quinta-feira, 30 de novembro de 2006
Patrulha antimídia
Tarso Illich acusa a mídia de "despolitizar" a população e de ter, nas eleições, supostamente apoiado o candidato tucano Geraldo Alckmin. Tascou: "o trabalho informativo [da mídia, durante as eleições] foi feito para desencampar as pessoas da política e abrir espaço para o choque de gestão e abrir espaço, em última análise, para a limpeza técnica, tirando as relações políticas, as crises, as deformações que as pessoas têm e os erros dos partidos políticos em emergência a alguém supostamente limpo, supostamente impoluto para levar o país através da técnica, para levar o país através do choque de gestão ao infinito de felicidade e de bonança."
Resta alguma dúvida de que o lulo-petismo queria e quer unanimidade?
O fato é que nem na ditadura a mídia foi tão patrulhada. E esse patrulhamento se estende a quem quer que ouse criticar o governismo. Algum incentivo a mais, por parte das autoridades, e teremos milícias caçando e espancando críticos e opositores nas ruas, conforme o modelo fascista. Falta muito pouco para isto.
Mas, reconheça-se, os ataques à mídia revelam que, felizmente, nem toda ela sucumbiu, apesar das pressões. Restam alguns vestígios de independência, que o governo procura sufocar. Que os raros independentes resistam, em nome da democracia.
P.S.: e o ministro Tarso Illich, ex-líder do clandestino ex-Partido Revolucionário Comunista (PRC), ainda tem a coragem de dizer que a visão petista de democracia é "a mais avançada" que existe!!!
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
A favor da ecologia ou contra o progresso?

Ao lado, o altivo eucalipto,
a árvore bandida,
"neoliberal, "fascista" etc.
Ecologistas e ambientalistas, em geral, se nutrem mais de doutrinas ideológicas que de conhecimento científico. Pertencem a uma seita de "especialistas" que, tal como seus primos das pseudociências, encontram terreno fácil nas Ongs, embora não sejam raros nas universidades. A América Latina é um terreno fértil para a proliferação dessa praga, contrária ao agronegócio e à industrialização no campo e capaz de transformar uma simples árvore em símbolo do "neoliberalismo", como é o caso do eucalipto no Brasil - mas não só aqui, como se pode ver no artigo Ecologismo o antiprogresismo?, do oceanógrafo uruguaio Luis Anastasía, que gentilmente o enviou a este blog.
Insisten en que las industrias contaminan de una forma irremediable, que provocan cáncer, enfermedades crónicas, malformaciones, lluvia ácida, aún cuando las industrias se ajusten a las más estrictas normativas de control ambiental. Recurren a esas consecuencias para llegar de una forma más fácil al impacto emocional. No lo prueban, simplemente lo dicen y lo sostienen en una muy eficiente campaña porque logran perfectamente su objetivo: transforman una mentira en un mito y luego deviene verdad absoluta.
Por supuesto que la actividad forestal que se está desarrollando desde hace lustros en el país no se iba a librar de la lucha opositora de los ambientalistas. Esta actividad permite el desarrollo y por lo tanto es opuesto a los intereses de estos grupos. Lo asocian con todo lo que ellos combaten y lo definen ridículamente como el cultivo neoliberal o árbol fascista.
Pero como no pueden decir que el eucalipto provoca cáncer, enfermedades o toda la reiterada y monótona batería de argumentos, entonces lo asocian a otro aspecto de especial sensibilidad como el agua, necesaria para toda forma de vida, acusando a la forestación de provocar desiertos.(Leia na íntegra).
Geléia petista
O Contas Abertas mostra que muitas empresas que contribuíram para a campanha de Lula já trabalham para o governo federal. Provavelmente, procuram manter a "boquinha". A confusão entre público e privado, partido e Estado, típica do lulo-petismo, fixa raízes no Acampamento.
Diversas empresas que contribuíram para a campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva trabalham para o governo federal. Após divulgada a relação das pessoas físicas e jurídicas que doaram recursos ao Partido dos Trabalhadores, para o Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República, no valor global de R$ 76.769.196,25, o Contas Abertas fez um corte e separou as doações acima de R$ 250.000,00. Em conjunto esses doadores movimentaram R$ 3,5 bi da União, em 2006. (Leia).
Gratidão

Lula é o queridinho dos banqueiros
Não se acuse os banqueiros de ingratidão. Manchete da Folha mostra que foram eles os principais financiadores da campanha de reeleição do Pequeno Timoneiro. Só o Itaú doou 3,5 milhões de reais, de um total de mais de 10 milhões.
Foi a eles que o governo Lula devotou quatro anos de mandato. Jogou nas mãos dos banqueiros as classes médias endividadas. Ah, claro, preocupou-se também com o velho assistencialismo, distribuindo marmitas para os miseráveis, que são curral eleitoral de governantes há séculos. Cultura do pobrismo, típica do retrógrado pensamento latino-americano.
Os Estados Unidos são a potência que são porque mais de 80 por cento da população é classe média. Sem esta, não há consumo interno, não há desenvolvimento. Mais quatro anos de lulo-petismo nos conduzirão à africanização. Crescimento abaixo do vôo de galinha. O Acampamento só tem tamanho, nada mais.
P.S.: em segundo lugar na "generosidade" ficaram os empreiteiros. Operação "Tapa-Buraco" é com eles mesmo.
terça-feira, 28 de novembro de 2006
Um padre produtivo
Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Portugal)
SENTENÇA PROFERIDA EM 1487, NO PROCESSO CONTRA O PRIOR DE TRANCOSO
(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário n.º 5, maço 7)
"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha,de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres".
"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezessete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de Ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo".
Do blog do amigo Roberto Romano.
Nada como uma boa geladeira...
Na Folha de hoje:
Nos últimos 25 anos, o tipo de câncer que mais diminuiu no Brasil, tanto em homens quanto em mulheres, foi o de estômago. Entre mulheres, a taxa de mortalidade por essa causa caiu de 7,49 mortes por 100 mil para 4,86, uma redução de 35,1%. Entre homens, a redução foi de 16,52 para 11,67, uma variação negativa de 29,4% entre 1979 e 2004. O diretor-geral do Inca (Instituto Nacional de Câncer), Luiz Antonio Santini Silva, disse ontem, na divulgação de dados sobre a doença no Brasil, que um dos principais fatores a influenciar essa queda foi o aumento no acesso à energia elétrica, especialmente no Norte e no Nordeste. Com a possibilidade de conservar alimentos na geladeira, explicou ele, a população diminuiu o consumo de sal em excesso, usado na conservação da carne -o que pode levar ao câncer. "A diminuição no número de casos ocorreu no mesmo período em que aumentou o acesso à energia." Outra explicação foi o melhor combate à bactéria Helicobacter pylori, isolada pela primeira vez em 1982. A descoberta de que ela poderia causar o câncer no estômago facilitou o tratamento com antibióticos.
Criacionismo invade escolas britânicas
O governo britânico também considera inapropriado para o ensino de ciências o material enviado às escolas pelo criacionismo norte-americano. Veja matéria da agência EFE, publicada pela Agência Estado.
Cresce ensino do criacionismo nas escolas britânicas
LONDRES - Dezenas de escolas britânicas estão usando material de ensino criacionista, que o governo condena como "não apropriado como base para o ensino de ciências".
Segundo o jornal britânico The Guardian desta segunda-feira, o material, que promove uma alternativa criacionista de bases bíblicas à teoria evolucionista de Charles Darwin, é usado em cada vez mais escolas do país. Um dos professores que fazem uso do material, Nick Cowan, diretor do departamento de química da escola Bluecoat, de Liverpool, declarou ao jornal que o fato de o "desenho inteligente", uma variante do criacionismo, criticar o darwinismo não significa que não seja científico.
O governo de Tony Blair, no entanto, deixou muito claro que "nem o desenho inteligente nem o criacionismo são teorias científicas reconhecidas".O presidente do comitê sobre ciência e tecnologia da Câmara dos Comuns, o liberal-democrata Phil Willis, expressou à imprensa sua repulsa pelo fato de um professor de ciências dar crédito ao criacionismo e o situe "no mesmo nível que o darwinismo".
O material didático em questão foi enviado aos diretores dos departamentos de ciência de todas as escolas inglesas por um grupo chamado "Truth in Science" (Verdade na Ciência). "Não pretendemos atacar o ensino das teorias de Darwin", declarou ao jornal inglês Richard Buggs, membro do grupo, que acrescentou que "o que dizemos é que se deve ensinar também as críticas a essa teoria". "O desenho inteligente examina a evidência empírica presente na natureza e afirma que há provas da existência de um desenhista. Se isso se aprofunda, há implicações de tipo religioso", acrescentou Buggs.
Segundo Lewis Wolpert, biólogo da Universidade de Londres e vice-presidente da Associação Humanista Britânica, os argumentos a favor do "desenho inteligente são puramente religiosos e não tem nada a ver com a ciência".
O material didático vem dos EUA e inclui testemunhos de pessoas vinculadas ao Discovery Institute, centro de estudos destinado a promover o desenho inteligente no ensino superior do país. No ano passado, um juiz de Dover (Pensilvânia), determinou que o desenho inteligente não pode ser ensinado nas aulas de ciência, pois é uma teoria "religiosa", equivalente ao criacionismo, só que com outro nome. Segundo Jim Knight, secretário de Estado do Ministério Britânico de Educação "nem o desenho inteligente, nem o criacionismo são teorias científicas e não estão incluidas no currículo correspondente.
(Com agradecimentos a Nilson Lage).
Uma boa enciclopédia na praça

A Editora Martins Fontes, de São Paulo, acaba de publicar a edição revista e aumentada da Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos, organizada por João Branquinho, Desidério Murcho e Nelson G. Gomes e originalmente publicada pela Gradiva, de Lisboa, em 2001. Trata-se de referência útil para estudantes, pesquisadores e profissionais de qualquer área de conhecimento. (A obra pode ser adquirida com 20% de desconto na seção Livros, no link à margem direita). Reproduzo aqui a apresentação:
Esta enciclopédia abrange, de maneira introdutória mas desejavelmente rigorosa, uma diversidade de conceitos, temas, problemas, argumentos e teorias localizados na área relativamente recente de "estudos lógico-filosóficos". O território teórico abrangido nesta área é extenso e de contornos por vezes difusos; inclui um conjunto de questões fundamentais acerca da natureza da linguagem, da mente, da cognição e do raciocínio, bem como questões acerca das conexões destes com a realidade não mental e extralinguística. Por um lado, estes estudos são filosóficos em virtude do elevado grau de generalidade e abstração das questões examinadas (entre outras coisas); por outro, são lógicos em virtude de serem logicamente disciplinados, no sentido de se fazer um uso intenso de conceitos, técnicas e métodos provenientes da lógica.
Esta é uma edição revista e aumentada do volume publicado em 2001 (Lisboa: Gradiva), e que agora se publica no Brasil e em breve em Portugal. Da edição original mantiveram-se todos os artigos, dos quais se eliminaram muitas gralhas tipográficas e infelicidades de estilo. Alguns artigos foram ligeira ou substancialmente revistos, tendo-se acrescentado cerca de cinquenta remissões e artigos inteiramente novos. A enciclopédia conta agora com 606 artigos.
P.S.: um dos autores, Desidério Murcho, mantém o site Crítica, a melhor e mais abrangente página filosófica em língua portuguesa.
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
Dawkins cria fundação para combater religiões

Richard Dawkins, professor de Compreensão Pública da Ciência em Oxford, além de apaixonado divulgador da teoria da evolução, acaba de comprar mais uma briga com as religiões. Criou a Fundação Richard Dawkins para a Ciência e a Razão, com sede em Londres, para atacar o que chama de "escândalo educacional": o crescimento das pseudociências e das idéias irracionais. Ateísta militante, Dawkins quer combater também, através da fundação, a doutrinação religiosa dos jovens.
Não é necessário ser ateu para concordar com ele quanto à doutrinação das crianças com a religião dos pais. Os jovens deveriam, de fato, ter o direito de escolher ou não sua própria religião. Fariam a opção por uma delas - ou descartariam todas - quando mais maduros, sem imposição familiar. Do modo como é feita, desde o berço, a doutrinação não é mais que lavagem cerebral.
O propósito de Dawkins, no entanto, é mais radical: simplesmente erradicar as religiões.
Eis a matéria do Independent, publicada hoje na Folha:
Richard Dawkins, geneticista de Oxford, autor de best-sellers e ateísta militante, está para levar sua batalha contra Deus para as escolas, ao criar uma fundação para combater a doutrinação religiosa dos jovens. A Fundação Richard Dawkins para a Ciência e a Razão mandará livros subsidiados, panfletos e DVDs para as escolas britânicas, a fim de lutar contra o "escândalo educacional" visto naquele país com o crescimento da popularidade das "pseudociências" e das "idéias irracionais". A singular fundação também fará suas próprias pesquisas sobre o que torna algumas pessoas mais suscetíveis que outras a idéias religiosas. E tentará "despertar a consciência do público" para tornar inaceitável se referir a uma "criança católica" ou a uma "criança muçulmana". Dawkins acredita que "é imoral marcar crianças pequenas com a religião de seus pais". O movimento vem na esteira da batalha entre grupos seculares e religiosos sobre o papel da religião na vida pública. Alguns grupos de crentes também intensificaram suas campanhas. A Verdade na Ciência, grupo cristão que faz campanha para que o "design inteligente" -ideologia segundo a qual a vida foi criada por um ser consciente e não pela seleção natural- seja incluído nas aulas de ciências, recentemente mandou DVDs e outros materiais para todas as escolas secundárias do Reino Unido. Dawkins lançou neste ano o livro "The God Delusion" ("A Delusão Divina"), que se tornou best-seller. "Eu sou um desses cientistas que acham que não basta mais só fazer ciência", disse. "Temos de dedicar uma proporção cada vez maior de tempo e recursos para defendê-la do ataque deliberado. da ignorância organizada."
P.S.: Dawkins é autor de O Relojoeiro Cego, O Gene Egoísta, Desvendando o Arco-íris, entre outros livros.
Rumo à Cucaracholândia
Se você quiser saber dos detalhes, não procure no site das Forças Armadas, mas... na página do PT.
Pronto, já temos o nosso coronel bolivariano.
O Praça darmas, que entende dessas coisas, resume a operação: "piada cucaracha.
Bem-vinda, piauí.

Espero que a revista piauí tenha vida longa.
De tiragem mensal, agora em seu segundo número, traz escritos longos e bem cuidados, algo que não se costuma ver nas revistas bananeiras. Leitura para o mês, sem pressa.
Havia um buraco na área de jornalismo cultural, literário, com espaço para pequenos ensaios. Está preenchido. Revistas congêneres, como Caros Amigos, hoje não passam de lengalenga partidária, coisa para se pedir um saquinho ao ler.
Não gostei de "Os últimos dias de Muhammad Atta" (o líder do ataque de 11 de setembro), texto do celebrado escritor Martin Amis. Ele tenta retratar como quase não-humano o que é humano. Seguramente, Atta não pensou nada do que Amis imagina. Só o humano pode ser hediondo e cometer atos premeditadamente hediondos.
No meio de uma humanidade apenas "racionável", Atta, embebido de fé cega e ódio à cultura ocidental, foi apenas um humano. Que o inferno o guarde.
domingo, 26 de novembro de 2006
Para rir
E quem mais poderia ter sido?

E a Folha mancheteia: foi o comissário Berzoini quem mandou comprar o dossiê fajuto contra os tucanos. Ora, nenhuma surpresa. À época, o simpático ex-líder sindical bancário e ex-ministro da Previdência (que obrigou os velhinhos -alguns até de maca e soro no braço - a provar que estavam vivos, lembram-se?) era presidente do PT, depois de enxotar do cargo Tarso Illich Genro, e também coordenava a campanha de reeleição do Pequeno Timoneiro. Gente finíssima, o comissário.
Surpresa mesmo teremos quando alguém dessa "raça" cometer alguma boa ação.
Desculpem, mas hoje recorro ao saquinho mais cedo.
(Foto: Fernando Donasci, Folha Imagem).
sábado, 25 de novembro de 2006
Garcia ataca a imprensa e louva Nassif
Trecho da entrevista da Folha:
FOLHA - Por que o sr. briga tanto com a imprensa?
GARCIA - A imprensa é que tem brigado comigo. Sempre que eu dou uma opinião que não corresponde à pergunta, que muitas vezes é uma tese, as pessoas caracterizam minha opinião como "visivelmente irritado".
FOLHA - Mas quando o sr. disse "cuidem de suas redações que nós cuidamos do PT", o sr. estava irritado? GARCIA - Não me lembro estritamente do contexto, mas naquele momento havia uma cobrança sobre determinados aspectos da vida interna do PT, que eu achava que podiam se aplicar à vida interna das redações. Foi um comentário lateral, que, se for o caso, eu retiro. Agora, quem ficou muito irritada foi a imprensa quando eu disse que ela deveria fazer uma reflexão.
FOLHA - O que é "democratizar a mídia"? O sr. pode traduzir?
GARCIA - É ter uma imprensa menos monocórdia. Eu acho que alguns problemas vão se resolver da forma que a imprensa acha que se resolve, através do mercado. Uma parte da imprensa hoje perdeu enormemente a credibilidade. Ela se posicionou fortemente contra a candidatura Lula e foi derrotada nessa eleição. Se você ouvir determinadas rádios, vê três ou quatro comentaristas que se seguem, batendo sempre na mesma tecla. Me diga algum comentarista, a não ser um ex do seu jornal, o[Luís] Nassif, que hoje tenha uma posição diferente. O Vinicius [Torres Freire, colunista da Folha], talvez. Nem sempre ele está nessa linha, o Vinicius é uma pessoa mais independente. Mas a imensa maioria dos comentaristas de economia vem da mesma malta.
FOLHA - É deixar para a mão invisível do mercado então?
GARCIA - Não é só isso. A única mão invisível que funciona no Brasil é a do batedor de carteiras [risos].
FOLHA - Deve haver mudança no critério para distribuição de verbas oficiais de publicidade?
GARCIA - Deve haver um critério amplo. Confesso que fico espantado quando vejo revistas, que se transformaram em órgãos de difamação política, entupidos de propaganda oficial. As revistas deveriam refletir sobre isso.
P.S.: é necessário reconhecer que a posição do "Sargento" sobre a mídia é comum à área das chamadas ciências humanas, onde campeia o relativismo radical. Para esse tipo de relativismo, não existem fatos. O mundo é constituído apenas de interpretações. Justamente por não acreditar em fatos, o pessoal dessa área defende uma visão de jornalismo típica do século XVIII: gostaria de ver os jornais repletos de opiniões sobre a realidade, ao invés de informações.
Oposição, onde?
O presidente reeleito nem tomou posse e os políticos já rastejam, tendo à frente os do PMDB: a disputa é pelo butim do Acampamento. A bem da verdade, só merece o nome de opositor o senador Jorge Bornhausen (PFL), que está se aposentando. Do lado tucano, só FHC tem agitado as asas. Teremos quatro anos de absoluta mediocridade pela frente. A revista Veja tem razão em perguntar (e cito um trecho):
Onde está a oposição?
Lula consegue a façanha de obter apoio doPMDB inteiro – e mostra como é difícil, para certos políticos, ficar contra o governo.
Com a abertura da nova temporada de caça aos oposicionistas na semana passada, o presidente Lula encheu o balaio. Na caçada mais miúda, arrebanhou o apoio de dois partidos que lhe recusaram o voto na campanha presidencial – o PV e o PDT, que concorreu com o senador Cristovam Buarque. Lula também conseguiu formar um amplo arco de apoio entre os governadores. Das urnas, saiu com cinco governadores petistas e onze aliados. Agora, já atraiu mais quatro governadores. Na sua caçada mais graúda, Lula alcançou um feito notável: capturou o apoio da parte do PMDB que até ontem se dizia oposição e, como já tinha o pedaço governista, agora tem o partido praticamente inteiro ao seu lado. Na quarta-feira passada, depois de cerca de duas horas de reunião com a cúpula oficial do PMDB no Palácio do Planalto, Lula ouviu o que queria. O deputado Michel Temer, presidente do partido, disse que havia uma "amplíssima maioria" a favor do apoio ao governo e prometeu se reunir com o partido, já nesta semana, para oficializar a adesão.
Faz mais de uma década, pelo menos, que o PMDB é um partido cindido em dois: os que apóiam o governo do momento e os que lhe fazem oposição. A divisão consolidou-se já na primeira eleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, ocorrida em 1994. Na época, o partido rachou em duas alas – uma apoiando o tucano e outra apoiando Lula. No segundo governo de Fernando Henrique, a divisão dos peemedebistas ampliou-se ainda mais, e assim se manteve até a semana passada. Agora, com a adesão quase unânime do partido, Lula fez uma aliança que a muitos parecia impossível. "Ele conseguiu o que é tentado por todos os presidentes desde a Nova República: unificar o PMDB no apoio a seu governo", diz o deputado Moreira Franco, do Rio de Janeiro, um dos presentes ao encontro que selou a aliança. Até o momento, nove deputados e seis senadores do PMDB, estes atuando sob o comando do senador eleito Jarbas Vasconcelos, de Pernambuco, anunciaram que não vão aderir ao governo. O resto, assim que a decisão for oficializada, estará com Lula: são oitenta deputados, onze senadores e sete governadores.
Chapas-brancas vão bem, obrigado.
O lulo-petismo só não gosta de imprensa independente. Diogo Mainardi, na Veja da próxima semana:
A imprensa lubrificada
"Dudu Godoy é sócio da agência que atende a Petrobras. Hamilton Lacerda recebeu uma chamada do celular de Dudu. O que ele disse a Hamilton? Propôs um pacote publicitário para a IstoÉ?"
Quando a IstoÉ publicou a entrevista com o chefe dos sanguessugas, sugeri que ela poderia ser recompensada com anúncios da Petrobras. Ninguém deu bola para o assunto. Na ocasião, indiquei o nome dos intermediários: Hamilton Lacerda, assessor de Aloizio Mercadante, e Wilson Santarosa, diretor de marketing da Petrobras. Agora a CPI dos Sanguessugas revelou que os dois trocaram dezenas de telefonemas no período de negociação do dossiê contra os tucanos. A CPI quer saber se o dinheiro para comprar o dossiê saiu da Petrobras. É perda de tempo. O que a CPI deveria investigar é se o dinheiro da Petrobras foi usado para comprar a cumplicidade da IstoÉ.
Na última quarta-feira, encontrei mais um dado comprometedor para a Petrobras. Analisando os telefonemas de Hamilton Lacerda, em poder da CPI, descobri que ele recebeu uma chamada do celular de Dudu Godoy. Dudu Godoy é um dos sócios da Quê, a agência de propaganda que atende a Petrobras e controla a verba publicitária da empresa. O telefonema de Dudu Godoy para Hamilton Lacerda ocorreu em 5 de setembro, às 15h33. Dois dias depois, em pleno feriado de 7 de setembro, Hamilton Lacerda foi à IstoÉ para combinar a entrevista com o chefe dos sanguessugas. Dudu Godoy fez carreira em Campinas, assim como Wilson Santarosa, que presidiu o sindicato dos petroleiros local. Em 1998, ele foi um dos marqueteiros da campanha de Lula à Presidência. A seguir, passou a trabalhar para Marta Suplicy e Zeca do PT. O que é que Dudu Godoy disse a Hamilton Lacerda? Ele propôs um pacote publicitário para a IstoÉ?
Um dos articuladores da entrevista com o chefe dos sanguessugas disse que a IstoÉ foi escolhida para publicá-la porque os petistas "estavam em guerra" com o resto da imprensa. Quem também está em guerra com o resto da imprensa é o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Na semana passada, ele acusou o Globo e a Folha de praticar "jornalismo marrom". Isso porque os jornais ousaram publicar reportagens mostrando o favorecimento da estatal a ONGs e empreiteiras ligadas ao PT. O Globo, em editorial, atacou: "Nunca como no governo Lula a Petrobras foi tão usada como aparelho partidário e instrumento de propaganda".
O fato é que a Petrobras não favorece apenas ONGs e empreiteiras ligadas ao PT. Ela favorece também a imprensa caudatária do governo. De maio a setembro de 2006, segundo o levantamento de Reinaldo Azevedo, a IstoÉ veiculou 58 páginas de anúncios da Petrobras. Neste ano, pelos dados do Ibope Monitor, foram 2,6 milhões de reais investidos pela estatal na IstoÉ. Carta Capital lucrou ainda mais, proporcionalmente à sua tiragem. Foram 789.000 reais. Na TV aconteceu algo semelhante. A Bandeirantes, depois de ceder um canal ao filho de Lula, tornou-se a segunda maior arrecadadora de comerciais da Petrobras, na frente do SBT e da Record, faturando mais de 20% do total destinado pela empresa às emissoras de TV. Detalhe: o diretor de marketing da Petrobras, Wilson Santarosa, é também o presidente do conselho deliberativo da Petros, o fundo de pensão da Petrobras. Um de seus colegas na diretoria da Petros, Jacó Bittar, é o pai dos sócios do filho de Lula.
O petismo está em guerra com a imprensa. Esse negócio vai acabar mal.
Lá vem a madrinha de novo...
Segundo depoimento do senador petista Aloizio Mercadante à Polícia Federal, nesta quinta, Ideli participou com ele de reunião, no dia 4 de setembro, com Osvaldo Bargas, ex-secretário do Ministério do Trabalho, e Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil, antes de estourar o escândalo do caso.
Na reunião com os envolvidos, Ideli e Mercadante teriam sido informados que Luiz Antonio e Darci Vedoin, donos da Planam e acusados de chefiar o esquema de superfaturamento de ambulâncias, estavam escondendo informações sobre a existência de irregularidades na administração tucana no Ministério da Saúde.
"Estou estranhando essa posição do Gabeira. Parece que ele está querendo inventar a roda", disse Ideli. "Se ele quer discutir suspeição, então vou levar para a CPI o ofício do delegado Diógenes Curado que diz que ele selecionou que documentos trazer de Cuiabá para a comissão", reagiu a petista. "Ele não deveria ter escolhido os documentos. Deveria ter trazido tudo", completou. A senadora observou ainda que essa reunião não é nenhuma novidade. "O assunto já era conhecido há mais de um mês."
Fernando Gabeira disse que na reunião da próxima terça-feira da CPI das Sanguessugas pretende manifestar seu descontentamento com o comportamento da senadora Ideli. "Ela tinha informações que não passou para a comissão. Ela não pode trair seus amigos, mas também não pode trair a CPI", afirmou.
Segundo Mercadante, Bargas sugeriu, no encontro com ele e Ideli, que o PT utilizasse a audiência do Conselho de Ética do Senado, marcada para dia 5 de setembro, para vincular José Serra, governador eleito de São Paulo, Barjas Negri, ex-ministro da Saúde durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, e Abel Pereira, empresário apontado como amigo de Negri, ao esquema da máfia das ambulâncias. A proposta era pressionar Luiz Antonio Vedoin para que ele contasse o que sabia contra tucanos.
Pois é, meus conterrâneos - refiro-me aos que botaram a mulher lá -, surpreso ficarei quando a ex-professora primária e sindicaleira da educação estiver envolvida em alguma boa ação.
Tsc, tsc, tsc.
sexta-feira, 24 de novembro de 2006
Evo quer fechar o Senado

Adelante, latinoamérica!
O neopopulismo cucaracha não suporta oposição. Na Venezuela, Chávez mudou a Constituição, destroçou o Judiciário e agora pinta e borda como tiranete. Na Bolívia, seu seguidor Evo Morales, que passou a perna na Monstrobras, quer fechar o Senado, onde a oposição tem maioria. Argumento: "por que precisamos do Senado, onde existe ainda uma maioria de neoliberais que vão boicotar os pobres?".
Que seria de los 3 amigos (Lula, Chávez e Evo) sem essa cultura do pobrismo?
Com quantos petistas se troca uma lâmpada?
Primeiro, eles vão nomear uma comissão para saber qual o companheiro que vai subir na escada. Depois, vão nomear uma subcomissão que vai avaliar a necessidade da troca da lâmpada. Em seguida, deverão convocar os movimentos sociais e perguntar ao Frei Betto, ao Stédile e ao Evo Morales se a lâmpada pode ser trocada sem que se macule a soberania nacional. Hugo Chávez dirá que a questão da lâmpada é secundária, porque ele é a verdadeira luz do continente bolivariano e iluminará a redenção dos oprimidos. Depois, uns cem companheiros farão discurso a favor da Escadobrás, empresa que deverá monopolizar a fabricação de escadas de alumínio sem a interferência das empresas neoliberais. (Leia aqui).
Chicote no Veríssimo
Senadores criticam o DIP lulista
O senador Jefferson Péres vai na mesma linha, criticando a tal "democratização", cuja farsa tem sido denunciada aqui faz tempo (ver tópico abaixo), dada a mentalidade autoritária do lulo-petismo. Reproduzo parte da matéria do Estadão:
O que está havendo é uma tentativa de tutelar a imprensa', disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Para ele, na prática o Planalto quer repetir o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) da ditadura Vargas. O senador Jefferson Péres (PDT-AM) afirmou que a palavra democratizar freqüentemente tem sido usada por pessoas de mente 'totalitária, autoritária, para matar aquilo que a democracia tem de melhor, que é a liberdade de expressão'. E foi além: 'É preciso não esquecer que as ditaduras no Leste Europeu eram chamadas de democracias populares.' O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) lembrou alguns 'escorregões autoritários' de autoridades - como o ministro Tarso Genro e o presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli - que, acredita, não ajudam a alimentar a tese de que o governo está bem-intencionado. Todos reagiram a notícias publicadas pelos meios de comunicação com respostas agressivas e insinuações de que deveria haver algum tipo de controle sobre a mídia.”
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Plano de governo? Há apenas um: controlar a mídia.
Plano de governo, que plano? O Estadão descobre depois da reeleição o que todo mundo na blogosfera já sabia antes: o governo está de calça curta, não sabe o que fazer nos próximos quatro anos (noves fora o uso do Aerolula, claro). De qualquer modo, vale a pena ler o editorial do jornal.
Mas não sejamos injustos, pelo menos um projeto o governo tem: o de "democratizar a informação". Vai até criar uma Secretaria de Democratização da Informação, que ficará sob a botina da ministra da Casa Civil, a ex-guerrilheira Dilma Rousseff.
Quer dizer que a profusão de informações fornecidas pela mídia, livre e solta, não é democrática? Mas que diabo é essa democratização? Está lá no Estadão:
Entre as medidas consideradas capazes de democratizar a comunicação em estudo, estão mudanças na legislação e nos critérios de concessão de rádio e TV, além do fortalecimento de mídias alternativas e regionais. Também há planos para TV digital e tecnologia da comunicação.
Que ninguém se iluda: mudar as regras de concessão permitirá favorecer grupos ideologicamente afinados com o lulo-petismo e dará ao governo enorme poder de pressão (chantagem mesmo) sobre os grandes grupos de comunicação. A Globo que se cuide: no fabulário petralha, ela sempre foi o monstro a subjugar ou destruir.
Fortalecer as mídias "alternativas"? Hummm...Entre outras coisas, significa financiar a criação de jornais e revistas de "movimentos sociais", dos sindicatos, das Ongs, dos amigos, enfim. O objetivo é a "construção de uma nova hegemonia", conforme comentei aqui em fevereiro. Para facilitar, reproduzo o artiguete (e nada mais será necessário dizer), cujo título é "Uma rede Pravda para o petismo".
Se alguém ainda tem dúvida sobre o caráter antidemocrático da mentalidade petista, leia, por favor, o artigo assinado por uma jornalista no site do partido (“Uma propaganda de classe”). Usando viseira partidária, a articulista exuma a rançosa discussão sobre “o papel desempenhado pelos grandes meios de comunicação de massa na construção e permanente atualização da hegemonia conservadora no Brasil” e fala do fracasso da “esquerda” em construir uma “nova hegemonia”. O problema seria o “monopólio” (sic) no setor de comunicação (a salada de noções com cheiro de naftalina lembra Armand Mattellart, Gramsci, Althusser e outros vetustos ideólogos dos anos 70).
Como é de praxe nesse tipo de discurso, os primeiros alvos são as revistas Veja e Primeira Leitura, veículos de "propaganda classista". A primeira “sempre foi um instrumento de propaganda da direita” (a moça certamente ainda não tinha nascido ou engatinhava de fraldas quando a Veja enfrentava a ditadura militar), além de pertencer – oh, horror - ao Grupo Abril, financiado pelo execrável "capital internacional”. Ajudou a eleger os “conservadores” Collor e FHC e, edição após edição, trata de impor “padrões de comportamento e cultura” para manter o statu quo. Portanto, a um simples sinal do velho Civita, mais de um milhão de tolos assinantes da revista põem-se a dançar a tarantella. E você, caro leitor, está enganado se acha que pensa com independência. Você apenas reflete o que lhe inculca a revista.
E o que mais faz Veja? Ora, campanha “sistemática e ostensiva” contra os “governos de esquerda” da América Latina, particularmente o comandante Chávez. Isto não é jornalismo, ensina a moça: a verdadeira “vocação” da revista são as “calúnias e denúncias infundadas”. Logo, não pense que os leitores vão à banca atrás de informações e fatos. Eles se contentam com falsas versões, coitados.
Informação "classista"
Quanto à Primeira Leitura, trata-se de uma publicação “liberal-conservadora vinculada à inteligência do PSDB de São Paulo”, dirigida pelo notório “direitista” Reinaldo Azevedo, que a articulista insinua ser um “agente da CIA”. E lá vai ela deslizando para as teorias conspiratórias, de que pouparei o leitor. O que preocupa a moça, na verdade, é o próximo encontro do PT em abril, quando o partido fará um balanço dos últimos três anos e “definirá diretrizes para o próximo governo”(!). E aqui ela puxa a brasa para a sua sardinha: o combate ao tal “monopólio” na área da comunicação.
Vestindo-se de ideóloga, afirma que o partido deve visar a “construção de uma nova hegemonia” (viva Gramsci!), que tenha condições de “desconstruir a ideologia conservadora dominante”. O “programa estratégico”, segundo a jornalista, é “investir na constituição de uma rede de comunicação própria”. A receita revolucionária: criar “veículos alternativos”, tais como as rádios comunitárias e, note-se bem, canais de televisão “ligados ao governo e aos movimentos sociais”.
O grande erro do governo Lula teria sido justamente tentar uma aproximação com o “monopólio da mídia”, ao invés de combatê-lo com a criação de novos canais que ela chama de “alternativos” (atenção: alternativo é estatal). Eis o ponto. Nada de mediação, nada de concorrência, nada de livre circulação de informações, essas coisas da democracia burguesa. Não, é simplesmente impossível "transformar" a sociedade com “informações mediadas pelas grandes empresas de comunicação”.
O que a jornalista-militante (ou militante-jornalista?) busca, no fundo, é a segurança da propriedade estatal, o discurso oficial sem mediação, a formação ideológica das “massas”. E, se bem que não advogue o fechamento dos jornais e redes de televisão privados - que impropriamente chama de monopólio -, propugna a construção de uma rede Pravda (Verdade) paralela para difundir a informação "classista", isto é, verdadeira. De quebra, abriria mais uma boquinha estatal para jornalistas chapa-brancas como ela.
P.S.: só pra lembrar, DIP foi o Departamento de Imprensa e Propaganda criado por Getúlio Vargas no Estado Novo.
Até já
Ah, é !?!
Ora, ponto cego é o Bananão desgovernado.
Ponto.
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
O "terrorista" Darwin
A exemplo de seus primos norte-americanos, os criacionistas turcos acusam o darwinismo de ter gerado o racismo, o nazismo, o comunismo e o terrorismo. Algo de ruim acontece? Bota na conta de Darwin, o inimigo número um do dogmatismo religioso.
O criacionismo é amplamente aceito na Turquia, que ficou em último lugar numa pesquisa feita recentemente em 34 países sobre a aceitação da teoria de Darwin pela população. Cientistas turcos dizem que há pressão de fundamentalistas muçulmanos junto ao governo contra a abordagem secular, tradicionalmente utilizada nas escolas.
Ora, goste-se da teoria de Darwin ou não, é dela que tem brotado incessantemente fecundos projetos de pesquisa nas mais diversas áreas científicas. A biologia e a genética não teriam a projeção que têm hoje sem a contribuição dessa teoria. Cada nova explicação que alcançamos sobre o mundo natural deve algo a Darwin.
Mais que religião, o criacionismo - cristão ou islâmico - é um movimento anticientífico.
Monstrobras ataca a imprensa
Diz Sérgio Gabrielli que alguns órgãos de imprensa fazem "uma campanha orquestrada contra a Petrobras" e que alguns jornalistas fazem "ilações inaceitáveis" para atacar a empresa. Atenção, Gabrielli, pode me incluir nessa "orquestra". Entro como voluntário. E já chego perguntando por que o senhor não revela os termos do acordo firmado com o presidente-cocaleiro Evo Morales, que, segundo o "jornalismo marrom", seriam lesivos aos interesses nacionais (ver tópicos abaixo).
A Monstrobras jogou dinheiro na eleição de candidatos petistas, segundo reportagens publicadas pela Folha e pelo jornal O Globo nesta semana. O que tem a dizer Gabrielli? Tudo "irrealidade", tudo "falsidade". E faltou pouco para que batesse no repórter do Globo que esteve com ele ontem.
Abramos a caixa preta!
P.S.: um petralha estatizado passou por aqui com a habitual carga de impropérios. Já passei inseticida.
Capitalismo e democracia
A China, que aos poucos abraça o capitalismo, não conseguirá por isso mesmo manter a ditadura comunista indefinidamente. O totalitarismo político é a negação do mercado. O fato de ter aceito experiências capitalistas indica que o mito da "planificação" já ruiu por lá também. A ditadura chinesa poderá se arrastar longamente, como aconteceu, por exemplo, na Hungria e na (ex-)Iugoslávia, mas, cedo ou tarde, desabará. Como lembrava meu velho mestre e amigo Lúcio Colletti (que não conheci pessoalmente e que faleceu em novembro, há cinco anos), não há democracia sem liberalismo, tanto no plano político quanto no plano econômico - uma idéia que, nos velhos tempos, como bom idiota latino-americano, sempre via com suspeita.
Diminui o número de idiotas, mas a idiotice não tem fim. Persiste ela na idéia de que "não há democracia sem socialismo", algo que atraiu, até bem pouco tempo atrás, intelectuais europeus como Jürgen Habermas e, infelizmente, ainda atrai sociólogos, políticos e padres "libertadores" latino-americanos. O certo é que a tese implica uma posição que nem sempre é explícita: existiria alguma contradição, pelo menos potencialmente, entre capitalismo e democracia.
Trata-se de uma tese que, tinha razão Colletti, vem de Stálin e "exprimia a convicção de que as liberal-democracias ocidentais tomariam, aos poucos, a mesma estrada da Alemanha nazista e da Itália fascista. Em poucas palavras, o capitalismo carregaria dento de si o fascismo, como as nuvens carregam a tempestade."
Pois bem, alguns setores do partido governista - notadamente os ligados à academia -, além de partidos como o Psol e movimentos como o MST, já não pensam que o capitalismo conduza ao nazismo, mas continuam afirmando que há contradição entre capitalismo e democracia. A razão, porém, estava com o meu saudoso mestre: "a democracia e o pluralismo político pressupõem o pluralismo econômico, isto é, o mercado; já onde existe o monopólio político do poder, não resta nem sequer sombra de democracia, mas apenas o Estado totalitário."
Não dá uma boa discussão?
terça-feira, 21 de novembro de 2006
Monstrobras
Acampamento desgovernado
É fantástico!
Se o país fosse sério, haveria demissões em massa das autoridades que controlam (?) nossas vidas quando voamos.
DEU NESTA Folha, no "Fantástico" e na revista "Época": mais acidentes iguais ao que vitimou 154 pessoas no vôo da Gol poderiam ter ocorrido por falha no controle aéreo. Os passageiros e tripulantes escaparam por pouco.
Isso demonstra que não há comando no tráfego aéreo brasileiro. Isso demonstra que quem comanda, em última instância, o transporte aéreo, o governo federal, não comanda nada. Não há controle aéreo, não há segurança aérea, logo, não há governo.
É isso, falando sem eufemismos indevidos. O grupo que há quatro anos deveria zelar pelas nossas vidas, em todas as áreas, não comanda nem os céus.
Triste, mas verdadeiro. Um controlador de vôo não-identificado disse que não permitiria que sua família viajasse de avião. Eu viajo praticamente todas as semanas. Pensei que houvesse autoridades cuidando da nossa segurança. Pelo jeito, não há.
Se estivéssemos em um país medianamente sério, haveria demissões em massa das tais autoridades que controlam (???) nossas vidas enquanto voamos. Mas os companheiros continuam lá, belos e fagueiros, dizendo estultices, ao explicar porque vôos atrasam tanto. E os passageiros que atrasam suas viagens ficam com a impressão de que ganharam uma sobrevida.
Por que isso vai mudar nos próximos quatro anos? Os (ir)responsáveis são os mesmos. Ganharam, eles acima de tudo, sobrevida. Para jogar truco ou fazer um churrasco, regado a futebol, enquanto arriscamos nossas vidas nos céus brasileiros.Não, não estou falando de defesa do consumidor. Estou falando de vidas. De seres humanos que têm, ou tiveram, pai, mãe, irmãos. De alguns que casaram, que têm filhos, às vezes netos. Que lutaram para fazer sucesso na vida profissional. Que torcem por algum time ou alguns, raros, que não gostam de futebol.
E que, todos eles, quando entram no avião, torcem para não morrer. Porque autoridades não exercem seus cargos. Porque não há segurança nos vôos brasileiros. Porque aviões passam a 200 metros, a 50 metros uns dos outros! Isso é um absurdo. Isso é uma violência. Isso é um planejamento de serial killers.
Quem responde por isso? Ninguém, pois há cargos para dividir, partidos com quem distribuir o poder, para montar a tal "governabilidade". Para quê, se nem um aeroporto é um lugar seguro no Brasil, embora não tenhamos terrorismo, exceto aquele causado pela falta de competência?
Onde estão os senhores que governam o Brasil? O que eles fazem, que não fazem o mais urgente, o fundamental?
Bolam maneiras de manter a imprensa quieta, sem críticas nem alertas? Talvez porque suas funções não são cumpridas. Estamos à mercê do caos. Da sorte, ou da falta dela. Alguém já foi punido? Alguém prestou contas por essa balbúrdia tão perigosa?As respostas são acusar quem cobra, quem critica, de tucano, de não aceitar o resultado das urnas. Não sei a que urnas se referem. Lamentavelmente, talvez se tratem de urnas funerárias. Façam algo...
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
O segredinho da Petrobras
Morales pinta e borda com suas proezas nacionalistas e, por aqui, ninguém fica sabendo de nada. Nem a imprensa se interessou em conhecer os termos do contrato firmado com a Bolívia. Tem razão o deputado Raul Jungmann em pedir explicações à Petrobras e ao Ministério das Minas e Energias.
Não se trata de uma empresa estatal? Então, que preste satisfação ao país do que anda fazendo além de explorar o consumidor brasileiro com seu coquetel de combustíveis.
A Grande Paróquia
Sobre a corrupção no atual governo, nem sequer uma palavra. O rebanho apascentado pelos bispos não quer saber de onde vieram os quase 2 milhões de reais para a compra do dossiê fajuto, nem onde foram parar os 11 milhões gastos em "cartilhas" que ninguém jamais viu.
Ah, os movimentos sociais presentes na 4a. Semana Social Brasileira também exigem "democracia direta" (o ministro Tarso Illich Genro cantou a pedra outro dia). Querem mais é referendo, plebiscito, "orçamento participativo" etc. "Democracia representativa", essa conquista das democracias modernas, é coisa burguesa, capitalista. O negócio é esvaziar o Congresso. Viva Rousseau!
Sob o cajado dos nossos bispos apetralhados e sua grei viraremos logo uma Grande Paróquia.
domingo, 19 de novembro de 2006
E viva o réu Emir Sader !
Capacidade de discernir é coisa rara entre os jornalistas bananeiros. Dá para contar nos dedos. Formação precária, banhada em muita ideologia e nenhuma ciência, e desinteresse pelo estudo, levam muitos deles a confundir, por exemplo, ato criminoso (como a calúnia e a injúria) com direito de opinião. Não por acaso, essa confusão já virou senso comum nos tempos lulescos, em que os mensaleiros, na voz do próprio presidente, apenas "erraram", isto é, não cometeram crime.
Marcelo Beraba, ombudsman da Folha de S. Paulo, vai na mesma linha em sua coluna de hoje (justamente criticada, ponto a ponto, no blog do Reinaldo - recomendo a leitura) ao analisar o affair Emir Sader, condenado pela Justiça por crime de injúria contra o senador catarinense Jorge Bornhausen (ver tópicos neste blog). Beraba diz que "é direito de Sader ter a opinião que manifestou sobre Bornhausen".
Ora, Sader não manifestou apenas sua opinião, mas injuriou o senador com termos pesadíssimos. Repito o trecho da sentença condenatória, que o ombudsman convenientemente omitiu:
...imputou-lhe discriminação aos “negros, pobres, sujos e brutos”, intitulando-o de fascista, pessoa repulsiva da burguesia brasileira, direitista, adepto das ditaduras militares, racista, repulsivo, odioso, pessoa abjeta, conivente com a miséria do país mais injusto do mundo, roubador, explorador e assassino de trabalhadores, opressor, terminando por dizê-lo odiado pela esquerda, e sob seu ponto de vista, odiado pelo povo brasileiro. (Leia aqui).
Pergunto: é mera opinião chamar alguém de "roubador", "assassino de trabalhadores", "racista"? Não, isto constitui crime. E o juiz foi até benévolo ao não interpretar o ataque de Sader como calúnia (caluniar é atribuir falsamente a alguém fato definido como crime), pois a pena a aplicar-lhe seria maior. Direito de opinião, felizmente, qualquer cidadão tem. É lícito criticar idéias, mas não atacar pessoas, sob pena de cometermos a falácia ad-hominem.
Em sua coluna, Marcelo Beraba repreende colegas de jornal por terem criticado o sociólogo carioca: "não concordo com os termos usados" contra Sader, diz ele. Mas, ao que parece, concorda com os termos injuriosos dirigidos pelo stalinista contra Bornhausen. Reproduzo a parte final do artigo:
Direito de resposta. Como vejo a questão:
1 - Como deixa claro Barros e Silva na sua primeira coluna, o episódio é outro capítulo do enfrentamento que vem marcando a relação cada vez mais tensa entre imprensa e petistas. Há acirramentos dos dois lados e não há sinal de trégua. 2 - Não concordo com os termos usados por Barros e Silva para criticar Sader. Mas é um direito dele ter essa opinião. Como é direito de Sader ter a opinião que manifestou sobre Bornhausen. Se um dos personagens entende que foi injuriado, difamado ou caluniado, há o recurso legítimo à Justiça. O jornalista cioso do seu direito de opinião deve ser o campeão na defesa do direito de qualquer pessoa recorrer à Justiça ao se sentir ofendida. O recurso não viola a liberdade de expressão -a legitima. 3 - Vejo um problema sério nas colunas de Barros e Silva. Nas duas ele faz referência, para sustentar seus argumentos, a fatos que não haviam sido noticiados pelo jornal. Na primeira, ao manifesto a favor de Sader. Que manifesto? O jornal não noticiara a mobilização contra a sentença da Justiça, o leitor que leu as colunas desconhecia os termos do manifesto e só tinha, portanto, a opinião do editor de que era "oportunista e hipócrita". Na segunda, cita um caso que nunca tinha sido noticiado pelo jornal, o que envolve Cesar Benjamin. O assunto só veio a ser tratado, e assim mesmo de forma inconclusa, quatro dias depois da coluna. Se o editor considerava esses fatos relevantes a ponto de usá-los, por que não os pautou para terem tratamento jornalístico? Vejo um problema aqui no chamado direito à informação. 4 - Há uma questão mais complexa, que é o direito de resposta. Até sexta-feira, o jornal não tinha publicado uma defesa do sociólogo aos ataques que sofrera dos dois colunistas do jornal. O artigo de Rogério Cerqueira Leite é favorável a Sader, mas trata exclusivamente do teor da sentença que condenou o sociólogo, não responde às críticas de Barros e Silva e de Barbara Gancia.Fui procurado ao longo da semana por Sader, que reclamou do tratamento que recebeu. Questionei o fato de não ter solicitado o direito de defesa. Disse-me que não sentira confiança de fazê-lo "pela forma desqualificadora das colunas e pelo fato de terem sido escritas por gente do jornal, inclusive o editor de política". Na sua opinião, esses fatores não lhe davam "garantia de eqüidade no jornal". Disse-lhe que errou. Deveria ter solicitado, desde o primeiro momento, o direito de resposta garantido no "Manual da Redação", além de previsto na Constituição. Não acredito que o jornal se recusasse a publicar um artigo do sociólogo ou de alguém que saísse em sua defesa. O jornal tem regras para polêmicas e Sader sempre teve espaço no jornal. Mas acho também que o jornal deveria ter oferecido a oportunidade para a defesa, uma vez que a segunda coluna já não trazia só opiniões, mas uma acusação. Na sexta-feira, Emir Sader me informou que estava encaminhando um artigo de Roberto Leher para publicação na Folha. Aguardo.
Não resta dúvida: o ombudsman da Folha participa do esforço feito por certos intelectuais petistas para descaracterizar o crime cometido por Sader. Pretendem eles que tudo seja mera questão de opinião.
Ao tomar tal posição, Beraba perfila-se claramente ao lado do réu contra a lei. E, raciocinando de acordo com a tosca mentalidade reinante no Acampamento, abraça a ideologia em detrimento do jornalismo. Lamentável.
P.S.: o tal Roberto Leher, a que se refere Beraba no parágrafo final, é professor da UFRJ e já foi presidente da Andes (Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior), que é um feudo de professores partidários. Não me surpreende nem um pouco que tome a defesa do companheiro stalinista. Defender a lei e a democracia, hoje, virou coisa de "direitista".
P.S. 2: vale lembrar, mais uma vez, que Sader também atacou os catarinenses, ao dizer que por aqui vivem pessoas que se consideram "uma raça superior". Infelizmente, nem o governador do Estado nem a OAB-SC tomaram qualquer atitude diante desse ataque.
sábado, 18 de novembro de 2006
Vade retro, canastrão!

Betti quer reserva
para o cinema nacional
Escaldado nos grandes centros depois que, em homenagem bajulatória a Lula, disse que "não se faz política sem botar a mão na merda", o ator Paulo Betti (que também foi signatário daquele repugnante manifesto contra a cassação do comissário Zé Dirceu) pegou uma boquinha numa pequena cidade catarinense para fazer a pré-estréia de seu filme "Cafundó".
A coisa aconteceu em Brusque, povoada por descendentes de alemães e italianos. Conta o jornal A Notícia, de Joinville, que antes da sessão o ator - que virou diretor na era lulática - acendeu uma vela no palco e disse: "Só pedindo proteção, afinal esse espaço não é meu. É do Tom Cruise. Eu venho até Brusque, ele não". Não consta que tenha sido aplaudido.
Em entrevista ao repórter, depois da exibição do filme - considerado "arrastado", "monótono", praticamente sem trilha sonora -, Betti deu novas demonstrações de latinoamericanice ao reivindicar protecionismo para o cinema nacional. Ele quer uma lei que garanta que 70 por cento dos filmes exibidos nos cinemas sejam nacionais! Nem a ditadura impôs uma quota tão escandalosa. A inspiração de Betti deve vir de Cuba...
Era só o que faltava. Não bastasse os cineastas morderem dinheiro público, ainda querem impor ao público o sacrifício de ver o que perpetram. Que façam bons filmes e terão mercado. Na marra, não mesmo! Seria a falência dos cinemas.
P.S.: quando ouço falar em cinema nacional, puxo logo o saquinho.
(Na foto de Jesse Giotti, Betti prepara macumba para os alemães de Brusque.)
Baixarias do lulojornalismo
Mino Carta, o grande
Não se aborreça com Diogo Mainardi, afinal o máximo que o cidadão produz com perfeição é paralisia cerebral.
O comentário foi publicado no blog de Mino Carta. Para quem não é afeito a sutilezas, refere-se à paralisia cerebral de meu filho. Na última semana, Mino Carta publicou 433 mensagens contra mim. De acordo com ele, outras 106, consideradas "inaceitáveis, prontas à agressão", foram eliminadas. A mensagem sobre meu filho foi uma das que Mino Carta aprovou pessoalmente e que o encheram de emoção, reverberando, segundo suas palavras, "na zona situada entre o coração e a alma, como um Stradivarius ou um Guarnieri del Gesù".
Mino Carta selecionou outras mensagens sobre meu filho:
Diogo Mainardi é um infeliz e digno de pena. Ter um filho deficiente dá mais pena ainda, porque isso fez dele uma pessoa amarga, invejosa e sem escrúpulos.
A opinião da leitora reflete exatamente a de Mino Carta. Em mais de uma oportunidade, na frente de amigos comuns, ele repetiu aos berros que recebi um merecido castigo quando tive um filho deficiente. Em seu blog, na segunda-feira, ele ampliou o conceito, fazendo considerações sobre aquele que seria meu "filho muito doente":
Meninos doentes me causam angústia e tristeza, [mas] não justificam calúnias dirigidas a esmo.
É um perfeito exemplo da grandeza moral de Mino Carta. Até hoje, por uma insuperável falha de caráter, fui incapaz de experimentar angústia e tristeza por causa de meu filho. Ele só me deu prazer e felicidade. Da mesma maneira que meu segundo filho só me deu prazer e felicidade. Filho é filho: com paralisia cerebral ou sem paralisia cerebral.
Mas o ponto que realmente me incomoda é outro. Mino Carta transformou uma questão pública numa questão particular. Não ligo para xingamentos. No próprio blog de Mino Carta, fui chamado de calhorda, canalha, sodomita, verme, nazista, psicopata, brinquedinho de Gore Vidal e excremento social. Um comentarista chegou a afirmar que recebi 500.000 reais para plantar notas favoráveis a Daniel Dantas. Estou acostumado a lidar com xingamentos. Fazem parte do trabalho. Compreendo até que ofendam meus filhos. Tanto um quanto o outro. Considero a ofensa pessoal um instrumento retórico legítimo. Não me queixo. Não me escandalizo. Não processo. Quem processa é Mino Carta, que corre para seu advogado choramingando toda vez que recebe um juízo depreciativo. Só não aceito que minha opinião política seja convertida em assunto familiar. Responsabilizar meu filho por meus atos é um gesto de pura poltronice intelectual.
Mino Carta representa o modelo de jornalismo que o governo Lula quer favorecer por meio de financiamento estatal. Sempre que o citei na coluna, associei-o à verba publicitária que o governo Lula destina à Carta Capital. Mino Carta garante que serve a Lula de graça. Assim como, por muitos anos, serviu a Orestes Quércia de graça. Deve ser angustiante e triste não ser recompensado por tanta serventia.
Bye bye, cucarachos (II)
Falei ontem sobre a crescente irrelevância da América Latina, que ainda cultiva o antiamericanismo e que perde terreno para outras regiões em termos de investimentos. A revista Veja desta semana, em matéria de Diogo Schelp, diz que o avanço do populismo e a falta de crescimento econômico podem nos levar para uma situação africana. Cito um trecho:
A realidade é que, em comparação aos grandes mercados emergentes, como a China e a Índia, a América Latina é um concorrente menor, cuja importância global declina. O atraso latino-americano ganhou, nos últimos anos, um reforço da opção política por modelos de desenvolvimento que já fracassaram no passado. Em graus variados, o populismo econômico retornou à ordem do dia e agora dá as cartas da Argentina à Nicarágua. Em toda parte, um discurso mais ou menos esquerdista serve para camuflar a constituição de regimes autoritários. Na Bolívia, a nação mais pobre da América do Sul, o governo empenha-se em expulsar os investidores estrangeiros. Na Venezuela, em lugar de usar o dinheiro do petróleo para criar empregos, Hugo Chávez optou pelo assistencialismo. Depois da década perdida dos anos 80, com crescimentos baixos e hiperinflação, apostou-se que as reformas liberais da década de 90 podiam colocar a América Latina no rumo do crescimento e da diminuição da pobreza. As reformas, no entanto, foram incompletas. "O Estado continuou grande e ineficiente, e não se investiu em educação básica", disse a VEJA o peruano Carlos Aquino Rodríguez, do Centro de Estudos Orientais da PUC, em Lima. Nesses quesitos reside uma diferença profunda entre a América Latina e a Ásia. Entre os latino-americanos, prevalece a idéia de que a solução para seus problemas reside no capital físico (petróleo, gás, cimento e minérios) de seus países. Presidentes populistas valem-se dessa crença para manipular as esperanças da população. Já na Ásia, onde os recursos naturais são mais escassos, o foco é no capital humano – a educação, fundamental para melhorar a produtividade, é a prioridade. "Na América Latina, os debates ideológicos tornam muito difícil encontrar uma visão comum sobre o que é preciso fazer, como priorizar a educação e atrair investimentos externos", disse a VEJA o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos Calderón.
P.S.: alguns delirantes gostariam de retornar à situação pré-colombiana...
Mais um contra Sader
Todo apoio à lei
No texto pelo qual foi condenado na Justiça, Emir Sader termina assim a sua catilinária contra o senador Bornhausen: "Obrigado por realimentar no povo e na esquerda o ódio à burguesia". Esta passagem me faz lembrar um sentimento que já me assombrou várias vezes nesses quatro anos: agradecer a Lula "por realimentar no povo e nos democratas o desprezo às esquerdas". Os esquerdinhas mais afoitos vão retrucar: "Que povo?, cara pálida, o povo votou no Lula!!!" Engano. Votaram em Lula 46,29% dos eleitores aptos a votar, e 53,71% não votaram em Lula. Portanto, nós somos a maioria, 10 milhões a mais do que os que garantiram que Lula fosse "réu-eleito". Lula e seu (des)governo estão abrindo os olhos de muita gente que tinha esperança de que "sua raça" fosse capaz de dirigir um país com a complexidade do Brasil.
Como sempre acontece quando "essa raça" é questionada, seus aparelhos (CUT, UNE, MST, ONGs) e aparelhados (jornalistas, acadêmicos, intelectuais) estão passando um abaixo-assinado que condena a decisão da Justiça. Afinal, para "essa raça" todos que comungam do evangelho petista-bolivariano são inimputáveis. Pois então, nós, a maioria, temos o dever de reagir na mesma moeda. Basta enviar mensagens de apoio à decisão judicial para o e-mail euapoioalei@pfl.org.br . Na frase "A gente vai se ver livre desta raça por, pelo menos, 30 anos" o sentido do vocábulo é, obviamente, "grupo de pessoas", como consta de qualquer dicionário. Não sou catarinense de nascimento nem advogado, mas, caso fosse, entraria com ação contra Sader, pois em seu artiguete há uma ofensa a todas as pessoas do Sul, já que ele se refere a Bornhausen como sendo "proveniente de uma região do Brasil em que setores das classes dominantes se consideram de uma raça superior".
P.S.: renovo meu apelo para que o governador, em nome do povo catarinense, processe Emir Sader.
sexta-feira, 17 de novembro de 2006
Bye bye, cucarachos!
Enquanto a lamurienta e invejosa América Latina se volta cada vez mais contra os Estados Unidos, responsabilizados por todos os males que nos atingem, o capital norte-americano senta praça na Ásia. A AL já não é mais um centro de atenção para os gringos. Pelo contrário, é irrelevante.
Claro que nos países asiáticos os "ianques" também não são lá muito bem vistos, mas os governantes não enchem estádios para malhar Bush ou bradar refrões contra o "imperialismo", como é comum aqui em Abya Yala (ver abaixo, "Uma jornada delirante na UFSC"), sob a batuta do falastrão Hugo Chávez e as macaquices do drogadito Maradona.
O odiado Bush esteve ontem em Hanói - bombardeada maciçamente há 35 anos pelo exército norte-americano - para a cúpula dos países asiáticos. É na capital do Vietnã, por sinal, que a Intel abrirá sua nova fábrica (investimento de um bilhão de dólares). Os asiáticos querem é crescimento e riqueza. Bravatas ideológicas que fiquem com nuestra América caudilhesca, que vê as multinacionais como inimigas.
Aqui ainda se grita "Ianques, go Home!". E se gritou tanto que, finalmente, eles acabaram cedendo aos clamores populares. Estão indo embora mesmo. Por que investir numa região em que as escolas ainda recomendam como livro sério As veias abertas da América Latina, escrito pelo stalinista uruguaio Eduardo Galeano nos anos 70? A obra é recheada de nostalgia mitológica e metáforas hemofílicas, onde o vampiro, obviamente, são os EUA. Não por acaso, é considerada a bíblia do "perfeito idiota latino-americano".
Leia A América Latina é a campeã da irrelevância, de William Waack.
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
Fim do Estado laico?
É inquietante o relato feito por uma professora da USP que participou do 6º Colóquio do Consórcio Latino-Americano de Liberdade Religiosa, no qual o Brasil foi apresentado "como juridicamente católico", sendo excluído do rol de Estados laicos. Estaria quase pronta, segundo a pesquisadora, uma concordata entre o Vaticano e o Brasil, com "repercussões legais, políticas, administrativas, tributárias e financeiras". Da assinatura desse acordo dependeria, inclusive, a visita do Papa ao país.
Como a concordata é um acordo bilateral, entre governos, é prerrogativa do presidente assiná-lo. Isto significa que corremos o risco de sofrer ingerências por parte de um Estado religioso (o Vaticano), praticamente abolindo a separação entre Estado e religião, sem que a sociedade tenha disso conhecimento prévio e sem qualquer debate parlamentar. (Leia aqui).
Não é de duvidar que essas negociações - sigilosas - estejam em curso. Sob o lulo-petismo, estamos mais para o século XIX do que para o século XXI.
quarta-feira, 15 de novembro de 2006
Uma jornada delirante na UFSC

Ah, a doce generosidade dos petrodólares bolivarianos...
O Observatório Latino-Americano (OLA), ligado a um grupo chavista na UFSC, promoverá pela terceira vez, a partir da semana que vem, as "Jornadas Bolivarianas" (leia-se: jornadas chavistas). Vem aí muita gente da Venezuela, de Cuba, da Bolívia etc. O mote do encontro é o maldito eurocentrismo (ué, este não está em decadência faz tempo?; por que não discutir algo como "gringocentrismo"?). Tudo em nome de Abya Yala, que agora designa o nosso continente
Bene, o propósito do encontro, uma vingança do "pensamento crítico", é algo assim: "fugir da lógica do pensamento colonizado e atuar na linha do que já ensinou o educador venezuelano Simón Rodríguez, para quem a América Latina devia (sic) ser capaz de parar de imitar e criar o novo, gestando um conhecimento próprio a partir da realidade local."
"Conhecimento próprio a partir da realidade local"? Então, adeus à física, à biologia, à filosofia, à sociologia e às demais ciências, todas, certamente, artimanhas para defender os interesses dos "colonizadores" eurocêntricos e dominar a cultura autóctone, expropriando-lhe as riquezas.
Querem apostar? As jornadas deverão submeter ao pelourinho pensadores de pretensão universalista como Kant, esse maldito alemão burguês, liberal etc. Hegel só não apanhará porque é pai de Marx (este não é eurocêntrico?). No cardápio bolivariano, você poderá degustar palestras com títulos exóticos como este: "A crítica da razão europocêntrica e ianquecêntrica com a emergência do bolivarianismo no ideário vargojangobrizolista"! Sacaram?
Quanto a nós próprios, aqui no sul (filhos de alemães, italianos, portugueses etc.), que fiquemos com as barbas de molho. No mínimo, somos encarados como quinta-coluna do tal eurocentrismo neste pedaço da Abya Yala...
UPDATE: pelo jeito, não se trata apenas de negar a globalização, mas de retornar à América pré-colombiana - aquilo sim é que era vida boa, apesar do canibalismo e dos sacrifícios humanos aos deuses...
UPDATE 2: o Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano precisa ser atualizado urgentemente. Só para incluir novos figurantes, já que el pensamiento, por Diós, es lo mismo...
Eles gostam é de boletim oficial
O fato é que pediram a cabeça do presidente da Radiobrás, decerto não suficientemente oficialista.
Mas que se dane Eugênio Bucci. Os apetralhados que se (des)entendam.