quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

O imortal César


E para encerrar minha jornada anti-chavista, aí vai outra charge, desta vez em cima do ditador que o coronel bolivariano chamou de César, comparando-o ao imperador romano.

Será a Cucaracholândia uma Nova Roma? Bem, o falecido antropólogo Darci Ribeiro dizia isto do Bananão...

Cirandinha cucaracha

E já que hoje tirei o dia para pegar no pé, ôps, no coturno do tirano da Venezuela, aí vai mais uma charge (esta é do Simanca): Chávez com os pupilos Evo, Correa e Ortega.

Socialismo o muerte !

Uma "homenagem" do blog à tirania bolivariana.
(Autor: Arcádio Esquivel)

El Supremo


Um congresso de capachos deu hoje ao coronel "bolivariano" Hugo Chávez poderes ilimitados por um ano e meio. Alguns chamam isto de "soberania popular". Outros, ainda mais tolos, dizem que se trata do "socialismo do século XXI". Nada disso, é apenas tirania. Hitler teve menos colher de chá.

E depois querem que a gente leve a Cucaracholândia a sério.

Passa a borracha!

Os otimistas


O World Question Center, da Fundação Edge, perguntou a intelectuais se tinham alguma razão para otimismo no futuro e em relação a quê. Alguns, razoavelmente conhecidos por aqui, já com livros traduzidos, responderam positivamente. Na verdade, fazem exercícios de imaginação, assumindo posições filosóficas, embora diversos sejam cientistas.

O filósofo Daniel Dennett, do Centro de Estudos Cognitivos da Universidade Tufts, nos EUA (e autor do livro Quebrando o encanto, já anunciado aqui na seção Livros), espera ver nas próximas décadas o esvaziamento do poder místico das religiões, que tomarão outros rumos. A propósito, porém, vale recordar Freud, que no início do século passado, em O futuro de uma ilusão, já previa o fim dessas crenças dogmáticas. Deu no que deu. Tome-se seita por tudo quanto é lado.

O psicólogo Steven Pinker (foto), professor na Universidade Harvard - cujo livro Tábula rasa também já foi anunciado aqui -, acredita no declínio da violência, lembrando episódios de tortura, barbarismo e execuções públicas no passado, que não teriam lugar no futuro. Otimismo excessivo. Se Pinker, um autor instigante, residisse por alguns anos na Cucaracholândia, especialmente no Bananão, onde ocorrem 50 mil mortes violentas por ano, não seria tão otimista.

Aqui, um jornalista da principal rede de TV do país foi torturado e queimado, ônibus são incendiados e os passageiros (crianças inclusive), impedidos de sair. E jovens são chacinados por narcotraficantes em praça pública. Não há mais execução pública por parte do Estado, porque, à diferença da situação nos séculos passados, não é o Estado o executor, mas o absoluto ausente, deixando os cidadãos desprotegidos apesar de impostos rapineiros.

De forma que recomendo a Pinker, um autor que prezo:

- Vem para a Cucaracholândia, vem!

P.S.: de minha parte, acho que o ser humano não é naturalmente racional, mas, como dizia o velho e bom Kant, apenas "racionável" (o termo é do falecido G. Lebrun).

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Teoria da jabuticaba


O diplomata Paulo Roberto de Almeida critica, com razão, a introdução de disciplinas como "estudos afro-brasileiros" nas escolas do país. Diz ele:

o ensino de temas afrobrasileiros, assim como a obrigatoriedade do aprendizado do espanhol como língua estrangeira nos currículos das escolas brasileiras, de ciclo fundamental e médio, constituem dois notáveis exemplos do que eu chamo "teoria da jabuticaba", ou seja, peculiaridades brasileiras que em nada ajudam na resolução dos grandes problemas nacionais, acabam criando outros e ainda induzem a despesas adicionais que contribuem para o agravamento do quadro fiscal, já por si precário, do Estado brasileiro. (Leia no Diplomatizzando).

Trata-se de mais uma sandice, considerando-se que o Bananão foi povoado por gente de todos os continentes. Pergunto: onde é que a louríssima Blumenau vai conseguir um Fritz ou uma Frida para ministrar aulas sobre a cultura africana?

(Na foto, a exclusividade nacional).

Já era

E o Fórum Social Mundial bateu as botas. Nunca teve clareza sobre nada. Em todos esses anos, apenas promoveu gritaria contra o "imperialismo", o capitalismo, a globalização etc. Lamentável tentativa dos velhos esquerdistas de passarem para a juventude suas fracassadas utopias. Em suma, um festival de velhas idéias. Já vai tarde.

Na Folha: A edição do Fórum Social Mundial de 2007, no Quênia, mostrou que o movimento foi parar no divã. Os manifestantes questionaram seu modelo de mobilização. No ano que vem, pela primeira vez desde a sua criação, o evento não será realizado nos moldes que teve até aqui (com uma sede global, ou três, como ocorreu no ano passado). Haverá manifestações espalhadas pelo mundo nos dias em que acontece o Fórum Econômico de Davos. No final de semana, o Conselho Internacional do Fórum Social decidiu criar um guia para as cidades que quiserem receber futuras edições do evento. O manual irá ajudar os organizadores dos futuros fóruns a não repetir alguns erros. No Quênia, participantes locais questionaram o preço das inscrições, o custo da alimentação e a pouca informação dos moradores sobre o evento. O guia, que será feito por parte dos membros do conselho, também incluirá informações sobre patrocínio e relações com governos e partidos locais. O manual servirá para a edição de 2009, quando o evento deve retomar a forma atual. Salvador é a cidade favorita a recebê-lo, mas a decisão final só deve sair em junho.

A charge do Sponholz

Sponholz, sempre no alvo!

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

O "outro mundo" de Frei Betto

Do gourmet e assessor "espiritual" de Lula, entusiasta da ditadura castrista, sobre o idolatrado Fidel Castro:

Um líder carismático que provou, na prática, que uma nação pode viver com dignidade fora do sistema capitalista, sem vínculos com o FMI e sem abraçar a economia de mercado. Enfim, Cuba é a prova de que um outro mundo é possível, sobretudo se não for asfixiado pelo bloqueio da Casa Branca, como hoje ocorre a Cuba. (Leia mais).

Sem comentários...

Update: aliás, há pouco tempo fiz um post sobre "Quem bloqueia Cuba?"

Templo bolivariano


Não resisti. Surrupiei lá do De Gustibus, que, por sua vez, surrupiou do Rantings of a Sandmonkey. Mais um pouco, e veremos algumas igrejas assim ilustradas, sob as bênçãos de Frei Betto, o assessor "espiritual" do Pequeno Timoneiro. Arriba, Latinoamérica!

Charlatanismo


Cadeia para eles!

O jornalista britânico John Diamond (foto), nascido em 1953, publicou Snake Oil and Other Preoccupations (que podemos traduzir como Beberagens e outras preocupações) pouco antes de morrer de câncer, em 2001.

Escreveu ele:

Já experimentou cartilagem de lula? Os médicos do establishment zombam dela, é claro, mas minha tia ainda está viva graças à cartilagem de lula, dois anos depois de seu oncologista ter-lhe dado apenas seis meses de vida (bem, sim, já que você quer saber, ela também faz radioterapia). Ou então, existe aquele curandeiro maravilhoso que pratica a imposição dos pés, com resultados espantosos. Ao que parece, é só uma questão de sintonizar suas energias holísticas (ou seriam holográficas?) com as frequëncias naturais das vibrações cósmicas orgânicas (ou seriam orgônicas?). Você não tem nada a perder, pode muito bem tentar. São 500 libras por tratamento, mas, o que é o dinheiro, quando a sua vida está em jogo?

Como se vê, a picaretagem é universal. O que merecem os picaretas aqui no Bananão, muitos deles se valendo de religiões e Ongs?

Desculpem, mas eu mesmo respondo: cadeia de segurança máxima. Bandidos desse tipo são abundantes no interior do Brasil.

domingo, 28 de janeiro de 2007

O garanhão cucaracho

Miren, latinas!

E a repórter Carolina Vila-Nova, da Folhona, nos apresenta o cocaleiro-presidente boliviano Evo Morales como garanhão, o queridinho das mulheres. Faltou dizer de onde, excetuando-se a Bolívia de mulheres de touca e andrajos. Não imagino alguma mulher civilizada caindo de amores por esse índio de araque e marqueteiro (Reinaldo tem razão, nem índio ele é). Mas, nunca se sabe, o exotismo sempre atrai: que tal ter um rebento "indiozinho"?

Surrupio da Folha:

Ele é um dos segredos de Estado mais bem guardados nos corredores do Palácio Quemado: um assessor especial, encarregado de manter na surdina e -sobretudo longe de seus adversários- os encontros passionais de Evo Morales. A "revelação" está em "Un tal Evo", biografia não-autorizada do presidente boliviano, lançada no último dia 17 na Bolívia e no Chile e sem previsão de publicação no Brasil.Esse "anjo da guarda de Evo, que é seu cafetão oficial, uma espécie de ministro de saias invisível" não tem a função de achar amantes para o presidente, esclarecem os autores Darwin Pinto e Roberto Navia.Até porque, contam os dois jornalistas, Morales "sabe utilizar seu "sexapil" [sic] presidencial e suas exóticas feições de indígena rústico para enlouquecer as mulheres -que desabam, indefesas, contra seu peito poderoso". "Muitas mulheres o consideram simpático e admiram seu porte viril de homem dos altiplanos, acham que ele tem pernas de Ronaldinho e largos ombros de amante do Primeiro Mundo", relata um ex-assessor de Morales no capítulo "Las Evas del Evo"."Un tal Evo" não se detém na vida sentimental do presidente boliviano. Mostra um homem que teve a habilidade de se construir, um ególatra frio e pouco sentimental, mas que não deixa de pedir a bênção dos pais mortos para suas decisões como mandatário.Com uma linguagem às vezes dura, às vezes chula, eivada de ironia, o livro traz diversas anedotas sobre a vida de Morales da infância à Presidência -como a história da famosa "chompa" com que rodou o mundo.O livro conta que a família de Morales era tão necessitada que as crianças nem sabiam o dia de seus aniversários. "Quiçá a única vez que Evo recebeu um presente digno de menção foi no dia 26 de outubro de 2005, quando uma amiga lhe deu a "chompa" listrada que Evo fez famosa na sua tour européia antes de tomar posse. A única coisa que conseguiu ofuscar Evo alguma vez foi a bendita "chompa", coisa que nem Chávez, Lula ou o príncipe da Espanha conseguiram.""Golpeado pela miséria""Morales é um tipo golpeado pela miséria de sua raça e pelas necessidades que sofre seu povo há tantos séculos", disse à Folha Darwin Pinto, do jornal "El Deber", de Santa Cruz. "Resulta de todas as suas circunstâncias de misérias vividas.""Mas seu afã de revanche pode levá-lo a se tornar um ditador. Ele crê que tem o direito de reivindicar seu povo por mais que isso signifique atropelar os mestiços brancóides que vivem na outra metade da Bolívia. É um homem conseqüente, mas capaz de tudo para impor o modelo de país que ele quer."Em um de seus capítulos mais contundentes, o livro remonta ao Chapare no início dos anos 80, em plena ditadura de Luís García Mesa, para falar do momento que atraiu Morales para a vida sindical e, a partir daí, política. "Esse cocaleiro foi assassinado de forma selvagem pelos militares do governo de García Meza, quando o espancaram brutalmente porque não queria se declarar culpado de narcotráfico. Então, lhe jogaram gasolina por todo o corpo e, sob os olhares de vários colonos, o queimaram vivo."Pinto conta que o livro sofreu uma quase censura na Bolívia tanto pelo governo quanto pela oposição. "Pediu-se publicamente para não ler o livro, antes mesmo que ele fosse publicado. Na Bolívia, ou estás com Evo ou contra Evo. As massas não entendem que ainda haja militantes do senso comum."

O jornalismo bananeiro gosta de historinhas assim. E nada como uma repórter para contá-las. Com sabor de "esquerda", então...

Ai, que ternura!

Update.: antes que tenha de recorrer novamente à mítica Santa Joaninha dos Preconceituosos e Politicamente Incorretos, deixo claro que, quando falei em "mulheres civilizadas", quis dizer: as mulheres que usufruem da plenitude da vida civil. Longe de mim insinuar que as pobres bolivianas não pertencem à Civilização. Mea culpa, mea culpa...

sábado, 27 de janeiro de 2007

Ficção científica?




Chamam de ficção científica, mas não passa de divulgação de crendices e pseudociências. Tente ver "ET", "Homens de preto", "Independence Day" etc. Ainda que os envolvidos na fabricação disso chamem a coisa de "imaginação", "criação" e bobagens semelhantes, o que fazem é menosprezar a tigrada - e sabem que às vezes faturam alto às custas de sua ingenuidade e ignorância. Quanto mais irracional, melhor.

O biólogo Richard Dawkins teceu argumento interessante sobre o problema 10 anos atrás:

As novelas, seriados policiais e similares são justificadamente criticados quando, semana após semana, impingem um mesmo preconceito ou prevenção. Toda semana, o Arquivo X apresenta um mistério e oferece dois tipos rivais de explicação, a teoria racional e a teoria paranormal. E, semana após semana, a explicação racional sai perdendo. Mas é apenas ficção, é só um pouco de diversão, portanto, por que nos irritarmos tanto?

Imaginemos um seriado policial em que houvesse, toda semana, um suspeito branco e um suspeito negro. E no qual, toda semana, o negro se revelasse culpado. Imperdoável, é claro. O que quero frisar é que não se poderia defendê-lo dizendo: "Mas é apenas ficção, é só um divertimento."

Pergunta incômoda, seguindo essa linha de raciocínio: o que dizer da edulcoração da marginalidade, da criminalidade e do homossexualismo no cinema (aqui no Bananão, principalmente)? É só ficção, diversão ou é propaganda mesmo?

Já vou correndo pegar a armadura. "Santa Joaninha dos Reacionários, Preconceituosos e Politicamente Incorretos", socorrei-me...

Não dá para elogiar...

Antiamericanismo, a bandeira cucaracha.

Fiz força para elogiar Lula pelo menos uma vez, mas não dá. Acabo de ler no jornal que ele disse uma coisa certa em Davos, recomendando aos colegas latino-americanos que parem de "chorar miséria" e culpar os outros pelos nossos problemas. Mas, logo depois, voltou ao normal, defendendo o tirano Hugo Chávez e seu pupilo Evo Morales, inclusive as estatizações feitas por este último, em detrimento de interesses brasileiros.

Faltou ao Pequeno Timoneiro condenar o antiamericanismo de seus colegas, que culpam os Estados Unidos por todos os males do mundo. Mas isto ele é incapaz de fazer, talvez porque partilhe tais idéias retrógradas.

Basta lembrar que foram antiamericanas as três maldições do século XX: o nazismo, o fascismo e o comunismo.

A bandeira agora está nas mãos da "idiotia latino-americana", com aplausos entusiasmados aqui no Bananão.

P.S.: bem, devo reconhecer que a bandeira contra o "Grande Satã" também é disputada pela ditadura teocrática dos aiatolás iranianos. Mas, tudo em casa: Ahmadinejad é amigo do peito do coronel "bolivariano."

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

Eles estão entre nós


Vou fugir um pouco da política, para não pedir saquinhos. Mas, preparem-se, serei ainda mais cruel. Acabo de ver no noticiário da TV local que o ex-marido de uma mulher amarrou-a na cama com uma cinta e ateou fogo na casa. O hediondo crime aconteceu na Grande Florianópolis (aqui no "sul maravilha", portanto). O animal tem 22 anos e a mulher, 19. A filhota de dois anos conseguiu sair da casa (a mulher escapou também, mas com graves queimaduras).

Isto é relativamente comum no país inteiro (ou talvez no planeta - quase escrevi: "quiçá"). Os sujeitos são tidos (e assistidos) como seres humanos, mas há algo errado aí. Parodiando o bom e velho filósofo Kant, que dizia que o homem não é racional, mas "racionável", podemos dizer que a espécie é humanizável, mas não universalmente humana. Estou querendo insinuar, malevolamente, que não somos todos humanos. Uhhh...

Lembro de Darwin todos os dias, é só sair às ruas (às vezes, basta me olhar no espelho). Não precisaria ter lido a "Origem" para ver que dividimos com os macacos um ancestral comum. Repito: somos apenas racionáveis e humanizáveis. Uns mais, outros menos.

Tudo isto para concluir o seguinte: se um sujeito que toca fogo na família é humano, eu não sou humano - sou de outra Galáxia, obrigado.

P.S.: os hominídeos desapareceram ou estão entre nós, integrados no nosso genoma e na nossa cultura? Não vou culpar algum Neanderthal pelo que acontece hoje, mas estou pouco satisfeito com as explicações antropológicas e sociológicas para certos atos qualificados como "humanos" e apenas socialmente desviantes...

(Acima, reconstrução do Homo Ergaster; ver o atelier Elizabeth Daynes).

Religiões



Para pensar...

Aqueles para os quais a palavra dele foi revelada estavam sempre sozinhos em algum lugar remoto, como Moisés. Também não havia ninguém por perto quando Maomé recebeu a palavra. O mórmon Joseph Smith e a cientista cristã Mary Baker Eddy tinham audiências exclusivas com Deus. Temos de confiar neles como repórteres - e você sabe como são os repórteres. Eles fazem qualquer coisa por uma matéria.

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O papa, tradicionalmente, reza pela paz toda Páscoa, e o fato de nunca ter havido qualquer efeito em evitar ou terminar uma guerra jamais o impediu de fazê-lo. O que será que se passa na cabeça do papa sobre ser rejeitado o tempo todo? Será que Deus tem raiva dele?
A. Rooney, Sincerely, Andy Rooney, Nova York, Public Affais, 1999.
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P.S.: veja Rooney aqui.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Tango, samba? É irrelevante...

De Clóvis Rossi, freguês/repórter de carteirinha do Fórum Econômico Mundial:

Os encontros anuais do Fórum Econômico Mundial começam, tradicionalmente, com uma sessão matinal de atualização sobre a economia mundial. Este ano, agregaram-se atualizações regionais, entre elas sobre a América Latina.Azar da América Latina: ninguém tocou no nome dela ou de qualquer um de seus países, nem o Brasil, na sessão global, carregada de euforia sobre a economia mundial. Em contrapartida, no debate sobre a América Latina, tocou-se um melancólico tango argentino, com críticas ao crescimento "medíocre" da região. Como a América Latina cresceu, no ano passado, 5,3%, não se fizeram necessárias observações sobre o desempenho do Brasil, mais ou menos a metade dessa "mediocridade".

Conclusão: a Cucaracholândia é absolutamente irrelevante. Os tangueiros, que Rossi menciona, pelo menos dançam melhor. Nosso monocórdio samba lulo-petista, que já se embala para a eterna mesmice do carnaval, ao som dos bicheiros e do narcotráfico, não tem a mínima expressão fora do Acampamento.

Rebola, rebola, povão, mas deixa a comissão de frente passar!

O bom ladrão










A Folhona de hoje anuncia que o livro sobre a (desastrosa) passagem do comissário José Dirceu pelo Planalto, escrito pelo castrista Fernando Morais, não vai mais sair. Alguém furtou os originais...

Bene, um livro chapa-branca a menos. Desta vez, estou com o ladrão.

Com aproximadamente 300 páginas e já em fase de edição, o relato sobre a passagem do ex-deputado José Dirceu, 60, pelo Palácio do Planalto, que era escrito em parceria com o jornalista Fernando Morais, 60, não chegará às livrarias.O autor informou que os originais, contidos em seu computador, foram furtados de sua casa de praia no Guarujá (SP) e que, por esse motivo, o projeto "acabou".O incidente só veio à tona agora, meses após a ação dos criminosos, cuja data nem a polícia nem Morais souberam precisar. "Deve ter sido em fevereiro ou março do ano passado", contou o escritor.A história do furto foi confirmada, por e-mail, pelo ex-ministro, que não quis falar sobre o assunto. Segundo Morais, além do computador, foram furtados uma caixa de charutos e um taco de beisebol autografado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Dias depois, os objetos foram encontrados num terreno na praia da Enseada, segundo a polícia -mas, no computador, havia sido retirada a memória da máquina."Alguma coisa consegui salvar, porque estava guardada em cartuchos de filmes que gravamos em Cuba, mas os depoimentos estavam gravados lá", disse Morais. O investigador da Polícia Civil do Guarujá Paulo Carvalhal, 40, que disse ter trabalhado na ação, relatou que um suspeito chegou a ser detido.Em um primeiro contato, Morais afirmou não possuir cópia do material, ao qual nem mesmo Dirceu tivera acesso. Dias depois, em entrevista ao jornal "Correio Braziliense", disse que o ex-deputado estava "com os originais para publicar quando quiser".À Folha Morais explicou que o ex-ministro tinha em mãos um material bruto, não o editado -e que este estava apenas no computador. "[Quando Dirceu soube] Teve uma reação de espanto. Se aparecer, eu devolvo e ele decide se publica", disse Morais.O livro, que seria intitulado "Trinta Meses", começou a ser idealizado logo após o petista ter os direitos políticos cassados pelo plenário da Câmara, em novembro de 2005. Hoje Dirceu, chamado de "homem forte" do presidente Lula até ter o nome envolvido nos escândalos Waldomiro Diniz e do mensalão -que resultaram em seu afastamento, em junho de 2005- tenta reaver seus direitos políticos, cassados até 2015, no STF e via anistia pela Câmara.
P.S.: muito obrigado ao bravo Sponholz, que acaba de me presentear com esta magnífica charge - na tampa!

Filosofia com clareza


De volta. E chamando a atenção para a página de um jovem filósofo inglês, que escreveu bons livros de introdução à filosofia: Nigel Warburton. Meus alunos já o conhecem pela obra Elementos básicos de filosofia. Sucinta, clara e objetiva, deveria substituir nas escolas o pachorrento Convite à filosofia, da filósofa da corte Marilena Chauí, onde abunda a história da filosofia, sempre com viés marxista.

Warburton, ao contrário, parte de conceitos e problemas, socorrendo-se na história da filosofia só quando necessário para esclarecê-los. Diz ele próprio: "apesar de o estudo da história da filosofia ser muito importante, o meu objetivo (...) é oferecer ao leitor instrumentos para pensar por si próprio sobre temas filosóficos, em vez de ser apenas capaz de explicar o que algumas grandes figuras do passado pensaram acerca dos temas."

Não segue esta linha a filosofia ensinada no Brasil, que se perde nos aspectos históricos, passando ao largo das questões que atingem, na vida diária, qualquer cidadão, tenha ele ou não interesse filosófico. Isto significa que temos muito a aprender com a filosofia anglo-saxônica, particularmente a da Inglaterra. Nesse meio, dificilmente você encontrará algum desbundado pós-moderno, figura pródiga no continente europeu.

Bom, mas isto aqui não é uma resenha. O objetivo é apenas indicar o blog de Warburton, Virtual philosopher. Lá você tem acesso a vários artigos do filósofo e a informações detalhadas sobre seus livros. É coisa que não podemos esperar de estrelas da filosofia bananeira, a exemplo da citada Chauí e de José Arthur Giannotti, que fogem da internet como o gato foge da água.

Aliás, dá para contar nos dedos os professores de filosofia que mantêm algum blog por aqui. Internet exige clareza, afastando os que preferem verter seus elucubrações em linguagem obscura. Não à-toa, encabeça a página de Warburton uma frase de John Searle: se você não consegue dizer dizer as coisas claramente, é porque você próprio não as entendeu.

Boa leitura.

P.S: do citado livro de Warburton, há uma tradução portuguesa, lançada pela Gradiva, de Lisboa, em 1988.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Problem.blosgspot.com

Fazer o quê? É de graça...

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Alles Blau !


Já tinha alguma simpatia por Bento XVI por ser ele um Papa filósofo e não sair por aí beijando tudo quanto é chão, como fazia o falecido Papa atleta (papa isso, papa aquilo - construção meio esquisita, não?). Para um agnóstico como eu, já era simpatia demais, mas eis que a coisa agora virou admiração. Fiquei sabendo que o Santo Padre, como bom alemão, gosta de uma cervejinha.

A visita ao Brasil, segundo dizem, deve incluir Blumenau no roteiro. Quem sabe, Bento poderá dar uma esticadinha no Bar do Horácio (de cujo blog, aliás, surrupiei a foto) para entornar uns abençoados canequinhos.


Enfim, Habemus Papam...

P.S.: minha filha simpatiza com ele por causa da carinha de Gremlin...

Picaretagem


Não, desta vez não se trata de assuntos de política ou governo. Tem a ver com um livro que será lançado pela Record, nas próximas semanas, cujo título é Como a picaretagem conquistou o mundo. O autor é o escritor e jornalista Francis Wheen, do londrino The Guardian, que já publicou também uma biografia do velho barbudo Karl Marx. O livro (título original: How mumbo jumbo conquered the world) já foi definido como "um magnífico ataque à estupidez contemporânea".

Diz o release da editora: "Em 1979, dois eventos marcariam profundamente os 25 anos seguintes. AI nglaterra, em um período de extremo consenso político, dava espaço à chegada de Margaret Thatcher ao poder - um governo cuja principal ambição era trazer à sociedade os "valores vitorianos". No Irã, o clérigo fundamentalista, o aiatolá Ruhollah Khomeini, começava a restauração de um regime que já não existia há pelo menos 1.300 anos. Em 1989, Francis Fukuyama declarou que havíamos chegado ao fim da História. E o que preencheu o lugar recentemente deixado pelas noções de história, progresso e razão? Cultos, charlatães, gurus, pânico irracional, confusão moral e uma epidemia de picaretagem. A modernidade foi desafiada por uma terrível aliança de pré e pós-modernistas, teocratas medievais e místicos. Como se o Iluminismo nunca tivesse acontecido. Em Como a picaretagem conquistou o mundo, Francis Wheen evoca as personagens-chave de uma era pós-política - incluindo a princesa Diana,Deepak Chopra, Osama Bin Laden - enquanto detalha a extraordinária intensificação da crença em superstições e da histeria no último quarto do século XX. Do medo de extraterrestres à compulsão pela internet, o autor descreve de forma hilariante o período na história do mundo em que tudo começa a parar de fazer sentido."

O título da tradução brasileira é adequado: picareta (pré ou pós-moderno) é o que não falta por aqui.

Bene, não ficarei descontente se alguém me der o livro de presente...

Carta menor

Crases são como moscas

Estava eu flanando pela internet, de saco cheio com pacotes marqueteiros, repercutidos intensamente pela imprensa, quando...KABONG!!! O estouro me conduziu ao site que não visitava há séculos, a agência chapa-branca Carta Maior, fonte permanente de sarcasmo. Sei que lá sempre encontro pérolas, principalmente nos "escritos" de um dos dirigentes da coisa, o stalinista Emir Sader. Foi só bater o olho e ver o vernáculo ser massacrado. Chamadinha para o blog do sociólogo carioca:

Para quem não conhece, a América Latina traz sempre surpresas. O que acontece hoje na Venezuela, na Bolívia e no Equador, pega desprevenida à direita (SIC) ,que detesta a América Latina e que revela particular ignorância sobre o tema.

Com essa turma é assim: crase é como mosca, pousa aqui e ali, sem pedir licença. Lá dentro do blog do doutor Emir, talvez os revisores já tenham feito seu estafante trabalho. Não fui verificar...

P.S.: corram - alguém pode alertar...

Pra não dizer que não falei do PAC

O PAC, como todos sabem, é o Plano de Aceleração Econômica deste segundo governo-tartaruga que deixou o país na rabeira do crescimento econômico, perdendo para toda a vizinhança. Desculpem o pessimismo, mas é apenas mais um slogan (o lulo-petismo é bom de marketing). E, cá pra nós, pacotão que fala até em "inclusão digital" invade a área da proctologia. As classes médias que se preparem para bancar mais quatro anos desse charlatanismo.

A Bruxa Dilma mexe o caldeirão, como mostra Sponholz. E uma coisa é certa: os banqueiros é que não provar desta poção amarga.


P.S.: com o amigo Sponholz espero tomar um chopp lá em Blumenau, no Bar do Horácio...

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Urnas sob suspeita. De novo.

A coisa só virou escândalo agora porque a Veja desta semana publicou matéria sobre as denúncias de fraude em Alagoas. Mas o fato é que, desde o ano passado, alguns blogs (entre os quais este e o Jus Sperniandi, do desembargador Ilton Dellandréa) levantavam questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas, com base em relatórios de especialistas em engenharia e informática (nada de opiniões de sociólogos, cientistas políticos e que tais). O Deu no Jornal foi ao ponto: leiam lá.

Pois bem, apenas agora, igualmente, o TSE se mexeu para pedir uma perícia.

Fica a dúvida: será que os problemas aconteceram somente em Alagoas? Só lá é que as urnas se revelaram frágeis?

De minha parte, comprovada a fraude, as eleições brasileiras estarão sob suspeição em todos os níveis.

(Leia aqui o relatório).

Bate mais, Chávez!

Chávez esteve aqui, pintou e bordou e cuspiu na imprensa brasileira. Mas, no meio jornalístico, há quem ache exagero criticar o tirano que oprime a imprensa em seu país. Ah, isso é coisa da "direita furibunda". Vejam o que diz o articulista Fernando de Barros e Silva, na Folhona de hoje:

Chávez não é, como ele mesmo brincou, "uma florzinha", mas o antichavismo em curso não parece menos caricato e regressivo. Há muita incompreensão, há exageros "antibolivarianos" e há, em certos casos, uma histeria que sugere a reedição do CCC - sempre em nome da democracia. Mais uma vez, a omissão e o silêncio táticos da esquerda democrática abrem caminho para a direita furibunda.


O articulista não só absolve o coronel, mas atribui a culpa de tudo o que acontece ao... liberalismo(!).

Há muitas razões para supor que a epopéia bolivariana não vai acabar bem. Mas Chávez e seus discípulos -a Bolívia de Evo Morales e o Equador de Rafael Correa- não são como raio em dia de céu azul; são resultado de décadas de espoliação e de receitas liberais patrocinadas por elites que sempre deixaram os índios da terra a ver navios.

Esta é a imprensa que se considera avançada. Nada mais conservador, nada mais vesgo. Aqui no Bananão, onde ainda se apela a essa tosca dicotomia, a "esquerda" é, na verdade, a "direita". E dá-lhe aplausos para o neofascismo.

P.S.: releia "Esquerda, direita? Não, democracia" - e não esqueça de examinar o estudo citado no post abaixo.

Update: Michelle Bachelet, presidente do Chile, também esteve por aqui, mas nem sequer foi entrevistada. A imprensa correu atrás apenas dos burlescos cucarachos. Claro, eles são "de esquerda"...

Jornalismo e democracia na América Latina


Ensaio publicado pelo Centro para la Apertura y el Desarrollo de América Latina (Cadal, nos links fixos) indica que a situação ficou mais difícil para o jornalismo em 2006 em vários países da região. Segundo o documento, a bandidagem obriga a uma redefinição das próprias práticas jornalísticas em países como o México, a Colômbia e o Brasil.

Algumas conclusões: o México é o país que apresenta mais risco de vida para os jornalistas; o Brasil está sendo desafiado pelo PCC "e o jornalismo não poderá manter-se à margem"; o governo cubano acentua a repressão à imprensa para "proteger o processo sucessório"; e, na Venezuela, o coronel Chávez avança sobre a mídia privada, caminho que poderá ser seguido por Evo Morales na Bolívia.

As democracias chilena e uruguaia, por outro lado, têm uma tradição de respeito à liberdade de imprensa, mas ainda contam com legislações restritivas, enquanto a Argentina não dispõe de legislação repressiva, mas aumenta as "práticas de mordaça".

Leia o estudo "Indicadores de periodismo y democracia a nivel local en América Latina", de Fernando Javier Ruiz.

domingo, 21 de janeiro de 2007

Lulismo vs inteligência

Entrevistado por Diogo Mainardi, o blogueiro Ruy Goiaba, do Puragoiaba, foi na couve: não há vida inteligente no bloguismo lulista. É mais fácil encontrar cabeça de bacalhau e assistir enterro de anão do que juntar lulismo e inteligência na blogosfera (e não só nela, claro). A incompatibilidade é absoluta.

Querem prova? Então vão ao blog do professor doutor sociólogo Emir Sader - aquele que organizou uma Enciclopédia cucaracha sob patrocínio de estatais e escreve "Getulho" Vargas assim, com lh. Aliás, o stalinista carioca costuma "expoliar" o idioma nos, ahn, artigos que perpetra.

Ou, então, procurem vestígios de fina inteligência no blog do comissário Dirceu, que deve ter um bando de pelegos para escrever "seus" posts.

Lulistas sabem mesmo é esculhambar os blogs alheios. São antiintelectualistas como o chefe.

Há inteligência, são contra.

Oposição? Só na internet.

É o "socialismo do século XXI"

Nos "democráticos" territórios da Cucaracholândia, as manifestações de oposição e protesto se reduzem cada vez mais à internet. É o caso da Venezuela bolivariana, segundo matéria publicada na Folha de hoje (do enviado especial a Caracas, Fabiano Maisonnave). A classe média, que representa apenas 16 por cento da população, já pretende emigrar. Afinal, quem consegue suportar o neofascismo que se autoproclama "socialismo do século XXI"?

E por que os opositores não vão mais às ruas? O repórter não diz, mas a resposta é evidente: medo de espancamentos e tiros por parte das milícias chavistas. Protestar nas ruas é correr risco de vida.

Bastião da militância antichavista, a classe média venezuelana não atendeu até agora aos pedidos do principal líder opositor, Manuel Rosales, para fazer uma "grande mobilização" contra os recentes anúncios de nacionalização e de concentração de poder feitos pelo presidente Hugo Chávez.Em vez das ruas, a concentração está em sites, onde, sem rumo, os antichavistas expiam a última derrota eleitoral, especulam sobre o "socialismo do século 21" e sonham em emigrar do país. A classe média representa cerca de 16% da população, estimada em 26 milhões. Se os oposicionistas chegaram a lotar comícios e manifestações em locais públicos de Caracas, como a praça Altamira e a autopista Francisco Fajardo, hoje eles se escondem sob pseudônimos no noticierodigital.com, o maior site de discussões da Venezuela. (Assinantes).

sábado, 20 de janeiro de 2007

Cucarachas desbundam no Rio


Tirano fanfarrão pinta e borda. E o neofascismo é aplaudido no Acampamento.

O coronelzão golpista da Venezuela, Hugo Chávez, com aquele jeito de caudilho arrogante e fanfarrão típico da Cucaracholândia (argh!), foi homenageado no Rio de Janeiro (Delenda Rio!) por políticos que merecem a execração pública. Sentindo-se em casa, atacou o jornal O Globo na própria tribuna da Assembléia do RJ.

O ditador não tolera críticas no seu curral, onde oprime a imprensa e está fechando a mais antiga rede de televisão do país porque ousa fazer jornalismo e não submeter-se ao coturno oficial.

É incrível que esta personagem farsesca seja bem recebida no Bananão e faça o que bem entende, sem qualquer reprimenda. Não fosse isto aqui um Acampamento, o ditador venezuelano seria considerado persona non grata.

De minha parte, desta vez vou pedir dois saquinhos: um em "homenagem" ao valentão Chávez, outro dedicado a seu pupilo Evo Morales.

Os exilados da era Lula


A data de hoje, 20 de janeiro, marca os cinco anos do desaparecimento do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, seqüestrado em circunstâncias estranhas numa rua de São Paulo ao sair de uma churrascaria com um amigo (o "Sombra"), e torturado e assassinado dias depois. Para manter vivo o caso, ainda envolto em mistério, Shirlei Horta criou um blog em que juntará material sobre o tema e colaborações dos cidadãos interessados na apuração e esclarecimento desse assassinato.

Como lembra o
Blog do Deu no Jornal, há duas teses conflitantes sobre o caso: as investigações da Polícia Civil de Santo André concluíram que se tratou de crime comum; já o Ministério Público de SP sustenta que o assassinato teve motivação política, uma vez que Celso Daniel teria se rebelado contra um esquema de corrupção política instalado na prefeitura.

A gigantesca rede de corrupção montada, logo depois, naquilo que o país estarrecido conheceu como "valerioduto", levantaria suspeitas ainda maiores sobre os motivos e circunstâncias da morte do ex-prefeito. E mais suspeitas vieram com a estranha morte de testemunhas do crime, agravadas com o desaparecimento, igualmente, do legista que constatou marcas de tortura no cadáver de Daniel.

Foi tudo acaso, mera coincidência?

O fato é que Celso Daniel não era apenas um ex-prefeito interiorano: seria o coordenador da campanha de Lula à presidência da República e, vivo fosse, certamente teria ocupado um lugar de destaque no governo. A quem interessaria seu desaparecimento? É esta a pergunta que o país ainda se faz.

Numa república que merecesse o nome, não pairariam dúvidas sobre esta sucessão de crimes, nem a investigação sofreria embaraços. Mas o que se viu? O que se viu foi que os próprios familiares de Celso Daniel foram ameaçados, perseguidos, intimidados - e, sem amparo, muitos deles estão no exílio.
São os exilados da era lulo-petista.

Que este caso não fique em descaso.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Amazônia destruída? Nem tanto...

O ambientalismo radical não vai gostar, já que muitas ONGs vivem da cultura do medo. A turma da teoria da conspiração, também não. Em livro a ser publicado (A última floresta - a Amazônia na era da globalização), dois norte-americanos desfazem alguns mitos em relação à região. Como diz o jornalista Paulo Sotero, os apocalípticos ficarão chocados com a obra, "uma agradável combinação de aventura, reportagem e prescrição de políticas públicas." (Leia aqui).

Ladroeira medieval


Tentei pedir informações por telefone há pouco junto à Delegacia da Receita Federal, o monstro coletor que tira o sangue dos assalariados. A atendende de Florianópolis me informou que, por telefone, informações somente são prestadas das 9:15 às 11:15 da manhã. Pois bem, as informações de que necessito não existem no famigerado site receita.fazenda.gov. Resultado: devo ir à sede da receita. Ah, na Idade Média era melhor...

E depois ainda tem gente que reclama quando chamo isto aqui de Acampamento. Os truculentos coletores dos reis medievais, pelo menos, prestavam serviço em tempo integral, e talvez extorquissem menos (o governo acaba de anunciar que os cofres do imposto incharam ainda mais, em cima da pessoa física, isto é, das classes médias)

P.S.: a informação de que necessito é relativa a familiar doente que precisa fazer retificação (para que lhe seja devolvido, sabe lá quando, o que lhe foi surrupiado a mais).

O ataque dos Magníficos

Eles falam em "Universidade Nova"...

Huummm.... A coisa me lembra o "homem novo" do velho comunismo, que pretendia forjar uma humanidade voltada integralmente para o coletivo. Pois vai na mesma linha o que propõem os magníficos reitores das universidades federais - aqueles mesmos que, contrariando o decôro acadêmico, anunciaram apoio a Lula na última eleição - em manifesto pela "reestruturação do ensino superior" no Bananão.

O documento é tão longo quanto um discurso de Chávez - que até na extensão do blá-blá-blá substitui Fidel Castro. Tem cheiro de partidarização da universidade (uma instituição milenar, e bota milenar nisso!), falando apenas vagamente em desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Está mais preocupado com coisas assim:

....O modelo atual baseia-se em estruturas e formas de governança (acadêmica e administrativa) importadas de outros contextos sócio-econômico-culturais e teve seus defeitos agravados por reformas universitárias impostas nas décadas de 1960-1970, e por um período de abertura de mercado e desregulamentação da educação universitária, nos anos 1990.

E assim:

impõe-se a responsabilidade histórica de incorporar à sua missão um efetivo compromisso com a eqüidade, a paz e a justiça social .

Querem mais? Pois então vejam o ataque feito ao vestibular, que não é um sistema perfeito, mas garante a universalidade de acesso ao ensino superior gratuito:

...que o ingresso na educação superior se faz diretamente aos cursos profissionais através de um sistema de seleção pontual, pedagogicamente questionável e socialmente excludente, o Exame Vestibular, desenhado para selecionar alunos portadores de conhecimento (ou memorizadores de informações) excluindo valores e potenciais definidores da cultura universitária.

Não tenho dúvidas de que o coronel Hugo Chávez endossaria tal manifesto.

A propósito, reproduzo comentário feito pelo amigo Roberto Romano, em cujo blog se pode ler o calhamaço na íntegra:

Temos aí o Manifesto dos que, ainda nas últimas eleições, bajularam sem peias o Presidente da República, ignorando que seu cargo Magnífico exige respeito a todas as linhas políticas, ideológicas, religiosas, etnicas, etc dentro dos campi. Coronéis de seus professores, funcionários e estudantes, eles julgam-se donos das universidades, como o presidente julga-se dono do Brasil. O documento é redigido com lingua bárbara e ridícula (um novo desenho, governança, etc). E está claro que se trata de partidarizar a escolha dos dirigentes acadêmicos, nos moldes imperantes hoje no país. Eles dizem que suas universidades são obsoletas. Assim, confessam que nada fizeram para aperfeiçoar seu trabalho. Não! As Universidades paulistas, pelo menos elas, não são obsoletas. Elas produzem, não por acaso, a maioria dos trabalhos científicos, tecnológicos e humanísticos do Brasil. Não por acaso, são discriminadas negativamente por agências federais de fomento. A Unicamp é a primeira na linha, tratando-se de patentes, estando acima da Petrobrás. Nada existe de obsoleto nos campi paulistas. E eles são a-partidários e a-ideológicos e a-religiosos. E temos um orgulho: NENHUM, NENHUMZINHO MAGNÍFICO OU MAGNÍFICA NOSSA SE REBAIXOU AO PAPEL DE CABO ELEITORAL DO PRESIDENTE. VOLTAREI À CARGA, APÓS ESMIUÇAR O "MANIFESTO" DOS REITORES FEDERAIS. Aguardem!

P.S.: essa "universidade nova" tem cheiro de universidade apetralhada...

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Resquícios de ética

Sponholz matou, como sempre. Gustavo Fruet despontará? É um resto de esperança. Mas o PSDB precisa fazer limpeza na gaiola e torcer alguns pescoços de aves com bico deformado.
(Alô, alô, chargistas de cérebro lavado, aprendam!)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

De volta ao passado

O incentivo virou esmola

Um amigo que não via há tempos me contou curiosidades sobre a política assistencialista do governo. Disse ele que os "pobres" que recebem cesta básica, Bolsa Família ou outros badulaques da "revolução lulista" só trabalham quando a esmola acaba. Isto acontece em vários armazéns e mercadinhos dos bairros de Florianópolis. Trocando em miúdos: quando eles têm o que comer e beber, dão-se ao luxo de não voltar ao trabalho; gasto o esmolão oficial, aí voltam a pedir emprego. Eis a formação que o lulismo dá aos seus tão decantados pobres.

FHC fez melhor. Pelo menos, exigia alguma contrapartida: só recebia ajuda quem comprovasse manter os filhos na escola. O incentivo tucano virou esmola petista. Vamos que vamos, de volta ao patrimonialismo mais tosco. Com currais eleitorais e tudo.

E há quem chame isto de distribuição de renda.

UPDATE: sorria, banqueiro.

Acampamento sem rumo

Aqui tudo acaba no feijão com arroz

Décadas atrás, um dirigente partidário da ditadura indagou, estupefato: "Que país é este?" A pergunta virou tema de roqueiro, mas a resposta nunca foi explicitada cruamente: não é um país. Vivemos num Acampamento em que os políticos, com raras exceções, apenas se locupletam, independentemente de partidos, ideologias, credos etc. Tucanos e petistas, por exemplo, se consideram diferentes, mas onde está a diferença? Bom, concedo uma: o PSDB é menos agressivo que o PT em relação às instituições democráticas. Já é um distintivo apreciável, mas, e o resto? A pasmacenta economia bananeira que o diga.

Nossa "esquerda" jamais evoluiu: somos herdeiros do veio autoritário, o único que vingou por aqui. São "democratas" apenas domesticados: diante da mínima contrariedade, logo sentem vontade de chutar o balde. Nossos "liberais" não são autenticamente liberais: nas poucas vezes que exerceram o poder (de novo a ditadura), revelaram-se tão estatistas quanto os estatólatras mais empedernidos da esquerda e da direita. Liberdade, para eles, sempre se restringiu à liberdade na economia. Nenhuma atenção às liberdades civis e às liberdades políticas. Liberais de araque, portanto. Há os novos por aí, cultos e bem informados, mas suspeito que tenham mais pendor também para o economicismo.

Bene, é isto: a "esquerda" é herdeira das velhas idéias comunistas enterradas pela história; os "liberais" são liberais seletivos. E os otimistas ainda acham que o Acampamento tem futuro, isto é, ainda virará de fato um país...

O anti-blog

Não costumo fazer post sobre comentários dos leitores, mas um anônimo aconselhou, em comentário no post abaixo, que eu e os participantes do blog abandonemos o que ele chama de "especulação" para ir à "ação". Está na cara que blog, para ele, não é nada (mas ele lê, sei, sei). Com pretensos elogios, pretende calar a boca de todos. E diz esperar que a minha prática seja "tão afiada" quanto a teoria.

Respondo-lhe, indômito anônimo: exercito meu pensamento diariamente diante de alunos (quase todos ensaboados e lavados na doutrina "politicamente correta" que passa por educação aqui no Acampamento). Que digam eles se sou ou não "afiado" - garanto-lhe que incomodo tanto quanto aqui. Incomodar é agir, não apenas especular. Escrever e criticar, para mim, não é ato inócuo. Se assim fosse, não teria a média de 300 leitores por dia, gente também crítica (é mais que o contato, reconheço, que um bom deputado ou governante deveria ter com seus eleitores, não acha?).

O nobre comentador se diz "farto de intolerâncias e escárnio". Ora, fartos estamos nós, faça o favor. No mais, sugiro que o distinto anônimo vá morar em Caracas ou La Paz. Lá a turma não "especula", mas "age".

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Imposturas bananeiras



O Bananão é o país da impostura política. O governo não governa e oposição não se opõe. Comportamento farsesco tem sido abundante na história política brasileira, independentemente de épocas e de partidos, mas o PT e o PSDB se esmeraram em agravar essa nefasta caracterísica. Dos próceres desses dois aglomerados, ambos herdeiros da ditadura - e que juntos estiveram por longo tempo -, um falou e não cumpriu, outro escreveu e também não cumpriu. Mero flatus vocis. Gostam mesmo é do poder pelo poder.

Só para lembrar, FHC, o príncipe dos sociólogos, escreveu um livro que formou gerações na Cucaracholândia: Dependência e desenvolvimento na América Latina. A obra, escrita nos famigerados anos 70 com o chileno Enzo Faletto, concluía com a seguinte crença, que seguramente contribuiu para engendrar a forma mentis do lulo-petismo e do que vagamente se chama de "esquerda":

A batalha efetiva (...) é entre o elitismo tecnocrático e uma visão do processo formativo de uma sociedade industrial de massa que pode oferecer o que é popular como especificamente nacional e que consegue transformar a exigência de uma economia mais desenvolvida e de uma sociedade democrática num estado que expressa a vitalidade de forças verdadeiramente populares, capazes de procurar formas socialistas para a organização social do futuro.

Podem dizer que FHC mudou, e aceito, mas não saiu do farsesco que marca a política brasileira. Até hoje, não acredito que haveria Lula sem ele. E não vejo como estadista um homem que titubeou até o último momento na eleição presidencial passada, abrindo a boca somente quando tudo já se tinha perdido na bacia das almas. Assim como não acredito que não tenha sido ouvido, ele e o notório trairão mineiro Aécio Neves, ambos agora batendo o pezinho contra o vergonhoso apoio dado pelo PSDB a um dos candidatos palacianos à eleição da Câmara dos Deputados. Ora, ora...

O fato é que a tucanada teve bastante tempo para marcar diferença em relação ao petismo, mas não o fez. Ou porque, na essência, dele não difere, ou porque é incompetente. Assustador é pensar que os políticos desses dois ajuntamentos possam permanecer décadas no poder, isto é, se eternizar. E tome-se pasmaceira.

De uma coisa, pelo menos, o lulo-petismo pode se vangloriar: nunca teve uma oposição à altura da que exerceu contra os outros.

(Caricaturas: Gepp e Maia)

"Democracia" cocaleira

E avança o ataque às oposições na Cucaracholândia. Na Bolívia, os "democráticos" partidários do presidente-cocaleiro exigem a renúncia de governadores oposicionistas. Evo segue à risca a política do padrinho Hugo Chávez, que busca eliminar qualquer forma de contestação ou crítica. Alguns incautos, por aqui, acham que isto é socialismo. Não, não: é social-fascismo mesmo. (No Estadão de hoje).

Partidários do presidente dão 48 horas para opositor deixar cargo em La Paz
REUTERS, AFP, AP E EFE
Cerca de 5 mil manifestantes se concentraram ontem em El Alto - cidade vizinha à sede administrativa da Bolívia, La Paz - para exigir a renúncia do governador do Departamento (equivalente a Estado) de La Paz, José Luis Paredes, que faz oposição ao presidente boliviano, Evo Morales. Liderados por entidades pró-Evo, os manifestantes deram a Paredes um ultimato de 48 horas para que deixe o cargo. Nos últimos anos, El Alto tem sido cenário das mais violentas manifestações políticas no país.Os protestos em El Alto se somam aos de Cochabamba, onde partidários do governo também exigem a renúncia do governador Manfred Reyes Villa, outro opositor de Evo. Na semana passada, confrontos entre manifestantes pró e contra o governo central resultaram na morte de duas pessoas. Ontem, entidades sindicais e camponesas que apóiam Evo retomaram os protestos pela renúncia de Reyes, mas nenhum incidente grave foi registrado.Tanto Reyes Villa - que se refugiou na cidade de Santa Cruz de La Sierra na sexta-feira - quanto Paredes são acusados pelo governo central de promover o separatismo no país ao defenderem a convocação de um novo referendo sobre a autonomia política de suas respectivas regiões. Em 2 de julho, a opção pela autonomia foi derrotada nos dois departamentos - apesar de ter saído vitoriosa em quatro das nove regiões do país: Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando.Numa entrevista à rede de TV Unitel, em Santa Cruz, Reyes Villa, com a voz embargada e lágrimas nos olhos, afirmou que o governo de Evo está instigando uma guerra civil na Bolívia a partir de Cochabamba. “Não permitirei que meu povo se enfrente em Cochabamba, não serei eu o iniciador de uma guerra civil na Bolívia”, declarou Reyes. “A democracia está em risco em nosso país.”O governador lembrou que ele já havia anunciado a desistência da convocação do referendo sobre autonomia. “Não sei mais que desculpas tem (o governo central). Na realidade, trata-se de um golpe contra a democracia”, afirmou.Membros do governo de Evo, no entanto, anunciaram ontem que Reyes Villa terá todas as garantias para cumprir o mandato para o qual foi eleito em dezembro de 2005, mas pediram a ele que retorne a Cochabamba e abra um diálogo com os movimentos sociais. O governador se diz disposto a dialogar com os líderes dos manifestantes, mas em Santa Cruz, na casa do cardeal boliviano Julio Terrazas.“O governador foi levado ao cargo como resultado de uma eleição”, disse ontem o ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana. “O governo (central) em nenhum momento pediu ao governador que renunciasse.”Milhares de camponeses - grande parte dos quais, plantadores de folha de coca da região do Chapare, berço político de Evo - permanecem concentrados na Praça de Armas de Cochabamba há uma semana e prometem não abandonar o local até que o governador deixe o cargo. A manifestação tem sérias implicações econômicas para o país, uma vez que Cochabamba é o principal entroncamento das estradas que ligam o Altiplano e as regiões do leste boliviano, como Santa Cruz - o mais próspero departamento da Bolívia.

Leiam tamém "O aprendiz de Hugo Chávez", editorial do Estadão.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Festa cucaracha

Eles apontam para a frente, mas seus países vão para trás. Na festa da posse, no Equador, não faltaram discursos contra os EUA, o FMI etc., etc. Afinal, reza a cartilha latino-americana que os culpados são sempre os outros. Somos pobres porque os EUA e a Europa são ricos...

Nacionalistas, estatistas e populistas, os três da foto retomam um caminho que levou a América Latina a ser justamente o que é: insignificante.

P.S.: ou alguém vai dizer que o continente é o que é por causa do liberalismo?

domingo, 14 de janeiro de 2007

Pós-modernismo de bombacha


Relativismo acampa à beira do Guaíba

O petismo foi enxotado da prefeitura de Porto Alegre, mas deixou rastros na área de educação do município, cuja secretaria promoverá o encontro Conversações internacionais: paisagem da educação com o objetivo de analisar a importância de pensadores como Gilles Deleuze, Felix Guattari, Jacques Derrida et caterva nos estudos educacionais (!?). Petista acadêmico (ah, sim, eles ainda existem em pencas nos setores de comunicação, literatura, educação e antropologia) gosta de discurseira pós-moderna. Quanto mais esotérica e relativista, melhor. Leiam a apresentação da coisa:

Gilles Deleuze e Félix Guattari são pensadores que começam a ganhar importância nos estudos educacionais no Brasil. Eles acompanham um movimento de abolição das categorias com a inovação de conceitos que atravessam as teorias e as práticas educacionais. A presença de importantes pensadores da atualidade com discussões relevantes para a problematização das concepções educacionais, propõe disparar movimentos de desterritorialização da educação, compondo-a com outros planos e pensando-a com outros aportes. A discussão das possibilidades de desestratificação desta máquina abstrata, de modo a sair dos organismos, das significações e das subjetivações que a estriam, investe na produção de uma paisagem. Diferentes diálogos com esses autores e outros como Michel Foucault, Jacques Derrida e Jacques Rancière apresentam uma potência que atravessa as práticas cotidianas e a vida, sendo promissores nas suas possíveis transversalizações com o pensamento educacional.

Sacaram? Eita, mundo variado!

Os "pós-modernos", em geral, rejeitam a tradição racionalista, defendendo um relativismo cognitivo e cultural que vê a ciência como mera "narrativa" ou "mito ocidental". São infensos a conceitos como verdade, objetividade, fato etc.

O pós-modernismo é uma praga que se espraiou da França para os campi universitários norte-americanos e, de lá, descambou aqui no Bananão. Há alguns anos, os físicos Alan Sokal e Jean Bricmont publicaram um livro descendo o sarrafo nessa turma (Imposturas inetelectuais. O abuso da ciência pelos filósofos pós-modernos, Record, 1999). Boa parte do debate está disponível no site de Sokal . Rolando a página, vocês encontram a breve discussão travada aqui no Bananão.

[Surrupiei a dica sobre o encontro no blog Inactivism (links fixos); ilustração: M. Escher].

Decadência do marxismo

O jovem Guilherme Roesler, que mantém o belo blog Gazeta Cultural, leu meu livro sobre a decadência do marxismo (O declínio do marxismo e a herança hegeliana, Florianópolis, Edit. da UFSC, 1999 - ver ao lado) e criou um blog para discussão do tema, além de abrir uma série de artigos, ele próprio, sobre o livro.

Só posso agradecer calorosamente a imerecida homenagem, esperando que a iniciativa do Guilherme gere boas discussões, já que o Brasil ainda não fez as contas com o marxismo.

sábado, 13 de janeiro de 2007

Ele vem aí

O ditador do Estado teocrático iraniano, Ahmadinejad, vem passear pela América Latina. Começa, obviamente, pela Venezuela bolivariana. Depois, vai para a Nicarágua e outras potências regionais.

Tem relevantes contribuições a dar ao Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano.

Oposição de araque

E onde anda aquele senador falastrão, o Arthur Tique Nervoso Virgílio (PSDB-Amazonas), que ameaçou bater em Lula e, depois que pegou carona no avião do presidente, ficou mudo? Ah, deve estar em férias, assim como o presidente do partido, Tasso Jereissati, que anda nas Oropas. Dizem que ele, o Tasso, ficou irritado com a adesão ao oficialismo e ao lambe-botas de boa parte da tucanada no episódio da eleição apra a Câmara. Recuso-me a comentar o que este sujeito diz. Que vá contar lorotas lá no Ceará, junto com seu amiguinho Ciro Gomes, outro falastrão, que concorreu com o Pequeno Timoneiro e, derrotado e rastejante, foi seu ministro.

Quanto ao pisca-pisca Virgílio, dêem um tabefe nele, se o encontrarem em avião de carreira.

Eita, oposição de araque.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Bananão, 2007-20??


Oposição?

Aqui tem lei, sim...

Pelo menos para os bebês

Na Folha de hoje:

Uma menina de quatro anos foi detida e levada em um carro da Polícia Militar a uma delegacia em Belo Horizonte, no domingo, após jogar uma pedra para o alto que acertou a cabeça de um garoto da mesma idade. O policial chegou a pedir reforço e seis PMs acabaram, no total, atuando na "operação".Segundo o pai dela, um auxiliar administrativo de 35 anos, as duas crianças brincavam na rua, quando a menina jogou a pedra para o alto, que acabou atingindo a cabeça do garoto.A mãe dele, pensando que a pedra tivesse sido jogada por um adulto, parou um carro de polícia que passava pelo local."Ele teve um pequeno corte na cabeça e um hematoma. O sargento que desceu do carro perguntou quem tinha jogado a pedra. Minha filha falou que havia sido ela e pediu desculpas. Já estava tudo resolvido, não tinha porque ele fazer o que fez", disse o pai da menina. Segundo ele, o sargento Joval Ribeiro Filho, do 13º Batalhão da PM, disse que teria de levar a menina à delegacia. O pai conta que não aceitou e que o policial, que estava com um colega, chamou reforço. Outros dois carros da PM foram ao local.Pai e filha foram encaminhados à 4ª Delegacia de Plantão de Venda Nova. O menino ferido foi levado a um hospital e liberado em seguida. "Minha filha ficou muito assustada, chorou muito, me perguntava se estava sendo presa, ficamos chocados." Ele relatou que ficaram cerca de três horas no prédio até serem liberados.

Enquanto isso, brutamontes quadrilheiros, homicidas e estupradores não pegam cana porque são "menores". E ai de quem falar em baixar para 16 anos a maioridade penal. Cairão sobre ele hordas de advogados de porta de cadeia, ongueiros protetores de los derechos humanos, igrejeiros etc.

A hedionda cultura da impunidade está solidamente enraizada no Acampamento.

Bandoleiro burguês no Cadin


O Contas Abertas revela que Bruno Maranhão, o bandoleiro burguês (dono de apartamento de luxo em Recife) que comandou o assalto do MLST ao Congresso, não é de pagar contas. É "freguês" do Cadin como inadimplente. Mas nem por isso deixou de ser convidado especial na segunda posse do Pequeno Timoneiro.

Como cantava Tim Maia, no Acampamento da era lula "vale tuuudo"...

Adendo: "burguês", obviamente, é uma noção que se evaporou. Quem é burguês, no mundo contemporâneo? Utilizo a expressão aqui no sentido pejorativo, que é exatamente o uso que as "esquerdas" fazem, para caracterizar aqueles que invejam. Já "bandoleiro" nunca foi tão atual...

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Trabáia, hómi, trabáia...


E o Pequeno Timoneiro volta, ahn, ao trabalho. Nem precisava. Não há quem o incomode. As "oposições" não fazem mais que, vergonhosamente, cair no jogo do lulo-petismo nessa piada que virou a eleição da presidência da Câmara. Concordo plenamente com as análises feitas hoje pela Nariz Gelado e pelo Aluízio. Não há mais o que dizer. Saquinho, por favor.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Historiadores vs economistas


Pessimistas os primeiros, otimistas os outros?

Acabo de ler um livro que a "esquerda" certamente detesta porque fala em vencedores e perdedores na história (no mínimo, é "politicamente incorreto"), embora tenha sido elogiado por historiadores como Eric Hobsbawm, que, até onde sei, continua se dizendo marxista. O livro: Riqueza e a pobreza das nações. Por que algumas são tão ricas e outras são tão pobres, de David S. Landes (há várias edições, uma delas indico na seção Livros). O leitor atento já terá notado que falta um A antes de Riqueza (o correto seria A riqueza e a pobreza das nações, ou, então, Riqueza e pobreza das nações, mas, ah, os leitores somos chatos...).

Não falo agora sobre vencedores e perdedores (entre os últimos, vocês já devem intuir, estão a África e a América Latina, off course). Mais interessante, no momento, me parece ser a provocação que Landes faz ao contrapor economistas e historiadores. Vamos lá:

"Os historiadores gostam de olhar para trás, não para diante. Tentam entender e explicar o que está documentado. Os economistas também querem conhecer o passado, mas acreditam que só o conhecem na medida em que se coaduna com a teoria e a lógica; e como têm a segurança de princípios básicos, são menos avessos a descrever um futuro modelado pela racionalidade. Por certo, os economistas reconhecem a possibilidade de acidente e irracionalidade, mas estes só podem, a largo prazo, retardar o logicamente inevitável. A razão triunfará porque a razão compensa. Mais é melhor, e para a escolha de metas a realização material é o melhor argumento.Assim, ao passo que os historiadores são agnósticos quanto ao futuro, logo, pessimistas virtuais, os economistas e homens de negócios tendem a ser otimistas..."

É com vocês, economistas e historiadores...

Relatório Global de Integridade

Recebi do Marcelinho (Marcelos Soares, do Blog do Deu no Jornal (links) a seguinte boa notícia, que passo adiante.

Lançado o Relatório Global de Integridade

Foi lançado hoje o Relatório Global de Integridade, produzido pela organização não-governamental Global Integrity, de Washington. O estudo, em sua segunda edição, avalia 43 países, incluindo o Brasil. As informações prestadas sobre cada país são o produto de diversos meses de pesquisa e coleta de dados por pesquisadores e revisores do próprio país. No total, colaborou com o projeto uma equipe de 200 pessoas.

Publicado em inglês no sítio www.globalintegrity.org, o material funciona como uma espécie de enciclopédia analítica on-line sobre como funcionam as instituições de combate à corrupção e o acesso a informações públicas nesses países.

“Embora possa haver a tentação de encarar o resumo do material como um ranking de países, é preciso evitar isso”, diz Claudio Weber Abramo, diretor executivo da Transparência Brasil e responsável pela elaboração da seção brasileira do estudo. “As instituições não são perfeitamente comparáveis de um país a outro, mas forçosamente o questionário é o mesmo para todos os países. Isso leva a certas simplificações. Por isso, é mais importante ler detalhadamente os diagnósticos do que comparar escores”, alerta.

Entre as conclusões que se podem extrair da pesquisa está o fato de que as fragilidades associadas ao financiamento de campanhas – a conexão entre dinheiro e poder – são um desafio para o combate à corrupção que iguala os países em desenvolvimento às nações ricas. O relatório revela também que a baixa transparência do Legislativo é um problema constante em todos os países, o que pode atrapalhar a elaboração de reformas anti-corrupção de longo prazo.

Em diversos itens específicos, o Brasil vai bem na lei e mal na prática. Embora a Constituição brasileira determine o acesso a informações públicas, por exemplo, na prática esse acesso varia de esfera para esfera, de instituição para instituição e de local para local. As leis brasileiras de combate à corrupção são consideradas muito boas.
De forma semelhante,o estudo avalia bem as leis brasileiras de combate à corrupção, mas o ambiente institucional para colocá-las em prática resulta fraco.

Outros destaques sobre a avaliação do país:

Sociedade civil, informação pública e mídia: o ambiente para a livre formação de organizações da sociedade civil é destacado. No tocante ao acesso a informações públicas, a metodologia do estudo não permite distinguir instituições e esferas, o que resulta em desvantagem aparente do Brasil em relação a outros países. No capítulo sobre os veículos de informação, são apontados problemas para a investigação de casos de corrupção.
Eleições: embora o sistema de votação e participação dos cidadãos seja considerado muito bom, os controles sobre o financiamento eleitoral são tidos como muito fracos.

Transparência dos atos de governo: o Judiciário é considerado menos transparente do que o Legislativo e o Executivo. O Orçamento é considerado uma área problemática, especialmente no tocante à supervisão de como o dinheiro público é gasto.

Regulamentações sobre a administração e serviço público: as leis de privatização e licitação são consideradas muito boas, mas as regras a respeito dos servidores públicos deixam a desejar, e especialmente no que diz respeito à proteção a servidores que façam denúncias sobre irregularidades.
Mecanismos de regulação e supervisão: embora o Tribunal de Contas da União e a regulamentação do setor financeiro tenham destaque, o trabalho da Ouvidoria-Geral da União é considerado pouco efetivo para o encaminhamento das queixas do cidadão. O processo de abertura e manutenção de empresas é tido como muito burocrático.

Combate à corrupção e cumprimento da lei: embora as leis brasileiras sejam razoáveis, o nó da questão, segundo a avaliação do estudo, está nos mecanismos de cumprimento.

O Relatório de Integridade Global avaliou as instituições dos seguintes países: Argentina, África do Sul, Armênia, Azerbaijão, Benin, Brasil, Bulgária, Cambodja, Cisjordânia, Egito, Estados Unidos, Etiópia, Filipinas, Geórgia, Gana, Guatemala, Iêmen, Índia, Indonésia, Israel, Líbano, Libéria, México, Montenegro, Moçambique, Nepal, Nicarágua, Nigéria, Paquistão, Quênia, República Democrática do Congo, República Quirguiz, Romênia, Rússia, Senegal, Sérvia, Serra Leoa, Sudão, Tadjiquistão, Tanzânia, Uganda, Vietnã e Zimbábue.

Totalitarismo bolivariano

Os jornais de hoje aparecem recheados de matérias sobre o retrocesso promovido na Venezuela pelo coronel Hugo Chávez. O que ele chama de "República Socialista do Século XXI" carrega consigo todo um passado antidemocrático que atendeu pelo nome de socialismo/comunismo. Chávez simplesmente está eliminanndo a economia de mercado, com a estatização - já anunciada - das principais empresas, e restringirá as liberdades, principalmente a de imprensa. Nada diferente do que aconteceu na extinta URSS e ainda acontece em Cuba.

Os europeus, que conhecem o monstro de perto, não escondem seu verdadeiro nome: totalitarismo (a propósito, o leitor CFE indica um artigo do Jornal de Notícias, o principal diário de Portugal: "República socialista nas mãos de Chávez").

A "idiotia latino-americana", com seu contumaz desprezo pelas lições da História, está em festa. A regressão não tem limites.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

A vingança do tiranete

O tiranete do Paraná e admirador do coronel Hugo Chávez, Roberto Requião, já começou sua "vingança" contra a imprensa. Cortou toda a publicidade para a "grande mídia" em favor do que denomina "comunicação popular" - uma das bandeiras de seu segundo governo. Vai na esteira do professor Bernardo Kucinski, assessor de Lula, e do stalinismo acadêmico. Acompanhe aqui o debate.

Para essa gente, o modelo de imprensa e de jornalismo ainda é o Pravda da extinta URSS.

Para trás, Bananão, para trás sempre!