Se der tempo, ainda faço uma postagem de manhã. Se não, mandarei notícias lá do Porto, onde participarei, como convidado, da II Jornada Internacional de Jornalismo, organizada pela Universidade Fernando Pessoa. Tratarei de questões epistemológicas relativas ao jornalismo. Sucintamente: o problema da verdade.segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007
E la nave va...
Se der tempo, ainda faço uma postagem de manhã. Se não, mandarei notícias lá do Porto, onde participarei, como convidado, da II Jornada Internacional de Jornalismo, organizada pela Universidade Fernando Pessoa. Tratarei de questões epistemológicas relativas ao jornalismo. Sucintamente: o problema da verdade.Tudo dominado. O Acampamento fede.

OAB e governo juntos? Já não basta a Santa Madre Igreja? Pelo cheiro, vem "ditadura branca" por aí.
Que saudade das instituições que funcionavam 30 anos atrás! Não sobrou uma. Aliás, sobraram apenas as sociedades que vivem dos "direitos humanos", discurso que migrou para a defesa da bandidagem.
E dá-lhe governismo a qualquer preço. O país fede. Eis o Acampamento Sindicalista do Brasil. A tal sociedade civil está morta.
A propósito, a amiga Nariz Gelado fez um belo "editorial" sobre as artimanhas em curso.
Ora, pílulas!
O padre Silvio César Florêncio, pároco da catedral de Santo Antônio, em Guaratinguetá (176 km a nordeste de São Paulo), teme que a canonização de frei Galvão estimule pessoas a tentar ganhar dinheiro com a venda de pílulas do frade, às quais é atribuído o poder de realizar milagres.Diretor espiritual da Irmandade de Frei Galvão, entidade criada em 1999 que produz mensalmente 90 mil pílulas distribuídas na catedral e enviadas por correspondência a várias partes do Brasil e até do exterior, o padre apontou a necessidade de esclarecer a população sobre a gratuidade."Nas nossas missas e àqueles que recebem nossas pílulas pelo correio, informamos que elas são gratuitas, que ninguém deve pagar por isso. Mas é preciso fazer um alerta geral, porque a procura pelas pílulas deve aumentar muito com a canonização de frei Galvão", disse. O franciscano Antônio de Sant'Anna Galvão, nascido em Guaratinguetá em 1739, será declarado santo pelo papa Bento 16 durante missa em 11 de maio, em São Paulo.
Pílulas milagrosas, é? Esse tipo de discurso ainda engana, em pleno século XXI?
O grande filósofo escocês David Hume já desmontou a crença em milagres no século XVIII. Ele propôs o seguinte teste lógico: "(...) nenhum testemunho é suficiente para estabelecer um milagre, a menos que o testemunho seja de tal ordem que sua falsidade seria mais milagrosa do que o fato que procura estabelecer."
Hume refuta a idéia de milagre porque implica a violação das leis da natureza.
Pílulas "milagrosas" são tão inócuas quanto as beberagens vendidas por charlatões ambulantes (muitos deles vestindo batina, sim).
Sobre os argumentos de Hume, ver aqui.
domingo, 25 de fevereiro de 2007
De jeito nenhum!
Há uma campanha pela "absolvição" do comissário José Dirceu correndo por aí. Evidentemente, estou do lado oposto ao do farso mineiro, farso paulista e farso guerrilheiro. Chávez forma tropas de "educadores"

sábado, 24 de fevereiro de 2007
Circo para a mídia em "Cassias" do Sul
Não resisto ao humor negro: só faltou passar a foice nessa roça de cabeças aí. Convenhamos, os sem-terra igrejeiros são bons de mídia. Emplacaram essa armação - coisa da italianada de Caxias do Sul - até na capa da Folha de S. Paulo de hoje. O protesto tinha como objetivo impedir a reintegração de posse em uma fazenda tomada pelos invasores. Fracassaram. Desta vez, imperou a lei. (Foto: Daniela Xu/RBS).Censura? Ora, pois...
Munch para essa gente!
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
Frios, cruéis e...religiosos (?)
Para os bandidos, a religião é escudo? E há religiões que se prestam a este papel?
Dá o que pensar, levando-se em conta que, no imaginário popular, as religiões tornam as pessoas "melhores"...
E bota incompetência nisto!
Admita-se, caridosamente, que, tendo perdido boa parte ou todo o primeiro ano do primeiro mandato querendo reinventar a roda, batendo cabeças e trocando rasteiras, enquanto, já então, o presidente se dedicava prioritariamente ao seu projeto reeleitoral, o primeiro escalão do Executivo tenha em seguida encontrado o seu eixo. Não só não o encontrou - salvo na política econômica e na gestão do Bolsa-Família -, como nem sequer hoje existe na prática, porque Lula não consegue reformá-lo para o segundo termo, passados quase 120 dias da reeleição. Nunca antes um presidente brasileiro demorou tanto para formar um Gabinete. Ontem, ele disse que fará a reforma do Ministério na segunda quinzena de março!a absoluta incompetência administrativa e gerencial da era Lula, às vésperas de completar 50 meses de improfícua existência. Admita-se, caridosamente, que, tendo perdido boa parte ou todo o primeiro ano do primeiro mandato querendo reinventar a roda, batendo cabeças e trocando rasteiras, enquanto, já então, o presidente se dedicava prioritariamente ao seu projeto reeleitoral, o primeiro escalão do Executivo tenha em seguida encontrado o seu eixo. Não só não o encontrou - salvo na política econômica e na gestão do Bolsa-Família -, como nem sequer hoje existe na prática, porque Lula não consegue reformá-lo para o segundo termo, passados quase 120 dias da reeleição. Nunca antes um presidente brasileiro demorou tanto para formar um Gabinete. Ontem, ele disse que fará a reforma do Ministério na segunda quinzena de março! (Leia aqui).
Repito o que disse ontem: que se aponte uma escola, um hospital ou estrada construídos por este governo pachorrento.
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007
Igreja e governo, amém.

Benito Chávez


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Afinal, qual é a cor do Obama?

A próxima eleição presidencial americana acontece somente em 2008, mas a disputa entre os possíveis candidatos faz parecer que o pleito vaia contecer amanhã. O senador Barack Obama é um dos candidatos às primárias do partido democrático e muito têm se falado a seu respeito. Obama é mulato, jovem e figura relativamente nova na política americana. Nas últimas semanas ele tem sido alvo de um debate típico do "politicamente correto": sua ascendência negra não é o suficiente para que ele se habilite ao título de afro-americano(african-american).
Como é que é? Isso mesmo, Barack Obama não é considerado negro pelos ativistas do politicamente correto. O conceito de afro-americano só se aplica aos americanos descendentes de escravos. Todos os outros negros filhos de imigrantes africanos mais recentes - como é o caso do pai de Obama, que imigrou do Quênia na década de 1950 - são qualquer outra coisa, menos afro-americanos. Confuso? Isso é apenas o começo do debate.
A mãe de Obama é branca, nascida na Suíça, o que reforça o argumento do politicamente correto de que Obama não é negro. Entretanto, ele também não é branco, e mulato é uma definição ampla demais para ser aplicada a seu caso. Segundo os pregadores do politicamente correto, é necessário criar uma nova denominação para pessoas como o senador Obama, que está ali entre o branco, o negro e o mulato, mas que não é nenhuma das três coisas enquanto não houver uma definição específica e, claro, politicamente correta.
De volta à "normalidade"
Curiosidade: onde foram parar os bandidos nos três dias de carnaval carioca?
Nenhuma chacina, nenhuma "bala perdida", nenhum ônibus queimado, nenhum tiroteio, nenhum assalto a postos policiais?
Ou será que a imprensa (rede Globo na linha de frente) não teve tempo para essas coisinhas?
Ora, dirão, os bandidos estavam todos sambando na avenida...
Feliz retorno à vida "normal", povo brasileiro.
sábado, 17 de fevereiro de 2007
No mato sem computador

Portanto, esta pequena comunidade virtual (sim, já somos uma comunidade) se verá livre de mim pela primeira vez em pouco mais de um ano. Torço para que não haja nenhuma lan-house na selva...
Até breve.
Olha o Brucutu

Dançando sobre cadáveres
Dum. Dum-Dum. Dum Dum-Dum Dum-Dum. O que é isso? Tem gente sambando nas ruas do Rio de Janeiro? As mesmas ruas pelas quais os assassinos arrastaram aquele menino de 6 anos? A primeira medida a ser tomada pelo poder público deveria ter sido cancelar o Carnaval, decretando luto oficial.Lula comentou o crime:– Isso não está no racional da humanidade e do mundo animal. Está no irracional da humanidade e do mundo animal.Lula tem o direito de achar que seu cachorro Galego é mais racional do que qualquer um de seus ministros. Acredito que seja mesmo. O que ninguém pode aceitar é que ele transforme em chanchada uma tragédia desse tamanho. Ele degrada a morte do menino carioca com suas galhofas momescas.Depois de discorrer sobre a origem do mal no mundo animal, como uma Hannah Arendt dos quadrúpedes, Lula recomendou que os parlamentares agissem com "cautela", com "serenidade", ignorando o clamor popular e o clima "passional" que se criou em torno do episódio. Isso significa que deputados federais e senadores podem fazer um pouco de jogo de cena agora, propondo medidas contra a criminalidade, mas, assim que a morte do menino sair do noticiário, tudo voltará a ser rigorosamente como antes. Desde que Lula foi eleito, cerca de 200.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Uma a mais, uma a menos, tanto faz.Uma das propostas que Lula rejeitou foi diminuir a maioridade penal para 16 anos. Está certo. Melhor diminuí-la para 14 anos. Ou 10. Ou 7. Mas o fato é outro. Dos cinco acusados pela morte do menino carioca, só um era menor de idade. A gente precisa prender os menores de idade. A gente precisa prender também os maiores de idade. E sobretudo: impedir que eles sejam soltos.Os criminalistas do petismo argumentam que é bobagem aumentar o tempo de cadeia dos bandidos. O que realmente conta, segundo eles, é que um criminoso tenha a certeza de que será pego. Isso é uma afronta à memória do menino assassinado. O chefe da quadrilha que cometeu o crime foi preso seis vezes nos últimos anos, e em todas elas o sistema judicial o soltou. Antes e depois que ele atingisse a maioridade. Quando ocorreu o crime, o petismo imediatamente responsabilizou a polícia. Ela merece ser responsabilizada porque tem antecedentes de roubo, achaque e morte. Mas no caso do menino assassinado a polícia fez e refez seu trabalho direitinho, oferecendo a certeza de que o criminoso seria capturado. Aplauso para a polícia. A falha foi do Código Penal, que libertou um condenado que tinha de continuar na cadeia.A única resposta que poderíamos dar ao menino assassinado seria prender a bandidagem por mais tempo, abolindo a liberdade condicional e torpedeando o instituto da progressividade da pena, tanto para os crimes hediondos quanto para os crimes comuns. Crime é crime: todos devem ser punidos com o mesmo rigor. Se o chefe da quadrilha que roubou o carro tivesse ficado na cadeia até o fim de sua última pena, o menino ainda estaria vivo. Mas essa é uma causa perdida. O cachorro Galego é contrário. E é ele quem manda. Dum Dum-Dum Dum-Dum.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
Se ele não quer, nós queremos!
Lula não quer maioridade penal aos 16 anos, mas gosta de considerar adulta a juventude que votou nele duas vezes. Para votar "sem noção", tudo bem, é 16. Mas para arrastar uma criança nas ruas até a morte, ah, é preciso ter 18 anos para ser considerado responsável. Voto irresponsável, sim, mas crime hediondo é de sujeitinho pobre e "sem noção" (a gíria é da tigrada), coitadinho. Tem idade para votar mal, mas para esfolar um ser humano é menor, é irresponsável.O elixir dos ditadores
"Minha Alegria está no Coração do Respeitado General" - cantam as moças;(Foto AP)
Sorry, meninas.
PC usado por mulher tem mais bactérias
SÃO PAULO - Pesquisa realizada pela Universidade do Arizona revela que teclados e mouses usados por mulheres contêm mais bactérias.
O estudo analisou o ambiente de trabalho de 113 pessoas em diferentes escritórios dos Estados Unidos. De acordo com as análises, teclados e mouses usados por mulheres contêm entre três a quatro vezes mais bactérias que estes acessórios dispostos em mesas usadas por homens.
As mesas usadas por mulheres registraram, em média, sete vezes mais bactérias que as masculinas. De acordo com o estudo, as mesas femininas parecem mais limpas e organizadas, mas concentram mais bactérias em função do grande número de objetos e alimentos dispostos nestes espaços.
O estudo apontou que mulheres deixam sobre a mesa maquilagem, doces e pacotes de bolacha com freqüência muito maior que os homens, o que contribui para criar colônias de bactérias.
Mulheres também colocam sobre sua mesa de trabalho anéis, brincos e colares que eventualmente tiram de seu corpo. Os acessórios, em geral com alguma quantidade de suor, acabam infectando as mesas de trabalho.
Contra as mulheres atua também o fato de as trabalhadoras terem maior interesse por crianças, que ao se aproximarem de suas mesas têm menos cuidado com a higiene do que adultos.
Crianças podem colocar objetos na boca e depois devolvê-los à mesa ou mesmo tocar com as mãos sujas objetos femininos.
Em artigo assinando pelo professor Charles Gerba, líder da pesquisa, os homens aparecem como os donos das carteiras mais sujas.
No caso dos homens, suas carteiras são a principal colônia de bactérias levada para o trabalho. Homens apresentam menor tendência a limpar as carteiras - jogando fora papéis velhos, por exemplo – e menos cuidado ao manipular dinheiro e documentos.
A pesquisa foi financiada pela empresa Clorox, que vende material de limpeza para escritórios.
Sorry, tecnófobos.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Liberais contra a TV? Quem diria...

A televisão gera idiotas?
Nos primeiros dias deste blog, fiz uma chamada para artigo/resenha que escrevi para uma revista acadêmica da UFSC sobre o livro Homo videns, do sociólogo italiano Giovanni Sartori (foto), publicada também no site Crítica, de Lisboa (ver link). Como o site, por boas razões, não permite mais acesso livre a todo o acervo, republico o texto aqui.
Partindo de um pequeno escrito em que o filósofo Karl Popper tece críticas à TV e propõe uma legislação que controle "esse poder demasiado vasto", analiso os argumentos extremistas de Sartori, para quem essa mídia está produzindo "idiotas" e conduzindo a humanidade ao "pós-pensamento". Curiosamente, o liberal italiano parece retomar - mas sem fazer referência - as velhas diatribes dos marxistas frankfurtianos contra a "indústria cultural" em geral. Leia abaixo.
Nos anos 1970/80, era da esquerda — em especial a marxista — que procediam as críticas mais ferozes aos media, particularmente à televisão. Na esteira da Escola de Frankfurt (Adorno, Horkheimer e Marcuse), alguns estudiosos e ideólogos denunciavam a "indústria cultural" como serviçal do capitalismo, não menos que a ciência e a técnica. Outros, seguindo Althusser, viam a televisão como mero "aparato ideológico do Estado", que, tal como a escola, tinha por objetivo "inculcar" a ideologia dominante. E havia também os que, apegados ao conceito de "indústria da consciência", elaborado por Hans Magnus Enzensberger, vislumbravam um caminho de mão dupla: os "meios de comunicação de massa" podiam, sim, ser utilizados em sentido "emancipatório", isto é, numa perspectiva socialista — a bem da verdade, algo que os seguidores de Gramsci, por sua vez aferrados ao conceito de "hegemonia", já tinham percebido bem antes do ensaísta e poeta alemão.
A partir dos anos 90, porém, ocorre um deslocamento ideológico da crítica. Curiosamente, agora são os liberais a tomar a televisão como alvo de tiro. Tudo começou com o filósofo Karl Popper, um dos maiores epistemólogos do século XX, abominado pelos marxistas por seu suposto "positivismo" e malvisto pelos conservadores por sua impaciência com as ideologias, as religiões e a metafísica. Defendendo a criação de "uma lei para a televisão" (cf. Televisão: Um Perigo para a Democracia, Gradiva, 1995), o teórico da "sociedade aberta" chegou a reivindicar uma maior presença dos organismos de Estado em relação à TV (logo ele, politicamente um liberal!).
Apesar de lhe terem atribuído a exigência de censura, o que Popper realmente queria era chamar a atenção para um ponto essencial: na democracia não há poder político sem algum controle. E a TV, dizia o filósofo, exerce um tremendo poder político, "potencialmente o mais importante de todos, como se tivesse substituído a voz de Deus". Para Popper, esse meio "adquiriu um poder demasiado vasto" — e nenhuma democracia pode sobreviver a tal "onipotência".
Não é insensato afirmar que todos os poderes políticos, numa democracia, devem ter alguma forma de controle público. O que se discute é quem exercerá esse controle para que se evitem excessos. No caso da TV, o Estado, embora sendo o poder concessor, certamente não é a melhor indicação, mesmo sob governos democráticos (nas ditaduras, pior ainda). A solução talvez seja a auto-regulamentação, isto é, atribuir essa responsabilidade às próprias empresas de comunicação e aos profissionais que nela trabalham, ou adotar a co-regulamentação, envolvendo, além dos empresários do setor, representantes de organizações não governamentais e outras entidades sociais etc. De qualquer modo, o importante é ter em conta que os excessos podem ser punidos a posteriori — medida, convenhamos, mais civilizada que censurar.
Morte do pensamento?
A crítica mais contundente à televisão veio da Itália, no final dos anos 90, quando um respeitado politólogo e sociólogo — também ele um liberal — lançou Homo Videns: Televisão e Pós-pensamento (livro traduzido no Brasil pela Edusc, de Bauru, em 2001). Giovanni Sartori, o autor, lecionou ciência política e sociologia em diversas universidades, inclusive norte-americanas (Stanford, Yale, Harvard e Columbia), e atualmente é um dos dirigentes da Società Libera (http://www.societalibera.org/), organização dedicada ao estudo e à difusão dos ideais liberais, além de colaborador do jornal Corriere della Sera, o principal jornal do país.
O ataque de Sartori à TV lembra algumas diatribes frankfurtianas contra a "indústria cultural", embora não haja qualquer referência a Adorno ou Horkheimer na sua bibliografia (os autores elencados, aliás, são quase todos ingleses e norte-americanos). No geral, portanto, as idéias de Sartori não são novas. O que espanta é o extremismo de algumas afirmações. A televisão estaria simplesmente mudando a natureza do ser humano, que deixa de ser sapiens para se tornar — eis o título — homo videns, inaugurando a era do "pós-pensamento". Incapaz de cultivar o pensamento abstrato, o homem se torna um "idiota".
A tese essencial do livro — diz o próprio autor — é que, perdendo essa capacidade de abstração, o ser humano perde também a racionalidade, tornando-se "um animal simbólico que não está mais em condição de sustentar, e muito menos de alimentar, o mundo construído pelo homo sapiens". Sufocada a cultura escrita, ocupa seu lugar a "cultura audiovisual", que Sartori denomina "incultura", pois toma de assalto as "mentes débeis", o público que ainda não aprendeu a pensar. Além disso, a primazia da imagem teria ainda outros efeitos deletérios, tais como conduzir à opinião teledirigida, à videopolítica, ao embrutecimento das massas, ao enfraquecimento da democracia e de suas instituições.
Sartori estabelece uma rígida separação entre o "mundo inteligível", isto é, o mundo dos conceitos e das concepções mentais, e o "mundo sensível", ou seja, o mundo percebido pelos sentidos. A questão, escreve ele, num raciocínio que chega a ser maniqueísta, é que "a televisão inverte o progredir do sensível para o inteligível, virando-o em um piscar de olhos para um retorno ao puro e simples ver. Na realidade, a televisão produz imagens e apaga os conceitos; mas desse modo atrofia a nossa capacidade de abstração e com ela toda a nossa capacidade de compreender". Ela criou e está criando "um homem que não lê, que revela um alarmante entorpecimento mental, um 'molóide criado pelo vídeo', um viciado na vida dos videogames".
Falsa oposição
Ora, a oposição entre sensível e inteligível é insustentável, como já havia notado o velho e bom Kant. Surpreende que, embora evocando o filósofo, Sartori omita o argumento fundamental deste, na Crítica da Razão Pura, de que o conhecimento é resultante precisamente da junção de intelecto e sentidos, e não da sua separação. A conclusão kantiana não poderia ser mais cristalina: sem sensibilidade, nenhum objeto nos seria dado; sem intelecto, nenhum seria pensado. Nenhuma dessas faculdades ou capacidades, adverte Kant, deve ser preferida em detrimento da outra. Em poucas palavras, existe uma complementaridade entre intelecto e sensibilidade — faculdades distintas por natureza, mas não opostas —, já que ambos concorrem para a formação do conhecimento. Ao que parece, portanto, Sartori retorna a um idealismo pré-kantiano. Vislumbrará ele uma "idéia pura", não "contaminada" pelos sentidos? A idéia, a que ele atribui tanto peso, é vazia, sem conteúdo, se deixada a si própria, quer dizer, sem contato com o mundo empírico, que percebemos através dos sentidos, particularmente da visão.
Mas não se negue que algumas inquietações do politólogo italiano dão o que pensar. Por certo, uma criança ou adolescente que, na maior parte de seu tempo, apenas consome imagens da TV, não se destacará pelo brilho do intelecto, considerando-se o que as redes oferecem a essa faixa etária (a começar pelo imbecilizante estilo MTV) e aos telespectadores em geral: programas de fofocas e baixarias, violência, misticismo etc. A experiência demonstra, de fato, que o jovem que lê e estuda mais — sem por isso abolir a televisão, o cinema ou o computador — tem maior chance de sucesso em seus objetivos na concorrência com os demais. É reconhecido que a leitura favorece, mais que outros meios, a capacidade de abstração e o domínio de conceitos. Persiste, porém, a dúvida em relação ao exemplo citado: a "culpa" será da TV, ou a família e a escola é que fracassaram?
O caminho mais razoável parece ser — contrariamente à embaçada visão de Sartori — o do equilíbrio: nem só imagem, nem só escrita; nem só sensibilidade, nem só intelecto. A busca desse difícil equilíbrio, contudo, é tarefa que diz respeito mais à família e à escola do que à televisão (cujo aparelho receptor dispõe, afinal, de um botão para desligar). O sociólogo reconhece que é preciso reagir "mediante a escola e na escola", mas recrimina a tendência de "encher as classes de televisores e word processors" (e aqui ele parece confundir monitor de computador com televisor). Sua sugestão? Simplesmente proibi-los — "deixando-os somente para o treinamento técnico, como se poderia fazer com um curso de datilografia"!
De resto, nada há de propositivo no opúsculo de Sartori, que enfatiza apenas os aspectos negativos da televisão, atitude semelhante, aliás, à adotada pelos teóricos críticos frankfurtianos em relação à "indústria cultural". Trata-se, enfim, de um texto que não está à altura das demais obras do autor, que já produziu um estudo clássico como Teoria da democracia (a Editora Ática lançou, em 1994, dois volumes de Teoria da democracia revisitada). Lamentavelmente, Homo videns está mais para o conservadorismo rançoso que para o liberalismo civilizado.
Orlando Tambosi. Publicado originalmente em Estudos de Jornalismo e Mídia, Florianópolis, Editora Insular, vol. I, Semestre I/2004.
Cocaleiro pinta e borda em Brasília

Só falta ele exigir o Acre de volta
Refrescando: o presidente-cocaleiro Evo Morales, da Bolívia, em seu curto mandato, já perpetrou o seguinte contra o Acampamento Brasil: 1) tomou as instalações da Petrobrás com tropas militares; 2) em viagem à Europa, disse o diabo do Brasil (inclusive que o Acre foi anexado em troca de um cavalo); 3) acusou a Petrobras de praticar chantagem; e 4) não bastasse isso, também chamou a empresa de contrabandista.
Resposta da diplomacia bananeira? Nenhuma. O chanceler Amorim ainda tentou botar panos quentes, assim como Lula.
E agora mais esta: o cocaleiro impôs um aumento no preço do gás fornecido ao Acampamento. Desconversando, a diplomacia brasileira - hoje pró-cucaracha - chamou a coisa de "acordo" (vai sobrar para o consumidor). Resultado: a Bolívia arrancará daqui mais 100 milhões de dólares anuais.
Tomara que Evo exija o Acre de volta. É capaz de levar...
(Ilustr.: Molina)
Medidas paliativas
Fique o registro, já que toquei tantas vezes no assunto nesta semana. Ouvindo o clamor popular, a Câmara dos Deputados tomou algumas medidas em relação à bandidagem - paliativas, é claro. Aprovou projeto que proíbe a transferência do regime fechado para um mais brando antes que o preso por crime hediondo tenha cumprido 40 por cento da pena. É pouco. Esse tipo de gente deveria ter prisão perpétua.
Outra medida é punir o uso de celulares por detentos. A ver se funciona...
Medidas mais duras dificilmente serão aprovadas. Nossas autoridades parecem ter mais consideração pelos bandidos que pelos cidadãos honestos. Veja-se o caso da presidenta do STF, Ellen Gracie, que há pouco tempo teve seu carro roubado no Rio de Janeiro quando estava em pleno trânsito (foi deixada na rua). Pois foi a própria uma das primeiras a levantar a voz contra a redução da maioridade penal. Vá ser "humanista" assim lá na China.
Medidas mais duras e amplas, reitero, só serão propostas e tomadas quando o filhote de algum figurão (do Congresso ou do Judiciário) for seqüestrado, tiver sua orelhinha cortada e enviada por correio ao papai. De preferência, frita. Querem algo mais hediondo?
Ah, mas que blog cruel, desumano e reacionário-direitista-fascista etc.
P.S.: esse pacotinho de ocasião, obviamente, ainda terá de passar pelo Senado.
* * *
E, na Folha, um belo artigo do psicanalista Contardo Galligaris. Aí vai, na íntegra:
Maioridade penal e hipocrisia
Nossa alma "generosa" dorme melhor com a idéia de que a prisão é reeducativa.
UM ADOLESCENTE de 16 anos fazia parte da quadrilha que arrastou o corpo de João Hélio, 6 anos, pelas ruas do Rio. A cada vez que um menor comete um crime repugnante (homicídio, estupro, latrocínio), volta o debate sobre a maioridade penal.
Em geral, o essencial é dito e repetido. E não acontece nada. Aos poucos, o horror do crime é esquecido. Não é por preguiça, é por hipocrisia. Preferimos deixar para lá, até a próxima, covardemente, porque custamos a contrariar alguns lugares-comuns de nossa maneira de pensar. 1) A prisão é uma instituição hipócrita desde sua invenção moderna. Ela protege o cidadão, evitando que os lobos circulem pelas ruas, e pune o criminoso, constrangendo seu corpo. Mas nossa alma "generosa" dorme melhor com a idéia de que a prisão é um empreendimento reeducativo, no qual a sociedade emenda suas ovelhas desgarradas.
Detalhe: Foucault denunciou (com razão) a instituição carcerária, mas, na hora de propor alternativas (conferência de Montreal, em 1975), sua contribuição era balbuciante.
2) Em geral, para evitarmos admitir que a prisão serve para punir e proteger a sociedade (e não para educar), muda-se o foco da atenção: "Esqueça a prisão, pense nas causas". Preferimos, em suma, a má consciência pela desigualdade social à má consciência por punir e segregar os criminosos. Ora, a miséria pode ser a causa de crimes leves contra o patrimônio, mas o psicopata, que estupra e mata para roubar, não é fruto da dureza de sua vida.
Por exemplo, no último número da "Revista de Psiquiatria Clínica" (vol. 33, 2006), uma pesquisa de Schmitt, Pinto, Gomes, Quevedo e Stein mostra que "adolescentes infratores graves (autores de homicídio, estupro e latrocínio) possuem personalidade psicopática e risco aumentado de reincidência criminal, mas não apresentam maior prevalência de história de abuso na infância do que outros adolescentes infratores". 3) A má consciência por punir e segregar é especialmente ativa quando se trata de menores criminosos, pois, com crianças e adolescentes, temos uma ambição ortopédica desmedida: queremos acreditar que podemos educá-los e reeducá-los, sempre -e rapidamente, viu?
No fim de 2003, outra quadrilha, liderada por um adolescente, massacrou dois jovens, Liana e Felipe, que passavam o fim de semana numa barraca, no Embu-Guaçu. Depois desse crime, na mesma "Revista de Psiquiatria Clínica" (vol. 31, 2004), Jorge Wohney Ferreira Amaro publicou uma crítica fundamentada e radical do Estatuto da Criança e do Adolescente. Resumindo suas conclusões:
Ou o menor é consciente de seu ato, e, portanto, imputável como um adulto;
Ou seu desenvolvimento é incompleto, e, nesse caso, nada garante que ele se complete num máximo de três anos;
Ou, então, o jovem sofre de um Transtorno da Personalidade Anti-Social (psicopatia), cuja cura (quando acontece) exige raramente menos de uma década de esforços.
Em suma, a maioridade penal poderia ser reduzida para 16 ou 14 anos, mas não é isso que realmente importa. A hipocrisia está no artigo 121 do Estatuto da Criança e do Adolescente, segundo o qual, para um menor, "em nenhuma hipótese, o período máximo de internação excederá a três anos".
Ora, a decência, o bom senso e a coerência pedem que uma comissão, um juiz especializado ou mesmo um júri popular decidam, antes de mais nada, se o menor acusado deve ser julgado como adulto ou não. Caso ele seja reconhecido como menor ou como portador de um transtorno da personalidade, o jovem só deveria ser devolvido à sociedade uma vez "completado" seu desenvolvimento ou sua cura -que isso leve três anos, ou dez, ou 50.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007
Aborto e redução da criminalidade

A típica criança impedida de nascer nos primeiros anos da legalização do aborto, diz Levitt, estaria 50 por cento mais propensa que a média a viver na pobreza; teria, igualmente, uma probabilidade 60 por cento maior de ser criada por apenas um dos pais. Uma infância pobre e um lar de mãe/pai solteiro estão entre os mais fortes fatores determinantes de um futuro criminoso (crescer num lar de mãe solteira praticamente dobra a propensão de uma criança para o crime).
Utilizando técnicas estatísticas sofisticadas, Levitt mostra que, no início dos anos 90 - justamente quando a primeira leva de crianças nascidas após a legalização do aborto chegava à adolescência, "época em que os jovens do sexo masculino atingem seu auge criminoso" -, o índice de criminalidade começou a despencar. O que faltava nessa leva, conclui o economista, "eram as crianças mais propensas a se tornarem criminosas. A criminalidade continuou a cair à medida que uma geração inteira alcançou a maioridade, dela excluídas as crianças cujas mães não haviam querido pô-las no mundo. O aborto legalizado resultou num número menor de filhos indesejados; filhos indesejados levam a altos índices de criminalidade. A legalização do aborto, assim, levou a menos crimes."
Observe-se que não há no estudo de Levitt quaisquer critérios morais ou julgamentos de valor. Trata-se de dados científicos, mas isto não impediu que ele apanhasse tanto da direita religiosa quanto da esquerda liberal. A primeira o condenou por atribuir um benefício social ao que, para ela, não passa de um crime; a segunda, por ter associado pobreza e criminalidade - algo "politicamente incorreto".
No momento em que o Brasil reluta em endurecer as regras contra os criminosos, seria interessante ir ainda mais fundo, isto é, por em debate também a legalização do aborto. Filho indesejado, sem família, criado na rua, só pode mesmo cair na marginalidade. Quanto a isto, os dados apresentados por Levitt são esclarecedores (e, ressalte-se: ele não está dizendo que todas as famílias pobres geram criminosos).
Bom, se por aqui já é um escândalo falar em redução da maioridade penal, imagine tocar na questão do aborto...
Salve-se quem puder!
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem a líderes de sua base no Congresso que derrubem o debate sobre a redução da maioridade penal. Para ele, a redução da idade mínima para punições penais, hoje em 18 anos, pode "desproteger os adolescentes".
Isso, presidente! Ensinemos esses países cruéis que maltratam os indefesos anjos infratores, tais como a Alemanha, a Inglaterra e a Noruega (ver post anterior). São um verdadeiro inferno infantil.
Repito o que disse outro dia: a leniência do Acampamento com os criminosos só vai terminar quando algum anjo ferver em óleo de pastelaria o filho de algum político importante.
Enquanto isto não acontecer, salve-se quem puder!
Brasil, uma civilização superior.
Claro, são ferozes ditaduras que envergonham a civilização ocidental: Alemanha, 14 anos; Inglaterra, 8; Suiça, 7; Noruega, 15; Austrália, 16; Espanha, 14; Israel, 12; Irlanda, 7; Itália, 14; e daí para baixo...
É justificável nossa teimosia. Somos uma civilização superior, culta, criativa, mais humana e mais cordial, além de termos Deus como compatriota. Conosco ninguém pode.
Veja detalhes neste site, para o qual o reacionário-direitista-fascista Reinaldão já chamou a atenção (mas não custa frisar mais uma vez).
terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
De volta
Bom retorno!
Sobre os "anjos" infratores
Estas devem ter sido as primeiras perguntas respondidas pela “vítima da sociedade” (menor (?!) infrator) que participou da morte do menino João Hélio, durante seu interrogatório na Justiça da Infância e da Juventude do Rio: “A polícia o torturou ou o obrigou a alguma coisa?” “Estão tratando-o bem na unidade de internação provisória (leiam-se três refeições diárias, visita íntima, televisão, futebol, etc.)?” “Você foi obrigado a participar do ‘ocorrido’ (crime hediondo), não foi?” “Você não viu a criança, não foi?”, etc.
As perguntas foram acompanhadas das seguintes observações: “Não se esqueça, você tem direitos!”; “A qualquer dúvida, peça para falar imediatamente com a assistente social, que ela nos comunica!”; “O tempo de internação será de no máximo três anos, mas não se preocupe que a imposição de medida socioeducativa é revista a cada seis meses, podendo ser reduzida, substituída ou extinta!”; “Não se preocupe, vamos processar os policiais e os jornais pela publicação daquelas fotos suas e de seus amigos”.
Enquanto isso, os pais choram a perda da verdadeira vítima: o menor João Hélio, que merecia a proteção do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Eduardo André Senna, delegado de polícia sennaea@hotmail.com
Mais moleza para os bandidos
Ai, que saudade da velha OAB, combativa e vigilante, aquela que lutava pelos direitos dos cidadãos e pelo Estado de Direito.
Mãe, quando eu crescer, quero ser bandido, corrupto e ladrão. Terei os advogados me defendendo até de graça...
UPDATE: na mais sólida democracia do mundo, os EUA (sorry, tropa anti-Bush), os bandidos são levados também com correntes nos pés. Nenhum advogado - norte-americano, bem entendido - acha isto excessivo.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Frouxidão à la Chinaglia
Enquanto algum facínora mirim não ferver em óleo o filho de um deputado ou senador, tudo será empurrado com a barriga. A população que se dane. O Acampamento continuará sendo o paraíso da impunidade para os bandidos.
Os petistas se calam, e com eles a apetralhada hierarquia da Igreja Católica. Não se viu deles um gesto de solidariedade à família atingida por um dos crimes mais bárbaros da humanidade. Opção preferencial pelos facínoras, pois não?
Hay que endurecer. E sin ternura.
Tudo o que se fizer para aumentar as penas e endurecer o castigo a este lixo da espécie ainda é pouco.
Alguém aí fala, pelo menos, em prisão perpétua? Oh, não combina com a "índole pacífica e ordeira" do nosso povo...
Chega de impunidade no Acampamento!
domingo, 11 de fevereiro de 2007
Morte aos professores!

Rio sanguinolento
Não tem outra saída. É preciso sacudir a letargia a que foi reduzido o Acampamento, principalmente no lote carioca. Os cariocas devem uma atitude digna em resposta ao país em relação à violência jamais ocorrida no mundo, em todos os tempos: o estraçalhamento de uma criança por seres hediondos.
Que sociedade gera esse tipo de monstro? Não é o Brasil inteiro, não! Aqui em Santa Catarina não tem disso.
Mas há Estados em que a monstruosidade é rotina, aceita e até vista com complacência. Ora, o problema está com eles.
Façamos deste acampamento uma verdadeira federação: independência para os lotes.
No mais, Prefeitura e Governo do Estado do Rio de Janeiro deveriam suspender o carnaval em sinal de luto. O resto é CUMPLICIDADE.
P.S.: e não me venham falar em "casos isolados" - não tenho saquinho para tanto.
sábado, 10 de fevereiro de 2007
Crime e castigo
- a retribuição;
- a dissuasão;
- a "proteção da sociedade";
- a reabilitação da pessoa.
1. A retribuição tem sido mais ou menos o "olho por olho", a Lei do Talião - uma resposta exatamente proporcional ao crime cometido (a "justiça com as próprias mãos", praticada pela população nos linchamentos, vai nesse caminho). Pouco importa a "recuperação" do indivíduo.
2. O castigo como dissuasão tem por objetivo desencorajar a violação da lei, advertindo que quem a desobedece sofrerá sanções, isto é, perderá a liberdade. Aqui o castigo é mais importante que, vá lá, a modificação do "caráter" da pessoa.
3. A terceira justificação do castigo acentua a necessidade de "proteger a sociedade" das pessoas que violam a lei. A prisão do infrator ou criminoso seria uma forma de impedir a reincidência.
4. A reabilitação é o argumento mais invocado, em geral. A subtração da liberdade teria por objetivo tratar e "reeducar" o infrator.
Nos tempos modernos, pouco se tem falado na pena de morte, que, podemos dizer, leva ao extremo o primeiro argumento, o da "retribuição". Tirar a vida de um indivíduo que comete assassinatos seguidamente, muitas vezes de forma hedionda, seria uma forma de "assepsia" social, posto que o sujeito é "irrecuperável".
O fato é que nenhum desses castigos resolve o problema da criminalidade em geral, nem o pretende. Eles são aplicados de forma mais ou menos acentuada em todo o mundo. Nações democráticas, como os Estados Unidos, aprovam a pena de morte, assim como a ditadura chinesa. Há Estados islâmicos, por exemplo, que cortam a mão do ladrão. Cá pra nós, faz sentido: pelo menos o ladrão terá mais dificuldade para roubar depois, isto é, reincidir no crime.
Na verdade, os quatro argumentos podem coexistir - incluída a pena de morte para certos casos.
No Brasil prevalece, na esfera jurídica e entre os "especialistas", a visão de que a pena de prisão visa a reeducação ou reabilitação do criminoso, além de retirá-lo do convívio social. Ai de quem falar em pena de morte, embora a favor dela existam argumentos tão pertinentes quanto os que favorecem as outras interpretações. A dissuasão, aqui, é o argumento que menos funciona, dada a impunidade reinante.
Não há como resolver definitivamente o problema da criminalidade, que acompanha a própria evolução da espécie. Mas nada impede que os quatro tipos de castigo visados por princípio- incluindo a pena de morte -, de certo modo, coexistam. Como nenhum deles resolverá o problema, a sociedade pode se valer, licitamente, e dependendo dos casos, de qualquer um.
Há criminosos que não são dissuadidos nem reabilitados e, tão logo nas ruas, voltam a matar, estuprar etc. A sociedade, portanto, jamais estará protegida em relação a eles. Não adianta tapar o sol com a peneira.
Para estes seres, eles próprios hediondos, por que não a pena máxima, isto é, a pena de morte?
P.S.: a caixinha dos adjetivos já está aberta...
Bananão, potência mundial !
Anotem: passado o festim das tribos tapuias, virá a campanha através da TV para a declaração do IR, numa ansiedade crescente que os locutores fazem questão de alardear para a classe média idiota, a única que paga imposto e ainda adora o Deus Estado. Afinal, neste país de efemérides e feriadões, muitos pagam e alguns usufruem.
Ah, mas o Acampamento não é cucaracho, dirão os "consultores" e "analistas" econômicos. E aí vem aquela ladainha de que o Brazil dispõe de um expressivo "parque industrial", é a "locomotiva" (!) da América do Sul - balela insuportável que ouço desde criancinha.
Só falta alguém repetir que este enorme Cemitério (moral, cultural e intelectual) é o país do futuro.
Ora, Quixeramobim também é o município do futuro!
sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007
Do leitor, para pensar.
"Com certeza está mais que na hora de se começar a debater a pena de morte, prisão perpétua e auto-custeio dos encarcerados (se não produzirem para pagar a estadia, morram de fome). Pois não é justo que os cidadãos honestos banquem a estadia dos encarcerados (apenados...). Os recursos dos cidadãos devem servir para hospitais, saúde pública, saneamento, escolas e demais investimentos de infraestrutura. Torrar recursos para mimar bandidos é uma injustiça. Cidadãos honestos em filas de atendimento hospitalar, enquanto bandidos consomem verbas que seriam melhor empregadas nos hospitais. ...e o pior de tudo, que muitos não sabem, o bandido (encarcerado) tem prioridade na fila, pois está sob os cuidados do Estado. Já aqueles cidadãos decentes que pagam para ter os serviços do Estado, e que o Estado explora sob pretexto de "cuidar deles", não é considerado sob responsabilidade estatal. ...isso é uma aberração. Afinal, no meu entender, o Estado tem muito mais responsabilidade para com o pagador de impostos do que com o bandido encarcerado, que é um parasita da sociedade e efetivamente não é um cidadão, pelo menos não deveria ser assim considerado, já que não apenas é inútil à comunidade como nocivo a ela."
Bene, aguardemos as críticas do frei, do bispo, da Ong, do advogado de porta de cadeia, da esquerdalha politicamente correta etc., etc.
Los dueños del Acampamento Brasil

Mais uma baixa na blogosfera

Acampamento Press
Aposto que, se não os próprios, alguém da família recebe a Bolsa Lula. E, claro, invocarão los derechos humanos para si próprios...
Apenas pergunto: algum país em guerra já viu cenas de tamanha crueldade?
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Sobre o conceito de objetividade

Já o sentido ontológico se refere “ao status do modo de existência de tipos de entidade no mundo”. Assim, planetas, montanhas e rios têm um modo de existência objetivo, independente do observador; pensamentos, sentimentos e dores têm um modo de existência subjetivo, dependente do sujeito que os experimenta. Completa Searle em outra passagem: “a dor no meu dedo do pé é ontologicamente subjetiva, mas a afirmação “JRS está com uma dor no dedo do pé” não é epistemologicamente subjetiva. É uma simples questão de fato (epistemologicamente) objetiva, não uma questão de opinião (epistemologicamente) subjetiva.”
Não se pretende aqui alegar que o jornalismo seja uma ciência, mas parece não haver dúvida de que ambos são epistemicamente objetivos, já que tanto o jornalista quanto o cientista procuram descobrir verdades ou investigar fatos que são independentes das atitudes, dos preconceitos e dos vieses de qualquer pessoa. A dificuldade maior para o jornalismo, em seus vários gêneros, é a dependência de fontes. O fato, nesse caso, comporta versões, que nem sempre correspondem à verdade.
O risco mencionado é menor no gênero investigativo, em que a pauta elaborada pelo repórter é estruturalmente semelhante ao elenco de hipóteses que guia a pesquisa científica e em que é menor a dependência de fontes e versões. A pesquisa jornalística se equipara aqui à pesquisa científica, ambas buscando a objetividade. Do lado do jornalismo, o resultado será a revelação de fatos que eram até então desconhecidos ou, por razões e interesses vários, mantidos em segredo. Do lado da ciência, uma vez submetidas à prova as hipóteses levantadas, o resultado será uma nova descoberta no campo da realidade físico-natural (com as ciências naturais trazendo à luz novos fatos brutos) ou da realidade social e institucional (com as ciências sociais explicando novos fatos ou novas relações). Apenas sob esse ponto de vista, como já foi dito, pode o jornalismo (mas é algo a ser justificado) reivindicar o estatuto de forma de conhecimento, já que conhecer, em uma definição preliminar, “consiste em ter representações verdadeiras para as quais possamos fornecer certos tipos de justificação ou provas. Portanto, o conhecimento é, por definição, objetivo no sentido epistêmico, posto que os critérios para conhecer são impessoais e não arbitrários” (SEARLE, 1996, 171).
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Objetividade no jornalismo

Jornalismo e objetividade
Por Ali Kamel
E que é possível fazer isso com um grau aceitável de objetividade e isenção (embora não sejam todos os veículos que se esforçam para tal). O artigo era uma resposta àqueles que acham que existe apenas um jornalismo de tendências, e que tudo, editorial, páginas de artigos e noticiário em geral, é produzido segundo os valores e as crenças dos donos dos jornais e dos jornalistas que para eles trabalham.
Afirmei que quem pensa assim se justifica sempre se escorando em platitudes filosóficas: a objetividade é um mito, a verdade é inalcançável etc.
O compromisso com a isenção é formal e deve ser uma busca consciente de todos os jornalistas: deve-se sempre, conscientemente, tentar despir-se de seus preconceitos, de suas certezas, de suas paixões, mesmo sabendo que isso não é realizável totalmente. Se em jornalismo não se tem o tempo necessário para se fazer a crítica aos próprios valores, que um antropólogo ou um sociólogo fará antes, durante e depois de qualquer pesquisa, isso não quer dizer que o jornalista deve relaxar seu autocontrole e deixar que suas crenças e seus preconceitos contaminem o seu trabalho cotidianamente. Deve-se sempre evitar idiossincrasias ("esse tipo de assunto eu não noticio", "fulano não merece uma linha de jornal", "esse cara é um escroque, merece mesmo apanhar").
Se mais não for, trata-se de uma questão de sobrevivência. Grupo de mídia algum trocará a sua reputação de longo prazo, garantidora de sua audiência e de sua credibilidade, e, portanto, de seus lucros, para se imiscuir na vida política da sociedade visando a obter benefícios de curtíssimo prazo. Quem pode fazer isso são experiências "jornalísticas" efêmeras, de oportunidade; mas estas, ao enveredarem por esse caminho, abandonam o jornalismo para praticar algo que, como disse antes, na verdade é apenas publicidade.
Um desses que fizeram essa opção escreveu outro dia: "Ninguém é santo". Talvez este seja o único ponto em que concordamos. Mas o fato de que somos todos humanos não significa dizer que todos erremos de propósito.
Todos atrás da TV
Por isso é que tudo é tão igual nos jornais - às vezes, até os ângulos das fotos...
Xeque-mate

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007
Ética e ideologia
segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007
Democratización de la comunicación
Curto e grosso: apetralhamento das TVs públicas.






