terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Briga de baianos

Essa é boa. No embalo de que "a Praça Castro Alves é do povo", como canta o Tio Caetano, sempre acreditei que o carvanal de Salvador fosse a festa mais democrática do Bananão. Nem tanto, nem tanto. Quem tem dinheiro, dança em blocos protegidos por uma corda mantida por seguranças; o restante, o povão, fica sujeito ao que der e vier.

O espalhafatoso Carlinhos Brown criticou a segregação racial representada por esses "abadás" na frente do camarote do ministro da Cultura Gilberto Gil, que, retrucando, disse que "apartheid tem em todo o mundo", ora pois.

O bate-boca não durou muito. Só até a madrugada, quando Brown, espalhafatosamente, é claro, se ajoelhou em frente ao camarote de Gil e pediu perdão. Berrou ao microfone
: "quero dizer a esse povo todo que Gilberto Gil é alimento, é justiça. Quero que saiba, meu mestre, o quanto te amo e te respeito".

Gil, ao lado de outro ministro carnavalesco, o catarinense Luiz Fernando Furlan (Indústria e Comércio), desmanchou-se em lágrimas. E ficou o dito pelo não dito. Paz, paz.

No ano que vem, mais abadás.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

Lula e os bancos (II)


Em nota com o mesmo título, publicada na sexta-feira (abaixo), este escriba disse que "Lula e o PT sempre estiveram assim com os banqueiros", tanto que a primeira emenda constitucional promovida pelo governo Lula foi em favor dos interesses financeiros.

Na edição de hoje, a Folha (para assinantes) mancheteia que os bancos superaram as empreiteiras nas doações ao PT: "os bancos, que vêm obtendo lucros recordes a cada ano, elevaram em cerca de 1.000% suas doações aos caixas do PT nacional e do estadual de São Paulo de 2002 a 2004. As contribuições bancárias saltaram de R$ 520 mil para r$ 5,7 milhões."

Aos bancos, Lula "agradeceu" rapidinho. Aos eleitores, deu um pé no traseiro.

Alá-lá-ô

"O carnaval é a única festa nacional que consola a gente do calor, da queda do mil-réis, da política, dos programas de salvação pública..."

Ribeiro Couto (1898-1963)

(Charge: blog da Stella)

domingo, 26 de fevereiro de 2006

Uma rede Pravda para o petismo


Se alguém ainda tem dúvida sobre o caráter antidemocrático da mentalidade petista, leia, por favor, o artigo assinado por uma jornalista no site do partido (“Uma propaganda de classe”). Usando viseira partidária, a articulista exuma a rançosa discussão sobre “o papel desempenhado pelos grandes meios de comunicação de massa na construção e permanente atualização da hegemonia conservadora no Brasil” e fala do fracasso da “esquerda” em construir uma “nova hegemonia”. O problema seria o “monopólio” (sic) no setor de comunicação (a salada de noções com cheiro de naftalina lembra Armand Mattellart, Gramsci, Althusser e outros vetustos ideólogos dos anos 70).

Como é de praxe nesse tipo de discurso, os primeiros alvos são as revistas Veja e Primeira Leitura, veículos de "propaganda classista". A primeira “sempre foi um instrumento de propaganda da direita” (a moça certamente ainda não tinha nascido ou engatinhava de fraldas quando a Veja enfrentava a ditadura militar), além de pertencer – oh, horror - ao Grupo Abril, financiado pelo execrável "capital internacional”. Ajudou a eleger os “conservadores” Collor e FHC e, edição após edição, trata de impor “padrões de comportamento e cultura” para manter o statu quo. Portanto, a um simples sinal do velho Civita, mais de um milhão de tolos assinantes da revista põem-se a dançar a tarantella. E você, caro leitor, está enganado se acha que pensa com independência. Você apenas reflete o que lhe inculca a revista.

E o que mais faz Veja? Ora, campanha “sistemática e ostensiva” contra os “governos de esquerda” da América Latina, particularmente o comandante Chávez. Isto não é jornalismo, ensina a moça: a verdadeira “vocação” da revista são as “calúnias e denúncias infundadas”. Logo, não pense que os leitores vão à banca atrás de informações e fatos. Eles se contentam com falsas versões, coitados.

Informação "classista"

Quanto à Primeira Leitura, trata-se de uma publicação “liberal-conservadora vinculada à inteligência do PSDB de São Paulo”, dirigida pelo notório “direitista” Reinaldo Azevedo, que a articulista insinua ser um “agente da CIA”. E lá vai ela deslizando para as teorias conspiratórias, de que pouparei o leitor. O que preocupa a moça, na verdade, é o próximo encontro do PT em abril, quando o partido fará um balanço dos últimos três anos e “definirá diretrizes para o próximo governo”(!). E aqui ela puxa a brasa para a sua sardinha: o combate ao tal “monopólio” na área da comunicação.

Vestindo-se de ideóloga, afirma que o partido deve visar a “construção de uma nova hegemonia” (viva Gramsci!), que tenha condições de “desconstruir a ideologia conservadora dominante”. O “programa estratégico”, segundo a jornalista, é “investir na constituição de uma rede de comunicação própria”. A receita revolucionária: criar “veículos alternativos”, tais como as rádios comunitárias e, note-se bem, canais de televisão “ligados ao governo e aos movimentos sociais”.

O grande erro do governo Lula teria sido justamente tentar uma aproximação com o “monopólio da mídia”, ao invés de combatê-lo com a criação de novos canais que ela chama de “alternativos” (atenção: alternativo é estatal). Eis o ponto. Nada de mediação, nada de concorrência, nada de livre circulação de informações, essas coisas da democracia burguesa. Não, é simplesmente impossível "transformar" a sociedade com “informações mediadas pelas grandes empresas de comunicação”.

O que a jornalista-militante (ou militante-jornalista?) busca, no fundo, é a segurança da propriedade estatal, o discurso oficial sem mediação, a formação ideológica das “massas”. E, se bem que não advogue o fechamento dos jornais e redes de televisão privados - que impropriamente chama de monopólio -, propugna a construção de uma rede Pravda (Verdade) paralela para difundir a informação "classista", isto é, verdadeira. De quebra, abriria mais uma boquinha estatal para jornalistas chapa-brancas como ela.

(Acima, Lênin lê o Pravda, do qual foi editor em 1917).

sábado, 25 de fevereiro de 2006

Esquerda & direita (ainda)


A Folha de São Paulo questiona, na edição de hoje, se ainda faz sentido usar os termos direita e esquerda para designar posições políticas. Tratei do tema aqui algumas vezes. Numa delas, chamei para um artigo de Ángel Rodríguez Kauth ("Izquierda y derecha en politica"); noutra, abordei a díade em entrevista ao jornal A Tribuna, de Criciúma, a propósito da conjuntura brasileira. Reproduzo um trecho, remetendo em seguida para os artigos da Folha:

"A Tribuna - Nas últimas eleições, ainda havia parcela do eleitorado que votou em Lula por ele ser de "esquerda". Nas reeleições do ano que vem, este será um argumento válido? Houve algo diferente nesse governo que possa qualificá-lo, de alguma forma, de ser mais à esquerda que FHC?

OT - “Se FHC era neoliberal, então Lula também é. Lula foi eleito para mudar, mas limitou-se a prosseguir a herança de FHC, apesar de chamá-la de maldita. Na verdade, ele e seu partido não tinham projeto algum. Como se diz - corretamente - tinham um projeto de poder, mas não de governo. Aparelharam o Estado e pretendiam ficar muito tempo no poder, inclusive comprando deputados no Congresso, praticando um fisiologismo pior que aquele que sempre condenaram no discurso.

A Tribuna - Ao longo da história, o termo "esquerda" sempre foi uma noção fluida. Nestas eleições, como essa questão se coloca diante do eleitor brasileiro?


OT - “Você tocou num ponto importante: será que a distinção entre esquerda e direita sobrevive? Os italianos foram os primeiros a discutir isto, no início dos anos 90, depois do desmantelamento da União Soviética e da derrubada do Muro de Berlim. O filósofo Norberto Bobbio escreveu um livro sustentando que a díade (como ele chamava) não morreu. Esquerda e direita teriam uma posição diferente em relação à igualdade, sendo a primeira igualitária e a segunda, inigualitária. Este seria, segundo Bobbio, o critério de distinção entre uma posição e outra. A esquerda teria uma sensibilidade maior para a redução das desigualdades. Do lado oposto ao de Bobbio colocou-se outro filósofo, Lucio Colletti, para quem não tinha mais sentido falar-se em esquerda e direita depois do fim da União Soviética e da falência do chamado "socialismo real". Até então o que era "direita"? O liberalismo, a defesa da economia de mercado, a livre concorrência, a não invasão do Estado na economia. E o que era "esquerda"? A propriedade coletiva ou pública dos meios de produção, a nacionalização (estatização) das grandes empresas e dos bancos, a economia dominada, dirigida pelo Estado (lembre-se os famosos "planos qüinqüenais" da URSS). Hoje tendo a concordar mais com Colletti. Se a noção antes era vaga e fluida, como você mesmo diz, atualmente ela se tornou nebulosa. Alguém ainda chamará de "esquerda" a ditadura cubana, só porque mantém tudo sob rígido controle estatal? E alguém dirá que os Estados Unidos, com sua liberdade de mercado e seu capitalismo, simbolizam a "direita"? Considerando-se esses argumentos, como dizer que Lula estaria mais à esquerda do que FHC?”

Ainda faz sentido usar os termos direita e esquerda para designar posições políticas?

SIM

Mais do que meros rótulos

MARIA HERMÍNIA TAVARES DE ALMEIDA

Os termos esquerda e direita servem tanto para a auto-identificação de pessoas, grupos e partidos quanto para descrever visões sobre a política e dar clareza aparente à disputa pela influência e comando sobre as decisões públicas. No primeiro caso, as palavras esquerda e direita continuarão válidas enquanto houver quem se proclame de esquerda ou de direita -qualquer que seja a opinião que se possa fazer sobre a propriedade da auto-rotulação. No segundo caso, a resposta é mais complexa, porque supõe atribuir conteúdos mais precisos a ambas as palavras.
Hoje, como no passado, cada uma delas abarca visões bastante distintas sobre a sociedade, a política e as agendas desejáveis de governo. Ainda assim, melhor seria falar em esquerdas e direitas, tal a variação de pontos de vista no interior de cada campo.
Existe uma esquerda autoritária, que vibra com as arengas de Fidel Castro, e uma esquerda democrática, que se inspira no espanhol Felipe González, na irlandesa Mary Robinson ou na norueguesa Gro Brundtland; uma direita autoritária e antiliberal, que admira o francês Le Pen e os skinheads, e uma direita ultraliberal, que venera a inglesa Margaret Thatcher.
Nos últimos tempos, as correntes autoritárias -em uma ponta e na outra do espectro político- perderam espaço e importância para aquelas que aceitam as regras do jogo democrático e o capitalismo.
O socialismo autoritário, talhado pelo figurino soviético, foi sepultado sob os escombros do Muro de Berlim -depois de ter sido desnudado pela primeira vez no Relatório Kruchev, há exatos 50 anos. Restou como anacronismo no Caribe e na Coréia do Norte.
A direita xenófoba, é bem verdade, renasceu na Europa unida e tomada por imigrantes do Terceiro Mundo (que se dispõem a fazer o que os nativos enjeitam). Mas está longe de ser uma alternativa de poder.
Já a distância entre esquerda democrática e direita democrática diminuiu. Isso não é novo. Na democracia, a disputa pelo voto tende a produzir convergências em torno de posições com mais chances de êxito eleitoral. A competição democrática tende a empurrar os partidos para o centro. O novo nos últimos 20 anos é que, nessa marcha, a esquerda democrática andou mais -para frente ou para trás, cada qual que o julgue-, aproximando sua agenda daquela defendida pela direita liberal.
Quer dizer que as diferenças entre esquerda e direita deixaram de existir? Não creio.
Como o pensador italiano Norberto Bobbio (1909-2004), acredito que o tema da igualdade é o grande divisor de águas entre elas. Diz respeito à distribuição de recursos e oportunidades entre os membros de uma sociedade. A direita democrática, que defende a igualdade civil e política, considera naturais e aceitáveis as desigualdades produzidas pela economia de mercado, aposta na capacidade dos indivíduos de prover a própria subsistência e quer reduzir ao mínimo a atuação dos governos sobre o mercado, além de rever o sistema de proteção social erigido ao longo do século 20.
A esquerda democrática concebe a igualdade de maneira mais ampla. Ela deve comportar não só garantias individuais e direitos políticos mas também direito a bens e serviços que assegurem aos cidadãos, no curso da sua vida, condições decentes de existência e acesso a oportunidades e recursos sem discriminações. Defende a economia de mercado, mas sabe de suas imperfeições e das conseqüências socialmente perversas que elas produzem. Aceita a competição, mas sabe que é necessário equalizar as condições em que ocorre.
Na realidade, o que distingue a esquerda democrática da direita democrática é o objetivo de reduzir as desigualdades ao mínimo compatível com a preservação das liberdades individuais e da democracia. Propriedade estatal ou regulação pública de atividades privadas; provisão de bens e serviços pelos governos, por empresas privadas ou por organizações não governamentais -são apenas meios, e não fins. Não é por aí, portanto, que se distingue a esquerda democrática.
Em suma, enquanto a igualdade entre as pessoas for um valor moral e político amplamente compartilhado, e enquanto sociedades e mercados continuarem produzindo desigualdades de vários tipos, os termos esquerda e direita continuarão a fazer sentido.


Maria Hermínia Tavares de Almeida, doutora em ciência política pela USP, é professora titular do Departamento de Ciência Política e vice-diretora do Instituto de Relações Internacionais da USP.

NÃO

Camisa-de-força fadada à obsolescência

BOLÍVAR LAMOUNIER

No plano interno das democracias, o mundo atual se caracteriza por uma sensível redução das distâncias ideológicas. Como conseqüência, a competição partidária se tornou multipolar e a expressão direita X esquerda deixou de ser o eixo dominante em torno do qual se estruturava antigamente o imaginário político.
A mencionada dicotomia ainda serve, é claro, para designar os papéis que certos intelectuais e agrupamentos políticos ativos se auto-atribuem, principalmente no que se refere à questão das desigualdades de renda e riqueza.
Em termos bem gerais, os (poucos) que se identificam como "direita" priorizam a estabilidade em relação ao crescimento e preferem melhorar a distribuição da renda por meios indiretos (notadamente a educação). No lado contrário, o termo "esquerda" designa prioridade ao crescimento sobre a inflação, preferência por meios diretos e auto-atribuição de um maior empenho ou maior competência na implementação de programas redistributivos. É óbvio que as ações do Estado contemporâneo não se encaixam satisfatoriamente nesses rótulos, sendo hoje a inversão de papéis entre governos de direita e de esquerda ocorrência freqüente.
Até três décadas atrás, o veio principal da esquerda era constituído pelos PCs (partidos comunistas). Estes perderam a sua referência principal quando a URSS e seus satélites desmoronaram e a China deu sua forte guinada para a direita. Cuba, obviamente, não dá para o gasto. O que a queda do Muro de Berlim simbolizou não foi o começo, e sim o ponto de não retorno em uma grande reordenação do poder mundial, por sua vez apoiada em importantes transformações econômicas, tecnológicas e sociopolíticas, entre outras.
Uma evocação, mesmo esquemática, das raízes históricas da expressão direita X esquerda será suficiente para ressaltar o envelhecimento desses conceitos. De meados do século 19 até a Segunda Guerra Mundial, período de sua máxima vigência, os termos esquerda e direita eram ícones contrapostos em uma representação abrangente do universo social. Aludiam a uma divisão infranqueável da sociedade em dois campos: um, devotado à destruição revolucionária da ordem existente, ao aprimoramento da sociabilidade humana e à construção de uma sociedade igualitária; o outro, resistindo compactamente a tal projeto.
A missão histórica de instaurar a sociedade sem classes caberia à classe operária e "seu" partido, que assumiriam o controle do Estado e o converteriam na "ditadura do proletariado". Nas "democracias burguesas", o Estado poderia eventualmente ser conquistado pela via eleitoral e posto a serviço de reformas sociais progressivas, mas abrangentes.
Essa parte do sonho esquerdista foi por água abaixo em três etapas: primeiro, a petrificação totalitária da URSS; segundo, a generalizada autotransformação de dirigentes partidários de esquerda em uma nova elite burocrática, fenômeno detectado já nos anos 20 por Robert Michels; terceiro, a chamada crise fiscal nos países ocidentais avançados, evidenciando de uma vez por todas que o Estado-demiurgo tinha as mãos e os pés atados.
Por último, mas não menos importante, o que se poderia denominar o conhecimento do conhecimento. Nos primórdios, a esquerda julgava-se portadora de um conhecimento superior, suficiente para decifrar até o devir histórico. Acreditava tanto quanto os piores capitalistas na possibilidade de um progresso material acelerado e por tempo indefinido, sem restrições ambientais.
Hoje, sabemos que sabemos muito pouco. Sabemos, para começo de conversa, que a promoção do crescimento não é uma questão trivial. Sabemos que reduzir expressivamente as desigualdades sociais não é fácil, mesmo com a economia crescendo a taxas elevadas durante um bom período.
Sabemos como reduzir a pobreza? Como acabar com os preconceitos (de raça, de gênero, de origem regional etc.)? Como melhorar a qualidade do ensino e motivar os jovens para o estudo? Como controlar o consumo de drogas, o narcotráfico e a criminalidade? Não, na verdade, não sabemos. Sabemos apenas que a violência assumiu proporções que ninguém naquela época poderia ter antevisto.
Esse novo universo social e político obviamente não cabe no singelo modelo bipolar das velhas esquerdas. No mundo atual, o Estado faz uma parte, organizações partidárias fazem outra, ONGs, ainda outra, e empresas privadas também contribuem. O quadro de relacionamentos, parcerias e sinergias tem, portanto, uma complexidade que os antigos adeptos da tomada revolucionária do poder não poderiam ter sequer cogitado.


Bolívar Lamounier, doutor em ciência política pela Universidade da Califórnia (EUA), é sócio-diretor da Augurium Consultoria e autor do livro "Da Independência a Lula: Dois Séculos de Política Brasileira" (2005), entre outras obras.

EM TEMPO: leia também as interessantes proposições de Paulo Roberto Almeida em Cousas Diplomáticas.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Lula e os bancos

Os bancos brasileiros, sejam públicos ou privados, continuam alcançando recordes históricos de lucratividade, como noticiaram ontem os jornais. A Folha de São Paulo, por exemplo, reconhece em editorial que, “embora presente há anos, não deixa de ser perturbadora a diferença entre o desempenho dos bancos e a performance pífia da economia brasileira."

E completa: "no ano de 2005, o PIB do Brasil cresceu apenas cerca de 2,5%, um ritmo bem inferior ao da economia global (4%) e, mais ainda, da média das grandes economias emergentes (6%). Há um contraste evidente entre rentabilidades sobre o patrimônio superiores a 30% e o medíocre desempenho do país. A política econômica e a regulação financeira ainda não foram capazes de induzir os bancos a contribuir mais decisivamente para o desenvolvimento.”

Ora, não há nenhuma surpresa nesses lucros estratosféricos, como sabe qualquer correntista com saldo negativo. Surpresa seria se os bancos tivessem prejuízos sob o "bancófilo" governo Lula, que o brasilianista Thomas Skidmore chamou de "campeão dos capitalistas". Aliás, não foi à toa que veio de um presidente da Febraban, já no primeiro semestre do ano passado, a idéia de reeleger o ex-sindicalista. Lula e o PT sempre estiveram assim com os banqueiros.

A proeza constitucional do lulismo

Basta lembrar um fato. Qual foi a primeira Emenda Constitucional apresentada no governo Lula? Foi exatamente a Emenda nº 40, aprovada ligeirinho (29 de maio de 2003) na Câmara dos Deputados – presidida então por João Paulo Cunha, hoje na fila da guilhotina justamente por ter recebido um “brinde” do banco BMG -, antes mesmo da Reforma da Previdência.

A emenda modificou especialmente o Art. 192, que reza o seguinte (não riam): “O sistema financeiro nacional, estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será regulado por leis complementares que disporão, inclusive, sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições que o integram.”

Mais importante não é o que foi acrescentado, mas o que foi revogado. E revogados foram todos os oito incisos do artigo 192. Um deles (precisamente o VIII, parágrafo 3º) fixava em 12 por cento ao ano a taxa de juros reais, definindo a cobrança acima deste limite como “crime de usura, punido, em todas as suas modalidades, nos termos que a lei determinar.”

Certo, pode-se argumentar que não cabe a uma carta magna a fixação de taxas de juros. Mas não deixa de ser digno de nota que o tal artigo passou incólume pelos 8 anos do governo “neoliberal”, “entreguista” e "privatista" de FHC. Coube ao suposto "governo dos trabalhadores" limpar o terreno - um trabalho a que ele se dedicou com zelo e presteza incomparáveis. Uma façanha que passou despercebida.

Pelos bons serviços prestados ao setor financeiro, é claro que 10 entre 10 banqueiros preferem Lula. Caso não seja possível reelegê-lo, então que seja o Picolé de Chuchu. Qualquer um, menos Serra. Serra não, Serra é um perigo: é muito independente, esquerdista etc.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Professor da UFSC é espancado pela polícia



Meu amigo e colega da Universidade Federal de Santa Catarina, professor Nilson Lage, autor de várias obras sobre jornalismo, foi preso e agredido por policiais militares de Florianópolis no último final de semana. Em nota divulgada hoje, várias entidades locais e nacionais denunciam a violência. Publico abaixo o documento, na íntegra, e manifesto minha solidariedade ao professor. Nilson trabalhou em vários jornais brasileiros, por mais de 40 anos, e foi também professor da UFRJ. É lamentável e estarrecedor que venha a sofrer sevícias aos 69 anos de idade, em pleno regime democrático, por parte de quem tem por função zelar pela segurança do cidadão.

"As entidades e instituições abaixo relacionadas denunciam com veemência a inexplicável e bárbara violência cometida contra o professor universitário, jornalista e escritor Nilson Lage, preso e espancado por policiais militares no último final de semana, em Florianópolis, Santa Catarina.

O professor Nilson Lage sentiu-se mal no último sábado, quando dirigia no bairro onde vive, em Florianópolis, conseguiu parar o carro, mas ficou desacordado. Em vez de receber a ajuda que necessitava naquele momento, foi hostilizado pela Polícia Militar ao ser encontrado dormindo dentro do veículo. Foi algemado, jogado em um camburão e levado a uma delegacia. As marcas em seu corpo – principalmente nos punhos e nos ombros – comprovam a inexplicável violência contra um senhor que neste 2006 completa 70 anos de idade.

Nilson Lage conta com uma trajetória de amplos serviços prestados ao longo dos últimos 50 anos como jornalista, professor e pesquisador do jornalismo. Trabalhou, como profissional jornalista, nas principais redações do Rio de Janeiro, entre as quais as do Diário Carioca, Jornal do Brasil, Última Hora, O Globo, Bloch Editores e TVE. Paralelamente, fez uma brilhante carreira acadêmica como professor da Universidade Federal Fluminense, Universidade Federal do Rio de Janeiro e outras instituições de ensino. Desde 1992, trabalha como professor Titular do Curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. É autor utilizado como referência em todos os cursos de graduação e citado em dissertações e teses sobre jornalismo, com obras vendidas aos milhares.

Reiterando nosso protesto pela violência do comportamento policial, solicitamos às autoridades competentes a apuração do caso, a punição dos responsáveis, o reparo dos danos morais e a tomada de providências quanto ao preparo das nossas polícias, para que lamentáveis fatos como estes não voltem a ocorrer em Santa Catarina ou em qualquer lugar do país.

São injustificáveis e inaceitáveis espancamentos por quem deve garantir a paz, e o abuso da força por quem, ao tê-la, deve impedir o seu uso. Lembramos que justamente aqueles que detêm o poder devem assegurar tratamento humano e digno a todos os cidadãos."

23 de fevereiro de 2006

Federação Nacional dos Jornalistas - FENAJ

Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo – FNPJ

Sociedade Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo – SBPJor

Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina – SJSC

Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro - SJPMRJ

Associação dos Professores da Universidade Federal de Santa Catarina – APUFSC – Seção Sindical do Andes

Centro Acadêmico Adelmo Genro Filho do Curso de Jornalismo da UFSC

Departamento de Jornalismo da UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina.

(Veja matéria no site Universidade Aberta)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

A impontualidade brasileira

Deixemos de lado a sisuda epistemologia para brincar um pouco. Para isto, nada melhor que a proverbial impontualidade brasileira, que mereceu até um incipiente dicionário. Corre pela rede o Dicionário Brasileiro de Prazos, que reproduzo do excelente blog Cousas Diplomáticas (link ao lado), do professor e diplomata Paulo Roberto Almeida. Aliás, sua página dispõe do mais completo dossier sobre o affair charges de Maomé, com artigos de vários países. Recomendo especialmente o artigo "Tradicionalismo e modernização nas sociedades islâmicas", do próprio PRA. Vale a pena visitar (e consultar). Mas vamos ao

DICIONÁRIO BRASILEIRO DE PRAZOS

Para evitar que estrangeiros nos entendam mal, está sendo compilado o Dicionário Brasileiro de Prazos, que já deveria estar pronto, mas atrasou...

DEPENDE: Envolve a conjunção de várias incógnitas, todas desfavoráveis. Em situações anormais, pode até significar sim. O mais comum é que signifique diversos pretextos para dizer não.

JÁ, JÁ: Aos incautos, pode dar a impressão de ser duas vezes mais rápido do que já. Ledo engano; é muito mais lento. Faço já significa que é a primeira prioridade, enquanto Faço já já quer dizer apenas - assim que puder vou pensar a respeito.

LOGO: Logo é bem mais tempo do que dentro em breve e muito mais do que daqui a pouco. É tão indeterminado que pode até levar séculos. Logo chegaremos a outras galáxias, por exemplo. É preciso também tomar cuidado com a frase Mas logo eu?, que quer dizer Tô fora.

NO MÁXIMO: Essa é fácil: quer dizer no mínimo. Exemplo: Entrego em meia hora no máximo. Significa que a única certeza é de que a coisa não será entregue antes de meia hora.

PODE DEIXAR: Traduz-se como nunca mais.

POR VOLTA: Similar a no máximo. É uma medida de tempo dilatada, em que o limite inferior é claro, mas o superior é totalmente indefinido. Por volta das 5h quer dizer - a partir das 5 h.

SEM FALTA: É uma expressão que só se usa depois do terceiro atraso. Porque depois do primeiro, deve-se dizer - fique tranqüilo que amanhã eu entrego. E depois do segundo - Relaxe, amanhã estará em sua mesa. Só aí é que vem o "amanhã, sem falta".

UM MINUTINHO: É um período de tempo incerto e não sabido, que nada tem a ver com um intervalo de 60 segundos e raramente dura menos que cinco minutos.

VEJA BEM: É o day after do depende. Significa Viu como pressionar não adianta?. É utilizado da seguinte maneira: "Mas você não prometeu os cálculos para hoje?" Resposta: "Veja bem..."

xiiiiiiii...: Se após a frase: Não vou mais tolerar atrasos, você ouvir este som entenda que ele exprime dó e piedade por tamanha ignorância sobre nossa cultura.

ZÁS-TRÁS: Palavra em moda até uns 30 anos atrás e que significava ligeireza no cumprimento de uma tarefa, com total eficiência e sem nenhuma desculpa. Por isso mesmo, caiu em desuso e foi abolida do dicionário.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Um antropólogo contra o relativismo


Afirmei na nota anterior que a influência do relativismo pós-moderno é mais visível na antropologia, mas isto não significa que todo antropólogo seja relativista. Cito como exemplo o antropólogo social (e filósofo) tcheco-britânico Ernest Gellner (1925-1995), pensador pouco divulgado no Brasil.
Ele critica particularmente o relativismo cognitivo, isto é, a idéia de igualdade cognitiva de todos os estilos de pensamento. Por essa ótica distorcida,uma encíclica papal teria o mesmo valor cognitivo de uma teoria científica moderna - já que tudo é reduzido a "discurso", "texto", etc. - e a ciência não seria mais que um sistema de crenças entre outros, todos em pé de igualdade. Assim, uma afirmação factual (científica ou mitológica) só poderia ser considerada verdadeira ou falsa em relação a uma determinada cultura. Não é, com razão, o que pensa Gellner:

O mundo em que vivemos é definido, acima de tudo, pela existência de um sistema de conhecimento único da natureza, instável e poderoso, e pela relação corrosiva e conflituosa que mantém com outros conjuntos de idéias ("culturas") que orientam a vida dos homens.(...)

Existe um conhecimento externo, objetivo e que transcende a cultura:
existe, de fato, um "conhecimento para além da cultura." Todo o conhecimento deve realmente ser articulado num idioma, mas existem idiomas capazes de formular questões de um modo tal que as respostas deixam de ser ditadas pelas características internas desse idioma, ou da cultura que lhe dá corpo, para passar a sê-lo, pelo contrário, por uma realidade independente. A faculdade, inerente à cognição, que lhe permite ultrapassar as fronteiras de um qualquer casulo cultural e atingir formas de conhecimento válidas para todos - e, conseqüentemente, um entendimento da natureza que resulta numa tecnologia extraordinariamente poderosa - constitui o fato crucial das nossas condições sociais comuns.

Os excertos foram retirados do belo livro Pós-modernismo, razão e religião (Lisboa: Instituto Piaget, 1994), obra que apresenta, de quebra, uma oportuna análise do Islã. Veja aqui o site dedicado a Gellner.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006

Relativismo pós-moderno. Fuja dele!


O relativismo pós-modernista é avesso à idéia de que existe um conhecimento externo, objetivo, independente das culturas. Manifesta horror a noções como "fato" e "objetividade" e considera as ciências apenas um tipo de discurso entre outros. Tudo não passaria de "texto". E textos estão aí para serem "desconstruídos".

Para os seguidores do movimento pós-modernista, tudo o que existe só existe em função do significado que lhe é conferido. Assim, acreditar na existência de fatos objetivos e, ainda mais, que esses fatos sejam acessíveis e explicáveis por meio de uma teoria objetiva, independente do observador e de qualquer cultura, é coisa de "positivista".

Mero discurso ou "narrativa", a ciência é ideológica, isto é, instrumento de dominação de uma civilização "branca", "eurocêntrica", "opressora", "machista", "heterossexual" etc. Para a cultura do "politicamente correto", não existe uma racionalidade universalmente válida: culturas diferentes, racionalidades diferentes.

Sob a bandeira do relativismo campeiam o multiculturalismo, o perspectivismo, o social-construtivismo, os estudos culturais e de "gênero", o ecofeminismo, o ressentimento contra as ciências naturais. Sua influência é particularmente visível na antropologia e nos estudos literários, mas já se espraia em outras áreas das ciências humanas.

O generoso guarda-chuva do relativismo pós-modernista abriga algumas preciosidades. Sirvam de exemplo estas três: 1) a ciência moderna, especialmente a Física, é "não apenas sexista, mas também racista, classista e culturalmente repressora" (Sandra Harding); 2) os cientistas "torturam a natureza" para dela extrair segredos, como a submissão da pobre matéria a altas energias nos aceleradores de partículas (Evelyn Fox Keller); e 3) a lógica é "uma ferramenta de dominação", incompatível, assim como a Matemática, com "os modos femininos de conhecer" (cit. por Noretta Koertge, em artigo publicado na Skeptical Inquirer).

Eis a bruma que o pós-modernismo ajuda a disseminar.

(Leia "As conseqüências absurdas do relativismo pós-moderno", um artigo claro e didático disponível no site português Filosofia e Educação. No site de Alan Sokal - link ao lado - você pode encontrar outras críticas às vertentes pós-modernistas).

Roqueiro chapa-branca


E dá-lhe rock. Desta vez em São Paulo, com os irlandeses do U2.
Bono, o líder da banda, vestido como cowboy,
mal chegou e já foi bajular o presidente Lula.
Bloody sunday, realmente.
Já não se fazem mais roqueiros como "antigamente".

(Foto: Lula Marques/Folha Imagem)

domingo, 19 de fevereiro de 2006

Um governo ideal para o Bananão

Em comentário ao post abaixo, Romeu Martins propõe uma bem humorada campanha iconoclástica:

ET para presidente;

Mr. Spock para ministro da Educação;

Predador para as Relações Exteriores (perfeito, Romeu);

Super-Homem para o ministério da Defesa;

Alien para a Casa Civil.

Aproveito para ajuntar mais algumas sugestões:

007 no setor de Arapongagem;

Tio Patinhas na secretaria do Tesouro Nacional;

Tarzan no ministério do Meio Ambiente;


Fantasma no ministério da Justiça;

Hulk na secretaria de Infra-Estrutura;

Mulher Maravilha no ministério da Cultura;

Jeca Tatu no ministério da Integração Nacional.


Que nomes você sugeriria para os demais ministérios e órgãos do governo?

sábado, 18 de fevereiro de 2006

Jagger for president


Entre Lula (I can't get no satisfaction) e o velho roqueiro dos Stones, também fico com este último. Assino embaixo. It's Only Rockn'Roll (But I Like it).

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2006

Liberdade de expressão e as caricaturas de Maomé


Num interessante artigo sobre o problema da liberdade de expressão, Pedro Madeira, pós-graduando no King's College London, analisa no site Crítica (link ao lado) a publicação das caricaturas dinarmarquesas sobre Maomé. A questão, segundo ele, é saber em que casos pode o Estado legitimamente interferir na liberdade dos cidadãos. O ponto de partida de Madeira é o chamado "princípio da agressão", do filósofo empirista inglês John Stuart Mill (1806-1873), exposto em Sobre a liberdade (1859). Cito um trecho do artigo que sintetiza as questões suscitadas à luz do texto de Mill:

"Será que o princípio da agressão é ou não favorável à publicação de caricaturas como as que foram recentemente publicadas sobre Maomé? Como já foi dito, o ônus da prova está sempre do lado de quem quer proibir, e não do lado de quem quer permitir; por isso, o ônus da prova está do lado de quem quer proibir a publicação do tipo de caricaturas em questão. Só vejo três tipos de argumentos que alguém que aceite o princípio da agressão mas se oponha à publicação pode usar: o argumento de que a publicação das caricaturas constitui uma agressão; o argumento de que a publicação das caricaturas constitui uma incitação à violência; e o argumento de que a própria revista dinamarquesa, antevendo as graves consequências da publicação das caricaturas, se devia ter coibido de as publicar, por um ato de auto-censura."

Boa leitura.

Picaretagem "acadêmica"


Recebi através de um amigo o e-mail transcrito abaixo, enviado por um grupo de picaretas que diz fazer qualquer trabalho acadêmico de encomenda, para graduação ou pós-graduação. O pior é que esse tipo de atividade é cada vez mais freqüente. Mais desonestos que esses mercadores são os alunos que recorrem a esse expediente criminoso. Reproduzo com os erros:

"Está sem tempo para fazer os trabalhos de sua faculdade ou pós graduação?
Nós da Oficina Para Acadêmicos, podemos te ajudar na Idealização e Digitação de trabalhos universitários: Monografia, Projetos, Trabalho de Conclusão de Curso, Dissertação, Tese, Resenha, Resumo, Relatório. Incluindo pesquisas de campo se for necessário. Atendimento nas seguintes áreas: Administração, Contabilidade, Direito, Odontologia, Biologia, Tecnologia de Alimentos, Engenharia de Alimentos, Educação Física, Ciências da Computação, Pedagogia, História, Geologia, Astronomia, Geografia.
Não trabalhamos com textos prontos, tudo é feito de acordo com a necessidade do aluno. Você nunca será acusado de plágio.
Temos experiência em mais de 2800 trabalhos feitos para alunos como você.
Se você ainda não escolheu seu tema, nós o ajudamos a escolher um tema que goste, para se sair bem na apresentação e defesa de seu trabalho.
Não fique se preocupando a toa com as normas da ABNT, em perder horas e horas de sono para digitar e preparar seu trabalho. Nós fazemos tudo para que você fique tranqüilo. Tudo o que terá que fazer é estudar o trabalho para fazer bem feita a apresentação. Se precisar indicamos alguns livros para que você estude o tema.
O preço varia de acordo com o número de laudas e urgência do aluno. Nossa equipe está preparada para fazer seu trabalho em poucos dias, em caso necessidade.
Informações SOMENTE através do e-mail: oficinaparaacademicos@hotmail.com. Após enviar seu e-mail, nós entraremos em contato fornecendo nosso MSN, skype para atendimento on-line e números de telefone fixo e celular."

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

Vão gastar assim no inferno!

"O governo Lula gastou 40% a mais com serviços e materiais de caráter secreto ou reservado, em 2005. Foram desembolsados R$ 18,3 milhões com essas ações classificadas por lei como de interesse da segurança do Estado e da manutenção da ordem política e social. O aumento é referente não só ao ano de 2004, como também supera a média dos últimos dez anos, que ficou em torno de R$ 11 milhões, em valores reais."

A dica está no Jus Sperniandi, blog do amigo e conterrâneo Ilton Dellandréa, que vale a pena visitar todos os dias. Leia a notícia completa no Contas Abertas, do UOL.

Recuerdos de Ideliiiiii

O site Primeira Leitura (link ao lado) noticiava em 23 de agosto de 2005, a propósito da eletrizada figura do post abaixo, hoje líder do PT no Senado:

De Thiago Reis, para a Folha: "O Ministério Público Federal instaurou um inquérito civil público para apurar se houve irregularidades na veiculação de propaganda da senadora Ideli Salvatti (PT) em Santa Catarina. De acordo com o procurador da República em Tubarão (SC), Celso Antônio Três, 398 outdoors com a imagem da senadora foram espalhados neste ano pelo Estado para exaltar as obras de duplicação da rodovia BR-101 feitas pelo governo federal. Segundo ele, a Constituição proíbe propaganda pessoal de obra pública: 'Não se pode associar qualquer obra ou feito da administração pública à imagem, à pessoa de alguém'. A pena para a infração é de multa. De acordo com Celso Três, que investiga gastos do governo federal em publicidade em Santa Catarina, o fato mais 'inusitado', no entanto, é que Salvatti tenha gasto mais do que o seu patrimônio para pagar os outdoors. À Justiça, na última eleição, a senadora declarou um patrimônio de R$ 132 mil. Segundo ele, um levantamento com agências de publicidade aponta um valor não menor que R$ 1.000 por outdoor, dada a qualidade do trabalho - ou seja, um gasto de quase R$ 400 mil. Para o procurador, 'quando eclodiu o problema da CPI, sumiram os outdoors, de imediato, o que chamou a atenção de todo mundo no Estado'."

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

Ideli rides again


Atenção, blogueiros, esfreguem as mãos porque o ano eleitoral promete boas cenas: a senadora Ideli Salvatti é a nova líder do PT no Senado. Buldogue do lulismo, foi escolhida por orientação do próprio Lula, por ter perfil mais "agressivo" e, portanto, mais adequado aos embates eleitorais. Bom para Lula, de fato: ela seguirá caninamente as recomendações do Palácio. Diversão garantida para os telespectadores da TV Senado: veremos atuações eletrizantes e mesmerianas como a da foto (surrupiada do blog da Nat, obrigado), principalmente se alguém por perto mencionar a fatídica palavra outdoor.

Ah, os bravos gauleses...

O Supermercado Carrefour, um dos símbolos da França no exterior, também boicota produtos da Dinamarca, "solidarizando-se" com a comunidade islâmica & egípcia. É o fundamentalismo religioso - incentivado por regimes autoritários como os do Irã e da Síria - interferindo no mundo secular. Isto na terra de Asterix e dos filósofos falastrões.
Oportunismo ou covardia?

P.S.: Roberto Romano, a quem agradeço, reproduz esta nota em seu blog. E faz uma interessante proposta, que desde já aceito: "façamos um movimento para ninguém, no Brasil, comprar naqueles estabelecimentos covardes e que pensam lucrar com a morte de nossas liberdades."

(Foto: A Mão Invisível, link ao lado).

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Profeta da desgraça

"Onde estão os fundamentalistas europeus?

Onde estão os fundamentalistas da democracia e do Estado laico?

Onde estão os fundamentalistas da liberdade de expressão e dos direitos humanos?

Onde estão os nossos líderes europeus quando precisamos deles?

Já escorreu na história demasiado sangue sob as ruas das capitais européias para tolerarmos um retrocesso tão grande.

Não podemos nem devemos pedir desculpas pelos direitos seculares que os nossos antepassados conquistaram à ignorância, aos bárbaros e à inquisição.

Será abdicarmos da nossa civilização e da nossa forma de vida.

Foi a tolerância de Roma que a fez cair, não nos esqueçamos disso.

Não deveriam os europeus cair de forma tão fácil na agenda política concertada de um conjunto de teocratas e líderes islâmicos e sobretudo ajudar com isso a política fragmentária do Irã."

(Do site português A Mão Invisível, que assim se apresenta: A Mão Invisível é filha de vários pais, uns mais ingleses, outros mais americanos, outros ainda mais austríacos, uns - poucos - benevolamente continentais e todos, com maior ou menor parcimónia, maior ou menor relutância, declaradamente portugueses)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Até o "Rei" já cansou

Mais preocupado com questões místicas, ele não costuma falar em política. Mas, viajando no cruzeiro "Emoções pra Sempre", no navio Costa Vitória, soltou-se: "eu espero que o que aconteceu neste governo não se repita nunca mais e que a gente consiga votar em alguém que não nos decepcione." Aplausos.
Roberto Carlos disse reconhecer que "votar é muito difícil" e que "é difícil acertar plenamente e colocar no governo alguém que faça coisas com bom resultado, mas já está no tempo de a gente aprender isso." Mais aplausos.

Bem-vindo à terra, majestade!

Petrobras e Evo: tudo a ver.

A Petrobras continua generosa com o presidente sindicalista-cocaleiro Evo Morales, da Bolívia. Enquanto as relações do governo boliviano com outras empresas estrangeiras que investem no país se deterioram, a Petrobras continua de mão aberta por lá: investirá 5 bilhões de dólares no setor de gás.

Dada a instabilidade que caracteriza a Bolívia, o que o Brasil tem a ganhar com isto?

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Ludismo dominical

Só podia ser coisa da bendita Santa, que não tem mais o que fazer (tadinha...). Mandou pra frente esse arremedo de corrente em que cada um tem que revelar cinco manias e botar mais cinco no pelourinho. E quem me atirou na fogueira foi a pernambucana Maria, que até o momento não conhecia. Bem, como tenho a mania de achar que não tenho manias (rs) - e esta já é a primeira -, lá vai:
2 - Detesto quando erram meu sobrenome, como fez a própria Maria, que escreveu Tombosi. Se eu me chamasse Anselmo Pfuetzenreiter, tudo bem;
3 - Denomino isto aqui de Bananão (ave, Ivan Lessa) e acho que ele não vai dar certo nunca. Pessimismo ou realismo?;
4 - Temperatura acima de 30 graus para mim é porta do inferno. Só saio de casa forçado. E, claro, sempre sou forçado. Perambulo no escaldante spa de Satanás, portanto;
5 - Tal como a Santa (me pagas esta, ó divina!), detesto aglomerações, multidões e outros ões, excluídos, obviamente, os milhões, que esses - ô azar! - nunca vêm.
Ave, Maria. Está feito.

Chamo ao pelourinho:

1 - Ilton;
2 - Marília;
3 - Nat;
4 - Azimuth;
5 - Rayol, do Indignatus.

Sorry...

P.S.: quebrando a corrente, boto na roda também o PH.
Último P.S.: não confundir o título com "Lulismo dominical"...

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Romano e a ética dos imorais


Já está nas bancas a edição de fevereiro da revista Primeira Leitura. A capa traz Roberto Romano, filósofo e professor da Unicamp, entrevistado por Reinaldo Azevedo sobre - entre outros temas - a "Ética da barbárie" prevalecente em nossos dias, que imola o indivíduo em nome do Coletivo. Para Romano, a moral do indivíduo é justamente a defesa contra o totalitarismo.

Criticando o arrivismo dos petistas (Lula e a entourage sindicalista inclusive), Romano observa que, para os arrivistas, o que vale é o imediatismo ("não há tempo para a leitura, a teoria, a análise. É preciso fazer."). Daí o voluntarismo, muito próximo de colorações fascistas. "No meu entender, hoje, toda a característica que o PT está apresentando é mais um pensamento fascista do que um pensamento marxista (...). Porque não há ideologia. Eles não são trotskistas, eles não são marxistas, eles não são nada."

Por outro lado, completa Romano, "a política econômica tem as suas virtudes, tem os seus defeitos, mas são virtudes e defeitos que não estão ligados à doutrina do partido. É uma aposta, não é uma coisa orgânica, para usar a linguagem que eles gostam muito. Então, o que você tem, no fim? Uma prática voluntarista que não se baseia num diagnóstico político. Pode-se questionar o diagnóstico marxista, o diagnóstico liberal, tudo. O que não pode é não ter um diagnóstico."

De Nova York, o correspondente Hugo Estenssoro (autor de belíssimas resenhas), ele próprio um boliviano, submete à análise o presidente boliviano Evo Morales, novo ídolo pop da "Internacional Jornalística", demolindo os chavões e as mistificações do jornalismo a propósito da situação boliviana.

Boa leitura.

Nosso "Alemão" in Deutschland

Recebi nesta semana um gentil e-mail de Geraldo Hoffmann, meu ex-aluno nos anos 80 aqui em Florianópolis. Ele hoje mora na Alemanha, trabalhando como jornalista e webproducer. Na Deutsche Welle (que passa a figurar na lista de links ao lado), Geraldo é repórter, editor e, "às vezes, pauteiro", cobrindo assuntos de interesse brasileiro. É também repórter e editor-chefe de Tópicos, da Deutsch-Brasilianische Gesellschaft (Sociedade Brasil-Alemanha), de Bonn. Sua página pessoal ("um cartão de visita jamais concluído, enterrado no fundo da rede") abre com uma foto em que nosso Alemão lembra, certamente, seus tempos aqui no Bananão.

Obrigado pelo estímulo, amigo. Fico feliz em saber que você está bem, pessoal e profissionalmente, aí na civilizada Europa. Deseje boa sorte a nosotros, aqui embaixo, que ainda estamos longe de viver numa sociedade civilizada. Auf Wiedersehen!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Lenha na fogueira

Textos sacros, como a Bíblia ou o Alcorão, são fascinantes, desde que não interpretados literalmente, como um livro de história ou de ciência. O saudoso astrônomo e divulgador das ciências Carl Sagan alertava para um fato: se aceitamos a verdade literal de toda e qualquer palavra da Bíblia e do Alcorão, então o planeta Terra deve ser chato.

Trocando em miúdos, isto significa que aqueles que dizem que a Terra é redonda são ateístas. Sagan cita um exemplo: "em 1993, a suprema autoridade religiosa da Arábia Saudita, o xeque Abdel-Aziz Ibn Baaz, emitiu um edito (fatwa), declarando que o mundo é chato." A conclusão só pode ser esta: "todos os adeptos da hipótese da Terra redonda não acreditam em Deus e devem ser punidos."

Mas o astrônomo chama a atenção também para algumas ironias. "A evidência lúcida de que a Terra é uma esfera, reunida pelo astrônomo greco-egípcio Cláudio Ptolomeu no século II, foi transmitida para o Ocidente por astrônomos muçulmanos e árabes. No século IX, eles deram ao livro de Ptolomeu em que é demonstrada a esfericidade da Terra o nome de Almagesto, 'o maior'."

Mais uma vez, isto lembra o velho filósofo Norberto Bobbio: a história é mesmo um labirinto.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Nova Idade Média?

O amigo Sik (do SikSite, ao lado) lembra que o jornal L'Osservatore Romano, do Vaticano, aproveitou carona no ataque às charges sobre Maomé para criticar também peças de teatro apresentadas na Espanha, que ridicularizariam o papa e a Igreja Católica. Os dois episódios, segundo o jornal, configuram "atos de intolerância religiosa." Os chargistas dinamarqueses também apanharam do "evangelista" Bush.

Pronto. Era só o que faltava: juntam-se Maomé, Bush e o Papa. O mundo que se cuide. Sik acha que pode estar começando aí uma Nova Idade Média. Vade retro!

Leiam o que o filósofo da Lagoa da Conceição escreveu a propósito das religiões em Jucrislã.

Festival dos cartunistas

O chargista Angeli pegou bem o "espírito da coisa". (Surrupiado da Folha de hoje).

Os 7 "pecados dialéticos" da esquerda


Em ensaio publicado na Revista Espaço Acadêmico nº 47 (abril 2005), o diplomata Paulo Roberto de Almeida, autor de vários estudos sobre relações internacionais e política externa brasileira, analisa os 7 grandes pecados da esquerda brasileira. Eis a lista (que, segundo Almeida, poderia ser maior):

1. A esquerda é estupidamente anti-mercado.
2. Ela é (falsamente) igualitarista.
3. Ela se posiciona contra a “democracia formal”, preferindo a “democracia real”.
4. A esquerda é geralmente estatizante (o que é, realmente, uma pena).
5. Ela é anti-individualista, preferindo os “direitos coletivos”.
6. Ela é tristemente populista e popularesca.
7. Também costuma ser voluntarística e anti-racionalista.


Vale a pena ler o texto. (A ilustração é da própria revista).

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Sobre o fundamentalismo islâmico

Kandinsky
De Luciano Pellicani, professor de sociologia em Roma, autor de Modernizzazione e secolarizzazione (Milão, Il Saggiatore, 1997), La società dei giusti. Parabola storica dello gnosticismo rivoluzionario (Milão, 1995) e I nemici della modernità (Ideazione, 2000), entre outros, sobre a "guerra cultural entre Oriente e Ocidente":

"A distinção entre poder temporal e poder espiritual é inaceitável para a civilização islâmica, que concebe a política e a religião como duas dimensões de uma única realidade indivisível: a Lei Divina incorporada no Alcorão. O islamismo (...) é uma civilização rigorosamente tradicionalsita, isto é, saturada de sacro. Como tal, não pode deixar de ver uma civilização como a ocidental, atravessada de um lado a outro pela rejeição do caráter sacro da tradição, um sistema de vida perverso, já que intimamente irreligioso. E, com efeito, o desencantamento do mundo, que é o coração do processo de secularização, gerou no Ocidente não só a laicização da cultura (...), mas o fenômeno da descrença de massa: um fenômeno que os guardadores da Sharia sempre viram com horror."
"Existe uma incompatibilidade orgânica entre a Modernidade e o Islã. O Islã, na medida em que é dominado pela idéia de que as leis feitas pelos homens são ímpias, se põe como antítese radical da Cidade secular, onde reina uma rigorosa delimitação da jurisdição normativa do sacro. Na cultura laica, o fundamentalismo islâmico só pode enxergar um agente de dissolução da tradição religiosa, portanto, uma força intimamente e irremediavelmente 'satânica', que é preciso deter de qualquer modo e com todos os meios, sob pena de se perder o 'caminho de Deus'."

(Excertos retirados do ensaio "La guerra culturale fra Occidente e Oriente. Il caso del fondamentalismo islâmico", do livro Modernizzazione e secolarizzazione).

Para refletir...

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Religiões e fanatismo

Alguém observou que o fanatismo só cresce - ou cresce mais facilmente - no terreno das religiões. De fato, é difícil identificar um fanatismo científico ou filosófico, por exemplo. Mas existiram e existem fanatismos ideológicos (refiro-me às ideologias seculares, já que a própria religião pode ser vista como ideologia).

O fanatismo religioso é intolerante porque se põe no plano do Absoluto: o Deus do monoteísmo. Não foi por acaso que os fanatismos se desenvolveram mais acentuadamente no âmbito das religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo, islamismo). Onde há um só Deus, não pode existir dúvida sobre sua vontade e seus mandamentos.

Os povos politeístas, em geral, foram mais tolerantes: se existem vários deuses, não há razão para supor que um deles é Absoluto. Os romanos são o grande exemplo histórico de tolerância em relação a todas as religiões - os povos por eles dominados podiam cultuar suas próprias divindades, isto é, não precisavam converter-se aos deuses de Roma.

Já as grandes religiões monoteístas - portadoras da Verdade única - produziram guerras, abusos, violências. Basta lembrar a destruição do paganismo, as Cruzadas, a imposição do batismo a todos os povos, a perseguição dos hereges, a queima das bruxas, a tortura. O fanatismo cristão de hoje procura abolir o estudo da teoria da evolução nas escolas norte-americanas. O fanatismo islâmico, por sua vez, justifica o terrorismo em nome de Deus. Porque absolutos, os fanatismos não admitem o exercício da dúvida, nem a compreensão de idéias e direitos diferentes dos seus.

Mas, ainda bem, nem só de fanatismo vivem as religiões.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

Estado e religião

Os países ocidentais preservam as liberdades (principalmente a de expressão) exatamente porque separaram a esfera secular da religiosa. Estado e religião são cindidos: o primeiro diz respeito ao mundo civil, o segundo trata da fé. Esta é a marca daquilo que chamamos de Modernidade. Os países islâmicos não passaram por essa ruptura, que fundamenta a própria democracia e impulsiona as ciências. Sem isto, jamais serão democráticos.
Uma simples charge ou caricatura pode desencadear reações violentas.
(Com um abraço para o Sik, link ao lado. Visite SupportDenmark.com As caricaturas, que não são lá essas coisas em termos de qualidade, estão aqui).

domingo, 5 de fevereiro de 2006

Dinheiro dos trouxas

Recomendo visita à página de Roberto Romano, professor de Filosofia e Ética da Unicamp. Por favor, leiam "No olho do furacão". Reproduzo um trecho, referente à entrevista do assessor de Relações Exteriores do governo Lula, Marco Aurélio Garcia, também professor da Unicamp:
Marco Aurélio Garcia: "Há pouco tempo descobri umas tantas coisas. Estava falando com um novo tesoureiro do partido, que me disse que todos os membros da Executiva Nacional cobravam salários muito altos, tanto os dos grupos majoritários como minoritários. Fui Secretário de Relações Internacionais durante dez anos, e membro da Executiva. Mas nunca recebi um salário, porque vivia do que ganhava como professor universitário. Um membro da tendência de esquerda, que também é professor universitário, cobrava salário de 7 200 reais (2.570 euros) por mês do partido. Isto é mais do que eu cobro atualmente pelo meu trabalho.

Ataque ao mérito

A demagogia ideológica, presente já na implantação de cotas para ingresso de alunos negros nas universidades, estende-se agora também ao ingresso de professores. Segundo a Folha, a Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) aprovou a reserva de 5 por cento das vagas a candidatos que se declararem negros ou "pardos". Pressuroso, o MEC já ameaça implantar o sistema nas universidades federais. Será, definitivamente, o fim do mérito.

Desde sua origem, há mais de mil anos, a universidade tem sido uma instituição pautada pelo mérito, isto é, pela escolha dos melhores candidatos, mediante critérios objetivos e independentemente de origem, sexo, cor etc. Os padrões são universalistas, e não particularistas ou individualistas - em suma, não relativistas. A instância do mérito é fundamental tanto para alunos quanto para professores. Caso vingue, a proposta instaurará a desigualdade - ferindo, de acordo com especialistas em Direito, um princípio constitucional. Mas o lulismo politicamente correto se esforça para introduzir no Bananão a divisão racial.

Falta pouco para enterrar de vez as universidades. Algumas, aliás, já nem merecem o nome. São escombros do que um dia foram. Transformaram professores em burocratas, não raro partidários; reduziram regras e práticas universais ao jogo do relativismo; assimilaram as ciências a um mero discurso ideológico entre outros.

O MEC pode agora jogar a última pá de cal.

P.S.: Raça é um conceito biologicamente insustentável. Quem duvidar, que leia os trabalhos do geneticista italiano Luigi Cavalli-Sforza. Nosso código genético é literalmente idêntico ao de todos os outros animais, plantas e bactérias até hoje observados no Planeta. Isto significa que todos os seres vivos provavelmente descendem de um único ancestral. Cor é simplesmente uma questão de pigmentação, ou seja, de adaptação ao ambiente ao longo do processo evolutivo.

sábado, 4 de fevereiro de 2006

Eleições 2006

Angeli.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Um acordão atrás do outro



Depois de mais uma negociata pela autopreservação ("Acordo tira Duda e lista de Furnas do foco da CPI", manchete da Folha),
os deputados lulistas e tucanos saíram para comemorar.
O restaurante foi reservado exclusivamente para os nobres e éticos colegas.
Eles se merecem.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Antiamericanismo

Artigo deste escriba, publicado hoje no Diário Catarinense (para acessar, é necessário cadastro), sobre tema já tratado aqui tempos atrás.

O Fórum Social Mundial, realizado desta vez na Venezuela sob o patrocínio de Hugo Chávez, serviu de palco para um retorno ao espírito dos anos 60. À maneira de Chávez e seu amigo Fidel Castro, retoma-se o velho conceito ideológico de “imperialismo”, que serve à perfeição para fustigar os Estados Unidos e responsabilizá-los por todos os males da América Latina. Trata-se, no fundo, do antiamericanismo, esse antigo preconceito que vicejou na Europa do século passado e que teve como traço comum - à esquerda e à direita - a negação das concepções liberais. As raízes psicológicas e culturais do antiamericanismo estão fixadas justamente no antiliberalismo, partilhado tanto pelos nazi-fascistas quanto pelos comunistas.

Mas a América do antiamericanismo é mais uma gigantesca metáfora do que uma sociedade real. Para esse tipo de retórica, falar em América do Norte é falar num mundo onde tudo é mercado e só têm importância o dinheiro, o cálculo, a técnica, o luxo, o consumismo. A esta lista de ingredientes os latino-americanos costumam acrescentar a idéia de que os EUA, que teriam por objetivo uma “ditadura mundial”, se dedicam à “exploração capitalista” dos demais países. Pouco importa que, a exemplo do caso brasileiro, os norte-americanos sejam os maiores importadores de nossos produtos. Não, para esses grupos, movimentos e governos - autodenominados “de esquerda” -, eles são apenas predadores de riquezas alheias.

Não é de espantar que a própria superioridade tecnológica, científica e organizacional dos EUA seja vista como “sinal inequívoco e irrefutável de sua inferioridade moral”. Como justamente observa o sociólogo Luciano Pellicani a propósito dos jargões utilizados pelos movimentos que alimentam a retórica antiamericanista, não se trata apenas de um juízo negativo sobre alguns aspectos do “american way of life”, mas de uma verdadeira demonização da sociedade americana como um todo.

Orlando Tambosi/Professor da UFSC

Freud e as religiões


Para este escriba, Freud (1856-1939), mais conhecido como o pai da psicanálise, é sobretudo um filósofo. E dos bons. Foi corajoso na sua crítica às doutrinas religiosas, que considerava crenças ilusórias: podemos chamar uma crença de ilusão, escreve ele, "quando uma realização de desejo constitui fator proeminente em sua motivação e, assim procedendo, desprezamos suas relações com a realidade, tal como a própria ilusão não dá valor à verificação."

Não que Freud considerasse a ciência acima de tudo. "Os enigmas do universo", reconhece, "só lentamente se revelam à nossa investigação", e "existem muitas questões a que a ciência atualmente não pode dar resposta.". Mas não se pode negar que "o trabalho científico constitui a única estrada que nos pode levar a um conhecimento da realidade externa a nós mesmos."

Para os que acreditam piamente na própria subjetividade, o criador da psicanálise deixa um alerta: "é, mais uma vez, simplesmente uma ilusão esperar qualquer coisa da intuição e da introspecção; elas nada nos podem dar, a não ser detalhes sobre nossa própria vida mental, detalhes difíceis de interpretar, nunca qualquer informação sobre perguntas que a doutrina religiosa acha tão fácil responder."

(Trechos extraídos de O futuro de uma ilusão, escrito em 1927 - disponível em Textos Selecionados, Coleção Os Pensadores, Abril, 1978).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

Da série Carta Magna (II)


Art. 37, X, da Constituição Federal:

A remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o parágrafo 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices.

O preceito constitucional passou a ser desrespeitado no governo do "príncipe dos sociólogos", Dom Fernando Henrique, burla que prossegue agora no governo do sindicalista Lula, o homem que detesta livros.

Trocando em miúdos, o funcionalismo público federal está sem reajuste salarial há 11 anos. Isto inclui servidores, professores, médicos e pesquisadores das universidades federais e escolas técnicas.

Nesse período, só tiveram aumento salarial os servidores dos Poderes Legislativo e Judiciário.
Resultado: um ascensorista com segundo grau ganha hoje na Câmara mais que um professor-doutor de universidade.

Bem, o Bananão tem lá suas prioridades.