domingo, 30 de abril de 2006

O eucalipto neoliberal


O conhecimento tem limites. A estupidez ideológica, não. Prova disso são as violentas ações do MST e da Via Campesina - com a bênção do bispo Dom Tomás Balduíno, da Comissão Pastoral da Terra, e muito dinheiro público - contra as plantações de eucaliptos e laboratórios de pesquisa. Todos já foram criticados aqui (cf. notas abaixo). Posam de humanitários, progressistas, mas não passam de reacionários, antimodernos e inimigos da pesquisa científica. Cultivam uma utopia regressiva bem ao gosto dos "teólogos da libertação", com sua quixotesca busca da paróquia perdida. Seu novo símbolo do mal - abundante no "diabólico" agronegócio (Dom Tomás dixit) - é o pobre eucalipto, base da indústria de celulose.

Como lembra Ricardo Bonalume Neto, na Folha de S. Paulo de hoje, "a bela e altaneira árvore nativa da Austrália foi tachada de 'árvore de direita', e suas florestas no Brasil foram apodadas de 'desertos verdes'. Essa curiosa visão do universo arbóreo foi a justificativa para que mulheres alucinadas da ONG Via Campesina vandalizassem em março instalações da Aracruz Celulose, em Barra do Ribeiro (RS)."

E o repórter se pergunta: "o eucalipto, que foi por um tempo vilão ambiental dos verdes menos esclarecidos, estaria voltando a ser malvado e adentrando o panteão maldito da esquerda, onde estão Coca-Cola, Big Mac e soja transgênica?".

Resposta positiva, claro.

(Leia aqui a bela e irônica reportagem. Ilustração: FotoSearch).

sábado, 29 de abril de 2006

Réquiem para o PT


A abertura do 13o. Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores contou com o comissário José Dirceu, os absolvidos do mensalão João Paulo Cunha e “Professor” Luizinho e a estridente Ideli Salvatti, entre outros. É bem verdade que faltaram alguns dos mais ilustres membros do partido, como Delúbio Soares, mas, em compensação, até o presidente Lula deu uma canja por lá. Obviamente, nenhum militante sequer pensou em expulsar os integrantes da quadrilha denunciada pelo Procurador da República. Não, ali não se separa joio do trigo, porque trigo não há mais.

Os documentos preliminares para o encontro refletem esse silêncio comprometedor. O principal deles, pretensiosamente intitulado de “
Conjuntura, tática e política de alianças”, parece ter sido exumado dos anos 80, embora trate de “conjuntura”. Nele abundam expressões como “forças democráticas e populares”, “hegemonia”, “ditadura do capital”, “imperialismo” e “superação” (a campeã, pelo número de citações), típicas do jargão ideológico anterior ao desmantelamento do comunismo.

Imperialismo norte-americano

Entre os abstratos objetivos partidários está a “superação da dominação imperialista sobre nossa América” (nada mais, nada menos), processo já em curso, claro, por obra e graça de governantes exemplares como Chávez, na Venezuela, e Evo Morales, na Bolívia. Para tanto, é fundamental impedir, no Brasil, o retorno da “oposição neoliberal” (também tratada como “oposição de direita e seus aliados internacionais”), reelegendo Lula, algo que seria de grande significado não só “para os povos da América Latina”, mas, pasmem, para “o mundo”! A tática é polarizar a campanha entre PT e PSDB, ou seja, na visão maniqueísta do petismo, entre “forças populares” e “setores neoliberais”.

O partido continua se dizendo “socialista”, mas não define que socialismo seria este. Definições, aliás, sempre foram seu ponto fraco. Vagamente, identifica com tal posição a “superação do neoliberalismo em todas as suas dimensões”. E quais são essas dimensões? Simples, a “hegemonia do capital financeiro” e o “imperialismo norte-americano”, propulsores da “ideologia neoliberal”. Ah, sim, o partido “almeja que esta superação [de novo, ufa] se dê num sentido anticapitalista”, seja lá o que isto signifique.

Controle das instituições

O documento também recrimina a “timidez” do partido em criar “mecanismos democráticos de participação e controle popular sobre as grandes instituições nacionais”. Ora, então os petistas tomaram de assalto o Estado e ainda acham que foram tímidos? E o que significa o tal controle sobre as grandes instituições? Certamente, submissão do judiciário, do legislativo, da imprensa, das universidades etc. Bem que já tentaram.

Não bastasse isso, o PT pretende ainda a “democratização radical do aparelho de Estado”. Trocando em miúdos, democratização radical corresponde a aparelhar o Estado com os militantes. Mas isto já não foi realizado? Foi, sim, mas de forma incompleta, já que a meta é o controle total – algo que demanda um segundo mandato. O processo todo é apresentado como “antídoto contra um conjunto de hábitos e práticas conservadoras e tradicionais, entre elas as práticas fisiológicas e corruptas vigentes nos governos anteriores”. Ah, bom.

Controle da mídia

Outro ponto que não poderia faltar na pauta é a “política de comunicação”. É aí que entra a tal de “democratização da comunicação de massa”, tema dominante, nos anos 80, principalmente nas escolas de comunicação, cujo inimigo então era o chamado “monopólio” da Globo. Como a Globo, hoje, é amiga do petismo-lulismo, certamente os inimigos são todos os veículos que criticam o governo, jornais e revistas em especial.

Embora o documento não forneça indicações sobre como seria essa “democratização da comunicação”, uma pista pode ser encontrada em texto deste escrevinhador (cf. “
Uma rede Pravda para o PT”) a propósito de artigo de uma militante/jornalista publicado no site do PT meses atrás. Reproduzo aqui um trecho do meu artigo.

"
A articulista retoma a rançosa discussão sobre “o papel desempenhado pelos grandes meios de comunicação de massa na construção e permanente atualização da hegemonia conservadora no Brasil” e fala do fracasso da “esquerda” em construir uma “nova hegemonia”. O problema seria o “monopólio” (sic) no setor de comunicação (a salada de noções com cheiro de naftalina lembra Armand Mattellart, Gramsci, Althusser e outros vetustos ideólogos dos anos 70).

(...) O grande erro do governo Lula teria sido justamente tentar uma aproximação com o “monopólio da mídia”, ao invés de combatê-lo com a criação de novos canais que ela chama de “alternativos” (atenção: alternativo é estatal). Eis o ponto. Nada de mediação, nada de concorrência, nada de livre circulação de informações, essas coisas da democracia burguesa. Não, é simplesmente impossível "transformar" a sociedade com “informações mediadas pelas grandes empresas de comunicação”.


O que a jornalista-militante busca, no fundo, é a segurança da propriedade estatal, o discurso oficial sem mediação, a formação ideológica das “massas”. E, se bem que não advogue o fechamento dos jornais e redes de televisão privados - que impropriamente chama de monopólio -, propugna a construção de uma rede Pravda (Verdade) paralela para difundir a informação "classista", isto é, verdadeira. De quebra, abriria mais uma boquinha estatal para jornalistas chapa-brancas como ela”.

O artigo da militante expressa bem a mentalidade petista, prisioneira de conceitos ultrapassados, de que o documento do 13º encontro constitui apenas uma prova a mais. Resumindo, este não é um colóquio para pensar o futuro, mas o velório de um mau defunto. O cadáver ficará em exposição durante todo o final de semana.

P.S.: em Florianópolis, quem quiser saber como funciona uma TV no estilo "democracia radical" pode ligar o canal 4, que retransmite programas da Telesur - uma iniciativa de Cuba e Venezuela (entre outros). O objetivo é "combater a manipulação das transnacionais" e, claro, lutar pela "democratização dos meios de comunicação". Detalhes no blog da Gusta, a quem agradeço.

(Na ilustração, as marcas do petismo-lulismo. Surrupiada da Gusta, pra variar).

sexta-feira, 28 de abril de 2006

Tutti buona gente


A simpaticíssima figura da foto ao lado - algoz dos aposentados, quando ministro da Previdência - coordenará a campanha de Lula à reeleição. Segundo o blog do Josias, Ricardo Berzoini desempenhará em 2006 o papel que foi atribuído ao deputado cassado José Dirceu em 2002.

Presidente do PT depois que os díscípulos de Dirceu derrubaram Tarso Genro, Berzoini destacou-se por botar panos quentes sobre as denúncias de corrupção e proteger a quadrilha apontada pela Procuradoria-Geral da República. O comissário é daqueles que fazem cara de vômito quando ouvem falar em ética.

Até agora, não expulsou nenhum dos acusados. Os honoráveis Genoíno, Delúbio e Dirceu, por exemplo, continuam sendo petistas de 5 estrelas.

E os clarividentes comentaristas políticos andaram trombeteando que Lula se afastaria do PT para descolar sua imagem da imagem do partido...

Boa análise é isso aí.

Lei de Imprensa contra o blog

Na seção Artigos (referência ao lado), reproduzo integralmente a reportagem do Diário Catarinense, de Florianópolis, sob o título "Blog do Tambosi foi enquadrado", publicada em 25 de janeiro. Na seqüência, para facilitar a consulta, juntei dois textos já vistos por aqui: a resenha do professor Roberto Romano -"A formiga que marchava contra o império. Uma fábula hegeliana" - sobre o livro Formação do império americano: da guerra contra a Espanha à guerra do Iraque (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2005), do historiador Moniz Bandeira, e a réplica deste. Aos que não acompanharam a contenda, convém lembrar que Bandeira invocou a Lei de Imprensa contra este blog exigindo "Direito de Resposta" à resenha de Romano, publicada também na revista Primeira Leitura. (O blog Diplomatizando, link ao lado, dispõe de um amplo arquivo sobre o affair).

quinta-feira, 27 de abril de 2006

Sem palavras

Do sempre atento Alerta Brasil.

Um outro mundo é possível...

Esses indivíduos tinham a pretensão de ser Perfecti e de estar acima da moral comum. Sentindo-se na posse de uma verdade superior, estavam fanaticamente convencidos de sua infalibilidade e de sua absoluta pureza. Nada poderia contaminar suas intenções e ações. Nascidos moralistas frente aos males do mundo, comportavam-se de acordo com a máxima niilista "Tudo é permitido". Por outro lado, como poderiam sentir-se vinculados às normas da sociedade existente, se o seu programa era, justamente, o aniquilamento de tal sociedade?

Do estudioso italiano Luciano Pellicani, sobre os movimentos milenaristas de caráter gnóstico-maniqueísta, cujo objetivo sempre foi criar uma ordem inteiramente outra, um "Novo Mundo".

Como se vê, essa cantilena é tão antiga quanto a própria humanidade. Qualquer semelhança com indivíduos, movimentos ou partidos contemporâneos, claro, é mera coincidência.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

A Petrobras é do povo?

O ufanismo reinante na era Lula, que em tudo lembra o da ditadura militar, tem a velha Petrobras como vaca sagrada. Ai daquele que ousa criticar a multinacional verde-amarela, que já destruiu ecossistemas litoral afora. No site no mínimo, Guilherme Fiuza desmonta a mitologia em torno desse monstrengo falsamente nacionalista. Cito um trecho:

"Talvez nem a ditadura chinesa conseguisse a proeza realizada no Brasil, sem muito esforço: transformar a Petrobras em símbolo do nacionalismo. Não pode haver nada no país, na esfera pública ou privada, mais anti-nacionalista do que a Petrobras. Trata-se de uma empresa que se agigantou ao longo de meio século graças a um regime de parasitose explícita e consentida do Estado brasileiro, isto é, da nação. O projeto mais obsceno de privatização de recursos públicos sob o pretexto do patrimônio coletivo. A Petrobras é do povo, tanto quanto o valerioduto – isto é, se o “povo” em questão fizer parte de alguma fração dos beneficiários das maravilhosas vantagens corporativas, políticas e particulares distribuídas pela estatal."

O rebanho do "libertador"


Vale a pena ressaltar o comentário feito por D. Quixote (que tem um excelente blog, o Luneta) a propósito do "teólogo libertador" Júlio Lancellotti:

"Esse padre Lancellotti, se não existisse, precisaria ser inventado. É um tipico personagem da ópera-bufa que transcorre diante de nós, hoje no país. Sem ele, a encenação não estaria completa. E que libertação ele defende, afinal? A dos miseráveis econômicos ou a dos miseráveis de espírito que tomaram conta do poder? Desconfio que seus representados pertençam ao segundo grupo. Nesse caso, o trabalho do padre é redundante. Suas ovelhas negras não estão na cadeia nem correm o risco de ir parar nela, porque têm as chaves na mão e ainda mandam no carcereiro."

De fato, o libertador pertence ao segundo grupo. Homem de partido, é muito chegado à ex-prefeita Marta Suplicy, do PT. Tinha acesso fácil ao orçamento da Prefeitura paulistana para as suas "obras sociais".

(Ilustração: Fotosearch).

terça-feira, 25 de abril de 2006

A auto-suficiência, pois é...

Sobre a auto-suficiência brasileira em petróleo, recebi de um "bruxo" economista que mora na Lagoa da Conceição (Florianópolis, claro) o seguinte e-mail: "Li hoje no NYTimes que os consumidores americanos estão meio nervosos porque a gasolina chegou a US$ 3,00 o galão (3,78 litros). Ora, ao câmbio de hoje (R$ 2,12), salvo erro de conta, isso dá R$ 1,68 / litro. A gasolina aqui no posto do centrinho custa cerca de R$ 2,70 o litro, ou seja, 60% mais caro do que lá, onde a auto-suficiência é um sonho impossível, e quase 2/3 é importado".

Por aqui, ufanismo de mãos sujas. Algum benefício para a população?

Imposturas intelectuais


O professor Roberto Romano publica em sua coluna de hoje no Correio Popular, de Campinas, artigo em que aborda alguns temas tratados aqui em diversos comentários: pseudociências nas universidades, charlatanismo e imposturas intelectuais como as de alguns filósofos e cientistas sociais do Bananão. O nível de certas universidades desceu tanto, diz Romano, que "nelas existem cursos e 'pesquisas' astrológicas". Resumo: "o dinheiro escorre dos cofres públicos em prol da idiotia delirante". Com agradecimentos ao amigo, reproduzo o artigo na íntegra, remetendo também ao link de Alan Sokal (ao lado), que enfrentou os impostores em livro com o mesmo título.

Analistas políticos que aplicam-se à bola de cristal sempre erram. Aliás, todos os que se aplicam à referida esfera translúcida, tropeçam gravemente. Há um livro traduzido pela Editora Unesp sobre as traquinagens de cientistas (ou ex-cientistas) na astrologia. O nível de algumas universidades brasileiras desceu tanto que nelas existem cursos e “pesquisas” astrológicas. E dinheiro escorre dos cofres públicos em prol da idiotia delirante. Certa feita escrevi que, a seguir a tendência populista atual, breve os diplomas seriam distribuídos em comícios. E se eles fossem entregues entre números circenses ? A ciência seria fácil, leve, agradável, não exigiria esforço intelectual ou ético. Bastariam os truques. Num país que recebe o último lugar do mundo no ensino da matemática, é crime aplicar verbas estatais em patifarias noéticas. O título do livro citado? A Impostura Científica em Dez Lições, de Michel de Pracontal.

Ocorrem diferenças entre cientistas e charlatães da astrologia e quejandos. Os primeiros “não param de questionar, revisar hipóteses, corrigir teorias”. Já os que se dizem alternativos em relação à “ciência oficial” mostram-se “mais dogmáticos do que os denunciados por eles”. Nem sempre o charlatão é apedeuta. Nem todo analfabeto é “estadista”, como Lula é apresentado no impagável livro de Aloizio Mercadante, “Brasil: primeiro Tempo”. A metáfora futebolística do título mostra a distância entre o “estadista” e o demagogo. Nem todo charlatão fugiu da escola. Alguns, os que obtêm maior sucesso, conhecem técnicas, teorias, métodos, doutrinas e dominam o jargão científico.

Vejamos o caso de Joël Sternheimer. Formado em física, ele diz ter descoberto algo sensacional previsto por Pitágoras, Platão e aceito no século 18 pelo músico Rameau: o universo é composto segundo escalas musicais! Para Sternheimer, a massa das partículas estáveis da natureza se repartem como as notas da gama cromática temperada do Ocidente. Se acrescentarmos as partículas instáveis, o conjunto forma uma gama mais fina, síntese das gamas ocidentais e orientais. Proclama o descobridor que “a maioria das partículas deixa um traço visível numa câmara com bolhas (que persistam pelo menos alguns átimos), procedem de uma tonalidade em lá menor, do qual ômega-menos é a dominante. Se tais partículas seguem a gama introduzida por Bach, a música que elas produzem (centrada na dominante) é mais próxima de Mozart, um tanto parecida com a de Satie (e não duvidando, se incluirmos as partículas instáveis, se forem empregados intervalos próprios às músicas, orientais)”.

A “descoberta” parte de uma coincidência numérica: as massas das partículas têm uma repartição que recorda a dos intervalos musicais. Daí, a fantasia conduz a varinha mágica do expositor. Tais devaneios foram apresentados na mais prestigiosa instituição acadêmica francesa: o Colégio de França (Cf. Joël Sternheim, “Musique des particules élémentaires”, comunicação ao Seminário de Física Matemática do Colégio de França, janeiro de 1984). Os que estudam o campo, sabem que foi efetivado pelo expositor do seminário um abuso metafórico. Mas quem se preocupa com análises empíricas, controles e experiências? É tão mais sugestivo acreditar que vivemos e nos desenvolvemos imersos em música... Somos entes musicais! Corações se movem, sentimentos reverentes despertam e logo temos uma nova linha para o “esboço inteligente” do universo. Inteligente e belo. Todas as vias para a prova da existência divina são fornecidas. Pobre Tomá de Aquino, prosaico e difícil… Eu me esquecia: o expositor não pensa em termos teológicos. Ele pediu patente de seu trabalho na França e promete construir instrumentos acústicos e eletrônicos que permitem tocar a música das particulas. E os tais instrumentos até que funcionam, abrindo novos campos para a criação artística. Mas o que provam ?

No caso, trata-se de expansão poética próxima às da “física” romântica alemã, francêsa e inglêsa do século 19. Mas semelhantes delírios passam dogmaticamente para as chamadas ciências humanas e são acolhidos na filosofia acadêmica. Nesta última, professores e professoras famosos aplicam-se a “teorizar” sobre a relatividade e números matemáticos, como foi o caso da Dra. Marilena Chaui. Pega no bote por um colega especialista, o recurso dos seus áulicos foi dizer que o referido crítico era tucano. Logo… Mas pior que a Dra. Chaui é o imenso batalhão dos que, na filosofia e nas ciências humanas usam o jargão e o prestígio das ciências para parolar sobre coisas desconhecidas pelo público. Um trabalho útil e ético de profilaxia foi realizado pelos corajosos Alan Sokal e Jean Bricmont num livro impagável, impiedoso e verdadeiro (Cf. Imposturas intelectuais, o abuso da ciências pelos filósofos pós-modernos). Claro que o escrito é maldito na Associação Nacional de Pós-graduação em Filosofia e demais cenáculos. Mas este é um assunto conexo, mas diferente.

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Um "teólogo libertador"

*Disponível também no site e-agora.

Não é só na Comissão Pastoral da Terra que a Teologia da Libertação, essa mistura de religião com marxismo de orelha, fez algumas cabeças. Também na urbana Pastoral do Povo de Rua e do Menor (Arquidiocese de São Paulo) há seguidores dessa corrente ideológica que o Papa João Paulo II tentou em vão desmontar. É o caso do padre Júlio Lancellotti, que, vá lá, faz alguns bons trabalhos sociais, mas presta mais tributo à ideologia que à Igreja. Entrevistado recentemente, demonstrou pouco apreço a instituições seculares como a democracia representativa, a imprensa e as universidades.

Na condição de "teólogo libertador", ele decerto acha que é seu dever interferir nas políticas públicas da capital paulista, como a reurbanização do centro (os paulistanos que o digam). Afinal, "a Igreja tem sim uma função política e social, que não é sua função primeira, mas também é sua função". Muitos criticam essa interferência de um religioso na esfera secular (cujo pressuposto é, justamente, a separação de Estado e Igreja), mas isso seria, resume o padre, coisa de gente com "visão tirânica, não-pluralista e pouco democrática".

Quanto aos jornais, não esconde seu mal-estar. "Não adianta", diz ele, "só buscar informações na Globo, no Estado e na Folha. É necessário ter outras fontes de informação", conhecer as "mídias independentes". E quais são as "independentes"? Ora, a revista Caros Amigos e o site Adital (com notícias da América Latina e Caribe, onde o leitor pode encontrar artigos de outros "libertadores", como Frei Betto, ex-assessor espiritual de Lula, e o ex-frei Leonardo Boff, um dos gurus da Teologia da Libertação). Ah, bom.

Na entrevista não poderia faltar, é claro, uma lancetada na revista Veja, alvo predileto de todos os que se julgam "revolucionários" ou "libertadores" e integram os chamados "movimentos emancipatórios". A revista dos Civita não seria mais que "um braço do PSDB defendendo o Serra". Só os tolos assinantes (mais de um milhão) não percebem isto. Se fossem tão iluminados quanto o padre, assinariam a
Caros Amigos, a Carta Capital etc.

E sobram críticas também para as universidades públicas (que, apesar das dificuldades, respondem por mais de 90 por cento da pesquisa científica no país). Na opinião do religioso, elas simplesmente "não dão nenhum retorno para a sociedade. Qual é o retorno que a USP dá pra sociedade que a paga? Eu não vejo retorno. O ensino está degradado." Universidade boa, certamente, será esta que Lula acaba de criar no ABC.

Nem a democracia escapa à execração. Para o militante padre, a brasileira é uma "democracia indireta", uma "democracia formal". Preferível a "democracia direta". Onde será que existe essa "democracia direta" (isto é, sem mediação, sem representação)? Em Cuba, talvez? Não disse nem lhe foi perguntado. Mas disse que vai votar "no Lula", ora se vai. Afinal, Lancellotti não dá credibilidade aos fatos revelados pela mídia e pelo Congresso. Corrupção? Crise? Que crise? A filósofa-companheira Marilena Chauí já não ensinou que "essa crise foi construída"?, lembra o fiel leitor da Caros Amigos, sempre sintonizado com o discurso petista.

Danem-se os fatos.

(Nota: a entrevista do padre Lancellotti está disponível no site filopetista O Informante - que nome, aliás! Para a geração deste escriba, informante era o dedo-duro que "entregava" os opositores, no tempo da ditadura).

sábado, 22 de abril de 2006

Para trás! A "revolução" vem aí...



Regados a dinheiro público (foram mais de 25 milhões de reais para o MST só no governo Lula, diz a Veja), os "patrióticos" discípulos de D. Tomás Balduíno (ver texto abaixo), conselheiro da Comissão Pastoral da Terra, planejam agora invadir as cidades - mas só depois das eleições, claro.

A idéia é se aproximar de movimentos urbanos, tais como a peleguista CUT e a UNE, hoje uma entidade chapa-branca e simulacro de representação estudantil. A Folha de S. Paulo (assinantes) relata que o projeto foi anunciado ontem pelo coordenador nacional do MST João Paulo Rodrigues, em Recife, onde participa do 2º Fórum Social Brasileiro, na UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Objetivo: a "revolução".

E o que o pupilo do iluminado D. Tomás entende por revolução?

"Revolução, para nós, é resolver o problema da reforma agrária, da educação, da saúde, fazer com que o Estado seja menos burocratizado", resumiu Rodrigues.


Pronto, eis a imagem do paraíso na Terra. Sobre como será essa revolução, nenhuma palavra. O importante é promover a expectação de um futuro totalmente outro. Em nome dele, destrua-se o mundo existente. Esse futuro gnóstico, porém, nada mais é que um retorno ao passado (utopia regressiva, como disse no post abaixo).

E pouco importa que as três grandes revoluções socialistas do século XX tenham fracassado de maneira retumbante, depois de produzirem gigantescos massacres. Com o seguinte resultado: na Rússia, um capitalismo mafioso; na China, um capitalismo predatório; e em Cuba, a miséria. Não ocorre ao bispo Balduíno e ao comandante Stédile, do MST, que desconhecer as lições da história significa repetir tragédias.

A revista Veja desta semana também aborda o tema (com parte do texto disponível na rede), demonstrando que "o aumento das invasões e dos roubos nos últimos anos está intrinsecamente ligado ao crescimento vertiginoso dos repasses governamentais ao MST. Tudo somado, isso significa, em bom português, que a administração petista apóia e financia a bandidagem."


De fato, não falta o beneplácito de Lula, o eterno palanqueiro. Em discurso-comício para uma platéia de índios e agricultores na cidade de Tenente Portela (RS), na quarta-feira passada - diz Veja -, ele chamou os fazendeiros de "caloteiros" e estimulou as "reivindicações" por parte dos movimentos sociais. "Aproveitem e reivindiquem no meu governo", incitou.

Não foi à-toa, portanto, que o cientista político e ex-petista Francisco Weffort afirmou, em artigo recente, que os inimigos da democracia estão no poder. Já não resta dúvida de que o governo e o PT desprezam as regras do jogo democrático. A institucionalização da corrupção é a maior prova disso.

(Nota: texto publicado também no site e-agora, assim como o anterior).

sexta-feira, 21 de abril de 2006

Em busca da paróquia perdida

A utopia regressiva de D. Tomás

Em entrevista nesta semana, D. Tomás Balduíno, conselheiro da Comissão Pastoral da Terra, mandou a Aracruz Celulose - empresa que foi invadida pela Via Campesina e pelo MST, com destruição de laboratório e viveiro de mudas - "calar a boca", pois "não tem autoridade moral" para reclamar. "Ela praticou anos de violência e secou 1,5 mil nascentes", acusou ele, elogiando o MST como "movimento patriótico".

As declarações do bispo corroboram o que já foi dito aqui sobre o incentivo de setores da Igreja Católica às invasões de terras e de centros de pesquisa (cf. "Saudades da Idade Média"). Formados no catecismo da chamada Teologia da Libertação, esses setores já foram tidos como "progressistas", mas são, na verdade, reacionários, anti-modernos. Sua aversão ao mundo existente evoca a velha contraposição romântica entre Gemeinschaft (comunidade) e Gesellschaft (sociedade): a comunidade é a pequena vila rural, orgânica, lugar da solidariedade familiar, do coletivo e da tradição, enquanto a sociedade é o predomínio do mecânico, o mundo burguês do individualismo e do mercado. O capitalismo corrompe o protegido "mundo comunitário", que cede lugar a um mundo aberto e dinâmico, onde reina a lei da concorrência e do lucro e prevalecem as relações impessoais e utilitaristas. Como Marx viu bem, o capitalismo submete tudo a uma "revolução permanente".

Contrária a essa revolução desde a origem (vide Contra-Reforma), a Igreja volta-se ainda hoje, nos países menos desenvolvidos, contra a invasão do capital e a conseqüente dissolução de seu mando. No seu ideário, a Gemeinschaft é a velha paróquia, o lugarejo onde o púlpito ditava as regras e a batina simbolizava o poder maior.

Eis a "utopia" do "progressista" D. Tomás e seus discípulos.

P.S.: Quanto às 1500 nascentes (precisamente!) a que se refere o bispo, deve ter sido algo soprado pelo Espírito Santo, já que as entidades estaduais da área ambiental no RS desconhecem o assunto. Bene, é bom relembrar que D. Tomás considera o agronegócio coisa do demônio...

(Ilustração: Rebecca Barker).

quinta-feira, 20 de abril de 2006

Democracia não é com eles

A democracia é o melhor dos sistemas de governo, mas é extremamente frágil porque, amiga das liberdades, permite que seus inimigos se organizem e se voltem contra ela. E inimigos é que não faltam, como alertou hoje na Folha o professor Francisco Weffort, cientista político que viu o PT nascer. Aliás, os inimigos estão no poder. Cito um trecho:

O fato de que as instituições funcionem não quer dizer que a democracia esteja livre de ameaças. Aprendemos na história que as democracias exigem permanentes cuidados, e também que os golpes costumam germinar lentamente nos subterrâneos da política até que possam explodir em crises institucionais. Sabemos ainda que há variantes de golpismos. O "chavismo", onde Lula vê "democracia demais", é o exemplo do dia. Mas nós, brasileiros, que temos uma longa história de golpes, precisamos ir à Venezuela para saber o que significa? Há também o estilo Fujimori: primeiro o golpe aos pedaços, depois o "auto-golpe" de um Executivo que se volta contra as instituições às custas da corrupção. Montesinos, o "Rasputin peruano", comprava políticos com dinheiro vivo. Aqui, manda-se o sujeito receber no banco.
Depois dos trabalhos de Serraglio e da Procuradoria, ficou claro que, ao preço de se matar a ética na política, é a democracia que está em questão. Lula é o maior responsável nisso tudo, pois, derrubados seus ministros mais poderosos, o golpismo continua, latente.

A etnia

Millôr sempre teve razão:
"O PT não é um partido. É uma etnia."
Isto resume tudo.

O doador e o genro

Coluna do Cláudio Humberto revela a confirmação da suspeita do prefeito do Rio, César Maia, que afirmou serem de agências bancárias em Blumenau algumas contas abastecidas pelo "doador universal" Paulo Okamoto, amigo do presidente. Na agência do Santander-Banespa da cidade, a conta 01-051149-7 pertence a Marcelo Sato, genro de Lula. Ele é assessor da deputada petista Ana Paula Lima (PT).

É Sato que os prefeitos do interior de Santa Catarina procuram para liberação de verbas em Brasília. Segundo o jornal O Globo (edição de hoje, para cadastrados), ele repassa os pedidos à senadora Ideli Salvatti, a madrinha do lulismo aqui no Estado. O prefeito de Orleães, Valmir Bratti, diz que Sato e a senadora "têm dado força para liberar os recursos federais."

P.S.: Ah, para variar, tudo com as bênçãos da paulistana Ideli, que sempre se esmerou em parecer uma manezinha da ilha...

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Relativismo cultural


Cuidado com esta praga !

Defender a racionalidade, a ciência e a lógica é "conservadorismo". Elogiar as pseudociências é sinal de "mente aberta". Para o relativismo reinante no Bananão, existe uma ciência "tradicional" (a que vem dos gregos e gerou o conhecimento universal, de que somos herdeiros) e uma "ciência alternativa" (a que mistura crendices, superstições e esoterismo, em geral coisa de "terapeutas"). A primeira distingue rigorosamente fatos e valores, conhecimento e desejo; a segunda, exatamente a partir da confusão entre os dois âmbitos, julga-se um saber total, ao mesmo tempo descritivo-explicativo e prescritivo-valorativo. Em poucas palavras, arroga-se o estatuto de ciência das causas e dos fins. Esse saber total, que ciência não é, não se submete a hipóteses, como a pobre ciência "tradicional", que muitas vezes quebra a cara diante dos fatos. A ciência não é um instrumento perfeito de conhecimento, mas é o melhor que temos.

Uma das variantes de relativismo mais disseminadas, principalmente nas ciências humanas, é o relativismo cultural. Para este, a ciência é apenas um relato entre outros. Isto significa que todos os relatos ou discursos estão no mesmo plano em relação à verdade. Assim, um mito tribal tem tanto direito quanto a ciência de afirmar a verdade. A propósito, o biólogo
Richard Dawkins, professor de Compreensão Pública das Ciências em Oxford e autor de O gene egoísta, O relojoeiro cego e Desvendando o arco-iris, entre outros livros, apresenta um exemplo elucidativo. Conta ele que, certa vez, respondendo a uma provocação de um colega antropólogo, disparou a seguinte questão:

- Suponha que existe uma tribo que acredita que a Lua é uma cabaça velha lançada aos céus, pendurada fora de alcance, um pouco acima do topo das árvores. Você afirma realmente que nossa verdade científica - que afirma que a Lua está a 382 mil km afastada e tem um quarto do diâmetro da Terra - não é mais verdadeira que a cabaça da tribo?

A resposta do antropólogo foi curta e grossa: - Sim, nós apenas fomos criados em uma cultura que vê o mundo de um modo científico. Eles foram criados para ver o mundo de outro modo. Nenhum desses modos é mais verdadeiro do que o outro.

O disparate levou Dawkins a concluir: "Aponte-me um relativista cultural a 10 km de distância e lhe mostrarei um hipócrita. Aviões construídos de acordo com princípios científicos funcionam. Eles se mantém no ar o levam ao seu destino escolhido. Aviões construídos de acordo com especificações tribais ou mitológicas, tais como os aviões de imitação dos cultos de carregamento nas clareiras das selvas (...), não funcionam. Se você estiver voando para um congresso internacional de antropólogos ou de críticos literários, a razão pela qual você provavelmente chegará lá (...) é que uma multidão de engenheiros ocidentais cientificamente treinados realizou os cálculos corretamente. A ciência ocidental, com base na evidência confiável de que a Lua orbita em torno da Terra a uma distância de 382 km, conseguiu colocar pessoas em sua superfície. A ciência tribal, acreditando que a Lua estava um pouco acima do topo das árvores, nunca chegará a tocá-la, exceto em sonhos." (R. Dawkins, O rio que saía do Éden, Rio de Janeiro, Rocco, 1996).

Resumo da ópera: a única alternativa ao conhecimento é a ignorância.


(Ilustração: M. C. Escher).

terça-feira, 18 de abril de 2006

A gripe das aves

Do blog científico A aba de Heisenberg .

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Esquerdistas...


1 - "Nós somos de esquerda e as nossas reivindicações são mais radicais que as do bolchevismo...Somos nacionalistas, nacionalistas mas não filo-capitalistas."

2 - "Nós somos socialistas(...), inimigos, adversários jurados do atual sistema econômico capitalista com a sua exploração dos economicamente débeis...Nós estamos decididos a destruir a qualquer custo este sistema."

3 - "O futuro é a ditadura da idéia socialista no Estado."

Palavras de revolucionários?

O exemplo 1 é de S.H. Sesselmann, líder do Partido Nazista de Mônaco; o 2 e o 3, de...Goebbels!

P.S.: Esquerda/Direita - dicotomia de rigor filosófico-científico e precisão terminológica é isso aí...

domingo, 16 de abril de 2006

Coelhinho do impeachment

Eita, Brasil, como faz falta uma oposição de verdade!
(Ilustração surrupiada do Blog do Sombra)

sábado, 15 de abril de 2006

Uma crítica marxista


Na seção Artigos (link ao lado) o leitor pode acessar a crítica que o filósofo italiano Costanzo Preve - sobretudo um intelectual generoso - fez ao meu livro Perché il marxismo ha fallito. Lucio Colletti e la storia di una grande illusione, publicado em 2001 pela Mondadori (edição brasileira: O declínio do marxismo e herança hegeliana, Fpolis., Editora da UFSC, 1999). Marxista e anti-capitalista, Preve discorda, obviamente, de alguns argumentos e das conclusões do livro (e de Colletti), mas diz que ele "merece ser lido" e, portanto, merece também alguns comentários. O título da longa resenha é "La storia di Lucio Colletti. Un modello teorico di estremo interesse".

Colletti (foto) faleceu no final de 2001. Em sua homenagem, escrevi "Marxismo e dialética: uma herança fatal", publicado no livro Marxismo e ciências humanas (vários autores), São Paulo, Xamã Editora/Fapesp/Cemarx, 2003. O volume reúne os textos apresentados no II Colóquio Marx-Engels, promovido pelo Cemarx (Unicamp) em Campinas, em novembro de 2001. De minha parte, foi uma despedida do tema, mais que do autor e amigo.

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Astrologia na universidade ?!


O jornal Valor Econômico, de SP, publicou ontem no Caderno Eu&Fim de Semana matéria sobre a polêmica gerada pela Universidade de Brasília e pela Unesp, duas instituições públicas que têm oferecido cursos de astrologia em nível de extensão. O tema já foi abordado - e devidamente criticado - aqui e no blog de Cláudio Weber Abramo (A coisa aqui tá preta, referência ao lado), por entendermos que universidade não é lugar para pseudociências - e a astrologia é uma delas.
Ora, além de manter o dogma de que a Terra é o centro do Sistema Solar, essa falsa ciência pressupõe que forças e energias vindas dos planetas administram a vida após o nascimento (e por que não antes?).
Leia na íntegra a reportagem, que reproduz argumentos científicos e epistemológicos contra a astrologia (inclusive algumas observações deste escrevinhador).

Sob o signo da polêmica

Universidade de Brasília e Unesp oferecem cursos de astrologia, para espanto da comunidade acadêmica.

Por Paulo Henrique de Sousa
De São Paulo


Alguém duvida de que a campanha presidencial vai ser acirrada, mesmo com o favoritismo de Lula? E de que o Brasil precisa coordenar de forma racional os recursos de que dispõe para superar as dificuldades? Seria preciso recorrer aos astros para chegar a essas conclusões? A resposta a essa última pergunta tende a ser negativa, já que poucos analistas discordariam das duas primeiras, da lavra de uma astróloga - baseadas na suposta influência dos astros em nossas vidas. Segundo os críticos, essa é uma típica "previsão" da astrologia: puro "non-sense", tolice.

Mas, mesmo com as restrições da grande maioria da comunidade acadêmica, que a considera uma "pseudociência", a astrologia tem conseguido furar o bloqueio. Algumas instituições de renome, como a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), têm oferecido cursos de astrologia, em nível de extensão. O professor Ricardo Lindemann, do Núcleo de Estudos de Fenômenos Paranormais (NEFP), da UnB, reclama que há muito "preconceito" porque as pessoas não sabem o que é a astrologia. Ao aplicar algumas "regras da astrologia", os pesquisadores do NEFP teriam conseguido identificar, com 100% de acerto, um grupo de alunos que fariam vestibular em poucos dias de um outro grupo que não faria as provas, com base em seus mapas astrais, que teriam acusado um momento de "definição profissional".

Adepto do anarquismo metodológico de Paul Feyerabend, o professor Paulo Araújo Duarte, do departamento de geociências da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), considera a astrologia um "campo do conhecimento humano" como qualquer outro. Para ele, o conhecimento popular pode ser uma "alavanca para o conhecimento científico e jamais deve ser desconsiderado. O que eu não gosto é da arrogância e do preconceito de cientistas com relação ao que não é rotulado como ciência".

Mas a reação não tardou. Em sua página pessoal na internet, o diretor executivo da ONG Transparência Brasil, Cláudio Weber Abramo, pediu o fechamento da UnB. Formado e pós-graduado em matemática, ele não faz rodeios: "Isso é picaretagem".

O filósofo Orlando Tambosi, da UFSC, concorda. "Ensinar pseudociências numa universidade contraria os mais caros princípios de uma instituição universitária. Desde sua origem, as universidades se dedicam à geração e difusão de conhecimento nas ciências, na filosofia, nas engenharias e nas artes", afirma. "É tão absurdo quanto ensinar o criacionismo nas escolas", dispara o astrônomo da Universidade de São Paulo, Augusto Damineli. Segundo ele, a astrologia está mais para religião do que para ciência. "Astrologia não é ciência, nem arte, nem outra atividade com corpo de conhecimento objetivo estabelecido."

As restrições dos cientistas são muitas, a começar pela configuração celeste que os astrólogos usam. Durante o ano, o Sol percorre um determinado caminho no céu, chamado de eclíptica, tendo as constelações como pano de fundo - elas formam o zodíaco. Uma pessoa será de Sagitário, por exemplo, se o Sol estava percorrendo aquela constelação quando do seu nascimento.

Ocorre que os astrônomos descobriram que o Sol passa não por 12, mas por 13 constelações em um ano - das 88 existentes. Na Antigüidade já se conhecia Ofiúco, mas ela ficava longe da eclíptica. No período de quase 3.000 anos, o movimento de precessão do eixo de rotação da Terra (tipo um peão cambaleando), acabou fazendo com que o Sol passasse rapidamente por Ofiúco. Essa constelação fica entre Escorpião e Sagitário - de 30 de novembro a 17 de dezembro. "Sim, é isso mesmo, muitos de nós somos do signo de Ofiúco e, felizmente, isso não tem a menor importância", provoca o físico Paulo Bedaque. Paulo Duarte lembra que a divisão do zodíaco em 12 signos é puramente arbitrária e segue apenas a tradição dos povos antigos.

Outro questionamento-chave dos astrônomos é que a influência da força gravitacional dos corpos celestes sobre nós é desprezível - com exceção dos efeitos óbvios da luz do Sol como fonte de energia. Nessa seara, uma das crenças mais comuns é o da suposta influência da mudança da Lua nos nascimentos de bebês. O raciocínio parece ser o seguinte: se a Lua é capaz de interferir nos movimentos dos oceanos, então seria natural que o mesmo acontecesse com corpos menores.

O astrônomo Fernando Lang da Silveira, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), considera esse um argumento aparentemente "persuasivo", mas totalmente falso. A Lua e o Sol realmente influenciam as marés porque o tamanho da Terra não é desprezível em relação às distâncias até a Lua e até o Sol: as marés ocorrem porque os oceanos são grandes o suficiente para sofrerem a ação da gravidade de forma diferente em diferentes pontos. Ou seja, o tamanho e a distância importam - e muito. Por isso, não há efeito de maré num pequeno lago ou mesmo no útero de uma gestante - já que todos os pontos desses ambientes estão praticamente à mesma distância do Sol e da Lua. "O obstetra que realiza o parto de uma criança exerce uma atração gravitacional sobre ela seis vezes maior do que o planeta Marte", exemplifica o astrônomo Kepler Oliveira Filho, da UFRGS. O filósofo Osvaldo Frota Pessoa Jr., da USP, resume que a astrologia não é ciência porque "contradiz as teses principais da ciência atual".

A polêmica suscita a inevitável e espinhosa discussão do que vem a ser ciência. Depois das batalhas entre as muitas correntes epistemológicas do século XX, a maioria dos especialistas neste começo de século concorda que não há uma definição acabada. Damineli explica, entretanto, que as várias ciências têm, cada uma delas, "um determinado corpo de fenômenos [naturais, sociais ou individuais], que podemos chamar de base empírica, têm um corpo de princípios, que podemos chamar de pressupostos teóricos que delimitam as condições de aplicabilidade e metodologia para ligar a base empírica ao campo teórico, para prever situações ainda não exploradas e para testar se são verdadeiras ou falsas". Pessoa Jr. complementa que a ciência envolve teses que precisam ser testadas empiricamente, cujos resultados são submetidos à apreciação de outros cientistas. "É este consenso que falta em relação à astrologia." Tal controle pelos pares funcionou recentemente no caso do sul-coreano Woo-suk Hwang, que teria feito a primeira clonagem de células-tronco embrionárias humanas, que não passou de uma fraude.

Engenheiro por formação, Lindemann e o ex-coordenador do NEFP, Paulo dos Reis Gomes, defendem o status de ciência para a astrologia. Segundo Lindemann, os estudos do NEFP seguem a metodologia científica da observação, hipóteses, experimentação e tese (generalização). E que os resultados, medidos de forma estatística, revelam que as posições dos astros interferem na vida das pessoas. Mas ele admite que essa interferência pode não ser creditada à gravidade, mas a uma outra força ainda "desconhecida pela ciência. Se não estudarmos, não descobriremos", justifica.

Considerando equivocada a decisão da UnB, o físico Jean Bricmont, da Universidade de Louvain, na Bélgica, propõe um desafio aos astrólogos: "Peça aos defensores da astrologia para fazerem uma porção razoável de previsões, num experimento controlado, cujo resultado seja melhor do que o acaso. Cientistas fazem isso o tempo todo. Se eles não passarem no teste, por que nós deveremos acreditar neles? E se não podemos acreditar neles, por que deveríamos ensinar o que dizem?" Bricmont ficou mundialmente conhecido ao escrever, com Alan Sokal, o livro "Imposturas Intelectuais", que solapou o discurso pós-moderno de alguns filósofos que abusavam de metáforas científicas sem cabimento.

O lógico Newton da Costa, ex-professor da USP e hoje na UFSC, até admite o estudo de astrologia em universidades, desde que tratada como "fenômeno social". Mas ele nega o status de ciência, já que os astrólogos alegam que o que fazem é verdade absoluta; já a ciência, ao contrário do senso comum, trata com outros conceitos de verdade, sempre submetida à checagem. "Enquanto a ciência pode ser reproduzida, cinco astrólogos podem fazer previsões diferentes sobre o mesmo tema."

Tambosi chama a atenção para um ponto negligenciado: o relativismo que grassa nas ciências humanas e sociais, na maioria das universidades brasileiras, acaba por abrir as portas para o esoterismo. "Se tudo é relativo, se tudo é reduzido a discurso ou texto, desaparece a questão da verdade. Todos os 'textos' estão em pé de igualdade. Assim, uma teoria científica tem o mesmo valor de um discurso do papa ou de uma carta astrológica."


Tudo isso poderia parecer restrito às arengas acadêmicas e crenças pessoais, mas não é assim. Algumas empresas recorrem a meios como astrologia, grafologia e numerologia, na seleção e gestão de pessoal. O professor Thomas Wood Jr., da Fundação Getúlio Vargas (FGV), diz que as empresas procuram "placebos" para solucionar problemas reais ou imaginários, "soluções que trazem conforto emocional. A gestão é tão amadora que qualquer mapa serve, até um mapa astral".


(NOTA: Paulo Henrique de Sousa foi aluno - excelente - do Curso de Jornalismo da UFSC e hoje é repórter - também excelente - do jornal Valor Econômico).

(Ilustração: Atlas Coelestis seu Harmonica Macrocosmica, de Cellarius, Amsterdã, 1661).

quinta-feira, 13 de abril de 2006

Prefeito do Rio evita retrocesso. Ufa!

O prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, vetou o projeto de lei do vereador/ator Cláudio Cavalcanti - aprovado pela Câmara dos Vereadores - que proibia o uso de animais em experimentos científicos (ver nota abaixo). Além de conter "vícios de inconstitucionalidade e ilegalidade", afirma o prefeito, o projeto poderia "representar um grande atraso científico e tecnológico para o município do Rio de Janeiro, onde se localizam instituições renomadas em pesquisas biológicas, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Fundação Oswaldo Cruz."

Decisão correta e lúcida. O ator canastrão que deixe a ciência em paz e volte para as novelas. Poderia, talvez, interpretar algum personagem da Santa Inquisição.

***
NOTA: em respeito ao direito autoral, a inserção de matérias integrais de jornal/revista no espaço destinado aos comentários será eliminada.

"Quadrilha" e seus sinônimos

O documento da Procuradoria Geral da República incriminando grandes figuras do governo e do PT (ver abaixo, "Ali Babá e a era petista") se refere muitas vezes à palavra "quadrilha". Certamente, não se trata da famosa dança popular brasileira, própria dos festejos juninos.

Uma das definições do Houaiss que se enquadra perfeitamente ao espírito da denúncia ao STF é "bando de malfeitores, súcia, corja". Para encurtar: quadrilha é sinônimo de súcia ("reunião de indivíduos de má índole ou de má fama; malta, bando").

A sinonímia de súcia, por sua vez, forma um elenco devastador. Escolha o seu termo predileto: cacaria, cachorrada, cambada, canalha, caterva, corja etc. E o dicionarista, ainda por cima, manda consultar também a "sinonímia de ralé"...

Houaiss dixit.

quarta-feira, 12 de abril de 2006

Um canastrão contra a pesquisa centífica


Não bastassem as violentas investidas do MST contra a pesquisa científica, vem agora um ator/vereador canastrão tentar impedir, no Rio de Janeiro, o uso de animais em laboratórios. Está nas mãos do prefeito César Maia a decisão de vetar ou não o projeto de lei aprovado pela Câmara de Vereadores proibindo a vivissecção (uso de animais para estudo de processos vitais e nas práticas experimentais e didáticas) relacionada no investigações científicas no município.

A Sociedade Brasileira de Genética enviou carta ao prefeito dizendo-se estarrecida com o projeto e pedindo que Maia o vete. Sem meias palavras, denunciam os geneticistas: "Aparentemente o propósito é retornar ao obscurantismo da Idade Média, em que estudo científico era considerado como coisa do demônio. Lamentavelmente esta iniciativa não é isolada e vincula-se a um amplo movimento anticiência que grassa por toda a parte."

Têm razão os cientistas em dizer, ainda, que todas as universidades e instituições de pesquisa do país contam com comitês de ética que impedem a manipulação inadequada de seres vivos em experiências. Desnecessária, portanto, essa lei que eles qualificam de "truculenta".

A proibição do uso de animais em pesquisa, de fato, inviabilizará avanços em experimentos que resultam em benefícios para milhares de pessoas. Sem cobaias, muitos dos medicamentos e vacinas hoje de uso corrente não teriam sido produzidos.


Ah, o autor do projeto é Cláudio Cavalcanti (PFL), aquele ator canastrão da Globo que atuou na novela "Irmãos Coragem". Faria melhor o vereador pefelista se cuidasse dos ratos que infestam a política.

terça-feira, 11 de abril de 2006

Ali Babá e a era petista

Quarenta foram os ladrões de Ali Babá. Quarenta são também os acusados pela Procuradoria Geral da República junto ao STF por "formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão ilegal de divisas, corrupção ativa e passiva e peculato." Entre eles, ex-ministros petistas como Luiz Gushiken e o comissário José Dirceu (que esteve hoje aqui em Floripa contando estórias aos comerciários*), além do publicitário Duda Mendonça e do ex-presidente do PT, José Genoíno.

Concidências?

Maktub.

(*Detalhe: a imprensa não teve acesso à palestra do comissário).

Um mito a menos

A ciência acaba de desfazer mais um mito, intensamente explorado por programas de televisão: o de que pessoas que estiveram à beira da morte viveram "experiências místicas" que as conduziriam a outras dimensões, talvez rumo a uma outra vida no além.
Tais experiências são comuns a todos os que enfrentam essa situação crucial. Em geral, elas têm as mesmas sensações: relatam que se viram cercadas de intensas luzes ou que se sentiram flutuando no espaço, olhando para si próprias lá embaixo, deitadas numa mesa de operações.

Mas não se trata de eventos espirituais ou místicos. A explicação é biológica: em todos esses indivíduos foram ativadas as mesmas partes do cérebro que entram em ação quando sonhamos. Desenvolvida por neurologistas norte-americanos, a pesquisa mostrou que muitas dessas sensações também são vivenciadas por pessoas que estão no estágio do sono conhecido como REM (sigla em inglês para Rapid Eye Movement, ou movimento rápido do olho). É nesse estado de sono profundo que ocorrem os sonhos.

Os cientistas constataram que 60% dos participantes que vivenciaram a "quase morte" haviam também vivenciado o sono REM quando acordados, ocasião em que, conforme relatam, não conseguiam se mexer, sentiam fraqueza súbita nos músculos das pernas e ouviam sons que outros não ouviam.

Senhores místicos, o conhecimento tem seu preço.


Leia aqui.

segunda-feira, 10 de abril de 2006

Darwin e as eleições


O casal Garotinho, do RJ, não acredita na teoria da evolução. Por isso mesmo a governadora Rosinha introduziu, em 2004, o ensino do criacionismo nas escolas do Rio. Isto significa que, contra todas as evidências científicas, as crianças "aprendem" que a Bíblia está absolutamente certa. O ser humano não é resultado da evolução: Adão e Eva surgiram prontinhos.

Com o avanço das religiões evangélicas, a doutrina criacionista começa a ganhar força no país. Segundo pesquisa feita no início do ano passado pelo Ibope para a revista Época, 89% dos brasileiros acham que o criacionismo deve ser ensinado nas escolas, e quase um terço da população acredita que o homem foi criado por Deus nos últimos 10 mil anos, já na forma atual. O mais espantoso: 75% acham que a doutrina criacionista deve substituir a teoria da evolução nos currículos escolares.


Com Garotinho na presidência, então, adeus ciências.

O fato é que o eleitor nunca esteve tão mal em termos de opções. Se ficar, o bicho come; se correr, o bicho pega.

(Leia na Época a excelente reportagem de Eliane Brum sobre as idéias criacionistas. A ilustração é da revista.)

domingo, 9 de abril de 2006

Opus Dei, "Copus Dei" ou criacionismo?

A Folha de S. Paulo divulga na edição de hoje uma pesquisa de abrangência nacional (foram ouvidas 3.795 pessoas em 182 municípios) mostrando que a candidatura Alckmin não decola. Garotinho já está encostando nele: é 20 por cento contra 15 por cento (em pesquisa anterior, a diferença era de 11 pontos).

Enquanto isso, Lula alcança 40 por cento das intenções de voto, apesar de chefiar um governo que mergulhou a República no maior sistema de corrupção da história. O levantamento mostra que Lula venceria tanto Alckmin quanto Garotinho num eventual segundo turno.

Pois bem: FHC, Tasso e Aécio que expliquem por que razão escolheram o Picolé de Chuchu - que já andava por baixo antes mesmo de assumir a candidatura -, menosprezando Serra, que estava na dianteira. Ah, ele não poderia "trair" o compromisso assumido (a assinatura num papelote) de ficar na prefeitura de São Paulo até o final do mandato, como alardeou incansavelmente o jornalista Gilberto Dimenstein. Para o "ongueiro" articulista da Folha e os paulistanos que pensam como ele, parece que os interesses de SP estão acima dos interesses do país.

Mas o fato é que Serra rasgou o tal papelote ao candidatar-se ao governo do Estado. Com isso, ainda não é carta fora do baralho na disputa presidencial, como já foi dito aqui. Basta o insosso Picolé dissolver-se ao sol da campanha.

O dado chocante é que Lula continua na frente. Conclusão: ou as pesquisas são manipuladas, distorcidas etc., ou o brasileiro é, de fato, complacente com a corrupção, como demonstrou outro levantamento já comentado neste blog (fica aqui uma provocação ao professor Roberto Romano, meu caro amigo, que criticou essa pesquisa em "Respeitem o povo brasileiro", abaixo).

Para resumir, a perspectiva que vai se formando, ao que tudo indica, é a seguinte: o eleitor não está condenado à polarização Alckmin/Lula (ou Opus Dei ou "Copus Dei", como brinca Eny, do Despodrindo o Brasil, link ao lado). Há um terceiro no páreo: o criacionista (!) Garotinho.

Pobre Bananão!

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ESTE BLOG SEMPRE FOI UM ESPAÇO PARA DISCUSSÃO ABERTA, DEMOCRÁTICA, RACIONAL E SEM PRECONCEITOS. POR ISSO MESMO, NÃO HESITARÁ EM SUPRIMIR COMENTÁRIOS GROSSEIROS E INJURIOSOS.

sábado, 8 de abril de 2006

O comissário Dirceu vem aí. Chamem o Yves!

Florianópolis contará com uma visita nada ilustre na próxima terça-feira. Ele vem para a abertura de um congresso promovido pela Federação dos Trabalhadores no Comércio de SC (Fecesc), na aprazível Cacupé. Seu tema: "A responsabilidade das esquerdas". Sim, é ele mesmo, o comissário José Dirceu, cassado pela Câmara dos Deputados por falta de decoro parlamentar, como um dos chefes do mensalão.

Responsabilidade das esquerdas? Ora, só se for criminal, pelo menos no caso do lulismo-petismo - que, aliás, enterrou na lama a própria idéia de esquerda aqui no Bananão.

Os comerciários convidaram também o chefete do neopeleguismo, João Felício, novamente candidato à presidência da CUT (a Fecesc é cutista, claro).

Por razões óbvias, não convidaram o escritor paranaense Yves Humblet, com quem poderiam aprender mais.

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Saudades da Idade Média

CPT faz apologia da destruição de centros de pesquisa

A Comissão Pastoral da Terra, entidade ligada à Igreja Católica, confirma o que este escrevinhador disse no texto "A "revolução" anticientífica do MST" (abaixo). Vem da Igreja, onde ainda prospera a Teologia da Libertação (que o Papa João Paulo II julgava ter liquidado), a inspiração e o incentivo às invasões de centros de pesquisa e à destruição de laboratórios das execradas "multinacionais". Saudosa da Idade Média e inimiga da Modernidade e da revolução tecnológica, a Pastoral justifica os atentados contra a pesquisa científica em documento sob o título "A Via Campesina e a lição de Curitiba" (05/04/06).
Ao apresentar-se "contra os trangênicos e as empresas de biotecnologia" - diz a entidade -, "a Via Campesina consolidou sua luta contra o modelo
de agricultura que toma conta do mundo neste momento, baseada no esgotamento dos recursos naturais e na expulsão em massa das pequenas comunidades que ainda tentam viver no campo, entre elas os indígenas, negros, quilombolas, faxinalenses, ribeirinhos, quebradeiras de coco, moradores de fundos de pasto e tantos outros."

Cito alguns trechos desse texto estarrecedor:

"O mês de março deste ano de 2006 entrou para a história da luta camponesa mundial. As mobilizações começaram em Porto Alegre, durante a conferência da FAO sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural, pelas mãos corajosas (todo ato de coragem envolve alguma controvérsia!) das mulheres que ocuparam o viveiro de mudas de eucalipto da empresa Aracruz Celulose e seguiram em Curitiba desde o dia 13, com o encontro Nacional do MAB e as atividades em torno dos eventos de biosegurança e biodiversidade (MOP3 e COP8) realizados pela ONU na capital paranaense.

Na pauta dos movimentos sociais ligados à Via Campesina estavam a denúncia dos crimes ambientais e sociais que vem sendo praticados pelas empresas multinacionais do agronegócio e o anúncio da viabilidade e urgência de um outro modelo de agricultura, baseado na democratização da terra e das águas, num novo modelo energético, na produção agroecológica, na comercialização solidária, nos direitos dos consumidores e no respeito ao meio-ambiente.
Se em termos oficiais os eventos da ONU em Curitiba ficaram bem aquém do possível em termos de avanços na legislação de biosegurança e proteção à biodiversidade (resultados que alguns chegam a chamar de “decepcionantes”), em muitos sentidos porque os países membros se renderam às pressões e aos interesses comerciais de empresas como a Monsanto, a Syngenta, a Bunge, a Cargil, entre outras, mais do que aos interesses sociais e ambientais, em termos da luta popular houve avanços significativos.

O primeiro deles diz respeito à visibilidade: o ato na Aracruz foi a alavanca para uma cobertura importante da impresa para a participação da Via Campesina, enquanto organização internacional de movimentos sociais. A novidade está no fato de que esses movimentos conseguiram se apresentar com bandeiras unificadas, rompendo o tradicional isolamento e fragmentação, que dão margem às caricaturas e preconceitos com os quais a imprensa costuma rotular a luta dos camponeses, aqui e em todo o mundo.


(...) A Via Campesina chamou para si publicamente a responsabilidade de guardiã das sementes e da biodiversidade, já que o modelo de agricultura defendido pelos movimentos sociais está baseado na distribuição uniforme da terra e na diversidade de produção. Ora, só há diversidade de vida se houver diversidade de cultura. E para isso é preciso garantir a reprodução do modo de vida camponês para que a terra também sobreviva. Se o modelo monocultor do agronegócio destrói e polui, o modelo camponês guarda, cuida e reproduz."
* * *
"A aliança camponesa, tal como foi vivenciada nesses dias, prepara para o enfrentamento do modelo de sociedade no seu conjunto, não apenas para política reivindicatórias de cunho assistencialista e/ou demasiadamente locais e pontuais. Sendo assim, outro desafio parece ser a articulação da Via Campesina com os movimentos urbanos, além das organizações ambientais e indígenas, que somam na defesa da terra como espaço de vida e não de negócio, reafirmando um projeto de soberania de cada população, no qual a biodiversidade é garantida como patrimônio do povo a serviço da humanidade."

Leia o documento, na íntegra, no excelente blog Diplomatizando.

P.S.:
refrescando a memória: em entrevista à TV Cultura de SP, no ano passado, o mentor da CPT, Dom Tomás Balduíno, afirmou que o agronegócio - responsável pelas grandes exportações brasileiras - é "o demônio". E sabem onde fica a "a morada" do tinhoso? Em Mato Grosso...

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Sempre ela!

Aos berros, como de hábito, a paulistana Ideli Salvatti, senadora do PT por SC e buldogue do lulismo, repreendeu o presidente do Senado Renan Calheiros pelo "vazamento" de seu pedido para a demissão do servidor Adriano Gomes, chefe do setor de operação de câmeras de vigilância. "Os colegas do demitido acham que Ideli foi induzida a erro pelo seu chefe de gabinete, que teria sido filmado recebendo caixas de uísque de um contrabandista preso há dois dias pela Polícia Federal." (No site do Cláudio Humberto).

Devolva o mandato, senadora, e volte para os braços de sua querida turma do PT paulista: Dirceu, Delúbio, José Genoíno...

quarta-feira, 5 de abril de 2006

A "revolução" anticientífica do MST


Prosseguindo na linha traçada pelo “comandante” João Pedro Stédile, o coordenador nacional da Via Campesina e do MST, Roberto Baggio, avisa que o inimigo são as “multinacionais”. O pretexto: “elas ameaçam a biodiversidade, querem dominar a agricultura, as sementes, o meio ambiente e a alimentação”. Tais empresas, na visão de Baggio, não têm outro objetivo senão “privatizar os recursos naturais brasileiros, nossa natureza”, afetando a vida de “milhões de camponeses no Brasil.” Não se trata, portanto, de atacar bancos ou outras empresas do capital financeiro, hoje o grande símbolo multinacional. Não, as verdadeiras inimigas da Via Campesina e do MST são a biotecnologia, a agroindústria, as ciências aplicadas à agricultura. Daí as invasões a centros de pesquisa agrícola, com depredação de laboratórios e campos experimentais (Aracruz Celulose, no RS, e Syngenta Seeds, no PR, são os exemplos mais recentes).

Eis o fruto mais viçoso da Teologia da Libertação, pregada durante longos anos por bispos e párocos da Igreja católica no sul do Brasil. Sob essa batina pretensamente revolucionária escondeu-se sempre a velha reação à modernidade, a negação da revolução científico-tecnológica, esta sim revolucionária. É certo que, como toda revolução, a tecnológica tanto constrói quanto destrói. Ela está destruindo uma cultura antiga, agrícola, criada há dez mil anos, e compelindo a humanidade a renunciar a técnicas obsoletas e ao patrimônio cultural dos antepassados. Esse conflito praticamente se esgotou em todos os países industrializados, mas ainda gera resistência e protestos, rebeliões e angústia em países em desenvolvimento. É o preço que pagamos pela civilização.

Em busca do "camponês" perdido

Ora, retornar ao velho mundo agrícola - sem ciência nem tecnologia – implicaria igualmente regredir aos níveis de produção alimentar do passado, e, conseqüentemente, aos valores demográficos do passado. Menos alimento, menos gente. Não há como fugir disso. Por outro lado, a população brasileira urbanizou-se de maneira vertiginosa a partir dos anos 50 do século passado, atingindo hoje mais de 80 por cento. É na cidade que está o "camponês" do MST e da Via Campesina. Quem estaria disposto a voltar ao campo para viver e plantar nas paróquias idealizadas por essa teologia apimentada com marxismo de orelha?

Não é à toa que o MST busca arrebanhar forças na periferia dos centros urbanos. Sua utopia, porém, já não se restringe aos tais "milhões de sem terra.“ O que Stédile e seus comandados querem é o poder, retomando a via revolucionária que a história demonstrou fracassada. Como recordou o filósofo Ruy Fausto (um estudioso de Marx) em recente artigo na Folha de S. Paulo, as três grandes revoluções socialistas do século XX tiveram como desfecho, para além dos milhões de mortos, o capitalismo selvagem no caso da China, o capitalismo mafioso na Rússia e uma situação de miséria e colapso econômico no caso de Cuba (“A esquerda e o país”, 12/03/06).

Apesar das duras lições da história, parece ser este o retrógrado projeto do MST (em parte alimentado por verbas públicas), que vai ganhando fôlego diante da letargia dos poderes da República – particularmente do governo, incluindo os estaduais - e do discreto apoio de setores do PT, do qual é uma espécie de “braço armado”. Quanto às entidades representativas da sociedade, que outrora lutaram pela democracia e pelo Estado de Direito, apenas fazem vistas grossas. Caminho livre para o retrocesso. Não se trata de revolução, mas de reação.

(Ilustração: foice e martelo, um símbolo que já nasceu tecnologicamente antiquado).

PTerossauro


Da Primeira Leitura, sobre a "grande família" petista" e sua ramificação no aparelho de Estado, nas Ongs, nos sindicatos etc (onde houver uma "boquinha"oficial). No alvo:

"Ser petista é jamais ter de procurar emprego e de pedir desculpas. Petista da cúpula, é claro. Se vocês acompanharam a acareação entre Paulo Okamotto e Paulo de Tarso Venceslau, o dissidente, então viram: militantes do partido estão sempre se arrumando em cargos públicos, sindicatos, ONGs, quase-ONGs, esquemas... Eles vão se multiplicando feito bactérias anaeróbias e contaminando todo o aparelho de Estado.
São uma rede, uma família, uma organização secreta, uma praga, uma doença. Essa gente que você vê esconde aquela que você não vê. (...)
O fato é que fica cada vez mais caracterizada a natureza do PT: trata-se mesmo de uma nova classe social. Funde o autoritarismo herdado da metafísica leninista-stalinista com o arrivismo puro e simples dos burgueses do capital alheio" (segue).

(Na ilustração, o "biquinho" do PTerossauro)

terça-feira, 4 de abril de 2006

A necessidade de divulgar as ciências

Por que se perdeu a maior parte do patrimônio científico helenístico? Até agora, as causas eram atribuídas às condições econômico-sociais do mundo antigo, mas estudos mais recentes dizem algo mais. Não bastam as descobertas e inovações: é indispensável difundir as informações. Em outras palavras, a ciência só sobrevive se o conhecimento por ela gerado for divulgado. E ela já perdeu a batalha uma vez. Leia no blog 2, Artigos & Resenhas, o artigo do escritor e jornalista italiano Franco Prattico, que examina, entre outros pontos, "a culpa de Roma". (No mesmo blog, à margem direita, veja a "brincadeira" com a figura do velho e bom Kant: passe o mouse).

A lama é do PT

A propósito da pesquisa do Ibope mostrando que o brasileiro é complacente com a corrupção - que destaquei aqui (ver notas abaixo) -, o professor Roberto Romano levanta algumas dúvidas em sua coluna semanal no Correio Popular, de Campinas. Ele sustenta que a pesquisa induz a um só resultado, o da corrupção. Como vivemos em tempos sombrios, pode se tratar, de fato, de mais uma tramóia do PT para tentar diluir (ou "socializar") o lodaçal em que o governo Lula mergulhou a República. Em favor do contraditório, reproduzo aqui o texto do amigo, disponível também em seu blog (link ao lado). Dá uma boa discussão.

Respeitem o povo brasileiro!

Roberto Romano

O Partido dos Trabalhadores usou a ética e a moralidade públicas, durante mais de 20 anos, como elemento de propaganda. Ele se apresentou como campeão do povo brasileiro, caluniado e sofrido. No poder, revelou-se a hipocrisia que marca os discursos dos seus líderes. Diante das evidências de sua falta de respeito aos parâmetros éticos, espalham a lama. E usam a técnica do gambá, evocada por mim quando critiquei o pai do “é dando que se recebe” no Congresso Nacional, em artigo na Folha de São Paulo ( “O Prostíbulo Risonho”). Descobertas as falcatruas, dizem os culpados que os outros são iguais a eles. Não contente em caluniar a classe política — existem políticos que não agem como Delúbio Soares, Silvinho Land Rover etc. — o PT, com ajuda do Ibope, tenta ampliar as bases desse procedimento. Não apenas os políticos, mas cerca de 70% do povo brasileiro seria corrompido! Trata-se de operação a ser denunciada pelas pessoas sapientes, de bem e que possuem dignidade.

As ciências sociais desenvolveram métodos para apurar os surveys, testá-los, corrigi-los, tendo em vista deles afastar perguntas que induzam respostas. Todo estudante de sociologia, antropologia, psicologia social, economia, sabe que o mais árduo em termos científicos é produzir questionários sem subjetivismo (indicando valores do próprio pesquisador) ou questões que nada medem do que se deseja, ou medem o que não se deseja. As questões colocadas pelo Ibope aos pesquisados induzem as respostas para um resultado só, o da própria corrupção. Caso fossem postas perguntas ligadas apenas a fatos positivos, e inseridas na mesma ordem utilizada na pesquisa, teríamos 70% de anjos no Brasil. Nem uma coisa, nem outra.

As ciências sociais aprimoraram instrumentos analíticos que permitem controlar os dados postos pela consciência dos atores coletivos e individuais. Não é preciso ser marxista, freudiano, nietzcheano para perceber naqueles pensadores algo essencial das ciências humanas: há enorme diferença entre “pensar” algo sobre si mesmo e “ser” algo. Marx, Freud, Nietzsche foram chamados pelo grande filósofo Paul Ricouer, não por acaso, como “os mestres da suspeita”. Eles reforçaram a necessária cautela diante do conteúdo imediato da consciência, rigor exigido de quem deseja fazer ciência e não repetir preconceitos ou valores. Não é científico passar (sem análises empíricas e lógicas) da “consciência” de que se é “bom” ou “ruim”, para o “ser” bom ou ruim. Um coletivo pode se considerar excelente, sendo perverso. Mas ele também pode se considerar péssimo, e ser uma sociedade razoável. Não seria preciso os mestres da suspeita. Basta abrir os textos platônicos: existe diferença entre a opinião (doxa) que alguém possui dos outros e de si mesmo e a ciência (epistême). Esta última, não raro, deixa insatisfeitos os que têm de sua gente e costumes uma idéia falsa. A resistência ao grande Darwin possui esta fonte: os sujeitos se imaginavam seres únicos no interior da natureza. A evolução destruiu esta opinião. A ciência não repete o que os sujeitos pensam sobre si mesmos. Ela investiga a verdade das suas assertivas.

É possível inculcar nos agentes coletivos e individuais falsas opiniões sobre o próprio valor. B. Bettelheim, no livro The Informed Heart, the human condition in modern mass society, mostra como os carrascos nazistas domesticaram prisioneiros dos campos de concentração. Eles usaram técnicas que induziam os aprisionados à perda da auto-estima, à idéia de si mesmos como gente sem valor. Médicos, advogados, economistas, escritores, engenheiros, acostumados ao tratamento social como “vós”, foram obrigados ao tratamento com o “tu”, forma de acentuar a sua pretensa inferioridade. O povo brasileiro foi domesticado e envilecido por charlatães com “teorias” como o eugenismo, cujo alvo era estabelecer diferenças falsas entre povos “normais” e “degenerados”. Na esteira do eugenismo, os mentirosos reforçaram os mitos da “preguiça brasileira”, a nossa pretensa inferioridade devido à mestiçagem etc. Propagadas, aquelas doutrinas mostraram-se compatíveis com as práticas fascistas, ajudaram a corroer o caráter e a auto-estima da nossa gente. Fosse veraz o Ibope, nenhum contrato seria cumprido no País, nenhum ofício seria realizado e não haveria o número biliardário do superavit e os juros que engordam, com impostos, as burras do governo e de seus aliados.

Como suprema traição aos seus 20 anos, o governo “dos trabalhadores” recebe poderosa ajuda de um instituto que mede a opinião popular intoxicada pela propaganda policialesca de jornalistas e intelectuais contrários à democracia. Este é um passo a mais na corrosão do caráter nacional. Não, senhores do PT e do Ibope! Basta de lama jogada na face de mulheres e homens, jovens ou velhos, que saem de casa às 4 da manhã, seguem para o serviço em conduções péssimas, se alimentam de modo irregular e ganham o pão com o suor do rosto. E pagam impostos tigrescos. Sindicalistas que subiram na vida mentindo ao povo e hoje nadam na lama, respeitem quem é honesto! A tentativa de assassinar o caráter das pessoas retas deste País é genocídio espiritual. Basta!

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Racionalidade zero

"Sou movida à paixão. Pra mim, sem paixão não há verdade. Só faço aquilo em que acredito. Se eu acredito, logo me apaixono me envolvo" (sic). Ideli por Ideli, em seu site senatorial.

A concepção da madrinha do lulismo não se encaixa em nenhuma das teorias da verdade discutidas pela epistemologia.

Só agora?

A Folha de hoje diz em manchete que a "bola da vez" - isto é, o novo alvo da oposição - é o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. No mínimo, ele teria sido "omisso" na violação de sigilo bancário do caseiro Francenildo, que derrubou Palocci.

Ora, como ministro do governo Lula, Bastos tem feito o que sempre fez. Afinal, é um advogado criminalista (dos bons). A função de um advogado dessa especialidade, como se sabe, é justamente defender acusados de crime, ainda que, na era lulista, este último tenha sido reduzido a simples "erro".

Cumpre-a à risca, 24 horas por dia.

domingo, 2 de abril de 2006

A anta voltou. Anauê!



A barafunda ideológica da era lulista traz de volta até um certo nacionalismo de odor integralista, cujo símbolo foi a nacionalíssima anta (Tapirus terrestris).

A diferença, agora, é que a bandeira é levantada por governistas que se dizem "de esquerda", patriotas em armas contra o que chamam de "nova direita" (apud Folha de S. Paulo).

E neodireitistas, claro, são todos os que deles discordam, ousando criticar o governo, o petismo e o próprio país.

Ironizar o Bananão, então, nem pensar. É crime de lesa-pátria. Quem o fizer sofrerá ameaças de ser "acionado" na Justiça (bolas, acionados foram os motores que levaram nosso astronauta a um dispendioso turismo nacionalista no espaço, sem qualquer proveito científico).

Além de se arrogarem portadores do "sentido" da História, os patrioteiros "esquerdistas" julgam-se também donatários do país. Rejeitar seu vago e tosco ideário é colocar-se contra a nação. Ah, se dispusessem de um paredón...

Se não tomarem cuidado, logo, logo vão chegar a Plínio Salgado. Galinha Verde com estrela vermelha?
No Bananão, tudo é possível.

(O cartaz acima é de 1937 e está disponível na Wikipédia).

sábado, 1 de abril de 2006

Nós e os vírus


Deixando de lado (provisoriamente, é claro) o lodaçal político que escorre no Bananão, recomendo a leitura, no blog do jornalista e escritor Carl Zimmer - um dos melhores divulgadores das ciências (referência ao lado) -, do artigo ("Learning to ignore your viruses") sobre a importância dos vírus que colaram seus genes no nosso genoma há 60 milhões de anos. São nada mais, nada menos do que 98 milhões de vírus. O fascinante, diz Zimmer, é que os cientistas estão descobrindo, cada vez mais precisamente, como eles podem afetar nossa saúde ao longo do tempo. E, tanto melhor, como podem indicar caminhos para superar muitos problemas.