Ele conhece a coisa desde o berço, foi vice da prefeita Marta Suplicy em São Paulo e abandonou o partido. Seu alerta corrobora o que já foi dito aqui (ver, por exemplo, "No rumo do autoritarismo", abaixo). Dê-se a Lula uma vitória em primeiro turno e correremos o risco de ver no Bananão algo semelhante ao que aconteceu na Venezuela de Chávez: a corrosão da democracia por dentro. "A democracia corre risco", diz Hélio Bicudo. Lula se tornaria "um coronel do século XXI."
sexta-feira, 30 de junho de 2006
Olé

Olé é o nome da publicação argentina dedicada ao futebol.
Precisa dizer mais?
Surrupiado do blog Com licença, por favor (links).
Somos todos transgênicos?

Se você já teve gripe, não tenha dúvida: você também é transgênico. Afinal, a transgênese não é exclusividade dos geneticistas moleculares. Qualquer infecção viral - sarampo, hepatite, dengue e até a Aids - implica que algumas das nossas células carregam material genético "estranho". Os vírus inserem seu material genético dentro de nossas células, realizando efetivamente um processo de transgênese.
Quem garante isto não é este blogueiro interessado em filosofia das ciências, mas o biólogo Francisco Prosdocimi, que atualmente está em Cambridge terminando seu doutoramento em bioinformática. Num didático artigo publicado no número 3 (julho/setembro) de Pensar - revista em língua espanhola do Committe for the Sicentific Investigation of Claims of the Paranormal (Csicop) -, ele parte da definição de transgênico (organismo que possui, em seu genoma [ADN], um gene de alguma outra espécie) para afirmar que o genoma viral, quando incorporado ao de nossas células, "sequestra nosso aparato metabólico celular e faz com que as células infectadas produzam uma grande quantidade de genes virais."
Nossas células se tornam escravas deles, produzindo seu material genético e suas proteínas em altas quantidades. Assim, "depois de produzir muitas de suas próprias moléculas, eles matam a célula sequestrada como se fossem perversos bandidos e saem em busca de novas células para infectar." Nosso genoma, aliás, carrega muitos vírus que infectaram as células da linhagem de nossos antepassados e que, por alguma razão, perderam sua capacidade de proliferar, ficando perdidos em nosso genoma.
Resquícios de vírus
Para horror dos criacionistas, Prosdocimi diz que 98 por cento do nosso material genético "é prova de nossa história evolutiva e contém milhares de fragmentos de vírus que foram se acumulando desde que o primeiro organismo surgiu na Terra." Não bastasse isso, "estima-se que 8 por cento do nosso ADN é formado por seqüências de retrovírus (vírus formados por partículas de ARN, no ADN) que se incorporaram ao nosso genoma ao longo da evolução de nossa espécie."
Resumindo a conversa, nossa arrogante espécie - que o fundamentalismo criacionista supõe ter surgido prontinha, à imagem e semelhança de Deus - é resultado de milhões de anos de experimentos de transgênese natural, carregando resquícios de outras espécies.
E há, ainda, outras tribos de fundamentalistas, como os ecologistas e ambientalistas radicais, que disseminam o temor aos organismos geneticamente modificados (OGM), principalmente aos alimentos. Como se fosse ato diabólico produzir soja ou milho resistentes a pragas (que diminuem, por conseqüência, o uso de inseticidadas e venenos, estes sim perigosos), ou cereais e frutas mais resistentes e mais vitaminados.
Em artigo de anos atrás ("Mais pesquisa, menos temor"), comentei que essa reação não é algo novo na história das ciências. No fundo, essas tendências cultivam a sacralização da natureza, tida como lugar "inviolável", "intocável", reservado ao desenrolar das leis divinas: a natureza como pureza não adulterada, o que existia "na origem", a harmonia pré-humana. Não se estranhe, portanto, que os cientistas da genética sejam acusados de "brincar de Deus", nem que os alimentos transgênicos sejam depreciados como "comida Frankenstein".
(Ilustração: broto de trigo com o genoma modificado para resistir a pragas. Fonte: Vésper Estudo Orientado)
quinta-feira, 29 de junho de 2006
quarta-feira, 28 de junho de 2006
Churchill e a democracia

E já que falamos em democracia, segue aqui a célebre advertência de Churchill (1874-1965), que enfrentou as ditaduras nazista e fascista na II Guerra Mundial:
"Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos."
Nota: é exatamente por não pretender a perfeição, a harmonia absoluta ou a redenção da humanidade que a democracia é o melhor sistema de governo. Perfeição desemboca em totalitarismo.
terça-feira, 27 de junho de 2006
Esquerda, direita? Não, democracia.

Já discuti aqui algumas vezes a díade esquerda/direita. Estou convencido de que, se ela foi mais nítida no passado, hoje é cada vez mais nebulosa (se é que ainda existe). Já dei razão ao filósofo Norberto Bobbio, que distinguia as duas posições de acordo com a apreciação que cada uma delas faz da idéia de igualdade. De acordo com esse critério, a esquerda seria mais igualitária e a direita, mais inigualitária. Hoje acho que quem tinha razão era outro filósofo italiano, Lucio Colletti, para quem a distinção perdeu sentido - ou, pelo menos, deveria ser redefinida radicalmente - depois dos acontecimentos de 1989 e 1991 (derrubada do muro de Berlim e implosão da União Soviética). Até então, era direita o liberalismo e, esquerda, o socialismo.
Sepultado o “socialismo real”, morre com ele a saída pela extrema-esquerda, tardiamente representada no Brasil pelo MST, PSTU e outros movimentos que parecem ignorar as lições da história. Fechada também a saída pela extrema-direita, cujos exemplos típicos foram o fascismo e o nazismo, restaria o que Bobbio denomina centro-esquerda e centro-direita. A primeira vertente, representada pelos partidos social-democratas, seria simultaneamente igualitária e libertária; a segunda, representada pelos partidos conservadores, seria ao mesmo tempo libertária e inigualitária.
Ora, levando-se adiante esse raciocínio, o que é centro-esquerda e o que é centro-direita no Brasil? Se a distinção ainda tem algum sentido, onde situar, por exemplo, PT e PSDB, que supostamente se digladiam pelo espólio da “esquerda”? Parece haver uma permanente mudança de posições entre centro-esquerda e centro-direita, de sorte que quem ontem estava na oposição, hoje na situação está mais à “direita”; quem ontem estava no poder e hoje está na oposição, procura situar-se mais à “esquerda”. Mas o fato é que todos se embaralham no centro. Resultado: a díade se esboroa.
Assim, distinguir a posição de cada um se valendo apenas da idéia de igualdade diz pouca coisa. Tudo fica no plano ideal, na esfera do discurso e das intenções. Na prática, os matizes se esvanecem. O que resta? Parece-me mais profícuo distinguir os movimentos e partidos de acordo com a apreciação que fazem da democracia. Há os democráticos e os não-democráticos (ou antidemocráticos), isto é, os autoritários, os totalitários etc. Também aqui há tonalidades: há partidos mais ou menos democráticos.
A democracia é o único sistema que tenta conciliar ou equilibrar os direitos de liberdade (liberdade de expressão, de reunião, de imprensa, de ir e vir) e os direitos sociais (direito à educação, saúde, habitação). Os primeiros foram assegurados pela tradição liberal, enquanto estes últimos tiveram – vá lá - a contribuição da tradição socialista. Alguém diria que os direitos de liberdade são de “direita”?
Mas a democracia é também o mais frágil dos sistemas. Permite que brotem em seu interior os inimigos que a destruirão, à “direita” ou à “esquerda”, solapando-a em seu próprio terreno, como acontece na Venezuela “bolivariana”. E convém lembrar que a “esquerda”, ao longo de sua trajetória, nunca viu a democracia com bons olhos, negando-lhe valor universal e considerando-a meramente formal ou burguesa (tradições marxistas), no máximo um instrumento para instalar a “democracia substantiva” ou “popular”, isto é, a “ditadura do proletariado”. Sirvam de exemplo as tristes “democracias populares” do leste europeu.
O fato é que só conviveram razoavelmente bem com a democracia as tradições liberal-democrática e social-democrática (por isso mesmo a designação), ambas reconhecendo a economia de mercado, as liberdades, a pluralidade de partidos e a alternância no poder. Menos Estado ou mais Estado – eis a possível distinção entre elas.
Fora disso, só temos a longa noite das ditaduras. De “direita” ou de “esquerda”.
Na foto (Wikipedia), o Partenon, símbolo da democracia grega.
segunda-feira, 26 de junho de 2006
A hostilidade dos intelectuais ao capitalismo
Uma crítica ao texto de Robert Nozick (ver post abaixo). Autor: Ernest van der Haag (1914-2002), comunista na juvenude e um dos primeiros defensores da pena de morte nos Estados Unidos. E durma-se com um barulho desses...
No rumo do autoritarismo
Evo Morales segue os passos de seu mestre venezuelano, o comandante Chávez. A Bolívia elegerá uma Constituinte no próximo domingo e o ex-cocaleiro tem tudo para fazer maioria. Depois, como alerta César Maia em seu informativo, usará essa maioria para dar um golpe branco, corroendo as instituições por dentro, tal como fez o comandante, que hoje pinta e borda no Legislativo e nas Cortes superiores da Venezuela.
Dê-se a Lula uma eleição consagradora (em primeiro turno) e correremos o risco de ver a tragédia repetida aqui. Indícios é que não faltam. Diz o colunista Marco Antônio Rocha, hoje, no Estadão:
"Um espectro ronda o Brasil. Nada que ver com aquele de que falava Karl Marx no seu Manifesto, na Europa de 1848. Não, não é o do comunismo. É o do lulismo, e, ao que parece, sua estratégia tem três etapas. Na primeira, em marcha, Lula e seu estado maior se encarregaram da limpeza do terreno, que consistiu, basicamente, em tentar arrasar o pouco que as instituições nacionais ainda guardavam de prestígio, acatação e consideração junto ao grande público. A segunda, no devido tempo, consistirá em propor à população, desiludida, novas instituições dentro de uma nova ordem - autenticamente 'republicana', diria o ministro Thomaz Bastos. Bem-sucedidas as duas etapas, a terceira imporá aos recalcitrantes a submissão ou a exclusão. Muitos dirão que isso é pura ficção jornalística. Mas os sinais indicadores - palavras e fatos - não são nada fictícios" (reproduzido do Blog do Reinaldo, link ao lado).
Vale a lembrança, também nada confortadora, de que sucessivas pesquisas têm demonstrado o pouco apreço da América Latina pela democracia (confira no Latinobarómetro).
Preparem-se, portanto, para ensaiar La Cucaracha.
Dê-se a Lula uma eleição consagradora (em primeiro turno) e correremos o risco de ver a tragédia repetida aqui. Indícios é que não faltam. Diz o colunista Marco Antônio Rocha, hoje, no Estadão:
"Um espectro ronda o Brasil. Nada que ver com aquele de que falava Karl Marx no seu Manifesto, na Europa de 1848. Não, não é o do comunismo. É o do lulismo, e, ao que parece, sua estratégia tem três etapas. Na primeira, em marcha, Lula e seu estado maior se encarregaram da limpeza do terreno, que consistiu, basicamente, em tentar arrasar o pouco que as instituições nacionais ainda guardavam de prestígio, acatação e consideração junto ao grande público. A segunda, no devido tempo, consistirá em propor à população, desiludida, novas instituições dentro de uma nova ordem - autenticamente 'republicana', diria o ministro Thomaz Bastos. Bem-sucedidas as duas etapas, a terceira imporá aos recalcitrantes a submissão ou a exclusão. Muitos dirão que isso é pura ficção jornalística. Mas os sinais indicadores - palavras e fatos - não são nada fictícios" (reproduzido do Blog do Reinaldo, link ao lado).
Vale a lembrança, também nada confortadora, de que sucessivas pesquisas têm demonstrado o pouco apreço da América Latina pela democracia (confira no Latinobarómetro).
Preparem-se, portanto, para ensaiar La Cucaracha.
domingo, 25 de junho de 2006
Governos vs ladrões?

Essa é do Tosltoi (1828-1910), em seu Diário Íntimo:
"Para escapar a ladrões ocasionais e que se toma por ladrões, entregamo-nos a ladrões permanentes, organizados, e que se toma por benfeitores: entregamo-nos aos governos."
Bem, o problema aqui no Acampamento Brasil é que estamos entregues aos dois.
(Copy: Tulanet.ru)
Relembrando Bolívar
A propósito do post anterior, olhem o que já tinha dito o próprio Simon Bolívar:
"Nada é tão perigoso como deixar um cidadão permanecer no poder por muito tempo. O povo acostuma-se a obedecer-lhe e ele se acostuma a mandar no povo, donde se originam usurpação e tirania."
"Nada é tão perigoso como deixar um cidadão permanecer no poder por muito tempo. O povo acostuma-se a obedecer-lhe e ele se acostuma a mandar no povo, donde se originam usurpação e tirania."
sábado, 24 de junho de 2006
Os bolivarianistas estão chegando
Ele já "inspira" grupos na UFSC há bastante tempo. Agora, sua influência chega também a empresas catarinenses, como mostra o Diário Catarinense na edição deste domingo ("Os tentáculos de Chávez"). Uma indústria de Joinville, gerida pelos trabalhadores, já recebeu 2 milhões de reais em matéria-prima só neste ano.
Tudo em nome da "luta contra o imperialismo", como diz o intermediário da negociação - que, para variar, é membro do diretório nacional PT.
As porteiras da América Latina estão sempre abertas para o neopopulismo autoritário. Questão de formação. Quanto ao Bananão, é pasto farto para os demagogos.
(NOTA: O BLOG do REINALDO AZEVEDO JÁ ESTÁ NA REDE).
Tudo em nome da "luta contra o imperialismo", como diz o intermediário da negociação - que, para variar, é membro do diretório nacional PT.
As porteiras da América Latina estão sempre abertas para o neopopulismo autoritário. Questão de formação. Quanto ao Bananão, é pasto farto para os demagogos.
(NOTA: O BLOG do REINALDO AZEVEDO JÁ ESTÁ NA REDE).
Por que os intelectuais são anticapitalistas?

Em busca de uma resposta, o filósofo norte-americano Robert Nozick (1938-2002) escavou algumas razões. Num texto provocativo (de 1998), ele identifica os intelectuais "forjadores da palavra" (escritores, críticos literários, jornalistas e "muitos professores") como os mais propensos ao ressentimento contra o capitalismo.
E adivinhem onde tudo começa...
Curiosidade: Nozick não inclui na lista aqueles que primordialmente criam e transmitem informação formulada de maneira quantitativa ou matemática, isto é, os "forjadores de números." Proporcionalmente, estes teriam menos ojeriza ao capitalismo.
Para ler e refletir. Sem preconceitos.
(Há tradução brasileira)
sexta-feira, 23 de junho de 2006
Boa pergunta
O leitor "Multifário" faz o seguinte questionamento: "estará o governo americano se preparando para confisco de bens, como o fez na segunda guerra em relação ao ouro?"
O decreto assinado por Bush é, de fato, meio esquisito:
1. Policy. It is the policy of the United States to protect the rights of Americans to their private property, including by limiting the taking of private property by the Federal Government to situations in which the taking is for public use, with just compensation, and for the purpose of benefiting the general public and not merely for the purpose of advancing the economic interest of private parties to be given ownership or use of the property taken.
P.S. (24/06): Marília, nossa gentil "correspondente" em Washington, já matou a questão. Ou não? Confiram nos comentários.
O decreto assinado por Bush é, de fato, meio esquisito:
1. Policy. It is the policy of the United States to protect the rights of Americans to their private property, including by limiting the taking of private property by the Federal Government to situations in which the taking is for public use, with just compensation, and for the purpose of benefiting the general public and not merely for the purpose of advancing the economic interest of private parties to be given ownership or use of the property taken.
P.S. (24/06): Marília, nossa gentil "correspondente" em Washington, já matou a questão. Ou não? Confiram nos comentários.
Marilenadas
Marilena Chauí, a filósofa da corte - aquela que culpou a mídia pela crise do governo Lula -, agora diz que, se Lula obtiver um segundo mandato, terá que seguir as diretrizes do PT. "Senão, é tchau e bênção." Ah, é? Mas quais são as diretrizes do partido? Até agora, só vimos aquelas traçadas por Dirceu, Delúbio e tutti quanti... Há mais?
E a professora deu mais uma demonstração de que anda longe da realidade. Mais precisamente, vive ainda nos anos 80. Lula "se elegeu muito cedo, quando a luta de classes não havia definido a hegemonia da classe trabalhadora."
Espinosa se foi, mas o baixinho Gramsci vive.
E a professora deu mais uma demonstração de que anda longe da realidade. Mais precisamente, vive ainda nos anos 80. Lula "se elegeu muito cedo, quando a luta de classes não havia definido a hegemonia da classe trabalhadora."
Espinosa se foi, mas o baixinho Gramsci vive.
quinta-feira, 22 de junho de 2006
A humanidade progride?

Professor de Pensamento Europeu na London School of Economics, John Gray escreveu um livro corajoso e estimulante, que vale a pena ler. Trata-se de Cachorros de Palha, lançado no ano passado pela Record (disponível na Submarino, link ao lado). Os críticos o chamam de catastrofista por dizer que a humanidade não tem lá grande futuro. Mas o fato é que o planeta já se livrou de outras espécies e nada garante que a nossa, apesar do conhecimento acumulado, tenha melhor sorte.
Em entrevista à revista Época, Gray afirmou que "não temos controle sobre nosso destino. Nem sequer somos co-autores de nossas vidas. Chegamos ao mundo sem escolher nossos pais, nosso lugar, a língua que vamos falar. O que fazemos é improvisar diante da realidade que encontramos."
Transcrevo três parágrafos do livro que ilustram o ponto de vista do filósofo e dão o que pensar.
Atualmente, a maior parte das pessoas pensa que pertence a uma espécie que pode ser senhora de seu destino. Isso é fé, não ciência. Não falamos de um tempo em que as baleias ou os gorilas serão senhores de seus destinos. Por que então os humanos?
Não precisamos de Darwin para perceber que nos parecemos com os outros animais. Basta observar um pouco nossas vidas para sermos levados à mesma conclusão. No entanto, como a ciência tem hoje uma autoridade com a qual a experiência comum não pode rivalizar, observemos o ensinamento de Darwin de que as espécies são apenas aglomerados de genes interagindo aleatoriamente uns com os outros e com seus ambientes em permanente mudança. Espécies não podem controlar seus destinos. Espécies não existem. Isso se aplica igualmente aos humanos. No entanto é esquecido sempre que as pessoas falam sobre “o progresso da humanidade”. Elas depositaram sua fé numa abstração que ninguém pensaria em levar a sério se não fosse formada por restos de esperanças cristãs descartadas.
(...)
Humanismo pode significar muitas coisas, mas para nós significa crença no progresso. Acreditar no progresso é acreditar que, usando os novos poderes que nos são propiciados pelo crescente conhecimento científico, os humanos podem se libertar dos limites que constrangem a vida de outros animais. Essa é a esperança de praticamente todo mundo hoje em dia, mas não tem fundamento. Pois, embora o conhecimento humano muito provavelmente continue a crescer e com ele o poder humano, o animal humano permanecerá o mesmo: uma espécie altamente inventiva que também é uma das mais predadoras e destrutivas.
Iconoclasta, Gray não está aí para defender crenças e ideologias, mas para estimular o pensamento crítico. Coisa rara e sempre malvista aqui no Bananão - inclusive nas universidades, claro.
Ah, o poder...

Alguns anos e um milhão de reais depois, a burlesca figura do post abaixo ficou assim (foto de ontem, na Folha). De caçadora de "nazistas" e guardiã do "politicamente correto" em Florianópolis, 20 anos atrás, a paulistana senadora por SC e buldogue do lulismo fez reforma geral: mudou até a cor do cabelo. (As idéias, claro, não mudaram: continuam enterradas nos anos 80).
Ah, nada como o poder.
quarta-feira, 21 de junho de 2006
A burlesca

A senadora Ideli Salvatti, agora às voltas para explicar a movimentação milionária em suas contas, sempre foi uma fiel e vociferante buldogue do lulismo, que defende com unhas e dentes. Mas outra bandeira - esta menos conhecida - na vida da honorável é a do "politicamente correto". Guardiã também fiel e furiosa dessa doutrina censória que o petismo disseminou pelo país, por conta dela já botou chifre em cabeça de cavalo. O Blog do Deu no Jornal rememora um desses constrangedores episódios. Reproduzo uma parte:
Então deputada estadual, Ideli se tornou motivo de piada na Universidade Federal de Santa Catarina quando resolveu intervir numa brincadeira de estudantes. Alguns estudantes homossexuais criaram um mural do orgulho gay na faculdade de jornalismo da UFSC. Um gaiato escreveu uma gracinha malcriada. Um dos ofendidos escreveu ao lado que quem fizera aquilo devia ser "enrustido, hipócrita ou cretino piadista". No dia seguinte, surgiu um jornal mural chamado "O Cretino Piadista", satirizando a história toda. Nenhum dos envolvidos tinha ofendido ninguém, mas puseram o jornal na rua por acharem absurdo o patrulhamento.
Num ânimo anárquico semelhante, no Rio, quinze anos antes, surgiu uma Casseta Popular, do saudoso Bussunda. Em Santa Catarina, o surgimento do "Cretino Piadista" no mural da faculdade virou assunto no Legislativo. Pelas mãos, claro, de Ideli Salvatti.
Atiçada por militantes que não suportavam nenhuma visão de mundo diferente da sua (com o perdão da redundância), ela foi pessoalmente à faculdade solicitar a abertura de procedimento administrativo contra os responsáveis anônimos pelas gracinhas do mural. Se não me falha a memória, chegou a acusar os responsáveis pelo jornal de terem financiamento escuso. Isso quando todas as edições do Cretino Piadista eram feitas artesanalmente na casa dos estudantes, e só era feita uma cópia. Não contente, a deputada dava discursos na tribuna acusando os engraçadinhos de serem homofóbicos, fascistas e todos aqueles adjetivos que surgem nessas horas. Até no rádio ela deu entrevistas. Na época em torno dos vinte anos de idade, os estudantes temiam ser expulsos da faculdade. Afinal, quem eram eles perante uma deputada estadual? Mas não havia risco maior. Como a coisa esfriou rapidamente, todos eles descobriram uma regra básica da política: sem argumentos, apela-se à ira santa. E uma regra básica do jornalismo tupiniquim: quem tem gabinete não precisa ter argumento pra ganhar holofote - é só falar alto.
P.S.: vale lembrar que os acólitos de Ideli chamaram o Curso de Jornalismo de "antro de nazistas". Muitos alunos daquela época são hoje jornalistas atuantes, críticos e independentes - um deles, que trabalhou em revistas e jornais de São Paulo, é editor de jornal diário aqui no sul.
Nem a sangrenta suástica, nem aquela estrelinha vermelha emporcalhada. Contra elas, democracia!
Bandido x estudante
Um bandido do "partido revolucionário" do famigerado Marcola (o PCC, que não sai da mídia) custa mais caro, para os cofres públicos, que um estudante universitário. É assim: o criminoso custa 18 mil reais por ano; o universitário, 9.500 reais. Palava do TCU, o Tribunal de Contas da União.
Nossos "liberais" costumam falar só do "prejuízo" causado pelos estudantes...
Nossos "liberais" costumam falar só do "prejuízo" causado pelos estudantes...
terça-feira, 20 de junho de 2006
Mais uma baixa
Depois de mais de 30 anos de vida pública, ele cansou. O horror desta última legislatura - talvez a pior da história brasileira - o leva a desistir. Roberto Freire se vai, enquanto os mensaleiros ficam e buscam a reeleição. Pretende ser apenas um coadjuvante neste resto de mandato: "o Brasil não pode ver a repetição do filme o Exterminador do Futuro no ano que vem".
P.S.: fale-se dele o que se falar, goste-se dele ou não: não compactuou com os mensaleiros (ele e mais uns gatos pingados). E, como os democratas, percebe o perigo que correm as instituições brasileiras.
P.S.: fale-se dele o que se falar, goste-se dele ou não: não compactuou com os mensaleiros (ele e mais uns gatos pingados). E, como os democratas, percebe o perigo que correm as instituições brasileiras.
Morre a PL, nasce a revista dos pelegos.

Enquanto a Primeira Leitura (a revista e o site) fecha por falta de anunciantes, a pelegada da CUT lança outra - com Lula na capa, claro. Morre um veículo do pensamento crítico e independente, nasce um mensário do oficialismo. Nada mais sintomático. O Bananão caminha a passos largos para as grades do pensamento único.
À revista dos pelegos não faltará a generosa cobertura de empresas "públicas", sempre perdulárias com o "nosso" dinheiro - nem, certamente, as bajulatórias contribuições de setores privados beneficiários das políticas do lulo-petismo.
Revista do Brasil? Ora, Revista do Acampamento Brasil seria mais adequado.
segunda-feira, 19 de junho de 2006
domingo, 18 de junho de 2006
Floripa e seus ecochatos
A propósito do post "Apocalipse? Que medo!" (logo abaixo), reproduzo aqui parte do comentário do amigo Aluízio sobre a ideologia do "ecologicamente correto", representada pelos "ecochatos" (não bastasse a praga do "politicamente correto" disseminada pelo petismo!). Eles infestam, principalmente, o litoral brasileiro. E a conversa termina sobre a "nossa" ilha (Florianópolis), tida como símbolo de "qualidade de vida" (outro jargão utilizado ou para proibir isso e aquilo ou para abocanhar dinheiro público/privado para entidades arredias à fiscalização).(...) O "ecologicamente correto" continua rendendo um bom dinheiro aos ecochatos de plantão. Nunca vi um movimento ecológico para livrar as cidades dos dejetos humanos. A esmagadora maioria das cidades brasileiras não possui esgoto. Nem mesmo aqui em Santa Catarina, um estado que tem cidades pequenas e de médio porte. Mas os ecochatos ficam com essa mania de colocar problemas em todas as iniciativas do setor produtivo capazes de promover o desenvolvimento e o emprego. E os ativistas ecochatos agora estão atacando via MST, como ocorreu no quebra-quebra a um laboratório no Rio Grande do Sul.
Quem prova de forma cabal que esse aquecimento decorre apenas da ação destrutiva do homem? Na formação do Planeta até o estágio atual já houve várias catástrofes. Nessa época não havia o "maldito capitalismo" que os ecochatos, o PT e o MST vivem satanizando. Mas os ecochatos não podem ver um viveiro de mudas de eucaliptos que já começam a praguejar e a destruir tudo. Entretanto, adoram viver dentro do esgoto, como já se transformou o centro de Florianópolis, principalmente nas imediações do Mercado Público, onde o aroma dos peixes e camarões é sufocado pelo odor fétido que exala das bocas-de-lobo. Alguns lojistas são obrigados, inclusive, a tapá-las em função do fedor insuportável. Esta é a bela Capital, a cidade com melhor qualidade de vida. Mentira! E os ecochatos são os principais responsáveis pelo atraso da Ilha. São eles que infestaram Florianópolis vindos de outros Estados. Tomaram todas as praias e constroem irregularmente. A Lagoa, a Joaquina, a Barra da Lagoa, o Campeche e tantas outras belíssimas praias da Ilha já foram todas invadidas e destruídas. Mas sobre isso não se ouve uma só voz dos ecochatos, porque são eles mesmos que lá estão acampados contribuindo para para emporcalhar a Ilha. Se esse planeta explodir, tenha certeza(...): nada se perderá.
Quero mais é ver esses ecochatos morrendo cozidos pela inclemência do Sol. Abs.
P.S.: este post é uma homenagem ao amigo Multifário, que sempre reclamou - com razão - que pouco falamos de Santa Catarina.
Voto eletrônico é seguro?
Recebi por e-mail (de Beth Osuch), e passo adiante, a informação de que o voto eletrônico é pouco seguro. Veja, por exemplo, aqui, e o "Manifesto de professores e cientistas sobre a insegurança do sistema eleitoral informatizado".
Por via das dúvidas, fica a pergunta: por que alguns países tecnologicamente avançados não utilizam urnas informatizadas (os EUA, por exemplo)?
Fica tudo por conta da "originalidade" e "criatividade" do Bananão? Humm....
Por via das dúvidas, fica a pergunta: por que alguns países tecnologicamente avançados não utilizam urnas informatizadas (os EUA, por exemplo)?
Fica tudo por conta da "originalidade" e "criatividade" do Bananão? Humm....
Miles em Tóquio

Para ver e ouvir antes - ou depois - de Brasil x Austrália. Miles Davis, ao vivo, em Tóquio (1987) - recuperado (?) das drogas -, interpreta uma musiquinha popular, "Time after Time", da Cindy Lauper (alguém lembra?), que já voltou para o devido anonimato. Desnecessário dizer que, por visitar o repertório popular, Miles passou a apanhar ainda mais dos "puristas".
sábado, 17 de junho de 2006
Apocalipse? Que medo!

Oh! E quem disse que a nossa espécie, autoproclamada como racional, inteligente e criativa, vai durar mais que as milhões de outras espécies que já desapareceram? Não há qualquer garantia ontológica de que a nossa é mais duradoura do que as outras...
E, atenção, turma criacionista do Design Inteligente: se há algum desígnio, finalismo ou sentido na evolução, é o de que todos nós deveríamos ser insetos. Mais de 80 por cento da população deste planetinha que foi um dia considerado o centro do Universo é constituída de insetos.
Somos apenas uma exceção. E que exceção!
Quem tem medo da técnica?
Os intelectuais do século XX, em geral, cultivaram profunda incompreensão em relação à técnica. Entre eles, Heidegger, Jaspers e os frankfurtianos Adorno e Horkheimer. Há também o apocalíptico Michel Latouche, um autor menor, mas muito apreciado pelos anti-globalistas do Bananão (seu A ocidentalização do mundo, pela Vozes, já teve várias edições). Leia na seção Artigos.
P.S.: eis algumas "pérolas" do francês Latouche: "A técnica tornou-se um artigo de fé universal, a conseqüência concreta e a presença visível da nova divindade: a ciência (...). O imperialismo introduziu os novos deuses. Para se libertar do jugo colonial e sair da situação humilhante de subjugação aos Brancos, os povos do mundo tiveram que assimiliar alguns dos instrumentos de dominação, identificar-se com o adversário e desejar seu poder. O mundo inteiro participa desde então de níveis diversos de uma sociedade técnica única. A ciência é una, a matemática é a verdadeira linguagem comum a todas as nações (...). O culto mundial da técnica prepara as nações e os homens para se submeterem, sem repugnância, a seus imperativos."
Tsc, tsc, tsc. É a típica lenga-lenga "pós-moderna".
P.S.: eis algumas "pérolas" do francês Latouche: "A técnica tornou-se um artigo de fé universal, a conseqüência concreta e a presença visível da nova divindade: a ciência (...). O imperialismo introduziu os novos deuses. Para se libertar do jugo colonial e sair da situação humilhante de subjugação aos Brancos, os povos do mundo tiveram que assimiliar alguns dos instrumentos de dominação, identificar-se com o adversário e desejar seu poder. O mundo inteiro participa desde então de níveis diversos de uma sociedade técnica única. A ciência é una, a matemática é a verdadeira linguagem comum a todas as nações (...). O culto mundial da técnica prepara as nações e os homens para se submeterem, sem repugnância, a seus imperativos."
Tsc, tsc, tsc. É a típica lenga-lenga "pós-moderna".
sexta-feira, 16 de junho de 2006
Ecolatria
E, já que falei em ecologia (ainda que só de passagem), talvez fosse melhor definir alguns ecólogos como ecólatras. Sim, eles cultivam isso mesmo: uma idolatria da natureza, como definiu o filósofo espanhol Fernando Savater em seu Dicionário filosófico. E natureza, bem entendido, é a "pureza não adulterada", aquilo que existia "na origem", agora esquecido, traído, perdido. Quanto mais moderna alguma coisa for, pior é: "o artifício é a arbitrariedade, o capricho, o egoísmo, o injustificado, a destruição." O mais antigo, o pré-humano, é sempre o mais natural. Renega-se, no fundo, o presente humano.
Se puderem, esses ecólatras instalarão no mundo uma ecocracia, à semelhança das tristes teocracias.
Se puderem, esses ecólatras instalarão no mundo uma ecocracia, à semelhança das tristes teocracias.
História é isso aí...
No momento, estou vendo um país chamado Costa do Marfim apanhando da Holanda no futebol. Por que o primeiro tem esse nome? Ora, porque a nobilíssima realeza européia ia lá (África, claro) caçar elefantes para extrair marfim (ah, os ecólogos europeus!). Quanto ao segundo, foi um grande centro cultural que começou a erigir as bases do mundo moderno. Hoje é mais comentado - pelo menos aqui no Bananão, infestado por "colunistas sociais" na mídia - por ter barzinho onde você fuma maconha livremente...
Eita, mundo véio!
Eita, mundo véio!
Você acha que conhece?
A epistemologia, ou teoria do conhecimento, é um dos ramos mais fascinantes da filosofia. Ela busca explicar, entre outras coisas, qual é a origem do nosso conhecimento, o que significa conhecer e como podemos justificar nossas crenças. Demonstra que, muitas vezes, não conhecemos o que pensamos conhecer, pois nossas crenças podem ser falsas. Jonathan Dancy, que organizou o livro A Companion to Epistemology para a Blackwell (Oxford, 1992), explica os principais problemas tratados pela epistemologia num verbete-artigo ("Os problemas da epistemologia") do Oxford Companion to Philosophy, a cargo de Ted Honderich (ver seção Livros, ao lado). A tradução em português está disponível na seção Artigos. Para os interessados, uma boa leitura.
Com meus agradecimentos ao amigo Desidério Murcho, que mantém o melhor site filosófico em língua portuguesa: a revista eletrônica Crítica, de onde retirei o texto.
Com meus agradecimentos ao amigo Desidério Murcho, que mantém o melhor site filosófico em língua portuguesa: a revista eletrônica Crítica, de onde retirei o texto.
quinta-feira, 15 de junho de 2006
Nietzsche no Bananão

"Não há fatos, só interpretações."
Como se vê, Nietzsche é brasileiro. E petista, como a tia Marilena.
quarta-feira, 14 de junho de 2006
Jornalismo independente é isso aí
Foi chutado da Globo, mas, ligeirinho, arrumou uma boca na Band. E dá uma entrevista sentando o pau na Veja, claro. Ah, bons tempos para jornalistas chapa-brancas.
Fotos? Vapt-vupt.
Manipule e edite fotos como quiser, sem precisar baixar qualquer programa.
Veja em Snipshot. Não é coisa do Bananão, claro.
Veja em Snipshot. Não é coisa do Bananão, claro.
As cores do lulo-petismo
O lulo-petismo jamais foi socialista (nem tampouco democrático) ou coisa que o valha. Suas cores e bandeiras são bem outras. Engendrado no ambiente peleguista dos sindicatos, seu horizonte nunca foi muito além do portão de fábrica. Não esconde sua execração a instituições republicanas como o Congresso. Discussão horizontal não é com ele. Verticalismo autoritário é a sua marca: os chefes mandam e o resto obedece. Dissensões, em tal ambiente, não raro são resolvidas à bala.
Em relação às instituições, o lulo-petismo não prima pela fineza das distinções. Tende a confundir, a embaralhar tudo. Elio Gaspari acerta na mosca, em sua coluna de hoje ("Lula confunde Congresso e torcida"), ao dizer que ..."quando o presidente da República, formado nas mumunhas do sindicalismo, sugere que um acordo de centrais sindicais é uma peça legislativa, o erro deixa de ser banal. É confusão funcional. Chama-se fascismo a organização política na qual o Poder Executivo embaralha centrais sindicais e Poder Legislativo. O Brasil viveu esse sonho de governantes e pelegos durante o Estado Novo."
Em relação às instituições, o lulo-petismo não prima pela fineza das distinções. Tende a confundir, a embaralhar tudo. Elio Gaspari acerta na mosca, em sua coluna de hoje ("Lula confunde Congresso e torcida"), ao dizer que ..."quando o presidente da República, formado nas mumunhas do sindicalismo, sugere que um acordo de centrais sindicais é uma peça legislativa, o erro deixa de ser banal. É confusão funcional. Chama-se fascismo a organização política na qual o Poder Executivo embaralha centrais sindicais e Poder Legislativo. O Brasil viveu esse sonho de governantes e pelegos durante o Estado Novo."
terça-feira, 13 de junho de 2006
Ufanismo

Juntando o título deste post com o do anterior, parece coisa de poeta baiano-concretista (Ufo, ufanismo). Nada a ver - nem um, nem outro - com este blog que bate duro - e também apanha duramente. Este intróito serve apenas para dizer que o Bananão não tem qualquer sentimento propriamente nacionalista (e não o recrimino por isto). O que ele cultiva é o ufanismo: o melhor carnaval, o melhor futebol, as melhores mulheres (ó, não dá poesia tipo Gil/Caetano/e tutti quanti?), as melhores comidas, as melhores praias do mundo etc.
O ufanismo - que instrumentaliza a bandeira e as cores nacionais - foi utilizado fartamente pela ditadura e, hoje, quase virou símbolo de brasilidade. Ninguém sabe usar isto tão bem quanto a Rede Globo, que deve ter mandado para a Alemanha até o melhor cãozinho da melhor repórter.
"Pra Frente, Brasil", o infame hininho dos anos 70 (ah, Lula), apenas sofreu variações. Ufanem-se, pois:
"Noventa Milhões em Ação
Pra Frente Brasil
Do Meu Coração
Todos juntos vamos
Pra Frente Brasil
Salve a Seleção
De repente é aquela corrente pra frente
Parece que todo Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção
Tudo é um só coração
Todos juntos vamos
Pra frente Brasil! Brasil !
Salve a seleção!"
(Argh!)
UFO !
UFO é a sigla em inglês para o brasileiríssimo OVNI (Objetos Voadores Não-Identificados), como todos sabem. Agora Lula pretende dar um novo uso à sigla, criando a Universidade Federal de Osasco. É dinheiro "nosso" para impulsionar a candidatura de João Paulo Cunha, o famigerado ex-presidente da Câmara. Osasco é a base eleitoral do mensaleiro e ex-sindicalista.
Lula cria novas universidades enquanto as existentes definham. O quadro de professores efetivos é cada vez menor, enquanto o de substitutos, com seu sálário de fome, cresce há anos. É isto que chamam de "expansão do ensino superior público". E o populacho acredita.
Lula cria novas universidades enquanto as existentes definham. O quadro de professores efetivos é cada vez menor, enquanto o de substitutos, com seu sálário de fome, cresce há anos. É isto que chamam de "expansão do ensino superior público". E o populacho acredita.
domingo, 11 de junho de 2006
Herança maldita

Fomos colonizados pelos "povos peninsulares", que alçaram a bandeira da Contra-Reforma, postando-se ao lado da Inquisição. Espanha e Portugal pagariam caro por isto. Na Europa, excetuados os satélites soviéticos, foram os últimos países a se libertar de regimes ditatoriais. Nos anos 60/70, o "garrote vil" do generalíssimo Franco ainda executava muitos oposicionistas espanhóis com um longo parafuso lentamente introduzido na nuca. O Portugal de tantas glórias marítimas, sob o chicote de Salazar, até pouco tempo atrás tinha como símbolo aquelas tristes senhoras de lenço preto na cabeça. Para arrancar esses dois países da Idade Média, a Europa unificada teve que jogar muito dinheiro.
Resumindo, fomos colonizados por povos que, em favor do dogmatismo religioso, rejeitaram a modernidade e as ciências, voltando as costas ao capitalismo. Herdeira da cultura ibérico-católica, não é de estranhar que a América Latina esteja sempre pronta a dar um passo atrás.
O poeta Antero de Quental (1842-1891) viu nessa reação religiosa uma das razões do atraso português e espanhol desde o século XVII. Numa célebre conferência de 1871 (que ainda hoje dá o que pensar), ele foi duro:
Nos últimos dois séculos não produziu a Península um único homem superior, que se possa pôr ao lado dos grandes criadores da ciência moderna: não saiu da Península uma só das grandes descobertas intelectuais, que são a maior obra e a maior honra do espírito moderno. Durante 200 anos de fecunda elaboração, reforma a Europa culta as ciências antigas, cria seis ou sete ciências novas, a anatomia, a fisiologia, a química, a mecânica celeste, o cálculo diferencial, a crítica histórica, a geologia: aparecem os Newton, os Descartes, os Bacon, os Leibniz, os Harvey, os Buffon, os Ducange, os Lavoisier, os Vico – onde está, entre os nomes destes e dos outros verdadeiros heróis da epopeia do pensamento, um nome espanhol ou português? Que nome espanhol ou português se liga à descoberta duma grande lei científica, dum sistema, dum facto capital? A Europa culta engrandeceu-se, nobilitou-se, subiu sobretudo pela ciência: foi sobretudo pela falta de ciência que nós descemos, que nos degradámos, que nos anulámos. A alma moderna morrera dentro em nós completamente.
Isso, sim, é que é herança maldita. Mas, evidentemente, nós entortamos as coisas ainda mais.
O documento pode ser lido, na íntegra, no Portal da História (agradecimentos ao navegador Aluízio).
Ói nóis no Canadá
Este blog resmunguento passa a ser colaborador, junto com o Ilton e outros, de um jornal on-line dirigido à comunidade brasileira no Canadá. Trata-se do Jornal Achei.ca, criado pela advogada/jornalista Priscilla Amaral, que, vendo que a coisa aqui tá sempre preta, abandonou o Acampamento Brasil. Boa sorte, Priscilla!
sábado, 10 de junho de 2006
Colletti, filosofia, marxismo e outros "ismos".

Na seção Artigos, a entrevista do saudoso amigo e filósofo Lucio Colletti (que não cheguei a conhecer pessoalmente) ao jornal La Repubblica, a propósito do lançamento, na Itália, de meu livro Perché il marxismo ha fallito. Lucio Colletti e la storia di una grande illusione (Milão, Mondadori, 2001), e a resenha de B. Cravagnuolo para o jornal L'Unità. Ambas estão disponíveis no site de filosofia SWIF (links permanentes), onde as pesquei.
sexta-feira, 9 de junho de 2006
O brigatista dá lições à CUT

O filósofo italiano Antonio Negri, mentor da organização terrorista Brigadas Vermelhas, as Brigate Rosse (que assassinaram o premier Aldo Moro nos anos 80), é figura onipresente no Brasil lulista depois de ter saído da cadeia. Escreve em jornais regularmente, dá palestras em universidades e, agora, ensina a Central Única dos Trabalhadores (CUT), linha de frente do neopeleguismo, sobre a "missão" do sindicalismo.
Resume o site oficialista Carta Maior:
Agora, avalia o filósofo, a principal missão do sindicalismo é a de remover essa unicidade criada pelo capital e identificar onde as resistências e as perspectivas de ruptura dos movimentos se exprimem. O interesse do sindicato deve ser o de definir um processo de transição de uma função meramente corporativa para uma expressão eficaz do movimento social, e de imaginar como o exercício de contrapoder pode conduzir ao poder constituinte, de como o processo de emancipação salarial pode levar à organização da liberação. “Não é nada diferente do que o velho Gramsci indicava como passagem da luta das vanguardas à hegemonia social do proletariado”, pondera o filósofo.
Como se vê, o velho filósofo da "violência auroral" não mudou nada. Na cadeia, teve ainda mais tempo para traçar os rumos do mundo. E, como na Itália ninguém lhe dá bola, tenta fazer do Bananão um novo laboratório para suas idéias. Sabe onde há cobaias.
Conheça mais um pouco desse ideólogo do terrorismo no post que este blog publicou em janeiro.
P. S.: li esse cara nos anos 80.
Na foto, Negri e o impagável sociólogo brasileiro Emir Sader.
quarta-feira, 7 de junho de 2006
Vitória dos consumidores
De agora em diante, os bancos deverão tratar os clientes como cidadãos. Isto é, obedecerão o Código de Defesa do Consumidor, que completa 15 anos. Demorou, mas chegamos lá, graças à árdua luta (não solitária, claro) de uma mulher, que coordena a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor. A decisão é do STF - não por acaso, também presidido por outra mulher.
Delenda Nelson Jobim.
Delenda Nelson Jobim.
terça-feira, 6 de junho de 2006
Baderna no Acampamento Brasil
Não tenho a mínima vontade de fazer qualquer análise sobre a invasão da Câmara dos Deputados. Era previsível. Digo apenas que os invasores - cujo líder é petista - procuram enxovalhar ainda mais um poder (o Legislativo) que pouco zelou por sua própria imagem sob o governo lulo-petista (argh!).
Os seguidores do comandante Stédile (o chefão do MST, de onde saíram estes arruaceiros que fundaram outra sigla de vândalos), já invadiram universidades e centros de pesquisa. Curiosamente, só não atacam bancos e instituições financeiras, apesar do inflamado discurso contra o "capital financeiro".
Não duvido que o próximo alvo sejam as instituições do Judiciário, o único poder que, bem ou mal, ainda funciona decentemente e constitui o último recurso do indivíduo ante o voraz e ineficiente Estado-monstrengo. Quanto a este, centrado no que costumamos chamar de Poder Executivo - o principal responsável pelo desolador estado de coisas aqui no Bananão -, permanece incólume. Tem assistido tudo de poltrona.
Para encerrar, apenas lembro que é do governo que vem boa parte do dinheiro que sustenta esses movimentos, todos enraizados no partido (de governo) cujos líderes deram origem - até! - a um processo por formação de quadrilha.
País onde não há oposição dá nisso.
Os seguidores do comandante Stédile (o chefão do MST, de onde saíram estes arruaceiros que fundaram outra sigla de vândalos), já invadiram universidades e centros de pesquisa. Curiosamente, só não atacam bancos e instituições financeiras, apesar do inflamado discurso contra o "capital financeiro".
Não duvido que o próximo alvo sejam as instituições do Judiciário, o único poder que, bem ou mal, ainda funciona decentemente e constitui o último recurso do indivíduo ante o voraz e ineficiente Estado-monstrengo. Quanto a este, centrado no que costumamos chamar de Poder Executivo - o principal responsável pelo desolador estado de coisas aqui no Bananão -, permanece incólume. Tem assistido tudo de poltrona.
Para encerrar, apenas lembro que é do governo que vem boa parte do dinheiro que sustenta esses movimentos, todos enraizados no partido (de governo) cujos líderes deram origem - até! - a um processo por formação de quadrilha.
País onde não há oposição dá nisso.
Weber e o desencantamento do mundo

Quem continua ainda a acreditar - salvo algumas crianças grandes que encontramos justamente entre os especialistas - que os conhecimentos astronômicos, biológicos, físicos ou químicos poderiam ensinar-nos algo a propósito do sentido do mundo ou poderiam ajudar-nos a encontrar sinais de tal sentido, se é que ele existe? Se existem conhecimentos capazes de extirpar, até às raízes, a crença na existência de seja lá o que for que se pareça a uma "significação" do mundo, esses conhecimentos são exatamente os que se traduzem pelas ciências.
***
O destino de nosso tempo, que se caracteriza pela racionalizção, pela intelectualização e, sobretudo, pelo "desencantamento do mundo" levou os homens a banirem da vida pública os valores supremos e mais sublimes. (...) A quem não é capaz de suportar virilmente esse destino de nossa época, só cabe dar o conselho seguinte: volta em silêncio, sem dar a teu gesto a publicidade habitual dos renegados, com simplicidade e recolhimento, aos braços abertos e cheios de misericórdia das velhas Igrejas. Elas não tornarão penoso o retorno. De uma ou de outra maneira, quem retorna será inevitavelmente compelido a fazer o "sacrifício do intelecto". Max Weber, A ciência como vocação.
(Com uma homenagem ao cáustico amigo Aluízio, que entende o Weber filosófico.)
segunda-feira, 5 de junho de 2006
Aniversário sem festa
"Amanhã completa-se um ano da publicação da primeira entrevista de Roberto Jefferson à Folha, quando o neologismo mensalão passou a fazer parte do dicionário da política nacional. Nesses 12 meses, o presidente da República poderia ter caído com um justo processo de impeachment, a oposição refugou várias vezes (por também ter vários integrantes encrencados) e a população brasileira exerceu o seu secular direito de não fazer nada." (Fernando Rodrigues, hoje, na Folha).
E nada mais é preciso dizer. Alguém tem orgulho de ser brasileiro?
P.S., sempre um P.S., só para lembrar o que disse uma vez Ivan Lessa, que fez a coisa certa há mais de 30 anos (foi embora e nunca mais voltou): O brasileiro é um povo com os pés no chão. E com as mãos também.
E nada mais é preciso dizer. Alguém tem orgulho de ser brasileiro?
P.S., sempre um P.S., só para lembrar o que disse uma vez Ivan Lessa, que fez a coisa certa há mais de 30 anos (foi embora e nunca mais voltou): O brasileiro é um povo com os pés no chão. E com as mãos também.
domingo, 4 de junho de 2006
Espírito do tempo

Várias vezes foi abordado aqui o tema do relativismo que campeia em algumas áreas acadêmicas. O Zeitgeist -para usar a expressão cara aos filósofos alemães -, em nossos dias, é de fato relativista. Tudo dependeria de interpretações subjetivas: não existem fatos, mas apenas interpretações, e, portanto, também não existe verdade. Não há conhecimento objetivo, universal, apesar de as ciências e a filosofia demonstrarem o contrário todos os dias. O mundo, no final das contas, seria apenas uma questão de ponto de vista!
Alberto Benegas Lynch, membro da Academia Nacional de Ciências e da Academia de Ciências Econômicas da Argentina, analisa o relativismo em artigo publicado pelo jornal La Nación, cujo título é, justamente, "Relativismo, o tema do nosso tempo. O autor trata do tema em suas versões epistemológica, hermenêutica, cultural e ética. Boa leitura!
Agradeço a indicação ao Marcelo (Blog do Deu no Jornal, na lista de links). Ilustração: M. Escher (fonte: Cyberartes).
sábado, 3 de junho de 2006
Acampamento Brasil
Alguns gostaram, outros acharam um absurdo. Explico. Chamo isto aqui de Acampamento Brasil porque não é uma sociedade (imagine-se falar em "nação"!). Nossos capitalistas não são capitalistas e o Estado-mastodonte sempre foi refém deles. Se as tais "políticas" disso e daquilo jorrarem dinheiro em seus bolsos, eles aceitam qualquer coisa, inclusive a destruição das instituições ditas republicanas.
Quanto ao monstrengo que denominamos "Estado", se não provê educação, saúde e segurança - três coisas que poderiam transformar o Acampamento Brasil em sociedade -, então que se extinga o próprio. Começando pelo que foi dito na nota abaixo: cortar ministérios pela metade, acabar com cargos de confiança e profissionalizar a administração daquilo que sobrar desse corte de gordura (e bota banha nisso!).
Que venham os adjetivos...
P.S.: aqui não existe espírito republicano. Cada tribo que chega ao "Estado" pensa apenas nisto: "agora é a nossa vez". Daí ser de senso comum a expressão "mamar nas tetas do Estado" (ou da "Viúva").
Quanto ao monstrengo que denominamos "Estado", se não provê educação, saúde e segurança - três coisas que poderiam transformar o Acampamento Brasil em sociedade -, então que se extinga o próprio. Começando pelo que foi dito na nota abaixo: cortar ministérios pela metade, acabar com cargos de confiança e profissionalizar a administração daquilo que sobrar desse corte de gordura (e bota banha nisso!).
Que venham os adjetivos...
P.S.: aqui não existe espírito republicano. Cada tribo que chega ao "Estado" pensa apenas nisto: "agora é a nossa vez". Daí ser de senso comum a expressão "mamar nas tetas do Estado" (ou da "Viúva").
Blog do Deu no Jornal. Vale linkar.
Marcelo Soares, o nosso Marcelinho, jornalista gaúcho que (enfim) se formou no ano passado, é uma das mentes mais argutas que conheço. Conhece tudo de Internet. Escava qualquer informação, em qualquer lugar do mundo. Dormitava lá no Correio do Povo até que se mandou para São Paulo, onde coordena o projeto Deu no Jornal (na lista de links permanentes), vinculado à Transparência Brasil. Trata-se do maior banco de dados sobre corrupção no país. Agora Marcelinho também edita o Blog do Deu no Jornal, analisando as principais notícias sobre corrupção publicadas em 63 jornais e revistas.
Deve ser um trabalho insano, já que corrupção, no Acampamento Brasil, é como feijão com arroz.
NOTA: no blog Jus Sperniandi, Ilton nos brinda com novas lições sobre o direito adquirido, que a patuléia confunde com privilégio. De minha parte, acho que deveria se extinguir é o Estado-mastodonte: cortar ministérios pela metade, acabar com cargos de confiança, profissionalizar a administração daquilo que sobrar desse corte de banha (e bota banha nisso!) etc.
Deve ser um trabalho insano, já que corrupção, no Acampamento Brasil, é como feijão com arroz.
NOTA: no blog Jus Sperniandi, Ilton nos brinda com novas lições sobre o direito adquirido, que a patuléia confunde com privilégio. De minha parte, acho que deveria se extinguir é o Estado-mastodonte: cortar ministérios pela metade, acabar com cargos de confiança, profissionalizar a administração daquilo que sobrar desse corte de banha (e bota banha nisso!) etc.
sexta-feira, 2 de junho de 2006
Quem gosta de miséria é político
Quem gosta de miséria é político (profissional, bem entendido - e pouco importa o partido). Na América Latina, a miséria sustenta mandatos bovinamente. Há marmitão para todos, desde que se "comportem", isto é, não deixem jamais sua miserável condição. No Acampamento Brasil, então, quanto mais pobres, melhor. Extermine-se a classe média e não se mexa no bolso dos milionários. Eleição garantida.
Mas pobre é que não gosta de miséria. Veja exemplos aqui (em pdf, sempre pesadão), relatados pelo Instituto Fernand Braudel, por sugestão do De Gustibus Non Est Disputandum, um blog sucinto e certeiro mantido por dois professores de Economia.
Mas pobre é que não gosta de miséria. Veja exemplos aqui (em pdf, sempre pesadão), relatados pelo Instituto Fernand Braudel, por sugestão do De Gustibus Non Est Disputandum, um blog sucinto e certeiro mantido por dois professores de Economia.
Marcha para trás

Na discurseira oficial, a América Latina parece estar em pleno processo de integração. Ora, a integração é meramente hipotética, para dizer o máximo. O que existe de fato é a fragmentação, com a região a caminho da "mafialização". Empacada na cultura ibérico-católica, olha mais para o passado do que projeta um futuro.
A propósito, recomendo a leitura da análise feita por Paulo Roberto de Almeida no blog Diplomatizando. Como aperitivo, segue um trecho:
Aspecto ainda mais patético da “involução” que se observa nos costumes e no “mores” político local é o apelo recorrente a soluções do passado para enfrentar os problemas do presente: o velho apelo ao nacionalismo epidérmico, a denúncia infantil da exploração imperialista e o recurso a esquemas estatizantes que já demonstraram ser ineficientes em mais de uma ocasião. Mais preocupante é o estilo autoritário que líderes políticos estão imprimindo a suas campanhas eleitorais ou às administrações em curso, com notável destaque, mais uma vez, para o coronel bolivariano. Para o desconforto da esquerda, o antiimperialismo também se apresenta em sua modalidade fascista.
Se considerarmos que a América Latina já é, de todas as regiões do mundo, a de menor crescimento relativo – perdendo, agora, inclusive para a África – e que os países da América do Sul continuam a perseguir estratégias nacionais de crescimento ou de inserção internacional, chegaremos inevitavelmente à conclusão de que as perspectivas para a integração política ou econômica na região são no mínimo limitadas, em que pese a retórica integracionista ascendente.
quinta-feira, 1 de junho de 2006
Afinal, o que é direito adquirido?
Valho-me novamente do blog Jus Spernandi, do amigo e conterrâneo Ilton Dellandréa (entende de direito como poucos, a ele dedicando a vida, digamos, desde criancinha), que, aceitando uma provocação que lhe fiz, comparece agora com um verdadeiro parecer sobre o direito adquirido (que abordei no post anterior).
Surrupio apenas os dois primeiros parágrafos, remetendo, para o restante, à própria página do autor, a quem agradeço. Boa leitura!
É difícil conceituar e distinguir, entre outros direitos, o direito adquirido, um instituto jurídico que o ministro Tarso Genro considera arcaico e pretende relativizar. Então não será mais direito adquirido, mas direito semi-adquirido, ou quase-direito, o que significa, simplesmente, extinção. Não se sustenta um direito adquirido com ressalvas. Tudo será mutável e adaptável de acordo com a ideologia de plantão.
E isto é que é perigoso. Restringir algum direito adquirido abre portas para o desrespeito a todos os da espécie e o resultado será a insegurança social. Você já imaginou se o apartamento em que mora, e que pagou totalmente, e é seu, sofresse restrições de uso e o Estado pudesse ordenar que você o compartilhasse com uma família sem teto?
Surrupio apenas os dois primeiros parágrafos, remetendo, para o restante, à própria página do autor, a quem agradeço. Boa leitura!
É difícil conceituar e distinguir, entre outros direitos, o direito adquirido, um instituto jurídico que o ministro Tarso Genro considera arcaico e pretende relativizar. Então não será mais direito adquirido, mas direito semi-adquirido, ou quase-direito, o que significa, simplesmente, extinção. Não se sustenta um direito adquirido com ressalvas. Tudo será mutável e adaptável de acordo com a ideologia de plantão.
E isto é que é perigoso. Restringir algum direito adquirido abre portas para o desrespeito a todos os da espécie e o resultado será a insegurança social. Você já imaginou se o apartamento em que mora, e que pagou totalmente, e é seu, sofresse restrições de uso e o Estado pudesse ordenar que você o compartilhasse com uma família sem teto?
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