terça-feira, 31 de outubro de 2006

Sader condenado por atacar Bornhausen


Quando o senador Jorge Bornhausen disse, referindo-se aos petistas, que queria se ver "livre dessa raça", foi acusado de racista e achincalhado pelo lulismo, que o pintou nos muros de Brasília vestido de nazista (pra variar, com a odiada revista Veja nas mãos). Bornhausen não saiu dando tiros. Fez o que faz todo cidadão democrata: recorreu à Justiça, já que lhe foi imputado algo que a lei configura como crime (o racismo).

Pois bem, entre os que o acusaram está o sociólogo Emir Sader, um stalinista do paleolítico, que acaba de ser condenado por afirmações escritas no site oficialista Carta Maior (em 28 de agosto de 2005). De acordo com a sentença do juiz Rogério Cézar M. Valente, Sader foi condenado por injúria “à pena de um ano de detenção, em regime inicial aberto, substituída nos termos do artigo 44 do Código Penal por pena restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade ou entidade pública, pelo mesmo prazo de um ano, em jornadas semanais não inferiores a oito horas, a ser individualizada em posterior fase de execução.”

Diz o juiz que o sociólogo acusou o senador de "discriminação aos ‘negros, pobres, sujos e brutos’, intitulando-o de fascista, pessoa repulsiva da burguesia brasileira, direitista, adepto das ditaduras militares, racista, repulsivo, odioso, pessoa abjeta, conivente com a miséria do país mais injusto do mundo, roubador, explorador e assassino de trabalhadores, opressor, terminando por dizê-lo odiado pela esquerda, e sob seu ponto de vista, odiado pelo povo brasileiro.”

Conclui o juiz: "pelo disposto nos artigos 48 da Lei nº 5.250/67 e 92, inciso I, do Código Penal, considerando que o querelante valeu-se da condição de professor de universidade pública deste Estado para praticar o crime, como expressamente faz constar no texto publicado, inequivocamente violou dever para com a Administração Pública, segundo os preceitos dos artigos 3º e 241, XIV, da Lei 10.261/68, motivo pelo qual aplico como efeito secundário da sentença a perda do cargo ou função pública e determino a comunicação ao respectivo órgão público em que estiver lotado e condenado, ao trânsito em julgado.”

Resumindo: o linguarudo stalinista foi condenado à prisão em regime aberto (por ser réu primário) e à perda de função, isto é, perda do cargo de professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, onde promove a "idiotia latino-americana". Vejam os detalhes no blog do Reinaldo (link ao lado)

Nem tudo está perdido. Ainda existe Justiça no Acampamento.

P.S.: os termos utilizados por Sader são empregados também pelos governistas que atacam os blogs críticos.

Ameaças a jornalistas da Veja


Agora é a PF...

Depois dos ministros de Lula, agora é a Polícia Federal que pressiona a imprensa. Goste-se ou não, a revista Veja é a única do país a defender idéias que destoam do pensamento único (isto é, a ausência de pensamento) entronizado no Brasil com o lulo-petismo. Odiada por 10 entre 10 idiotas latino-americanos justamente por defender algumas teses liberais, Veja é sempre o primeiro nome a aparecer em manifestações contra a imprensa. Já foi até queimada nas ruas por estudantes lulistas. Antiintelectualista por natureza, o lulismo não tolera a crítica e a manifestação de idéias que contrariem sua tosca visão de mundo. Seu modelo de imprensa é a revista oficialista de Mino Carta. Ainda bem que Veja resiste. Leia abaixo o relato sobre os abusos e ameaças sofridos pelos jornalistas.

Abusos, ameaças e constrangimentos a jornalistas de VEJA.

A pretexto de obter informações para uma investigação interna da corregedoria sobre delitos funcionais de seus agentes e delegados, a Polícia Federal intimou cinco jornalistas de VEJA a prestar depoimentos. Eles foram os profissionais responsáveis pela apuração de reportagens que relataram o envolvimento de policiais em atos descritos pela revista como "uma operação abafa" destinada a afastar Freud Godoy, assessor da presidência da Republica, da tentativa de compra do dossiê falso que seria usado para incriminar políticos adversários do governo. Três dos cinco jornalistas intimados – Júlia Duailibi, Camila Pereira e Marcelo Carneiro – foram ouvidos na tarde de terça-feira pelo delegado Moysés Eduardo Ferreira.

Para surpresa dos repórteres sua inquirição se deu não na qualidade de testemunhas, mas de suspeitos. As perguntas giraram em torno da própria revista que, por sua vez, pareceu aos repórteres ser ela, sim, o objeto da investigação policial. Não houve violência física. O relato dos repórteres e da advogada que os acompanhou deixa claro, no entanto, que foram cometidos abusos, constrangimentos e ameaças em um claro e inaceitável ataque à liberdade de expressão garantida na Constituição. (Íntegra).

P.S.: enquanto isso, a Fenaj silencia.

Novas ameaças à imprensa livre

Chapa-branca PH Amorim
e ex-ministro Ciro Gomes
entram na campanha

O jornalista chapa-branca Paulo Henrique Amorim (foto), entrevistando o ex-ministro e agora deputado Ciro Gomes, novo pitbull do governismo, faz uma afirmação grotesca que só pau-mandado é capaz de fazer. Ele simplesmente diz que a mídia é "uma ameaça ao funcionamento do sistema democrático no Brasil." Nem na velha União Soviética se ouviu tamanho disparate. Note-se bem: um jornalista afirma que a imprensa livre é uma ameaça à democracia! Para Amorim, certamente, imprensa democrática é boletim oficial. Seu modelo é a revista do amigo Mino Carta, a Carta Capital, rainha do oficialismo na era lulista.

Eu gostaria que o senhor aprofundasse, se fosse possível, a questão da mídia e o governo. A questão da mídia no Brasil, na minha modestíssima opinião não é apenas o fato de que a mídia no Brasil é uma mídia de oposição maciçamente, com exceções honrosas, como por exemplo a da Carta Capital, mas é também uma mídia que age no processo político e agiu no processo político. E a mídia, na minha opinião, tem se comportando como uma ameaça ao funcionamento do sistema democrático no Brasil. Como o presidente Lula deve reagir diante desse quadro que se agravou no primeiro mandato dele?

Repito: se as instituições democráticas cochilarem, teremos pela frente uma ditadura branca.

P.S.: sobre PH Amorim, ver também "Um chapa-branca na SBPC".

(Agradecimentos ao Romeu Martins).

Ataque à imprensa

O "Sargento" Garcia quer a mídia de joelhos

Pronto, começou. Ontem os jornalistas apanharam em Brasília (bem que alguns merecem) em protesto organizado por petistas nas barbas da presidência. Alvos principais, claro, a revista Veja e a Rede Globo, que ainda resistem ao pensamento único. Mas sobrou também para alguns jornais, apesar da condescendência que demonstram com o lulo-petismo.
Relata a Folha: o tom da hostilidade começou na base aérea, quando alguns petistas puxaram "Ou, ou, ou, a Veja se ferrou" e "O povo não é bobo, abaixo à Rede Globo". Mais tarde, no Alvorada, alguns militantes, muitos deles funcionários comissionados do governo federal, passaram a interrogar um a um os jornalistas: "Tem alguém da Veja por aí?", perguntavam.

E o presidente do PT, Marco Aurélio "Sargento" Garcia, amigo de Chávez e Evo Morales - que confiscou as refinarias da Petrobras na Bolívia (os amiguinhos ideológicos podem confiscar empresas brasileiras, mas privatizar, aqui no Brasil, é coisa do demônio) -, vem com a conversa de que a mídia deve fazer uma "auto-reflexão". Leia-se: a imprensa tem que reconhecer que "não houve mensalão". É simplesmente isto que o sargento quer. Já foi dito aqui, aliás, que o lulo-petismo tentará lavar a imundície com as urnas. O gangsterismo já se mexe para negar os fatos. Nisso, segue a filósofa da corte, Marilena Chauí, que vem afirmando que tudo não passou de invenção da mídia.

Se o Bananão permanecer entorpecido, vem ditadura branca por aí. A forma mentis do petismo é antidemocrática.

P.S.: obviamente, nenhum protesto contra a Carta Capital, a Caros Amigos e os blogs do Noblat e da Teresa Cruvinel...

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

PT tramou a divisão do país

Nada escandaliza o Acampamento entorpecido

A reportagem é estarrecedora. Revela a alma do lulo-petismo. Mostra que vale tudo para se manter no poder, inclusive rachar o país, dividindo-o entre ricos e pobres. O que se tramava, na verdade, era um golpe à venezuelana. Veja do que são capazes os homens que estarão no poder por mais quatro anos. Quem é capaz de tramar atos dessa natureza, faz qualquer coisa. Não tem apreço pela democracia. Reproduzo a reportagem abaixo, na íntegra.

PT pensou em apostar na divisão do país

Kennedy Alencar

Brasília - Mantido em segredo, um comercial de TV resume à perfeição a "bomba atômica" da campanha lulista que não precisou ser usada. A peça compõe um arsenal que objetivaria dividir o país entre ricos e pobres. Chamada internamente de "venezuelização" da campanha, o grande trunfo seria uma linha ainda mais agressiva do que a eficazmente utilizada, a de carimbar Geraldo Alckmin e os tucanos como "privatistas".O comercial mostra uma parede na qual estão pendurados, lado a lado, retratos dos ex-presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubstichek e João Goulart. Por último, um quadro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto a câmera se movimenta lentamente de uma foto para outra, um locutor diz o seguinte texto:"Getulio Vargas, o primeiro presidente a defender sinceramente os pobres e as riquezas nacionais. Foi perseguido, caluniado e terminou se suicidando. João Goulart, para os ricos, ele cometeu o mesmo crime, a defesa dos mais pobres. Foi deposto pelos militares. JK defendeu a indústria nacional, gerou empregos. Foi caluniado o tempo todo. Lula, o presidente dos pobres. Eles tentam, eles tentam, mas, desta vez, não vão conseguir vencer a força do povo". Enquanto o locutor falava, cada um dos retratos estremecia e terminava caindo com grande estardalhaço. Apenas o de Lula se mantinha ao final na parede. Em close, mãos rústicas como as de um trabalhador rural seguravam firmemente o retrato do petista e o impediam de cair. Apresentado a pequenos grupos específicos de eleitores, nas chamadas pesquisas qualitativas, o comercial foi fortemente aprovado, até emocionando algumas pessoas. Está no arquivo da campanha.A estratégia de divisão do país foi elaborada pelo discreto jornalista João Santana, marqueteiro chamado às pressas em Brasília em agosto de 2005, no auge da crise do mensalão, para ajudar o presidente a enfrentar o escândalo. Desde o ano passado, quando Lula se comparou a Getúlio, Jango e JK, essa estratégia vinha sendo usada com parcimônia. Na campanha, Lula soltou algumas frases nessa linha em palanques, debates e trechos das falas na propaganda eleitoral gratuita. A estratégia "pai dos pobres", num paralelo com o getulismo, passou a ser a linha do discurso e da ação política de Lula desde o final do ano passado. "Conheço o povo e minha relação com ele. Vou ganhar desses tucanos", já dizia Lula no final do ano passado, depois do pior momento do mensalão.
Último recurso
Durante o primeiro turno, quando o presidente esteve perto de liquidar a eleição, a estratégia de "venezuelização" ficou congelada. Santana chegou a fazer programas tentando conquistar a classe média, numa linha propositiva e que dizia que ela ajudava a pagar a conta de programas sociais para os mais pobres. Foi a fase de rebater o argumento do PSDB de que o Bolsa Família seria assistencialista e que Lula não tinha um projeto de país.A bomba atômica esteve perto de ser usada logo após o primeiro turno, quando o presidente foi surpreendido pelas urnas. Na noite de 1º de outubro, o domingo do primeiro turno, Lula, Santana e ministros acompanhavam a apuração no Palácio da Alvorada. Por volta das 22h, o marqueteiro jogou a toalha. Disse ao presidente que, como temera em conversa na véspera, haveria segundo turno. E repetiu a frase que falara em outros momentos da campanha. Apesar de muito confiante numa vitória na primeira fase, Santana dizia: "Se tiver segundo turno, a gente divide o país e ganha".Lula e Santana avaliaram, porém, que essa saída deveria ser um último recurso. O próprio Santana advertia que seria arriscada e mais polêmica que a privatização. Uma campanha "divisionista" radicalizaria ainda mais a já dura disputa com a oposição, dificultaria a relação com a imprensa e assustaria o empresariado e a classe média, numa espécie de volta ao discurso do PT pré-2002, quando houve a definitiva guinada ao centro na política e na economia.Ou seja, poderia ser suficiente para Lula ganhar, mas dificultaria imensamente a governabilidade no "day after". A estratégia poderia ser vista como rendição a teorias conspiratórias na falta de explicações convincentes para o escândalo do dossiegate. Optou-se, então, por esperar o resultado das pesquisas nos dias posteriores, a fim de conferir se o crescimento de Alckmin que o levara à segunda fase era uma onda ainda em crescimento ou se ela já havia se quebrado.Os levantamentos internos da campanha petista mostravam diferença de oito pontos percentuais entre Lula e Alckmin logo após o segundo turno, o que tranquilizou um pouco o presidente. Mas a decisão final sobre usar ou guardar a "bomba atômica" foi tomada quando o Datafolha divulgou a sua primeira pesquisa na segunda fase, feita nos dias 5 e 6 de outubro. O resultado deu Lula com 50% contra 43% de Alckmin _ou 54% a 46% em intenções de votos válidos. Diante de um cenário de liderança apertada, Lula e auxiliares decidiram carimbar Alckmin e os tucanos como "privatistas" _na prática, uma linha menos agressiva e camuflada com nuances ideológicas do que uma estratégia explícita de ricos contra pobres. De certa forma, o carimbo da privatização embutia parte dos argumentos da "bomba atômica".Ao colocar na agenda da campanha o tema das privatizações, "insinuando" que o tucano venderia estatais, como disse Lula no programa de TV "Roda Viva", o marketing petista tinha três objetivos: conquistar um voto "nacionalista/ideológico", fazer comparação com o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (um ponto fraco de Alckmin, de acordo com as pesquisas qualitativas) e relembrar aos mais pobres e menos escolarizados uma dúvida que freqüentemente manifestavam nos levantamentos da campanha do PT (onde teria ido parar o dinheiro da privatização?).Ao flertar com o voto "nacionalista/ideológico", a campanha lulista buscou o eleitorado que optou por Heloisa Helena (PSOL) e Cristóvam Buarque (PDT) no primeiro turno. Bastaria obter a maioria dos apoiadores desses dois candidatos para liquidar a eleição. Mas a estratégia deu mais certo do que o esperado.Com a lembrança de várias estatais vendidas nos anos FHC (1995-2002), parcela do eleitorado que optou por Alckmin migrou para Lula. Seria, na avaliação da cúpula do PT, um voto que mais rejeitava o petista do que desejava o tucano. Por último, a privatização virou assunto do eleitorado mais pobre e menos informado, de acordo com pesquisas qualitativas. E com um veredito sempre desfavorável a privatização, pois Alckmin demorou a defender tal política pública.A campanha do PSDB se tornou refém de uma agenda ditada pelo PT. O dossiegate perdeu força no noticiário na comparação com os últimos dias anteriores a 1º de outubro. E o resultado foi conhecido ontem. Lula se reelegeu com 60,83% dos votos válidos.
Cassius Clay
Sob o impacto da derrota política de não ter levado no primeiro turno, Lula achava que os debates seriam decisivos. Foi o momento da campanha no qual disse que desejava discutir ética e que se julgava preparado para enfrentar Alckmin. No confronto da TV Bandeirantes (8 de outubro), o petista foi surpreendido por um adversários muito mais osso duro de roer do que imaginava.Ao final do programa, a cara da claque petista era de tristeza. Já os tucanos exultavam. Pesquisas qualitativas do PT e do PSDB, porém, apontaram erros de ambos lados. Alckmin foi agressivo demais. Lula gesticulou em excesso e falou sem clareza. No debate do SBT, o mais morno de todos, o ex-governador baixou o tom. Houve uma espécie de empate nesse dia (19 de outubro).O debate da Record, em 23 de outubro, foi o mais comemorado por Lula. No dia seguinte, num gesto de evidente exagero, ele se comparava a Cassius Clay, lendário pugilista americano. A um amigo, ele disse que sentiu como Clay na luta contra George Foreman em 1974, no Zaire, quando o primeiro reconquistou o título dos pesos-pesados.Até então, Foreman havia vencido 37 de 40 lutas por nocaute. Clay adotou uma estratégia de exaurir o adversário, absorvendo golpes. No oitavo assalto, levou Foreman às cordas e o venceu por nocaute.O presidente disse que sentiu "como Cassis Clay naquela luta" nos momentos em que Alckmin lhe fez duas perguntas nas quais nadou de braçada e encurralou o tucano. Foram os questionamentos sobre o Nordeste e a política externa.

Sim, o brasileiro é corrupto.

Meses atrás, conforme comentado aqui, algumas pesquisas demonstraram que o brasileiro é complacente com a corrupção. Estampei uma das pesquisas em título e fui recriminado por um amigo. Mas, infelizmente, as urnas confirmaram o que as pesquisas apontaram em relação à "ética" bananeira. O fato é que o "povo" brasileiro fecha os olhos para a corrupção. Quem fecha os olhos, cumplice é.

O problema brasileiro não é material. A natureza e os recursos materiais são abundantes. O problema é a cultura, a mentalidade. Somos subdesenvolvidos porque nossa mentalidade é subdesenvolvida. Ainda que as riquezas jorrem da terra, não haverá progresso se não houver inteligência que disso tire fruto e invista a ponto de não mais depender dessas riquezas naturais. Os grandes produtores de petróleo são um exemplo disso, em geral negativo. Riqueza natural se extingue.

Posto que o maior problema do Acampamento é mais cultural que material, não há saída. Mentes amoldadas em 500 anos de história (ah, Lula), levarão mais 500 para mudar um simples gesto. Culpamos os países ricos por nossa miséria econômica e intelectual. Vem daí o antiamericanismo fomentado pelo idiotia latino-americana, tão forte ainda aqui no Bananão. Pouco importa que os odiados EUA tenham importado 1,7 trilhão de dólares dos outros países nos últimos dois anos. Não, eles são "imperialistas", são exploradores das nossas riquezas, são responsáveis pelo fato de os outros serem pobres.

Nascemos ibérico-católicos, contra-reformistas, anticapitalistas. Eis o cerne da nossa cultura. E, como a cultura pode tanto ser um detonador de transformações quanto uma lápide, somos fiéis à fria lápide herdada. Mas não podemos culpar ninguém por sermos subdesenvolvidos. O problema é nossa mentalidade. Somos incapazes de aprender com os povos que se saíram melhor.

P.S.: como diz outro amigo, a questão do brasileiro não é ser pobre, mas ter cabeça de pobre.

Só agora, FHC?

Na Folha de hoje:

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o PSDB deverá fazer uma "oposição dura, mas responsável" no segundo mandato de Lula: "Não pensem que vou baixar a cabeça. Numa democracia, quem não ganha faz oposição. A governabilidade não depende de quem perde", afirmou, depois de votar, ontem pela manhã, no Colégio Nossa Senhora do Sion, em Higienópolis, na região central de São Paulo."O voto será respeitado, mas o presidente vai ter que dançar com o pé na música da lei, da Constituição. Não pode jogar a sujeira para debaixo do tapete", disse. FHC questiona como será o ministério no segundo mandato de Lula: "É de gente que inspira confiança ou serão quadrilheiros de novo?"

Oposição dura, é? Então o ex-monarca reconhece que a oposição foi mole no primeiro mandato, isto é, não agiu verdadeiramente como oposição? Por que FHC demorou tanto para abrir a boca? O ex-presidente não percebeu a gravidade da situação antes? Estava cochilando, o príncipe dos sociólogos?

Ora, espera-se que o PSDB faça o que não fez até agora: que aja de fato como oposição - e uma oposição à altura da que Lula sempre exerceu contra o governo FHC, impiedosamente. Mas aí já é esperar muito.

A verdade é que o senador Jorge Bornhausen, do PFL, foi opositor mais incisivo que qualquer tucano.

P.S.: aliás, o PSDB precisa se explicar: qual é seu projeto para o país?

domingo, 29 de outubro de 2006

O gangsterismo já se mexe

O comissário Dirceu, deputado cassado, participa de debate na Band. De fato, é um representante digno do lulismo, e em nome dele pode falar. Já se assanha com absolvição no STF, onde corre processo do Procurador Geral da República que o chama de "chefe de quadrilha". Alega que não há provas etc. etc. Este é outro flanco que a tigrada vai abrir, na linha de que crime é "erro". Ela acha que urna garante impunidade.

P.S.: Dirceu foi vaiado e quase apanhou hoje de manhã, quando foi votar. À noite, voltou a ser autoridade falando em nome do lulo-petismo. Patina, Bananão!

Em guarda

Deu o que as pesquisas antecipavam. Favas contadas. Disse quase tudo o que tinha a dizer no tópico aí embaixo, postado à tarde. Os analistas dirão isso e aquilo. De minha parte, afirmo apenas que continuarei em guarda. O lulo-petismo tentará impor o que não conseguiu no governo que agora finda (controle da cultura, do jornalismo etc.). Ameaçou convocar constituinte. Se o fizer, virá um golpe branco, com a corrosão das instituições por dentro, tal como fez Chávez na Venezuela. Não estamos livres da idiotia latino-americana.
No mais, veremos o rebotalho da ditadura cada vez mais próximo do grande líder surgido na ditadura, novamente referendado pelas urnas. Delfim Netto, o czar da economia na época Médici, poderá ter até um ministério (toc, toc, toc).

Enfim, o Brasil "mudou" em 2002 para que tudo permanecesse como está. Nasce um novo conservadorismo, capitaneado por gente oriunda da "esquerda". A história dá gargalhadas.

Lá vai o "povo"

Tangida, lá vai a turba ungir quem lhe dá um pouco de sal. Aqui no Acampamento, é a esta massa dócil que chamam de "povo" - entidade que desconheço pessoalmente mas que é invocada toda vez que algo de ruim acontece. Há alguma coisa de bovino nesta eleição, no silêncio estranho que a acompanha. Ela é o testemunho da degenerescência do que um dia já chamamos de nação ou país. Só dá cabeça baixa.

O que sobrou? É o que pensa de nós o mundo: futebol, carnaval, sexo fácil (prostituição e pedofilia de exportação), isto na Itália, na Espanha, em Portugal, porque nos EUA ninguém sabe o que é o Bananão. Não tem a mínima importância. Ah, e tem a música, o rebolado...

O Acampamento é pré-científico (quando não anticientífico), autocomplacente, autoindulgente, crédulo, semi-alfabetizado, anticapitalista. Seus pedagogos endeusam a "escola da vida" contra a disciplina intelectual (a exemplo do vetusto Paulo Freire). O Acampamento consagra a intuição contra a racionalidade, desconfiando da inteligência, mas não da picaretagem. Cultua a indigência e invoca o Pai salvador, que algum político profissional sempre está disposto a encarnar, torpe e repetitivamente. Olha para o passado, porque não tem futuro. Futuro é manter a marmita.

O Brasil se merece.

Sigilo zero

Ôpa, o comunicado saiu, então vamos lá, depois de uma manhã com problemas no Blogger. Acabo de falar com minha mãe, que mora no interior do Estado e é aposentada pelo INSS. Ela me contou ter recebido, durante a semana, dois telefonemas pedindo voto para Espiridião Amin, candidato a governador neste segundo turno. A surpresa: quem pedia o voto identificava-se como Lula - e tinha a voz do próprio. (Tenha sido ou não o próprio, pouco importa: delinqüentes apóiam o que aí está, como dizia o velho Ulisses Guimarães).

Eis aí: o governo utilizando dados do cidadão, à disposição da União, para pressioná-lo a votar em seus candidatos. Deve ser algo banal para uma gestão que já quebrou o sigilo bancário de um simples caseiro e demonstra pouco apreço pelas instituições democráticas. Tudo, reafirme-se, sob o beneplácito do empresariado que se locupleta vergonhosamente, das igrejas cúmplices, da academia subserviente. Isto tem nome: pusilanimidade (termo em desuso que o lulismo reabilita).

Comunicado

Blogger novamente com problemas.

sábado, 28 de outubro de 2006

Petista desmascara Lula

Governo petista investiu no social menos que FHC

Lula alardeia que no governo anterior - ou, modestamente, nos 500 anos anteriores - ninguém investiu tanto no social. Lorota de marqueteiro. O fato é que ele fez menos investimento social que o governo FHC, como acusou Alckmin no debate do SBT. O tucano baseou seus argumentos num estudo feito por um petista, o economista Márcio Pochmann, que foi secretário no governo de Marta Suplicy em São Paulo. Os números mostram que, no período de 2003 a 2005, o governo atual gastou em média R$ 1.491,95 per capita na área social. Nos dois últimos anos de FHC (2001 e 2002), o gasto foi de R$ 1.533,77 por pessoa - o que representa uma redução de 0,45% no governo petista. Outros oito itens apresentaram redução: Previdência Social (0,70%), Saúde (7,49%), Educação e Cultura (5,4%), Habitação e Saneamento (44,03%), Organização Agrária (5,51%), Proteção do Trabalhador (7,86%), Benefícios ao Servidor (19,98%) e Sistema "S", que engloba Sesi/Senai (29,61%).

(Dica do ph)

A Economist e Lula

The Economist, tida como exemplo de bom jornalismo (e é), rateia em relação ao Bananão. Nos últimos tempos, tem reproduzido argumentos sustentados pelo lulo-petismo, ao qual interessa, por exemplo, falar em "terceiro turno". Ocorre que não haverá terceiro turno. O inferno de Lula não passará pelo Congresso. Repito o que tenho dito: já não se trata de impeachment. Caso reeleito, Lula leva problemas com a Justiça. E a Justiça só pode - e deve - cumprir a lei. Quem quer absolvição pelas urnas é Lula. Falando claramente: temos uma eleição sub judice.

A propósito da revista britânica, acompanhem a discussão que o Zappi (links fixos), um brasileiro que mora na Austrália, travou com o correspondente brasileiro da Economist (aqui e aqui). O que diz Zappi? A Economist...lulou.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Deu o que não dá nas pesquisas: Alckmin.

Povo quer apito?

Não resta dúvida: Alckmin venceu o debate. Perto do sujeito de paletó amarrotado e olhos esbugalhados que se considera melhor que todos os que viveram e governaram nos 500 anos anteriores a ele, o Picolé de Chuchu é um estadista.

Os jornalistas/blogueiros, intuitivos como Lula, evidentemente, ressaltarão que Alckmin é frio, racional etc. Ser racional, afinal, é um defeito, num país em que a mais alta autoridade se orgulha de não ter estudado e oferece isto como exemplo a ser seguido. E que terminou sua participação exaltando o pobrismo uma vez mais.

O Brasil tem chance de uma alternativa diferente, a ser construída no caminho, com uma figura nova que cresceu no processo eleitoral. Caso prevaleça, porém, a cultura ibérico-católica e lamurienta do Bananão - para gáudio de D. Tomás Balduíno, Frei Betto, Leonardo Boff e os bispos da falsa teologia da "libertação", aliados do sindicalismo mafioso, da intelectualidade "orgânica" à la Chauí e do empresariado desprovido de altruísmo - seremos pouco mais ou pouco menos que uma Grande Paróquia. Só restará pedir a bênção, Padim.

P.S.: lá do seu túmulo, o incorrígivel e politicamente incorreto Roberto Campos - que chamávamos de Bob Field - bradará sarcasticamente que, "ao contrário dos anglo-saxões, que prezam a racionalidade e a competição, nossos componentes culturais são a cultura ibérica do privilégio, a cultura indígena da indolência e a cultura negra da magia..."

Ringue e pobrismo

O formato do programa lembra ringue. Candidatos de pé, mais expostos que de costume, andando de cá para lá. Se o Alckmin perguntar sobre o enriquecimento repentino do Fábio Lulinha à sombra do palácio, Lula avançará sobre ele fisicamente. Espero que o bom moço pergunte.

No mais, a conversa é a do pobrismo, a que me referi anteriormente. Esta é a cultura nacional. Não é cultura para o futuro.

Lá vamos nós...

Caros leitores e amigos, acompanharei o debate, mas não esperando ver grande coisa. Teremos pouco além de repetições. Alckmin bom moço, evitando brandir a profusão de fatos contra o candidato da situação (os lulistas agradecem). E o Lula de sempre, ora dizendo banalidades para a câmera, ora fitando o adversário com ódio, sempre repetindo "nuncantesnesspaís". As mãos, ah, as mãos inquietas. Tropeçará no idioma seguidamente, mas ninguém reparará nem comentará: é "preconceito" recriminar o homem que teve todas as oportunidades e se recusou a estudar e disso se gaba. Ele encarna a cultura ibérico-católica do pobrismo, a luta do intuitivo contra o racional, da "escola da vida" contra a disciplina intelectual. Ora, a racionalidade leva a dúvidas, despe a retórica e o discurso fácil, não abusa da metáfora: as metáforas são para esclarecer, não para enganar. Mas isto é coisa para as ciências - preocupação longínqua do Acampamento/Paróquia.

Quanto ao debate, os saquinhos já estão preparados. Só não serão utilizados se tivermos alguma grata surpresa...

Magníficos pelegos (II)


Em artigo na Folha de ontem, o professor Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor da Fapesp e ex-reitor da Unicamp, também critica o manifesto dos reitores em apoio à reeleição de Lula. Repito o que já disse aqui: trata-se de um ato vergonhoso, sem igual na história da República. Ele simboliza a submissão ideológico-partidária de uma instituição destinada ao conhecimento. Não há mais limites para a indecência no Acampamento Brasil.

Sobre um manifesto de meias verdades

Reitores de universidades e outros dirigentes de instituições federais publicaram um manifesto aderindo à candidatura Lula. Declaram satisfação com os últimos quatro anos, que querem ver continuados, e se referem a supostas ameaças trazidas pela candidatura de oposição, na já tristemente familiar tática de lançamento de suspeita adotada pela campanha da situação. O debate e o contraditório não apareceram no manifesto -de características maniqueístas e, por isso, simplificadoras. O contrário do que se esperaria de representantes da inteligência e do pensamento crítico brasileiro, que poderiam ter deflagrado um debate sobre a educação no Brasil.
Os autores se referem à criação de dez universidades federais. Pode interessar ao eleitor saber que novas universidades foram três, e não dez, pois sete foram mudanças de denominação ou desmembramentos de instituições previamente existentes. Interessa ao contribuinte o aumento no número de estudantes que têm acesso ao ensino superior público e gratuito, o de maior qualidade no Brasil. Segundo os dados publicados, o governo FHC criou condições para que mais brasileiros entrassem no ensino superior público federal a cada ano -em relação ao que Lula tem feito. Nos anos FHC, o crescimento anual nas matrículas nas federais foi de 5,2% ao ano, bem mais alto do que os 3,3% do primeiro ano (o único para o qual a administração atual foi capaz de mostrar os dados) de Lula. A política que atende ao contribuinte e aumenta o acesso à educação pode não ser a mesma que alegra os reitores.
O amor ao contraditório - do qual, em geral, nasce mais conhecimento- exigiria a menção, quando se faz referência ao crescimento dos recursos federais para financiamento à pesquisa do FNDCT, que tal crescimento se deve aos Fundos Setoriais, uma criação do Ministério da Ciência e Tecnologia no período FHC.
Um governo posterior constrói sobre o que o anterior deixou. Os recursos do FNDCT aumentaram, mas, infelizmente, em relação ao PIB, o valor do investimento em P&D no país vem diminuindo desde 2001.
O manifesto dos reitores, preocupado com a educação dos brasileiros, poderia ter lembrado também que, no governo FHC, a descentralização de recursos e o Fundef permitiram ao Brasil -e aqui, sim, pela primeira vez em sua história- universalizar o ensino fundamental. Foi uma conquista marcante para o país e para todos os que se preocupam com o avanço da educação; e especialmente importante para os brasileiros mais pobres, para os pretos e pardos, que formavam o maior contingente fora da escola.
Ajudaria a ampliar o debate sobre o nevrálgico tema da educação e do ensino superior se os reitores explicitassem que o candidato Alckmin governou o Estado onde estão as melhores universidades públicas do país: USP, Unicamp e Unesp, as três com regime de autonomia e vinculação orçamentária. Regime que nenhuma universidade federal tem, e ao qual a "reforma universitária" do governo Lula nem sequer aludiu. Nos últimos cinco anos, o crescimento nas matrículas em São Paulo tem sido de 5% por ano -50% maior do que o governo Lula tem conseguido. Na pós-graduação, o crescimento nos últimos dez anos foi de 68%. São Paulo faz o maior esforço nacional em pós-graduação e pesquisa, sendo o estado que mais forma doutores. Larga proporção deles vem dos outros estados e a eles retorna para desenvolver as instituições locais. Nas universidades paulistas, mais de um terço das matrículas é no período noturno, aumentando as chances de estudo em boas universidades para os que precisam trabalhar durante o dia. Nas federais, esse percentual é de somente 23% -mas parece ser considerado bom pelos reitores signatários e pelo candidato Lula.
Também nesse assunto, a "reforma universitária" do governo Lula é tímida. Em São Paulo, é a Constituição que preconiza o terço de vagas no período noturno. No apoio à pesquisa, o governador Geraldo Alckmin honrou com precisão o estabelecido na Constituição quanto ao financiamento da Fapesp.
Nunca houve nenhum contingenciamento, como o governo FHC fez e o governo Lula continua fazendo, com os recursos dos Fundos Setoriais e do FNDCT. Fernando Brant escreveu: "E o que foi feito é preciso conhecer, para melhor prosseguir. Falo assim sem tristeza. Falo por acreditar. Que é cobrando o que fomos. Que nós iremos crescer". Está na hora de o Brasil crescer. Crescer no respeito a outras opiniões, à verdade, ao debate límpido e claro sobre os destinos do país, sem demagogia, sem rotulações e sem simplificações. Senão só o que resta é a tristeza do pensamento único.

CARLOS HENRIQUE DE BRITO CRUZ, 50, engenheiro de eletrônica graduado pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) e doutor em física pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), é diretor científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), entidade que presidiu de 1996 a 2002. Foi reitor da Unicamp (2002-2005).

"Golpe baixo" é reeleger Lula

O Pequeno Timoneiro diz não esperar "golpe baixo" da oposição às vésperas da eleição. Ora, golpe baixo é o que fez ou deixou acontecer no governo. Golpe baixo é reelegê-lo diante da sucessão interminável de escândalos a que submeteu o país, que se transforma numa pocilga com o silêncio ou cumplicidade das instituições, do empresariado, da academia, da OAB etc. E golpe é o que o lulo-petismo dará caso o presidente seja reeleito: convocação de uma constituinte para romper de vez com o Estado de Direito.

O Brasil é um país em desintegração. Nosso "crescimento" econômico bate com o do Haiti. Seremos amanhã o que o Haiti é hoje (se bem que Gil/Caetano já cantem há tempo que "o Haiti é aqui"...)

Lembrem-se do referendo...

Referendo do Desarmamento - vejam o que diziam as pesquisas...

Desarmamento

Data: 23-10-2005
Datafolha-07-04-2005 ( a 6,5 meses da votação)
Não 14% x 83% SIM


Desarmamento
Data: 23-10-2005
Datafolha-29-07-2005 (a 2,8 meses da votação)
Não 17% x 80% SIM

Desarmamento
Data: 23-10-2005
CNT-Sensus-13-09-2005 (a 40 dias da votação)
Não 24% x 72% SIM

Desarmamento -
Data: 23-10-2005
Ipsos-03-10-2005 (a 20 dias da votação)
Não 21% x 76% SIM

Desarmamento
Data: 23-10-2005
Ibope-13-10-2005 (a 10 dias da votação)
Não 49% x 45% SIM => Empate técnico.

Desarmamento
Data: 23-10-2005
Ibope-20-10-2005 (véspera)
Não 55% x 45% SIM

...O resultado
Não 64% x 36% SIM

P.S.: cadê os cientistas e analistas políticos para explicar o que aconteceu? Até hoje, não vi nenhuma análise sobre esse "furo" nas pesquisas.

(Colaboração do Sergio).

Militares acusam Lula e o PT

Enquanto os banqueiros e empresários são coniventes, locupletando-se do escândalo reinante, e os acadêmicos silenciam de modo cúmplice, as Forças Armadas reclamam. É o que faz o presidente do Clube da Aeronáutica, brigadeiro Ivan Frota, que não poupa críticas ao governo e seu partido, que define como "a maior quadrilha de malfeitores graduados de que se tem notícia na história nacional." Não diz mais do que dizem os cidadãos indignados. (Pronto: agora me chamem de golpista, direitista etc.).

Leiam na íntegra no Estadão:

O presidente do Clube da Aeronáutica, brigadeiro da reserva Ivan Frota, divulgou na sexta-feira uma dura nota referindo-se ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao seu partido, o PT, como "uma verdadeira gangue" e "a maior quadrilha de malfeitores graduados de que se tem notícia na história nacional".
Esta foi a terceira manifestação assinada por ex-integrantes do Alto Comando das Forças Armadas contra o presidente, o governo e seus escândalos, desde o início do processo eleitoral.
No artigo, em que chama o governo Lula de "entreguista" pela "indiscriminada concessão de uso, por 60 anos, de florestas públicas na região amazônica", o brigadeiro Frota alerta para a "perigosa partidarização do Estado e dos setores estratégicos da Sociedade" e a "tentativa de perenização no poder" do partido do governo.
"É preciso sair da letargia hipnótica e não permitir que continue esse grande assalto à Nação, acompanhado da perigosa ameaça de uma desestabilização institucional", apelou o brigadeiro.
Em seu artigo ele pregou ainda que "é preciso decidir de que lado o cidadão quer fazer parte: se da banda podre da superquadrilha organizada para roubar o País; ou do segmento digno da Sociedade, que não pactua com a corrupção". O brigadeiro Ivan Frota, que já foi candidato à Presidência, pelo PMN, ressalvou no artigo que não falava em nome da instituição.
No manifesto, distribuído ontem, o brigadeiro comenta que "as pesquisas eleitorais para presidente da República sugerem a constrangedora indicação de que mais da metade da população brasileira é conivente com a corrupção e as falcatruas criminosas de que foi acusado o governo que aí está".
Ao comentar que os petistas foram surpreendidos com a realização do segundo turno, o brigadeiro Ivan Frota comentou que "na inesperada nova eleição, o desespero se apoderou da superquadrilha de celerados pela ameaça de perder os privilégios e os empregos - os cargos privados, achacados, e os públicos, inflados por DAS dos maiores valores".
No artigo, o brigadeiro Ivan Frota indaga: "que moral tem um governo entreguista, com vários membros processados por corrupção, para acusar alguém de privatização venal de bens públicos, quando ele mesmo sancionou, recentemente, lei (11.284 de 02/03/2006) que promove indiscriminada concessão de uso, por 60 anos, de florestas públicas na região amazônica, configurando uma transferência explícita de partes do território nacional para a propriedade estrangeira?".
E prossegue repetindo o mesmo refrão questionando "que moral tem um governo entreguista, com vários membros processados por corrupção, para acusar alguém de privatização venal de bens públicos, quando ele mesmo autoriza leilões (Oitava Rodada) de bacias sedimentares (fontes de petróleo) no território nacional, de grande potencial produtivo, abrindo sua exploração a empresas estrangeiras?". E desabafa: "quanta falsidade, hipocrisia e mentira, colocadas na mente desprevenida das populações menos avisadas!".
Depois de lembrar a "perigosa partidarização do Estado e dos setores estratégicos da Sociedade, por meio do uso dos filiados do partido (25.000) para seu aparelhamento, o brigadeiro Ivan Frota, em seu artigo, cita "evidenciou-se, com o uso do dinheiro público, a insidiosa e humilhante manobra de compra da adesão eleitoral de vários milhões de inocentes eleitores das classes sociais nos níveis de pobreza, mormente no norte e no nordeste do País, em troca da esmola institucional da Bolsa Família". E completa: "a dramática conclusão de tudo isso é que, se esse governo for reeleito, ele o terá sido pela banda podre da sociedade brasileira, comprado cada componente pelo seu preço".

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Conversa mole

Sempre há um "cientista político"
para defender o indefensável

E a imprensa já arrumou gente de universidade (sempre os "cientistas políticos"!) para levar adiante a lengalenga de "terceiro turno", que poderia, diz um desconhecido sábio carioca, "rachar o país". Ora, qualquer que seja o resultado das urnas, o Bananão sai rachado. Os que concordam com a devassidão moral que se abateu sobre o país, e os que dela discordam, e por isso votam contra o lulo-petismo.

A conversa mole a que o cientista se presta, no jornal Valor, é a defesa da infame "concertação" pretendida pelo ministro Tarso Illich Genro, a pretexto da governabilidade. Situação é situação, oposição é oposição. Nada de arreglo. E não tem essa conversa de "golpismo de direita". Eleito ou não, Lula se defrontará com a Justiça. Já não se trata de impeachment, que é político. A questão é com a lei. Urna não absolve ninguém. E lei não é nem de direita nem de esquerda.

Tertúlia chapa-branca

Chamam isto de debate...

A agência oficialista Carta Maior inventou agora a série "Debates Carta Maior", discutindo hoje à noite, no Hotel Masksoud Plaza, em São Paulo, "A mídia e as eleições de 2006". Debate, uma ova. Só tem jornalista chapa-branca: Raimundo Pereira, da Carta Capital, Bernardo Kucinski, o professor que fazia - ou faz ainda, sei lá - um resumo dos jornais para o Pequeno Timoneiro e é apresentado como editor-associado da Carta Maior, e Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, que nunca riu tanto na vida (e não será só por razões ideológicas...). Ah, convidaram também o Luiz Nassif, comentarista econômico da TV Cultura. A conversa entre os compadres lulistas seria mediada por Flávio Aguiar, editor da Carta Maior. Adivinhem quem vai apanhar: a revista Veja, ora se não.

O lulo-petismo, responsável pela implantação do "pensamento único" no Bananão, matou a crítica no jornalismo brasileiro. A ver se não matará também os críticos.

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Mãos ao alto!

Prepare-se. Nós é que vamos pagar a conta das presepadas ideológicas do "diplomata" Marco Aurélio "Sargento" Garcia, amigo de Evo Morales e de Chávez. O cumpanhero Evo, da Bolívia (onde o Brasil investiu - e perdeu - um bilhão e meio de dólares), vai aumentar o gás logo após as eleições.

A Bolívia é "soberana", diz o governo. Então, tá. A "solidariedade" ideológica está acima dos intesses brasileiros. Entoemos "La Cucaracha".

Do jornalista Mário Watanabe, no blog Luneta:

Como diria Drummond, e agora, José? No dia 28 próximo, véspera da eleição presidencial em segundo turno por aqui, vence o prazo dado por Evo Morales para que a Petrobrás ou assine um novo contrato, com cláusulas leoninas como o cancelamento do acordo mediante simples aviso prévio de 30 dias dado pelo governo, ou se retire da Bolívia. Assim mesmo, com uma mão na frente e outra atrás, sem direito a nada depois de ter investido 1,5 bilhão de dólares no país. Escusado dizer que a negociação simultânea sobre as condições de fornecimento do gás natural ao Brasil, por meio do extenso gasoduto também construído com dinheiro brasileiro, obviamente será endurecida, com os bolivianos não recuando um milímetro do aumento de preços pretendido e que está sendo imposto em desrespeito a um contrato em plena vigência.

O Massa é massa!

Nota deliciosa, hoje, na Folha. Lula quis faturar em cima do piloto Felipe Massa, a quem outorgou uma medalha. Danou-se. Massa deixou claro que não votará no Pequeno Timoneiro. Rá, rá, rá! (que me desculpe o caro MaGenCo pela vulgaridade do rá-rá, he-he, que ele detesta com razão, mas às vezes é necessária).

De olho nos dividendos da vitória de Felipe Massa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou sua agenda ontem para homenagear o piloto da Ferrari com a Medalha do Mérito Desportivo, a mais alta condecoração a um esportista no país. Mesmo com a homenagem, o piloto se esquivou de manifestar apoio ao petista e ainda criticou a falta de segurança no país que, segundo ele, afeta sua imagem no exterior. "A posição política cada um tem a sua opinião. Eu prefiro ter o meu voto secreto, como todo brasileiro." A cerimônia ocorreu no aeroporto de Congonhas, antes de o presidente seguir para comício no Nordeste. Apenas fotógrafos e cinegrafistas estavam autorizados a participar da entrega.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Lástima

Que a tucanada pense - e repense - por que razão não oferece uma saída ao Acampamento.

No Blog do Reinaldo:

É hora de começar a pensar em por que chegamos aqui. No dia 14 de dezembro de 2005, José Serra tinha 36% das intenções de voto no primeiro turno; Lula, - e 29%. Consultem o Datafolha. Quando a simulação era feita com Alckmin, o petista alcançava 43%, e o então governador, 17%. Quando estes números foram divulgados, sugiro a vocês que façam uma pesquisa para saber qual era a reação de tucanos como Aécio Neves, Tasso Jereissati e o próprio Alckmin. Em outubro do ano passado, eu ainda era articulita do Globo e observei que o PSDB deveria ser o único partido do mundo que desqualificava pesquisas em que estava na frente. Mas vou deixar esse debate para mais tarde. Estou apenas chamando a atenção dos leitores para o fato de que a história, embora não seja um jogo absolutamente lógico, cobra o preço de todos os erros.

Uma das teses que vigoraram entre setores do tucanato nestes dez meses é que o eleitor faz a sua escolha só na última hora. É mentira. Outra é que não se devia confundir "escolha" com "recall". Besteira! Quem renuncia a um candidato que tem o dobro dos votos para escolher aquele que tem a metade paga um preço. Ademais, digamos que Serra tivesse imposto a sua candidatura em 2002, tivesse batido chapa. Teria tido o apoio dos então governadores de São Paulo e Minas? Não! Lula não ganhou a eleição de 2006. O PSDB é que perdeu.

Vamos ver o que o partido fará com isso. Os que repudiam o lulismo terão de exigir a fatura de quem optou pelo erro. Contra todas as evidências.

Tempos lulistas

Do amigo e professor Roberto Romano, os "arquivos implacáveis".

Continuo as memórias grafadas em meu arquivo implacável. Narrei no artigo anterior uma parte da “falação” - o termo horrendo pertence ao vocabulário petista - do ex-parlamentar José Dirceu durante o seminário sobre “ética na política” que se realizou no IFCH-Unicamp em 1992. Após referir-se ao papel positivo desempenhado pela revista Veja na denúncia dos malefícios colloridos, Dirceu afirmou que a melhoria geral do padrão jornalístico devia-se à concorrência estabelecida na mídia. Ah, as virtudes tremendas do mercado! Mudou o PT ou mudou a Veja? Mistérios e avatares abscônditos... Hoje o periódico é tido, nas hostes do PT, como veículo golpista de extrema direita.

O que sustentaria, segundo o líder petista, um movimento nacional em defesa da ética na política? Antes, claro, dos eleitores se cansarem do tema, como diria um ministro muito ético do governo Lula... As palavras empregadas por José Dirceu, quando as leio em minha surrada agenda, na qual anoto os ditos memoráveis de intelectuais e políticos presentes em eventos acadêmicos, me comovem. Chego às lágrimas: a ética na política seria a grande bandeira nacional devido “à crença que setores políticos mantêm no Brasil e nas instituições democráticas. Como a CPI tem autoridade judicial, pela primeira vez no Brasil haverá um julgamento da corrupção”. Uau! Como disse, é de lacrimejar. Sobretudo quando escutamos Lula da Silva parolar sobre as excelências do Senador Collor.

Outra vantagem da CPI contra o esquema collorido, segundo José Dirceu: nela ocorreria uma articulação entre imprensa e parlamentares interessados, o que exigiria, claro, “determinação política” de determinados parlamentares. Tal detalhe permaneceu na sombra para mim, mesmo tendo-o redigido em meu canhenho. Só no governo ético do PT percebi o alcance da fala oracular de sua Excelência petista. De fato, sem o vínculo entre deputados do PT e setores da imprensa, pouco surgiria contra Collor. A unidade santa entre integrantes da mídia e do Partido dos Trabalhadores operou a todo vapor durante os governos de FHC. E com ela, o clamor pela “ética na política”. O que se enxerga hoje, na imprensa, com grande parte dos jornalistas servindo como abafadores ou meros instrumento de ampliação da propaganda sobre o “nosso Líder”, foi originado no período collorido.

Não apenas a imprensa escrita seria vital para a grande campanha republicana pela ética na política, afiançava José Dirceu. “As rádios têm papel importante na luta, mais do que as televisões”. Toda imprensa seria importante, pois as batalhas seriam empreendidas contra todo um sistema corrupto. “O esquema PC Farias não é diferente de outros”. E qual a causa desse diagnóstico? “A Receita Federal não exerce na plenitude as suas funções constitucionais. Não há controle da sonegação, existindo clara associação entre bancos e esquemas” na corrupção política. Uau! Bingo! Bingo como diriam os norte-americanos! Olha que nada falo de Waldomiro Diniz. Sem mais comentários. Além do mais, o retrato dos empresários brasileiros, dizia Sua Excelência, “é muito feio”, ao se referir “às notas frias emitidas por grandes núcleos empresariais no país”. Um nome foi pronunciado, deixo-o por enquanto na sombra do mistério que tanto agrada o petismo no poder.

O sistema político brasileiro, proclamou José Dirceu, está caduco. Nele grassa a impunidade e as instituições não funcionam. Esperava o parlamentar da CPI contra o sistema collorido que ela desse início “a um processo de fim da impunidade, trazendo reformas políticas para o Brasil”. Era tempo de toda uma geração de brasileiros “assumir nas mãos os destinos do país”, o que implica uma regeneração da classe média e da classe operária industrial. “Seria preciso uma revolução educacional e também distribuição de renda, pois sem os dois elementos é muito difícil democracia”. Seria necessário, proclamou finalmente o orador, denunciar a “fraude Collor”, mas sem o “oba-oba das oposições”, sublinhando que, apesar das críticas ao presidente Itamar Franco, só depois de Collor ter saído, começaram os trabalhos da CPI que o defenestrou. “Defenestrou” é palavra que acrescento agora. As demais, sobretudo as postas entres aspas, foram emitidas pelo ilustre defensor da ética na política. No término da fala, palmas estrondosas, assovios e, claro, lágrimas nos olhos cívicos e revolucionários, todos republicanos e jacobinos. A virtude imperou, numa emoção sublime naquela hora, sobre os integrantes do seminário sobre ética na política. Só peço aos leitores, sobretudo os do PT, que prestem atenção às entrevistas de ministros do governo Lula, para ver o que eles dizem do mesmo tema. “Frailty, thy name is PT”...

E para não ficar apenas no passado remoto (?), anuncio que a Adunicamp, aquela Associação que endereçou em assembléia um voto de repúdio a certa professora, devido à sua defesa da “reforma da Previdência” petista, e hoje opera como propagandista do mesmo governo, agora a convida para falar, com pompa e circunstância, sobre o Brasil. Se alguém ainda deseja saber porque não integro semelhantes organizações, aí reside a resposta. Frailty...

"Nesspaís"

Abre jornal impresso, acessa página na Internet, Lula já eleito. Coisa jamais vista "nesspaís". Chiqueiro à frente. Agora e sempre.

Falcatrua vale, roubo vale, mentir vale. Vale-tudo!

E ainda tem o vale-marmita, o vale-banqueiro, o vale-esmola. Falta só o vale-cemitério.

Condolências, compatriotas.

P.S.: e falta algum juiz prolatar uma sentença dizendo que é politicamente incorreto - ou que é menosprezar deficientes - escrever "nesspaís", conforme dicção tipicamente sindicalo-sãobernardesa (caracas, que idioma!).

Não à ideologia pobrista


Acampamento ou país, eis a questão.

Ao lado, o novo símbolo do lulo-petismo.

Gustavo Ioschpe assina hoje na Folha um artigo que vale a pena ler. Lucidez e franqueza. Já toquei aqui em algumas questões que ele aborda. Portanto, assino embaixo. O Acampamento não tem saída: ou ergue a bandeira do desenvolvimento, botando o gigante dorminhoco a andar, ou agita a bandeirinha do atraso, hoje monopolizada pelo falso "progressismo" petista. O articulista não diz, mas eu afirmo: estamos a caminho do brejo com um segundo mandato de Lula. Será a consolidação da ideologia do pobrismo. Pobre morre de fome "nesse país" só em discurso lulista. É conversa para boi dormir. Pura retórica. É o elogio da paralisia por falta de projeto e de idéias.

Involução

O ser humano em geral e as vítimas da historiografia marxista (os brasileiros) em particular temos a tendência a acreditar que estamos numa evolução constante e que o progresso é inevitável. Mas essa esperança não é comprovada pela experiência histórica. Acredito estarmos passando agora por um momento de involução. Que parece programada para continuar. O viés ideológico que fundou e animou o PT deixou de ser aplicável no começo dos anos 90. Lula se deu conta em 2002, e propôs um programa que era a negação de suas idéias dos 20 anos anteriores. Aproximou-se do centro para poder ser eleito e governar. Porém, não conseguiu gerar um projeto alternativo de país para preencher o vácuo que se instalara. O projeto de governo foi substituído por um projeto de poder. E, com a voracidade de quem amargou 20 anos de ostracismo, parece ser um projeto de poder a qualquer custo. Esse programa se desenvolve em duas frentes: a programática e a institucional. Na parte programática, vemos a criação de uma série de iniciativas destinadas a gerar melhorias de curto prazo nos setores tradicionalmente abandonados da sociedade, cujo voto é de obtenção fácil e barata. Nestes enquadraria a expansão do Bolsa Família, o ProUni, os programas de agricultura familiar etc. Seu ponto em comum é lidar com a pobreza sem chegar às causas, garantindo sua reprodução ad eternum. Pobreza se resolve com crescimento econômico e geração de empregos. Isso demanda melhoria de capital humano, investimento em infra-estrutura e melhorias do sistema jurídico, entre outras variáveis. Acesso à universidade se dá com melhoras na educação básica, não com cotas. Mas não seriam essas medidas positivas? Sim, se viessem acompanhadas das reformas estruturais que fazem com que a geração seguinte não mais precise delas. Atualmente, ocorre o oposto: as pequenas vantagens se financiam via aumento do tamanho do Estado, que prejudica o desenvolvimento. Os pequenos ganhos de hoje se dão às custas de perdas futuras. E o sucesso eleitoral da tática garante sua permanência. Se não bastasse essa aridez programática, vem ainda o segundo eixo, de golpeio às instituições. Dinheiro público foi usado para comprar o Congresso, eliminando a relação de independência que deve existir entre os Poderes. Aparentemente o mesmo dinheiro foi usado para comprar, de um criminoso, um dossiê que visava começar a campanha de destruição das lideranças da oposição. Já houve projetos de controle de jornalistas, do audiovisual. Agora já se fala de "democratização" da mídia e reforma constituinte. Os dois eixos somam-se para criar um programa que desidrata a democracia de suas funções vitais, mantendo-a em existência apenas nominal. Com um Parlamento cooptado e uma população seduzida por migalhas, caminhamos rumo à estagnação econômica e ao retrocesso sociopolítico.

GUSTAVO IOSCHPE é mestre em desenvolvimento econômico pela Universidade Yale (EUA) .


segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Alckmin não emparedou Lula

O debate foi mais dinâmico que os anteriores. Mas Alckmin, novamente, deixou Lula livre. Deveria tê-lo emparedado desde o início: os fatos estão contra ele, escândalo após escândalo. O presidente continua devendo explicações sobre as quadrilhas que instalou no poder, sobre as lambanças perpetradas por seu partido com a compra de um falso dossiê, sobre os privilégios de seu filho Fábio Lulinha, que ficou milionário da noite para o dia (e não foi dinheiro ganho em loteria). Alckmin não pressionou.

No geral, o discurso dos candidatos pendeu para o pobrismo. Repito o que disse abaixo: é como se fôssemos 180 milhões de miseráveis, toscos e idiotas. Assim nos tratam os candidatos. Lula jacta-se de distribuir marmitas, estrangulando as classes médias, que o esquerdismo retrógrado do PT sempre atacou como "pequena burguesia". E Alckmin não soube aproveitar a pergunta da jornalista para dizer que é exatamente isto que o governo Lula promove. Nos Estados do sul, onde há melhor distribuição de renda, Alckmin vence justamente com o voto das classes médias, cujos filhos não conseguem emprego, enquanto Fabinho enriquece. Lula não escondeu que só tem olhos para o seu Nordeste, fomentando a divisão no país. Maneja bem a cultura do pobrismo, e por pouco não arrastou o candidato oposicionista para este jogo. Alckmin precisa contrapor a essa cultura a questão do desenvolvimento, a única saída para o Bananão. Mais crescimento, menos marmita.

O jeito é esperar que, pelo menos no último debate, Alckmin bata duro. Repito: fato não é baixaria.

Combate ameno?

A Rede Record promove hoje à noite, a partir das 10:30, o penúltimo debate na TV antes das eleições de segundo turno. As coordenações de campanha dos candidatos, segundo as notícias, "prometem um penúltimo debate ameno". Isto é tudo o que os cidadãos honestos não querem. Roubar não é amenidade, entregar o poder público a quadrilhas não é amenidade, conspurcar os poderes da República não é amenidade.

Espera-se, diante dos fatos que tem a seu favor, que o candidato de oposição seja verdadeira e impiedosamente oposicionista. Quanto ao candidato situacionista que busca o continuísmo, que faça o de sempre: meneie a cabeça, comprimindo os olhos ao fixar a câmera, em sinal de convicção e sinceridade (Duda dixit). E, claro, que não deixe de tentar enfiar os dedos que lhe sobram no bolsinho do paletó quando lê o que lhe deram para ler.

Boa sorte, brasileiros.

P.S.: e concordo com o Reinaldo: Alckmin não pode se omitir em relação ao enriquecimento do lobbista palaciano Fábio Lulinha, denunciado pela revista Veja. Se não o fizer, estará jogando a toalha. Que vá se roçar nas ostras!
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VEJA OS TÓPICOS:

- O ESTADO POLICIAL VEM AÍ
- E VIVA O POBRISMO
- SEM CIÊNCIA
- A IDIOTIA LATINO-AMERICANA

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O Estado Policial vem aí

Lula reeleito, a Polícia Federal se tornará definitivamente polícia de governo. A tramóia já assusta os gatos pingados que ainda não se renderam à canalhice reinante no Acampamento. A OAB, nas mãos do parlapatão Roberto Busatto, fica quietinha. Virou coisa de rábulas de porta de cadeia, abençoados pelo criminalista Márcio Thomaz Bastos, ministro-advogado de defesa de Lula. Os empresários, idem. A santa madre igreja não só é muda, mas cúmplice, crente de que o iluminado presidente, reeleito, enfim instalará uma paróquia universal no Bananão. Danem-se, brasileiros.

Constatem no Painel da Folha:

PF turbinada

Associações de juízes e procuradores temem que a Polícia Federal ganhe superpoderes num segundo governo Lula. Tramita no Senado proposta de mudança da Constituição conferindo status de ministro-chefe ao diretor da PF e prerrogativas aos delegados para assumir a exclusividade das investigações, determinar prisões e quebrar sigilos sem autorização judicial. O projeto é do senador Vilmar Amaral (PTB-DF), suplente de Luiz Estevão. Tem o apoio do ex-diretor da PF Romeu Tuma (PFL-SP) e assinaturas, entre outros, dos tucanos Arthur Virgílio (AM) e Tasso Jereissati (CE) e dos petistas Eduardo Suplicy (SP), Ideli Salvatti (SC) e Serys Slhessarenko (MT). "A proposta é uma aberração", diz o advogado Fábio Comparato.

E viva o pobrismo!

Vivemos na "nova Roma" de Darcy Ribeiro

É insuportável ver qualquer propaganda eleitoral na TV. A cultura do pobrismo impera. Somos 180 milhões de miseráveis, toscos e idiotas. Assim nos tratam os candidatos - e as pesquisas "confirmam".

Falam "nesse país", mas o gigante adormecido não passa de um Acampamento. O acampamento que o finado antropólogo Darcy Ribeiro imaginava ser a "nova Roma", fresca e tropical, que derrubaria a cultura anglo- saxônica, racionalista e capitalista. Deu nisso.

Nosso problema é mais de cabeça que de condições materiais, mais cultural do que econômico. Menos Marx, mais Max Weber. Desprezamos a racionalidade, a competição, a economia de mercado. Procuramos um pai, um grande líder que resolverá todos os nossos problemas. Os políticos profissionais sabem disso. Não têm partido, no fundo, mas disso tiram partido.

Fel à parte, fecho com a sarcástica observação de Roberto Campos (que a esquerdinha dos anos 80 chamava de Bob Field): "nossos componentes culturais são a cultura ibérica do privilégio, a cultura indígena da indolência e a cultura negra da magia..."

Sem ciência

Matéria estampada hoje na Folha ("Seis cursos reúnem 52 por cento dos universitários") revela uma realidade escabrosa: o Brasil não forma os cientistas e engenheiros que necessita para seu desenvolvimento científico-tecnológico. A Coréia (do Sul, bem entendido, não a do ditador de cabelo empinado), sempre citada como exemplo de investimento no ensino, gera mais cientistas que o Bananão, que permanecerá na rabeira da história se o quadro não mudar. E não vai mudar, claro. Em compensação, a idiotia latino-americana se expande aceleradamente (ver post anterior). O futuro é o brejo.

O ensino superior brasileiro, além de ter uma abrangência considerada baixa, está mal distribuído: seis dos atuais 84 cursos do país concentram 52% de todas as matrículas. O campeão em número de universitários é administração, com 621 mil. Sozinho, ele possui mais estudantes que toda a área de saúde, que inclui medicina, enfermagem e psicologia, entre outros. Este grupo conta com 549 mil alunos. Os números fazem parte de um levantamento inédito que será lançado até o final deste ano pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, do Ministério da Educação), que desenvolveu um censo do nível superior para cada uma das 27 unidades da federação. Os dados gerais do levantamento foram apresentados na 29ª reunião anual da Anped (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação), na semana passada, em Caxambu (MG).

Ciências
Em situação oposta à da administração, que ultrapassou o meio milhão de alunos, cursos ligados às ciências não chegam a 35 mil, casos de física e de química. No mesmo patamar estão agronomia e veterinária. "Isso mostra que o país deixou para trás um projeto de desenvolvimento", afirmou à Folha o coordenador do estudo, Jaime Giolo, responsável pelas estatísticas da educação superior do Inep. Para Giolo, o problema não é ter mais de 600 mil matrículas em administração, mas, sim, contar com apenas 32 mil em agronomia ou 124 em recursos pesqueiros. "Como seremos líderes em agricultura?", questiona. "E na pesca nossas técnicas não devem ser muito mais avançadas do que as dos índios da época do descobrimento." Avaliação parecida tem a ex-pró-reitora de graduação da USP Sonia Penin, atual diretora da Faculdade de Educação da universidade. "Para o desenvolvimento do país, precisamos de grandes cientistas. E isso só ocorrerá se tivermos uma grande massa de profissionais formados nessas áreas." Hoje, apenas 10,5% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos estão matriculados no ensino superior. O Plano Nacional de Educação prevê como meta que o percentual seja de 30% até 2011. A análise do Inep aponta que dificilmente o objetivo será alcançado.

Custos
O estudo liga o desequilíbrio da distribuição de matrículas à expansão do ensino superior no Brasil, que ocorreu principalmente pelas universidades privadas -o setor detém hoje 71,7% das matrículas. O levantamento do Inep afirma que a oferta desigual de cursos gerou um "forte desequilíbrio no panorama das vocações profissionais dos jovens brasileiros". "As instituições particulares preferem os cursos mais baratos, porque visam o lucro", disse a presidente da Anped, Márcia Angela da Silva Aguiar, pesquisadora da Universidade Federal de Pernambuco. O consultor em educação superior privada Carlos Monteiro está de acordo com a avaliação. Segundo ele, a estrutura física do curso de química chega a custar o dobro do de administração, devido à necessidade de laboratórios especiais. Já Paulo Renato Souza, ministro da Educação na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), tem uma posição contrária - foi sob seu comando que o setor particular teve uma forte expansão. "Se dobrássemos as vagas de física ou agronomia, teríamos procura para isso?", questionou. "O setor privado vai onde tem demanda por cursos. Atualmente, os jovens têm mais segurança em cursos como administração e direito."

domingo, 22 de outubro de 2006

A idiotia latino-americana

Um retrato impiedoso do ideário esquerdista e da cultura da inveja

Acredita que somos pobres porque eles são ricos e vice-versa, que a história é uma bem-sucedida conspiração dos maus contra os bons, onde aqueles sempre ganham e nós sempre perdemos (em todos os casos, está entre as pobres vítimas e os bons perdedores), não se constrange em navegar no espaço cibernético, sentir-se on line e (sem perceber a contradição) abominar o consumismo. Quando fala de cultura, ergue a seguinte bandeira: “O que sei, aprendi na vida, não em livros; por isso, minha cultura não é livresca, mas vital.” É o idiota latino-americano.

Eis a descrição do idiota na apresentação, redigida pelo escritor peruano Mário Vargas Llosa, à obra Manual do perfeito idiota latino-americano, de Plínio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Álvaro Vargas Llosa. Intencionalmente polêmico, o livro traça, com humor ferino, o perfil do sujeito que freqüentou universidade e, depois, passou a militar nos sindicatos, nos partidos, nas ongs e outras associações que se dizem sociais. De quebra, destrói impiedosamente a galeria de mitos revolucionários e heróis populistas que infestaram a região.

A idiotia latino-americana, diz ainda o apresentador, é deliberada e de livre-escolha: “é adotada conscientemente por preguiça intelectual, apatia ética e oportunismo civil. É ideológica e política, mas acima de tudo frívola, pois revela uma abdicação da faculdade de pensar por conta própria, de cotejar as palavras com os fatos que pretendem descrever, de questionar a retórica que faz as vezes de pensamento.” Não parece uma descrição fiel da intelectualidade brasileira que se diz “esquerdista”?

O idiota latino tem sempre uma biblioteca política. Afinal, é bom leitor, ainda que só leia livros ruins. “Não lê da esquerda para a direita” – escarnecem os autores -, “como os ocidentais, nem da direita para esquerda, como os orientais. Dá um jeito para ler da esquerda para a esquerda. Pratica a endogamia e o incesto ideológico.”


Mas o que lê o nosso idiota? O livro cita algumas obras, considerando uma delas a bíblia da idiotia: As veias abertas da América Latina, do escritor uruguaio Eduardo Galeano, que tem devastado cabeças desde os anos 70. Ainda é levado a sério por muita gente e recomendado a alunos por professores idiotas. As outras obras são: A História me absolverá, de Fidel Castro; Os condenados da Terra, de Frantz Fanon; A guerra de guerrilhas, de Ernesto (Che) Guevara; o onipresente Os conceitos elementares do materialismo histórico, de Marta Harnecker; O homem unidimensional, de Herbert Marcuse (um ataque à “civilização industrial”); Para ler o Pato Donald, de Ariel Dorfman e Armand Mattelart (obrigatório nas escolinhas de comunicação nos anos 70); e Para uma teologia da libertação, de Gustavo Gutiérrez.

Dois brasileiros contribuem para a formação do idiota latino-americano: Fernando Henrique Cardoso que, com Enzo Faletto, escreveu Dependência e desenvolvimento na América Latina (que dividiu o mundo entre “centro” e “periferia”), e Frei Betto, apóstolo da teologia da libertação no Brasil e “conselheiro espiritual” do presidente Lula. FHC, como se sabe, tomou o rumo da civilização; já o frei continua escrevendo bobagens nos jornais (exemplos: "Cuba é o único país onde a palavra dignidade tem sentido"; "Em nossos países se nasce para morrer. Em Cuba, não!").

Manual do perfeito idiota latino-americano foi lançado em 1996 e traduzido pela Bertrand Brasil, do Rio de Janeiro (está na 5a. edição, de 2005). Vale a pena a ler. Quem já foi idiota em outros tempos – como este escrevinhador – dará boas gargalhadas lembrando da juventude; outros, percebendo-se ainda na idiotia, poderão pelo menos começar a criticar-se a si próprios. Mas, não nos enganemos, há os irredutíveis, aqueles que jamais abandonarão a condição (veja aqui, por exemplo).


(Para adquirir, clique na lista de livros à margem direita).

Quanta ternura!

Ideli abraça Amin, que abraça Lula, que afaga Delfim. (Bene, só pra rimar: é o fim!).

E o Pequeno Timoneiro reúne em torno de si o rebotalho da ditadura. O ex-czar da economia, Delfim Netto - que trocou de partido (o PPB de Maluf) e perdeu a eleição para a Câmara Federal -, agora no PMDB, está de olho em algum ministério caso Lula se reeleja. Delfim, todos lembram, abriu as porteiras para o endividamento externo do país nos anos 70.

Na foto, o amiguinho de Mino Carta, da revista oficialista Carta Capital, é afagado ternamente pelo presidente-candidato. Para desgraça nossa, terá algum cargo para fazer suas "experiências" se tivermos dose dupla de lulo-petismo (toc, toc, toc).

* * *

Aqui na província, a deputada eleita Ângela Amin, mulher do candidato a governador Esperidião Amin, troca abraços e beijos com a pit bull do lulismo e madrinha dos mensaleiros, Ideli Salvatti. Na reunião que selou o casamento do "filhote da ditadura" (como Amin sempre foi tratado pelos petistas), a presença do ministro das Relações Institucionais, Tarso Illich Genro.

Como Alckmin vence no Estado em todas as pesquisas, o mínimo que se pode dizer é que a neo-lulista Ângela Amin traiu seu eleitorado. Daqui a quatro anos, voltará para casa abraçada à nova amiga Ideli, que terminará seu mandato no Senado também em quatro anos (mais quatro, argh!).

P.S.: convém lembrar que o próprio Lula foi a grande liderança que a ditadura nos deixou.

sábado, 21 de outubro de 2006

Ah, as pesquisas...

Fora do ar por culpa do Blogger. Mas, paciência, dá para reclamar de free lunch? Adelante, portanto. A colaboradora Cris chama a atenção para um artigo do jornalista Diego Casagrande ("Datafolha, eu não acredito") que, como muitos, começa a duvidar das últimas pesquisas, que mostram Lula em irresistível ascensão sem que haja qualquer justificativa para algo tão estrondoso. Este blogueiro não briga com estatística, mas há algo estranho, de fato: quanto mais denúncias contra o governo, mais o Pequeno Timoneiro cresce? A lógica entra em pane. E análises sociológicas ou econômicas já não bastam para explicar tal façanha. Leia o artigo - de que reproduzo um trecho - e tire suas conclusões.


Não acredito nessa última pesquisa do Datafolha. Boa parte do Brasil pensante está com a pulga atrás da orelha com o Datafolha. Difícil crer que Lula (PT) tenha 60% dos votos válidos contra 40% de Alckmin (PSDB), em plena ebulição do escândalo – mais um - do dossiê. Aliás, eu não acredito mesmo, nem sob tortura. Se a cada nova denúncia, se quanto maior a lama envolvendo PT e governo, mais o homem cresce, então o negócio é roubar um cofre de banco com maçarico em horário nobre. O candidato vai a 90%. Posso estar errado? Posso. Posso estar certo acreditado numa leve – ou nem tão leve assim – conspiração? Também, é claro. Faz parte do Homo Politicus Brasileirus a compra de dossiês fajutos pagando milhões em dinheiro vivo. Então, há mais coisa para ser comprada. Mas voltando ao fato, minha descrença se deve ao seguinte: não há nada novo e relevante em favor de Lula na campanha eleitoral deste 2° turno que justifique uma explosão de crescimento de Lula e um desabar de Alckmin. Nem mesmo a cantilena de analistas de última hora que dizem ter o tucano despencado após o debate da Band, onde foi “agressivo demais”. Bobagem. Alckmin só cresceu na reta final do 1° turno quando passou a ser altivo, explorou o dossiê e deixou de lado o bom mocismo que só interessa aos farsantes, mentirosos e criminosos da campanha do PT e de Lula.
Então vejamos.Nesta última pesquisa, o Datafolha aponta que, considerando apenas os votos válidos, Alckmin teria 53% contra 47% de Lula na região Sul. Eu quero me deter na região Sul, que conheço bem e onde respiro o clima da eleição. Para tanto, vamos relembrar os votos válidos do 1° turno. Na média dos três estados da região Sul no 1° turno, Alckmin atingiu 55,12% dos votos válidos, enquanto Lula teve 34,73%. Pelo Datafolha, Alckmin, que vinha em franca trajetória ascendente, não só não cresce nada como perde votos. E Lula, que fez uma votação pífia para um presidente da República, não só não perde nada como cresce quase 13 pontos percentuais. Ah é, é??? Devem estar de brincadeira. (Íntegra).

Os dons do Lulinha


Sugeri em tópico abaixo ("Oposição não pode ser bondosa") que faltou ao candidato da oposição, no debate do SBT, emparedar o candidato Lula. Bastava perguntar, por exemplo, qual a receita para que o filho do presidente, o Fábio Lulinha, tenha enriquecido tão repentinamente. Fato, afinal, não é baixaria.

A revista Veja foi mais corajosa que o candidato Geraldo Alckmin. Fez o que este deveria ter feito. Acertou no fígado. A manchete da edição da semana é O "Ronaldinho" de Lula, justamente sobre as atividades de seu filho Fábio.

A esta altura, a cristaleira do Palácio do Palácio já está sendo quebrada.

Aí vai um trecho da matéria, que ainda pode ser acessada com a senha BONITO:

Pouco ou nada se sabe dos hábitos dos filhos de Lula antes ou depois de o pai receber a faixa presidencial. Mas a trajetória profissional de Fábio Luís mudou e muito. Foi só depois da posse que seus dons fenomenais começaram a se expressar – e com tal intensidade a ponto de o pai ver nele um Ronaldinho dos negócios. Ele mostrou talento para as comunicações e, como se lerá nesta reportagem de VEJA, para a atividade de lobista junto ao governo. A reportagem revela que o filho do presidente associou-se ao lobista Alexandre Paes dos Santos, um personagem explosivo, que responde a três inquéritos da Polícia Federal, por suspeitas de corrupção, contrabando e tráfico de influência. Esse dom do filho do presidente se revelaria ainda no episódio de sua associação com a Telemar.

Sabe-se agora que os 15 milhões de reais investidos pela Telemar na empresa de Lulinha não foram um investimento qualquer. As circunstâncias sugerem que o objetivo mais óbvio seria comprar o acesso que o filho do presidente tem a altas figuras da República. O setor de telefonia estava e está em uma guerra em que, a se repetir a tendência mundial, haverá apenas um ou dois vencedores. Ganhar fatias do adversário é vital. Houve uma corrida entre grandes empresas de telecomunicações para ver quem conseguia alinhar o filho do presidente entre seu time de lobistas. A Telemar venceu. A maior empresa de telecomunicações do Brasil em faturamento e em número de telefones fixos instalados, e com 64% do território nacional coberto por ela, a Telemar é uma empresa cujo faturamento anual supera 7 bilhões de dólares. A aposta na associação com Lulinha acabou não sendo muito produtiva para a Telemar porque o escândalo veio à tona. Mas foi por pouco. O governo negociava a queda de barreiras legais que impedem a atuação nacional de empresas de telefonia fixa. Além disso, por orientação do governo, fundos de pensão de estatais preparavam-se para vender fatias relevantes de sua participação acionária no setor. Quem estivesse mais perto do poder se sairia melhor.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Magníficos pelegos


Magnífico é o termo que se utiliza em referência aos reitores de universidades. Pois bem, suas magnificências se ajoelharam ante o Pequeno Timoneiro, a quem declararam apoio na campanha de reeleição, atirando ao lixo a independência e o decôro acadêmicos. É um ato vergonhoso, sem igual na história da república. Esse tipo de submissão não ocorreu nem mesmo na ditadura.

Um manifesto, assinado por 46 reitores e vice-reitores, além de representantes de escolas técnicas e agrotécnicas, foi entregue a Lula num hotel de Brasília. O ato simboliza a partidarização de uma instituição destinada ao conhecimento, não às ideologias. Doravante, os reitores são magníficos pelegos.

UPDATE: e cadê a Andifes? A turma agachada aí em cima é de reitores de universidades nordestinas?

(Na foto, os magníficos curvam a espinha).

Algumas perguntinhas

Setor de "blindagem" trabalha dia e noite

Onde anda o advogado criminalista do Palácio, Márcio Thomaz Bastos, que nas horas vagas é ministro da Justiça? Deve trabalhar dia e noite, arquitetando alguma coisa para "fechar" o caso do dossiê fajuto sem envolver o presidente da República. Ninguém blinda como Bastos blinda. O governo só não caiu até agora devido à competência do ministro.

Alguma coisa está sendo armada. Bob Fernandes, ex-Carta Capital, lança notícia "exclusiva" dizendo que o nome do comissário José Dirceu é o mais novo envolvido no "caso-dossiê". A notícia logo repercute no insuspeito Blog do Noblat. E o comissário - diz o Reinaldo, que não dorme de touca - afirma em seu próprio blog que a notícia do Bob é "correta". Huumm...Dirceu se oferece como bode expiatório para blindar Lula? Ou aparecerá outro, que ainda não sabemos quem é, mas o criminalista MT Bastos, com certeza, já conhece? Estão lavando e penteando o bode para botar na sala, como sugere o Aluízio?

A próxima semana será decisiva para a blindagem definitiva.

P.S.: ou vai sobrar tudo para o subalterno Lorenzetti? Costas largas ele tem. Huummm de novo...

Imprensa sob ataque

Por que o situacionismo anda tão nervoso?

O lulo-petismo teme que novos fatos estourem na última semana antes das eleições. Por isso, mantém pressão constante sobre revistas e jornais. Hoje mesmo a campanha de Lula abriu três ações no TSE: duas contra a Veja, inimiga de morte, e outra contra a Folha de São Paulo, que nunca foi tão boazinha com o PT (até agora, não fez nem sequer um editorial de capa em cima da desgraça que envergonha a República). As ações, porém, não conseguem apontar nenhum erro factual das duas publicações. Se Lula está tão na frente, como apontam as pesquisas, por que tanto nervosismo? Só pode ter mais coisa escondida no porão (veja aqui).

A CartaCapital, claro, não incomoda. É a queridinha do palácio.

Tragicomédia



E a manguaceira lulista que perdeu um dedo (mania de petista) em arruaça de botequim, no Rio, foi recebida pelo casal presidencial. Isto não acontece nem em republiqueta bananeira. Não há mais senso de ridículo no Acampamento.

(Foto: R. Stuckert/Folha)