sexta-feira, 30 de dezembro de 2005

Explode, 2006 !

Que me desculpem a Folha e o Glauco,
mas não resisti a surrupiar a charge de hoje,
que vai bem com o espírito da nota anterior.
Ela encarna o desejo de milhões de brasileiros.
Com isto, comunico a suspensão provisória de meu
trabalho, desejando a todos um
Feliz 2006 !

Por falar em facas...

LuLLa ganha espaço no Fantástico, domingo à noite. Vai dizer tudo o que a gente já sabe, isto é, que ele nada sabe. Dirá também que recebeu as denúncias sobre a corrupção petista como uma "facada nas costas".

Ora, facada foi o que o presidente e seu partido cravaram nas costas do povo brasileiro.

O instrumento só será arrancado por outro, não menos afiado: as urnas de 2006.

Jornalismo e ciência



Quem gosta de temas ligados às ciências tem mais um blog à disposição. Trata-se de The Loom, de Carl Zimmer, jornalista norte-americano que publicou vários livros de divulgação científica e escreve regularmente no New York Times e nas revistas National Geographic, Science, Newsweek e Discover, da qual é um dos editores.Entre os muitos prêmios que já ganhou por seu trabalho destaca-se o Science Journalism Award de 2004, da American Association for the Advancement of Science (AAAS).

Alguns de seus livros já foram traduzidos no Brasil: À beira d’água (macroevolução e a transformação da vida), Rio de Janeiro, Zahar, 1998; A fantástica história do cérebro, Rio de Janeiro, Campus, 2004; O livro de ouro da evolução, Rio de Janeiro, Ediouro, 2005. Sua obra mais recente, ainda não traduzida por aqui, é Smithsonian Intimate Guide to Human Origins, Collins Publishers, 2005. Agradeço a indicação do blog (que passa a figurar na lista de links) ao jornalista Maurício Tuffani, que também virou blogueiro (ver Laudas Críticas).

quinta-feira, 29 de dezembro de 2005

Isto é ciência?


Ouvidos pelos jornalismo econômico como oráculos, os famosos consultores ou analistas de mercado andam mal de pontaria. Seus cálculos sobre a economia brasileira até parecem científicos. Apenas parecem, pois mal escondem interesses econômico-ideológicos (os "consultores", em geral, são ligados a grandes empresas). Com tanta precisão, concorrem mano a mano com as "previsões" de horóscopo. Estão no nível da pseudociência.

Vejamos no que deram os "cálculos" que os bruxos do mercado fizeram durante o lamentável ano 2005: a) sobre a cotação do dólar no fim do ano, erraram em 22,7 por cento; b) sobre o crescimento econômico, 29,14 por cento; c) nos juros, 12,5 por cento.

Mas houve chutes bem mais doloridos: na balança comercial, o equívoco foi de 66,6 por cento; e, na previsão sobre o superávit externo, alcançou estrondosos 390 por cento! Os dados são do Banco Central e foram comentados ontem por Clóvis Rossi, na Folha (para assinantes).

Pergunta-se: qual é a formação científica dos consultores?

Reveillon no Bananão

Este será o grande reveillon dos sonegadores da Previdência.
Eles devem 98 bilhões aos cofres públicos.
Processos e documentos viraram cinza.
E, claro, não há cópias...
Eis o crime.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

Darwin e o argumento do design


Apenas mais uma curiosidade a propósito de Darwin (a última do ano, prometo). Ele próprio contestou o argumento do design, tal como exposto pelo reverendo William Paley (1743-1805), e que, como vimos, é defendido hoje, com nova roupagem, pelos criacionistas norte-americanos (ver nota abaixo) sob o nome de "design inteligente".
Esse antigo argumento, diz Darwin na sua Autobiografia (Rio de Janeiro, Contraponto, 2000), "cai por terra agora que a lei da seleção natural foi descoberta. Já não podemos argumentar, por exemplo, que a bela articulação de uma concha bivalve deve ter sido feita por um ser inteligente, do mesmo modo que o homem criou as dobradiças das portas. Parece haver tão pouco planejamento na variabilidade dos seres orgânicos e na ação da seleção natural quanto na direção em que sopra o vento. Tudo na natureza é resultado de leis fixas."
Darwin chega até mesmo a intuir o que contemporaneamente é chamado de teoria dos "memes" (o meme seria, no plano da cultura, o equivalente do gene no campo genético-biológico) - hipótese levantada inicialmente pelo biólogo Richard Dawkins no livro O gene egoísta (Belo Horizonte, Itatiaia, 2001).
Darwin: "a repetição persistente de uma crença em Deus na mente das crianças pode produzir em seus cérebros, ainda não plenamente desenvolvidos, um efeito tão forte, e talvez hereditário, que lhes seja tão difícil desfazer-se dessa crença quanto é, para um macaco, desfazer-se de seu medo e do ódio instintivos das cobras."
Mas nem por isso o naturalista se considerava um ateu: "não tenho a pretensão de lançar luz sobre esses problemas obscuros. O mistério do início de todas as coisas nos é insolúvel. Devo contentar-me em permanecer agnóstico."

terça-feira, 27 de dezembro de 2005

Dennet contra o criacionismo















O filósofo norte-americano Daniel Dennet, professor e diretor do Centro de Estudos Cognitivos da Universidade Tufts (Massachussetts), concedeu uma longa entrevista à revista alemã Der Spiegel (a capa: Deus contra Darwin) sobre a teoria darwiniana, da qual é estudioso e divulgador. Analisando a conflituosa relação entre ciência e religião, Dennet critica a teoria do "design inteligente" (aqui já mencionada várias vezes), que é a nova ponta de lança do criacionismo norte-americano contra a teoria da evolução. O criacionismo, acusa ele, é uma ideologia de extrema-direita que tenta submeter a ciência à religião.
Do filósofo, já foi traduzida no Brasil A perigosa idéia de Darwin: a evolução e os significados da vida
(Rio de Janeiro, Editora Rocco, 1998, 609 páginas), obra cuja leitura não deixa ninguém indiferente.


Reproduzo aqui um dos tópicos da entrevista:
Spiegel - Você tem uma explicação para o fato de a crença no design inteligente ser mais disseminada nos Estados Unidos do que em qualquer outro lugar?
Dennett - Não, infelizmente não. Mas posso afirmar que a aliança entre religiões fundamentalistas ou evangélicas e a política de extrema-direita se constitui em um fenômeno muito problemático, e que essa é certamente uma das razões mais fortes para a disseminação dessa crença no país. O que realmente assusta é o fato de muitas dessas pessoas realmente acreditarem que a segunda vinda está para acontecer --a idéia de que o Armagedon é inevitável, de forma que nada faz muita diferença. Para mim isso é uma irresponsabilidade social do mais alto grau. É assustador.(Leia na íntegra aqui).

Veja também a Home Page do filósofo em Tufts , leia outra entrevista ao jornal Público (Lisboa) e uma resenha do livro na revista Crítica.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

A destruição da classe média


Transcrevo aqui, a propósito da nota anterior, artigo do economista e colunista Mauro Halfeld, de O Globo, publicado em 05/12/2005, sob o título Pobre classe média. Halfeld analisa os dados do último PNAD e, ao contrário do colunismo governista, não vê motivos para otimismo. Segundo ele, "a pesquisa divide a população em dez grupos. No nível mais alto, ficam os brasileiros que ganham mais de R$ 1.500 por mês. Só R$ 1.500. Isso é menos do que o salário-mínimo nos EUA. A média dos rendimentos dessa classe relativamente privilegiada é de R$ 3.266. Percebo que jornalistas, professores universitários, psicólogos, farmacêuticos e advogados foram chamados de ricos nos últimos dias, e a queda de seus rendimentos foi aplaudida por alguns. No meu tempo de garoto, esse grupo era chamado de classe média."
O colunista confirma o que foi dito aqui: o reinado FHC/LuLLa conduziu à depauperação da classe média. Em nome de uma falsa igualdade social, os governantes e políticos - nivelando tudo por baixo - vão transformar o Bananão em Etiópia.

Pobre classe média
Mauro Halfeld, O Globo.

"Repercutiram muito os números da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgados há poucos dias. Fãs de Robin Hood disseram que os ricos pioraram e que os pobres melhoraram. A queda do índice de Gini mereceu aplausos. Percebi alguns equívocos e me obrigo a nadar contra essa correnteza.
O IBGE não usa os termos ricos e pobres na PNAD. E nem poderia. A pesquisa não traz informações sobre o patrimônio dos brasileiros, algo que só a Receita Federal conhece e, mesmo assim, parcialmente. A rigor, a PNAD não consegue distinguir pobres de ricos.
A pesquisa divide a população em dez grupos. No nível mais alto, ficam os brasileiros que ganham mais de R$ 1.500 por mês. Só R$ 1.500. Isso é menos do que o salário-mínimo nos EUA. A média dos rendimentos dessa classe relativamente privilegiada é de R$ 3.266.
Percebo que jornalistas, professores universitários, psicólogos, farmacêuticos e advogados foram chamados de ricos nos últimos dias, e a queda de seus rendimentos foi aplaudida por alguns. No meu tempo de garoto, esse grupo era chamado de classe média.
Registro um outro equívoco, ainda mais grave. O índice de Gini mede o grau de concentração de renda. A Dinamarca ocupa uma das mais agradáveis posições no ranking construído com base no Gini. O Brasil ocupa uma das piores. Antes que você diga que é preciso acabar com a desigualdade social no nosso país, gostaria de comunicar-lhe que Uganda e Etiópia têm índices de Gini muito melhores do que o do Brasil. Sim, eles são homogeneamente pobres.
Administradores de empresas cometem graves erros quando escolhem objetivos errados. Maximizar vendas quando não se tem lucro em um produto pode quebrar uma grande empresa. De forma semelhante, eleger o fim da desigualdade social como prioridade máxima pode levar o Brasil para mais perto da Etiópia e muito mais longe da Dinamarca.
Minha interpretação sobre os números da PNAD é pessimista. Desde 1995, o Brasil está depauperando a classe média, conforme mostra o gráfico. Justamente a classe que era capaz de consumir mais e, assim, gerar empregos tanto para os miseráveis quanto para os remediados.
Ao eleger como meta o combate à inflação com política monetária, os governos têm pagado juros exorbitantes que roubam oportunidades de melhorar os salários da classe média, a qual se endivida na tentativa de adiar seu fim.
Por outro lado, políticas assistencialistas oferecem soluções paliativas a uma multidão de miseráveis.
Políticas que preferem tirar o peixe da classe média podem até eleger governantes, mas essa é uma estratégia míope.
Muito melhor seria priorizar o crescimento da economia, dando oportunidades para o pobre pescar e, assim, nunca mais depender de políticos. Pena que, no Brasil, poucos homens públicos têm esse interesse."

Classe média em fuga

Destroçada durante o reinado FHC/LuLLa, a classe média também começa a abandonar o Bananão. Reportagem do New York Times revela que a comunidade brasileira em Nova York inclui “uma proporção pouco comum de gente bem educada”.
Segundo um censo realizado em 2000, 30,8% dos brasileiros na região tinham diplomas de segundo grau ou universitários, contra somente 8,6% dos mexicanos ou 9,4% dos equatorianos.
"Ao contrário da maioria dos latino-americanos que chegam aqui pobres, com pouca educação e com o desejo de cruzar fronteiras, os brasileiros mais freqüentemente tendem a vir de uma série de origens de classe-média, são bem educados e conseguem viajar para cá legalmente”, diz a reportagem.
Qual o atrativo? É que babá ou lavadora de pratos, lá, ganha mais do que professor-titular de universidade aqui no paraíso dos banqueiros. O último a sair, apague a luz, por favor.
Leia

PT saudações

Na Folha desta segunda-feira: "O PT perdeu aproximadamente um terço de seu eleitorado no país em apenas um ano: em dezembro de 2004, 24% dos eleitores apoiavam o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde então, esse percentual vem caindo de forma consistente: 21% em junho (quando o ex-deputado Roberto Jefferson deflagrou a crise do "mensalão"), 19% em julho, 18% em agosto, 17% em outubro -até chegar a 16% na pesquisa feita neste mês."
Desse jeito, só vão sobrar os dirceus, os berzoinis, os luizinhos, os genoínos e as idelis...
Leia

domingo, 25 de dezembro de 2005

Lula? Um chato...


Quem diz isso é Danuza Leão (foto), que lançou neste ano o livro de memórias Quase tudo. Em entrevista a Istoé Dinheiro, ela desanca o presidente: "ele é muito chato, sua voz é muito chata, seus modos são muito chatos. Ninguém aguenta mais". E completa: "Lula exerce o poder de modo brega." Leia na íntegra.

Teorias da verdade

A questão da verdade, um dos temas mais controversos e estimulantes da filosofia, cuja importância se estende aos problemas da teoria do conhecimento, da lógica, da lingüística e das ciências, é esmiuçada por Richard Kirkham nesta alentada "introdução crítica", publicada originalmente pelo MIT Press em 1992 e agora traduzida por uma pequena editora universitária brasileira. Em dez longos capítulos, cada qual acompanhado de resumo, o livro analisa as principais teorias da verdade, as objeções contra elas levantadas e as respectivas dúvidas a que devem responder.
Leia a resenha aqui.

sábado, 24 de dezembro de 2005

O Natal, por dois poetas.


Nasce um Deus. Outros morrem. A verdade
nem veio, nem se foi: o Erro mudou.
Temos agora outra Eternidade,
E era sempre melhor o que passou.
(Fernando Pessoa)
* * *
Menino, peço-te a graça
de não fazer mais poema
de Natal.
Uns dois ou três, inda passa...
Industrializar o tema,
eis o mal.
(Carlos Drummond de Andrade)
* * *
Este blog deseja aos amigos, visitantes, leitores, críticos e colaboradores um Feliz Natal.

A ciência mente?

Comprovado: Hwang Woo-suk, o cientista da Coréia do Sul que virou herói nacional por "técnicas pioneiras" de clonagem, fraudou mesmo suas pesquisas. Cientistas da Universidade de Seul concluíram que os resultados de seus trabalhos sobre células-tronco foram "intencionalmente fabricados". Hwang deve, portanto, ser penalizado.
Aos detratores das ciências, o episódio serve para esclarecer que não são as ciências que fraudam ou mentem, mas os cientistas. Como em qualquer outra atividade, há cientistas que desprezam princípios éticos e não hesitam em manipular falsos dados para "confirmar" suas afirmações.
Felizmente, as ciências têm seu próprio antídoto: os métodos. Através deles, os cientistas podem testar e repetir as experiências, confirmando-as ou negando-as.
A ciência, portanto, não é fraudulenta, como costumam dizer seus inimigos. Ela produz conhecimento e, se o produto é fraudado, não há conhecimento, pois este é inextricavelmente ligado à verdade. Em outras palavras, se é falso, não é conhecimento. Os cientistas erram, mentem, distorcem - não as ciências.


P.S.: o tema é manchete na Folha de S. Paulo de hoje (para assinantes) 09:24 AM.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2005

Darwin na cabeça

A revista norte-americana Science publica todos os anos uma lista das "grandes descobertas do ano". Na lista de 2005, uma surpresa: a teoria da evolução, de Charles Darwin (1809-1882), aparece no rol das "dez mais". É que algumas descobertas que confirmam a teoria darwiniana foram consideradas as mais importantes deste ano, para horror dos criacionistas e defensores do "design inteligente" (ver abaixo).
Sobre isto, ver artigo de Reinaldo José Lopez para a Folha, disponível no Jornal da Ciência, e entrevista com Colin Norman, diretor da Science, na BBC.

Esquerda & direita

Este blog tem sido provocado a tratar das diferenças entre esquerda e direita na política (cada vez mais tênues, se é que ainda existem). O escrevinhador já prometeu atender, mas a tarefa vai ficar para o próximo ano, previsivelmente ainda mais nebuloso em relação a esse tema, a julgar pelas candidaturas que já botam as mangas de fora.
Por enquanto, recomenda a leitura de um bom ensaio escrito pelo sociólogo argentino Angel Rodríguez Kauth, justamente intitulado "
Izquierda y derecha en politica". Também para ele os referentes estão cada vez mais confusos, com a esquerda moderando seu discurso para convencer os setores mais ricos do eleitorado, enquanto a direita assume posições de coloração populista para atrair os mais pobres.
Kauth deixa claro, sobretudo, que os conceitos de direita e esquerda pressupõem juízos de valor e são historicamente relativos, isto é, só são caracterizáveis num tempo e num espaço determinados. Em todo o caso, ele ainda vislumbra algumas distinções...
Boa leitura.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

Gabeira e os cafajestes

Em entrevista ao site no mínimo, o deputado Fernando Gabeira fala do fracasso de sua geração e das esquerdas em geral, do governo LuLLa e do ex-comissário Dirceu, sem poupar o próprio presidente, que "parece um daqueles grandes cafajestes". Nada de lealdade ao passado", adverte o deputado, "senão você acaba entrando no clima de cumplicidade para acobertar equívocos e erros." Gabeira afirma, em relação aos velhos companheiros do passado, que agora está "aprendendo a tratá-los como os cafajestes que eles são".

Saci quer de novo FHC x LuLLa

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, sugere nova disputa entre LuLLa e FHC nas próximas eleições. O deputado comunista é outro que gostaria de ver Serra fora do páreo. Deve pensar que, disputando com FHC, LuLLa teria mas chance de vitória. Inebriado de "espírito natalino", ainda chama os dois de "estadistas".
Ora, qualquer desses estadistas do "crescimento pífio" é garantia de que o galinhão da foto abaixo continuará onde está.
P.S.: o Saci também afirmou em entrevista coletiva que, apesar de todas as evidências e do relatório do deputado Serraglio, "não acredita em mensalão". Em boitatá e mula-sem-cabeça, certamente, ele acredita.
Que ano!

Só bate asas

"A atividade econômica da Argentina registrou, entre 2003 e 2005, expansão de 29,5%, a maior em cem anos, segundo estudo do economista argentino Orlando Ferreres e publicado como livro, "Dois Séculos de Economia Argentina (1810-2004) História Argentina em Cifras" (em uma tradução livre do espanhol), ainda não publicado no Brasil." (Folha, para assinantes).
Enquanto isso, o galinhão brasileiro, preso a cadeado no poleiro na era FHC/LuLLa, apenas bate asas - faz que voa, mas não sai do chão.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2005

Eles querem o Picolé de Chuchu

Setores do PSDB tentam dar um chega-pra-lá em José Serra, favorito para as eleições do próximo ano. Eles preferem o governador Alckmin, o Picolé de Chuchu (copy do Simão). O médico de Pindamonhangaba seria a garantia de que nada mudará no casamento entre o Estado-sanguessuga e a rapinagem financeira. Aliás, Serra - tido como muito "independente" - é mais "temido" que o próprio LuLLa junto aos empresários, que o consideram mais "intervencionista" na economia que seus adversários. A Confederação Nacional da Indústria deu novo impulso ontem à turma do Picolé e à lógica do "crescimento pífio". Vale para todos eles o dito de Alphonse Karr (1808-1890): "Quanto mais isso muda, mais fica a mesma coisa."

Derrota criacionista

O juiz distrital da Filadélfia, John Johnes, proibiu o ensino da teoria do "design inteligente" como alternativa à teoria da evolução numa escola da Pensilvânia, repreendendo duramente a direção por violar a proibição constitucional ao ensino de religião nas escolas públicas.
A decisão da escola, segundo o juiz, foi de uma "estupidez surpreendente". O design inteligente, na verdade, é uma nova roupagem para o velho argumento teleológico. Seus defensores, ligados a movimentos religiosos conservadores nos EUA, deram significativo apoio à reeleição do presidente George Bush (cf. Globo e BBC).
Um dos propositores mais recentes do "design" é o bioquímico Michael Behe, que escreveu A caixa preta de Darwin (Rio de Janeiro, Zahar, 1997).
Behe atribui a si próprio as provas "definitivas" do design, "em face da enorme complexidade que a bioquímica moderna descobriu na célula". O resultado desse esforço de investigação da vida no nível molecular, diz ele, "é um alto, claro e agudo grito: 'planejamento!'". Tal trabalho, pontifica, "é uma das grandes realizações da história da ciência". E, pouco modesto, conclui: "a descoberta se compara às de Newton e Einstein, Lavoisier e Schrödinger, Pasteur e Darwin"!
Para uma história e crítica desses argumentos remeto ao meu artigo "A velha cruzada dos criacionistas contra Darwin e o evolucionismo" e ao texto de Jerry Coyne, "A fé que não tem coragem de se mostrar".

terça-feira, 20 de dezembro de 2005

Um retrato do PT

Roberto Romano analisa as origens do combalido Partido dos Trabalhadores, cujas vertentes surgiram de movimentos autoritários nos quais os chefões (lembre-se Dirceu, por exemplo) tudo decidem, só restando aos inferiores na hierarquia (vide Ideli Salvatti) e aos militantes a mais cega obediência - um comportamento que Millôr acertou em tipificar como "etnia petista". Leia aqui.

Elementos (e confusões) do jornalismo

A revista eletrônica Crítica, de Lisboa (ISSN 1749-8457), faz nova chamada para resenha que este escrevinhador fez por ocasião da publicação brasileira de Elementos do jornalismo: o que os jornalistas devem saber e o público exigir, de Bill Kovach e Tom Rosenstiel (SP, Geração, 2003), publicado agora em Portugal pela Porto Editora. Transcrevo os dois primeiros parágrafos:

"Os Elementos do Jornalismo, livro de Bill Kovach e Tom Rosenstiel, oferece bons temas para reflexão. Bem escrito, claro e objetivo, mostra o que passa pelas cabeças dos jornalistas dos EUA, mas vale também para os brasileiros, inclusive no que diz respeito a algumas confusões teóricas da profissão, sempre apontadas mas não resolvidas. Aproveito a ocasião para comentar duas delas.

Como se sabe, os dois profissionais integram o Comitê dos Jornalistas Preocupados, que realizou pesquisa abrangente junto a jornalistas e cidadãos norte-americanos (ao todo, 21 discussões públicas, com a presença de três mil pessoas e o testemunho de mais de 300 jornalistas). O livro é resultado dessa iniciativa, que, descrevendo "a teoria e a cultura do jornalismo", chegou a estes nove "elementos" (pp. 22-3):

1 -A primeira obrigação do jornalismo é com a verdade.
2 -Sua primeira lealdade é com os cidadãos.
3 -Sua essência é a disciplina da verificação.
4 -Seus praticantes devem manter independência daqueles a quem cobrem.
5 -O jornalismo deve ser um monitor independente do poder.
6 -O jornalismo deve abrir espaço para a crítica e o compromisso público.
7 -O jornalismo deve empenhar-se para apresentar o que é significativo de forma interessante e relevante.
8 -O jornalismo deve apresentar as notícias de forma compreensível e proporcional.
9 -Os jornalistas devem ser livres para trabalhar de acordo com sua consciência."
Leia

segunda-feira, 19 de dezembro de 2005

Falta alguém nessa foto


Ao lado, o presidente que entra e o presidente que sai em 2006.
Veja aqui um perfil do novo presidente boliviano,
o índio aymara Evo Morales, que já foi chamado
de narco-sindicalista.
"Sou um plantador de coca. Eu cultivo folhas de coca, que é um produto natural. Não refino cocaína" - costuma dizer ele aos acusadores.
O governo brasileiro já se mostra bonzinho com Morales no caso da Petrobras, que tem na Bolívia duas refinarias que devem ser nacionalizadas (para assinantes). Recomendo também o artigo "Uma guinada para o atraso", do amigo Aluízio Amorim.

Arte na rede

Artistas de todos os países e todas as épocas, em ordem alfabética, com as respectivas biografias e acervos, podem ser pesquisados no site Olga's Gallery. Trata-se de um das mais abrangentes coleções on line, reunindo mais de 10 mil obras. Vale uma longa visita. E não esqueça de marcar entre os favoritos, para incursões freqüentes.
(Ao lado, O Bebedor de Absinto, de Picasso)

domingo, 18 de dezembro de 2005

A doce vida do ex-comissário Dirceu

Ejetado do Palácio, o ex-comissário José Dirceu nem por isso perdeu pose e conforto na planície. Anda por Ipanema, a famosa praia do Rio de Janeiro, freqüenta a noite em restaurantes badalados e, nas horas vagas, escreve o tal livro com o amigo e escritor Fernando Morais, ex-comunista e ex-assessor de Orestes Quércia, biógrafo de tiranos e tiranetes (escreveu sobre A Ilha de Fidel e, corria o boato tempos atrás, estava perpetrando a biografia do ACM).
Curioso: aqui no Bananão (ave, Ivan Lessa), quem já exerceu altas funções no aparato estatal nunca mais sofrerá as agruras da planície, onde vivem os milhões de brasileiros sem privilégios. O poder é melífluo.
P.S.: agora o Morais anda se encostando no cascateiro místico Paulo Coelho, para outra biografia: pseudociência é com ele também, pois não?
(Com agradecimentos a Romeu Martins)

sábado, 17 de dezembro de 2005

Caros compadres

No mês passado, a entrevista da revista Caros Amigos foi com a professora Marilena Chauí, para a qual, como se sabe, "quando Lula fala, o mundo se abre, se ilumina e se esclarece”. A filósofa da USP, que ultimamente tem se dedicado a atacar a imprensa ("é pior que a inquisição"), baseara uma palestra a sindicalistas justamente numa reportagem da Caros Amigos - sobre um misterioso jornalista especializado em gerar crises - para levar adiante a tese de uma conspiração contra o "Grande Iluminador". Em reconhecimento, ganhou a capa da revista.
Desta vez, o entrevistado é Mino Carta, dono da CartaCapital, trincheira onde defende incansavelmente o governo LuLLa - recorde-se que ainda na semana passada o presidente foi capa da Carta, com 12 páginas de entrevista (ver abaixo, "Jornalismo chapa-branca").
A entrevista de Mino é "explosiva", promete a Caros, destacando afirmações nada explosivas: "a mídia está muito mais ligada ao mercado do que ao empresariado: a mídia está ligada ao dinheiro"; e "a mídia sempre esteve a favor do poder". Ora, são afirmações que se aplicam ao próprio Mino e sua revista, que abandonaram a crítica pela apologia do poder - Caros Amigos, idem.
Antes que me esqueça: um dos entrevistadores de Mino Carta é Ricardo Kotscho, o ex-assessor de imprensa do presidente LuLLa (ver "O chapa-branca").

Dedos & dedos

Ao toque de dedos da nota abaixo, é preferível este: mitológico, artístico, metafísico - "sujo" apenas das tintas de Michelangelo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2005

Sai da frente, democracia !


Los amigos Hugo Chávez e Luiz Inácio da Silva selam dedinhos, para desgraça de nosotros. A dupla inaugurou refinaria em Pernambuco, falando em combater a "direita implacável". Este escrevinhador apenas acrescenta: só se for no próprio governo Lula.

Vale tudo?

O governo LuLLa recriou nesta semana, com aprovação do Senado, a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, a tristemente famosa Sudam.

Pouca gente se lembra, mas ela foi extinta em 2001, por roubalheira: o rombo por conta da Viúva chegou a mais de bilhão de reais.

E os ladrões? Bem, continuam ricos e soltos, como mostra o repórter Ronaldo Brasiliense - que, gastando sola de sapato por este trabalho, acaba de receber os prêmios Embratel e AMB de Jornalismo.

A pergunta que fica é: será que o crime compensa?
(Ou será que esta pergunta é apenas retórica?)

Estrela cadente

Do Frank (link ao lado), no jornal A Notícia.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2005

Encrenca à vista


“Vamos recuperar as refinarias que o Estado brasileiro controla ”, disse Morales. “Se vamos ganhar as eleições, o companheiro Lula tem que nos devolver as refinarias que nos correspondem.” A ameaça é de Evo Morales, o líder cocalero que concorre à presidência da Bolívia.
A Petrobras investiu aproximadamente US$ 1,5 bilhão na Bolívia nos últimos dez anos, e o governo boliviano arrecada aproximadamente 20% de seu PIB com tributos pagos pela empresa.
Só para lembrar: Morales é amigo de Chávez (da Venezuela), que é amigo de LuLLa...
Los amigos que se virem, mas o dinheiro não é "nosso"?Leia.

A jornalista que mudou a história

Ela é Renata Lo Prete, editora da coluna Painel, da Folha de São Paulo. Ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo por sua entrevista com o então deputado Roberto Jefferson, publicada em 6 de de junho de 2005. Foi um trabalho corajoso, que revelaria ao Brasil a gigantesca farsa montada pelo petismo no poder e provocaria uma profunda mudança na história, cujo alcance ainda não podemos medir.
A partir daquela entrevista, que muitos punham em dúvida por ser o entrevistado, segundo eles, um "canalha", um "patife" sem "credibilidade", os fatos foram se encadeando, passo a passo: esboroava-se o plano urdido para uma longa permanência da etnia petista (copy do Millôr) no poder.
Os fatos, ah, os fatos, que em vão o governo petista tentara relegar a versões mentirosas, correspondiam ferreamente à realidade. Por obra da Renata Lo Prete - e também de Jefferson, a quem ela agradeceu -, a verdade se impôs. A história brasileira, depois disso, não será a mesma, para desgosto de sociólogos-ideólogos detratores da imprensa como Emir Sader (ver nota abaixo).
Recomendo, a propósito, o texto de Reinaldo Azevedo no site Primeira Leitura.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2005

Sader, o inimigo da mídia.


O sociólogo Emir Sader (professor da UERJ, agora também com cadeira na USP) aproveita sua coluna na Carta Maior para massacrar seu inimigo número um, a imprensa.
Ataca o que chama de “monopólios privados da mídia” (se a mídia é monopolista, por que o plural?), aos quais credita grande influência na oposição ao governo, funcionando mesmo como “uma espécie de partido da direita”.
E diz que as oposições brasileiras (apesar da notória complacência com um governo atolado em escândalos) agem de fato como a oposição venezuelana (LuLLa dixit), ou seja, são golpistas.
Na mesma comparação com a Venezuela de Chávez – um de seus gurus, junto com Fidel Castro – entram a TV, os jornais e o rádio brasileiros, especialmente a revista Veja, todos, no final das contas, a serviço do grande vilão George Bush.
O discurso do professor parece saído de um panfleto dos anos 70:
"Em comum com a mídia privada brasileira está o caráter monopolista das duas, centradas em algumas poucas famílias e nos seus vínculos estreitos com as associações empresariais. Além disso, outro parentesco está na presença de grandes magnatas privados da mídia, vinculados a essas famílias, que ao mesmo tempo estão na lista das maiores fortunas do país e até mesmo do continente."
Ora, floreios à parte, fica claro no artigo que Sader não gosta mesmo é de liberdade de imprensa, de livre-iniciativa e de pluralidade, essas excrescências da democracia. Mídia boa, para ele, é a estatal. O exemplo que tem na memória certamente é o Pravda da antiga União Soviética, ou, quem sabe, o Granma cubano, porta-voz de Fidel. Em Cuba, afinal, não existe essa praga de concorrência - mas, sobre o monopólio estatal da mídia cubana, este sim um autêntico monopólio, Sader nada tem a dizer.


Além de tudo, o sociólogo petista é ingrato com essa tal de “mídia privada monopolista”, que, a exemplo do Jornal do Brasil e da Folha de São Paulo (na Globo News ele fica mansinho, mansinho), continua a lhe conceder generosos espaços para pregações contra o mercado, a empresa privada e a própria imprensa.
Prevalecesse no Brasil a concepção que ele extemporaneamente cultiva, ao invés de colunista Sader seria prisioneiro.


(Na ilustração, de novo, Zsukalski)

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

Homens e ratos

Não, não se trata de política, desta vez, mas de uma experiência científica. Cientistas dos EUA, entre eles um brasileiro, injetaram células-tronco embrionárias humanas (CTEHs) nos cérebros de camundongos que estavam na barriga materna.
Para surpresa dos pesquisadores, as células se integraram plenamente, estabelecendo conexões entre várias regiões cerebrais dos animais. Amplia-se o campo para a pesquisa de doenças neuronais, segundo os cientistas. Afinal, temos mais em comum com as outras espécies do que estão dispostos a admitir os fundamentalistas religiosos, que já devem estar afiando o verbo.
Os camundongos, claro, foram sacrificados, embora não houvesse perigo de que gerassem proles a justificar aquela piada infame:
- Você é um homem ou um rato?

Triste aniversário


Dezembro, 13, lembra uma sexta-feira, 13, do ano de 1968. Com o Ato Institucional nº 5 (o famigerado AI-5), a ditadura militar iniciava um período feroz de perseguições, cassações, prisões e censura à imprensa. Que monstruosidade semelhante jamais se repita.
Mas é bom não esquecer que a mentalidade autoritária é difusa no Brasil:não viceja só entre os militares, mas também entre os civis e certos partidos políticos.
Vale a pena ler as informações e indicações do
Blog do Mello.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Jornalismo chapa-branca (II)

Empertigado e vaidoso, o jornalista Mino Carta recebe os aplausos de LuLLa em recente solenidade promovida por CartaCapital para adular o empresariado. Nesta semana, tio Mino retribuiu o carinho presidencial abrindo 12 páginas de sua revista para o homem que o aplaude (ver "Jornalismo chapa-branca", abaixo).
Que ninguém se espante, porém. O lulismo de Mino e da Carta já era explícito antes mesmo das eleições. De fato, na edição de 2/10/2002, Mino trombeteava: "Carta Capital manda às favas a tradição verde-amarela e declara sua escolha pela candidatura Lula. E explica que enxerga em Lula a liderança mais adequada ao momento. Ele representa a chance de mudar a política econômica que nos conduziu ao desastre. Tem autoridade para gerir tensões sociais crescentes. É o negociador adequado nas cortes internacionais, onde goza de maior prestígio do que gostaria quem o ataca e o denigre." (Confira aqui).
Tanta intimidade com o poder rende generosos frutos. Basta folhear a revista:fartura de publicidade estatal (Correios, Banco do Brasil, Petrobras, Caixa Econômica Federal - e por aí vai).
Só para comparar, folheie-se também a execrada Veja: publicidade, aqui, só de empresas privadas.
O dinheiro das "nossas" estatais é só para os apaniguados.

A timoneira da USP

A mineira Suely Vilela, professora de farmácia e nova reitora da USP, é a entrevistada desta segunda na Folha de S. Paulo (aqui, para assinantes). Mineiramente, não quis fazer qualquer comentário sobre o governo LuLLa. E riu ao falar das críticas que tem recebido quanto às suas preferências literárias e cinematográficas.
Lembrando: em entrevistas anteriores, ela disse que gasta boa parte de seu dinheiro com cremes e roupas (“coloridas, porém clássicas”) e que pensa em fazer plástica porque, afinal, não pode ser “uma reitora feia”. Até aí, tudo bem.
O que espanta mesmo é o gosto eclético e "Homer" da Magnífica. Seus filmes preferidos são Titanic e Uma linda mulher. Dentre os livros, os de auto-ajuda não saem da cabeceira - aliás, quando se candidatou, leu Você é do tamanho de seus sonhos, de um tal César Souza. Ajudou, ajudou...

Literatura, nada?
Sei, não. Vista de longe, a USP se parece cada vez mais com um Titanic.

domingo, 11 de dezembro de 2005

Jornalismo chapa-branca


Mino Carta, fundador e editor de várias revistas brasileiras (a Abril que o diga), italiano crítico e acerbo, sempre queixoso do Brasil (com razão), agora anda silencioso. Bene, nem tão silencioso. A revista que é a sua cara, CartaCapital, reserva nesta semana 12 páginas para um sujeito excepcionalíssimo e pouco conhecido no Brasil, o presidente LuLLa. Um grande "furo" jornalístico! A façanha é do próprio editor.
O velho Mino até hoje morre de amores por seu conterrâneo Gramsci e deve achar que, pelo menos ele, o presidente LuLLa e seu partido conquistaram enfim a tal "hegemonia" (a fórmula mágica dos Quaderni del carcere, citada por 10 entre 10 "esquerdistas" brasileiros). Não citarei aqui nada da entrevista, por dispensável - parte dela está disponível na CC.
Só gostaria de lembrar que as estatais são anunciantes generosas com a imprensa amiga.
Tio Mino deve estar com o bolso cheio de ideologia...

"Bafio totalitário"

Este escrevinhador não tem nem nunca teve a mínima simpatia por Carlos Heitor Cony - que ganhou uma fortuna como "indenização" por prejuízos sofridos durante a ditadura militar (só ele?) - e seus escritos. Aliás, pouco aprecia crônicas - e menos ainda os croniqueiros, fartos aqui no Bananão ibérico-católico, sempre palavroso e pouco científico. Não há como resistir, porém, a um dos parágrafos (pelo menos um!) do artigo de Cony na Folha de hoje (As missas do PT, para assinantes):
"Minhas simpatias pessoais (não as tenho na política) estão longe da admiração que o PT provocou no eleitorado. Desde os inícios do partido, senti nele um bafio totalitário, lembrando em alguns casos a ascensão dos nazistas, pelo menos até 1933, quando tomaram o poder na Alemanha democraticamente, dentro das regras do jogo. A briga pelo poder interno do PT teria de dar na lambança que conhecemos. Não fosse desmascarado, como está sendo, pagaríamos preço bem maior pelo messianismo de que o partido se revestiu."

Es latinoamerica, idiota!

O presidente venezuelano Hugo Chávez - queridinho de algumas "esquerdas" naufragadas que, à falta de opções, não hesitam em se agarrar à tábua bolivariana - é o virtual dono do país e agora trata de consolidar sua inovadora "democracia participativa", em substituição à velha e carcomida democracia representativa, sobre a qual discorreram tantos filósofos simplórios, eurocêntricos, capitalistas etc. O repórter Diego Schelp, de Veja, andou pela república do comandante Chávez e o que ele viu é descrito aqui, em parte, e está na edição da revista, já nas bancas (aqui, para assinantes). Horrorizem-se:

O Ministério Público é encarregado de processar os adversários políticos ou qualquer um que se manifeste contra Chávez. Uma acusação muito usada é a de "traição à pátria". A pátria, no caso, é representada pela figura do presidente.
• Oitenta por cento dos magistrados têm contratos temporários, muitos de apenas três meses. Se algum deles toma uma decisão que desagrade ao governo, seu contrato não é renovado.
• Os nomes dos mais de 20.000 trabalhadores demitidos da PDVSA, a estatal do petróleo, depois de uma greve contra Chávez, estão numa lista negra. Não podem trabalhar em nenhum órgão público. Também não encontram trabalho na iniciativa privada, pois as empresas temem represálias do governo. Metade deles já emigrou em busca de oportunidades no exterior.
• Empresários que se envolvem em atividade política de oposição são submetidos a uma devassa fiscal. Em geral, a empresa é fechada por 48 horas para que a papelada seja examinada. Os oposicionistas também costumam ser impedidos de comprar dólares, moeda fundamental para os negócios, pois praticamente tudo é importado na Venezuela.
• Com o dinheiro do petróleo, Chávez montou uma rede de supermercados a preços subsidiados, hoje a maior do país. O resultado foi uma quebradeira geral de pequenas e médias empresas, sem condições de competir com o governo.
• O governo ampliou sua participação e intervenção não apenas em setores econômicos importantes. Também criou mecanismo de controle da cultura, dos esportes e dos sindicatos, substituídos por entidades pelegas criadas pelo Estado.
• Há desapropriações de empresas que o governo considera ociosas ou improdutivas. Basta um galpão vazio para provar que a empresa deixou de cumprir seu papel social. Neste ano, mais de uma dezena de empresas foram desapropriadas só em Caracas.
• O Estado organizou seu próprio MST. O governo também escolhe a fazenda a ser invadida, transporta os invasores até o local e garante com antecedência, em documento oficial, a desapropriação da área ocupada.
• Não há censura direta à imprensa. Jornais e emissoras de televisão criticam abertamente o presidente. Mas Chávez já criou o instrumento que lhe permitirá acabar com a liberdade de expressão caso enfrente uma crise política. Trata-se da lei que prevê a suspensão da concessão pública de rádios e TVs que atentem contra a segurança nacional – um conceito vago muito usado pela ditadura militar brasileira.

(Acima, escultura de Zsukalski)

sábado, 10 de dezembro de 2005

Uma fábula hegeliana


Roberto Romano, professor de Filosofia política e ética da Unicamp, analisa as idéias de Moniz Bandeira (Luiz Alberto), professor titular aposentado de História da Política Exterior do Brasil na Universidade de Brasília e autor de várias obras sobre as relações dos EUA com o Brasil e os demais países da América Latina, entre as quais O Governo João Goulart: as lutas sociais no Brasil - 1961-1964, e De Martí a Fidel: a revolução cubana e a América Latina. Romano aborda especificamente o último livro de Moniz Bandeira, Formação do império americano: da guerra contra a Espanha à guerra do Iraque (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2005). Bandeira, que se considera ao mesmo tempo "hegeliano" e "cientista" (?), é figura apreciada no Itamaraty terceiro-mundista do governo Lula. Não esconde seu antiamericanismo vulgar -em favor do qual chega a brandir teorias conspiratórias em relação ao 11 de setembro - , é indulgente com Hitler e acusa os Estados Unidos de tentarem impor uma ditadura planetária. Eis aí, argumenta Romano, "uma perigosa coincidência entre a tese central do livro em pauta e o discurso totalitário: os EUA querem impor uma ditadura sem limites ao mundo."

O artigo do professor Roberto Romano, aqui publicado com autorização do autor, está na edição de dezembro da revista Primeira Leitura. (Na ilustr., o sisudo filósofo idealista alemão G.W.F. Hegel [1770-1831], que ainda tem seguidores no BR).

A FORMIGA QUE MARCHAVA CONTRA O IMPÉRIO.
UMA FÁBULA HEGELIANA.

Francis Bacon distinguia entre formas lucíferas e frutíferas de pesquisa. As primeiras, por atingir paragens elevadas do intelecto, levam à ciência. As segundas perdem importância na hora do consumo. Paolo Rossi (1) recorda as imagens usadas pelo suposto empirista para descrever os vários tipos de intelecto. Em primeiro, acadêmicos formiga: recortam dados indefinidamente sem processá-los no pensamento. Depois chegam os aranha que tecem silogismos sem base efetiva no mundo. Como descartaram os dados, eles vivem suspensos em sistemas filosóficos. Finalmente, com base em Platão e poetas como Horácio, vem o pesquisador abelha que recolhe o néctar das flores (os dados), o elabora e entrega um belo e alimentício produto, o mel.

Os “sábios” europeus e seus herdeiros desprezam a filosofia anglo-saxã. Esquecem a lição de I. Kant, cuja honestidade proclama que sem Hume o sono dogmático dominaria a sua mente. Não por acaso Bacon é citado na Critica da Razão Pura: “calamos sobre nós mesmos, falamos sobre as coisas”. Hegel é um charlatão a mais a espalhar preconceito contra a cultura inglesa. O mesmo Hegel, no seu doutoramento, errou uma citação essencial de Newton (2) mas disse sem pudor algum : “Newton é pensador tão bárbaro no plano conceitual que, à semelhança de outro inglês, se espantou ao descobrir que falava em prosa. Quando imaginava manipular coisas físicas, Newton não tinha consciência de usar conceitos”(3).

Luiz Alberto Moniz Bandeira se proclama hegeliano. Dados os elementos acima, acredito. Ele afirma ser preciso “penetrar no âmago dos acontecimentos, conhecer a causa e a essência dos fenômenos, o que é real e racional por trás da aparência”. O jargão escolástico foi dado. Vejamos as conseqüências. Bandeira segue a lógica do mestre, aplicando-a sem cautelas ao mundo histórico. Aliás, trata-se de um estranho hegelianismo que amontoa fatos empíricos e teses a priori, sem que os dois elementos se unam. Em muitas páginas o autor mimetiza a formiga baconiana e acumula dados, mas não os pensa. Ao mesmo tempo, insiste em esquemas paranóides que anunciam uma indemonstrada “ditadura mundial do capital financeiro”. E a salada empírico-transcendental vem recheada de “denúncias” que, sem exagero, atribuem ao governo norte-americano plena cumplicidade com o ataque de 11/setembro. Essas histórias fantásticas recordam invenções como o Protocolo dos Sábios de Sião. Mas vamos por partes. O livro começa errando e termina do mesmo jeito. Nele se fala em “fundamentalismo” dos founding fathers americanos. Ignorância pura. Se tivesse lido uma linha dos ditos senhores, Bandeira saberia que eles estudavam teologia em bases tão rigorosas quanto as obedecidas pelos teóricos europeus. A filosofia, a teologia, a retórica, a lógica de Petrus Ramus, a panóplia conceitual sofisticada movida por eles, tudo somado a um saber científico e literário de fazer inveja à Sorbonne, mostram que de “fundamentalistas” eles nada possuem (4). Caso oposto, inexistiriam as universidades norte-americanas produtoras de amplos saberes científicos, técnicos, humanísticos. Mas não se espera sutileza teológica de alguém que escreve ser Jesus apologista do “não pagamento de tributo ao César”. Erro feio demais para ser apenas erro(5). O autor, para fundamentar sua “tese” sobre o terror (6), apela com singeleza a certo Cristo inscrito na guerrilha e …no terror “libertário”. Assim fala o hegeliano: se os dados históricos e textuais negam a lógica assumida, danem-se eles.

ANTIAMERICANISMO
Bandeira assume o mais vulgar antiamericanismo, e cita oráculos franceses que descrevem os EUA como “esse povo do qual todas as forças vivas são dirigidas pelo excesso no crescimento indefinido dos bens materiais” (Joseph Patouillet, 1904). Se é para catar preconceitos, porque não descer à base do etnocentrismo europeu defendido por De Pauw ? Este, nas Pesquisas sobre os Americanos (7), afirma serem podres o povo e a terra daquele continente. Mas a lógica hegeliana é conhecida por seus truques. Bandeira, bom hegeliano, transforma “a parte” num todo. Ele cita Aron, para quem os norte-americanos possuem “uma parte da responsabilidade no desencadeamento da guerra dupla no Atlântico e no Pacífico”. Daí, o autor passa ao “notável” Gore Vidal (retórica das seitas: os “nossos” são notáveis, os “outros” recebem adjetivos impublicáveis) : “hoje, ninguém nega com seriedade que Roosevelt queria a guerra dos EUA contra Hitler”. Para mim, se Hitler declarasse guerra ao inferno, eu também me aliaria ao diabo. Mas para Bandeira, não. A beligerância contra Hitler é crime. Ele cita Hitler com indulgência, num discurso contra “a ilimitada ditadura mundial norte-americana”(8). Encontra-se aí uma perigosa coincidência entre a tese central do livro em pauta e o discurso totalitário: os EUA querem impor uma ditadura sem limites ao mundo.

Hitler é citado pelo autor como personagem neutro. Semelhante técnica de citação chega a ser escandalosa. Veja-se a seguinte seqüência: “Hitler considerou um ´trágico encadeamento´(eine tragische Verkettung), um ´infeliz acaso histórico´(ein unglücklicher geschichtlicher Zufal) o fato de que sua ascensão ao poder na Alemanha ocorreu quando ´o candidato do mundo judaico´(der Kandidat des Weltjudentums), Roosevelt, assumiu o governo da Casa Branca”. No juízo do hegeliano só está errado nesta série de frases o fato de que “Hitler se precipitou”, nada mais. Ao expor a fabricação de armas, Hitler é novamente citado num discurso como alguém que só denuncia os instrumentos letais nas mãos norte-americanas. Em passagem rápida a “política” nazista é referida com as suas “enormes atrocidades”. Mas logo o autor tira a lição silogística: se Hitler dizimou o povo russo, este “logicamente” apoiou Stalin e a sua tirania.

Num texto que defende a tese de uma ditadura mundial maquinada pelos EUA e onde o leitor é forçado a topar com certo Hitler estadista sóbrio, é no mínimo bizarro que o autor cale quase tudo o que se relaciona com o tema jurídico da ditadura, os debates sobre o artigo 48 da Constituição de Weimar (9). O dilema do autor, com tal silêncio, é claro: se os EUA têm uma Constituição democrática, neles não haveria a legalidade da qual se beneficiou Hitler. Se os EUA seguem para uma ditadura nos moldes do artigo 48 (existem pessoas que pensam desse modo), então aprenderam com a Alemanha. E seria preciso, para denunciar o imperialismo yankee, descer ao parentesco com a “civilizada” Alemanha.

Quando se fala em “império” e “ditadura mundial”, tais asserções entram na polissemia lingüistica, elas não brotam de “fatos” a exemplo de Minerva da cabeça jupiteriana. É preciso interpretar documentos e dados com óptica plural. Em pontos delicados assim, o preceito da justiça é imperativo: quem julga tem o dever de ouvir a outra parte. Não se encontra um norte-americano defensor de sua terra e gente, nas oitocentas páginas do calhamaço. Fico no caso mais notório, pois trata-se de um filósofo especialista em estratégica militar. Trata-se de Victor Davis Hanson(10). Além dos que dizem cobras e lagartos dos EUA, ralas são as referências aos seus defensores idôneos. Todo país possui valores negativos e positivos. Mas o autor afirma trabalhar sine ira et studio e que não faz reflexão ética, só expõe uma cadeia de fatos. É preciso dizer que, entre os fatos a serem levados em conta pela razão científica, em se tratando de política e não de matemática ou física (e mesmo aí Hegel errou…), a boa lógica exige o exame dos arrazoados trazidos pelos que defendem o campo “inimigo”.

Outros equívocos, agora de leitura filosófica, surgem ao longo do livro. Todo estudante de primeiro ano conhece a passagem da Fenomenologia do Espírito sobre “o Reino animal do Espírito”. Baseando-se numa leitura não provável de Marx, Bandeira reduz o significado daquele trecho, jogando-o totalmente sobre a sociedade de mercado e para a concorrência. Hegel era tosco, mas nem tanto. A seqüência inteira é dirigida aos intelectuais, parte essencial das Luzes. Para quem analisa a ditadura mundial estadunidense talvez o erro seja pequeno. Mas para um hegeliano…

Em suma: em tedioso agenciamento de números, documentos e discursos, como diligente intelectual formiga, o autor exibe sua riqueza, a qual constrasta com a miséria de uma ideologia raivosa que não hesita em repetir slogans anti-semitas ao discorrer sobre o Partido Democrático, além de outras repetições de enunciados totalitários cujo lugar deveria ser debaixo do rio chamado Esquecimento. Bandeira se proclama hegeliano e nele acredito. Ele também diz só levar em conta “os fatos, como cientista”, abandonando todo esforço axiológico. Assim, os “fatos” terroristas são coletados como se fossem apenas… fatos. Mas eles expressam juízos de valor e definem uma prática covarde de intimidação, ao jogar sociedades inteiras na morte aninhada nos ventres fanáticos. Sim, Bandeira é hegeliano e diz levar em conta os fatos. “Mas quem aprendeu antes a curvar as costas e inclinar a cabeça diante da ´potência da história´, acaba acenando mecanicamente, à chinesa, seu ´sim´a toda potência, seja esta um governo ou uma opinião pública ou maioria numérica, e movimenta seus membros no ritmo preciso com o qual alguma ´potência´puxa os fios. Se todo sucedido contém em si uma necessidade ´racional´, se todo acontecimento é o triunfo do lógico ou da ´Idéia´ —então, depressa, todos de joelhos e percorrei ajoelhados toda a escada dos ´sucedidos´! Como, não heveria mais mitologias reinantes? Como, as religiões estariam à morte? Vede apenas o religião da potência histórica, prestai atenção nos padres da mitologia das Idéias e em seus joelhos esfolados” (Considerações Extemporâneas). Nietzsche falava, nestas frases, dos hegelianos. Enquanto eles, agora, apresentam a imagem mais horrenda dos EUA, “inclinam a cabeça à chinesa”, literalmente. Na cena mundial, depois do nazismo e da URSS, sobraram os EUA, a UE e a China. Não aposto um centavo para saber em qual país Bandeira enxerga razões para solapar o Estado norte-americano. Não gosto de inclinar a espinha diante da História, mesmo ainda contada no padrão idealista.

NOTAS
1) "Ants, Spiders and Epistemologists", in Francis Bacon, Seminario Internazionale, ed. Marta Fattori, Roma, 1984
2) “Quando Hegel cita a definição quinta dos Principia de Newton como uma definição da força centrífuga, seu erro tem graves consequências pois invalida quase toda a crítica de Newton feita por ele; o mais incômodo é que ninguém notou o erro no ato e Hegel repetiu publicamente o mesmo erro (por exemplo na Encliclopédia das Ciências Filosóficas, § 266) até o fim da vida”. De Gandt, F: “Introdução” à edição da tese De orbitis planetarum (Paris, Vrin, 1979), p. 47.
3) Leitor amigo : se deseja rir mais, abra as Lições sobre a História da Filosofia no item “Newton”. Cito na edição seguinte: Werke in zwanzig Bänden (FAM, Suhrkamp, 1975), III, p. 231. Hegel inicia o método Chaui de leitura científica.
4) Da imensa bibliografia, cito apenas Miller, Perry: The Americans Puritans, their prose and poetry. (NY, Doubleday, 1956) e The New England Mind. The Seventeenth Century (Boston, Beacon, 1968).
5) Pergunta : Licet censum dare Caesari, an non?. Resposta: Reddite ergo quae sunt Caesaris, Caesari: et quae sunt Dei, Deo. (Mateus, 22, 17-21).
6) A benção ao terror repete-se, como cantilena, em muitas passagens : “…quando as grandes potências desprezam a força do Direito e impõem o direito da força, os povos mais fracos, oprimidos, são levados a recorrer ao terrorismo, como ferramenta de luta, no processo de insurgência”, “no curso da história, o terrorismo serviu como a arma dos mais fracos, com o objetivo de quebrar o monopólio da violência exercida pelo Estado e, no mais das vezes, identificou-se com a insurgência, o método da guerrilha”, e outras jóias de mesmo quilate.
7) C. De Pauw, Recherches philosophiques sur les Américains, 1774. O texto pode ser lido na edição eletrônica Gallica da Biblioteca Nacional da França.
8) O termo germânico é preciso: “…unbegrenzte Weltherrschaftsdiktatur”. Discurso de Hitler em 11/12/1941.
9)"Caso a segurança e a ordem públicas forem seriamente (erheblich) perturbadas ou feridas no Reich alemão, o presidente do Reich deve tomar as medidas necessárias para restabelecer a segurança e a ordem públicas, com ajuda se necessário das forças armadas. Para este fim ele deve total ou parcialmente suspender os direitos fundamentais (Grundrechte) definidos nos artigos 114, 115, 117, 118, 123, 124, and 153."
10) Cf. Carnage and Culture (Anchor/Vintage, 2002), tradução com o título de Porque o Ocidente Venceu. Massacre e cultura- da Grécia antiga ao Vietnã (RJ, Ediouro, 2001). O autor publicou muitos outros livros e artigos sobre a Grécia antiga e a Guerra, incluindo a questão da democracia. Dentre os mais importantes, listo os seguintes : Warfare and Agriculture in Classical Greece (Ed. University of California Press, 1998); The Western Way of War (University of California Press, 2000); Hoplites: The Ancient Greek Battle Experience (Routledge, 1992); The Other Greeks: The Family Farm and the Agrarian Roots of Western Civilization (Ed. University of California Press, 2000); Fields without Dreams: Defending the Agrarian Idea (Ed. Touchstone, 1997); The Land Was Everything: Letters from an American Farmer (Free Press, 2000); The Wars of the Ancient Greeks (Cassell, 2001); The Soul of Battle ( Anchor/ Vintage, 2000); An Autumn of War (Anchor/Vintage, 2002); e Mexifornia: A State of Becoming (Encounter, 2003).
COMENTÁRIO: este ensaio, por força da Lei de Imprensa, invocada pelo prof. Moniz Bandeira, tem réplica publicada aqui, como DIREITO DE RESPOSTA.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

Homenagem

Adeus, Bonson.




Com a morte de Sérgio Bonson, aos 56 anos, Florianópolis perde um de seus melhores artistas - e este blogueiro perde um velho amigo, com quem conviveu na redação do "mais antigo" jornal de Santa Catarina (O Estado), nos anos 70. Época de sonhos, aventuras e tragos - mas também de ditadura, luta política e muita crítica.
Cartunista e artista gráfico de talento, nos anos 90 Bonson passou a se dedicar à aquarela, retratando ângulos da cidade que só ele, que tanto a amava, percebia com nitidez e sensibilidade. Realizou exposições em vários Estados, na França (em Bonson, perto de Nice, a convite do prefeito da cidade) e, em 95, passou dois meses em Londres, com uma bolsa do British Council, visitando cartunistas ingleses, galerias e aquarelistas.
Não o via há alguns meses, e não sabia - nem ele próprio, creio - que estava tão doente.
Adeus, velho amigo.Tua cidade não te esquecerá.

(O sepultamento ocorrerá hoje, às 10 hs., no Cemitério de Itacorubi)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

Mamma Oposição


LuLLa não tem oposição, tem uma mãe. Excetuando-se um ou outro representante político, o discurso oposicionista não passa de bravatas lançadas para a mídia. Abanando uma imensa cauda, as oposições, particularmente a tucana, confundem educação com complacência, seriedade com oportunismo, ética com hipocrisia.
Já se disse aqui, mais de uma vez, que o presidente conta com a sorte de não ter uma oposição à altura daquela que exerceu nos tempos em que ele e seu partido eram oposição. De fato, da parte dos autoproclamados oposicionistas não virá jamais qualquer pedido de impeachment, por mais volumosas que sejam as provas contra o governo LuLLa.
Elencando algumas dessas provas, Demétrio Magnoli diz hoje na Folha que as informações levantadas até agora não deixam dúvidas: "tudo isso está descrito na legislação como crime de resposabilidade". A conseqüência é que, ao não exigir punição, as oposições simplesmente escancaram as portas para a corrupção nos futuros governos. Corromper, então, passa a ser um direito.
Transcrevo alguns parágrafos do artigo ("O impeachment que não houve", aqui, para assinantes):
"A oposição se recusou a formular a acusação e solicitar o impeachment. Ela não abdicou da sua responsabilidade por temor da exposição de seu envolvimento em ilícitos de caixa dois, embora isso pese entre alguns setores oposicionistas. A abdicação decorreu, antes de tudo, do medo de confrontar um presidente que conserva apoio de organizações de massa caudatárias do governo e da população menos informada, dependente dos programas sociais.
Democracia não é apenas eleição. É o produto de uma teia de instituições e leis que limitam o poder dos governantes, escrutinam os atos do poder, resguardam os direitos dos cidadãos e protegem a expressão da minoria. Ao trocar o seu dever republicano de solicitar o impeachment pela chicana das acusações midiáticas na campanha eleitoral, a oposição imagina produzir o milagre da conversão da sua covardia em esperteza. Essa é uma forma complacente de auto-ilusão. Na verdade, a oposição estabelece um precedente histórico, cancelando a vitória democrática representada pelo impeachment de Collor. De agora em diante, os presidentes adquirem o direito tácito de corromper."

"Não sobrou nada no governo"

O ex-comissário José Dirceu diz que o presidente é uma figura difícil e que o governo acabou. Este escrevinhador apenas pergunta: o governo já começou?
Leia aqui.

O tratorzinho

Ele tenta escapar do cadafalso. Intitula-se professor, como se isso fosse escudo para falcatruas. Sempre arrogante em defesa do luLLismo, como sua colega buldogue no senado, o deputado agora joga tudo nas costas do assessor, coitadinho !

quarta-feira, 7 de dezembro de 2005

Mudanças en América del Sur?

Recomendo a leitura do artigo escrito pelo amigo Aluízio Amorim, jornalista e ex-assessor da Fiesc, sobre as mudanças que estão ocorrendo na política sul-americana. O exemplo de que ele parte é a Venezuela, hoje cindida entre ricos e pobres (lá existem classes médias?; lá existe produção científica e tecnológica reconhecida internacionalmente?).
A tese de Aluízio é de que poderia estar se iniciando, no Brasil, um processo semelhante, com os abastados praticamente abdicando de exercer o poder político centrado na presidência, entregando-o a prepostos (FHC antes, LuLLa agora), assim como entregaram suas empresas familiares a gerentes externos - um trabalho, digamos, de terceirização, sem que isto implicasse perda de rendas e privilégios.
Em poucas palavras, as classes que têm dominado o Estado com mão de ferro desde o início da colonização (católico-ibérica, por esses lados do Equador), hoje não fazem questão de estar na berlinda do poder central. Basta manter abertos os dutos de transferência de renda, sempre para os mesmos estuários financeiros, nacionais ou internacionais.
Essas classes jamais procuraram resolver o secular problema da pobreza. E agora jogam-no para os outrora políticos oposicionistas, que melhor sabem apascentar as massas descontentes com o discurso das ilusões. Carentes de educação, de informação e de recursos, elas são disputadas igualmente por representantes políticos e pelas igrejas. Permanecerão sempre nesta condição, para que políticos, padres e pastores não percam a razão de existir. Mas aqui já estou longe de "Um novo contexto político", o texto de Aluízio.

Deutsche Welle escolhe os melhores blogs

Mais de 2500 blogs e podcasts foram sugeridos por usuários de todo o mundo nas 13 categorias do concurso em sua primeira fase, de 1º a 30 de setembro. O júri escolheu oito finalistas nos nove idiomas permitidos: alemão, inglês, chinês, espanhol, francês, persa, árabe, russo e português. O título de melhor weblog foi para o argentino Más respeto, que soy tu madre, na verdade uma blognovela. Veja os resultados aqui.

Alhos com bugalhos

Do presidente, na sua terceira "entrevista" exclusiva com radialistas:
"Só para você ter uma idéia os dois aviões que eu fiz campanha de 1989 um caiu em Juiz de Fora e outro caiu na Bolívia porque eram aviões que estavam já no final de vida. E eu tive 47% dos votos nesse país".
*
Não se sabe se esta rara demonstração de raciocínio lógico foi aplaudida pelos radialistas.
*
(Veja no blog do Noblat)

Futuro e passado


"Perguntava-se à Sra. de Rochefort se tinha vontade de conhecer o futuro.
- Não - respondeu ela -, ele se parece demais com o passado."
*
Chamfort (1741-1794)

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Lição de Português Claro

Conjugar o verbo lular.
Professor: Lula.
Eu lulo.
Tu lulas.
Ele lula.
Nós lulamos.
Vós lulais.
Eles luleiam.
*
Do Millôr (link ao lado)

Economistas

"Os economistas são cirurgiões que têm um escalpelo excelente e um bisturi cego, operando às mil maravilhas nos mortos e martirizando os vivos."
Chamfort (1740-1749)

Voa, galinhão, voa!


O galinhão que é a economia brasileira não consegue alçar vôo nem para fora do poleiro. A época FHC/LuLLa é a do crescimento pífio. Como disse Élio Gaspari na Folha de domingo, o sociólogo e o apedeuta são do time de "presidentes-exterminadores da economia": fazem parte da "turma da ruína dos 2% de crescimento".
Ontem foi a vez de o Financial Times, a bíblia dos mercados, bater na mesma tecla. "O problema é que a economia do país não está crescendo suficientemente rápido", diz o jornal, fazendo comparações com Rússia, Índia e China, as outras três economias emergentes. Conclusão: "o Brasil está ficando para trás." Estabilidade, só, não basta.
E agora, FHC? E agora, LuLLa? Encerro com a ironia do Gaspari: "se a política de um é a do outro e o PSDB se orgulha disso, quem gostou do desempenho dos tucanos deve votar em Lula. Quem não gostou, em tucano é que não deve votar."
Leia a matéria do FT aqui.

Abaixo a ditadura financeira!


Reproduzo artigo da advogada Maria Inês Dolci, na Folha de hoje, com o título acima. Não há o que suprimir nem acrescentar.

O Supremo Tribunal Federal (STF) volta a concentrar as atenções dos brasileiros. Tudo indica -com o STF, tão célere na defesa dos direitos do então deputado federal José Dirceu, nunca se sabe!- que, finalmente, será votada a Ação Direta de Constitucionalidade nº 2.591, movida pela Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif). O objetivo da 2.591 é evitar, para todo o sempre, que os bancos sejam, digamos, incomodados pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC).Inicialmente previsto para ocorrer amanhã, o julgamento da Adin foi adiado para o próximo dia 14.Afinal, os banqueiros têm se esfalfado, nos últimos anos, para obter um lucro que, somente em 2004, conforme matéria desta Folha, chegou a R$ 20,7 bilhões. Submeter-se ao CDC traria responsabilidades indevidas, como as cobranças para que melhorassem o atendimento a seus correntistas, e àqueles que utilizam seus serviços ocasionalmente.Também seria desagradável, para as instituições financeiras que compõem um grupo conhecido como "mercado", que manda e desmanda nos rumos do Brasil, serem questionadas pelos absurdos que promovem contra os mutuários do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), criado com fins sociais, mas que se transformou no maior pesadelo possível e imaginável. Aliás, em 2006 findarão vários contratos firmados na vigência do Plano Collor.Como alguns leitores devem se lembrar, em 1990, após o Plano Collor, os bancos que financiavam imóveis, em nome do SFH, utilizaram o Bônus do Tesouro Nacional Fiscal (BTNf) para atualizar, monetariamente, os saldos das cadernetas de poupança, ou seja, 41,28%. E o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), de 72,78% (março de 1990) ou 84,32% (abril de 1990), para corrigir os saldos dos financiamentos habitacionais.São temas como esses que os banqueiros não querem enfrentar, sob a égide de um código que não lhes é submisso. Quando os bancos tiveram dificuldades com seus balanços, em 1996, contaram com um programa de socorro, o Proer, que foi muito bem-sucedido, haja vista seus lucros bilionários dos últimos anos.Mas os mutuários do SFH foram entregues às feras, e lutam na Justiça contra as chicanas dos bancos, que ingressam, ao mesmo tempo, com diversas ações para lhes tomar o imóvel. E, não saciados, destruir-lhes a dignidade, incluindo seus nomes nos cadastros fascistas que há no Brasil, contra os desvalidos de todos os tipos.É por isso que a Adin nº 2.591 é tão importante, que motivou este segundo artigo, em pouco tempo, sobre esse tema. Não se trata de falta de assunto, mas de prioridade: o Brasil está em uma encruzilhada. De um lado, um começo de jornada mais digna, em que os bancos perderão parte de seu poder absoluto, e terão que prestar contas à sociedade, como o fazem lojistas, industriais e prestadores de serviços.Há um outro caminho, terrível, se os nobres e preclaros ministros do STF decidirem que os bancos estão livres para fazer o que quiserem, como acontece desde que as caravelas de Cabral aqui aportaram. É um futuro sem cidadania, sem dignidade, sem direitos. Livres de uma ditadura militar, que durou mais de duas décadas, perpetuaremos a ditadura financeira.
E-mail -
midolci@yahoo.com.br

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Isto é LuLLa


O presidente LuLLa, que declarou à sua biógrafa, Denise Paraná, nunca ter lido um livro, por isso mesmo se dá mal com o idioma. O fotógrafo Gustavo Miranda, de O Globo, capturou um bilhete que ele trazia nas mãos. A primeira frase é esta: "Tem demandas do conselho que precisa ser discutido" (sic). Escreve mal quem raciocina mal.
Preconceito! - gritarão os luLListas diante deste fato.

Jobim pode sair do STF em março

Em entrevista à Folha, o presidente do STF, Nelson Jobim, disse que não é "candidato a nada", mas admite que poderá deixar a presidência do tribunal em março, a tempo de abandonar também a carreira de juiz e se filiar a um partido. Transcrevo um trecho da entrevista (disponível na íntegra aqui, para assinantes).

Folha - Desde que o sr. presidiu o TSE, ouvimos falar que deseja voltar à política e que poderia ser candidato em 2006 a presidente ou a governador do Rio Grande do Sul. O sr. vai terminar seu mandato no STF no prazo previsto, em junho?
Jobim - Em princípio sim, mas posso sair antes, porque há um problema que precisamos enfrentar. A troca na presidência do STF concentrou-se tradicionalmente em fevereiro ou março, mas houve atrasos ultimamente. Um ministro exerceu a presidência por apenas um ou dois meses, e a posse de seu sucessor foi transferida para maio. Depois, com a última aposentadoria [de Maurício Corrêa], ela ficou para junho. Em junho ela não é conveniente, porque há a necessidade de o novo presidente conduzir a discussão com o Ministério do Planejamento sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias, que termina em abril. Para isso, é necessário que a posse volte para março ou abril. Isso poderá acontecer, mas não terá nada que ver com pretensões de candidatura, porque não sou candidato a nada.
Folha - Poderá ser em março ou abril?

Jobim - O melhor é que seja em março, porque a lei tem de ser enviada até 15 de abril. Essa discussão com o Planejamento é ainda mais necessária agora, porque o Congresso está exigindo que os valores sejam examinados no Conselho Nacional de Justiça. Cada vez mais se torna necessário que a presidência de um tribunal, com mandato de dois anos, comece em um momento que seja viável para negociar os resultados financeiros de sua gestão.
Folha - Para ser candidato, o sr. tem de sair do STF e se filiar até o início de abril?

Jobim - A filiação partidária é seis meses antes para juízes, ou seja, até 3 de abril. Anos atrás, o TSE respondeu a uma consulta sobre isso. Mas eu não tenho essa pretensão. Todas as especulações são feitas à minha revelia.
Folha - É possível ser juiz e ter o nome cogitado para uma candidatura? Isso não compromete a isenção, especialmente levando em conta que o STF julga causas muito políticas, como a liminar de Dirceu?

Jobim - Não há impedimento constitucional nenhum. Também não há nenhuma mistura entre decisões e eventuais pretensões políticas, que eu não tenho. Vamos deixar bem claro isso.
Folha - O que o sr. acha dessa crise política envolvendo o governo, o PT, outros partidos e o Congresso?

Jobim - Vejo essa crise política muito ligada às eleições de 2006. Não sei quais serão os efeitos eleitorais dela. Isso é outra história, mas as instituições estão deglutindo-a com tranqüilidade, o que mostra a maturidade do nosso processo democrático. Não há nenhum ruído institucional. Há os riscos partidários, que são absolutamente normais. Há sempre uma tendência de que aquele que está eventualmente tendo vantagens eleitorais ou de visibilidade dentro de uma crise tenta radicalizá-la para aumentar os ganhos.

Novas críticas a Jobim

"Constitui agressão ao princípio de separação de Poderes a circunstância de o presidente da mais alta corte de Justiça do país, com intervenção direta nos conflitos políticos e econômicos mais relevantes, pleitear um cargo eletivo. Não importa que, em decorrência de uma interpretação gramatical da Constituição, o sr. Jobim teria o "direito" de concorrer. O dever de manutenção de uma moralidade mínima lhe retira esse pretenso direito. Mais, dado o poder de intervenção que o presidente da Suprema Corte tem sobre todos os assuntos que passam por ali, tal intenção eleitoral colocaria sob suspeita todas as decisões do STF, e não apenas aquelas que dizem respeito a temas de natureza política." Cláudio Weber Abramo, em artigo ("Candidatura acintosa") na Folha de hoje (para assinantes). Ver também as críticas deste blog.

domingo, 4 de dezembro de 2005

Um domingo darwiniano

Na foto, o escritório de Darwin.

Charles Darwin (1809-1882), personagem tão combatido quanto admirado, recebe em Nova York uma homenagem do Museu Americano de História Natural, através de uma exposição que percorrerá os EUA.
Sua teoria demonstrou que a evolução das espécies é um processo cego, sem finalismo, em que a espécie humana é apenas uma espécie entre outras. Tantos anos e tantas evidências depois, não é o que pensa o arrogante ser humano, inclusive no Brasil.
Se, aqui, Darwin não é tão combatido quanto entre os fundamentalistas cristãos norte-americanos, nem por isso a maioria da população é mais esclarecida. No início do ano, uma pesquisa encomendada pela revista Época revelou que a maioria dos brasileiros acredita que somos descendentes diretos de Adão e Eva, além de constituirmos uma espécie privilegiada pela Providência. Para 31% dos entrevistados, por exemplo, Deus criou o ser humano nos últimos 10 mil anos - e na forma como somos hoje! Para a esmagadora maioria (89%), a doutrina criacionista deve ser ensinada nas escolas públicas. Mas há algo ainda mais grave: 75% acham que ela deve substituir a teoria da evolução nos currículos escolares!
Um das melhores matérias jornalísticas sobre o tema - assinada por Eliane Brum - foi publicada justamente na Época nº 346, em janeiro deste ano. A matéria mereceu 11 páginas, a última delas tratando das principais "rupturas históricas no confronto entre ciência e religião". Todas as páginas estão disponíveis no site da revista. Bom domingo e boa leitura.

sábado, 3 de dezembro de 2005

LuLLismo na mídia

Trecho da coluna de Diogo Mainardi, na Veja desta semana, sob o título "Observatório da imprensa":

"Tenho um bom olho para reconhecer o jargão lulista. Não preciso de mais de uma frase, perdida no meio de um artigo, para identificar um governista infiltrado.
O Globo tem Tereza Cruvinel. É lulista do PC do B. Repete todos os dias que o mensalão ainda não foi provado. E que, de fato, José Dirceu não deveria ter sido cassado. Cruvinel aparelhou o jornal da mesma maneira que os lulistas aparelharam os órgãos públicos. Quando ela tira férias, seu cunhado, Ilimar Franco, assume sua coluna.
Kennedy Alencar foi assessor de imprensa do PT. Ele continua sendo assessor de imprensa do PT, só que agora de maneira não declarada, em suas matérias para a Folha de S.Paulo. Ele é o taquígrafo oficial de André Singer, secretário de Imprensa de Lula. Singer dita e Kennedy Alencar publica.
Franklin Martins é José Dirceu até a morte. Eliane Cantanhêde é da turma de Aloizio Mercadante. Luiz Garcia é lulista, sem dúvida nenhuma, mas não consigo identificar sua corrente. Vinicius Mota é do grupo de Marta Suplicy. Quem mais? Alberto Dines é seguidor de Dirceu, e só se cerca de seguidores de Dirceu. Alon Feuerwerker, do Correio Braziliense, é do partidão, e apóia quem o partidão mandar. Paulo Markun, da TV Cultura, tem simpatia por qualquer um que seja minimamente de esquerda. Paulo Henrique Amorim é lulista de linha bolivariana. Ricardo Noblat era lulista ligado a Dirceu, mas pulou fora no momento oportuno. "


Goste-se ou não de Mainardi, dá para discordar?