quarta-feira, 31 de maio de 2006

O ataque aos direitos adquiridos



O ministro Tarso Genro andou atacando o "direito adquirido" em entrevista à Folha de S. Paulo, sábado. Defendeu ele a "redução drástica de despesas da União, com corte de salários, pensões e aposentadorias como uma medida exemplar e crucial para que o país consiga crescer a médio prazo". É preciso "remover o conceito arcaico de direito adquirido" e "cassar privilégios para os quais as pessoas não contribuíram".

Em entrevista ao jornal Zero Hora, o presidente do Tribunal de Justiça do RS, desembargador Marco Antônio Barbosa Leal, foi ao ponto: "vejo nas declarações do ministro um viés autoritário preocupante."

E bota preocupante nisso.
Leia a entrevista aqui e acompanhe o debate no Jus Sperniandi.

Agência chapa-branca

Na defesa do lulismo-petismo, ela está na linha de frente. A primeira coisa que você vê, ao abrir a página da agência, é um banner da Petrobras ("Petrobras: a maior patricinadora da cultura do Brasil").
Jornalismo sério e crítico é isso aí. O resto, claro, é tachado de conservador, direitista e afins.

Morre Daniel Herz


Faleceu ontem o jornalista Daniel Herz, ex-professor do Departamento de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina, do qual foi um dos fundadores. Seu corpo será cremado hoje, em Porto Alegre, onde o jornalista residia. Daniel, que tinha um espírito de luta e uma capacidade de trabalho invejáveis, perdeu a longa luta contra o câncer. Leia aqui.

terça-feira, 30 de maio de 2006

Causa pública

Acabo de receber por e-mail, do professor de Direito da Universidade Federal do RS, Eduardo Dutra Aydos, a comunicação de que está na rede uma proposta de intervenção política em defesa da democracia e do Estado de Direito, dedicada ao "estudo, formulação, articulação e acompanhamento de pedido de impeachment do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva". O emissário, articulista de www.diegocasagrande.com.br e www.democracia.org.br , criou a página www.causapublica.org e afirma que

o tema do impeachment, como um recurso legítimo, ordinário e necessário da democracia, deu o prefixo da nossa disposição. Deverá ser mantido e amplificado enquanto persistir o risco de continuarmos governados, de direito ou de fato, pela organização criminosa que acampou no Planalto. Estamos enfatizando o seu enfrentamento, com a certeza que não haverá futuro para a democracia no Brasil se não construirmos uma solução honesta e efetiva, para a corrupção, o cinismo e a impunidade, que pautam o dia a dia da política nacional. Essa é a grande prioridade nacional. E dela são dependentes ou nela estão umbelicalmente ligadas as outras questões relevantes, que nos deverão ocupar desde a sua ultrapassagem, como o resgate da ordem jurídica e a necessidade da reforma político-institucional.

O blog saúda a iniciativa, posto que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que, em passado recente, já foi porta-voz das lutas democráticas no país, hoje muito fala e pouco faz.

P.S.: assistimos ao apodrecimento das instituições públicas e democráticas, com o beneplácito dos poderes constituídos.

Monsieur Touraine e "os" bananas

Monsieur Touraine, amicíssimo de FHC (Dom Fernando Henrique, lembram?), gosta tanto de "laboratório social" que acha racional reeleger Lula, o ex-trabalhador e atual presidente do Bananão que jamais leu um livro. Experiências em Paris, claro, nada! (Ver nota abaixo, "Racionalidade à francesa").

Para alguns "cientistas sociais", nada melhor que milhões de cobaias gratuitas. É o supremo intelectual observando os indígenas, ou bactérias.

Certo, a banana é para os outros, isto é, os habitantes do laboratório sociológico. Mas o sociólogo Touraine que nos dê alguma razão para ler seus livros, já que qualquer dirigente serve no país alheio...

Trabalho vs. cadeia


Diferenças entre Presídio e Trabalho
(poucas, mas significativas...)

Do blog Diplomatizando. Ilustração: blog do Josias de Souza.


PRESÍDIO
Você passa a maior parte do tempo numa cela 5x6m.
TRABALHO
Você passa a maior parte do tempo numa sala 3x4m.

PRESÍDIO
Você recebe 3 refeições por dia.
TRABALHO
Você só tem uma, no horário de almoço, e tem que pagar por ela.

PRESÍDIO
Você é liberado por bom comportamento.
TRABALHO
Você ganha mais trabalho com bom comportamento.

PRESÍDIO
Um guarda abre e fecha todas as portas para você.
TRABALHO
Você mesmo deve abrir as portas, se não for barrado pela segurança por ter esquecido o crachá.

PRESÍDIO
Você assiste a TV e joga.
TRABALHO
Você é demitido se assistir a TV e jogar.

PRESÍDIO
Você pode receber a visita de amigos e parentes.
TRABALHO
Você não tem nem tempo de lembrar deles.

PRESÍDIO
Todas as despesas são pagas pelos contribuintes, sem seu esforço.
TRABALHO
Você tem que pagar todas as suas despesas e ainda paga impostos e taxas reduzidas de seu salário, que servem para cobrir despesas dos presos...

PRESÍDIO
Algumas vezes aparecem carcereiros sádicos.
TRABALHO
Eles usam um nome específico: Gerente, Diretor, Chefe...

PRESÍDIO
Você tem todo o tempo para ler piadinhas de e-mail.
TRABALHO
Ah, se te pegarem...

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Retrovisor

Nacionalizações (estatizações), hoje, são vistas com bons olhos só na América do Sul. Cultura ibérico-católica, saudade da paróquia.

Oh, que surpresa!

Tem gente festejando. Pensa que este já é um país sério, mas só dá pão e circo. Quanto tempo vai durar isso aí?

Los Problemas de Brasil

Corre na Internet cucaracha a seguinte (e merecida) piada sobre o Bananão:

"Los problemas de Brasil son dos (2):
los externos y los internos.
Los externos son Morales y los internos son Inmorales."

domingo, 28 de maio de 2006

Em poucas palavras...


Do Alerta Brasil, link ao lado.

sábado, 27 de maio de 2006

Olha ele aí de novo!

Pois não é que abro um jornal catarinense (que passou por uma belíssima reforma gráfica) e dou de cara com ele! Sim, ele mesmo, a figura do post abaixo, o ex-frei Leonardo Boff, que agora virou colunista também desse diário. O título do artigo inclui um termo, "paradigma", que lembra o velho relativismo de Thomas Kuhn. É pomposo, para um texto curto: "Política externa e novo paradigma".

Mas não se espere nenhuma análise acurada. O escrito serve novamente para enaltecer o poder (desta vez, a desastrosa política externa do governo Lula), além de abençoar as nacionalizações bolivianas. A política de relações exteriores do governo Lula, pontifica o teólogo, "se move dentro de um paradigma de futuro e de longo alcance, exigido pela nova situação da humanidade."

Caracas! Lula, Chávez e Evo são o novo rumo da humanidade! Eis a cara do novo paradigma. Para encurtar, passemos logo ao profetismo do final do artigo: "Estamos convencidos de que surgirá uma Terra multicultural, colorida por todo tipo de valores étnicos, éticos e espirituais com uma economia multidimensional e uma política do bem geral".

Pronto! Teremos uma paróquia universal, regida pela mística regressão ao ideal de comunidade, que se contrapõe à sociedade real, lugar das diferenças, da concorrência, das mediações. Harmonia, harmonia. E silencie-se quem pensa o contrário.

P.S.: curioso (mas nem tanto) é que os jornais gastem dinheiro com estas arengas místico-ideológicas. Claro que eles também abrem espaço aos cientistas, pesquisadores e professores, mas só se escreverem de graça. Este é o Bananão. Que cada vez mais evoca aquela infame cançoneta do tempo da ditadura: "Este é um país que vai pra frente/ uou, uou, uou, uou, uou....

O teólogo obsequioso


E por falar em intelectuais obsequiosamente silenciosos, é bom recordar o ex-frei Leonardo Boff. Quando ainda era frei, ele foi punido pelo Papa João Paulo II a um período de "silêncio obsequioso" - em termos mais simples, um cala-boca. Andava pregando a "Teologia da Libertação", essa mistura de escatologia cristã com marxismo de manual. Foi obsequioso, mas acabou abandonando a batina para escrever livros infanto-juvenis embebidos de vago humanismo, de carona em temas ambientalistas, ecológicos etc. E virou um boquirroto.

No mês passado, o teólogo escreveu um artigo no Jornal do Brasil valendo-se do discurso católico para "perdoar" o PT e o governo Lula. Sobre corrupção, quadrilha, mensaleiros, foi obsequiosamente silencioso. Disse ele: "caímos na tentação da política tradicional que inclui em sua prática uma aliança excusa com o poder econômico. Por isso não é transparente. Erramos. Mas todo erro tem correção. Pecamos. Mas todo pecado tem perdão. Caímos porque nos descolamos do povo e dos movimentos sociais que dia a dia nos convertem para as práticas corretas. Só nos redimimos, se voltarmos a esse primeiro amor e refizermos a aliança com os movimentos sociais".

Como se vê, é mais um que reduz crime a erro, conveniência tão ao sabor do lulismo nos últimos tempos. Ah, não faltaram ataques à oposição, que, essa sim, "não têm nenhuma ética a apresentar". Ética, todos sabemos, é exclusividade do rebanho do ex-frei. Quanto ao projeto político da oposição, diz ele, "é intrinsecamente anti-ético porque é anti-social não buscando o Estado de Bem Estar Social mas o Estado mínimo que privatiza. Desta forma, repassa o bem público que é de todos à propriedade privada que é de alguns. Prioriza a competição ao invés da cooperação, base da convivência e da democracia".

Bem-estar para quem, ó teólogo? Os banqueiros e os grandes empresários, obsequiosos, agradecem.

Mas a vergonha encurta ainda mais no final do artigo de Boff, extremamente obsequioso com o lulo-petismo. Aí vai: "O PT e seus aliados precisam se orgulhar da ruptura que introduziram na história do Brasil: de que alguém do povo, oriundo da lasqueira da vida conseguiu chegar lá e direcionar as políticas de Estado ao social e aos pobres. Esse legado deve ser ciosamente preservado. E só o conseguiremos reelegendo neste ano o Presidente Lula".

Ruptura, teólogo? Só se foi com a ética e a lei.

sexta-feira, 26 de maio de 2006

De volta


Depois de um longo e tenebroso inverno (para usar a batida frase aqui do sul) com problemas no computador caseiro, este escrevinhador está de volta para aporrinhar diariamente governantes, ideólogos, intelectuais obsequiosamente silenciosos e tutti quanti. Agradeço os comentários dos visitantes e amigos, cujos blogs volto a visitar, também diariamente.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Einstein, nem tão relativista assim...


Reproduzo texto já publicado aqui quando o blog ainda engatinhava (hoje já anda, claro, ainda que tropegamente). Trata-se de uma explicação da teoria da relatividade de Einstein - a mais sucinta, clara e objetiva que já li sobre o tema -, de autoria do professor de Filosofia Júlio César Burdzinski, atualmente na UFSC. O texto desmistifica a idéia de que "tudo é relativo", tão cara aos relativistas em geral, que interpretam erroneamente a teoria de Einstein, vendendo gato por lebre. O artigo foi publicado originalmente no jornal ZeroHora (26/09/05). Título: "Teoria da Relatividade ou Teoria da Velocidade Absoluta da Luz?"


Em primeiro lugar: não, a Teoria da Relatividade de Einstein não diz que TUDO É RELATIVO. A Teoria da Relatividade é uma teoria que diz respeito a certos aspectos físicos do universo, aspectos estes que não são perceptíveis em nossa experiência cotidiana do mundo. Mas o que diz ela exatamente?Einstein se perguntou o que aconteceria se alguém pudesse igualar a velocidade da luz. Considere um paralelo: imagine que eu me coloque ao lado de uma arma que é disparada e que eu possa de algum modo acelerar na mesma velocidade da bala. Do ponto de vista de um observador fixo, tanto a bala quanto eu estaríamos nos deslocando numa velocidade bastante alta – algo entre 600 e 700 metros por segundo. Em relação a mim mesmo, porém, a bala estaria parada, já que a nossa posição relativa não estaria se alterando.Mas e se a bala estivesse viajando na velocidade da luz – isto é, a cerca de 300.000 quilômetros por segundo? Mais exatamente: será que a luz, assim como acontece com a bala, também pareceria estática quando igualássemos sua velocidade? Este é o problema que Einstein se colocou. Há um complicador que deve ser acrescentado na situação descrita. Ocorre que a luz é uma onda. E a grande questão é: uma onda DE QUE? As ondas do mar são, claro, ondas de água. As ondas sonoras são ondas de algum meio material, tal como o ar. Mas do que são feitas as ondas de luz?

Durante muito tempo imaginou-se que as ondas de luz fossem ondas de uma substância chamada “éter”, mas essa idéia já havia sido descartada na época de Einstein. A conclusão que então se impôs foi a de que a luz não é o resultado do movimento de alguma substância etérea; ao invés, a luz é a própria onda. Não há luz sem esse movimento e, portanto, não é possível que a luz apareça parada mesmo para quem pudesse igualar a sua velocidade. Melhor ainda: não é possível igualar a velocidade da luz.A conclusão disto é que a velocidade da luz é completamente independente da velocidade do observador. Mas a velocidade é o resultado de um certo deslocamento num certo tempo. Assim, se a velocidade da luz é constante seja qual for o ponto de vista que assumirmos, então são os outros fatores que devem mudar para observadores em diferentes velocidades. E é isso mesmo que acontece. Daí algumas das conseqüências mais curiosas e conhecidas da Teoria da Relatividade, tais como as de que, em altíssimas velocidades, o tempo passa (de fato) mais vagarosamente e os objetos (de fato) encolhem. Assim, o que diz a Teoria da Relatividade é que o Tempo e o Espaço – tomados como absolutos pela física newtoniana – são relativos e variam um em relação ao outro. Mas, por outro lado, ela coloca a velocidade da luz como invariável e, neste sentido, a Teoria da Relatividade é uma Teoria do Absoluto: o absoluto da velocidade da luz.

NOTA: até o final da semana o blog voltará à normalidade, com atualização diária (enfim, terei de volta meu indispensável computador caseiro. Bem que gostaria de comprar o Notebook ao lado, da Submarino, mas o salário de professor não dá mais nem para pagar as contas).

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Venda-se tudo!

O Estado-monstrengo federal absorve 65 por cento dos impostos que pagamos sobre tudo o que compramos no país. Nada devolve em segurança (salve-se quem puder, como se viu em São Paulo), em infra-estrutura (você viaja, mas não sabe se volta) e em saúde (hospitais ou necrotérios?).

Educação, então, nem se fala. Pesquisas recentes mostraram que disputamos os últimos lugares em quase tudo com algum país africano. A qualidade do ensino público é péssima, mas o Acampamento Brasil (que em geral chamamos de sociedade) pouco se importa. As universidades estão à míngua desde os tempos bicudos de FHC, com professores sem reajuste salarial. Conseguiram um acordo na última greve, no ano passado, mas o governo, como sempre, não cumpriu a sua parte. Estão a ver navios até hoje.

Aqui na província de SC, professores da rede pública estão em greve há quase um mês. Que lhes oferece do governo? Uma merreca de 100 reais - e parcelada em três vezes!

Ecco, se não é interesse do Estado-monstrengo sequer a educação, e como o Acampamento não está nem aí para o problema, sugiro, como bom espírito de porco, que se vendam todas as escolas para o capital privado.

Quanto às universidades, que se abra uma licitação internacional, oferecendo-as de preferência para Inglaterra e Estados Unidos (que entendem de universidade: lá estão as melhores do mundo). Países latino-americanos, claro, seriam proibidos de participar da licitação. Na mão deles, a coisa ficaria ainda pior do que está.

Pronto, que venham os tiros!

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Tacho Genro

Quem é esse ministro Tarso Genro, chutado do Palácio para a presidência do PT e enxotado de lá para, novamente, o Palácio? Um esboço dessa personalidade da república lulista - que nega de noite o que afirmou de dia - está no blog Jus Sperniandi (link ao lado). Cito um trecho:

Que feio, ministro Tarso Genro!

De manhã criticou o Governo de São Paulo que não aceitou ajuda federal para combater a violência dos últimos dias e o acusou de ter feito acordo com a bandidagem – insisto em dizer que se isto realmente ocorreu não se trata de acordo, mas de capitulação, pura e simples – para pôr fim à guerra.
(...)
À noite, visivelmente constrangido, com cara de Tacho Genro, desmentiu-se e disse que pessoalmente “não acreditava” que o acordo tivesse ocorrido.
Em qual dos dois devemos acreditar?

(Leia aqui).

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Filosofia na rede

Há mais um bom dicionário de filosofia na rede: o Foldop (Free On-line Dictionary of Philosophy). Trata-se de uma iniciativa do site filosófico italiano SWIF, link ao lado. Os verbetes, que já ultrapassam dois mil, são redigidos em inglês. Veja aqui.

(Nota: o blog continua com problemas. Lamento não ter podido atualizá-lo diariamente, como sempre fiz desde a sua criação. E lamento também, em função das circunstâncias, não ter podido visitar os blogs amigos com a freqüência habitual).

terça-feira, 16 de maio de 2006

Vitória da bandidagem

Quem demonstrou força? A bandidagem. Quem se rendeu? O Estado. Eis o resultado da vergonhosa negociação de representantes do governo com os criminosos em São Paulo. Certamente, agora o tal Marcola (líder preso, mas com mais poder que qualquer governante) terá sanduíches de picanha com queijo diariamente na confortável prisão.

E o governo paulista, tratando a todos como idiotas, ainda diz que não houve negociação. O que ficou demonstrado é que não existe Estado no que diz respeito a uma das atribuições essenciais de um Estado: a segurança de seus cidadãos - questão que trata tão mal e incompetentemente quanto as áreas de educação e saúde.

A única máquina estatal que funciona - seja no plano federal ou estadual - é a infernal indústria da arrecadação.

Concluo repetindo o que disse ontem em relação ao Acampamento Brasil: salve-se quem puder.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Acampamento Brasil

O Estado brasileiro é pré-capitalista. Como tal, não consegue cuidar de três áreas essenciais a um Estado moderno: segurança, saúde e educação. A única coisa que aqui funciona é a infernal estrutura de arrecadação de impostos para alimentar esse monstrengo praticamente ausente na vida dos cidadãos.

Os atos de terrorismo em São Paulo são uma prova a mais dessa precariedade institucional. O país mais parece um acampamento. O Legislativo não legisla, o Judiciário é manco e o Executivo, desde os tempos coloniais, apenas executa a rapinagem das riquezas produzidas pela sociedade.

Salve-se quem puder.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

Fanfarronices sem resposta

E prosseguem as exibições de valentia cucaracha. Os ataques do presidente-cocaleiro em Viena já deveriam ter merecido, no mínimo, a retirada do embaixador brasileiro em La Paz. Lula, porém, continua botando panos quentes.

Talvez a situação, no fundo, não o desagrade. Sua reeleição aqui no Bananão - com Chávez na Venezuela, Morales na Bolívia - e a possível vitória do coronel Humalla no Peru, significariam a consagração da suposta "onda esquerdista" na América Latina.

Trata-se, na verdade, de uma velha conhecida: a onda populista-demagógica que, ciclicamente, faz a região retornar ao leito da cultura ibérico-católica, paroquial e anticapitalista.

Vade retro!

P.S.: e leia no blog Diplomatizando (link ao lado), o artigo de Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES, demitido no ano passado por telefone. Segundo o blog, o artigo "constitui o que eu chamaria de renúncia preventiva à soberania nacional. É inacreditável como certas pessoas aceitam diminuir os interesses nacionais..."

P.S. 2: e já que perguntar não ofende, volto a insistir, diante deste imbroglio: cadê o assessor de Lula para latino-americanices, o pseudo-embaixador Marco Aurélio Garcia, amiguinho dos hermanos Evo y Chávez?

quinta-feira, 11 de maio de 2006

Pane

Problemas com o computador impedem a atualização do blog com mais freqüência. A solução não deve demorar. Tenho certeza de que, quando tudo voltar ao normal, Lula ainda estará aí.

terça-feira, 9 de maio de 2006

Um tango para a Cucaracholândia

Iconoclasticamente, o blog prossegue sua campanha contra o cucarachismo latino-americano, hoje aplaudido em alguns lugares e tocado com luvas de pelicas aqui no Bananão - que, aliás, faz pose, mas é igualmente cucaracho.

No pedaço da letra do tango abaixo (La cumparsita, que é uruguaio!), algo lembra os tempos recentes na política de "nuestro continente" (que verseja muito, mas não conta com nenhuma potência econômica mundial.).

Si supieras
que aún dentro de mi alma
conservo aquel cariño
que tuve para ti...!
Quién sabe, si supieras
que nunca te he olvidado...!
volviendo a tu pasado
te acordarás de mí...

Los amigos ya no vienen
ni siquiera a visitarme;
nadie quiere consolarme
en mi aflicción;
desde el día que te fuiste
siento angustias en mi pecho;
decí, percanta, qué has hecho
de mi pobre corazón!

(Ouça a música aqui, instrumental ou na voz de Carlos Gardel - que me perdoem os uruguaios)

P.S., ou melhor, Putz: a disputa nessa banda do planeta é para ver quem segura a lanterna!

Galeria... do terror





A história é uma galeria de quadros onde há poucos originais e muitas cópias.

Alexis de Tocqueville (1805-1859).

Visitou a América do Norte e escreveu A democracia na América, hoje um clássico.

Imaginem o que diria se tivesse escrito sobre a América Latina.

segunda-feira, 8 de maio de 2006

Mino e Lula: tudo a ver.

Diogo Mainardi desanca Mino Carta e sua revista, Carta Capital, na Veja desta semana (confira aqui). Na verdade, toca em alguns pontos que já foram abordados aqui no final do ano passado. Faz tempo que o velho Mino vem fazendo jornalismo chapa-branca. Sua revista virou trincheira de defesa do lulismo e é recompensada com farta publicidade oficial. Uma das edições de dezembro, por exemplo, traz Lula na capa, brindando o iluminado presidente com 12 páginas.
Posteriormente, em entrevista a Caros Amigos, Mino andou dizendo que"a mídia está ligada ao dinheiro" e "sempre esteve a favor do poder" (ver "Caros compadres"). Ora, são afirmações que se aplicam ao próprio dono da Carta Capital, que abandonou a crítica pela apologia do poder - Caros Amigos, idem.

Nacionalismo


Em tempos de retrocesso populista-nacionalista na América do Sul, convém recordar o que disse o sábio Einstein (1897-1955), que de cucaracha não tinha nada:

"O nacionalismo é uma doença infantil. É o sarampo da humanidade."

E, por falar nisso, o nacionalista Evo Morales pretende agora desapropriar terras na fronteira da Bolívia. Vai sobrar para os brasileiros, de novo.

Piada pronta! O ministro do Desenvolvimento Rural se chama Hugo Salvatierra...

P.S.: contemporâneo de Einstein, o médico e humanista espanhol Gregorio Marañon (1887-1960) dizia que "um dos perigos dos nacionalismos, quando não têm heróis autênticos, é fabricá-los com a matéria de heróis de aldeia."

domingo, 7 de maio de 2006

Porque hoje é domingo...


(AllPosters.com, sobre pintura de Rafael, 1483-1520)

sábado, 6 de maio de 2006

Hay establishment, soy a favor.

Há muitos anos não ouço alguma música ou composição dele. Jamais li seus exercícios de literatura, publicados por editora famosa. Com suas cantilenas (preparo-me, desde já, para o apedrejamento), ele cresceu e enriqueceu durante a ditadura militar.

No período dito democrático, abandonou as composições e a própria música. Mas, por suas declarações, vive ainda aquela época, como se existissem os dois blocos mundiais destruídos pela história: o da "mãe" URSS e aquele capitaneado pelo horrendo liberalismo ianque, que "sufoca" a ilha de seu amigo milionário.

Digam o que disserem desse mito, não chega aos pés de seu pai, o grande historiador Sérgio.

Para o homem que vive dessa mitologia, pouco importa o que aconteceu nos anos recentes, ou mesmo ontem (nos velhos anos 70, diriam que é um "alienado"). O fato é que ele vota no Lula de qualquer jeito.

Eis o honorável Chico Buarque (entrevista na Folha de S. Paulo. de hoje).

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Teoria do conhecimento


Hoje mais referida como epistemologia, a teoria do conhecimento é uma disciplina tradicional da filosofia, dedicando-se a questões como "o que é o conhecer?", "o que podemos conhecer?", "qual é a origem do conhecimento?", "como justificamos as nossas crenças?". Ela envolve um conjunto de noções relacionadas entre si, a exemplo de "conhecer", "perceber", "prova", "crença", "certeza", "justificação" e "confirmação", entre outras. Tudo isto mereceu a atenção da professora italiana Nicla Vassallo, que escreveu um belo livro sobre o tema - Teoria della conoscenza , Roma-Bari: Laterza, 2003, 164 pp. -, sobre o qual este escriba fez uma resenha, publicada originalmente na revista eletrônica Crítica, de Lisboa (link ao lado), e agora reproduzida aqui na seção Artigos. Sirvo abaixo um aperitivo.

"Um dos ramos mais antigos e fascinantes da filosofia é a teoria do conhecimento. Sempre aberta a problemas e apoiando-se em terreno movediço, não teme explorar novos horizontes e suscitar incômodos questionamentos em áreas supostamente sólidas. Por isso mesmo é difícil encontrar alguma obra que, sem desprezar o rigor, trate-a com clareza didática e objetividade. Teoria della conoscenza, de Nicla Vassallo, preenche essa lacuna em livro que não deveria ficar restrito aos leitores italianos, merecendo tradução em língua portuguesa, já que poucas obras enfocam esse tema no Brasil e em Portugal, onde a filosofia parece se reduzir à história da filosofia.

Interessada tanto na história quanto nas teorias que exploram a epistemologia, a metafísica e a filosofia da ciência, a autora traça, em linguagem enxuta, um panorama razoavelmente abrangente da teoria do conhecimento, tema que começou a estudar no King's College de Londres, no início dos anos 90. É mérito seu apresentar as diversas teorias sem tomar partido, mas sem deixar, também, de apontar os principais problemas de cada uma delas (e todas, claro, podem ser alvo de tiro)".

Leia a íntegra aqui.

30 mil !


Calma lá, não se trata de mensalão (isso é quantia para os Luizinhos). São 30 mil acessos em pouco mais de sete meses, graças aos visitantes, amigos e críticos do blog. Meu agradecimento a todos. Tim-tim!

O generoso


Aqui dentro, ele promove um dos maiores arrochos salariais da história, além de sufocar as classes médias. Mas é generoso lá fora. Já perdoou dívidas africanas", em suas perdulárias visitas à região, e gosta de brindar a vizinhança latina, mão-aberta que é - com o "nosso" dinheirinho, claro.

Pois não é que o pródigo Lula acaba de fazer mais uma doação? Desta vez, o mimo foi para o Equador: cinco aeronaves para a Força Aérea. Confira aqui.

P.S.: ah, sim, ia esquecendo, mas um leitor acaba de lembrar: Lula perdoou a dívida boliviana em 2004 (uma bagatela de 52 milhões de dólares). Dois anos depois, o "cumpanhero" Evo retribui humilhando o Bananão.

(Acima, o "Guia dos Povos" veste trajes típicos em visita a Gana, a grande potência africana. Foto de R. Stuckert)

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Conversa de sindicalistas

Lula continua botando panos quentes no affair boliviano. A reunião com Chávez, Evo e Kirchner em Puerto Iguazu (cante-se de novo "La Cucaracha") não resultou em nada. E o presidente bravateiro (Lula, é claro) saiu dizendo que os preços do gás exportado ao Brasil serão "discutidos da forma mais democrática possível".

Assim caminha a diplomacia lulática: o vizinho vira a mesa, desrespeitando as regras democráticas, e é tratado com afagos. O sindicalista daqui é incapaz de elevar a voz ante o sindicalista de lá. A naftalina ideológica prevaleceu sobre os interesses brasileiros.

O fato é que nunca "neste país" houve uma reação tão pífia a uma afronta desse tamanho. (Leia a justa e irada crítica do embaixador Rubens Ricúpero em "A nau dos insensatos").

P.S.: E onde anda o bravo Marco Aurélio Garcia, nosso "embaixador" para latino-americanices?

Estado versus mercado?

Liberalismo e Socialismo foram as duas grandes forças antagônicas do século XX, confrontando-se no plano da política e das idéias. O primeiro, considerado de "direita", sempre defendeu a economia de mercado, a livre concorrência, a não invasão do Estado na economia. O segundo, identificado como de "esquerda", propugnava a propriedade coletiva dos principais meios de produção, a nacionalização (leia-se "estatização") das grandes empresas e dos bancos.

Os acontecimentos entre 1989 e 1991 - a queda do muro de Berlim e o desmantelamento da União Soviética - destroçaram o campo do socialismo, à época chamado de "socialismo real". O que sobrou? Do socialismo real, nada. Se algo do socialismo permanece é apenas em sentido ideal, utópico. A China ainda se diz comunista, mas abre-se ao capitalismo com uma sofreguidão selvagem. Cuba também se declara socialista, pelo menos nos intermináveis discursos de Fidel Castro, mas a única coisa que a ilha alcançou foi a igualdade de todos na miséria.

Goste-se ou não, os países mais desenvolvidos são liberais. E capitalistas. E democráticos. Não são perfeitos, claro, mas nunca ambicionaram uma sociedade perfeita. Jamais prometeram a salvação (isto é coisa para os templos religiosos). São assim os Estados Unidos, a Inglaterra e a maioria dos países europeus. Por acaso, são eles a "direita"?

E o que é a "esquerda", se o socialismo fracassou estrondosamente? O chavismo na Venezuela, as estatizações de Evo Morales na Bolívia? Então, ser de "esquerda" é repetir incansavelmente os erros do passado. É voltar as costas às "lições da história", menosprezar os fatos, agarrar-se a uma tábua de salvação, mesmo que podre.

A questão que a história nos deixou não é a oposição Estado vs. mercado - como parece indicar, uma vez mais, a guinada de alguns países latino-americanos para o estatismo, sob governos ditos de "esquerda" -, mas como equilibrar Estado e mercado. Não há outra saída.

A terceira via não passa de um fantasma.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Diplomacia cucaracha (II)

Já que os dois últimos posts se referem à diplomacia brasileira, "comandada" por dois "chanceleres" (Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia, que nem diplomata é), não resisti a surrupiar o artigo do jornalista Elio Gaspari sobre o tema (publicado em vários jornais). E lá vai o Bananão, descendo a ladeira...

A diplomacia do trivial delirante

É do chanceler Celso Amorim o qualificativo "nosso guia" para designar a clarividência diplomática de Lula. Bajulá-lo, elevando-o à condição de líder mundial, faz parte do ritual de oferendas-companheiras. O senador Aloizio Mercadante, por exemplo, escreveu que "não há líder no planeta que não queira se reunir com ele para trocar idéias e percepções sobre a construção do futuro". "Em nossa região, a maioria dos chefes de Estado busca seu conselho." Será que foi o caso de Evo Morales?
O pior é que Lula acredita nessas coisas. Rege uma política externa esportiva no método, exibicionista no ritual e desastrosa nos resultados. Nunca, desde que os obás Osenwede, do Benin, e Osinlokun, de Lagos, tornaram-se os primeiros chefes de Estado a reconhecer a nação brasileira, Pindorama andou tão encrencada nas relações com seus vizinhos. O Brasil se distanciou de quem deveria se aproximar (Argentina e Chile) e aproximou-se de quem devia se distanciar (Venezuela e Cuba). Perdeu tempo com países inúteis (Namíbia e Gabão) e oportunidades com aliados tradicionais (Uruguai e Paraguai).
Quando o secretário de Estado George Marshall chamou o embaixador George Kennan para planejar a recuperação da economia européia, pediu-lhe: "Evite as trivialidades". Lula faz o contrário: persegue uma autoglorificação trivial. Meteu-se a cabo eleitoral na eleição boliviana e associou-se a Evo Morales, que confisca o patrimônio de empresas brasileiras. Decidiu capturar a presidência da Organização Mundial do Comércio e seu chanceler desqualificou o candidato uruguaio. Atropelou na direção de uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU e até hoje está em pé. A diplomacia fominha estimulou a galhofa do presidente argentino Néstor Kirchner, para quem Lula tinha candidato até a papa. (Era d. Cláudio Hummes.) Saiu pelo mundo articulando um imposto contra a pobreza. Resultou que a patuléia brasileira corre o risco de pagar taxas de embarque mais caras nos seus vôos internacionais. O presidente americano George Bush já disse que não aceita esse tipo de tunga em cima de seu povo miserável.
Pode-se fixar com precisão a ocasião em que Lula jogou no mar a oportunidade de desempenhar um papel politicamente relevante nas negociações internacionais. Ela se deu em janeiro do ano passado, quando a Argentina saiu sozinha brigando pela reestruturação de sua dívida externa. Pressionado pela servidão cosmopolita da ekipekonômika, "nosso guia" foi incapaz de oferecer aos argentinos o conforto da cortesia. Pelo contrário, muita gente boa do governo brasileiro saiu a futricar pelos salões de Washington, defendendo a banca. Achavam que a reestruturação fracassaria. Deu certo.Enquanto "nosso guia" acredita que redesenha o mapa geopolítico do mundo, o Mercosul (herança maldita do tucanato) vai a pique, comido pela borda por uma teia de acordos bilaterais da diplomacia comercial americana. Encantado com a política externa dos grandes empreiteiros, ratificou uma irresponsável dependência do gás boliviano. Não bastaram os confiscos de Saddam Hussein nos anos 80, os calotes da cleptocracia africana nos anos 90, muito menos as roubalheiras angolanas de hoje.

terça-feira, 2 de maio de 2006

Diplomacia cucaracha

Homenagem do blog ao "diplomata" petista Marco Aurélio Garcia, amigo de Evo Morales e de Chávez e assessor de Lula para latino-americanices. Ouça "La Cucaracha", com um autêntico mariachi.


(Coro)
La cucaracha, la cucaracha,
Ya no puede caminar;
Porque no tiene, porque le falta
Marijuana que fumar.

Ya murio la cucaracha,

Ya la llevan a enterrar,
Entre cuatro zopilotes
Y un raton de sacristan.

Con las barbas de Carranza,
Voy a hacer una toquilla,
Pa' ponersela al sombrero
De su padre Pancho Villa.

Un panadero fue a misa,
No encontrando que rezar,
Le pidio a la Virgen pura,
Marijuana pa' fumar.

Una cosa me da risa:
Pancho Villa sin camisa;
Ya se van los carrancistas
Porque vienen los villistas.

Para sarapes, Saltillo;
Chihuahua para soldados;
Para mujeres, Jalisco;
Para amar, toditos lados.

E agora, Marco Aurélio?


Qual será a resposta do governo Lula à expropriação das refinarias da Petrobras pelo presidente cocaleiro Evo Morales? Vai baixar a cabeça ante a rasteira do "cumpanhero" Evo?

Afinal, as estatizações são uma tradição da "esquerda"...

Além do mais, o professor Marco Aurélio Garcia - "penetra" de Lula no Itamaraty e "embaixador" para latino-americanices - esteve tantas vezes em La Paz e garantiu que as mudanças na política boliviana não deveriam preocupar o Brasil "porque existe um ambiente de negociação muito tranqüilo".

Tranqüilidade à parte, há quem suspeite da proximidade do assessor de Relações Internacionais de Lula com o presidente boliviano. "Marco Aurélio Garcia – ideologicamente afinado com a linha do venezuelano Hugo Chávez, a que procura associar a política externa brasileira na América Latina – criou um canal próprio e direto com o boliviano Evo Morales, desde os episódios de agitação na Bolívia que antecederam à campanha eleitoral. São relações pouco transparentes que precisam ser investigadas e conhecidas pelo Senado. Garcia realizou missões e manteve conversações que afetam os interesses nacionais, como no caso específico da importação de gás, em que o Brasil realizou grandes investimentos e ao qual atrelou parte substancial da sua política energética". (Leia).