segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

E la nave va...

Se der tempo, ainda faço uma postagem de manhã. Se não, mandarei notícias lá do Porto, onde participarei, como convidado, da II Jornada Internacional de Jornalismo, organizada pela Universidade Fernando Pessoa. Tratarei de questões epistemológicas relativas ao jornalismo. Sucintamente: o problema da verdade.
Até breve, então. Abraços a todos.

Tudo dominado. O Acampamento fede.



OAB e governo juntos? Já não basta a Santa Madre Igreja? Pelo cheiro, vem "ditadura branca" por aí.

Que saudade das instituições que funcionavam 30 anos atrás! Não sobrou uma. Aliás, sobraram apenas as sociedades que vivem dos "direitos humanos", discurso que migrou para a defesa da bandidagem.

E dá-lhe governismo a qualquer preço. O país fede. Eis o Acampamento Sindicalista do Brasil. A tal sociedade civil está morta.

A propósito, a amiga Nariz Gelado fez um belo "editorial" sobre as artimanhas em curso.

Ora, pílulas!

Na Folha de hoje:

O padre Silvio César Florêncio, pároco da catedral de Santo Antônio, em Guaratinguetá (176 km a nordeste de São Paulo), teme que a canonização de frei Galvão estimule pessoas a tentar ganhar dinheiro com a venda de pílulas do frade, às quais é atribuído o poder de realizar milagres.Diretor espiritual da Irmandade de Frei Galvão, entidade criada em 1999 que produz mensalmente 90 mil pílulas distribuídas na catedral e enviadas por correspondência a várias partes do Brasil e até do exterior, o padre apontou a necessidade de esclarecer a população sobre a gratuidade."Nas nossas missas e àqueles que recebem nossas pílulas pelo correio, informamos que elas são gratuitas, que ninguém deve pagar por isso. Mas é preciso fazer um alerta geral, porque a procura pelas pílulas deve aumentar muito com a canonização de frei Galvão", disse. O franciscano Antônio de Sant'Anna Galvão, nascido em Guaratinguetá em 1739, será declarado santo pelo papa Bento 16 durante missa em 11 de maio, em São Paulo.

Pílulas milagrosas, é? Esse tipo de discurso ainda engana, em pleno século XXI?

O grande filósofo escocês David Hume já desmontou a crença em milagres no século XVIII. Ele propôs o seguinte teste lógico: "(...) nenhum testemunho é suficiente para estabelecer um milagre, a menos que o testemunho seja de tal ordem que sua falsidade seria mais milagrosa do que o fato que procura estabelecer."

Hume refuta a idéia de milagre porque implica a violação das leis da natureza.

Pílulas "milagrosas" são tão inócuas quanto as beberagens vendidas por charlatões ambulantes (muitos deles vestindo batina, sim).

Sobre os argumentos de Hume, ver aqui.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

E o Oscar vai para...

De jeito nenhum!

Há uma campanha pela "absolvição" do comissário José Dirceu correndo por aí. Evidentemente, estou do lado oposto ao do farso mineiro, farso paulista e farso guerrilheiro.

Que esse sujeito deixe de criar pobrema e vá fazer uma nova cara em Cuba outra vez. Ou vá se roçar nas ostra, sô!

Ah, nunca entrei no brog dele...

Chávez forma tropas de "educadores"


O Mussolini cucaracho acaba de botar na rua a primeira tropa de "educadores" bolivarianos. São 480 representantes dos 24 Estados da Venezuela, um pequeno Exército que será responsável pela "disseminação da ética e da moral socialista" nos próximos anos." Lá vem de novo a "ética de classe" (lembre-se o velho Trotsky de "A nossa moral e a deles"...)

Curto e grosso: os brigadistas, como são chamados, tentarão converter os venezuelanos à salada ideológica do tal bolivarianismo. Aliás, o coronel Chávez já tinha ameaçado: "a Venezuela toda será uma escola." E tome lavagem cerebral.
Eis o "socialismo do século XXI". Saquinho, por favor.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Circo para a mídia em "Cassias" do Sul

Não resisto ao humor negro: só faltou passar a foice nessa roça de cabeças aí. Convenhamos, os sem-terra igrejeiros são bons de mídia. Emplacaram essa armação - coisa da italianada de Caxias do Sul - até na capa da Folha de S. Paulo de hoje. O protesto tinha como objetivo impedir a reintegração de posse em uma fazenda tomada pelos invasores. Fracassaram. Desta vez, imperou a lei. (Foto: Daniela Xu/RBS).

Censura? Ora, pois...

Recebi comunicado de que este blog está sendo censurado por aí, certamente em "repartições públicas" apetralhadas. Acabo de ganhar uma homenagem, portanto. Sou perigoso, viram, Letícia, Shirlei e outras gatas lutadoras (pardon pelo atrevimento) que ilustram esta página com seus comentários.

Munch para essa gente!

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Frios, cruéis e...religiosos (?)

Carlos, tido como mentor do assassinato da criança arrastada pelas ruas do RJ, entregou-se à polícia com uma Bíblia nas mãos. Diogo, um dos assassinos, foi criado em família evangélica (veja detalhes aqui). Os neopentecostalistas, de resto, se orgulham de "converter" bandidos perigosos nas penitenciárias, mas, tão logo eles saem da prisão, retornam ao crime. Cadê o Jesus dessa gente?

Para os bandidos, a religião é escudo? E há religiões que se prestam a este papel?

Dá o que pensar, levando-se em conta que, no imaginário popular, as religiões tornam as pessoas "melhores"...

E bota incompetência nisto!

Vale a pena ler o editorial do Estadão de hoje, "É incompetência, não ideologia", sobre a lengalenga do governo Lula, deitado há 50 meses em berço esplêndido. Cito um trecho:

Admita-se, caridosamente, que, tendo perdido boa parte ou todo o primeiro ano do primeiro mandato querendo reinventar a roda, batendo cabeças e trocando rasteiras, enquanto, já então, o presidente se dedicava prioritariamente ao seu projeto reeleitoral, o primeiro escalão do Executivo tenha em seguida encontrado o seu eixo. Não só não o encontrou - salvo na política econômica e na gestão do Bolsa-Família -, como nem sequer hoje existe na prática, porque Lula não consegue reformá-lo para o segundo termo, passados quase 120 dias da reeleição. Nunca antes um presidente brasileiro demorou tanto para formar um Gabinete. Ontem, ele disse que fará a reforma do Ministério na segunda quinzena de março!a absoluta incompetência administrativa e gerencial da era Lula, às vésperas de completar 50 meses de improfícua existência. Admita-se, caridosamente, que, tendo perdido boa parte ou todo o primeiro ano do primeiro mandato querendo reinventar a roda, batendo cabeças e trocando rasteiras, enquanto, já então, o presidente se dedicava prioritariamente ao seu projeto reeleitoral, o primeiro escalão do Executivo tenha em seguida encontrado o seu eixo. Não só não o encontrou - salvo na política econômica e na gestão do Bolsa-Família -, como nem sequer hoje existe na prática, porque Lula não consegue reformá-lo para o segundo termo, passados quase 120 dias da reeleição. Nunca antes um presidente brasileiro demorou tanto para formar um Gabinete. Ontem, ele disse que fará a reforma do Ministério na segunda quinzena de março! (Leia aqui).

Repito o que disse ontem: que se aponte uma escola, um hospital ou estrada construídos por este governo pachorrento.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Igreja e governo, amém.


A CNBB, que não abre a boca desde que Lula assumiu a presidência, agora vem com luvas de pelicas acusar o governo de ser ineficiente na Amazônia (e ao lado da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, carola amazonense hoje devota de outros templos):

O secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), d. Odilo Pedro Scherer, afirmou ontem em Belém (PA), no lançamento da Campanha da Fraternidade 2007, que as ações do governo são ineficientes ou ausentes na Amazônia. O tema da campanha deste ano é "Fraternidade e Amazônia" com o lema "vida e missão neste chão" (Folha).
Ora, ora, Dom Odilo, mostre-nos onde, neste território imenso do Bananão, o governo funciona. Aponte um hospital, uma escola, uma estrada ou uma prisão construída pelo abençoado discípulo Lula.

E as invasões de terra aqui no sul, reverendo, a destruição de laboratórios de pesquisa científica, o ataque a empresas, atos sempre incentivados por setores da igreja?

Por tanta condescendência, Dom Odilo, aqui vai sua penitência: rezar o terço, contando pedrinha por pedrinha do rosário, 30 vezes por dia.
Update: atendendo as reclamações sobre a brandura da penitência, acrescento outra: um Pai Nosso a cada dois minutos, durante 30 dias!
(Foto: Ari Sousa/Imapress).

Benito Chávez




Nos gestos, na fanfarronice e nas idéias, o coronel bolivariano Hugo Chávez se parece cada vez mais com Mussolini. E aqui no Bananão tem gente que o considera revolucionário.
Veja suas novas encenações aqui.
P.S.: ambos têm algo a ver com petróleo, postos de gasolina...

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Afinal, qual é a cor do Obama?


Débora Sanches, jornalista catarinense que mora nos EUA, envia um texto sobre o curioso debate gerado pela praga "politicamente correta" que assola o país. Obrigado, Débora.
É nisso que dá classificar a espécie humana por cores...

A próxima eleição presidencial americana acontece somente em 2008, mas a disputa entre os possíveis candidatos faz parecer que o pleito vaia contecer amanhã. O senador Barack Obama é um dos candidatos às primárias do partido democrático e muito têm se falado a seu respeito. Obama é mulato, jovem e figura relativamente nova na política americana. Nas últimas semanas ele tem sido alvo de um debate típico do "politicamente correto": sua ascendência negra não é o suficiente para que ele se habilite ao título de afro-americano(african-american).

Como é que é? Isso mesmo, Barack Obama não é considerado negro pelos ativistas do politicamente correto. O conceito de afro-americano só se aplica aos americanos descendentes de escravos. Todos os outros negros filhos de imigrantes africanos mais recentes - como é o caso do pai de Obama, que imigrou do Quênia na década de 1950 - são qualquer outra coisa, menos afro-americanos. Confuso? Isso é apenas o começo do debate.

A mãe de Obama é branca, nascida na Suíça, o que reforça o argumento do politicamente correto de que Obama não é negro. Entretanto, ele também não é branco, e mulato é uma definição ampla demais para ser aplicada a seu caso. Segundo os pregadores do politicamente correto, é necessário criar uma nova denominação para pessoas como o senador Obama, que está ali entre o branco, o negro e o mulato, mas que não é nenhuma das três coisas enquanto não houver uma definição específica e, claro, politicamente correta.
(Barack Obama, foto AP)

De volta à "normalidade"

Fim de mais uma semana de expressão da "cultura brasileira" (Riiiio-Baeeea!). Nostálgicos do Brasil Imperial mataram a saudade de reis e rainhas e agora a bugrada volta ao normal, isto é, ao crime, às chacinas e aos assaltos. Os anjinhos de Lula certamente voltam a praticar seus atos de crueldade contra quem quer que seja, sob a condescendência da lei. Afinal, são "di menor".
Curiosidade: onde foram parar os bandidos nos três dias de carnaval carioca?
Nenhuma chacina, nenhuma "bala perdida", nenhum ônibus queimado, nenhum tiroteio, nenhum assalto a postos policiais?
Ou será que a imprensa (rede Globo na linha de frente) não teve tempo para essas coisinhas?
Ora, dirão, os bandidos estavam todos sambando na avenida...

Feliz retorno à vida "normal", povo brasileiro.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

No mato sem computador


A partir de amanhã estarei fora da rede até quarta-feira. Vou para o mato sem computador - versão atualizada da expressão popular "no mato sem cachorro".

Portanto, esta pequena comunidade virtual (sim, já somos uma comunidade) se verá livre de mim pela primeira vez em pouco mais de um ano. Torço para que não haja nenhuma lan-house na selva...

Até breve.
P. S.: vou aproveitar para dar uns retoques no texto que apresentarei na cidade do Porto na semana que vem, durante a II Jornada Internacional de Jornalismo, na Universidade Fernando Pessoa. O manezinho aqui confessa que é a primeira vez que vai à Europa, apesar de ter um livro editado por lá (na Itália).

Olha o Brucutu


Não tem Natal, não tem Páscoa, não tem nada. Nossa verdadeira cara aparece mesmo é no chamado "período momesco". Não passamos de brucutus, fonte de exotismo para a turistada européia. No exterior, esta é a visão da nossa "cultura". Alguém reclama? Eu é que não. Ah, tem o futebol também, claro - e cada vez com mais cenas de violência. Dá-lhe, povo cordial!

Está tudo dominado? Bom, neste período está tudo perdoado. Catolicamente.
Tomo a liberdade de reproduzir aqui o que disse, em comentário irado, o Fábio Max, que cultiva um excelente blog no Paraná:
Tem político no Rio que defende que se faça outro carnaval em outubro... e se isso acontecer, o Brasil todo terá outro carnaval e teremos mais um mês perdido no calendário, para um evento que só gera lucro em meia dúzia de cidades no país. Carnaval não é mais festa popular há muito tempo. Virou ponto de exibicionismo de celebridades de baixo clero, mostruário de matéria-prima para programas sensacionalista de TV e revistas de mulher pelada. Aliás, no RJ, virou uma festa de propriedade da poderosa rede de TV, que manda e desmanda na cidade e no estado. Se alguém pensar em adiar o carnaval, a poderosa destrói a pessoa em questão de horas, até porque, para ela, não interessa muito o sofrimento de ninguém, a não ser que isso possibilite uma reportagem sensacionalista que tire uma lágrima de algum qualquer para mostrar no jornal das 8 e meia da noite!

Dançando sobre cadáveres

Diogo Mainardi (sim, sim, outro reacionário-direitista-fascista-etc) pergunta, em sua coluna da Veja desta semana: E ainda fazem carnaval? O amigo Aluízio também publicou em seu blog o post Brasil samba sobre o sangue do pequeno João. E este blog, que pode ser acusado de tudo, menos de sentimentalista, conclamou aqui : "Prefeitura e Governo do Estado do Rio de Janeiro deveriam suspender o carnaval em sinal de luto. O resto é CUMPLICIDADE." (Ler "Rio sanguinolento"). Abaixo, na íntegra, a coluna do Mainardi.

Dum. Dum-Dum. Dum Dum-Dum Dum-Dum. O que é isso? Tem gente sambando nas ruas do Rio de Janeiro? As mesmas ruas pelas quais os assassinos arrastaram aquele menino de 6 anos? A primeira medida a ser tomada pelo poder público deveria ter sido cancelar o Carnaval, decretando luto oficial.Lula comentou o crime:– Isso não está no racional da humanidade e do mundo animal. Está no irracional da humanidade e do mundo animal.Lula tem o direito de achar que seu cachorro Galego é mais racional do que qualquer um de seus ministros. Acredito que seja mesmo. O que ninguém pode aceitar é que ele transforme em chanchada uma tragédia desse tamanho. Ele degrada a morte do menino carioca com suas galhofas momescas.Depois de discorrer sobre a origem do mal no mundo animal, como uma Hannah Arendt dos quadrúpedes, Lula recomendou que os parlamentares agissem com "cautela", com "serenidade", ignorando o clamor popular e o clima "passional" que se criou em torno do episódio. Isso significa que deputados federais e senadores podem fazer um pouco de jogo de cena agora, propondo medidas contra a criminalidade, mas, assim que a morte do menino sair do noticiário, tudo voltará a ser rigorosamente como antes. Desde que Lula foi eleito, cerca de 200.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Uma a mais, uma a menos, tanto faz.Uma das propostas que Lula rejeitou foi diminuir a maioridade penal para 16 anos. Está certo. Melhor diminuí-la para 14 anos. Ou 10. Ou 7. Mas o fato é outro. Dos cinco acusados pela morte do menino carioca, só um era menor de idade. A gente precisa prender os menores de idade. A gente precisa prender também os maiores de idade. E sobretudo: impedir que eles sejam soltos.Os criminalistas do petismo argumentam que é bobagem aumentar o tempo de cadeia dos bandidos. O que realmente conta, segundo eles, é que um criminoso tenha a certeza de que será pego. Isso é uma afronta à memória do menino assassinado. O chefe da quadrilha que cometeu o crime foi preso seis vezes nos últimos anos, e em todas elas o sistema judicial o soltou. Antes e depois que ele atingisse a maioridade. Quando ocorreu o crime, o petismo imediatamente responsabilizou a polícia. Ela merece ser responsabilizada porque tem antecedentes de roubo, achaque e morte. Mas no caso do menino assassinado a polícia fez e refez seu trabalho direitinho, oferecendo a certeza de que o criminoso seria capturado. Aplauso para a polícia. A falha foi do Código Penal, que libertou um condenado que tinha de continuar na cadeia.A única resposta que poderíamos dar ao menino assassinado seria prender a bandidagem por mais tempo, abolindo a liberdade condicional e torpedeando o instituto da progressividade da pena, tanto para os crimes hediondos quanto para os crimes comuns. Crime é crime: todos devem ser punidos com o mesmo rigor. Se o chefe da quadrilha que roubou o carro tivesse ficado na cadeia até o fim de sua última pena, o menino ainda estaria vivo. Mas essa é uma causa perdida. O cachorro Galego é contrário. E é ele quem manda. Dum Dum-Dum Dum-Dum.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Se ele não quer, nós queremos!

Lula não quer maioridade penal aos 16 anos, mas gosta de considerar adulta a juventude que votou nele duas vezes. Para votar "sem noção", tudo bem, é 16. Mas para arrastar uma criança nas ruas até a morte, ah, é preciso ter 18 anos para ser considerado responsável. Voto irresponsável, sim, mas crime hediondo é de sujeitinho pobre e "sem noção" (a gíria é da tigrada), coitadinho. Tem idade para votar mal, mas para esfolar um ser humano é menor, é irresponsável.

E o Pequeno Timoneiro veio à TV com sua retórica de Acampamento sindicalista (perdigotos de palanque, o eterno palanque) utilizando o que disse a cinderela comunista do Brasil lá do RS (esqueci o nome da dita): daqui a pouco vão querer condenar quem ainda não nasceu. Dá-lhe frase de efeito para a patuléia. Mais um pouco, associam a questão do aborto, jamais discutida aqui, à redução da maioridade penal. Hipocrisia dá que nem futebol.

A deputada PCdobista é jovem e talvez não saiba, mas seu partido tinha - ou tem ainda - simpatia pela falecida ditadura da Albânia (remember Enver Hoxa!), anos atrás considerada exemplo de governo a seguir. O esboroamento da URSS acabou com esta idiotice, mas aqui no Acampamento se mantêm siglas desse mundo perdido, como o próprio PCdoB de Aldo Rebelo.

Haja folclore, péssímo folclore. Se alguém quiser fundar uma sigla nazista, como impedir? Quanto respeito se tem no Acampamento pela democracia e por seus princípios?

Folia é isso aí


O elixir dos ditadores

"Minha Alegria está no Coração do Respeitado General" - cantam as moças;

"Brilhante comandante invencível" - apregoam as rádios;

"Um grande evento auspicioso da nação que garante um brilhante futuro no destino do povo coreano" - diz o sucessor, Kim Yon Nam.

Tudo isso em homenagem ao ditador comunista da Coréia do Norte, Kim Jong Il, que está completando 65 aninhos. E, como os ditadores parecem ter descoberto o elixir da juventude (ou fazem algum pacto com Mefistófeles), o pobre povo norte-coreano ainda vai bailar muito para o tampinha.

Deprimente.

(Foto AP)

Sorry, meninas.

Ai, ai, ai. Do Plantão Info:

PC usado por mulher tem mais bactérias

SÃO PAULO - Pesquisa realizada pela Universidade do Arizona revela que teclados e mouses usados por mulheres contêm mais bactérias.
O estudo analisou o ambiente de trabalho de 113 pessoas em diferentes escritórios dos Estados Unidos. De acordo com as análises, teclados e mouses usados por mulheres contêm entre três a quatro vezes mais bactérias que estes acessórios dispostos em mesas usadas por homens.
As mesas usadas por mulheres registraram, em média, sete vezes mais bactérias que as masculinas. De acordo com o estudo, as mesas femininas parecem mais limpas e organizadas, mas concentram mais bactérias em função do grande número de objetos e alimentos dispostos nestes espaços.
O estudo apontou que mulheres deixam sobre a mesa maquilagem, doces e pacotes de bolacha com freqüência muito maior que os homens, o que contribui para criar colônias de bactérias.
Mulheres também colocam sobre sua mesa de trabalho anéis, brincos e colares que eventualmente tiram de seu corpo. Os acessórios, em geral com alguma quantidade de suor, acabam infectando as mesas de trabalho.
Contra as mulheres atua também o fato de as trabalhadoras terem maior interesse por crianças, que ao se aproximarem de suas mesas têm menos cuidado com a higiene do que adultos.
Crianças podem colocar objetos na boca e depois devolvê-los à mesa ou mesmo tocar com as mãos sujas objetos femininos.
Em artigo assinando pelo professor Charles Gerba, líder da pesquisa, os homens aparecem como os donos das carteiras mais sujas.
No caso dos homens, suas carteiras são a principal colônia de bactérias levada para o trabalho. Homens apresentam menor tendência a limpar as carteiras - jogando fora papéis velhos, por exemplo – e menos cuidado ao manipular dinheiro e documentos.
A pesquisa foi financiada pela empresa Clorox, que vende material de limpeza para escritórios.

Sorry, tecnófobos.

Os tecnófobos não vão gostar, mas o vídeo aí embaixo reúne o que há de melhor em termos de criação de mídia. By Google, claro.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

Liberais contra a TV? Quem diria...


A televisão gera idiotas?

Nos primeiros dias deste blog, fiz uma chamada para artigo/resenha que escrevi para uma revista acadêmica da UFSC sobre o livro Homo videns, do sociólogo italiano Giovanni Sartori (foto), publicada também no site Crítica, de Lisboa (ver link). Como o site, por boas razões, não permite mais acesso livre a todo o acervo, republico o texto aqui.

Partindo de um pequeno escrito em que o filósofo Karl Popper tece críticas à TV e propõe uma legislação que controle "esse poder demasiado vasto", analiso os argumentos extremistas de Sartori, para quem essa mídia está produzindo "idiotas" e conduzindo a humanidade ao "pós-pensamento". Curiosamente, o liberal italiano parece retomar - mas sem fazer referência - as velhas diatribes dos marxistas frankfurtianos contra a "indústria cultural" em geral. Leia abaixo.

Nos anos 1970/80, era da esquerda — em especial a marxista — que procediam as críticas mais ferozes aos media, particularmente à televisão. Na esteira da Escola de Frankfurt (Adorno, Horkheimer e Marcuse), alguns estudiosos e ideólogos denunciavam a "indústria cultural" como serviçal do capitalismo, não menos que a ciência e a técnica. Outros, seguindo Althusser, viam a televisão como mero "aparato ideológico do Estado", que, tal como a escola, tinha por objetivo "inculcar" a ideologia dominante. E havia também os que, apegados ao conceito de "indústria da consciência", elaborado por Hans Magnus Enzensberger, vislumbravam um caminho de mão dupla: os "meios de comunicação de massa" podiam, sim, ser utilizados em sentido "emancipatório", isto é, numa perspectiva socialista — a bem da verdade, algo que os seguidores de Gramsci, por sua vez aferrados ao conceito de "hegemonia", já tinham percebido bem antes do ensaísta e poeta alemão.

A partir dos anos 90, porém, ocorre um deslocamento ideológico da crítica. Curiosamente, agora são os liberais a tomar a televisão como alvo de tiro. Tudo começou com o filósofo Karl Popper, um dos maiores epistemólogos do século XX, abominado pelos marxistas por seu suposto "positivismo" e malvisto pelos conservadores por sua impaciência com as ideologias, as religiões e a metafísica. Defendendo a criação de "uma lei para a televisão" (cf. Televisão: Um Perigo para a Democracia, Gradiva, 1995), o teórico da "sociedade aberta" chegou a reivindicar uma maior presença dos organismos de Estado em relação à TV (logo ele, politicamente um liberal!).

Apesar de lhe terem atribuído a exigência de censura, o que Popper realmente queria era chamar a atenção para um ponto essencial: na democracia não há poder político sem algum controle. E a TV, dizia o filósofo, exerce um tremendo poder político, "potencialmente o mais importante de todos, como se tivesse substituído a voz de Deus". Para Popper, esse meio "adquiriu um poder demasiado vasto" — e nenhuma democracia pode sobreviver a tal "onipotência".

Não é insensato afirmar que todos os poderes políticos, numa democracia, devem ter alguma forma de controle público. O que se discute é quem exercerá esse controle para que se evitem excessos. No caso da TV, o Estado, embora sendo o poder concessor, certamente não é a melhor indicação, mesmo sob governos democráticos (nas ditaduras, pior ainda). A solução talvez seja a auto-regulamentação, isto é, atribuir essa responsabilidade às próprias empresas de comunicação e aos profissionais que nela trabalham, ou adotar a co-regulamentação, envolvendo, além dos empresários do setor, representantes de organizações não governamentais e outras entidades sociais etc. De qualquer modo, o importante é ter em conta que os excessos podem ser punidos a posteriori — medida, convenhamos, mais civilizada que censurar.

Morte do pensamento?

A crítica mais contundente à televisão veio da Itália, no final dos anos 90, quando um respeitado politólogo e sociólogo — também ele um liberal — lançou Homo Videns: Televisão e Pós-pensamento (livro traduzido no Brasil pela Edusc, de Bauru, em 2001). Giovanni Sartori, o autor, lecionou ciência política e sociologia em diversas universidades, inclusive norte-americanas (Stanford, Yale, Harvard e Columbia), e atualmente é um dos dirigentes da Società Libera (http://www.societalibera.org/), organização dedicada ao estudo e à difusão dos ideais liberais, além de colaborador do jornal Corriere della Sera, o principal jornal do país.

O ataque de Sartori à TV lembra algumas diatribes frankfurtianas contra a "indústria cultural", embora não haja qualquer referência a Adorno ou Horkheimer na sua bibliografia (os autores elencados, aliás, são quase todos ingleses e norte-americanos). No geral, portanto, as idéias de Sartori não são novas. O que espanta é o extremismo de algumas afirmações. A televisão estaria simplesmente mudando a natureza do ser humano, que deixa de ser sapiens para se tornar — eis o título — homo videns, inaugurando a era do "pós-pensamento". Incapaz de cultivar o pensamento abstrato, o homem se torna um "idiota".

A tese essencial do livro — diz o próprio autor — é que, perdendo essa capacidade de abstração, o ser humano perde também a racionalidade, tornando-se "um animal simbólico que não está mais em condição de sustentar, e muito menos de alimentar, o mundo construído pelo homo sapiens". Sufocada a cultura escrita, ocupa seu lugar a "cultura audiovisual", que Sartori denomina "incultura", pois toma de assalto as "mentes débeis", o público que ainda não aprendeu a pensar. Além disso, a primazia da imagem teria ainda outros efeitos deletérios, tais como conduzir à opinião teledirigida, à videopolítica, ao embrutecimento das massas, ao enfraquecimento da democracia e de suas instituições.

Sartori estabelece uma rígida separação entre o "mundo inteligível", isto é, o mundo dos conceitos e das concepções mentais, e o "mundo sensível", ou seja, o mundo percebido pelos sentidos. A questão, escreve ele, num raciocínio que chega a ser maniqueísta, é que "a televisão inverte o progredir do sensível para o inteligível, virando-o em um piscar de olhos para um retorno ao puro e simples ver. Na realidade, a televisão produz imagens e apaga os conceitos; mas desse modo atrofia a nossa capacidade de abstração e com ela toda a nossa capacidade de compreender". Ela criou e está criando "um homem que não lê, que revela um alarmante entorpecimento mental, um 'molóide criado pelo vídeo', um viciado na vida dos videogames".

Falsa oposição

Ora, a oposição entre sensível e inteligível é insustentável, como já havia notado o velho e bom Kant. Surpreende que, embora evocando o filósofo, Sartori omita o argumento fundamental deste, na Crítica da Razão Pura, de que o conhecimento é resultante precisamente da junção de intelecto e sentidos, e não da sua separação. A conclusão kantiana não poderia ser mais cristalina: sem sensibilidade, nenhum objeto nos seria dado; sem intelecto, nenhum seria pensado. Nenhuma dessas faculdades ou capacidades, adverte Kant, deve ser preferida em detrimento da outra. Em poucas palavras, existe uma complementaridade entre intelecto e sensibilidade — faculdades distintas por natureza, mas não opostas —, já que ambos concorrem para a formação do conhecimento. Ao que parece, portanto, Sartori retorna a um idealismo pré-kantiano. Vislumbrará ele uma "idéia pura", não "contaminada" pelos sentidos? A idéia, a que ele atribui tanto peso, é vazia, sem conteúdo, se deixada a si própria, quer dizer, sem contato com o mundo empírico, que percebemos através dos sentidos, particularmente da visão.

Mas não se negue que algumas inquietações do politólogo italiano dão o que pensar. Por certo, uma criança ou adolescente que, na maior parte de seu tempo, apenas consome imagens da TV, não se destacará pelo brilho do intelecto, considerando-se o que as redes oferecem a essa faixa etária (a começar pelo imbecilizante estilo MTV) e aos telespectadores em geral: programas de fofocas e baixarias, violência, misticismo etc. A experiência demonstra, de fato, que o jovem que lê e estuda mais — sem por isso abolir a televisão, o cinema ou o computador — tem maior chance de sucesso em seus objetivos na concorrência com os demais. É reconhecido que a leitura favorece, mais que outros meios, a capacidade de abstração e o domínio de conceitos. Persiste, porém, a dúvida em relação ao exemplo citado: a "culpa" será da TV, ou a família e a escola é que fracassaram?

O caminho mais razoável parece ser — contrariamente à embaçada visão de Sartori — o do equilíbrio: nem só imagem, nem só escrita; nem só sensibilidade, nem só intelecto. A busca desse difícil equilíbrio, contudo, é tarefa que diz respeito mais à família e à escola do que à televisão (cujo aparelho receptor dispõe, afinal, de um botão para desligar). O sociólogo reconhece que é preciso reagir "mediante a escola e na escola", mas recrimina a tendência de "encher as classes de televisores e word processors" (e aqui ele parece confundir monitor de computador com televisor). Sua sugestão? Simplesmente proibi-los — "deixando-os somente para o treinamento técnico, como se poderia fazer com um curso de datilografia"!

De resto, nada há de propositivo no opúsculo de Sartori, que enfatiza apenas os aspectos negativos da televisão, atitude semelhante, aliás, à adotada pelos teóricos críticos frankfurtianos em relação à "indústria cultural". Trata-se, enfim, de um texto que não está à altura das demais obras do autor, que já produziu um estudo clássico como Teoria da democracia (a Editora Ática lançou, em 1994, dois volumes de Teoria da democracia revisitada). Lamentavelmente, Homo videns está mais para o conservadorismo rançoso que para o liberalismo civilizado.

Orlando Tambosi. Publicado originalmente em Estudos de Jornalismo e Mídia, Florianópolis, Editora Insular, vol. I, Semestre I/2004.

Cocaleiro pinta e borda em Brasília


Só falta ele exigir o Acre de volta

Refrescando: o presidente-cocaleiro Evo Morales, da Bolívia, em seu curto mandato, já perpetrou o seguinte contra o Acampamento Brasil: 1) tomou as instalações da Petrobrás com tropas militares; 2) em viagem à Europa, disse o diabo do Brasil (inclusive que o Acre foi anexado em troca de um cavalo); 3) acusou a Petrobras de praticar chantagem; e 4) não bastasse isso, também chamou a empresa de contrabandista.

Resposta da diplomacia bananeira? Nenhuma. O chanceler Amorim ainda tentou botar panos quentes, assim como Lula.

E agora mais esta: o cocaleiro impôs um aumento no preço do gás fornecido ao Acampamento. Desconversando, a diplomacia brasileira - hoje pró-cucaracha - chamou a coisa de "acordo" (vai sobrar para o consumidor). Resultado: a Bolívia arrancará daqui mais 100 milhões de dólares anuais.
Tomara que Evo exija o Acre de volta. É capaz de levar...
(Ilustr.: Molina)

Medidas paliativas

Endurecendo, pero com mucha ternura...

Fique o registro, já que toquei tantas vezes no assunto nesta semana. Ouvindo o clamor popular, a Câmara dos Deputados tomou algumas medidas em relação à bandidagem - paliativas, é claro. Aprovou projeto que proíbe a transferência do regime fechado para um mais brando antes que o preso por crime hediondo tenha cumprido 40 por cento da pena. É pouco. Esse tipo de gente deveria ter prisão perpétua.

Outra medida é punir o uso de celulares por detentos. A ver se funciona...

Medidas mais duras dificilmente serão aprovadas. Nossas autoridades parecem ter mais consideração pelos bandidos que pelos cidadãos honestos. Veja-se o caso da presidenta do STF, Ellen Gracie, que há pouco tempo teve seu carro roubado no Rio de Janeiro quando estava em pleno trânsito (foi deixada na rua). Pois foi a própria uma das primeiras a levantar a voz contra a redução da maioridade penal. Vá ser "humanista" assim lá na China.

Medidas mais duras e amplas, reitero, só serão propostas e tomadas quando o filhote de algum figurão (do Congresso ou do Judiciário) for seqüestrado, tiver sua orelhinha cortada e enviada por correio ao papai. De preferência, frita. Querem algo mais hediondo?

Ah, mas que blog cruel, desumano e reacionário-direitista-fascista etc.

P.S.: esse pacotinho de ocasião, obviamente, ainda terá de passar pelo Senado.

* * *
E, na Folha, um belo artigo do psicanalista Contardo Galligaris. Aí vai, na íntegra:

Maioridade penal e hipocrisia

Nossa alma "generosa" dorme melhor com a idéia de que a prisão é reeducativa.

UM ADOLESCENTE de 16 anos fazia parte da quadrilha que arrastou o corpo de João Hélio, 6 anos, pelas ruas do Rio. A cada vez que um menor comete um crime repugnante (homicídio, estupro, latrocínio), volta o debate sobre a maioridade penal.
Em geral, o essencial é dito e repetido. E não acontece nada. Aos poucos, o horror do crime é esquecido. Não é por preguiça, é por hipocrisia. Preferimos deixar para lá, até a próxima, covardemente, porque custamos a contrariar alguns lugares-comuns de nossa maneira de pensar. 1) A prisão é uma instituição hipócrita desde sua invenção moderna. Ela protege o cidadão, evitando que os lobos circulem pelas ruas, e pune o criminoso, constrangendo seu corpo. Mas nossa alma "generosa" dorme melhor com a idéia de que a prisão é um empreendimento reeducativo, no qual a sociedade emenda suas ovelhas desgarradas.
A versão nacional dessa hipocrisia diz que a reeducação falha porque nosso sistema carcerário é brutal e inadequado. Essa caracterização é exata, mas qualquer pesquisa, pelo mundo afora, reconhece que mesmo o melhor sistema carcerário só consegue "recuperar" (eventualmente) os criminosos responsáveis por crimes não-hediondos. Quanto aos outros, a prisão serve para punir o réu e proteger a sociedade. Essa constatação frustra as ambições do poder moderno, que (como mostrou Michel Foucault em "Vigiar e Punir") aposta na capacidade de educar e reeducar os espíritos. A idéia de apenas segregar os criminosos nos repugna porque diz que somos incapazes de convertê-los.
Detalhe: Foucault denunciou (com razão) a instituição carcerária, mas, na hora de propor alternativas (conferência de Montreal, em 1975), sua contribuição era balbuciante.
2) Em geral, para evitarmos admitir que a prisão serve para punir e proteger a sociedade (e não para educar), muda-se o foco da atenção: "Esqueça a prisão, pense nas causas". Preferimos, em suma, a má consciência pela desigualdade social à má consciência por punir e segregar os criminosos. Ora, a miséria pode ser a causa de crimes leves contra o patrimônio, mas o psicopata, que estupra e mata para roubar, não é fruto da dureza de sua vida.
Por exemplo, no último número da "Revista de Psiquiatria Clínica" (vol. 33, 2006), uma pesquisa de Schmitt, Pinto, Gomes, Quevedo e Stein mostra que "adolescentes infratores graves (autores de homicídio, estupro e latrocínio) possuem personalidade psicopática e risco aumentado de reincidência criminal, mas não apresentam maior prevalência de história de abuso na infância do que outros adolescentes infratores". 3) A má consciência por punir e segregar é especialmente ativa quando se trata de menores criminosos, pois, com crianças e adolescentes, temos uma ambição ortopédica desmedida: queremos acreditar que podemos educá-los e reeducá-los, sempre -e rapidamente, viu?
No fim de 2003, outra quadrilha, liderada por um adolescente, massacrou dois jovens, Liana e Felipe, que passavam o fim de semana numa barraca, no Embu-Guaçu. Depois desse crime, na mesma "Revista de Psiquiatria Clínica" (vol. 31, 2004), Jorge Wohney Ferreira Amaro publicou uma crítica fundamentada e radical do Estatuto da Criança e do Adolescente. Resumindo suas conclusões:
Ou o menor é consciente de seu ato, e, portanto, imputável como um adulto;
Ou seu desenvolvimento é incompleto, e, nesse caso, nada garante que ele se complete num máximo de três anos;
Ou, então, o jovem sofre de um Transtorno da Personalidade Anti-Social (psicopatia), cuja cura (quando acontece) exige raramente menos de uma década de esforços.
Em suma, a maioridade penal poderia ser reduzida para 16 ou 14 anos, mas não é isso que realmente importa. A hipocrisia está no artigo 121 do Estatuto da Criança e do Adolescente, segundo o qual, para um menor, "em nenhuma hipótese, o período máximo de internação excederá a três anos".
Ora, a decência, o bom senso e a coerência pedem que uma comissão, um juiz especializado ou mesmo um júri popular decidam, antes de mais nada, se o menor acusado deve ser julgado como adulto ou não. Caso ele seja reconhecido como menor ou como portador de um transtorno da personalidade, o jovem só deveria ser devolvido à sociedade uma vez "completado" seu desenvolvimento ou sua cura -que isso leve três anos, ou dez, ou 50.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Aborto e redução da criminalidade



Por que a criminalidade foi reduzida drasticamente nos EUA a partir de 1990? Mais policiais nas ruas, mais detenções e penas mais duras (nada de impunidade) contribuíram para a redução em aproximadamente 40 por cento. O grande fator que levou ao declínio da criminalidade, porém, foi uma medida tomada nos anos 70 pela Corte Suprema: a aprovação do aborto. A legalização do aborto contribuiu , sozinha, para metade da queda verificada entre 1990 e 2000. Veio daí um bônus inesperado, segundo demonstrou o economista Steven Levitt, autor de Freakonomics (o lado oculto e inesperado de tudo o que nos afeta), livro que já teve várias edições esgotadas (a tradução brasileira foi lançada pela Elsevier/Campus, do RJ). Para o tema deste post, recomendo especificamente a leitura do capítulo "Onde foram parar todos os criminosos?".

A típica criança impedida de nascer nos primeiros anos da legalização do aborto, diz Levitt, estaria 50 por cento mais propensa que a média a viver na pobreza; teria, igualmente, uma probabilidade 60 por cento maior de ser criada por apenas um dos pais. Uma infância pobre e um lar de mãe/pai solteiro estão entre os mais fortes fatores determinantes de um futuro criminoso (crescer num lar de mãe solteira praticamente dobra a propensão de uma criança para o crime).

Utilizando técnicas estatísticas sofisticadas, Levitt mostra que, no início dos anos 90 - justamente quando a primeira leva de crianças nascidas após a legalização do aborto chegava à adolescência, "época em que os jovens do sexo masculino atingem seu auge criminoso" -, o índice de criminalidade começou a despencar. O que faltava nessa leva, conclui o economista, "eram as crianças mais propensas a se tornarem criminosas. A criminalidade continuou a cair à medida que uma geração inteira alcançou a maioridade, dela excluídas as crianças cujas mães não haviam querido pô-las no mundo. O aborto legalizado resultou num número menor de filhos indesejados; filhos indesejados levam a altos índices de criminalidade. A legalização do aborto, assim, levou a menos crimes."

Observe-se que não há no estudo de Levitt quaisquer critérios morais ou julgamentos de valor. Trata-se de dados científicos, mas isto não impediu que ele apanhasse tanto da direita religiosa quanto da esquerda liberal. A primeira o condenou por atribuir um benefício social ao que, para ela, não passa de um crime; a segunda, por ter associado pobreza e criminalidade - algo "politicamente incorreto".

No momento em que o Brasil reluta em endurecer as regras contra os criminosos, seria interessante ir ainda mais fundo, isto é, por em debate também a legalização do aborto. Filho indesejado, sem família, criado na rua, só pode mesmo cair na marginalidade. Quanto a isto, os dados apresentados por Levitt são esclarecedores (e, ressalte-se: ele não está dizendo que todas as famílias pobres geram criminosos).

Bom, se por aqui já é um escândalo falar em redução da maioridade penal, imagine tocar na questão do aborto...

P.S.: como sempre, o Carnaval vai gerar mais uma leva de indesejados.

Salve-se quem puder!

Manchete de hoje na Folha:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem a líderes de sua base no Congresso que derrubem o debate sobre a redução da maioridade penal. Para ele, a redução da idade mínima para punições penais, hoje em 18 anos, pode "desproteger os adolescentes".

Isso, presidente! Ensinemos esses países cruéis que maltratam os indefesos anjos infratores, tais como a Alemanha, a Inglaterra e a Noruega (ver post anterior). São um verdadeiro inferno infantil.

Repito o que disse outro dia: a leniência do Acampamento com os criminosos só vai terminar quando algum anjo ferver em óleo de pastelaria o filho de algum político importante.

Enquanto isto não acontecer, salve-se quem puder!

Brasil, uma civilização superior.

Enquanto o Acampamento afaga bandidos e até juízes se recusam a debater a redução da maioridade penal (18 anos), já que nossos pobres assassinos mirins são produto de uma "sociedade desigual" e não fazem mais que "protestar" com seus crimes hediondos, em outros países a maioridade penal começa bem mais cedo.

Claro, são ferozes ditaduras que envergonham a civilização ocidental: Alemanha, 14 anos; Inglaterra, 8; Suiça, 7; Noruega, 15; Austrália, 16; Espanha, 14; Israel, 12; Irlanda, 7; Itália, 14; e daí para baixo...

É justificável nossa teimosia. Somos uma civilização superior, culta, criativa, mais humana e mais cordial, além de termos Deus como compatriota. Conosco ninguém pode.

Veja detalhes neste site, para o qual o reacionário-direitista-fascista Reinaldão já chamou a atenção (mas não custa frisar mais uma vez).

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

De volta

Nosso amigo Roberto Romano está de volta em novo blog (O Apolítico), dedicado unicamente à filosofia e aos textos de aula. Como os escritos são longos, aquela malta que todos conhecemos não o incomodará: seguidores do Pequeno Timoneiro, os petralhas não passam do primeiro parágrafo...

Bom retorno!

Na mosca!

Sponholz, sempre no alvo.

Sobre os "anjos" infratores

Ainda sobre a tragédia no Rio de Janeiro - sobre a qual as autoridades em geral silenciaram - vale a pena ler o que escreveu hoje um delegado de polícia em correspondência ao jornal A Notícia, de Joinville (SC). Quem conhece o sistema por dentro, sabe como a coisa funciona em relação aos angélicos menores infratores. Aí vai:

Estas devem ter sido as primeiras perguntas respondidas pela “vítima da sociedade” (menor (?!) infrator) que participou da morte do menino João Hélio, durante seu interrogatório na Justiça da Infância e da Juventude do Rio: “A polícia o torturou ou o obrigou a alguma coisa?” “Estão tratando-o bem na unidade de internação provisória (leiam-se três refeições diárias, visita íntima, televisão, futebol, etc.)?” “Você foi obrigado a participar do ‘ocorrido’ (crime hediondo), não foi?” “Você não viu a criança, não foi?”, etc.
As perguntas foram acompanhadas das seguintes observações: “Não se esqueça, você tem direitos!”; “A qualquer dúvida, peça para falar imediatamente com a assistente social, que ela nos comunica!”; “O tempo de internação será de no máximo três anos, mas não se preocupe que a imposição de medida socioeducativa é revista a cada seis meses, podendo ser reduzida, substituída ou extinta!”; “Não se preocupe, vamos processar os policiais e os jornais pela publicação daquelas fotos suas e de seus amigos”.
Enquanto isso, os pais choram a perda da verdadeira vítima: o menor João Hélio, que merecia a proteção do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Eduardo André Senna, delegado de polícia sennaea@hotmail.com

Mais moleza para os bandidos

Leio nos jornais que o presidente da OAB, Roberto Busatto, quer impedir a polícia de usar algemas nos presos (algemas seriam só para os perigosos, para evitar fuga). Ele acha que os policiais abusam, aplicando a medida indiscriminadamente.

Ai, que saudade da velha OAB, combativa e vigilante, aquela que lutava pelos direitos dos cidadãos e pelo Estado de Direito.

Mãe, quando eu crescer, quero ser bandido, corrupto e ladrão. Terei os advogados me defendendo até de graça...

UPDATE: na mais sólida democracia do mundo, os EUA (sorry, tropa anti-Bush), os bandidos são levados também com correntes nos pés. Nenhum advogado - norte-americano, bem entendido - acha isto excessivo.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Frouxidão à la Chinaglia

Pronto, começou o jogo para deixar a bandidagem no bem-bom. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, já deixou claro (ver no site do Estadão) que não tem pressa em levar adiante a discussão da redução da maioridade penal. Acha que os 23 projetos que tratam do tema não merecem exame por uma comissão especial: devem seguir a tramitação normal, isto é, o ritmo tartaruga.

Enquanto algum facínora mirim não ferver em óleo o filho de um deputado ou senador, tudo será empurrado com a barriga. A população que se dane. O Acampamento continuará sendo o paraíso da impunidade para os bandidos.

Os petistas se calam, e com eles a apetralhada hierarquia da Igreja Católica. Não se viu deles um gesto de solidariedade à família atingida por um dos crimes mais bárbaros da humanidade. Opção preferencial pelos facínoras, pois não?

Hay que endurecer. E sin ternura.

Mais de 70 por cento da bandidagem que volta às ruas reincide na criminalidade. Pois então, nada de liberdade condicional, nada de redução da pena. A Câmara começa a examinar isto hoje. Com a oposição, claro, do ministro Márcio Thomaz Bastos - que quer mais refresco para os facínoras, assim como os advogados criminais em geral. (Leia aqui).

Tudo o que se fizer para aumentar as penas e endurecer o castigo a este lixo da espécie ainda é pouco.

Alguém aí fala, pelo menos, em prisão perpétua? Oh, não combina com a "índole pacífica e ordeira" do nosso povo...

Chega de impunidade no Acampamento!

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Morte aos professores!


A Associação dos Professores da Universidade Federal de Santa Catarina publicou hoje anúncio de capa nos jornais locais denunciando o corte de salário dos professores a partir deste mês, por decisão da Justiça do Trabalho de Florianópolis.

Este escrevinhador, professor há quase três décadas, conseguiu ao longo da carreira apenas acumular dívidas. Perdendo mais um terço do salário, vai morar debaixo da ponte Hercílio Luz, conhecida como cartão postal da capital catarinense. Bene, pelo menos a vista é bonita.

Mas quanto ganha o marajá docente? Em final de carreira, com todos os títulos, um professor titular chega a 8 mil reais brutos - equivalente ao que recebe, por exemplo, um delegado de Polícia (e basta graduação) em início de carreira. Um aluno formado em Direito que passa em concurso para juiz, por exemplo, passa a ganhar no dia seguinte bem mais do que o mestre que lhe deu aula e, claro, contribuiu para a sua péssima formação.

O professor universitário federal foi jogado na vala comum do funcionalismo público e está com os salários praticamente congelados há 12 anos de governo monocórdio (PT-PSDB). Como se sabe, os salários do Executivo são os mais baixos da República. Qualquer contínuo do Congresso ganha mais que um professor universitário, o mesmo acontecendo com os funcionários do Poder Judiciário.

Mas os professores merecem isto mesmo. São vagabundos e corruptos (foram eles que criaram o "valerioduto"), são dilapidadores do patrimônio público, perdem tempo com pesquisas e, ainda por cima, impulsionam essa dupla monstruosa, a ciência e a tecnologia (C&T). Chega de arrombar os cofres públicos!

O Bananão é exemplo mundial de que é desnecessário estudar e ensinar. Vide exemplos em Brasília. (Reproduzo abaixo a nota da Associação dos Professores).

Seqüestro na UFSC

"A Associação dos Professores da Universidade Federal de Santa Catarina (Apufsc) comunica à sociedade catarinense e à comunidade acadêmica brasileira que 1.823 professores terão até 26,05% de seus ganhos seqüestrados por ordem do juiz da 3a. Vara do Trabalho de Florianópolis. Aém de perder um quarto dos vencimentos, estão ameçados de ter que devolver aos cofres da União tudo o que receberam legalmente nos últimos 16 anos.

Os valores referem-se às perdas no plano econômico Verão. Na ocasião, docentes da UFSC, assim como outras categorias, tiveram reconhecido por sentença judicial transitada em julgado o valor de 26,05% relativos à URP de fevereiro de 989.

Passados mais de 16 anos, cortam os vencimentos dos professores e ainda ameaçam com a devolução do que foi recebido por legítimo direito, lembrando-se que os salários dos professores são um dos menores do serviço público federal.

Professores da UFSC, indignados, clamam à sociedade catarinense e a todas as suas organizações sociais e políticas para que um ato de tamanha brutalidade não seja consumado. Está em jogo não apenas a vida de 1.823 famílias, mas os próprios destinos da Universidade, da Ciência e da Tecnologia e por último da própria democracia.

O autoritarismo brota e se desenvolve quando os dieitos dos trabalhadores são sumariamente suprimidos, mesmo depois de 16 anos de seu contínuo recebimento. O corte atinge profundamente os compromissos financeiros assumidos pelos professores com habitação, escola dos filhos e saúde, entre outros gastos, gerando um empobrecimento que afeta diretamente a economia catarinense.

Deve-se considerar, ainda, que a UFSC é um dos mais avançados centros de desenvolvimento científico e tecnológico de Santa Catarina e do País. Por outro lado, seus professores ficaram sem reajuste salarial nos últimos 12 anos, contrariando a determinação da legislação.

Os professores da UFSC acreditam no Estado Democrático de Direito e confiam plenamente no Poder Judiciário. Por esta razão, têm como certo que no final a Lei e o bom senso prevalecerão."
P.S.: Alô, alô, "Doutor" Fernandinho Beira-mar, tem uma vaguinha pra gente na sua entidade educativo-filantrópica?

Rio sanguinolento

Uma cidade que já foi maravilhosa

Não tem outra saída. É preciso sacudir a letargia a que foi reduzido o Acampamento, principalmente no lote carioca. Os cariocas devem uma atitude digna em resposta ao país em relação à violência jamais ocorrida no mundo, em todos os tempos: o estraçalhamento de uma criança por seres hediondos.

Que sociedade gera esse tipo de monstro? Não é o Brasil inteiro, não! Aqui em Santa Catarina não tem disso.

Mas há Estados em que a monstruosidade é rotina, aceita e até vista com complacência. Ora, o problema está com eles.

Façamos deste acampamento uma verdadeira federação: independência para os lotes.

No mais, Prefeitura e Governo do Estado do Rio de Janeiro deveriam suspender o carnaval em sinal de luto. O resto é CUMPLICIDADE.

P.S.: e não me venham falar em "casos isolados" - não tenho saquinho para tanto.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Crime e castigo

Ao longo da história, os Estados têm se valido de quatro idéias em relação à privação da liberdade dos transgressores da lei. O castigo teria como objetivo:
  1. a retribuição;
  2. a dissuasão;
  3. a "proteção da sociedade";
  4. a reabilitação da pessoa.

1. A retribuição tem sido mais ou menos o "olho por olho", a Lei do Talião - uma resposta exatamente proporcional ao crime cometido (a "justiça com as próprias mãos", praticada pela população nos linchamentos, vai nesse caminho). Pouco importa a "recuperação" do indivíduo.

2. O castigo como dissuasão tem por objetivo desencorajar a violação da lei, advertindo que quem a desobedece sofrerá sanções, isto é, perderá a liberdade. Aqui o castigo é mais importante que, vá lá, a modificação do "caráter" da pessoa.

3. A terceira justificação do castigo acentua a necessidade de "proteger a sociedade" das pessoas que violam a lei. A prisão do infrator ou criminoso seria uma forma de impedir a reincidência.

4. A reabilitação é o argumento mais invocado, em geral. A subtração da liberdade teria por objetivo tratar e "reeducar" o infrator.

Nos tempos modernos, pouco se tem falado na pena de morte, que, podemos dizer, leva ao extremo o primeiro argumento, o da "retribuição". Tirar a vida de um indivíduo que comete assassinatos seguidamente, muitas vezes de forma hedionda, seria uma forma de "assepsia" social, posto que o sujeito é "irrecuperável".

O fato é que nenhum desses castigos resolve o problema da criminalidade em geral, nem o pretende. Eles são aplicados de forma mais ou menos acentuada em todo o mundo. Nações democráticas, como os Estados Unidos, aprovam a pena de morte, assim como a ditadura chinesa. Há Estados islâmicos, por exemplo, que cortam a mão do ladrão. Cá pra nós, faz sentido: pelo menos o ladrão terá mais dificuldade para roubar depois, isto é, reincidir no crime.

Na verdade, os quatro argumentos podem coexistir - incluída a pena de morte para certos casos.

No Brasil prevalece, na esfera jurídica e entre os "especialistas", a visão de que a pena de prisão visa a reeducação ou reabilitação do criminoso, além de retirá-lo do convívio social. Ai de quem falar em pena de morte, embora a favor dela existam argumentos tão pertinentes quanto os que favorecem as outras interpretações. A dissuasão, aqui, é o argumento que menos funciona, dada a impunidade reinante.

Não há como resolver definitivamente o problema da criminalidade, que acompanha a própria evolução da espécie. Mas nada impede que os quatro tipos de castigo visados por princípio- incluindo a pena de morte -, de certo modo, coexistam. Como nenhum deles resolverá o problema, a sociedade pode se valer, licitamente, e dependendo dos casos, de qualquer um.

Há criminosos que não são dissuadidos nem reabilitados e, tão logo nas ruas, voltam a matar, estuprar etc. A sociedade, portanto, jamais estará protegida em relação a eles. Não adianta tapar o sol com a peneira.

Para estes seres, eles próprios hediondos, por que não a pena máxima, isto é, a pena de morte?

P.S.: a caixinha dos adjetivos já está aberta...

Nem assim, Sponholz...

Bananão, potência mundial !

Começou o festival da mídia, impulsionando o Carnaval, talvez a expressão "cultural" e turística mais importante do Bananão (venha, estrangeiro, é sexo fácil com as meninas, tudo incluído no pacote!). Não sem antes ter alertado os esfolados de que o Imposto de Renda está sendo alterado, etc., e já está quase na hora de pagar.

Anotem: passado o festim das tribos tapuias, virá a campanha através da TV para a declaração do IR, numa ansiedade crescente que os locutores fazem questão de alardear para a classe média idiota, a única que paga imposto e ainda adora o Deus Estado. Afinal, neste país de efemérides e feriadões, muitos pagam e alguns usufruem.

Ah, mas o Acampamento não é cucaracho, dirão os "consultores" e "analistas" econômicos. E aí vem aquela ladainha de que o Brazil dispõe de um expressivo "parque industrial", é a "locomotiva" (!) da América do Sul - balela insuportável que ouço desde criancinha.

Só falta alguém repetir que este enorme Cemitério (moral, cultural e intelectual) é o país do futuro.


Ora, Quixeramobim também é o município do futuro!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Do leitor, para pensar.

Em comentário ao post sobre o cruel assassínio de um menino no lote carioca do Acampamento Brasil (ver abaixo), o leitor C. Mouro diz algo que merece reflexão:

"Com certeza está mais que na hora de se começar a debater a pena de morte, prisão perpétua e auto-custeio dos encarcerados (se não produzirem para pagar a estadia, morram de fome). Pois não é justo que os cidadãos honestos banquem a estadia dos encarcerados (apenados...). Os recursos dos cidadãos devem servir para hospitais, saúde pública, saneamento, escolas e demais investimentos de infraestrutura. Torrar recursos para mimar bandidos é uma injustiça. Cidadãos honestos em filas de atendimento hospitalar, enquanto bandidos consomem verbas que seriam melhor empregadas nos hospitais. ...e o pior de tudo, que muitos não sabem, o bandido (encarcerado) tem prioridade na fila, pois está sob os cuidados do Estado. Já aqueles cidadãos decentes que pagam para ter os serviços do Estado, e que o Estado explora sob pretexto de "cuidar deles", não é considerado sob responsabilidade estatal. ...isso é uma aberração. Afinal, no meu entender, o Estado tem muito mais responsabilidade para com o pagador de impostos do que com o bandido encarcerado, que é um parasita da sociedade e efetivamente não é um cidadão, pelo menos não deveria ser assim considerado, já que não apenas é inútil à comunidade como nocivo a ela."

Bene, aguardemos as críticas do frei, do bispo, da Ong, do advogado de porta de cadeia, da esquerdalha politicamente correta etc., etc.

Los dueños del Acampamento Brasil


Do argentino Langer, sobre um episódio passado, mas que não tem fim aqui no Acampamento dos crimes hediondos, do poderes paralelos e da impunidade faceira.

Mais uma baixa na blogosfera


Meu caro amigo Roberto Romano (que foi meu professor na Unicamp) sumiu da blogosfera. Compreendo e respeito. Não disse a ele, mas digo agora: é melhor que continue com sua brilhante atuação na mídia, como voz discordante da pasmaceira em que "estepaís" se transformou nos últimos longos anos.

Romano escreve colunas em jornais nacionais e é ativo participante em programas de TV como o do William Waack no GNT - ressalte-se, um dos melhores jornalistas da televisão (ah, mas é da Globo, dirão os "democratizadores da comunicação"...).

Romano sai da blogosfera, mas não das lutas pelas causas civis e libertárias. Acompanharei o amigo pela TV e, óbvio, pelo correio eletrônico.

Mas, que ele faz falta, faz.

Acampamento Press

Não poderia deixar de me manifestar sobre o hediondo crime ocorrido no lote carioca do Acampamento, em que bandidos (atléticos e bem nutridos, depois se viu) arrastaram uma criança de seis anos num carro roubado.

Aposto que, se não os próprios, alguém da família recebe a Bolsa Lula. E, claro, invocarão los derechos humanos para si próprios...

Apenas pergunto: algum país em guerra já viu cenas de tamanha crueldade?

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Sobre o conceito de objetividade


Ainda sobre a espinhosa, mas fascinante questão da objetividade, transcrevo aqui alguns excertos de artigo que publiquei na Revista Brasileira de Ciências da Comunicação (Vol. XXVI, n. 2, julho/dezembro 2003), sob o título "Elementos para uma epistemologia do jornalismo." Observo que o conceito de objetividade é importante não só no jornalismo, mas também nas ciências e na filosofia. Declarada inexistente a objetividade, com ela desaparecem igualmente os conceitos de verdade e fato. Estaremos em plena noite relativista, onde todos os gatos são pardos. A realidade (natural ou social) será apenas o que cada qual achar que é. Então, para que jornalismo, para que ciência, se não há realidade que possa ser conhecida e reconhecida universalmente?
Ainda que lavrado em linguagem acadêmica, creio que o texto pode trazer esclarecimentos sobre o tema, que desenvolvi em escritos posteriores.

O conceito de objetividade deve ser analisado em sentido epistêmico e em sentido ontológico. De acordo com Searle (2000, 48-9), ambos comportam a dicotomia sujeito/objeto, isto é, há uma objetividade e subjetividade epistêmicas e uma objetividade e subjetividade ontológicas. O sentido epistêmico se aplica a afirmações, ao modo de conhecer (conhecimento objetivo), enquanto o ontológico diz respeito ao modo de existência das coisas no mundo (a realidade objetiva). De qualquer modo, tenha-se presente que é o nosso conhecimento que faz emergir diante de nós essa realidade objetiva, um mundo já constituído, e que assim era antes que o conhecêssemos. Podemos afirmar que o mundo é real e independente de nós só porque assim o conhecemos, mas isto não nos autoriza a concluir, de maneira idealística, que as coisas são assim por efeito do nosso conhecimento (BRENA, 2003, 243).

No sentido epistêmico da distinção entre objetivo e subjetivo, uma afirmação é considerada objetiva se reconhecida como verdadeira ou falsa independentemente dos nossos sentimentos e predileções (exemplo: “Getúlio Vargas nasceu no Rio Grande do Sul”); uma afirmação é considerada subjetiva se depende essencialmente das atitudes e sentimentos dos observadores (exemplo: “Machado de Assis é melhor escritor que Guimarães Rosa”). Se no primeiro caso a afirmação é objetiva porque podemos saber com certeza se é verdadeira ou falsa, no segundo caso é subjetiva porque sua “verdade” expressa um valor, uma questão de gosto.

Já o sentido ontológico se refere “ao status do modo de existência de tipos de entidade no mundo”. Assim, planetas, montanhas e rios têm um modo de existência objetivo, independente do observador; pensamentos, sentimentos e dores têm um modo de existência subjetivo, dependente do sujeito que os experimenta. Completa Searle em outra passagem: “a dor no meu dedo do pé é ontologicamente subjetiva, mas a afirmação “JRS está com uma dor no dedo do pé” não é epistemologicamente subjetiva. É uma simples questão de fato (epistemologicamente) objetiva, não uma questão de opinião (epistemologicamente) subjetiva.”
(...)
O conceito de objetividade (com suas necessárias imbricações: fato e verdade) é essencial também para se pensar uma epistemologia do jornalismo. Com a advertência de que esta não pode sucumbir ao anti-realismo, quer na sua variante mais forte, que nega até mesmo a objetividade ontológica, quer nas variantes mais fracas, que consideram impossível ou inatingível a objetividade epistêmica. Ora, objetivo é o sujeito (jornalista ou cientista) que tende a julgar pelos fatos, sem se deixar influenciar por sentimentos, preconceitos ou predileções. Segundo Hegenberg (2002, 95), "é objetiva a pessoa que considere coisas, ações e ocorrências, observando-as, analisando-as, julgando-as e criticando o que delas se diga sem permitir que preferências de ordem pessoal intervenham em tais análises, avaliações e críticas. (....) É a pessoa que examina o mundo tal qual é, ou existe, preocupando-se com a realidade sem ‘deformá-la’ pela intromissão de suas próprias predileções."

Em outros termos, é objetivo o jornalista que, ao escrever uma reportagem, guie-se pela imparcialidade, abstraindo de idiossincrasias pessoais ou “paroquialismos” (conforme a expressão de RESCHER, 1997, 7). Reconheça-se que a objetividade, nesse sentido, não é completa, definitiva. Talvez seja melhor falar em graus ou níveis de objetividade. “Podemos pensar na realidade como um conjunto de esferas concêntricas que se vão revelando de maneira progressiva à medida que nos distanciamos gradualmente das contingências do eu” (NAGEL, 1998, 13). Há áreas que podem ser mais objetivas que outras, tal como a ética, por exemplo, é mais objetiva que o ponto de vista do sujeito em sua vida privada, embora seja menos objetiva que a física.

Não se pretende aqui alegar que o jornalismo seja uma ciência, mas parece não haver dúvida de que ambos são epistemicamente objetivos, já que tanto o jornalista quanto o cientista procuram descobrir verdades ou investigar fatos que são independentes das atitudes, dos preconceitos e dos vieses de qualquer pessoa. A dificuldade maior para o jornalismo, em seus vários gêneros, é a dependência de fontes. O fato, nesse caso, comporta versões, que nem sempre correspondem à verdade.
(...)
O jornalismo corre diariamente o risco de confundir declarações e fatos, pois nem sempre as declarações das fontes são ou podem ser checadas, isto é, nem sempre se sabe se correspondem aos fatos. Pelo menos neste aspecto, a atividade jornalística distancia-se bastante da atividade científica, tornando-se menos objetiva que o trabalho do cientista. Quanto mais “declaratório” for o jornalismo, quanto mais depender exclusivamente de fontes, mais injustificável será sua pretensão de constituir-se como uma forma de conhecimento autônoma.

O risco mencionado é menor no gênero investigativo, em que a pauta elaborada pelo repórter é estruturalmente semelhante ao elenco de hipóteses que guia a pesquisa científica e em que é menor a dependência de fontes e versões. A pesquisa jornalística se equipara aqui à pesquisa científica, ambas buscando a objetividade. Do lado do jornalismo, o resultado será a revelação de fatos que eram até então desconhecidos ou, por razões e interesses vários, mantidos em segredo. Do lado da ciência, uma vez submetidas à prova as hipóteses levantadas, o resultado será uma nova descoberta no campo da realidade físico-natural (com as ciências naturais trazendo à luz novos fatos brutos) ou da realidade social e institucional (com as ciências sociais explicando novos fatos ou novas relações). Apenas sob esse ponto de vista, como já foi dito, pode o jornalismo (mas é algo a ser justificado) reivindicar o estatuto de forma de conhecimento, já que conhecer, em uma definição preliminar, “consiste em ter representações verdadeiras para as quais possamos fornecer certos tipos de justificação ou provas. Portanto, o conhecimento é, por definição, objetivo no sentido epistêmico, posto que os critérios para conhecer são impessoais e não arbitrários” (SEARLE, 1996, 171).
(...)

Orlando Tambosi

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Objetividade no jornalismo


Enfim, alguém de dentro das redações ousa enfrentar a questão da objetividade no jornalismo sem resvalar no relativismo míope que impera na área, principalmente entre os chamados comunicólogos. Trata-se de Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo, que já nos brindou com um belo e corajoso livro, Não somos racistas, contra a política de quotas raciais.

Bem-vindo ao minúsculo clube dos defensores da objetividade, Ali. E prepare-se para ser taxado, na melhor das hipóteses, de "positivista". (Reproduzo o artigo publicado hoje em O Globo).

Jornalismo e objetividade

Por Ali Kamel

No meu artigo anterior defendi a idéia de que o jornalismo é uma forma de conhecimento, uma maneira de apreender a realidade. Afirmei que, diante de uma miríade de fatos, os jornais, seguindo um determinado método, são capazes de escolher o que é relevante.

E que é possível fazer isso com um grau aceitável de objetividade e isenção (embora não sejam todos os veículos que se esforçam para tal). O artigo era uma resposta àqueles que acham que existe apenas um jornalismo de tendências, e que tudo, editorial, páginas de artigos e noticiário em geral, é produzido segundo os valores e as crenças dos donos dos jornais e dos jornalistas que para eles trabalham.

Afirmei que quem pensa assim se justifica sempre se escorando em platitudes filosóficas: a objetividade é um mito, a verdade é inalcançável etc.

Se fosse assim, o jornalismo não retrataria nem analisaria fatos, mas apenas a visão que grupos têm deles. Eu disse que um jornalismo produzido assim não seria jornalismo, mas publicidade, propaganda, porque teria como objetivo não informar, mas conquistar almas, adeptos, seguidores. O jornalismo seria apenas um campo de batalhas de ideologia.

Embora reconhecesse que o jornalismo não consegue ser 100% objetivo, eu disse que, se bem-feito, consegue uma aproximação da realidade, a melhor para aquele período histórico e a partir do instrumental e dos recursos disponíveis. Prometi tratar hoje de como isso é possível. Vamos lá.

Vacina natural

O compromisso com a isenção é formal e deve ser uma busca consciente de todos os jornalistas: deve-se sempre, conscientemente, tentar despir-se de seus preconceitos, de suas certezas, de suas paixões, mesmo sabendo que isso não é realizável totalmente. Se em jornalismo não se tem o tempo necessário para se fazer a crítica aos próprios valores, que um antropólogo ou um sociólogo fará antes, durante e depois de qualquer pesquisa, isso não quer dizer que o jornalista deve relaxar seu autocontrole e deixar que suas crenças e seus preconceitos contaminem o seu trabalho cotidianamente. Deve-se sempre evitar idiossincrasias ("esse tipo de assunto eu não noticio", "fulano não merece uma linha de jornal", "esse cara é um escroque, merece mesmo apanhar").

Um bom exercício é tentar abrir sempre espaço a quem pensa diferente, a quem aparentemente está errado, a assuntos de que o jornalista não gosta. Esse é o ponto de partida, o básico, aquilo que está em todo manual. Mas se sabemos que isso na prática não é realizável em 100% do tempo, se somente uma máquina ou um santo conseguiria o autocontrole desejável, isso quer dizer que o jornalismo estará sempre longe da isenção e da objetividade?

Não, porque o processo mesmo de produção de notícias tem mecanismos que ajudam a evitar desvios inconscientes ou propositais. Como o jornalismo é por definição uma obra coletiva, toma parte de todos os processos e de todas as decisões uma multiplicidade de cabeças, cada uma com seus valores individuais, seus preconceitos, suas tendências. Um preconceito tende a anular o outro, uma decisão enviesada tende a ser revista ao longo do dia pela reação de colegas que pensam diferente.

Não se trata de uma discussão eterna ou de uma guerra sem fim, mas de um processo natural, de que poucos se dão conta conscientemente. Mas que existe. Quando um fato chega à redação, é muito comum que se ouça de primeira um "isso não vale" para, logo a seguir, ver-se instalar uma discussão rápida, mas intensa, sobre se "isso vale ou não vale mesmo", num debate extremamente produtivo. Em redações saudáveis, sem a presença de editores idiossincráticos, o resultado acaba sendo um noticiário mais perto da objetividade possível (e editores idiossincráticos, mostra a experiência, acabam expulsos do mercado, porque a arte de editar é a arte de saber ouvir).

Mesmo que essa vacina natural falhe, porém, outra entra em ação para corrigir eventuais desvios: a concorrência entre empresas jornalísticas que disputam o mesmo público. O que um jornal não dá, por omissão deliberada ou por incompetência, o outro dará (e este outro é o concorrente direto, mas também a internet, o rádio, a televisão). Não existe conluio possível entre empresas jornalísticas que competem entre si. Não existe silêncio coletivo auto-imposto. Se o jornal que pecou ou errou não se corrigir, acaba manchado, fora do mercado.

"Ninguém é santo"

Quem melhor entendeu que o jornalismo é uma forma de conhecer a realidade, com as características que procurei detalhar até aqui, foi a grande imprensa e o seu público. Este exige dela informações que supõe serem as que mais se aproximam da realidade. Querem conhecer para depois formar opinião. Quando percebe que um jornal lhe solapa isso, deixa de comprá-lo.
A grande imprensa há muito entendeu isso. É a única que, de maneira organizada, consegue reunir os recursos tecnológicos e humanos capazes de decodificar a realidade imediata e recodificá-la de modo a ser entendida pelo público. Ela é a única que investe grandes somas de dinheiro em tecnologia de ponta, cada vez mais sofisticada, para que o jornalismo possa cumprir uma de suas obrigações básicas: informar com rapidez. É também a única capaz de atrair pessoal qualificado e, na ausência dele, de qualificar pessoal de modo a torná-lo apto a desempenhar a sua tarefa.

Se mais não for, trata-se de uma questão de sobrevivência. Grupo de mídia algum trocará a sua reputação de longo prazo, garantidora de sua audiência e de sua credibilidade, e, portanto, de seus lucros, para se imiscuir na vida política da sociedade visando a obter benefícios de curtíssimo prazo. Quem pode fazer isso são experiências "jornalísticas" efêmeras, de oportunidade; mas estas, ao enveredarem por esse caminho, abandonam o jornalismo para praticar algo que, como disse antes, na verdade é apenas publicidade.

Um desses que fizeram essa opção escreveu outro dia: "Ninguém é santo". Talvez este seja o único ponto em que concordamos. Mas o fato de que somos todos humanos não significa dizer que todos erremos de propósito.

Todos atrás da TV

Marcelo Soares, do Blog Deu no Jornal, foi no alvo. Os jornais parecem seguir uma "lógica de manada que faz com que apenas um punhado de assuntos seja coberto por vez, com a dedicação de páginas e mais páginas (e portanto de profissionais e mais profissionais) para ouvir as mesmas fontes sobre o mesmo assunto e garantir que todos os jornais tenham exatamente as mesmas informações já passadas ontem pela tevê."

Por isso é que tudo é tão igual nos jornais - às vezes, até os ângulos das fotos...

Xeque-mate


O Blogger/Google rosnou, rosnou e acabou me mordendo, apesar de eu ter colocado contra ele o cão hidrófobo do Aluízio, caçador de petralhas. Pronto, enfim migrei (isto é, fui obrigado a). Parece não ter havido grandes danos, além de umas letrinhas atravessadas na página.

Farei curativos aos poucos...

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Ética e ideologia

O leitor C. Mouro envia, como colaboração, um alentado artigo em que discute as relações entre ética e ideologia. Ele concebe duas éticas: "uma que visa combater o mal e outra que visa aumentar o bem." Ética relativa ou ética absoluta? Acompanhe aqui o texto de Mouro, que dá uma boa discussão.

Ele também quer o Zé de vorta...

Meu é que não é


(E o Blogger continua com problemas...)

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Acampamento, 2007...

Democratización de la comunicación

Luiz Dulci, secretário-geral do Pequeno Timoneiro (trata-se daquele sujeito de bigodinho fino, formado em Letras, que sorri em horas inconvenientes, por puro nervosismo, dizem), discute hoje com a direção do partido governista um projeto para criar mais boquinhas estatais para a tigrada e difundir a pregação lulo-petista. A patranha faz parte do que os interessados chamam de "democratização da comunicação" e se resume ao seguinte: criar uma TV estatal, abocanhando, em rede, as já existentes TVEs. A coisa conta com o aval de Lula.

Curto e grosso: apetralhamento das TVs públicas.