domingo, 31 de dezembro de 2006

FELIZ 2007!!!

Seja passado o passado: tome-se outra vereda e basta.
(Cervantes, 1547-1616)

sábado, 30 de dezembro de 2006

Os Brasis


Minha colega e amiga Regina Carvalho, passando as férias com a filha lá na Paraíba, me manda um relato sobre suas aventuras num "outro país". É assim mesmo: aqui embaixo, norte e nordeste são, para nós, a mesma coisa; lá em cima, eles vêem o sul como gaúcho. Eita, Bananão sem fim. Divirtam-se.

UMA NAÇÃO CHAMADA NORDESTE

O evento era uma Noite das Nações, na Universidade Estadual da Paraíba. Os artistas/apresentadores/performers eram os alunos dos cursos de Relações Internacionais e Arquivologia, nervosíssimos pelos corredores. Tinha lhes sido pedida ênfase em personalidades, e assim eles o fizeram. Nada de muito original, como sempre: na Índia, o homenageado foi o Mahatma Gandhi; nos EUA, Martin Luther King; na Argentina, o tango, com Carlos Gardel e Astor Piazzola. Discursos-padrão, pesquisa oficializada, tipo Wikipedia.


Houve muita música. A judia professora de Inglês, com seus dois filhos lindos, cantou Hava Naguila e acendeu as velas do feriado judeu que se comemoraria no final de semana. E foi bonito de ver, este apreço demonstrado pela paz, sem que cada um individualmente soubesse que este seria o todo.

Na saída, alguém veio me perguntar o que eu, como professora de fora, com mais experiência dessas coisas, tinha achado. E me pus a rir, pois me pareceu - e é claro que o disse, com toda a gentileza - que a grande nação homenageada da noite tinha sido o nordeste. E explico:

- A abertura foi feita com Aquarela do Brasil, de Ari Barroso. Muito adequado, lindo, mas Ari era, se não me engano, baiano. Foram cantados dois números de Sivuca, recentemente falecido, paraibano. Declamou-se o mais famoso soneto de Augusto dos Anjos, também paraibano. E outras músicas foram apresentadas, e tirando-se o Hava Naguila e o tango, todas, todas sem exceção, eram de autores nordestinos... Minto: João e Maria, embora tenha melodia de Sivuca, tem a letra feita pelo Chico Buaque... Que, como todos sabem, é carioca.

E este é o espírito que paira por aqui: o nordeste é uma grande nação, dividida em outras pequenas. Quem vem do sul não distingue os sotaques, o que eles acham ofensivo, e tem que ouvir discursos indignados sobre Ariano Suassuna, que nasceu na Paraíba e se diz pernambucano... Ou piadas sobre pernambucanos, que se gabam de ter tudo " o maior da América Latina" (bem, quase tudo...), como nós nos divertimos fazendo piadas sobre os vizinhos gaúchos. Há uma preocupação sobre o preconceito que se tem no sul sobre os nordestinos, e uma incompreensão magoada sobre as razões dele. E não sou maluca de tentar explicar!

Liga-se uma rádio qualquer, e se ela é de MPB, de cada cinco músicas, apenas uma será de não-nordestino. Alguém de fora me diz que acredita que isso se deva a uma baixa auto-estima, que precisa ser reforçada a cada momento.

Não sou tão compreensiva: acho que é uma negativa em se abrir para outros mundos, outros conhecimentos, outras "nações". Não é muito diferente do que os gaúchos fazem, e que se pode identificar pela palavra pesada, mas justa, IGNORÂNCIA.


A vingancinha vem quando me perguntam de onde sou, respondo, com o orgulho habitual, que sou de Santa Catarina, e comentam, com o orgulho de quem sabe: gaúcha, então?

E digo, em tom brincalhão: não me ofenda... Os amigos gaúchos que me perdoem, mas não dá pra resistir!

Menos um


E Saddam Hussein (foto AFP) já está com Pinochet. Ambos aguardam Fidel, que, caindo pelas tabelas, trôpego e de olhos sem brilho, simula força ante as câmeras oficiais. Se o mundo se livrar também do tampinha playboy da Coréia do Norte, 2007 será de fato um ano melhor, com menos ditadores a infernizar os países.

Aguardemos o lacrimejante necrológio de Emir Sader para o enforcado.


P.S.: o governo Lula, obviamente, foi contra a execução. Oh, que humanitário!

O cascateiro

Não, não vou perder tempo com as bobagens do lulista Chico Buarque em entrevista à Folha de hoje. Mas que mania tem o jornalismo bananeiro de entrevistar canários sobre política! . Ah, ele foi ríspido etc. e tal, fingiu uma discussão com Caetano Veloso e disse algumas asneiras sobre "esquerda" e "direita". Ele é "de esquerda"? "Acho que sim", foi a resposta (assinantes, aqui).

Vá dormir, vovô!

sexta-feira, 29 de dezembro de 2006

Delírios bolivarianos


Criticar a figura ao lado é não estar preparado para uma "mudança radical", dizem os delirantes. (Foto: aizar raldes/afp).


E por falar em bolivarianos, os daqui (falo da loura SC mesmo) tomam páginas e páginas de jornais com seus tijolões em defesa do paraíso socialista/indigenista. Sinal de que os jornais locais aceitam qualquer coisa para encher suas páginas, ahn, culturais.

Nos artigos, nem sequer uma palavra sobre o horroroso socialismo/comunismo do século passado, com seus milhões de cadáveres. Não, eles falam candidamente de um "socialismo do século XXI", cuja inspiração não vem mais da França (ah, os anos 60 do foquismo de Régis Debret, Che Guevara etc), mas, pasmem, de um alemão que, como todo europeu radical, gosta de testar idéias também radicais em terras alheias. É o que sobrou do "esquerdismo" em certos ambientes acadêmicos. "Revoluções", só em quintais cucarachos (argh!).

Qual é a carranca desse socialismo? Ora, é indígena, nacionalista e, claro, "antiimperialista". Tudo dentro de uma lógica diferente, que seria a dos "nossos povos". Ou seja, a lógica tem colorações de pele e nacionalidade, longe, certamente, da ciência formal que erigiu a Civilização Ocidental. Regressamos ao passado: a lógica e as ciências são burguesas, capitalistas (recorde-se que o lema das revoltas estudantis que sacudiram Paris nos anos 60 era, exatamente, este: "a ciência é burguesa").

O que essa gente quer? O impossível retorno à era pré-colombiana, com índios que não existem mais (índio, para eles, é o Evo Morales, mais espanhol que índio). Será que teríamos de volta também os rituais de sacrifícios humanos, o canibalismo e outras especialidades da cultura autóctone?

Vão gostar de ditadura assim na...Cucaracholândia!

Se você acha que é má-vontade deste blogueiro, então leia o tijolão de duas páginas no jornal A Notícia, de Joinville.

Chávez "democratiza" a comunicação


Pronto. Na Venezuela já começou a "democratização da comunicação" (tão sonhada aqui pelo lulo-petismo): o coronel-presidente Hugo Chávez cassará a licença do canal de TV Rádio Caracas Televisión (RCTV), a maior e mais antiga rede comercial do país. A emissora, que assume postura crítica em relação ao governo, é acusada de "golpismo".

- É melhor que vá preparando as suas malas e veja o que vai fazer a partir de março, pois não haverá nova concessão para esse canal golpista - bradou o caudilho, vestido de uniforme militar, em discurso às Forças Armadas (assinantes da Folha)

Os bolivarianos daqui bem que gostariam de fazer o mesmo com a Globo
.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

A caminho da Terra



O asteróide 2006 XG-1 (mais ou menos do tamanho da "batata" ao lado) está a caminho do nosso planeta. Mas não se preocupem, ainda não será desta vez o "fim do mundo". O asteróide passará de raspão por aqui em 31 de outubro de 2041.

Bem, chance de colisão existe, mas é de apenas uma em 40 mil...

Durmam tranqüilos, portanto.

(A imagem é do asteróide Eros. Foto: Nasa).

"Previsões" para 2007


De centrão em centrão ao beleléu

Fim de ano é época de falsos videntes, mistificadores, magos, embusteiros etc. Vou fazer aqui também meu exercício, sem búzios nem nada. O fato mais sombrio que poderia acontecer é mostrado na ilustração: a aproximação entre PSDB e PT, em nome da "governabilidade", "concertação" ou qualquer outro eufemismo para "negociação", "barganha" etc. O PSDB está em frangalhos, povoado de traíras que rifaram Alckmin e que já estão de olho na sucessão de Lula. Poderão fazer qualquer jogada (e talvez já o fizeram) com o lulo-petismo, dando sustentação a um governo que nem sequer agenda tem. Sem Jorge Bornhausen, por sua vez, o PFL pode baixar o ritmo oposicionista.

A verdade é que estamos mal de oposição. Ao que parece - como sempre ocorreu na história bananeira - corre todo mundo para o centro, isto é, para o governismo. De "centrão" em "centrão", o Bananão vai para o beleléu.

Bene, espero ser tão ruim de "previsão" quanto os mistificadores profissionais.

Telefone é para telefonar ?

Os finlandeses, que inventaram a Nokia e revolucionaram a telefonia celular (são os maiores fabricantes do mundo), já estão cansados da tal "convergência", tão festejada aqui no Bananão como se fosse novidade. Nada de penduricalhos: eles querem telefone apenas para falar.

Contra a fantasiosa orgia de convergência do Acampamento (que favorece a picaretagem), estou com os finlandeses. Telefone não é para tirar foto, ver TV, passar e-mail, baixar música etc. Se você conseguir falar para quem ligou, sem ruídos, já está ótimo. (Pronto: os detratores já podem dizer que o Tambosi é "contra a tecnologia").

P.S.: bene, o governo também deveria servir para governar...

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Para que filosofia?


Já se disse que não existem problemas filosóficos, mas apenas problemas científicos. A filosofia seria, portanto, dispensável. Ora, refutar a filosofia implica ingressar em seu próprio terreno (a argumentação filosófica), uma vez que não se pode provar cientificamente que o pensamento filosófico deva ser abandonado. O amigo Desidério Murcho, mantenedor do site Crítica (lista de links), faz a propósito interessantes reflexões. Transcrevo um excerto:

Pensa-se por vezes que se deve abandonar o pensamento filosófico enquanto não houver métodos científicos apropriados para investigar tais temas. Há nesta perspectiva dois aspectos que merecem reflexão. Em primeiro lugar, trata-se de uma ideia filosófica e não científica. Isto é, não se poderá provar num laboratório, ou através de um cálculo matemático, que devemos abandonar o pensamento filosófico. A filosofia é irrecusável porque mesmo para a recusar é necessário argumentar filosoficamente, o que é auto-refutante. Compare-se com a recusa da astrologia, que não exige que se argumente astrologicamente; e imagine-se quão ridículo seria um argumento contra a astrologia baseado num mapa astral. Pode-se recusar a reflexão filosófica sobre temas particulares, com argumentos filosóficos particulares que mostrem que tais temas são insusceptíveis de reflexão séria, mas não se pode recusar a filosofia em bloco sem usar argumentos filosóficos, o que acarreta uma contradição óbvia. A filosofia é apenas o exercício da capacidade para o pensamento crítico sobre qualquer tema susceptível de ser pensado sistematicamente, mas insusceptível de tratamento científico. E saber que temas são susceptíveis de serem pensados sistematicamente já é um problema filosófico. (
Continua).

John Searle, por sua vez, observa que "grande parte da filosofia está preocupada com questões para as quais ainda não temos um método de resposta unânime. É por isso que, algumas vezes, as questões deixarão de ser filosóficas quando encontrarmos um método para respondê-las. Um bom exemplo disso é o problema da natureza da vida. Isso já foi um problema filosófico, mas deixou de sê-lo quando os avanços da biologia molecular nos permitiram desvendar o que parecia um grande mistério, transformando-o numa série de perguntas e respostas biológicas menores, manejáveis, específicas." (Do livro Mente, linguagem e sociedade, Rio de Janeiro, Rocco, 2000).

Uma resenha e um grande problema


Sempre atento, o diplomata (e prolífico blogueiro) P.R. Almeida me envia um artigo publicado pelo biólogo Allen Orr na The New York Review of Books. Trata-se de uma resenha que promete discorrer sobre três livros de cientistas (todos biólogos) preocupados com a questão ciência/religião, ainda não traduzidos aqui. Mas o fato é que Orr praticamente deixa de lado os livros de Lewis Wolpert (Six Impossible Things Before Breakfest: The Evolutionary Origins of Belief) e de Joan Roughgarden (Evolution and Christin Faith: Reflections of an Evolutionary Biologist) para concentrar-se em The God Delusion, de Richard Dawkins, figura de fama internacional.

Não li nenhum deles ainda, mas acho que a idéia de Wolpert, que tem publicado coisas interessantes (ver Livraria do Tambosi/Amazon, à direita) mereceria uma resenha em separado: mais tolerante, ele acha que a religião teria algo a ver com a observação da relação causa-efeito (extrapolando, é claro) no desenvolvimento do pensamento. Já Roughgarden assume um ponto de vista religioso, dificilmente defensável para alguém que pretende analisar o mundo cientificamente - e ela não é uma teóloga...

Quanto a Dawkins, acho que Orr tem razão em dizer que ele avança em alguns problemas que sua formação não contempla. Em outras palavras, Dawkins se mete em questões lógicas e filosóficas que exigiriam argumentos mais elaborados. Orr não errou em centrar seu escrito, apesar de suas próprias deficiências, no impiedoso inimigo das igrejas. Dawkins acaba parecendo, com efeito, tão dogmático quanto os crentes ao considerar a religião como um mal (já os religiosos mais ortodoxos consideram perniciosos os ateus). Ateus e crentes, no fundo, se aproximam, mas deixo isto para outras discussões.

Curioso é que Allen Orr não tenha incluído em seu artigo a obra Quebrando o encanto, de Daniel Dennett (esta já traduzida aqui). Dennett procura analisar a religião como fenômeno natural (tal como a música, por exemplo) e diz que ela precisa ser perscrutada, dada a sua importância, com os métodos e instrumentos científicos empregados no estudo de quaisquer outras manifestações culturais. Em suma, é preciso responder se a religião teve algum papel no processo evolutivo.

P.S.: estou lendo Dennett. Prometo uma resenha.

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

100.000 !


O moleque caneludo está de volta, todo prosa com seus litrões de vinho, ideais para o final de ano. E volta para anunciar que o blog chegou aos 100 mil acessos, graças aos amigos, leitores, críticos e comentadores. Agradeço a todos, prometendo continuar no ringue nos próximos (duríssimos) quatro anos. Sim, sim, azar do lulo-petralhismo.

Devo dizer que em todo esse tempo - pouco mais de um ano -, o post que gerou mais comentários foi "Religião versus ética médica?" - onde, aliás, prossegue um debate acalorado e com excelentes argumentações. Obrigado, é para isto que serve esta página.

E o ditador rebola como Elvis...


Olha o tampinha aí de novo! Enquanto a fome devasta seu campo de concentração, o ditador da Coréia do Norte (chamado de "Líder Querido")mergulha na luxúria. Ei-lo fantasiado de Elvis Presley, numa de suas festinhas privadas.

Nada estranho, para quem vive num mundo congelado nos anos 40/50 e tem como atriz predileta...Liz Taylor.

Hummmm....


(Dica do De Gustibus).

sábado, 23 de dezembro de 2006

Aos crentes e descrentes

Feliz Natal a todos os amigos, leitores, comentadores e críticos, crentes ou descrentes, católicos ou protestantes, agnósticos ou ateus etc. Que cada qual faça desse dia que marca o cristianismo o que bem entender, de acordo com suas crenças, seja uma festa cristã ou pagã, seja um dia especial ou apenas mais um dia como qualquer outro. Afinal, amanhã é domingo.

Nos céus, só o Aerolula e os urubus.

Nos aeroportos, o inferno. Em terra, buracos e crateras, apesar da dinheirama jogada na tal Operação Tapa-Buracos. É o fim de ano no Acampamento lulo-petista.

Em viagem para o sul, Nariz Gelado monta a "operação mostra-buracos". Confiram, em tempo real.

Que não falte humor em 2007

Boas festas a todos

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

Direto de Marte

Lula fala aos servos da corte

Acabo de ver no jornal da Globo a "entrevista" do Pequeno Timoneiro com jornalistas no Palácio do Planalto. Falou-se até de pescaria ali no lago. Se houve alguma conversa séria, não sei, mas duvido do jornalismo hoje praticado pelos jornalões de pires na mão, principalmente os que cobrem os poderes.

Certamente, nenhuma pergunta sobre a degradação moral e institucional sob o governo lulo-petista. No mundo de fantasias a que Brasília, longe do Brasil, tanto se presta, com sua homenageada arquitetura do (literalmente) imortal Niemeyer, não há lugar para perguntas "inconvenientes". Ali, viva a arte, mas dane-se o povaréu (que é o próprio brasiliense). O resto é ave de arribação, como se dizia.

Horror nos aeroportos? Ora, a culpa é das empresas. Mas ninguém ousaria objetar que existem órgãos governamentais que tratam do tema, e que podem abrir licitações internacionais para acabar com esta zorra. A autoridade sumiu.

E, por fim, ninguém perguntaria (fora da blogosfera) ao passageiro do Aerolula se ele de fato vive no Bananão ou num Reino Encantado.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

O ditador de salto alto...

... e hábitos excêntricos.

Não resisto a pegar no pé de um ditador. Menos ainda quando esse ditador calça sapato com salto alto para disfarçar sua pequenez. Vocês já devem ter percebido que falo de Kim Jong-Il, algoz da Coréia do Norte, aquele mesmo que também usa cabelo meio punk.

Eita, herança do século XX. Um ditador já se foi, outro está mal das pernas, mas esse aí, pelo jeito, ainda vai infernizar seu povo por um bom tempo (está com 64 anos). E cuida-se bem, custe o que custar. Homem de hábitos excêntricos, manda seus escravos correrem mundo para satisfazer seus desejos. Como todo ditador, aprecia pratos requintados, inalcançáveis ao populacho oprimido.

Quem revela algumas iguarias degustadas pelo ditador é Kenji Fujimoto, seu ex-cozinheiro, que hoje vive escondido no Japão. É de dar inveja ao gourmet Frei Betto: mamões tailandeses, cerveja tcheca, carne de novilho dinamarquesa, peixes japoneses, caviar iraniano etc. Detalhe: Kenji tinha que viajar o mundo em busca disso tudo. Konstantin Pulikovsky, um jornalista russo, conta que há poucos anos o baixinho mandou 16 vagões até a Rússia só para buscar lagostas vivas, que costuma saborear com pepinos da...Bulgária.

O ditador também é louco por cinema, arte que julga "revolucionária" e superior à literatura e à pintura. E tanto gosta que, em 1978, mandou seqüestrar o cineasta sul-coreano Shin Sang-Ok para montar "as bases da indústria cinematográfica" em seu país. O acervo do tampinha já conta com 20 mil obras. Cá pra nós, é uma pena que não mande seqüestrar alguns cineastas brasileiros...

Espero que em 2007 a Coréia do Norte se livre do ditador e seja "explorada pelo capitalismo", que transformou a Coréia do Sul num dos tigres asiáticos, com grande desenvolvimento na área de ciência e tecnologia.

(Detalhes, na revista Galileu de dezembro).

Update: quem ainda não leu, veja aqui "O horror na Coréia do Norte".

Nos braços da imprensa chapa-branca

Lembram do tal repórter Rodrigo Vianna, demitido da Globo por "petralhismo explícito"? Pois bem, está procurando cobertor na imprensa oficialista. Para começar, abraça a teoria conspiratória levantada pela Carta Capital (a Globo teria operado contra Lula na eleição) e dá entrevista ao jornal Terra, dirigido por Bob Fernandes, um ex-pupilo do tio Minus Carta (copy do Jus Sperniandi).

Vai conseguir uma boquinha já, já. Será festejado por chapas-brancas como Paulo Henrique Amorim e Franklin Martins, dará entrevista - com chamada de capa - à revista Caros Amigos e encontrará solidariedade e conforto na Agência Carta Maior, onde brilham o vernáculo do sociólogo stalinista Emir Sader, o cubanismo de Frei Betto (conselheiro "espiritual" do Pequeno Timoneiro) e as profecias new age do ex-frei Leonardo Boff. Poderá até receber as bênçãos da filósofa da corte, Marilena Chauí.

Reconheçamos: Vianna estará em boa companhia.

Angelo fez um alentado post sobre o tema.

OBS.: havia confundido o Vianna com o José Messias, este sim demitido por envolvimento com a bandidagem. Cochilo meu. Ainda bem que o Matamoros me avisou.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Praga de Ano Novo

Essa é de lascar! A Juventude do PMDB do Paraná está distribuindo um cartão em que, numa fontomontagem, junta Fidel, Requião, Chávez e Guevara. A turma deseja "um ano de grandes vitórias" e termina a saudação com o jargão dos sem-miolo antiglobalistas: "Outro mundo é possível."

Tem ditador para todos os gostos. Mas o que faz o governador Requião aí no meio? Ora, convenhamos: não tem o perfil talhado para tiranete de assentamento?

Homenagem a Carl Sagan


E haja vela para tanta escuridão

Há exatamente 10 anos morria Carl Sagan, um dos maiores divulgadores das ciências pelo mundo afora. Em artigo publicado hoje no Estadão, dois professores prestam homenagem ao saudoso astrônomo sugerindo que os membros da CTNBio leiam seus livros e encarem as biotecnologias de maneira menos ideológica e mais científica. Apetralhada pelo governo, a comissão emperrou na discurseira obscurantista que demoniza a pesquisa, particulamente no campo dos transgênicos. Reproduzo aqui o artigo.

Carl Sagan e a vela na escuridão

Marcos Sawaya Jank e Rodrigo C. A. Lima*

Há exatos dez anos, em 20/12/1996, morria Carl Sagan, professor de Astronomia e Ciências Espaciais da Universidade de Cornell, autor de uma dezena de livros famosos e um dos maiores divulgadores da ciência moderna. Num de seus últimos livros - O Mundo Assombrado pelos Demônios: a ciência vista como uma vela na escuridão -, Sagan nos oferece uma lição de amor à ciência e à tecnologia como a única forma para combater a ignorância e desfazer mitos, fraudes, superstições e crendices. O livro ensina os leigos a pensar de maneira crítica e cética por meio do método científico, construindo e racionalizando argumentos, válidos e inválidos, que precisam ser provados de maneira independente, racional e lógica.

A obra de Sagan deveria servir de base conceitual para os trabalhos da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que neste mês completa um ano de “relançamento” sem ter conseguido aprovar uma única variedade comercial de produtos biotecnológicos, algumas delas aguardando liberação desde 1998. A nova CTNBio surgiu depois de longos dez anos de discussões e conflitos que levaram à Lei de Biossegurança. Esperava-se, com a nova lei, que o Brasil finalmente pudesse colher os primeiros benefícios da biotecnologia. Só que, infelizmente, o debate da comissão se perde em querelas regulatórias, que, nas palavras do professor Walter Colli, seu presidente, lembram uma “assembléia-geral”, pautada por falsas dicotomias entre transgênicos e orgânicos, pequena e grande agricultura e outros elementos que se assemelham ao obscurantismo medieval contra o conhecimento científico.

É fundamental esclarecer que por trás de cada um desses pedidos de autorização comercial há muita pesquisa e um rigoroso processo de avaliação de riscos de biossegurança dos produtos, ou seja, de seus impactos sobre o meio ambiente e a saúde humana, vegetal e animal. Vale notar que a preocupação com biossegurança não é exclusiva de consumidores, ambientalistas e outros grupos sociais, mas, principalmente das empresas que investem grandes somas para desenvolver e colocar novos produtos no mercado. O imbróglio burocrático é tamanho que algumas empresas já cogitam de transportar seus campos de experimentação para a Índia, China e outros países que não rejeitam o avanço do conhecimento.

Na agenda da biotecnologia estão novas variedades de milho, algodão, arroz e soja, produtos mais saudáveis como margarinas livre de gorduras trans, um óleo de soja rico em Ômega 3, tomates com maior teor de licopeno e propriedades anticancerígenas. Milhões de pequenos produtores de regiões áridas do Brasil e do mundo poderiam ser beneficiados por sementes transgênicas resistentes à seca. Sementes e plantas resistentes a pragas e doenças poderiam reduzir brutalmente o uso de agroquímicos. Desde o final da década de 80, famosos queijos franceses disponíveis nos supermercados são feitos com enzimas produzidas a partir de bactérias transgênicas. Os diabéticos brasileiros são diariamente tratados com insulina produzida por bactéria geneticamente modificada e milhões de crianças recebem vacinas recombinantes produzidas com a mesma tecnologia recentemente rejeitada pela CTNBio, por 17 votos a favor e somente 4 contra (a aprovação exigiria 18 votos), no caso da vacina recombinante contra o mal de Aujeszky, que atinge os suínos.

Como diz seu próprio nome, a comissão deveria pautar-se por respostas estritamente técnico-científicas para o tema da biossegurança dos produtos transgênicos. Só que motivações político-ideológicas se estão sobrepondo ao debate científico, levando a um flagrante descontrole da questão regulatória, espelhado na frase do professor Colli: “O trabalho dos cientistas que participam da CTNBio tem de ser respeitado. Eles estudam, ponderam e votam a partir de dados experimentais.” No entanto, certos grupos de ativistas estão vencendo a batalha, pois conseguiram vincular o termo “transgênico” a algo nefasto, quase diabólico.

Ocorre que, se o País continuar impedindo o desenvolvimento da ciência e da tecnologia agropecuária, dezenas de outros países logo estarão na nossa frente. É triste ver o Brasil perder a liderança numa das raras áreas em que nos conseguimos colocar à frente do mundo - a pesquisa e o desenvolvimento de genética agropecuária na região tropical. Não é demais lembrar que o desafio de fazer o Brasil crescer mais rapidamente passa obrigatoriamente pela agricultura e, estrategicamente, pelo desenvolvimento da biotecnologia.

Em vez de concluir este artigo com a citação das dezenas de oportunidades da biotecnologia que estão sendo desperdiçadas pelo Brasil, achamos melhor prestar uma homenagem aos verdadeiros cientistas e à biotecnologia com algumas frases de Carl Sagan:
“A Ciência é antes um modo de pensar do que propriamente um conjunto de conhecimentos.”
“O método da Ciência, por mais enfadonho e ranzinza que pareça, é muito mais importante do que as descobertas dela.”
“A ciência está longe de ser um instrumento perfeito de conhecimento. Mas é o melhor que temos.”
“Meu ponto de vista é que não importa quão heterodoxo é o raciocínio e quão desagradáveis as conclusões, não há desculpas para tentar eliminar novas idéias.”
“A época mais excitante, satisfatória e estimulante para se estar vivo é justamente aquela em que se passa da ignorância ao conhecimento desses assuntos fundamentais; a época em que se começa na imaginação e se termina no entendimento. Em todos os 4 bilhões de anos da história da vida em nosso planeta, e nos 4 milhões de anos de história da família humana, só a uma geração cabe o privilégio de viver este momento único de transição: essa geração é a nossa.”

*Marcos Sawaya Jank é professor da FEA-USP e presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone) - msjank@usp.br,
*Rodrigo Lima é advogado e pesquisador sênior do Ícone .


A favor do Congresso

Há muito açodamento nas violentas críticas ao Congresso Nacional por causa do aumento de 91 por cento perpetrado pela dupla Renan Calhau (Senado) e Aldo Saci Rebelo (Câmara). O STF já resolveu a questão: o aumento deverá passar pelo plenário, conforme manda a manda a Constituição. Ponto.

Raciocínio golpista, incentivado por gente do poder, procura enxovalhar a instituição. O problema, porém, não é a instituição, mas alguns (muitos) deputados que você, eleitor, mandou para Brasília. Não generalizemos. O parlamento é um dos poderes fundamentais da vida republicana. Boa parte do lulo-petismo gostaria de se ver livre dele, falando diretamente ao "povo", sem intermediação, através do Pequeno Timoneiro. Estaríamos numa ditadura "branca" (há exemplos na vizinhança...).

Os homens são corruptos - não as instituições. Não confundamos as coisas. A democracia é nosso patrimônio maior.

terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Café com Nariz Gelado

Morram de inveja, blogueiros. Eu e o Aluízio tomamos um café com Nariz Gelado, à tardinha, na praia de Jurerê. NG, como se sabe, é uma das blogueiras mais conhecidas do Bananão, com suas finas análises políticas, invariavelmente esculpidas em belos textos. Foi um prazer conhecer pessoalmente essa mulher de cabeça arejada, bom papo e muita simpatia. Ah, é bonita também.

Agora, tirem o cavalinho da chuva: jamais direi quem é, nem que me torturem.

O "mico" do governador


Presenciei a cena e não resisto a contar para vocês. Vá lá, é um post provinciano para um blog metido a discutir a filosofia e política bananeiras e mundiais (eita, atrevimento). O governador em exercício de SC, Eduardo Pinho Moreira (vice de Luiz Henrique da Silveira, que concorreu à reeleição e foi reeleito), pagou mico hoje num programa de televisão dito popular. O "dono" do programa é um sujeito que ameaça prender, arrebentar, esfolar etc., e tem por sonho ser secretário de segurança do Estado. Jurou nunca ter interesse político, mas concorreu à "deputança" e apanhou.

Pois bem, levou o governador (foto) para seu programa, ornamentado de presepagens de mau gosto, e sentou-o numa cadeirinha chinfrim (dessas de escolinha). Todo faceiro, olhando o governador de cima para baixo, o "matador" de ladrões de galinha e chinelões se divertiu muito. Quem viu a cena, ficou até com pena da autoridade ali presente, com sua cara de seminarista temporão (o homem é cardiologista). Pernas encolhidas, numa cadeira baixinha, teve o que mereceu, graças à assessoria inteligente de que dispõe.

Aqui no Acampamento, consta que o assentamento catarinense seja tido como civilizado. Engano: incapacidade de discernir é deficiência universal no Bananão.

Darwin no banco dos réus também na Rússia

Lembram do Lissenko?

Os russos se livraram do comunismo, mas não de outras crenças ainda mais arraigadas e não menos perniciosas. Também por lá cismaram com a teoria de Darwin, colocando-a no banco dos réus. Tal como os fundamentalistas cristãos norte-americanos, querem que sejam ensinadas nas escolas as doutrinas religiosas da criação. Bom para os barbudos padres ortodoxos.

Mas a culpa, reconheça-se, não é só da religião. Isto é resultado do estrago provocado pela pseudociência de Lissenko (o sujeito da foto, com esse olhar esquisito) que, na primeira metade do século passado, destroçou o ensino e a pesquisa em biologia na então União Soviética. Ele era contra a genética mendeliana, porque representativa da "ciência burguesa" e incompatível com o malsinado "materialismo dialético" (mas foi a genética mendeliana que deu impulso à revolução darwiniana). Triste recordação: as teses dialéticas de Lissenko atrasaram a agricultura russa e levaram milhões à fome e à morte.

O fato é que, ainda hoje, os russos vêem pouca diferença entre ciência e charlatanismo, segundo a Agência Novosti.

Eita, "revolução"! (Aliás, revoluções - com exceção das científicas - só deixaram montanhas de cadáveres séculos afora. Destaque especial para as três do século passado: a russa, a chinesa e a cubana).

(Sobre o "Caso Lissenko", ver aqui).

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Argumentos sobre o aborto


Como a questão do aborto tem suscitado intenso debate aqui no blog, indico mais um texto que ajuda a esclarecer alguns argumentos pró e contra o direito de abortar. O artigo é de Pedro Madeira, atualmente no King's College London, e está disponível no site da revista eletrônica Crítica, de Lisboa. Transcrevo a parte introdutória:

Há a necessidade premente de tentar esclarecer o público em relação ao debate sobre o aborto. Foi com dois objectivos em mente que decidi escrever este artigo. O primeiro é apresentar uma análise crítica tanto dos argumentos frequentemente usados em debates públicos, como dos principais argumentos usados na bibliografia de bioética. O segundo objectivo é o de procurar devolver alguma credibilidade ao debate. Parece-me que as pessoas têm a sensação — infelizmente acertada — de que os intervenientes públicos neste tipo de debate não costumam ser imparciais. É preciso mudar esta situação.

Em cada uma das quatro primeiras secções menciono um mau argumento usado pelos defensores da legalização do aborto e um mau argumento usado pelos opositores da legalização do aborto. Tento fornecer uma análise tanto quanto possível imparcial de todos os argumentos, de modo a que não seja possível perceber-se qual é a minha posição acerca do assunto. Se as pessoas percebessem logo qual era a minha posição na primeira secção, de certeza que nem se incomodavam a ler as restantes. Nas três secções seguintes, digo onde me situo no debate acerca da legalização do aborto e argumento a favor da minha posição. Finalmente, na oitava e última secção, teço alguns comentários de natureza geral acerca do estado dos debates públicos sobre problemas éticos em Portugal. (Continua).

(À voz desconhecida, de V. Kandinsky).

Iluminem-se, sociólogos militantes!

Bastante ativa nas escolas e universidades, a sociologia militante tem agora uma nova "teoria" para desenvolver. Os "fundamentos" da teoria foram lançados na semana passada pelo Pequeno Timoneiro, aquele que, quando fala, ilumina a filósofa uspiana Marilena Chauí. Iluminem-se, pois, sociólogos.

José de Souza Martins (e-agora) foi no alvo:

Quando Lula e o PT se auto-proclamavam de esquerda e definiam todos os partidos que lhes faziam oposição como partidos de direita, quem entende do assunto sabia que ambos eram de centro, talvez de centro-direita, pela composição de sua constituência, sua ideologia híbrida de raiz conservadora e sua prática corporativa. Agora que Lula se auto-proclama de centro e é um partido do poder que repudiou todas as grandes teses do pensamento e da tradição socialistas, sabemos também que é outra coisa. Centro é eufemismo. Nesta declaração pública de Lula, ficamos sabendo que ele é também teórico do pensamento político: entende-se, portanto, que as crianças são de extrema esquerda, os moços são de esquerda, os maduros são de centro e os velhos são de direita. Quem contraria a regra etária da nova teoria política "está com problemas". Fica difícil entender o que era a juventude hitlerista e o Movimento Balila, do fascismo italiano. Os intelectuais do silêncio, provavelmente, darão agora uns retoques de estilo nessa aula e a "teoria" ontem lançada logo estará nos rodapés da chamada sociologia militante.

Blogueiros atrás das grades


Barbas de molho, pessoal. Blog não dá dinheiro, mas dá cadeia. Humor negro à parte, "pelo menos um terço dos 134 jornalistas que foram encarcerados em todo o mundo desde janeiro de 2006 publicam páginas informativas na internet, seja como autônomos ou como assalariados de empresas jornalísticas."

A China é a campeã na perseguição aos blogueiros, seguida, obviamente, por Cuba, o "paraíso socialista" de Frei Betto e do ex-frei new age Leonardo Boff.

No geral, o que se constata é que os governos estão monitorando a rede cada vez mais. (Leia aqui). É a guerra contra a liberdade de informação.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Milagreiros e oportunistas

É assustador o oportunismo de certos prelados. Aproveitam-se agora da precária sobrevivência de um bebê anencéfalo para lançar boatos sobre milagre e, claro, atacar o direito de aborto. Que me desculpem os católicos, mas isto é caso de cadeia. Valer-se da boa fé das pessoas é ato vil. Aqui, agravado: trata-se de desumanidade.
Na íntegra, a reportagem da Folha de hoje:

Anencéfala, bebê Marcela de Jesus vira ícone antiaborto .

LAURA CAPRIGLIONE

ENVIADA ESPECIAL A PATROCÍNIO PAULISTA (SP)
Desde 20 de novembro, o bispo emérito de Franca, dom Diógenes Silva Matthes, 75, cumpre uma obrigação diária: telefona para o diácono Fábio Costa, 49, da vizinha cidade de Patrocínio Paulista (a 413 km de São Paulo), e pede notícias: "Você já foi ver o meu menino Jesus hoje?".
Dom Diógenes se refere ao bebê Marcela de Jesus Galante Ferreira, 25 dias de vida completados na última sexta-feira. Diagnosticada anencéfala desde que era um feto de quatro meses, de Marcela de Jesus esperava-se que morresse ainda no útero da mãe, a agricultora Cacilda Galante Ferreira, 36. Como a gravidez chegasse a termo, e a mãe começasse a sofrer as dores do parto, uma cesárea deu Marcela à luz -aí o consenso científico previa que viveria poucas horas. No máximo, dias. Esse consenso fundamentou a concessão de dezenas de autorizações judiciais para a "antecipação do parto de fetos anencéfalos ou inviáveis". Na prática, trata-se de uma "interrupção da gestação" ou "abortamento", mas essas expressões pouco aparecem nos textos dos juízes porque o Código Penal em vigor só autoriza o aborto em casos de estupro ou risco de vida para a mãe. Com a anencéfala Marcela de Jesus (o nome é uma homenagem ao padre da Renovação Carismática Marcelo Rossi), a mãe dela, Cacilda, foi informada, assim que diagnosticado o problema no feto: poderia pedir autorização para "antecipar o parto". Católica, a mãe recusou a sugestão. Cacilda relembra: "Os médicos nunca me davam esperança nenhuma. Todas as vezes que eu ia ao médico saía triste. Mas era só sentir o bebê se mexendo e chutando a minha barriga que eu ficava feliz de novo." No dia 20, uma segunda-feira, dia do nascimento de Marcela, o padre da paróquia de Patrocínio, Cássio Dias Borges, estava de folga. O jeito foi chamar Fábio Costa, diácono há cinco anos, com autoridade para ministrar os sacramentos, batismo entre eles. Costa assistiu ao parto de pé, ao lado do marido de Cacilda, Dionisio Ferreira. Tudo muito rápido, cortou-se o cordão umbilical da criança, ela foi limpa e aspirada. E começou o batismo, correndo, para evitar que a menina morresse pagã. O pai chorava na sala; a mãe ainda estava sendo suturada -não pôde assistir à cerimônia. Água benta lançou-se três vezes na cabeça de Marcela, enquanto os homens rezavam. Ninguém acreditava que o bebê agüentaria. Contra todas as previsões, entretanto, o coração da menina desprovida de córtex cerebral continuou batendo. Ela reage como que assustada quando no quarto da Santa Casa de Patrocínio, onde está internada, toca o triiiiim do velho telefone ainda com disco. Quando alguém põe o dedo perto de sua mãozinha, ela o agarra, como qualquer bebê. Sente dor "na parte que lhe falta da cabeça", como explica a pediatra Marcia Beani Barcellos, que cuida dela.
Sons
De vez em quando, Marcela emite pequenos sons na forma de um "a" curto. Cúmulo da surpresa, o bebê mamou no peito da mãe -bastou encostar em sua boca o peito de Cacilda. E a pediatra já cogita dar alta para o bebê ir para casa. Católicos falam abertamente em "milagre" para se referir à sobrevivência de Marcela de Jesus, agora transformada em símbolo da luta antiaborto. No site de relacionamentos Orkut, a comunidade "Força Marcela Oramos por Vc", criada em 29 de novembro, já reúne 511 membros. Segue crescendo. Um documentário sobre a vida do bebê e sua família está em fase de produção, o câmera entrando e saindo do quarto do hospital. Todos os dias, rodas de orações são formadas na Santa Casa. Na terça-feira, ativistas da organização Santa Gianna Beretta Molla, sediada em Franca e autodefinida como "a favor da família, em defesa da vida", foram rezar o "Creio em Deus Pai" com Cacilda e o diácono, na presença do bebê. Recorde esse nome: santa Gianna, a santa antiaborto. Canonizada pelo papa João Paulo 2º em maio de 2004, seu exemplo foi ter-se recusado a fazer um aborto quando, grávida, os médicos lhe disseram que levar a gestação a termo a mataria. Conforme a previsão dos médicos, ela morreu ao dar à luz. A criança viveu. Dois milagres atribuídos a Gianna, garantiram-lhe a canonização, ambos no Brasil, apesar de a santa ser italiana (de Milão) e nunca ter estado em vida por aqui. Segundo o ginecologista e obstetra Thomaz Rafael Gollop, professor da Universidade de São Paulo, Marcela de Jesus tem os hemisférios cerebrais destruídos, um diagnóstico fechado de anencefalia e um prognóstico certo: o da progressiva deterioração de seu organismo, até o perecimento. Malformação com causas multifatoriais, a anencefalia atinge mais meninas do que meninos e, explica o professor, em 60% dos casos, relaciona-se a uma dieta materna pobre em ácido fólico durante o mês antecedente e posterior à concepção. "Infelizmente é um quadro irreversível", diz o docente. O chefe do setor de neurologia infantil da Universidade Federal de São Paulo, o professor-adjunto Luiz Celso Vilanova, explica que, na anencefalia, uma parte do cérebro, o córtex cerebral, responsável pelas funções mentais superiores, não chega a se formar. "O que existe é o tronco cerebral", uma estrutura primitiva que coordena reações a estímulos, batimentos cardíacos e respiração, entre outras funções. "O bebê anencéfalo é incapaz de sentir -para isso ele precisaria do córtex cerebral-, mas ele é capaz de reagir a estímulos", explica o professor. "Um bebê anencéfalo pode ter, no máximo, reações reflexas, como aquelas típicas do estado vegetativo, sem traço de consciência. Emoções, sentimentos e pensamentos estão fora do horizonte de um bebê nessas condições", afirma. Diretora da Anis, ONG que é referência feminista em pesquisa sobre bioética, a antropóloga Debora Diniz tem assessorado várias mulheres grávidas de fetos anencéfalos nos últimos anos. Sobre Marcela de Jesus, Debora entende que não se pode fazer da excepcionalidade do caso uma norma que se imponha sobre as grávidas de fetos anencéfalos. "Em um Estado laico, é absurdo pretender que todas as mulheres grávidas de fetos anencéfalos passem a acreditar em milagres." "É à mãe que cabe decidir se deve ou não prosseguir com a gestação. Tanto seria errado impor a interrupção da gravidez quanto seu contrário. O caso desse bebê só reforça a tese de que se trata de uma decisão que só cabe aos parentes e a mais ninguém tomar", diz. Na pequena Patrocínio Paulista, 14 mil habitantes, nos contrafortes da serra da Canastra, quase divisa com Minas Gerais, existe o bairro Palmital, onde era a fazenda de mesmo nome, centenária e agora loteada entre os herdeiros, todos parentes dos pais do bebê anencéfalo, que também moram lá. A prima Nelsina Terezinha Figueira de Freitas, 52, mora ao lado da casa dos Ferreira, em uma construção de taipa de pilão, curral anexo, no meio de um cafezal. Vergada diante de uma Nossa Senhora, a prima conta o que viu na Santa Casa, ao visitar Marcela de Jesus: "Eu vi um anjo vestido de azul, uma bênção. Ela sorria e soltava um gorgonadinho, como se quisesse falar alguma coisa". É a fé.

sábado, 16 de dezembro de 2006

Réquiem para a classe média

A bênção, padim Luiz Inácio Fidel Betto Chávez.

Um dos temas que têm sido martelados neste blog desde o início do ano merece, enfim, a atenção de uma revista de circulação nacional. O fato é que a cultura pobrista que tomou conta do Acampamento vira as costas ao futuro. O Estado se transformou num aparelho em poder de incompetentes e corruptos e a economia, estagnada, se arrasta como bunda de sapo. A civilização tem outro rumo: todos os países desenvolvidos têm uma classe média majoritária. O resto é conversa para a idiotia latino-americana, sempre abençoada pelos "teólogos da libertação". E viva o assistencialismo marmiteiro, tirado exclusivamente do lombo dessa classe extorquida pelos impostos.

Cito um trecho da reportagem da revista Veja (o texto integral é de acesso livre).

Na próxima semana, o Brasil viverá o seu 26º Natal em cenário de pasmaceira econômica. As feridas causadas por esse longo calvário são visíveis sobre o lombo de um segmento em particular da sociedade: a classe média. Ao fim de 2006, ela se encontra curvada sob uma brutal carga tributária, sufocada por gastos com serviços como educação e saúde (que deveriam ser financiados pelos seus impostos) e tolhida em sua capacidade de poupar e adquirir patrimônio. Mas há um segundo aspecto na crise da classe média – e ele não interessa apenas aos brasileiros que já pertencem a ela. Ao contrário do que vem acontecendo em países que estão chamando a atenção do mundo, quase não se observa expansão na classe média do Brasil. Seu tamanho em relação à população total ficou praticamente inalterado nos últimos 25 anos. Essa é uma notícia ruim para o país e uma sombra sobre o seu futuro. Ela revela que os pobres estão até se mantendo de pé graças às políticas assistencialistas como o Bolsa Família, mas não estão subindo na escala social. A notícia também evidencia que a própria classe média não está beliscando patamares mesmo que inferiores do mundo dos ricos. Em resumo, a classe média brasileira está ensanduichada. Obviamente, estar no meio faz parte de sua própria definição. O que perturba é o congelamento, a imobilidade numérica e de pujança desse grupo social no Brasil. Quem está dentro não sai, quem está fora não entra.


Existe uma relação direta entre o progresso de um país e a força de sua classe média. Isso está sendo demonstrado não só por exemplos atuais como o da China e o da Índia, mas também por histórias como a da Inglaterra na Revolução Industrial ou a dos Estados Unidos dos séculos XIX e XX. Motor econômico das sociedades livres tanto pelo empreendedorismo quanto pelo consumo, a classe média é também a grande produtora de idéias e cultura, e a garantidora da estabilidade política. Triste o país incapaz de cultivá-la. (Leia aqui).

Aborto, um tema proibido?

Hipocrisia sufoca o debate

Simples e objetivo, o projeto de lei que autoriza o aborto - convenientemente engavetado na Câmara - diz apenas o seguinte:

O Congresso Nacional decreta:

Artigo 1º – Toda mulher tem o direito à interrupção voluntária de sua gravidez, realizada por médico e condicionada ao consentimento livre e esclarecido da gestante.

Artigo 2º – Fica assegurada a interrupção voluntária da gravidez em qualquer das seguintes condições:
I – até doze semanas de gestação;


II – até vinte semanas de gestação, no caso de gravidez resultante de crime contra a liberdade sexual;

III – no caso de diagnóstico de grave risco à saúde da gestante;


IV – no caso de diagnóstico de malformação congênita incompatível com a vida ou de doença fetal grave e incurável. Ficam asseguradas, ainda, a realização do procedimento no âmbito do sistema único de saúde ou sua cobertura pelos planos privados de assistência à saúde.

Por que a questão não é discutida? Ora, simplesmente porque os políticos (e seus partidos) não ousam enfrentar temas incômodos, que eventualmente os indisponham com as igrejas e parte do eleitorado de confissão religiosa. Os religiosos mais ortodoxos, de fato, se mostram ferrenhamente contrários ao aborto, advogando sua proibição em qualquer circunstância. Os moderados aceitam pelo menos a lei vigente, que autoriza o aborto apenas em dois casos: 1) gravidez resultante de estupro; e 2) risco de vida para a gestante.

Ora, a ampliação do direito, contida no novo projeto, dá um passo adiante ao permitir à mulher que interrompa voluntariamente a gravidez (aos três meses ou, em casos especiais, aos cinco meses). Negar às mulheres esse direito é julgá-las a priori irresponsáveis, no melhor dos casos, ou potenciais assassinas, no pior dos casos. Nenhuma grávida se submete a aborto por diversão. Se o faz é porque, no mínimo, e excetuados os casos excepcionais, considera não ter condições de criar um filho. E se não tem condições, é melhor não tê-lo mesmo.

Fingir que o problema não existe é hipocrisia. É fechar os olhos aos "açougues" clandestinos que, estes sim, cometem verdadeiros assassinatos, colocando em risco também a vida da mulher grávida. Por que os religiosos contrários ao aborto se calam diante desta matança?

As mulheres - que não devem ser tratadas como incapazes - merecem nosso voto de confiança.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Conheça a Fundação Richard Dawkins

O biólogo britânico Richard Dawkins, que criou recentemente a Richard Dawkins Foundation for Reason & Science, com sede na Inglaterra e nos Estados Unidos, explica em vídeo as razões que o levaram a investir neste empreendimento. Como muitos cientistas e filósofos, Dawkins está preocupado com o avanço das pseudociências e da cultura anticientífica em todo o mundo, além da proliferação de seitas e igrejas. Acesse aqui sua página oficial, a Richard Dawkins.net.

Assista o vídeo.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Religião versus ética médica?

Haja conflito!

Antes de fazer qualquer consideração, relato o caso. Faleceu nesta semana, num hospital público de Florianópolis, uma jovem de 20 anos que rejeitou, por motivos religiosos, a transfusão de sangue que era necessária à manutenção de sua vida. Testemunha de Jeová, como seu pai e parte da família, ela deixou escrito que não aceitaria a transfusão, proibida por sua religião. Submetia-se a tratamento "alternativo", acompanhada de uma médica que cultiva a mesma religião. Detalhe: o medicamento (?) alternativo (?) era preparado pelo marido da médica.

Como se percebe, o problema não é relativo à paciente. Qualquer cidadão, religioso ou não, tem o direito de dispor sobre sua vida como lhe aprouver. Ninguém deve ser forçado a viver ou morrer. O problema diz respeito - e profundamente - à ética médica, à qual estão submetidos todos os profissionais dessa área.


Ora, o objetivo primordial de um médico é manter a vida do paciente, dentro de limites também éticos. A este dever moral ele jamais pode renunciar, em hipótese alguma - e menos ainda sob pretexto religioso. Em outras palavras, a ética profissional não pode ser sacrificada no altar dos princípios religiosos, quaisquer que sejam.

Religião é questão de foro íntimo: quando o médico veste o jaleco e entra no hospital, a religião deve esperar na porta (o correto seria deixá-la em casa ou no templo). Permitir que alguém, sob seus cuidados médicos, morra em nome da religião, é um condenável ato de fanatismo.

P.S.: a médica será afastada do hospital (aliás, já deveria ter sido demitida) e enfrentará julgamento pelos pares no Conselho Regional de Medicina (SC). É pouco: que seja submetida a processo na justiça comum.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Quem bloqueia Cuba?


Ora, ora, é o ditador ao lado.

É lugar-comum, entre as esquerdas latino-americanas e os apologetas do castrismo (a exemplo de Frei Betto e do ex-frei Leonardo Boffl), a idéia de que existe um "bloqueio" contra Cuba e que este seria responsável pela falência econômica do regime e a miséria do povo cubano. Conversa mole. Quem produziu o desastre foi o ditador Fidel Castro e suas "políticas primitivas", contrárias à inserção de Cuba no processo de globalização. Dois estudiosos argentinos, Gabriel Salvia e Pablo Guido, mostram que o verdadeiro problema é a ditadura. Cito um trecho (leia aqui).

Es evidente que no existe ningún “bloqueo” a Cuba, que la isla comercia con un centenar de países y que la pobreza y restricciones del pueblo cubano se deben a las políticas primitivas del régimen de los hermanos Castro. En términos de intercambio comercial, Cuba exporta e importa bienes y servicios hacia y desde por lo menos la mitad de los países existentes en el planeta: realiza intercambio con todos los países que integran la Unión Europea, con la totalidad de países de Latinoamérica, con México y Canadá del NAFTA, con el país que ha venido registrando el mayor crecimiento en términos de participación en el comercio mundial (China) y con los llamados “tigres asiáticos” (Hong Kong, Taiwán, Malasia y Corea). En todo caso, de lo que sí podríamos hablar es de un “autobloqueo” del gobierno cubano en materia de integración al proceso de globalización. También es una realidad que el “embargo” no ayuda a promover la democracia en Cuba, a pesar de que Estados Unidos de América es el cuarto país en importancia con un 6% de las importaciones cubanas totales.

Stalin no Acampamento


O ditador russo deixou traços indeléveis na cultura "esquerdista" do Acampamento. Emir Sader não é o único exemplo. O professor de jornalismo Bernardo Kucinski (Eca-USP), que faz o resumo dos jornais para o Pequeno Timoneiro, é outro que mantém a viseira stalinista. Quer a imprensa refém do palácio, isto é, porta-voz oficial. O fato é que a república nunca foi tão infestada de chapas-brancas quanto na era lulo-petista. É estarrecedor que professores de jornalismo defendam este tipo de coisa. Eis aí mais uma demonstração de que o pensamento crítico morre à míngua no Acampamento. Os palacianos lutam é pela ditadura do "pensamento único" (que, repito sempre, é ausência de pensamento). Saquinho, por favor.

O aparelhamento da mídia, defendido por Kucinski (e tantos outros), é analisado pelo filósofo Roberto Romano - com a habitual erudição - em sua coluna semanal no Correio Popular de Campinas. Acerta em cheio.

O aparelhamento da imprensa

Após a recondução do atual presidente ao Planalto, o país assiste um ataque ardiloso do Agitprop petista contra a imprensa. O último a se empenhar nesta batalha é o professor Kucinski (USP), conselheiro do poder vigente. Ele exige que a Radiodrás assuma uma “narrativa nova” dos fatos ocorridos no primeiro mandato do governo angélico. A referida narrativa não poderia usar termos como “mensalão”, etc. É fantástico: depois dos “companheiros” tentarem desviar a opinião pública do que se passou na república, transformando por eufemismo o caixa em “recursos não contabilizados” e quejandos, o amigo presidencial quer um passo a mais dos meios de comunicação liderados pela Radiobrás. Ele ordena que palavras sejam apagadas, como apagadas foram as fotos de Trotsky ao lado de Lenine, na era de ouro estalinista.

Vejamos um trecho estratégico de entrevista concedida na semana passada, pelo mesmo Kucinski, à Folha On Line. “Folha - Na sua opinião, como deveria ser a cobertura da Radiobrás do episódio do mensalão? - Kucinski - Uma empresa com a responsabilidade de pertencer ao aparelho de Estado, tida como referência pelo resto da imprensa e pela imprensa estrangeira, não poderia ter aderido à narrativa de ilações, insinuações e de presunção de culpa, nem a linguagem de mensalão e mensaleiros, adotadas pela grande imprensa; também deve evitar tratamento sensacionalista, não só nesse caso, em todos os temas e situações. Deveria respeitar os princípios básicos do jornalismo, que a grande imprensa não respeitou: ouvir sempre o outro lado, em especial os acusados, não prejulgar, ser objetiva, ponderada e isenta, atendo-se o mais possível aos fatos comprovados.”

O repertório teórico dos petistas é pequeno e não é preciso muita erudição para chegar às suas fontes. No trecho acima, o termo consagrado na escola do oficialismo marxista diz tudo. A noção de “aparelho” tem base leninista, basta ter lido O Estado e a Revolução e Que fazer? Trata-se de um resquício do paradigma mecânico, tal como empregado na política desde o século 17 (leia-se Hobbes). Aquele modelo perdeu força nos séculos 18 e 19 devido ao triunfo do pensamento vitalista, que forneceu à política a metáfora exemplar de organismo. Lenine uniu os pressupostos orgânicos à imagética mecânica anterior, incorporou as “intuições geniais” de Hegel, lido por ele no exílio inglês. Para maiores informações, consultar Guy Planty Bonjour : Hegel en Russie (Martinus Nijhoff Ed.) Desde então, a esquerda autoritária alimentou-se tanto do imaginário orgânico quanto do mecânico. É o que explica a idéia que define a ditadura do proletariado como controle do aparelho de Estado pela vanguarda revolucionária. Tal controle seria feito em nome do proletariado e contra ele porque, Lenine dixit, os operários não iriam além das reivindicações econômicas e salariais. Os quadros da classe média, com seus intelectos privilegiados, dariam “de fora” a consciência política ao movimento revolucionário, para destruir a velha máquina estatal.

Note-se a linguagem. Nos grupos armados brasileiros dos anos sessenta as casas usadas pelos militantes chamavam-se “aparelhos”. Tratava-se de mover os pequenos aparelhos (note-se a ambiguidade lógica e imagética) da organização revolucionária contra o aparelho do Estado burguês. O jargão mecânico foi ampliado por Louis Althusser e seus pares, com a figura dos “aparelhos ideológicos de Estado”. Houve quem, no Brasil, afirmasse que a Igreja Católica seria um desses aparelhos. Analisei esta tolice em meu livro Brasil, Igreja contra Estado.

Depois disso, um monte de sectários assumiu tal “verdade” e a transformou em teses de doutoramento, mestrado, etc. A garantia teórica vinha dos rasos manuais de Marta Harnecker, cujos esquemas eram mais abstratos e desprovidos de pensamento do que os textos de Althusser. Na cabeça de quem rezava pelas cartilhas ideológicas, era preciso desmontar os aparelhos ideológicos de Estado como a escola, as igrejas, e outros, para ali impor a lógica dos “novos aparelhos”, os do Partido. A imprensa foi entendida como “aparelho ideológico de Estado”, entre vários outros, como o religioso, o jurídico, o político, o sindical, o que domina os esportes, etc. Pode-se entender, pois, o que diz Kucinski. Trata-se de destruir o velho aparelho da imprensa trocando-o pelo novo, o revolucionário. Também fica mais clara a idéia de uma “narrativa” nova para substituir a antiga, própria da burguesia. Aparelho novo precisa de combustível novo. E tal combustível ideológico é produzido com o monopólio do PT, a Petrobrás do espírito. O nome da nova aparelhagem estatal seria Conselho de Jornalismo. E a narrativa anunciada resultaria da ética revolucionária. Alguns críticos do totalitarismo já a denominaram, não por acaso, “novilingua”. Ela opera desde o começo do governo petista.

Ideli, madrinha de artistas e atletas.


De padroeira dos mensaleiros, a senadora Ideli "Salva-te" (SC) agora se transformou também em protetora de artistas e esportistas. Reparem na figura à direita, na foto: é a própria madrinha, junto com artistas como Fernanda Montenegro e burocratas do esporte. Eles estiveram com o presidente do Senado, Renan "Calhau", para negociar as prebendas da Lei de Incentivo Fiscal ao Esporte: cultura e esporte não precisarão repartir os mesmos recursos. O acordo permite o atendimento simultâneo às duas partes.

Bene, de minha parte essa turma não terá nada. Podem me chamar de ranzinza (etc), mas não vou nem a teatro nem a cinema há anos e jamais vejo qualquer esporte (futebol, por exemplo, com sua cartolagem, suas máfias e seu bombardeio impiedoso na televisão e na vida dos cidadãos, tem fedor de corrupção). Que vão mamar dos sonegadores de impostos.


P.S.: cultura não se resume a cinema e teatro.

(Foto: Jane Araújo/Agência Senado).

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Economia X sociologia

Por que os argumentos econômicos não são levados a sério no Brasil? Drumond tenta responder a pergunta em seu blog, num interessante artigo sobre a velha briga entre economistas e sociólogos. Transcrevo um trecho:

(...) Os trabalhos que normalmente se fazem no campo de sociologia carecem de qualquer base teórica consistente para analisar questões econômicas. Você pode dizer, "ah mas são trabalhos de sociologia". Sim, eu concordo, mas o problema é que eles abordam questões econômicas, e rejeitam que possam existir algo parecido com leis econômicas. Isso não tem a ver, como muitos podem pensar em primeira instância, num problema essencialmente ideológico. Ao contrário, como fiz questão de frisar anteriormente, muitos de meus adversários ideológicos aceitam como ponto pacífico o funcionamento básico do mercado, ou seja, admitem a existência real dos mecanismo de mercado. É diferente, por exemplo, da posição institucionalista clássica, bem diferente da discussão atual de que instituições importam. Se hoje entendemos que o mercado funciona, mas nunca livremente, pois é delimitado por uma série de mecanismos institucionais que regulam seu funcionamento, a discussão anterior defendia que os mecanismos de mercado eram, eles mesmos, instituições que poderiam ser modificadas pela intervenção do governo. (Leia aqui).

Oposição ameaça rachar a Bolívia

Governadores oposicionistas de quatro departamentos (estados) bolivianos, que controlam metade do Orçamento, ameaçam dividir o país. Ao que parece, a turma cansou das bravatas e do cucarachismo de Evo Morales, submisso ao caudilho bolivariano Hugo Chávez. Não se mostra disposta a embarcar na nova aventura regressiva da "idiotia latino-americana", com sua cultura pobrista e estatizante, cujo mito é o "Estado Justiceiro".

Ah, se o exemplo pega por aqui...

E o que faz Evo? Ameaça chamar os "milicos":

O presidente boliviano, Evo Morales, exortou ontem as Forças Armadas a "defender a nação boliviana", em resposta à ameaça de governadores oposicionistas de quatro departamentos de declarar, durante eventos simultâneos nesta sexta-feira, maior autonomia em relação a La Paz ou mesmo a independência da chamada "meia lua", como é chamada a região do país que concentra a oposição ao governo federal.Em discurso a oficiais do Exército pela manhã, Morales qualificou o movimento dos governadores de "traição à pátria" e, dirigindo-se aos militares, os conclamou: "Na pátria não se toca, pelo que vamos defendê-la, vamos defender a nação boliviana".O presidente disse que o movimento de greve de fome, realizado pela oposição sobretudo em Santa Cruz, tem como objetivo "uma divisão ou separação da pátria" e afirmou que a autonomia "já é uma realidade". Ele lembrou que os governadores foram eleitos por voto direto pela primeira vez na história há um ano e que os departamentos controlam 50% do Orçamento do país.

(...)

Anteontem, durante reunião em Santa Cruz, governadores e líderes dos comitês cívicos de Pando, Beni, Tarija, além de Santa Cruz, marcaram atos nas capitais dos departamentos para as 16h de sexta. Também foi criada a Junta Autonômica Democrática da Bolívia, cujo objetivo declarado é "alcançar a autonomia departamental plena". O evento de sexta vem sendo tratado como o principal ato de força contra Morales desde que a bancada governista na Constituinte passou a aprovação dos artigos constitucionais por maioria simples, com a exceção dos três considerados mais polêmicos, que precisariam de dois terços. O MAS controla pouco mais da metade das cadeiras da Constituinte, instalada em Sucre. Os governadores rechaçam esse sistema de votação e exigem que todos os artigos sejam votados por dois terços, como determina a Lei de Convocatória, aprovada pelo Congresso e sancionada por Morales em março. A oposição alega que, se mantida a votação por maioria simples, o governo poderia tirar da pauta o tema de maior autonomia departamental, que foi motivo de um referendo realizado em julho, junto com a eleição dos assembleístas.A resposta em favor de maior autonomia foi vencedora nos quatros departamentos das terras baixas, enquanto o "não", defendido por Morales, ganhou nos demais cinco departamentos bolivianos. O Comitê Pró-Santa Cruz, controlado por empresários e responsável pela organização do evento no departamento mais rico do país, nega que esteja pregando a divisão do país. "Apenas uma minoria radical está pedindo a independência, mas nossa organização nunca reivindicou isso", disse à Folha o porta-voz Daniel Castro.Juntos, os quatro departamentos, localizados nas terras baixas bolivianas, reúnem 80% da população do país, estimada em cerca de 9 milhões. (Da Folha de S. Paulo).

O doador fica

E Lula mantém no Sebrae o amigo e ex-tesoureiro de campanha eleitoral Paulo Okamotto, aquele que lhe pagou as contas no valor de quase 30 mil. Eita, amigão. Para Lula, isto deve ser um ato de gratidão; para nós aqui embaixo, é pouca vergonha mesmo. Que grande exemplo para os jovens "destepaís".

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Sader, o anticapitalista.


A revista piaui deste mês traça um interessante perfil do sociólogo Emir Sader, recentemente condenado pela Justiça, como todos sabem, por injúrias contra o senador Jorge Bornhausen. O repórter Luiz Macklouf Carvalho, que chegou a assistir duas aulas do professor na UERJ, mostra um homem que se define sobretudo como "anticapitalista".

Sader é contra o capitalismo, sim, mas não vive como os proletários de seu discurso. Mora sozinho num apartamento de 3 quartos no Leblon, com vista para a praia, e tem motorista particular - um luxo inatingível para 9 entre 10 professores universitários.

Não é difícil ao "intelectual orgânico" do petismo obter patrocínio oficial para seus empreendimentos, como também anota a revista Veja desta semana. O mais recente deles foi a Enciclopédia Contemporânea da América Latina e do Caribe, edição que ele coordenou (um volume de 1.300 páginas, capa dura, vendido a 190 reais). Adivinhem quem publicou. Ora, ora, a Boitempo, de sua namorada Ivana Jinkins. Patrocínio? Tchã, tchã, tchã: Petrobras, Eletrobrás, BNDES, CEF, Banco do Brasil e Ministério da Cultura. A bolada foi de 2.050 milhões de reais.

De que vive o sociólogo carioca? Segundo o repórter, seu sustento vem da aposentadoria da USP, do salário na UERJ, de direitos autorais e de empreendimentos como a enciclopédia cucaracha. Ah, ele também faz palestras remuneradas sobre "análises de conjuntura da América Latina" para empresas estatais como Eletrobrás e Furnas.

Hummm. Nada como ser anticapitalista, principalmente com estatais por perto. E olha que Sader define a burguesia como "classe privada que tira suas vantagens através do Estado"...

A despedida de Bornhausen

O senador Jorge Bornhausen se despede amanhã do Senado, onde fará falta aos setores oposicionistas. Aliás, é a única liderança partidária que merece o nome de oposicionista, principalmente por sua destacada atuação em 2006. Convenhamos, FHC apenas tossiu no final da campanha eleitoral, quando o jogo já estava consumado. E o PSDB, de resto, praticamente desapareceu do cenário (onde anda, por exemplo, o fanfarrão Arthur Virgílio, que num dia ameaçou bater no Pequeno Timoneiro e no outro pegou carona no Aerolula?). Certamente, mais vergonheira e adesismo veremos no próximo ano.

Concorde-se ou não com Bornhausen, o fato é que ele cumpriu seu papel com dignidade.

Eleito em 1998 com mais de um milhão de votos, o senador catarinense encerra 40 anos de vida pública, iniciada em 1967 como vice-governador do Estado. Foi também governador de SC, ministro da Educação, ministro-chefe da Secretaria de Governo e embaixador do Brasil em Portugal. No senado, exerceu dois mandatos.

A assessoria do senador diz que ele deve deixar também a presidência do PFL no ano que vem, passando a presidir a nova fundação que o partido está criando no lugar do Instituto Tancredo Neves, destinada à promoção de estudos e ações de formação de base partidária. Segundo Bornhausen, "os partidos políticos precisam se alimentar permanentemente de bases teóricas e de propostas objetivas, que lhes permitam ganhar uma identidade e oferecer opções democráticas aos eleitores”.

Boa sorte, Senador.

Os sócios

Chávez e Evo fecham negócio: os dois governos vão investir US$ 170 milhões na criação da Petroandina, para produzir gás e gasolina na Bolívia.

Enquanto isso, a Petrobras, que perdeu propriedades na Bolívia, silencia em relação aos termos do acordo firmado com Morales,já denunciado como prejudicial aos interesses nacionais.

Aliás, está na hora de abrir a caixa preta da Monstrobras.

Vanguarda do atraso

Não há título ruim que o Brasil não conquiste sob o governo lulo-petista:

Numa lista de 190 países, o Bananão ocupa o 86º lugar em mortalidade de crianças menores de 5 anos. E a coisa é ainda pior se comparada com a vizinhança latino-americana: entre 21 países, o Brasil é o 15º. A maior economia da América Latina fica atrás de El Salvador e República Dominicana, e muito longe de Argentina, Uruguai e Chile.

Adeus, século XX.



Ele veio buscar o que é seu. Mas há outro na fila.

E há também alguns aprendizes que tentam levar adiante algumas idéias e exemplos nefastos do sanguinolento século XX.

domingo, 10 de dezembro de 2006

Rumo à Cucaracholândia

Não deu certo em lugar nenhum? A gente copia aqui.

Manchete da FSP, hoje, mostra o que tenho dito aqui faz tempo: as classes médias estão sendo mortas a pau. A agonia começou no segundo mandato de FHC e prosseguiu, arrancando unhas e dentes, no governo lulo-petista. Como este tem mais quatro anos, no final só restarão pobres e ricos, isto é, nada no meio. Tucanos e petistas estão realizando aqui no Acampamento uma das previsões marxistas que não deu certo em nenhum país civilizado (vide Europa e Estados Unidos, onde as classes médias são majoritárias): a famosa "polarização de classes" - uma façanha da América Latina, aliás.

O rumo está traçado, com o Pequeno Timoneiro abraçando estadistas como o coronel Hugo Chávez e o falso índio boliviano Evo Morales, visitado agora festivamente pelo passageiro do Aerolula (o avião presidencial é a única coisa que funciona bem "nessepaís"). Estamos presenciando a formação da Cucaracholândia. O ponto de ligação é a cultura do pobrismo. O que resta da classe média é refém de banco.

Repito: não deu certo em lugar nenhum, a gente copia aqui. A idiotia latino-americana é incapaz de aprender com a história. (Reproduzo abaixo a matéria da Folha).

Renda da classe média cai 46% em 6 anos.

Parcela da população que ganha acima de três salários mínimos perde 2 milhões de empregos formais desde 2001.
Em contrapartida, trabalhador que recebe até 1 mínimo vê aumento de 124% nos ganhos e saldo de 2,2 milhões de vagas.

FERNANDO CANZIAN
O saldo da criação de empregos e da evolução da renda da classe média no primeiro mandato do governo Lula é amplamente negativo. Nessa parcela da população que mais paga imposto e consome, deu-se o contrário do verificado entre os mais pobres, em que a renda e o emprego prosperaram.Entre a maioria dos países da América Latina, com exceção da Argentina, é no Brasil onde a classe média mais encolheu sua participação no total da renda nos últimos anos. O fenômeno ocorre desde os anos FHC.Considerando classe média quem ganha acima de três salários mínimos (mais de R$ 1.050), houve saldo negativo de quase 2 milhões de empregos formais nos últimos seis anos. A renda de quem conseguiu entrar no mercado recebendo mais de R$ 1.050 caiu 46% em termos reais (descontada a inflação) ante o que era pago aos que foram demitidos.Os trabalhadores com pior remuneração foram na outra direção. Houve um saldo positivo (admitidos menos demitidos) de quase 6 milhões de novas vagas para quem ganha entre um e três mínimos de 2001 a setembro de 2006. O aumento na renda foi de 48%.Para quem ganha só até um mínimo (R$ 350), o balanço também é positivo: 2,2 milhões de vagas e renda 124% maior.Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho) e foram compilados pela MB Associados.Há outras maneiras de estabelecer quem é classe média no país, como levar em conta uma renda individual um pouco maior do que três salários mínimos e os bens e serviços a que o cidadão tem acesso.Mesmo pelo critério de renda maior do que três mínimos e de consumo de determinados bens, segundo levantamento do Datafolha, foi a classe média quem menos ganhou nos últimos quatro anos.Enquanto cerca de 7 milhões de eleitores migraram no governo Lula das classes D e E (maioria com renda até R$ 700) para a C (de R$ 700 a R$ 1.750), a migração de membros da classe C para a A/B (ou média, com renda acima de R$ 1.750) envolveu apenas cerca de 1 milhão de eleitores."Essa é a essência da economia em que vivemos nos últimos seis anos. Se quisermos que a desigualdade diminua, as pessoas mais pobres terão de ver seus salários subirem mais. Os moradores de São Paulo terão de se acostumar com a idéia de que a economia do Piauí vai crescer mais", diz Sergei Soares, especialista em desigualdade social do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Concentração no Sudeste
Segundo o "Atlas da Nova Estratificação Social do Brasil -Classe Média - Desenvolvimento e Crise", concluído neste ano por 11 pesquisadores, 57% das famílias de classe média concentram-se no Sudeste. No Nordeste e no Norte, são 12,5% e 4,7%, respectivamente.No geral, três em cada quatro famílias de classe média vivem no Sudeste ou no Sul.O trabalho considera classe média as famílias com renda entre R$ 2.275 e R$ 25.200. Levando em conta que núcleos familiares no Brasil têm, em média, quatro pessoas e que geralmente os menores de idade da classe média não trabalham, a renda individual se situaria entre R$ 1.137 (próxima a três salários mínimos) e R$ 12.600.Por esses critérios, 32% das famílias são da classe média.Apesar de ter perdido espaço e renda, foi a classe média quem bancou (com impostos crescentes) boa parte da melhora na distribuição de renda nos últimos anos -principalmente via programas assistenciais e subsidiados, como os da Previdência indexados ao mínimo e o Bolsa Família.Em termos tributários, é considerado de classe média quem ganha entre R$ 3.000 e R$ 10.000 (na prática, quem recebe até R$ 1.562 não paga IR)."Mais de 60% da carga de IR da pessoa física recai sobre a classe média. Outros 25%, sobre os mais ricos, e só 15% em quem está abaixo dessa faixa", diz Gilberto do Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.

Abrace Jesus e ganhe um PlayStation3!


Esperem aí, marmanjos! É só para a gurizada. Duvidam? Então cliquem aí embaixo.

Kids! Accept Jesus Christ as Your Lord and Savior and Get a Free PlayStation 3!

A oferta é da Igreja Batista norte-americana.

Alguns dizem - e estou entre eles - que doutrinar crianças com dogmas religiosos é "lavagem cerebral". Mas pode ser algo mais: não seria isto uma espécie de suborno?

Fica a questão: fé se compra e se vende?

(Agradecimentos ao Cauê).

Blogueiros nas livrarias


Enterrado na suposta "ilha da magia" (desceria o sarrafo no idiota deslumbrado que carimbou Floripa com esse nome), não estarei no lançamento, amanhã, do livro do meu amigo Roberto Romano, um dos raros filósofos de proveniência uspiana que não se calou nestes tempos melancólicos de louvor ao despotismo e ataque às liberdades. O livro do filósofo tem por título Ponta de Lança e é publicado pela Lazuli Editora, de SP. Lança em riste, amigo!

O diplomata Paulo Roberto de Almeida, blogueiro atento e prolífico (comece pelo Diplomatizzando), acaba de lançar O Estudo das Relações Internacionais do Brasil: um diálogo entre a diplomacia e a academia (Editora LGE, Brasília). Também não pude ir à noite de autógrafos: bene, Brasília é muito longe deste pedaço de quase Pólo Sul. Cruzamo-nos na blogosfera...

De qualquer modo, ler os dois sempre é proveitoso. Sucesso aos novos livros!

P.S.: o livro de Romano será autografado a partir das 19 horas na Livraria Lima Barreto, do Reserva Cultural, em São Paulo (Av. Paulista, 900, térreo baixo).