(Do ex-ministro e intelectual petista Tarso Genro, hoje na Folha).
Ah, outra recordação:Trotsky foi o guru do honradíssimo e ético dr. Palocci nos tempos de militância na Libelu.
O Bananão se assemelha cada vez mais, em todos o sentidos (político, econômico, jurídico, institucional, ético etc.), ao bicho aí de cima. Resultado da evolução, o ornitorrinco, que parece uma miscelânea de outros bichos, deu certo. Mas qual será o desfecho para o monstrengo Brasil, cuja mistura disso e daquilo nada têm a ver com a evolução, mas apenas com a história (e a história, como dizia Bobbio, é um labirinto)?

O V São Paulo Research Conference, a ser realizado de 18 a 20 de maio na capital paulista, tem como tema a teoria da evolução. Público alvo: estudantes e pesquisadors em filosofia, história, sociologia,antropologia, psicologia, biologia, epidemiologia, medicina, agronomia e veterinária e professores de ensino médio. Reproduzo parte da apresentação do programa:
O Darwinismo e, por extensão a teoria da evolução em seus aspectos mais gerais, constituiu uma ampla revolução intelectual, conseqüência das profundas modificações sociais, políticas e ideológicas que sofreu a sociedade britânica nos meados do século XIX (...).Nesta “São Paulo Research Conference” serão revistos os aspectos históricos, filosóficos e biológicos do Darwinismo e da Teoria da Evolução, suas extensões e variantes, assim como as contribuições que modernas abordagens e técnicas experimentais, tais como, por exemplo, a bio-informática e a biologia molecular, estão trazendo para a compreensão e a eventual re-interpretação dos mecanismos de evolução.


"Nem por isso o caseiro foi deixado em paz.
Sem saber e à sua revelia, inaugurara o Programa de Intimidação de Testemunhas, versão cruel do que serve para proteger.
Há uma intenção explícita, escancarada, e outra oculta no torniquete que o governo aplica em Francenildo.
A explícita busca apenas desmoralizá-lo.
A oculta se vale dele para barrar o surgimento de testemunhas que possam em qualquer tempo embaraçar o governo.
Francenildo foi escolhido para servir de exemplo do tratamento reservado pelo governo a quem ameace sua estabilidade e seu futuro.
À merda todos os escrúpulos quando o que está em jogo é a permanência no poder a qualquer preço."
Urna neles!
(Ilustração: Szukalski, mais uma vez)
Este blog completa hoje exatamente 6 meses. Graças aos visitantes e amigos - que o enriquecem quotidianamente com seus comentários, críticas e sugestões -, acaba de atingir a marca de 20 mil acessos. Nesse tempo, a página delineou seu perfil, aliando filosofia, política e jornalismo, na esperança de contribuir para a discussão de idéias, sem preconceitos. Espero que possamos continuar juntos ainda por muito tempo. A todos, meus agradecimentos e um grande abraço. Tim, tim.
O horror da semana ficou por conta da Buldogue do Dirceu, deputada Ângela Guadagnin, comemorando a vitória dos mensaleiros. Deboche, escárnio, desrespeito. Que ninguém esqueça esta figura execrável.
Ora, essas cantigas expressam tradições antigas, são o espelho de uma época. É um absurdo que as escolas brasileiras, com incentivo oficial, tentem “depurá-las”. Como resumiu o amigo Roberto Romano, na revista Veja desta semana, "o fato de uma meia dúzia de intelectuais estipular o que é certo ou errado no caso das cantigas de roda contém dois problemas: é autoritário e leva a uma visão caolha do ser humano".
Um país que é complacente com a corrupção e o crime (inclusive o hediondo) não tem o direito de edulcorar letras infantis a pretexto de que incitam à violência. Politicamente correto, de fato, seria botar a bandidagem na cadeia e descer o sarrafo no Delúbio, no Luizinho e tutti quanti.
Portanto, aqui em casa continuaremos atirando o pau no gato e o Cravo vai, sim, desmaiar, com a Rosa chorando sem remédio. E a Chapeuzinho Vermelho que se cuide, pois o Lobo continua sendo mau.




Segunda-feira é um bom dia para exercícios iconoclásticos. Vamos, lá, então. Sempre que, andando por aí, tropeço em alguma coisa, penso logo que é um “croniqueiro” ou um “cineasta”, pragas que assolam jornais, revistas e TVs nacionais. Aliás, cultura, aqui no Bananão, ficou praticamente reduzida a fofocas sobre cinema, artistas & cineastas. Estes tomam verbas públicas e incentivos privados com uma voracidade que não corresponde à qualidade dos produtos apresentados.
Literatura, claro, tem cadeira cativa no palco cultural, mesmo que boa parte das obras não mereça o nome de literária. Por isso mesmo os croniqueiros se consideram também literatos, hoje infestando até os blogs. Quanto às ciências e à filosofia, coitadinhas, sequer são incluídas na rubrica “cultura”, já que pouco ou nenhum espaço abrem ao impressionismo, ao subjetivismo, ao solipsismo, aos relativismos em geral – ismos abundantes no cinema e nas “crônicas”, com suas eternas variações sobre o quotidiano.Para cineastas e croniqueiros, a realidade é apenas uma questão de ponto de vista.
Por isso, fique alerta ao caminhar. Você pode tropeçar na cabeça de algum cineasta ou croniqueiro pensando que é uma simples touça de capim.
P.S.: é claro que existem bons cineastas e bons cronistas.

Nestes tempos sombrios em que a mentira virou patrimônio nacional, vale recordar a máxima do velho e bom Aristóteles (384-322 a.C):
Eles riem de você, eleitor.
Esta é a expressão do nosso primo, em visita ao Bananão, toda vez que acaba de ler o noticiário dos jornais.


Enfim o tucanato decide hoje sair do muro. Os caciques devem escolher Serra ou Alckmin. Serra disse que aceita ser candidato, mas sem prévias, enquanto Alckmin não arreda pé da candidatura. O primeiro é indicado pelas pesquisas como o único a ter força para derrotar a continuidade do desastroso lulismo. O segundo patina, mas é empurrado por grandes interesses extrapartidários.
A tela ao lado (O GRITO, 1893), do artista norueguês Edvard Munch (1893-1944), é certamente a sua obra mais conhecida por aqui. Talvez por expressar, simbolicamente, o sentimento do brasileiro nos últimos 25 anos de crescimento pífio, mediocridade cultural e horror moral.
O que se passou neste prédio, na tarde e na noite de ontem, deixa qualquer cidadão envergonhado de ser brasileiro. A mensagem é clara. Agora vale tudo. Seja corrupto, minta, aceite suborno, não siga nenhum princípio, cuide apenas de seu interesse pessoal e corporativo. Cuspa na ética. Mire-se no exemplo dos ocupantes dessa casa e... sinta-se em casa.

SÃO PAULO - Nascida principalmente do processo de industrialização do país até a década de 70, a classe média brasileira sofreu drástico empobrecimento e perda de seu antigo padrão de vida nos últimos anos, por conta do pífio crescimento da economia e do ajuste do mercado de trabalho. Entre 1980 e 2000, cerca de 7 milhões de pessoas perderam seus empregos e, sem alternativa para regressar ao mercado formal de trabalho ou abrir um negócio próprio, deixaram de compor a classe média no país.
A estimativa é do economista Marcio Pochmann, da Unicamp, que escreveu o livro "Classe Média - Desenvolvimento e Crise". O trabalho, que demorou 16 meses para ficar pronto, contou ainda com a participação de outros três economistas: Alexandre Guerra, Ricardo Amorim e Ronnie Silva. Pelos dados publicados no livro, em 1980 a classe média chamada não-proprietária ou assalariada respondia por 31,7% da população economicamente ativa ocupada nas grandes cidades. Vinte anos depois, essa participação caiu para 27,1%.
A diferença entre os dois pontos (1980 e 2000) corresponde, em números absolutos, à demissão de 10,1 milhões de trabalhadores. Destes, 7 milhões caíram no estrato social do país, enquanto o restante passou a trabalhar por conta própria ou abriu uma empresa _ e, neste caso, ou se mantiveram na classe média ou até tiveram ascensão social.
- O ajuste do mercado de trabalho se deu, principalmente, nos cargos historicamente ocupados pela classe média, como gerentes de empresas, professores, administradores e cargos da burocracia pública e privada - disse Pochmann.
Essa mudança provocou dois efeitos importantes. O primeiro deles é que aumentou a desigualdade dentro da própria classe média. A participação da chamada classe média-baixa (professores, lojistas, vendedores, entre outros) passou de 44,5% do total do estrato, em 1980, para 54,1% em 2000. A da classe média-média (ocupações técnico-científicas, postos-chaves da burocracia pública e privada) caiu de 32,2% para 23,1%, enquanto a da classe média-alta (executivos, gerentes, administradores) apresentou certa estabilidade (de 23,2% para 22,8%).
Além disso, as novas gerações enfrentam sérias dificuldades para alcançar ou manter os padrões semelhantes de emprego e renda dos pais, o que coloca em xeque seu antigo status social baseado no consumo diferenciado. Assim, as despesas com itens como habitação e transporte tiveram um salto entre 1987 e 2003, período em que os gastos com recreação e cultura e aumento do ativo (através de aplicações financeiras ou aquisições de bens como imóveis e veículos) perderam espaço no orçamento familiar. Em 1987, habitação respondia por 17,6% do consumo da classe média. Em 2003, subiu para 29,5%. Transportes foi de 8,7% para 16,9%.
- O consumo, pedra angular de diferenciação da classe média, passa a sofrer reveses que parecem levar a uma popularização do seu padrão de gastos - escrevem os economistas no livro.
Com base em dados do censo do IBGE, os pesquisadores afirmam que o Brasil tem pouco mais de 15,4 milhões de famílias de classe média, o equivalente a 57,8 milhões de pessoas. A valores de novembro de 2005, a renda familiar per capita desse segmento social oscila entre R$ 263 (1,7 salário mínimo per capita) a R$ 2.928 (19,4 salários-mínimos). Há uma concentração nos grandes centros urbanos, reflexo da concentração da industrialização do país. Das famílias de classe média, 57,2% estão na região Sudeste e 18,3%, na região Sul.
A cidade de São Paulo lidera o ranking, com 1.728.955 de famílias de classe média, o correspondente a 11,2% do total no país e a 33,2% do total no Estado. Em segundo lugar, o município do Rio tem 971.187 famílias de classe média. Isso equivale a 6,3% do total no país e a 53,1% no Estado. O brasileiro de classe média se destaca ainda pela maior escolaridade. Desse estrato, 2,7% nunca freqüentaram uma escola, contra 12,3% do total da população do país e 18,5% deles têm curso superior ou pós-graduação concluída, acima dos 9,5% da média geral do país.

O comandante Chávez, da Venezuela, bancou a vitória no carnaval carioca e a imprensa fingiu alguma surpresa, ignorando que a influência de seu petrolífero “bolivarianismo” já está presente no país há bastante tempo. Não em festividades folclóricas, mas dentro de uma universidade pública.
Na Universidade Federal de Santa Catarina, por exemplo, foi criada em 2004 uma organização chamada Observatório Latino-Americano (OLA), cujo dirigente já concorreu à reitoria da UFSC por duas vezes e, numa terceira, pode até se tornar o primeiro reitor "bolivariano" do Brasil. Uma das jornalistas do site, funcionária da universidade, mantém o blog (não riam) Jornalismo amoroso e de libertação. Desiludidos com Lula, esses náufragos da ideologia transformaram Hugo Chávez no mais recente Grande Guia da "esquerda".
Os objetivos da "Onda" (Ola, em espanhol) são claros: "inspirado no sonho bolivariano de integração dos povos, o Observatório se propõem (sic) a re-significar as idéias de Simón Bolívar, articuladas com a busca do socialismo, da vida digna, das riquezas repartidas." Re-significar, obviamente, quer dizer "seguir Chávez".
No site você pode encontrar, entre otras cositas, a receita do tal sonho na " Ley de responsabilidad social en radio y televisión", com a qual Chávez acabou com a oposição no país. E, nos dois endereços, diatribes contra o capitalismo, a globalização, o imperialismo, etc., etc.
A segunda edição das "Jornadas Bolivarianas" foi realizada na UFSC no final do ano passado, com o objetivo de "pensar alternativas anti-capitalistas para a vida da América Latina". O temário ainda propôs a "reinvenção das ciências sociais ", trazendo luminares de Cuba e Venezuela (óbvio), além de Bolívia, Equador, Colômbia, Argentina e México. Reinvenção das ciências???"A demagogia do “politicamente correto”, presente já na implantação de cotas para ingresso de alunos negros nas universidades, ameaça estender-se agora ao ingresso de professores. A Universidade Estadual de Mato Grosso acaba de aprovar a reserva de 5 por cento das vagas a candidatos que se declararem negros ou "pardos", medida que o MEC já cogita implantar também nas universidades federais. Será, definitivamente, o fim do mérito.
Desde sua origem, há mais de mil anos, a universidade tem sido uma instituição pautada pelo mérito, isto é, pela escolha dos melhores candidatos, mediante critérios objetivos, independentemente de origem, sexo, cor, religião etc. Os padrões seguidos são universalistas, e não particularistas ou individualistas - em suma, não relativistas. A instância do mérito é fundamental tanto ao ingresso de alunos quanto à contratação de professores. Caso vingue, a proposta instaurará a desigualdade, ferindo um princípio constitucional.
Falta pouco, aliás, para sepultar as universidades públicas. Algumas já nem fazem jus à designação. São escombros do que um dia foram. Transformaram professores em burocratas, não raro partidários, e reduziram regras e práticas universais ao jogo do relativismo em todas as suas variantes, assimilando as ciências a um mero discurso ideológico entre outros. Adotada a medida, o MEC jogará a última pá de cal.
Setores do governo parecem se esforçar para introduzir no país a divisão de “raças”. Mas vale lembrar que “raça” é um conceito biologicamente insustentável. Quem duvidar, pode ler os trabalhos do geneticista Luigi Cavalli-Sforza. O fato é que nosso código genético é literalmente idêntico ao de todos os outros animais, plantas e bactérias até hoje observados. Isto significa que todos os seres vivos provavelmente descendem de um único ancestral. Cor é simplesmente uma questão de pigmentação, ou seja, de adaptação ao ambiente ao longo do processo evolutivo."




O curso, que começou em 15 de dezembro e termina em 7 de março, é ministrado pelo professor Hiroshi Matsuda, engenheiro metalúrgico e professor de Astrologia; por Ricardo Lindemann, diretor-presidente do Sindicato dos Astrólogos de Brasília (Sinabra) e docente de “Cálculo Astrológico” da Escola Emma C. Mascheville; e por Marcelo Cintra, que é administrador, astrólogo e professor de Metodologia de Pesquisa (!).
Abramo, claro, está brincando, mas é de se fechar mesmo as portas de uma instituição que
Mas, nisso, a UNB segue as pegadas da velha Sorbonne, que fez coisa pior. Lá, uma famosa astróloga de um programa de TV, com vários livros publicados sobre o assunto, defendeu há alguns anos uma tese (em sociologia) de 900 páginas sob o título “A situação epistemológica da astrologia em relação à fascinação/rejeição ambivalente das sociedades pós-modernas”. Perceberam o estilo "pós"? (outros exemplos há no site de Alan Sokal, ao lado, que inclui um texto do próprio Abramo).
Afinal, só na terra de Deleuze, Lyotard, Derrida, Baudrillard e Michel Maffesoli (o orientador do trabalho) - típicos filósofos-literatos da cultura humanística contemporânea, muito festejados também por aqui - é que Max Weber pode ser apresentado em texto acadêmico como “taurino pragmático”. E viva o relativismo.
Sobre a tese de Elizabeth Teissier (eis o nome da distinta senhora), disse o sociólogo B. Lahire que “não há traço de fato empírico ou método de pesquisa. A idéia insistida do começo ao fim do documento é que a astrologia é vítima da dominação. Que a ciência, que é tratada como ‘ciência oficial’ ou ‘pensamento monolítico’, oprime a astrologia.”
Desolado, Lahire define essa tese como mais um golpe na sociologia: “não é casual o fato de Teissier estar usando a sociologia para legitimar o discurso astrológico. Nossa disciplina freqüentemente serve de refúgio para pessoas que não são rigorosas e que às vezes são anti-racionalistas” (cf. artigo de Emily Eakin publicado no New York Times e reproduzido no site da Folha de São Paulo em 02/06/2001).
Pérolas do senador holista
A propósito, recordemos outro episódio burlesco aqui no Brasil, onde um ilustre senador meteu-se a defender a regulamentação da profissão de astrólogo, a pretexto de “coibir a charlatanice que medra no setor, ao lado da seriedade dos estudos e trabalhos de pessoas respeitáveis do mesmo”!
Argumentava o senador, tido por homem culto, que a astrologia “não é uma crença, porém um precioso elenco, parte ciência, parte arte, parte religiosidade”. E mais: que “a astrologia e bons astrólogos têm sua própria competência e idoneidade”, sendo inútil o “ataque à astrologia atado a pensamento e percepção, ignorando sentimento e intuição. O mesmo se diga dos métodos mânticos (quiromancia, runas, numerologia, baralho cigano, cristais, tarô, búzios etc.).” E palmas para as pseudociências.
Ainda bem que o autor desses disparates, Artur da Távola - então líder do governo FHC no Senado -, foi dispensado de um segundo mandato pelos eleitores cariocas.
Os cientistas, claro, nem deram bola. Mas os eleitores cariocas não dormiram no ponto. Palmas para eles.
