os magistrados a cumprirem uma quarentena de dois anos antes de se candidatarem a qualquer cargo eletivo depois da aposentadoria. Péres foi claro ao criticar juízes que "agem como pré-candidatos nos tribunais, provavelmente levando em conta que a lei permite que eles renunciem em abril para se candidatarem nas eleições de outubro" (O Estado de S. Paulo).
Recorde-se que a preocupação com a atuação política de Jobim gerou, no mês passado, um "Manifesto pela ética", em que os juízes gaúchos advertem que a condição de ministro do STF torna Jobim "membro da magistratura - ainda que por indicação política de quem detinha o Poder, à época. " O documento conclui: " logo, além de ser exigível do mesmo que se porte com a ética, isenção e imparcialidade próprias do Poder Judiciário, está impedido, pela Constituição da República (art. 95, parágrafo único, inciso III, combinado com o art. 14, parágrafo 3º, inciso V) , de disputar qualquer cargo eletivo junto aos Poderes Executivo e Legislativo. Assim, o seu silêncio diante das reiteradas notícias da mídia brasileira no sentido de que seria candidato à Presidência da República constitui um escárnio e um acinte à Constituição da República do Brasil." (a íntegra do manifesto está no site do juiz Newton Fabrício, Peleando contra o Poder: http://www.peleando.net/ ).
Na verdade, o problema está na própria nomeação dos ministros do STF, que deveria ser restrita aos membros do Judiciário (juízes, desembargadores etc.), excluindo políticos e integrantes de outros poderes. É discutível, aliás, que os ministros da mais alta corte do país sejam designados pelo presidente da República - o que não é exclusividade brasileira.
Novas críticas a Jobim
O Estado de S. Paulo, em editorial na edição de hoje ("Quebra de decoro no STF"),volta a criticar o agressivo comportamento do ministro Nelson Jobim em favor de José Dirceu, na votação do pedido de liminar para a suspensão do processo. A propósito, é de se recordar o "Manifesto pela Ética" assinado pelos juízes gaúchos no mês passado (ver, no arquivo de outubro, as notas "O silêncio de Jobim" e "Juízes denunciam submissão do STF ao Executivo")
"O mínimo a dizer do comportamento do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, durante a votação, na quarta-feira, do pedido de liminar para a suspensão do processo de cassação aberto contra o deputado e ex-ministro José Dirceu, no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, é que ele não tem condições para presidir a mais alta corte de Justiça do País. Com atitudes descabidas, inusitadas e mesmo aberrantes, o presidente do Supremo conduziu os trabalhos como se estivesse "tocando" uma câmara de vereadores interiorana, "forçando" seus membros a votar de acordo com os interesses que, por algum motivo, queria preservados. Como se detivesse procuração ad judicia et extra para defesa do deputado José Dirceu, já antes do início da sessão o ministro Jobim procurara os demais ministros para uma franca e aberta cabala de votos em favor de Dirceu. Mas não ficou nisso. Durante a sessão exacerbou nas pressões, chegando à beira do desrespeito ao passar reprimendas em seus pares - furtando-se a quaisquer considerações de natureza jurídica para expressar apenas preconceitos políticos - quando estes desenvolviam suas argumentações em favor da denegação da liminar."
Ver também, no site da revista Primeira Leitura, o artigo de Reinaldo Azevedo, "Jobim além das sandálias": http://www.primeiraleitura.com.br/auto/entenda.php?id=6440 .
"O mínimo a dizer do comportamento do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Nelson Jobim, durante a votação, na quarta-feira, do pedido de liminar para a suspensão do processo de cassação aberto contra o deputado e ex-ministro José Dirceu, no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, é que ele não tem condições para presidir a mais alta corte de Justiça do País. Com atitudes descabidas, inusitadas e mesmo aberrantes, o presidente do Supremo conduziu os trabalhos como se estivesse "tocando" uma câmara de vereadores interiorana, "forçando" seus membros a votar de acordo com os interesses que, por algum motivo, queria preservados. Como se detivesse procuração ad judicia et extra para defesa do deputado José Dirceu, já antes do início da sessão o ministro Jobim procurara os demais ministros para uma franca e aberta cabala de votos em favor de Dirceu. Mas não ficou nisso. Durante a sessão exacerbou nas pressões, chegando à beira do desrespeito ao passar reprimendas em seus pares - furtando-se a quaisquer considerações de natureza jurídica para expressar apenas preconceitos políticos - quando estes desenvolviam suas argumentações em favor da denegação da liminar."
Ver também, no site da revista Primeira Leitura, o artigo de Reinaldo Azevedo, "Jobim além das sandálias": http://www.primeiraleitura.com.br/auto/entenda.php?id=6440 .
Púbico e privado
Aluizio Amorim (link ao lado) faz interessantes comparações em comentário postado abaixo, lembrando que escândalos também são comuns na iniciativa privada. Só que, na área privada, os acionistas e investidores não dão moleza. Descoberta a falcatrua, o culpado é demitido. Na área da administração pública e do Estado, a coisa é mais difícil. "Num sistema democrático, dentro do modelo liberal, escândalos com dinheiro público são descobertos, mas sempre pode ocorrer uma operação abafa. Esta é a diferença." Operações para abafar crimes é o que não falta no Brasil, no momento. Oportuna a pergunta: "vamos ver se a Volks permitirá alguma operação abafa?".
quinta-feira, 20 de outubro de 2005
Esbórnias "sindicaleiras" na Alemanha

Matéria da Deutsche Welle, assinada por Geraldo Hoffmann, diz que o ex-líder sindical Luiz Marinho, hoje ministro do Trabalho do governo LuLLa, teria se "divertido" na Alemanha às custas da Volkswagen. Transcrevo:
"Os privilégios que a Volkswagen concedia a executivos e representantes de seus empregados valiam também para a subsidiária da montadora no Brasil e beneficiaram, entre outros, o ex-líder sindical e atual ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. É o que garante o ex-gerente de Recursos Humanos, Klaus Joachim Gebauer, principal acusado no escândalo da Volkswagen, em entrevista publicada nesta quinta-feira (20/10) pelo jornal alemão Die Welt. Em declaração juramentada, ele afirma que na Volkswagen do Brasil havia um sistema de corrupção paralelo ao que está sendo dissecado pela Justiça na matriz da montadora alemã em Wolfsburg.
Segundo Gebauer, também os sindicalistas, integrantes do conselho de fábrica e executivos brasileiros foram beneficiados por "viagens de lazer". "Para as lideranças, tudo era perfeitamente organizado. Com hotéis de luxo e tudo o mais – portanto, também mulheres", disse. Ele citou como exemplo uma visita do ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), Luiz Marinho (atual ministro do Trabalho e Emprego), e do ex-diretor do conselho de fábrica Mário Barbosa a uma boate em Wolfsburg, às custas da Volkswagen. "Cinco garotas dançavam sobre as mesas e flertavam com os visitantes, assim como os homens gostam", relatou.
http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,1747063,00.html
Quem te viu, que te vê...

O ex-ministro e deputado José Dirceu, hoje às portas da cassação, mereceu capa na revista Isto é (15/12/2004) como "Brasileiro do Ano" em 2004. Na mesma edição, o ex-ministro das Comunicações, Luiz Gushiken, igualmente metido em estrepolias, foi considerado "o brasileiro do ano nas comunicações". Sem comentários.
(http://www.terra.com.br/istoe/1836/brasileiros_do_ano/1836_jose_dirceu.htm
Jobim, o outro derrotado.
O Estado de S. Paulo diz que não só José Dirceu foi derrotado ontem no STF, mas o próprio presidente do tribunal, Nelson Jobim, que durante toda a sessão "tentou convencer os colegas a votarem a favor do pedido de Dirceu". Segundo o jornal, ele "tentou explicitamente convencer os demais integrantes do tribunal a mudar de voto. À medida que a derrota de Dirceu ia se desenhando, aumentaram as manifestações de Jobim e seus comentários com o relator do caso, Sepúlveda Pertence, num tom que beirava a indignação." Sobre o comportamento do ex-deputado e ministro Jobim, citado como provável candidato a cargo eletivo no próximo ano, observa também Jânio de Freitas, em sua coluna na Folha de S. Paulo: "Presidente da sessão, Nelson Jobim fez questão de votar para, de fato, fazer um discurso em que expressou a irritação com que perturbara, autoritariamente, a exposição dos ministros que fundamentavam seus votos contra a liminar pretendida por Dirceu. Seu discurso valeu como voto, mas fez pouca diferença na enxurrada e na sua irritação: 7 a 3."
(Ver nota "Sai daí, Zé! (II)").
(Ver nota "Sai daí, Zé! (II)").
Lula lá é isso aí?
Republico aqui um pequeno artigo que escrevi - com o mesmo título - para o Boletim 448 da Apufsc (Associação dos Professores da Universidade Federal de Santa Catarina), publicado em 19 de maio de 2003. Na época, fui criticado por alguns colegas como "apressado" no julgamento do governo LuLLa, que mal iniciara. Hoje, alguns acham que o artiguinho foi "premonitório". Nem uma coisa, nem outra: os dados estavam na mesa, disponíveis a qualquer observador que quisesse analisá-los friamente. A ocasião era de luta por melhorias salariais nas universidades, atualmente paralisadas pela mesma razão. Foi pão e água no governo FHC, é pão e agua no governo LuLLa - e pão amassado pelo diabo.
(Agradeço ao ex-aluno Tadeu Martins o envio do texto)
Frei Betto do lado esquerdo, Duda Mendonça do lado direito, lá vai o deslumbrado presidente, entre a cruz e a propaganda. O primeiro é assessor especial da presidência de um Estado laico (salário público para preces privadas?); o segundo lhe diz o quê e como dizer. Talvez o frei o absolva pelas promessas abjuradas, puras “bravatas”, em fagueiras confissões regadas a cachaça Havana na churrasqueira do Torto, entre uma rabada e uma picanha. O outro demonstrou que vender um presidente é tão fácil quanto vender sabão, bebidas e bancos. Basta caprichar no design, na embalagem, nas frases de efeito: muita emoção, nenhuma racionalidade.
Lula foi oferecido como remédio contra o neoliberalismo de FHC, os privilégios do capital financeiro, os juros altos, o desemprego, o vilipêndio aos funcionários públicos etc. Tragicômica constatação: a propaganda enganosa nos vendeu um produto que não contém o que estava escrito na bula. O atual governo prossegue, em suas principais linhas e com mais rigor, o ideário do governo anterior. Mantém os contratos assumidos, mas apenas com o capital. O restante é rasgado na cara do eleitor. Fica o dito pelo não dito. Governo da ética? Ora, se não há correspondência entre discurso e prática, a “ética” não passa de mais um subterfúgio ideológico. Agora dono da caneta presidencial, Lula usa o velho “toma lá-dá cá”, incentiva a cooptação de adversários e o fisiologismo, manobra contra CPIs, brande cargos e ministérios, viaja pelo Brasil como se candidato ainda fosse. Ah, a reeleição...
Em relação aos professores – e ao funcionalismo em geral –, o governo viola o contrato que firmamos com o Estado. Transcrevo o que disse a respeito o filósofo e professor de Harvard Mangabeira Unger (que foi assessor do candidato Ciro Gomes, hoje um dos mais queridos ministros de Lula), reconhecendo que as propostas do governo não apenas taxam os aposentados, mas abrangem mudanças que prejudicam gravemente os atuais e futuros funcionários, como o redutor de salários e de pensões, além da alteração da idade para a aposentadoria: “Que se pretenda praticar esse calote por meio de emenda constitucional, dificultando o controle do abuso pelo Judiciário, apenas piora a agressão. O desejo de apressar o efeito fiscal da restrição ao gasto falou mais alto do que o reconhecimento da obrigação. Os autores desse descalabro julgam, com isso, demonstrar prudência. Demonstram ignorância do papel que o respeito pelo direito desempenha no desenvolvimento de um povo (...) Um partido baseado, historicamente, nos setores organizados da classe média, entre eles o dos funcionários públicos, resolveu traí-los em troca da confiança dos que, nos palacetes do Jardim Europa, festejam a degradação de seus antigos adversários”. Mangabeira acha que “Lula e seus ministros são homens decentes”, mas “tramam agora indecência que o Brasil deve repelir”.
A História dirá se Lula e seus 40 ministros foram de fato decentes. Mas a nossa sobrevivência – e a sobrevivência da universidade pública – nos obriga à luta já. Não é a primeira, nem será a última vez.
(Agradeço ao ex-aluno Tadeu Martins o envio do texto)
Frei Betto do lado esquerdo, Duda Mendonça do lado direito, lá vai o deslumbrado presidente, entre a cruz e a propaganda. O primeiro é assessor especial da presidência de um Estado laico (salário público para preces privadas?); o segundo lhe diz o quê e como dizer. Talvez o frei o absolva pelas promessas abjuradas, puras “bravatas”, em fagueiras confissões regadas a cachaça Havana na churrasqueira do Torto, entre uma rabada e uma picanha. O outro demonstrou que vender um presidente é tão fácil quanto vender sabão, bebidas e bancos. Basta caprichar no design, na embalagem, nas frases de efeito: muita emoção, nenhuma racionalidade.
Lula foi oferecido como remédio contra o neoliberalismo de FHC, os privilégios do capital financeiro, os juros altos, o desemprego, o vilipêndio aos funcionários públicos etc. Tragicômica constatação: a propaganda enganosa nos vendeu um produto que não contém o que estava escrito na bula. O atual governo prossegue, em suas principais linhas e com mais rigor, o ideário do governo anterior. Mantém os contratos assumidos, mas apenas com o capital. O restante é rasgado na cara do eleitor. Fica o dito pelo não dito. Governo da ética? Ora, se não há correspondência entre discurso e prática, a “ética” não passa de mais um subterfúgio ideológico. Agora dono da caneta presidencial, Lula usa o velho “toma lá-dá cá”, incentiva a cooptação de adversários e o fisiologismo, manobra contra CPIs, brande cargos e ministérios, viaja pelo Brasil como se candidato ainda fosse. Ah, a reeleição...
Em relação aos professores – e ao funcionalismo em geral –, o governo viola o contrato que firmamos com o Estado. Transcrevo o que disse a respeito o filósofo e professor de Harvard Mangabeira Unger (que foi assessor do candidato Ciro Gomes, hoje um dos mais queridos ministros de Lula), reconhecendo que as propostas do governo não apenas taxam os aposentados, mas abrangem mudanças que prejudicam gravemente os atuais e futuros funcionários, como o redutor de salários e de pensões, além da alteração da idade para a aposentadoria: “Que se pretenda praticar esse calote por meio de emenda constitucional, dificultando o controle do abuso pelo Judiciário, apenas piora a agressão. O desejo de apressar o efeito fiscal da restrição ao gasto falou mais alto do que o reconhecimento da obrigação. Os autores desse descalabro julgam, com isso, demonstrar prudência. Demonstram ignorância do papel que o respeito pelo direito desempenha no desenvolvimento de um povo (...) Um partido baseado, historicamente, nos setores organizados da classe média, entre eles o dos funcionários públicos, resolveu traí-los em troca da confiança dos que, nos palacetes do Jardim Europa, festejam a degradação de seus antigos adversários”. Mangabeira acha que “Lula e seus ministros são homens decentes”, mas “tramam agora indecência que o Brasil deve repelir”.
A História dirá se Lula e seus 40 ministros foram de fato decentes. Mas a nossa sobrevivência – e a sobrevivência da universidade pública – nos obriga à luta já. Não é a primeira, nem será a última vez.
quarta-feira, 19 de outubro de 2005
Sai daí, Zé ! (II)

Por 7 a 3, o Supremo Tribunal Federal negou mandado de segurança impetrado pelo deputado petista José Dirceu (na foto, de Dida Sampaio/AE) contra o processo de cassação de mandato no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. O ministro Sepúlveda Pertence, relator do pedido, deu voto favorável à suspensão do processo, sendo acompanhado pelos ministros Eros Grau e Nelson Jobim, presidente do STF. Este último, segundo Noblat (ver link ao lado), fez comentários, aqui e ali, em meio à leitura dos votos de seus pares, "sempre no sentido de favorecer a concessão da liminar ao mandado de segurança". Noblat, que acompanhou a votação passo a passo em seu blog, lançou à tarde uma nota com o título "Silêncio, Jobim", com o seguinte texto: "Cala a boca, Jobim. Deixe seus colegas do Supremo Tribunal Federal, tão ministros e sábios como você, darem seus votos com liberdade". Sobre Jobim, remeto às notas que escrevi aqui no dia 04 de outubro: "Juízes denunciam submissão do STF ao Executivo"; "Por quem o sino dobra?"; e "O silêncio de Jobim".
Falsos debates
Recomendo ao visitante a leitura do artigo de Cláudio Weber Abramo, no blog "A coisa aqui tá preta" (link ao lado), a propósito de certos "hábitos intelectuais" brasileiros. Assino embaixo e transcrevo um trecho aqui.
"Caso houvesse um ranking dos hábitos intelectuais, o Brasil seguramente figuraria lá pelo último lugar. Ao longo dos anos, assisti à deterioração dos costumes nessa área que, a meu ver, é a mais crucial para o desenvolvimento de uma sociedade. Atualmente, no Brasil, o que passa por debate é um minueto em que um diz o que quer, o seguinte diz o que lhe dá na telha e estamos conversados. Se um interlocutor critica o que o outro declarou, no mais das vezes é confrontado pelo silêncio. A segunda alternativa mais comum é que o criticado reaja com indignação. A última opção, raríssima, é que exposição, crítica, réplica, tréplica, sigam alguma ordem racionalmente identificável.
Em nenhum outro lugar esse comportamento é mais caracterizado entre nós do que na academia, em especial nas disciplinas ditas “humanas”. São conhecidos casos tenebrosos em que a crítica ao escrito de alguma figura fácil do prestígio acadêmico é respondida com ameaças, abaixo-assinados e argumentos ad hominen (ou seja, argumentos que não dizem respeito ao que pretensamente se discute, mas à pessoa de quem discute). Há um caso em que um professor de Lógica foi obrigado a pedir licença de uma universidade importante porque o clima se tornou insuportável depois que foi vilipendiado sob o argumento de que Lógica é coisa de direitista.
Ora, as idéias existem para serem expostas à apreciação de interlocutores. Uma idéia não se desenvolve pela auto-realimentação ou pela expressão admirativa e boçal dos áulicos. Quanto doutrinas são protegidas da crítica dessa maneira (e, insisto, algumas figuras muito famosas fizeram carreira arregimentando bandos de correligionários que se comportam como torcida organizada), são sempre acompanhadas da consciência de que não resistirão à crítica “de fora”, e portanto sua forma de disseminação acaba por ser necessariamente autoritária e baseada em “panelas”. Vemos isso sistematicamente, por exemplo, em suplementos culturais, que por vezes são dominados por matilhas de indivíduos que vivem de se elogiar, de se publicar mutuamente e, mesmo, de premiar materialmente uns aos outros."
"Caso houvesse um ranking dos hábitos intelectuais, o Brasil seguramente figuraria lá pelo último lugar. Ao longo dos anos, assisti à deterioração dos costumes nessa área que, a meu ver, é a mais crucial para o desenvolvimento de uma sociedade. Atualmente, no Brasil, o que passa por debate é um minueto em que um diz o que quer, o seguinte diz o que lhe dá na telha e estamos conversados. Se um interlocutor critica o que o outro declarou, no mais das vezes é confrontado pelo silêncio. A segunda alternativa mais comum é que o criticado reaja com indignação. A última opção, raríssima, é que exposição, crítica, réplica, tréplica, sigam alguma ordem racionalmente identificável.
Em nenhum outro lugar esse comportamento é mais caracterizado entre nós do que na academia, em especial nas disciplinas ditas “humanas”. São conhecidos casos tenebrosos em que a crítica ao escrito de alguma figura fácil do prestígio acadêmico é respondida com ameaças, abaixo-assinados e argumentos ad hominen (ou seja, argumentos que não dizem respeito ao que pretensamente se discute, mas à pessoa de quem discute). Há um caso em que um professor de Lógica foi obrigado a pedir licença de uma universidade importante porque o clima se tornou insuportável depois que foi vilipendiado sob o argumento de que Lógica é coisa de direitista.
Ora, as idéias existem para serem expostas à apreciação de interlocutores. Uma idéia não se desenvolve pela auto-realimentação ou pela expressão admirativa e boçal dos áulicos. Quanto doutrinas são protegidas da crítica dessa maneira (e, insisto, algumas figuras muito famosas fizeram carreira arregimentando bandos de correligionários que se comportam como torcida organizada), são sempre acompanhadas da consciência de que não resistirão à crítica “de fora”, e portanto sua forma de disseminação acaba por ser necessariamente autoritária e baseada em “panelas”. Vemos isso sistematicamente, por exemplo, em suplementos culturais, que por vezes são dominados por matilhas de indivíduos que vivem de se elogiar, de se publicar mutuamente e, mesmo, de premiar materialmente uns aos outros."
Parentes, fora.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão responsável pela fiscalização da atividade dos tribunais, aprovou ontem o texto final da resolução que proíbe o nepotismo no Judiciário. Com isso, em 90 dias terão de ser exonerados todos os funcionários de tribunais que ocupam cargos de confiança e são cônjuges, companheiros ou parentes de até terceiro grau de juízes ou de servidores que exercem cargos de confiança. Fica vedado também o nepotismo cruzado, que ocorre quando um juiz nomeia um parente de outro juiz para ocupar cargo de confiança em seu gabinete em troca do mesmo favor. A proibição vale para todas as instâncias do Judiciário. Trata-se de uma uma medida salutar, que deveria ser estendida aos executivos estaduais e municipais, assembléias, câmara de vereadores etc. Convenhamos: não é só no Judiciário que a parentada faz a festa.
terça-feira, 18 de outubro de 2005
Sai daí, Zé !
O deputado Júlio Delgado (PSDB-MG) pediu a cassação do deputado José Dirceu (PT-SP), ex-ministro da Casa Civil do governo LuLLa, por quebra de decoro parlamentar. Contundente, Delgado afirmou que Dirceu "fez conluio com Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) para conseguir dinheiro para favorecer votações na Câmara dos Deputados em favor de projetos de interesse do governo". A esperança do comissário Zé Dirceu, agora, é o Supremo Tribunal Federal, que julga amanhã o recurso por ele apresentado, sob o argumento de que não poderia ter ferido o decoro parlamentar porque era ministro e, portanto, não estava no exercício do mandato. Pura filigrana. Vai colar?
Confissões

Clóvis Rossi observa, em sua coluna de hoje na Folha de S. Paulo, que nenhum dos deputados da lista de cassáveis negou, até agora, ter recebido recursos do "valerioduto", isto é, dinheiro de "caixa dois" - o que constitui crime. Os que renunciaram para escapar à perda (temporária) de direitos políticos, como Paulo Rocha (PT) e José Borba (PMDB), fizeram, na verdade, uma segunda confissão. Rossi conclui:
"Trata-se de dois ex-líderes, do PT e do PMDB. Líderes são, em tese, o melhor representante de um determinado conglomerado, no caso as bancadas petista e peemedebista. Se o melhor quadro de cada um desses dois grandes partidos é capaz de cometer duas confissões de culpa no mesmo ato, a opinião pública tem todo o direito de desconfiar seriamente da santidade dos demais deputados do PT e do PMDB."
(A charge da Folha diz tudo).
Os filósofos e as armas
O visitante (e aluno) Felipe Seffrin me pede que comente artigo publicado na Folha Online (http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult510u215.shtml) por Hélio Schwartzman, que manifesta um “sim” filosófico à proibição do comércio de armas e munição no Brasil. Não creio ser infiel ao texto de Schwartzman, bom conhecedor da filosofia antiga, além de excelente editorialista, reproduzindo apenas a sua parte final:
O bom serviço do controle de armas já foi prestado pelo Estatuto. A "proibição" do comércio, além de falsa, poderá no máximo dificultar um pouco o acesso de parte da população a balas --o que eu acho ótimo, mas não a ponto de justificar o gasto de várias centenas de milhares de reais numa votação. Minha principal motivação para defender o "sim", porém, é, como já adiantei, filosófica. Não acredito em bom selvagem, emancipação do homem ou redenção da sociedade, mas a civilização, que vem prosperando ainda que tropegamente sob a égide da razão, já amadureceu o suficiente para impor a seus integrantes que não resolvam suas diferenças à bala. Eliminar as armas é só uma idéia reguladora, uma meta longínqua que provavelmente jamais será alcançada. É justamente o tipo de idéia no qual vale a pena votar.
Devo dizer que concordo em parte com o autor. O chamado Estatuto do Desarmamento é suficiente para o controle de armas no país. Em artigos que publiquei aqui (“Tiro no escuro” I e II), e em algumas notas, afirmei que o referendo, nesse sentido, é inócuo, além de perdulário. Tudo o que é necessário já está no Estatuto, que exige do pretendente à arma uma via crucis capaz de dissuadir qualquer um. Os que já possuem arma, de fato, não vão perdê-la, desde que registradas, mas terão dificuldade de comprar munição. O problema maior é com o porte de armas, restrito a policiais, agentes etc. Isto significa que, embora o cidadão tenha uma arma registrada, isto não lhe dá a licença de portá-la: pode ser preso por crime inafiançável, tal o rigor da lei.
O referendo diz respeito apenas ao art. 35 do Estatuto (Lei 10.826, de 22/12/2003), que reza: “é proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6o desta Lei.” Ora, se o “sim” vencer, isto é, se o comércio for proibido, onde o cidadão que não tem e quer ter uma arma vai comprá-la? Se não há venda (legal), não há compra (só ilegal, no mercado negro, com os contrabandistas). A confusão está instalada.
Schwartzman afirma não acreditar em emancipação humana ou salvação da sociedade, mas acha que a civilização já deu passos significativos no caminho da racionalidade para impor a seus membros que “não resolvam suas diferenças à bala”. Este escrevinhador é racionalista, mas não crê que os membros mais violentos da nossa espécie, à falta de revólveres ou pistolas, deixem de resolver suas desavenças com qualquer outro tipo de arma: pau, pedra, tijolo ou faca. Não adianta dizer que a eliminação das armas é só um ideal regulador em que vale a pena apostar. Isto pode ser uma saída filosófica honrosa, mas é uma saída idealista. A realidade não é ideal.
Entre Schwartzman e Romano, fico com os argumentos do segundo (ver "Uma armadilha chamada referendo"). E puxaria para a conversa outro filósofo - que nada tem a ver com os dois -, Denis Rosenfield, que no jornal O Globo de ontem, defendendo o não, escreveu:
Quando o Estado procura impedir que o indivíduo compre uma arma e seja pelo seu uso responsável, ele se arroga uma posição do tipo claramente autoritária, pois determina o que é o bom para o cidadão, como se este fosse incapaz de decidir e de escolher por si próprio. Amanhã, se o sim vencer, o governo estará entrando em outras esferas de sua vida, determinando como você deve se conduzir. Vote não à restrição dos seus direitos. Direitos não são mercadorias que podem ser simplesmente trocadas. Os direitos formam a estrutura de uma sociedade, a partir dos quais leis são feitas em consonância ou não com o desenvolvimento da liberdade.Se há consonância, essa sociedade ampliará a esfera da atuação individual, a liberdade de iniciativa e uma formação social e política capaz de dizer não à infração de direitos fundamentais. Se não houver essa consonância, a porta estará aberta para que haja não apenas a não observação dos direitos, mas também a alteração de leis que são alicerces da liberdade. Se o sim vencer, direitos fundamentais, como o da liberdade de escolha, serão restringidos, deixando o cidadão à mercê de outras violações estatais.
O Estado troglodita, devorador dos nossos impostos, que faça a sua parte desarmando e prendendo os bandidos - e não suprimindo direitos de cidadãos honestos. De minha parte, repito o que disse ontem (ver Com essa turma, “não”!): se LuLLa e os cassáveis José Dirceu, Professor Luizinho e João Paulo Cunha são a a favor da proibição, sou contra. Eles estão no poder e já mostraram de que são capazes.
O bom serviço do controle de armas já foi prestado pelo Estatuto. A "proibição" do comércio, além de falsa, poderá no máximo dificultar um pouco o acesso de parte da população a balas --o que eu acho ótimo, mas não a ponto de justificar o gasto de várias centenas de milhares de reais numa votação. Minha principal motivação para defender o "sim", porém, é, como já adiantei, filosófica. Não acredito em bom selvagem, emancipação do homem ou redenção da sociedade, mas a civilização, que vem prosperando ainda que tropegamente sob a égide da razão, já amadureceu o suficiente para impor a seus integrantes que não resolvam suas diferenças à bala. Eliminar as armas é só uma idéia reguladora, uma meta longínqua que provavelmente jamais será alcançada. É justamente o tipo de idéia no qual vale a pena votar.
Devo dizer que concordo em parte com o autor. O chamado Estatuto do Desarmamento é suficiente para o controle de armas no país. Em artigos que publiquei aqui (“Tiro no escuro” I e II), e em algumas notas, afirmei que o referendo, nesse sentido, é inócuo, além de perdulário. Tudo o que é necessário já está no Estatuto, que exige do pretendente à arma uma via crucis capaz de dissuadir qualquer um. Os que já possuem arma, de fato, não vão perdê-la, desde que registradas, mas terão dificuldade de comprar munição. O problema maior é com o porte de armas, restrito a policiais, agentes etc. Isto significa que, embora o cidadão tenha uma arma registrada, isto não lhe dá a licença de portá-la: pode ser preso por crime inafiançável, tal o rigor da lei.
O referendo diz respeito apenas ao art. 35 do Estatuto (Lei 10.826, de 22/12/2003), que reza: “é proibida a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional, salvo para as entidades previstas no art. 6o desta Lei.” Ora, se o “sim” vencer, isto é, se o comércio for proibido, onde o cidadão que não tem e quer ter uma arma vai comprá-la? Se não há venda (legal), não há compra (só ilegal, no mercado negro, com os contrabandistas). A confusão está instalada.
Schwartzman afirma não acreditar em emancipação humana ou salvação da sociedade, mas acha que a civilização já deu passos significativos no caminho da racionalidade para impor a seus membros que “não resolvam suas diferenças à bala”. Este escrevinhador é racionalista, mas não crê que os membros mais violentos da nossa espécie, à falta de revólveres ou pistolas, deixem de resolver suas desavenças com qualquer outro tipo de arma: pau, pedra, tijolo ou faca. Não adianta dizer que a eliminação das armas é só um ideal regulador em que vale a pena apostar. Isto pode ser uma saída filosófica honrosa, mas é uma saída idealista. A realidade não é ideal.
Entre Schwartzman e Romano, fico com os argumentos do segundo (ver "Uma armadilha chamada referendo"). E puxaria para a conversa outro filósofo - que nada tem a ver com os dois -, Denis Rosenfield, que no jornal O Globo de ontem, defendendo o não, escreveu:
Quando o Estado procura impedir que o indivíduo compre uma arma e seja pelo seu uso responsável, ele se arroga uma posição do tipo claramente autoritária, pois determina o que é o bom para o cidadão, como se este fosse incapaz de decidir e de escolher por si próprio. Amanhã, se o sim vencer, o governo estará entrando em outras esferas de sua vida, determinando como você deve se conduzir. Vote não à restrição dos seus direitos. Direitos não são mercadorias que podem ser simplesmente trocadas. Os direitos formam a estrutura de uma sociedade, a partir dos quais leis são feitas em consonância ou não com o desenvolvimento da liberdade.Se há consonância, essa sociedade ampliará a esfera da atuação individual, a liberdade de iniciativa e uma formação social e política capaz de dizer não à infração de direitos fundamentais. Se não houver essa consonância, a porta estará aberta para que haja não apenas a não observação dos direitos, mas também a alteração de leis que são alicerces da liberdade. Se o sim vencer, direitos fundamentais, como o da liberdade de escolha, serão restringidos, deixando o cidadão à mercê de outras violações estatais.
O Estado troglodita, devorador dos nossos impostos, que faça a sua parte desarmando e prendendo os bandidos - e não suprimindo direitos de cidadãos honestos. De minha parte, repito o que disse ontem (ver Com essa turma, “não”!): se LuLLa e os cassáveis José Dirceu, Professor Luizinho e João Paulo Cunha são a a favor da proibição, sou contra. Eles estão no poder e já mostraram de que são capazes.
segunda-feira, 17 de outubro de 2005
Uma armadilha chamada referendo
Transcrevo aqui artigo do amigo Roberto Romano, professor de Ética e Filosofia Política da Unicamp, publicado ontem no jornal O Estado de S. Paulo. Agradeço-lhe a cortesia.
"A missão do Estado é assegurar a vida de quem o sustenta, a democracia impõe limites ao poder. Abusos da polícia, impostos injustificados, leis contrárias ao Bem Comum turvam a obediência. O cidadão deve se proteger e tal princípio é aceito mesmo por Hobbes. “Nenhuma lei pode obrigar alguém a abandonar sua própria preservação.” (Leviatã). Hobbes enuncia um princípio universal. “Exigir que o cidadão respeitoso das leis pague pelos que não as respeitam, é intolerável” (Bobbio).
O governo brasileiro nada pode contra sequestros e mortes. É claro o elo entre funcionários e quadrilhas que tiram armas das próprias delegacias de polícia. Impostos são extraídos sem que verbas sigam para a segurança. Policiais intimidam advogados, seguem as tentativas de amordaçar juízes, ministério público, imprensa. Os limites do poder são corroídos em nosso país.Votar pelo desarmamento é destituir o povo da soberania, pois sem armas a soberania é ficção. O pacto que sustenta a ordem pública deve-se à premissa de que o povo tem armas e autoriza o governo a admistrar o seu uso. Desaparecendo tal direito, some a razão do pacto. Hobbes novamente: “Covenants, without the sword, are but words”.
Se o governo quer segurança, controle a policia, domine as quadrilhas. Mas ele opta com tibieza por desarmar quem aceita a lei. A retórica oficial sofisma: seus óbices técnicos (falta de destreza dos usuários de armas, etc.) eludem princípios éticos e jurídicos que escapam do “sim” ou “não”. Falar em “crimes fúteis” é desconhecer a sociedade brasileira. Quem estuda as nossas relações sociais sabe o quanto elas são permeadas pela regra do favor, do compadrio, da capangagem e da “honra” mantida sempre, e de imediato, por toda e qualquer arma. Não é preciso um revólver para dirimir brigas aparentemente gratuitas. Basta uma faca, um canivete, um porrete. Proibir armas de fogo é tão ilusório quanto afirmar que, desse modo, se muda a natureza dos vínculos éticos no Brasil.
Análises científicas desses problemas existem. Não nos interrogando sobre as posições de seus autores, os livros de Alba Zaluar, Maria Sylvia Carvalho Franco e de muitos outros evidenciam que a violência brasileira é mais profunda e complexa do que fazem crer os que pregam o desarmamento. Para que a morte fosse atenuada entre nós, imperativo seria democratizar a sociedade, diminuir a concentração da renda abolindo a prática do favor (obscena nas eleições), esquecer a burocracia cartorial, assegurar escolas técnicas, hospitais, delegacias com funcionários treinados e bem pagos. Mas essas políticas são caras e lentas, exigem compromisso efetivo com a ordem democrática, princípio ignorado pelos que fazem leis por encomenda de governos renitentes à administração impessoal, a-partidária, não ideológica.
Se imperasse o direito, haveria tempo para o debate civil. Depois, viria um plebiscito. Aprovaram a lei. Agora, com propaganda ou censura, exigem o “sim”. O nome do truque é tirania."
"A missão do Estado é assegurar a vida de quem o sustenta, a democracia impõe limites ao poder. Abusos da polícia, impostos injustificados, leis contrárias ao Bem Comum turvam a obediência. O cidadão deve se proteger e tal princípio é aceito mesmo por Hobbes. “Nenhuma lei pode obrigar alguém a abandonar sua própria preservação.” (Leviatã). Hobbes enuncia um princípio universal. “Exigir que o cidadão respeitoso das leis pague pelos que não as respeitam, é intolerável” (Bobbio).
O governo brasileiro nada pode contra sequestros e mortes. É claro o elo entre funcionários e quadrilhas que tiram armas das próprias delegacias de polícia. Impostos são extraídos sem que verbas sigam para a segurança. Policiais intimidam advogados, seguem as tentativas de amordaçar juízes, ministério público, imprensa. Os limites do poder são corroídos em nosso país.Votar pelo desarmamento é destituir o povo da soberania, pois sem armas a soberania é ficção. O pacto que sustenta a ordem pública deve-se à premissa de que o povo tem armas e autoriza o governo a admistrar o seu uso. Desaparecendo tal direito, some a razão do pacto. Hobbes novamente: “Covenants, without the sword, are but words”.
Se o governo quer segurança, controle a policia, domine as quadrilhas. Mas ele opta com tibieza por desarmar quem aceita a lei. A retórica oficial sofisma: seus óbices técnicos (falta de destreza dos usuários de armas, etc.) eludem princípios éticos e jurídicos que escapam do “sim” ou “não”. Falar em “crimes fúteis” é desconhecer a sociedade brasileira. Quem estuda as nossas relações sociais sabe o quanto elas são permeadas pela regra do favor, do compadrio, da capangagem e da “honra” mantida sempre, e de imediato, por toda e qualquer arma. Não é preciso um revólver para dirimir brigas aparentemente gratuitas. Basta uma faca, um canivete, um porrete. Proibir armas de fogo é tão ilusório quanto afirmar que, desse modo, se muda a natureza dos vínculos éticos no Brasil.
Análises científicas desses problemas existem. Não nos interrogando sobre as posições de seus autores, os livros de Alba Zaluar, Maria Sylvia Carvalho Franco e de muitos outros evidenciam que a violência brasileira é mais profunda e complexa do que fazem crer os que pregam o desarmamento. Para que a morte fosse atenuada entre nós, imperativo seria democratizar a sociedade, diminuir a concentração da renda abolindo a prática do favor (obscena nas eleições), esquecer a burocracia cartorial, assegurar escolas técnicas, hospitais, delegacias com funcionários treinados e bem pagos. Mas essas políticas são caras e lentas, exigem compromisso efetivo com a ordem democrática, princípio ignorado pelos que fazem leis por encomenda de governos renitentes à administração impessoal, a-partidária, não ideológica.
Se imperasse o direito, haveria tempo para o debate civil. Depois, viria um plebiscito. Aprovaram a lei. Agora, com propaganda ou censura, exigem o “sim”. O nome do truque é tirania."
Com essa turma, "não" !
Se alguma dúvida este escrevinhador tivesse quanto ao referendo das armas, ela teria cessado ontem à noite. Pois adivinhem quem apareceu, em entrevistas realizadas pelo Canal Livre, da Band, defendendo o "sim"! Eles, sim, eles, os petistas ameçados de cassação (ver nota abaixo): José Dirceu, Professor Luizinho e João Paulo Cunha, a turma conectada ao "valerioduto"! O raciocínio é simples: se é bom para eles, é ruim para nós.
A turma que "errou" vai fugir da cassação?
O Blog do Noblat (link ao lado) informa que o STF vai negar, hoje, o pedido de mandado de segurança impetrado por cinco deputados do PT ameaçados de cassação. O relator, ministro Carlos Ayres de Britto, se comprometeu a anunciar sua decisão até o início da tarde. A decisão poderá levar alguns dos deputados à renúncia para não perderem os di reitos políticos - entre eles, o Professor Luizinho, José Mentor, João Paulo Cunha e Paulo Rocha(ver abaixo, Gente que "erra"). Às 18 horas o Conselho de Ética da Câmara se reunirá para instaurar o processo de cassação. Portanto, os cassáveis só terão a tarde para decidir se enfrentam o processo ou fogem, através da renúncia, como já fez Waldemar da Costa Neto, do PL. Ficando ou saindo, a vergonha será sua companheira.
domingo, 16 de outubro de 2005
Travessias
tentam atravessar a era LuLLa (Ilustr. de Gustavo Doré
para "A Divina Comédia", de Dante, seção "Inferno". Ver
Danteworlds: http://danteworlds.laits.utexas.edu/ ).
Chefe tem obrigação de saber
"Muitas vezes os dirigentes não querem tomar conhecimento das sujeiras a seu redor. Assim imaginam escapar da culpa. O abuso desse escudo da impunidade levou o sistema judicial americano a evoluir para a noção da 'obrigação de saber'. O chefe é responsável pela ação dos seus subordinados. Ponto."
Peter Eigen, presidente da Transparência Internacional, principal
ONG de combate à corrupção no mundo, em entrevista à revista Veja.
Dominical II

DIVIRTA-SE COM UM GERADOR DE TESES PÓS-MODERNISTAS
Quem vive na academia conhece essa tribo pelo estilo de escrita (se é que é estilo), uma mistura de má literatura e antropologia fortemente impregnadas de relativismo, quando não de puro subjetivismo. Tudo regado, quanto aos autores, a um corporativismo que enaltece a autocomplacência e a troca de favores, sempre variados. Para essa taba que se auto-intitula "pós-moderna", um texto é apenas um texto - seja uma peça literária, ficcional, seja uma teoria científica que descreve a realidade. Já que tudo no universo é apenas texto, não interessa o conteúdo, mas a forma, tanto melhor quanto mais obscura. Um belo - e debochado - exemplo desse tipo de texto pode ser encontrado no Postmodernism Generator, criado por Andrew C. Bulhak, da School of Computer Science and Software Engineering, da Universidade de Monash, Austrália. A cada clique, o gerador produz uma nova "dissertação" ou "tese", inclusive com título e bibliografia. Divirta-se. (Na foto, Michel Foucault, um dos prediletos da tribo).
http://www.csse.monash.edu.au/community/postmodern.html
Sobre a teoria dos jogos
A teoria dos jogos rendeu a Thomas Schelling e Robert Aumann o Prêmio Nobel de Economia deste ano. Em artigo enxuto e objetivo, publicado hoje no Diário Catarinense, o amigo Hélio Schuch, entusiasta da teoria - que procura aplicar ao jornalismo -, explica o que é a TJ e para que serve. O texto está disponível em seu blog http://hschuch.blogspot.com , e também pode ser lido no site do jornal: http://www.clicrbs.com.br/jornais/dc/jsp/default.jsp?uf=2&local=18§ion=Home
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