sábado, 31 de março de 2007

O céu é dos pelegos

Pronto, a pelegada da CUT agora será dona também dos céus. Os militares se retiram definitivamente do setor de controle aéreo nos aeroportos, passando-o a uma entidade civil que será criada pelo governo.

Foi um esquema bem arquitetado para afastar a Aeronáutica, envolvendo indisciplina e quebra de hierarquia (ver post abaixo).

Conclusão inescapável: há uma razão a mais para que se implante a CPI do Apagão. Aí tem coisa.

P.S.: voar se tornará mais perigoso...

Desrespeito à Constituição


Reza a Constituição, em seu art. 142, inciso IV: "ao militar são proibidas a sindicalização e a greve".

Portanto, os controladores militares que fizeram greve violaram não só a hierarquia militar, mas a própria Carta Magna.

A propósito, o Praça darmas lembra, neste 31 de março, um episódio ocorrido às vésperas do golpe de 64. Vale a pena ler.
Aluízio também comenta a baderna em seu blog.

Caçando fantasmas

O senador tucano Arthur Virgílio, falastrão que ficou mudo depois de pegar carona no Aerolula, volta ao palco para dizer bobagem. Caiu no conto da "privatização da Amazônia".

Virgílio só não tem olhos para ver o que acontece aqui dentro.

Depois dessa, deveria embrenhar-se na floresta.

P.S.: aliás, onde anda o PSDB do senador? Existe ainda esse partido?

O caos aéreo e a turma dos "direitos humanos"

Durante o almoço, vendo o jornal na TV. Multidões presas em aeroportos. Mulheres grávidas, crianças chorando. Muitas estão aí há mais de dois dias. Nenhum amparo das "autoridades" que "cuidam" da área, nem das empresas, com suas funcionárias que andam como baratas tontas, sem dispor de qualquer informação. Em qualquer favela africana há mais organização.

E aí vai uma perguntinha politicamente incorreta: onde estão os grupos defensores dos "direitos humanos"? É hora de intervir.

Se este inferno ocorresse nos presídios, haveria ongs, comissões disso e daquilo, os "adevogados" e promotores do "direito alternativo" etc. (aliás, "direito alternativo", "medicina alternativa", que diabo é isso? Ora, não há conhecimento alternativo: a única alternativa ao conhecimento é a ignorância. Mas "no caso em tela", não se trata de ignorância: é picaretagem mesmo). Ponto.

P.S.: usei muitas aspas hoje? Pois vivo num país entre aspas...

É do time


Feijão pedreira


Serviço de utilidade pública!

Comprei um pacote de feijão carioquinha da Cooperveneto, cooperativa de Pedras Grandes SC). Tipo 1, selecionado. Era para ir direto à panela, portanto, depois de lavado.
Como não tenho muita confiança nos nossos "empresários" e "cooperativados", pus-me a escolher os grãos.
Bene, encontrei exatamente 15 pedrinhas!

Tutti buona gente...
(Ilustração: meteorito férreo/Nasa)

Argh!

A greve dos controladores já foi encerrada. Mas não adianta esconder, o Apagão é administrativo. Gerência cega. Incompetência.

O verdadeiro apagão, como denunciou o chargista Sponholz (ver abaixo), é o governo Lula. Mas depois dele vem o Aécio. PT/PSDB: mais quarenta anos de mediocridade.

Adeus, Bananão.

Beer After

Voltando da cervejinha. De ônibus, claro, por não ser irresponsável. Meia-noite, último ônibus da Trindade, onde fica a UFSC, para a área onde moro. Motorista dirigindo em alta velocidade uma máquina dupla, aqui chamada de sanfona. Salto próximo ao primeiro Shopping Center da ilha. Zona "nobre".

Na rua, os malandros que vejo quase que diariamente, vendendo drogas à luz do dia. A noite é ainda mais deles. E há também os jovens vestidos de preto e cheios de piercings que saem de um supermercado (dentro do shopping, única coisa aberta), alguns com jeito de menores, carregados de cerveja e outras bebidas.

Nenhum policial na área. Não se vê polícia na "Ilha da Magia". Aos poucos, a cidade é tomada pela marginalidade (não me refiro aos jovens de preto). Gente que é bandida porque quer ser bandida, isto é, não é vítima da sociedade, não (mas volto a este tema politicamente incorreto outro dia, fora Rousseau!).

Chego à constatação de que a cidade não tem administração, isto é, não tem prefeito. É um ausente. E o alcaide, aliás, é proprietário de uma empresa de segurança particular. Você quer segurança? Contrate a turma do prefeito.

O governador do Estado também mora aqui. Mas jamais o vi nem sequer perambular pela cidade. Não desce do avião ou do helicóptero. Viagens, viagens, viagens.

E cheguei à conclusão: estamos entregues à própria sorte. O município, o Estado e a tal União nos tomam grande parte do salário em impostos, mas é pura rapinagem. Nada em troca, nenhuma retribuição.

Que vão para o inferno!

sexta-feira, 30 de março de 2007

Blogosfera

Como passei a tarde falando em blogs e afins, aí vão duas dicas:

Instapundit, de Glenn Reynolds, professor de Direito na Universidade do Tennessee, com postagens que vão da política à nanotecnologia. É um blog muito popular, com milhares de visitantes diários.

Daily Kos, de Markos M. Zúniga, ativista em Berkeley. Trata-se de um site liberal sobre política que recebe quase um milhão de visitas por dia. Bem mais do que muitos jornais e com um poder de fogo que só vendo!

Ô, inveja!

P.S. bem miudinho: e agora vou tomar umas cervejas com o amigo Hélio, que ninguém é de ferro. Tim-tim.

Estou com o Spon

quinta-feira, 29 de março de 2007

Academia

Como amanhã só poderei postar à noite, aí vai uma boa gozação em cima do trabalho acadêmico, sobre a entrega de monografias.

O endereço é este, mas a dica é do atentíssimo Claudio Shikida.

Acrescento outra gozação, gargalhando: seria bom medir também o crânio do alunado, à la Broca.

Sob a Lei de Sturgeon

A Lei de Sturgeon (cujo epônimo é o escritor de ficção científica Theodore Sturgeon) diz que "noventa por cento de tudo é desprezível". Bota lei nisso! Basta pensar em cinema, CDs, DVDs, livros etc. Noventa por cento, sem dúvida, é porcaria. Não passa de lixo - incluindo milhões e milhões de (nossos) blogs, claro.

Meu cáustico amigo Aluízio certamente diria que a lei vale também para a nossa espécie: 90 por cento dela é desprezível, está aí apenas para proliferar, sem nada contribuir para o "progresso" da dita "humanidade"...

Sponholz é um corisco

Luz na escuridão

Ainda existe um poder "nesspaís" que não é capacho do Palácio do Planalto. Trata-se do Poder Judiciário, que guarda, apesar de todos os seus defeitos, o Estado de Direito. O STF, a quem cabe zelar pelo respeito à Constituição, concedeu liminar hoje determinando a instalação da CPI do Apagão Aéreo, derrubada pelo Grande Exército do Pequeno Timoneiro (ver lista abaixo).

Se querem esconder, é porque aí tem. E os quatro anos de lulo-petismo não deixam dúvidas quanto a isto.

Adelante, pois.

O humor do Sponholz


Quero porque eles não querem

Também vou nessa. Se o governo não quer, é porque aí tem coisa feia.

Neste endereço —
http://www.gabeira.com.br/blog/blog.asp?id=3487 — está a página com o abaixo-assinado em defesa da CPI do Apagão Aéreo.

E essa tigrada aí, graciosamente, ajudou o governo a enterrar a CPI:

PT
Adão Pretto (RS)
Andre Vargas (PR)
Angela Portela (RR)
Angelo Vanhoni (PR)
Anselmo de Jesus (RO)
Antônio Carlos Biffi (MS)
Antonio José Medeiros (PI)
Antonio Palocci (SP)
Assis do Couto (PR)

Beto Faro (PA)
Carlos Abicalil (MT)
Carlos Santana (RJ)
Carlos Wilson (PE)
Carlos Zarattini (SP)
Chico DAngelo (RJ)
Cida Diogo (RJ)
Dalva Figueiredo (AP)
Décio Lima (SC)
Devanir Ribeiro (SP)
Domingos Dutra (MA)
Dr. Rosinha (PR)
Edson Santos (RJ)
Eduardo Valverde (RO)
Elismar Prado (MG)
Eudes Xavier (CE)
Fátima Bezerra (RN)
Fernando Ferro (PE)
Fernando Melo (AC)
Gilmar Machado (MG)
Guilherme Menezes (BA)
Henrique Afonso (AC)
Henrique Fontana (RS)
Iran Barbosa (SE)
Iriny Lopes (ES)
Janete Rocha Pietá (SP)
Jilmar Tatto (SP)
João Paulo Cunha (SP)
Jorge Bittar (RJ)
José Airton Cirilo (CE)
José Genoíno (SP)
José Guimarães (CE)
José Mentor (SP)
José Pimentel (CE)
Joseph Bandeira (BA)
Leonardo Monteiro (MG)
Luiz Bassuma (BA)
Luiz Couto (PB)
Luiz Sérgio (RJ)
Magela (DF)
Marco Maia (RS)
Maria do Carmo Lara (MG)
Maria do Rosário (RS)
Maurício Rands (PE)
Miguel Corrêa Jr. (MG)
Nazareno Fonteles (PI)
Nelson Pellegrino (BA)
Nilson Mourão (AC)
Odair Cunha (MG)
Paulo Pimenta (RS)
Paulo Rocha (PA)
Paulo Rubem Santiago (PE)
Paulo Teixeira (SP)
Pedro Eugênio (PE)
Pedro Wilson (GO)
Pepe Vargas (RS)
Praciano (AM)
Reginaldo Lopes (MG)
Ricardo Berzoini (SP)
Rubens Otoni (GO)
Sérgio Barradas Carneiro (BA)
Tarcísio Zimmermann (RS)
Vaccarezza (SP)
Vander Loubet (MS)
Vicentinho (SP)
Vignatti (SC)
Virgílio Guimarães (MG)
Zezéu Ribeiro (BA)

PMDB
Acélio Casagrande (SC)
Alberto Silva (PI)
Alexandre Santos (RJ)
Aníbal Gomes (CE)
Antônio Andrade (MG)
Antonio Bulhões (SP)
Asdrubal Bentes (PA)
Bel Mesquita (PA)
Bernardo Ariston (RJ)
Carlos Alberto Canuto (AL)
Carlos Bezerra (MT)
Carlos Eduardo Cadoca (PE)
Celso Maldaner (SC)
Colbert Martins (BA)
Darcísio Perondi (RS)
Edinho Bez (SC)
Edio Lopes (RR)
Edson Ezequiel (RJ)
Eduardo Cunha (RJ)
Elcione Barbalho (PA)
Eliseu Padilha (RS)
Eunício Oliveira (CE)
Fátima Pelaes (AP)
Fernando Diniz (MG)
Flaviano Melo (AC)
Flávio Bezerra (CE)
Francisco Rossi (SP)
Geraldo Pudim (RJ)
Hermes Parcianello (PR)
Íris de Araújo (GO)
João Magalhães (MG)
João Matos (SC)
Joaquim Beltrão (AL)
Jurandil Juarez (AP)
Laerte Bessa (DF)
Leandro Vilela (GO)
Lelo Coimbra (ES)
Leonardo Quintão (MG)
Luiz Bittencourt (GO)
Marcelo Castro (PI)
Marcelo Guimarães Filho (BA)
Marcelo Itagiba (RJ)
Maria Lúcia Cardoso (MG)
Marinha Raupp (RO)
Moacir Micheletto (PR)
Nelson Bornier (RJ)
Olavo Calheiros (AL)
Osmar Serraglio (PR)
Osvaldo Reis (TO)
Paulo Henrique Lustosa (CE)
Paulo Piau (MG)
Pedro Chaves (GO)
Pedro Novais (MA)
Professor Setimo (MA)
Reinhold Stephanes (PR)
Rocha Loures (PR)
Saraiva Felipe (MG)
Solange Almeida (RJ)
Tadeu Filippelli (DF)
Valdir Colatto (SC)
Vital do Rêgo Filho (PB)
Waldemir Moka (MS)
Wilson Santiago (PB)
Zé Gerardo (CE)
Zequinha Marinho (PA)


PP
Afonso Hamm (RS)
Aline Corrêa (SP)
Antonio Cruz (MS)
Benedito de Lira (AL)
Carlos Souza (AM)
Ciro Nogueira (PI)
Eduardo da Fonte (PE)
Eliene Lima (MT)
Eugênio Rabelo (CE)
George Hilton (MG)
Gerson Peres (PA)
João Leão (BA)
João Pizzolatti (SC)
José Linhares (CE)
José Otávio Germano (RS)
Lázaro Botelho (TO)
Luiz Fernando Faria (MG)
Márcio Reinaldo Moreira (MG)
Mário Negromonte (BA)
Nélio Dias (RN)
Nelson Meurer (PR)
Neudo Campos (RR)
Pedro Henry (MT)
Rebecca Garcia (AM)
Renato Molling (RS)
Ricardo Barros (PR)
Roberto Balestra (GO)
Roberto Britto (BA)
Sandes Júnior (GO)
Vadão Gomes (SP)
Vilson Covatti (RS)
Waldir Maranhão (MA)
Zonta (SC)

PR
Aelton Freitas (MG)
Chico da Princesa (PR)
Dr. Adilson Soares (RJ)
Giacobo (PR)
Gorete Pereira (CE)
Homero Pereira (MT)
Inocêncio Oliveira (PE)
João Carlos Bacelar (BA)
João Maia (RN)
Jofran Frejat (DF)
José Carlos Araújo (BA)
José Rocha (BA)
Léo Alcântara (CE)
Lincoln Portela (MG)
Lindomar Garçon (RO)
Lucenira Pimentel (AP)
Luciano Castro (RR)
Lúcio Vale (PA)
Marcelo Teixeira (CE)
Maurício Quintella Lessa (AL)
Maurício Trindade (BA)
Milton Monti (SP)
Neilton Mulim (RJ)
Nelson Goetten (SC)
Sandro Mabel (GO)
Sandro Matos (RJ)
Tonha Magalhães (BA)
Valdemar Costa Neto (SP)
Vicente Arruda (CE)
Vicentinho Alves (TO)
Wellington Fagundes (MT)
Wellington Roberto (PB)

PSB
Ana Arraes (PE)
Ariosto Holanda (CE)
Átila Lira (PI)
Beto Albuquerque (RS)
Djalma Berger (SC)
Dr. Ubiali (SP)
Eduardo Lopes (RJ)
Fernando Coelho Filho (PE)
Givaldo Carimbão (AL)
Janete Capiberibe (AP)
Laurez Moreira (TO)
Lídice da Mata (BA)
Manoel Junior (PB)
Marcelo Serafim (AM)
Márcio França (SP)
Marcondes Gadelha (PB)
Maria Helena (RR)
Mauro Nazif (RO)
Ribamar Alves (MA)
Rodrigo Rollemberg (DF)
Valadares Filho (SE)
Valtenir Luiz Pereira (MT)

PDT
Arnaldo Vianna (RJ)
Barbosa Neto (PR)
Brizola Neto (RJ)
Dagoberto (MS)
Davi Alves Silva Júnior (MA)
Dr. Basegio (RS)
Giovanni Queiroz (PA)
João Dado (SP)
Julião Amin (MA)
Manato (ES)
Marcos Medrado (BA)
Miro Teixeira (RJ)
Paulinho da Força (SP)
Pompeo de Mattos (RS)
Reinaldo Nogueira (SP)
Sebastião Bala Rocha (AP)
Sérgio Brito (BA)
Severiano Alves (BA)
Sueli Vidigal (ES)
Vieira da Cunha (RS)
Wolney Queiroz (PE)


PTB

Armando Abílio (PB)
Armando Monteiro (PE)
Arnon Bezerra (CE)
Augusto Farias (AL)
Ernandes Amorim (RO)
Frank Aguiar (SP)
Jackson Barreto (SE)
José Múcio Monteiro (PE)
Jovair Arantes (GO)
Luiz Carlos Busato (RS)
Paes Landim (PI)
Paulo Roberto (RS)
Pedro Fernandes (MA)
Ricardo Izar (SP)
Sabino Castelo Branco (AM)
Sérgio Moraes (RS)

PC do B
Aldo Rebelo (SP)
Alice Portugal (BA)
Chico Lopes (CE)
Daniel Almeida (BA)
Edmilson Valentim (RJ)
Evandro Milhomen (AP)
Flávio Dino (MA)
Jô Moraes (MG)
Manuela D'Ávila (RS)
Osmar Júnior (PI)
Perpétua Almeida (AC)
Renildo Calheiros (PE)
Vanessa Grazziotin (AM)

PAN
Cleber Verde (MA)
Jurandy Loureiro (ES)
Silas Câmara (AM)
Takayama (PR)

PSC
Deley (RJ)
Eduardo Amorim (SE)
Filipe Pereira (RJ)
Hugo Leal (RJ)
Mário de Oliveira (MG)
Ratinho Junior (PR)

PMN
Fábio Faria (RN)
Francisco Tenorio (AL)
Sergio Petecão (AC)
Silvio Costa (PE)
Uldurico Pinto (BA)

DEM (PFL)
Cristiano Matheus (AL)
João Bittar (MG)
Lael Varella (MG)
Roberto Magalhães (PE)

PPS
Airton Roveda (PR)
Alexandre Silveira (MG)
PSDBSilvio Lopes (RJ)

PV
Fábio Ramalho (MG)

PTC
Carlos Willian (MG)

PHS
Felipe Bornier (RJ)

PRB
Léo Vivas (RJ)

Sem partido
Damião Feliciano (PB)
Juvenil Alves (MG)

quarta-feira, 28 de março de 2007

Francolino e a "Rede Pravda"

No ano passado, analisando documento produzido no 13º Encontro Nacional do PT, chamei a atenção para alguns pontos relativos às instituições e à mídia. A palavra que mais aparecia era "controle".

Com a implantação da "TV Oficial" (Pública, uma ova!), sob o controle de Francolino Chapa-Branca, teremos de fato uma "Rede Pravda" do lulo-petismo. Transcrevo um excerto do texto (vá lá, é um trechão) que escrevi então:

Controle das instituições
O documento também recrimina a “timidez” do partido em criar “mecanismos democráticos de participação e controle popular sobre as grandes instituições nacionais”. Ora, então os petistas tomaram de assalto o Estado e ainda acham que foram tímidos? E o que significa o tal controle sobre as grandes instituições? Certamente, submissão do judiciário, do legislativo, da imprensa, das universidades etc. Bem que já tentaram.
Não bastasse isso, o PT pretende ainda a “democratização radical do aparelho de Estado”. Trocando em miúdos, democratização radical corresponde a aparelhar o Estado com os militantes. Mas isto já não foi realizado? Foi, sim, mas de forma incompleta, já que a meta é o controle total – algo que demanda um segundo mandato. O processo todo é apresentado como “antídoto contra um conjunto de hábitos e práticas conservadoras e tradicionais, entre elas as práticas fisiológicas e corruptas vigentes nos governos anteriores”. Ah, bom.

Controle da mídia
Outro ponto que não poderia faltar na pauta é a “política de comunicação”. É aí que entra a tal de “democratização da comunicação de massa”, tema dominante, nos anos 80, principalmente nas escolas de comunicação, cujo inimigo então era o chamado “monopólio” da Globo. Como a Globo, hoje, é amiga do petismo-lulismo, certamente os inimigos são todos os veículos que criticam o governo, jornais e revistas em especial.
Embora o documento não forneça indicações sobre como seria essa “democratização da comunicação”, uma pista pode ser encontrada em texto deste escrevinhador (cf. “Uma rede Pravda para o PT”) a propósito de artigo de uma militante/jornalista publicado no site do PT meses atrás.
Reproduzo aqui um trecho do artigo:
"A articulista retoma a rançosa discussão sobre “o papel desempenhado pelos grandes meios de comunicação de massa na construção e permanente atualização da hegemonia conservadora no Brasil” e fala do fracasso da “esquerda” em construir uma “nova hegemonia”. O problema seria o “monopólio” (sic) no setor de comunicação (a salada de noções com cheiro de naftalina lembra Armand Mattellart, Gramsci, Althusser e outros vetustos ideólogos dos anos 70).
(...) O grande erro do governo Lula teria sido justamente tentar uma aproximação com o “monopólio da mídia”, ao invés de combatê-lo com a criação de novos canais que ela chama de “alternativos” (atenção: alternativo é estatal). Eis o ponto. Nada de mediação, nada de concorrência, nada de livre circulação de informações, essas coisas da democracia burguesa. Não, é simplesmente impossível "transformar" a sociedade com “informações mediadas pelas grandes empresas de comunicação”. O que a jornalista-militante busca, no fundo, é a segurança da propriedade estatal, o discurso oficial sem mediação, a formação ideológica das “massas”. E, se bem que não advogue o fechamento dos jornais e redes de televisão privados - que impropriamente chama de monopólio -, propugna a construção de uma rede Pravda (Verdade) paralela para difundir a informação "classista", isto é, verdadeira.
De quebra, abriria mais uma boquinha estatal para jornalistas chapa-brancas como ela.

Observação: se a Agência Carta Maior fechar mesmo, é para essa boquinha que podem ir seus "desempregados"...











(Ao lado, Lênin lê o Pravda, que dirigiu em 1917)

"Afros" e branquelos...


Magrinha, magrinha.


E outra revista que pode desaparecer, caso perca também as tetas públicas, é a do Tio Mino (o homem que detesta computador). Outro dia, tomando um café com o Aluízio na Lagoa da Conceição, folheamos a CartaCapital e vimos que só tinha anúncio de estatal, a começar pelo Banco do Brasil (claro, não faltava também a Petrobras). Mesmo assim, anda magrinha, magrinha.

Comparamos com a direitista-reacionária-burguesa Veja: recheada de anúncios de empresas privadas. Ela não depende das estatais, portanto. E por que os empresários anunciam tanto nessa revista? Ora, credibilidade.

Credibilidade não se conquista bajulando governantes.

Que não falte pá de cal

A boa notícia me foi dada ontem à noite pelo ph Ácido. A agência oficialista Carta Maior (leia-se: Menor) está quase fechando as portas. Curiosamente, a Petrobras suspendeu a verbinha estatal que vinha bancando a agência de petistas e stalinistas do Bananão. Palmas para a Petrobras, portanto.

É de morrer de rir a afirmação do editor-chefe da agência chapa-branca, o crítico literário Flávio Aguiar, de que se trata de um órgão "independente" e - quá, quá, quá - da "imprensa alternativa". Convenhamos, é muita cara de pau chamar de alternativa essa boquinha de jornalistas chapa-brancas. Só mesmo nestes tempos de mediocridade galopante.

O site da Carta Menor abriga o blog do sociólogo Emir Sáder, que, no fundo, é quem dá as tintas por lá.

Não me surpreenderei se forem passar o chapéu agora em terras bolivarianas...

Do branquelo Sponholz


terça-feira, 27 de março de 2007

Um controlador é o que basta

Ahá, culpa da imprensa!


E agora a ministra do "Preconceito Racial", Matilde Ribeiro, diz que a frase sobre racismo "está fora do contexto". Culpa dos jornalistas, claro. Eles só manipulam, distorcem, são cheios de vieses. Tiraram do "contexto" só para prejudicar a pobre senhora, esses malvados escravocratas tardios.

Bene, essa é a desculpa de 10 entre 10 autoridades entrevistadas que pisam feio na jaca.
P.S. e se "não é racismo se insurgir contra branco", que tal a gente "se insurgir" contra os "amarelos" que estão quebrando nossas indústrias?

Vai nessa, Matilde!


Em homenagem à dona Matilde Ribeiro, que não mede esforços para instalar o conflito de "raças" no Brasil, recomendo mais uma vez o livro de Ali Kamel, Não somos racistas, cujo primeiro capítulo pode ser acessado aqui.

Aliás, a secretaria especial da madame, destinada à promoção da "igualdade racial", é absolutamene dispensável. É lengalenga da ideologia politicamente correta - a grande "contribuição" cultural do lulo-petismo, que a importou dos Estados Unidos. De lá, afinal, sempre copiamos o que há de pior. Capitalismo, que é bom, nada!

O racismo já é oficial

O assunto já foi tratado pelos amigos Aluízio e Nariz Gelado (ver links), mas eu não poderia deixar isto passar em branco (êpa!). Vejam o que disse a "ministra do Preconceito Racial" - órgão que atende pelo nome de Secretaria Especial de Política da Promoção da Igualdade Racial -, dona Matilde Ribeiro:

Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco. Racismo é quando uma maioria econômica, política ou numérica coíbe ou veta direitos de outros. A reação de um negro de não querer conviver com um branco, ou não gostar de um branco, eu acho uma reação natural, embora eu não esteja incitando isso. Não acho que seja uma coisa boa. Mas é natural que aconteça, porque quem foi açoitado a vida inteira não tem obrigação de gostar de quem o açoitou.

Onde ela disse isso? Não, não foi em alguma assembléia do partido ou algum cursinho politicamente correto da academia. Isto foi dito em entrevista à BBC de Londres!

Você, leitor, quantas vezes açoitou um negro? Se não o fez, saiba que é responsável pelo que foi feito no passado pelos malditos brancos.

Resumindo: a "ministra do Preconceito" acaba de oficializar o racismo no Acampamento. Nunca "nesspaís" se disse tanta sandice quanto no governo petralha.

Já não há saquinho que baste!

A verdade, essa bobagem.

Eis um bom lançamento na área editorial para quem gosta de conhecimento e não de ideologias e fofocas. Coisa rara, evidentemente. A mentira, a farsa e a vagabundagem intelectual são hegemônicas (só para usar um termo ao agrado dos ideólogos). Preocupar-se com conhecimento e teorias afins, por aqui, é atividade de quinta categoria. Em alguns setores da universidade, isto é chamado de "baboseira".

Não ficaria irritado se alguém me desse de presente este livro "chato" e "inútil". Os gênios semi-letrados que me perdoem, mas eu gosto mesmo é de "baboseira".

segunda-feira, 26 de março de 2007

Há um bandido perto de você.

No Globo: "há mais foragidos do que presos em todo o sistema penitenciário nacional". O número: meio milhão!

Bota impunidade nisto!

Ringue

Brigam muito. Mas por nós é que não é...

Delenda Bananão


Mensalão 2.0

O ex-senador Jorge Bornhausen, odiado pelas hordas petralhas, denuncia o que todo mundo antenado percebe no segundo mandato lulesco: um novo mensalão está em curso. O centro da coisa é o tal de PR, novo templo dos vendilhões da política bananeira. O bandejão passou aqui por Santa Catarina também.

Saquinho, por favor.

Aonde vai parar o nosso dinheirinho...

Eita, ferro! O casal aí, que é dono da Igreja Renascer e foi preso nos EUA (lá tem cadeia, sim), andou mamando até nas tetas do Estado (uma bagatela de dois milhões!). É impressionante o zelo das autoridades com o dinheiro público, o nosso dinheirinho!

Qualquer trambiqueiro consegue arrancar milhões no governo do Pequeno Timoneiro. A troco de bênçãos é que não deve ser...

Os restos do butim

Insaciáveis, PT e PMDB - nova ponta de lança do patrimonialismo brasileiro - se engalfinham agora pelos cargos de segundo escalão. Estão de olho é na boca do cofre: vagas no Banco do Brasil, na Casa da Moeda e na Caixa Econômica Federal. O deputado-sindicalista Vaccarezza (PT-SP) é um dos mais assanhados. Na Folha de hoje:

Com a reforma ministerial na reta final, os partidos da base de sustentação do governo já mapeiam os cargos estratégicos que querem ocupar no segundo escalão. Na área econômica, o apetite do PT e do PMDB está focado em vagas no Banco do Brasil, na Casa da Moeda e na Caixa Econômica Federal. O movimento é visto por integrantes do próprio governo como um retrocesso que ameaça o perfil técnico imposto após os escândalos de corrupção do primeiro mandato de Lula. O desenho final da cúpula dessas instituições, no entanto, dependerá de negociação das lideranças partidárias com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Paulo Bernardo (Planejamento) e Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), que deverá começar nos próximos dias.Segundo o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), encarregado pelo PMDB de acertar as indicações do partido, os três ministros já teriam pronto um levantamento completo da participação de cada partido."Eles foram designados pelo presidente para integrar o grupo que fará o acerto com os partidos assim que a reforma ministerial for concluída", disse Alves, que afirma ter tido essa informação em conversa com Lula na quinta-feira passada. O peemedebista está reunindo os pedidos do seu partido e rebate as críticas de politização das instituições. "Se o indicado tiver boa formação, qualificação para o cargo, não há problema ele ser filiado a partido."Para o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), articulador do partido, essa é uma "falsa polêmica" porque os cargos são de confiança e os partidos podem indicar pessoas com "compreensão técnica e visão confluente com a linha desenvolvimentista do governo". Ele não fala em nomes nem em cargos, mas diz que PT e PMDB estarão perfeitamente sintonizados nas escolhas."Experiência ruim foi no passado, quando os bancos não davam lucro. O resto foram casos isolados", diz Vaccarezza, quando questionado sobre os executivos afastados após as denúncias de corrupção.

Coitado do Papa


Rebelião ou investimento?

A luta armada não deu certo e eles querem indenização? Então eles não estavam fazendo rebelião, mas um investimento.”

Millôr, definitivo, na Playboy de Março (gostei e peguei carona no Leite de Pato, link ao lado).

domingo, 25 de março de 2007

Fim do apagão aéreo!


Homem de ampla visão, o dinâmico ministro da Defesa, Waldir Pires, acaba de resolver o problema. Já que a organização da Infraero é infra mesmo, ele adotou uma solução super: teremos de volta os Teco-tecos, mais adequados aos aeroportos brasileiros. Aliás, nem precisam deles. Pousam em qualquer lugar.

Çaúde, Brasil!

Pelo andar da carruagem, é isto que podemos esperar no quinto ano de governo lulático na área da çaúde.

E cadê escola, cadê rodovia, cadê segurança?

(Fonte: FotoComédia).

Big Braun


E lá se foi o Big Braun. Jornalista, publicitário, cronista, humorista, Horácio mantinha coluna diária no Jornal de Santa Catarina (Blumenau) há anos. Era proprietário do Botequim Colonial 69, onde se vende chopp da casa (que o próprio Horácio consumia generosamente junto com os fregueses).

Horácio também mantinha um blog, fonte de irritação para as hordas politicamente corretas. (A caricatura é do amigo Sponholz).

A seleção do Emir

O sociólogo stalinista Emir Sader, da agência oficialista Carta Maior, criou uma lista de sites e blogs com "informação alternativa" (hummm...). Estão lá a igrejeira Adital, entreposto de bolivarianos e padrecos da "libertação"; a página do ministro Francolino Chapa-Branca; o jornal Granma, "boletim" da ditadura castrista; o blog do Mino Carta; o Jornal Sem Terra; o Hora do Povo; o Blog do Dirceu (ora, pois!); e - tchã, tchã, tchã! - a Agência Bolivariana de Notícias.

Acompanhando esse elenco aí, caro leitor, você estará alternativamente bem informado. Trata-se de jornalismo objetivo, imparcial, fiel aos fatos etc.

(Devo a dica ao blog Selva Brasilis, link ao lado).

sábado, 24 de março de 2007

Demorou


Enfim, um "cascudo" em Ahmadinejad.

Leio no Estadão que o Conselho de Segurança da ONU enfim aprovou, por unanimidade, a imposição de duras sanções ao Irã. É um recado para que Ahmadinejad suspenda o programa de enriquecimento de urânio.

Convenhamos, Estado teocrático brincando com energia nuclear preocupa qualquer um. Ainda mais quando tem como presidente um sujeito que nega o holocausto dos judeus na Alemanha, na II Guerra Mundial, e ameaça tirar Israel do mapa. Está assim-assim com os neonazistas.

Ah, o Ahmadinejad é amigo do fanfarrão Chávez, da Venezuela. Bolivarianismo abraçado com ditaduras islâmicas - que salada, hein?

(Ilustração: Arcadio)

Mundo cão

E a nossa espécie é chamada de racional...

Fora do mundo

A única mídia verdadeiramente de massa, no Brasil, é a televisão. Bem ou mal, é por aí que passa o acesso à informação. O brasileiro não lê jornal (os maiores diários do país não atingem um milhão de exemplares, numa população de 180 milhões de habitantes!) e também está fora da internet:
dois em cada três brasileiros não têm acesso à Web, segundo o IBGE.

Isto é ou não é um Acampamento?

Sobre a liberdade e suas relações

Liberalismo não significa, como se pensa aqui no Bananão, apenas liberdade econômica. Implica o respeito às liberdades individuais e às liberdades civis. Pode-se concluir, portanto, que andamos mal de liberalismo por aqui desde sempre.

Partindo da visão dos clássicos, C. Mouro, leitor do blog, envia como colaboração um interessante artigo que trata justamente das relações entre "Liberdade, direito, justiça e propriedade".

Boa leitura.

Francolino, o ministro.

Sob o comando de Francolino Chapa-Branca,
vem aí a "Rede Pravda" do governo Lula.

Franklin Martins é entrevistado por Kennedy Alencar na Folha de hoje. Lulista desde sempre, foi recompensado com a poderosa área de imprensa e publicidade do governo Lula, que coordenará como ministro. Ele também defende, é claro, a criação de uma "rede pública" de TV. Portanto, na gestão de Francolino, vem aí a "Rede Pravda" do lulo-petismo.
Leia a entrevista abaixo e reflita: quando é que a imprensa "avança o sinal"?

O jornalista Franklin Martins, futuro ministro das áreas de imprensa e publicidade do governo Lula, diz que esses "guichês serão separados". Diz, porém, que a imprensa "será criticada sempre que avançar o sinal". Para ele, isso ocorre quando a mídia tenta "puxar a sociedade pelo nariz para um lado e para o outro". Indagado se o governo incentivaria a criação de órgãos simpáticos, como prega o PT, diz: "Não cabe ao governo plantar, regar e colher veículos de comunicação simpáticos a ele". Ele defende a criação de uma rede pública de TV, dizendo que ela não deve funcionar com lógica comercial. Diz que o governo poderá indicar a diretoria, mas sem partidarismo. "Senti na conversa com o presidente que é TV pública e não estatal. Plural e não partidária." Franklin defende um encontro entre Lula e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para que se mantenha uma agenda comum nacional, que quase se perdeu na crise do mensalão devido à "luta política" entre PT e PSDB. Diz ter "orgulho" de ter combatido a ditadura militar de 1964. "Lutei do lado certo." Franklin, 58, acumulará a função de secretário de imprensa com a de ministro até indicar um substituto para o cargo hoje exercido pelo jornalista André Singer. Para porta-voz, nomeará alguém "de fala concisa".
FOLHA - Colocar numa mesma pasta a verba publicitária do governo e a relação com a imprensa não traz o risco de tentativa de manipulação política da mídia?
FRANKLIN MARTINS - Viver é muito perigoso, como dizia Guimarães Rosa. Risco sempre existe, mas não é um risco novo. No governo federal, sempre foi assim. Tivemos casos em que o porta-voz do presidente [diplomata Sérgio Amaral, no governo Fernando Henrique] controlava a publicidade.
FOLHA - No segundo mandato, FHC separou as funções. E Lula as deixou assim até agora.

FRANKLIN - O Sérgio Amaral controlou a verba de publicidade e isso não resultou em coisa escusa, malandragem. Não houve nada.
FOLHA - Separar publicidade e imprensa não é mais imparcial?

FRANKLIN - Os guichês serão absolutamente separados. As empresas de comunicação no Brasil, de modo geral e em sua maioria, são empresas sérias. Não aceitariam misturar os guichês. Sou uma pessoa séria e não aceito misturar os guichês. O governo é serio e não aceita misturar os guichês.
FOLHA - Concorda com a tese do PT de que é preciso democratizar os meios de comunicação, estimulando a criação de veículos de comunicação simpáticos ao governo, dando-lhes financiamento?

FRANKLIN - Essa questão de democratização dos meios de comunicação é uma fórmula na qual cabe tudo. Sou a favor, óbvio. Quanto mais democrática e plural a circulação de idéias na sociedade, melhor. Mas não cabe ao governo plantar, regar e colher órgãos de comunicação simpáticos a ele. Quem cria órgãos de comunicação é a sociedade. O governo tem uma função na relação com a imprensa: garantir a liberdade de imprensa. Ponto. O resto é a sociedade quem faz.
FOLHA - A rede pública de TV não corre risco de virar uma nova Radiobrás ou TV Voz do Brasil? Ela terá qual formato?

FRANKLIN - Não vai funcionar guiada pela questão comercial. Isso coloca limitações para uma série de TVs que necessitam adquirir uma determinada escala de audiência e respondem a estímulos comerciais porque são empresas que visam lucro. As televisões privadas não podem fazer determinadas programações que são importantíssimas.
FOLHA - Não é importante ter audiência?

FRANKLIN - É importante. Eu estou falando de escala de audiência. Não tem obrigação de concorrer para liderar a audiência no horário nobre.
FOLHA - Quem vai escolher a diretoria da TV?

FRANKLIN - Evidentemente, a escolha inicial parte do governo. Mas o governo não precisa escolher os partidários do governo. O que senti na conversa com o presidente é uma TV pública e não estatal. Plural e não partidária. Aberta para contribuição e presença das diferentes identidades regionais e não com uma programação com uma cara só. Com programação variada, com jornalismo, com parte cultural voltada para cidadania.
FOLHA - As primeiras reações de parte dos veículos privados têm sido de reticência.

FRANKLIN - Foram reações próprias de um debate inicial. Editoriais, como os da Folha, criticavam a TV do governo, mas, se for uma TV pública, a coisa muda de figura. O que mais quero como ministro da comunicação social é ajudar a qualificar o debate político, o debate público. Pode haver gente tão a favor da liberdade de imprensa quanto eu, mais a favor não tem. A imprensa não está numa redoma. O presidente pode ser criticado, o ministro, o papa, a imprensa pode ser criticada e será criticada sempre que avançar o sinal. Quando isso ocorre? Quando vai além do trabalho de dar informação, de fazer circular a informação e de aumentar o debate público. Quando pretende puxar a sociedade pelo nariz para um lado e para o outro. Essa não é uma função da imprensa.
FOLHA - O sr. identifica veículos que avançam sinal hoje?

FRANKLIN - A sociedade pode fazer essa crítica. Não sou eu quem devo fazer.
FOLHA - Como ministro, o sr. manterá o processo contra o jornalista Diogo Mainardi?

FRANKLIN - Vou.
FOLHA - Por quê?

FRANKLIN - Não estou fazendo nada contra a liberdade de imprensa. Manter o processo contra esse senhor não tem nada a ver sobre o que eu penso ou o que ele acha que eu penso. É um direito que ele tem. Ele me acusou de crimes, de ter praticado tráfico de influência e de ter participado da quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa. Sem nenhum elemento. Mais do que isso, ele e a revista dele ["Veja"] se recusaram a publicar a minha resposta. Que liberdade de imprensa é essa na qual um lado fala e nem sequer publica o outro lado? Fiz o que se faz no Estado de Direito. Quando se acha que sua honra foi atingida, se recorre à Justiça.
FOLHA - Como ministro, não ganhará mais peso esse processo em seu favor?

FRANKLIN - A Justiça não vai agir assim porque sou ministro. Pelo ritmo no Brasil, a Justiça só terá julgado esse processo depois que eu deixar de ser ministro. Ele terá toda a oportunidade de provar todas as acusações. E, se for isso, quem vai ficar mal sou eu.
FOLHA - Esse episódio foi determinante para a sua saída da Globo? FRANKLIN - Fiz essa pergunta à direção, e eles disseram que não. A alegação que me deram é que eu estava com imagem fraca como jornalista. Eu disse a eles que achava que a explicação não me convencia. A pergunta tem de ser feita à Globo.
FOLHA - Como o sr. pretende se relacionar com a Globo?

FRANKLIN - Quem olha para trás vira estátua de sal. Será um relacionamento profissional.
FOLHA - Qual é a sua avaliação da cobertura da imprensa a respeito do governo Lula?

FRANKLIN - Vou falar como acho que deve ser daqui para frente. Profissional, séria, crítica, sem preconceito.
FOLHA - O sr. participou da luta armada contra a ditadura militar de 1964. Como avalia hoje aquele período? Arrepende-se de algo? Faria diferente?

FRANKLIN - [Faria] muitas coisas diferentes com a visão que tenho hoje. Não me arrependo do central. Lutei do lado certo. Lutei ao lado da democracia contra a ditadura.

A Grande Muralha

Cuidado, este blog é perigoso!

Essa pesquei lá no blog do amigo Aluízio. Jornalistas, diretores de cinema e webdesigners de diversos países criaram um site para incentivar o debate sobre a ditadura na China (cujo "modelo" econômico, aliás, conta com a simpatia de muitos economistas brasileiros). Na página, greatfirewallofchina.org , você pode testar se seu site ou blog é censurado.

Este perigoso blog aqui é um dos bloqueados. Pudera, seu administrador é o temível manezinho de Florianópolis que ousou escrever, anos atrás, sobre a decadência do marxismo (ver links para as edições brasileira e italiana do livro no final da seção Livros). Mas pode ser problema com o Google.

Bene, ser malvisto por ditadores é sempre um orgulho. Eita, barrado na China...

Update: fiz testes com outros blogs da Blogspot e também foram bloqueados. O problema, portanto, é com o Google, que andou negociando com os chineses. Parece não haver nenhum programa pescando críticas ao "marxismo", "comunismo" etc.

De volta ao carro-de-boi

Chega. Basta. Passou de qualquer limite. O viajante brasileiro, que já não conta com estradas decentes e ferrovias dignas desse nome, agora também pena para viajar de avião. Tomar uma simples ponte aérea entre o Rio de Janeiro e São Paulo, que consumia no máximo cinqüenta minutos, agora pode ser uma tortura que dura até quatro horas. Atrasos e cancelamentos de vôos entraram para a rotina dos passageiros de todos os quadrantes do país. A crise iniciada com a trombada entre o Boeing da Gol e o jato Legacy, em setembro do ano passado, tornou-se crônica – fato inadmissível para um país que se pretende civilizado.

Reportagem da Veja sobre "A tortura do apagão aéreo".

sexta-feira, 23 de março de 2007

Revolução na TV?


Vem aí o Joost, que promete mexer profundamente no feudo televisivo nos próximos anos. Bem, pelo menos nas TVs a cabo, que dormem em berço esplêndido. É um marasmo só.


Velho e xaropão


Roqueiros pré-Alzheimer sempre vêm arrancar o último dinheirinho aqui no Bananão. Tolos é que não faltam.

Chegou a vez de Roger Waters, fundador e baixista do falecido Pink Floyd, agora em incursões pela América cucaracha. Ah, vai cantar especialmente "The dark side of the moon"...

O "jornalismo cultural", como de costume, abre espaço para a "falação" dessa gente. Principalmente se os artistas forem politicamente corretos e recitarem o catecismo do medíocre "espírito do tempo". É o caso de Waters.

O Pink se foi, mas ele faz de conta que nada mudou. Poderia formar uma boa dupla com outro chato, o Bono.

Não me surpreenderia se Waters pedisse audiência ao coronel Chávez para uma genuflexão bolivariana.

Abrindo o ataúde do "socialismo do XXI"


O blog Diplomatizzando faz um alerta aos jovens incautos que bradam contra a globalização, vítimas dos fanfarrões arautos do "socialismo do século XXI". Os que condenam o capitalismo deveriam, antes de tudo, pensar sobre o que foram as experiências "alternativas" que brotaram no século XX. Veriam então que a bandeira do socialismo erguida agora nada tem de novo: é a rota bandeira das ditaduras. Que imensa capacidade de regredir tem o nosso continente!

Cito um trecho do artigo de PRA:

Se isto pode servir de consolo aos jovens idealistas da antiglobalização – uma vez que eu considero os “velhos órfãos” do socialismo “irreformáveis” e “intransformáveis” –, eu diria o seguinte: aqueles que hoje condenam o capitalismo por todas as suas iniquidades, provavelmente nunca conheceram suas alternativas “reais”, que eram as do socialismo de tipo soviético e suas diversas variantes, algumas delas ainda sobrevivendo ainda numa pequena ilha do Caribe e num canto remoto da Ásia. Apenas a falta de informação e uma irracional recusa em se informar, a despeito da massa de conhecimento acumulada a respeito das experiências do socialismo real podem explicar essa demanda, atualmente crescente, por um “socialismo do século XXI”.Eu, por ter conhecido pessoalmente, se ouso dizer, todos os socialismos reais e o seu modo de funcionamento interno, posso assegurar, com toda a candura de uma alma reconciliada com as supostas iniquidades do capitalismo, que não há maior miséria moral, maiores atentados à dignidade humana, do que os regimes socialistas que existiram na face da terra até bem pouco. Posso parafrasear o que disse o poeta e revolucionário cubano José Marti dos Estados Unidos, país no qual ele se exilou temporariamente, para escapar dos opressores coloniais de sua pátria: “eu conheci as entranhas do monstro”. De fato, pude conhecer o interior da “baleia socialista” e o que vi não era nada bonito, muito pelo contrário.O mais chocante, justamente, não eram apenas as pequenas misérias materiais, o aspecto deteriorado dos equipamentos públicos, a falta habitual de produtos de primeira necessidade, as estantes sempre vazias nos comércios, a rudeza de apresentação e o caráter tosco da maior parte dos bens e serviços oferecidos nos “mercados” socialistas, tudo isso era habitual e esperado e não me surpreendeu mais do que a decepção dos primeiros contatos. O que estava por trás de tudo aquilo era muito mais importante, pois tinha a ver, não com a simples miséria material, mas com os comportamentos sociais, com o olhar furtivo das pessoas, com a contenção da linguagem, com a retenção do pensamento, com o permanente estado de vigilância policial, em uma palavra, com a miséria moral que só os verdadeiros regimes socialistas são capazes de exibir.Não estou me referindo aqui ao Estado policial em estado quimicamente puro, se ouso dizer, uma amostra do qual pode ser conferido na grande “biografia” do Gulag da historiadora Anne Applebaum. Não tem a ver com a repressão direta, estilo Gestapo ou NKVD, apenas com a vida cotidiana num país socialista “normal” do Leste europeu em meados dos anos 1970. Aquilo deve ter me vacinado de maneira eficaz contra minha anterior inclinação revolucionária a querer implantar o socialismo a golpes de martelo, como pretendíamos na nossa juventude de opositores do regime militar brasileiro.Por isso, quando ouço novamente os novos cantos de sereia sobre o “socialismo do século XXI”, permito-me retrucar modestamente: vamos ficar com as modestas iniquidades materiais do capitalismo – que permitem, ainda assim, o progresso individual baseado no mérito individual e no esforço próprio – e deixar de lado as tentações totalitárias de pretender implantar a igualdade na base do autoritarismo, o que só pode conduzir às grandes iniquidades morais do socialismo.Não existem grandes virtudes no socialismo, apenas “heróis” do povo, devidamente fabricados por ditadores pouco esclarecidos que implantam regimes muito parecidos com os sistemas fascistas existentes na Europa do entre-guerras. Por experiência própria, eu constatei que a ditadura dos medíocres – que caracteriza quase sempre os regimes socialistas – é uma coisa terrível, e a miseria daí derivada é muito superior à eventual miséria material do capitalismo...

quinta-feira, 22 de março de 2007

É o fim da picada

Na coluna do Lauro Jardim, Radar on-line, da Veja:

Lula acaba de bater o martelo: Franklin Martins será ministro da Comunicação Social, uma nova e poderosa pasta que englobará a Secom, a Radiobrás (e a futura tevê pública), as verbas de publicidade do governo e a secretaria de Imprensa. Franklin, atualmente no iG e na Band, aceitou agora à noite o convite feito por Lula duas semanas atrás. A posse de Franklin será já na semana que vem. O total de verbas de publicidade que o futuro ministro manejará chega perto de 1,5 bilhão de reais, entre a propaganda da administração direta e de estatais como o Banco do Brasil e a CEF.

O jornalismo chapa-branca atinge o paraíso. Só não levam o Mino Carta porque está muito velho. Ele e o Paulo Henrique Amorim ficam fazendo o trabalho oficialista aqui fora.

Melhor o exílio. O Bananão está morto.

P.S.: sobre as peripécias do dito cujo, leiam aqui no Blog da Santa.

Mexendo com os cristãos

Este vídeo é politicamente incorreto, isto é, sem censura.

Não tenho notícia de que algum fanático criacionista tenha tentado botar fogo no Youtube por causa dele (obrigado, Cauê).

Jazz na praça

A música é inapetralhável.

Saí para dar uma volta e me surpreendo com som de jazz na praça perto de casa. Era a inauguração de mais um empreendimento imobiliário inacessível aos mortais comuns.

Aproximando-me, deparei com um senhor de pescoço curto e curvado ao saxofone, acompanhado de um conjunto. Ué, aquele não é o escritor Luiz Fernando Veríssimo?

Sim, era o próprio. É bom no instrumento. Sua música é bem melhor que as crônicas apetralhadas que escreve nos jornais e que não leio há muito, muito tempo. Aliás, nunca gostei de crônicas (exceção, claro, para as do Ivan Lessa).

Ainda bem que a música - e o jazz em particular - é uma linguagem universal. Não sucumbe à ideologia, como acontece facilmente com os textos.

Ali, no meio da praça, Veríssimo me pareceu um jovem - um homem distante das crônicas de idéias velhas que escreve, particularmente quando trata de questões políticas. Idéias velhas como as dos petralhas, que não perceberam terem elas morrido nos anos 80.

Bravo, saxofonista Veríssimo!

Elles

Sem comentários...
(Capa da Folha de hoje)

Lesão nacional


Matéria publicada na Folha de hoje revela que o nosso cérebro tem uma área ligada à moral. Segundo pesquisa publicada na revista Nature, uma "lesão em zona que integra a emoção à consciência prejudica julgamentos morais." Isto significa que a evolução teria dotado a espécie de uma tipo de "órgão universal da ética", alojado no sistema nervoso.

Ahá!!!Pois então acabamos de descobrir que a maioria da população brasileira, que tolera a corrupção, vota em corruptos e é chegada ao "jeitinho", é afetada por alguma lesão...

Ai, ai, ai...

Lula e os heróis usineiros

quarta-feira, 21 de março de 2007

Guerra à vista

O Senado deu um passo adiante. Acaba de aprovar projeto de decreto legislativo convocando plebiscito sobre temas polêmicos como a legalização do aborto. O aborto é um problema que a hipocrisia joga para debaixo do tapete. Não é permitido, mas verdadeiros açougues clandestinos o praticam dia e noite.

Igrejas e autoridades, em geral, preferem que a miséria prolifere: é massa para encher templos e urnas. E o governo nem sequer pensa numa política de controle da natalidade. Crianças indesejadas são atiradas à rua todos os dias pelas famílias. Seu futuro é o crime.

Mas, como a coisa ainda tem que passar pela Câmara, haja bombardeio. Tudo pode ir por água abaixo.

Ser brasileiro...

Inspirado, Zappi (que hoje mora na Austrália) escreveu um post amargo, mas realista, sobre a famosa índole do povo brasileiro. Quando o brasileiro típico precisa escolher entre duas coisas - diz ele -, opta invariavelmente pela mais fácil. "Quer ver?".

Acrescentaria apenas uma coisa, Zappi: para o brasileiro, a inteligência é defeito.

OAB namora com o perigo

Não parece haver dúvidas de que a OAB apetralhou-se. Seu projeto de reforma política esvazia a democracia representativa e dá ainda mais poderes ao Executivo. O lulismo ficaria com a faca e o queijo na mão para sempre.

De fato, a coisa está mais para Chávez do que para Rousseau. Leia aqui um alerta que dá o que pensar.

Moderados vs radicais?

Sempre que seitas islâmicas radicais cometem atos de terrorismo aparece alguém na mídia para dizer que isto não expressa o pensamento dominante no islã, que há moderados etc. Mas alguém já viu algum moderado repudiar os ataques ou se manifestar, por exemplo, contra a violência fanática diante do discurso do Papa no ano passado?

Talvez o cartunista Christo tenha resumido bem a questão.

Chega de alimentar o Monstro

Aqui no Bananão ainda sofremos de "estatite", doença típica do esquerdismo cucaracho. Cultiva-se a ilusão de que o Estado devolve em obras o imposto que cobra da sociedade. Não, o Estado dissolve na manutenção de sua estrutura monstruosa os recursos que tira da sociedade. Mais dinheiro com o Estado significa menos dinheiro com as pessoas.

O que foi feito com os recursos arrecadados nos últimos quatro anos? Nem sequer uma escola, um hospital, uma estrada. Temos caos na terra e no ar. E um Estado voraz e incompetente.

Chega de alimentar o monstro. Diga não ao CPMF.

terça-feira, 20 de março de 2007

A Cauda Longa


Há outro livro interessantíssimo na praça, este já traduzido: A Cauda Longa, de Chris Anderson (Rio de Janeiro, Elsevier/Campus, 2006) - veja à margem direita). O autor é editor da revista Wired, tendo conquistado vários prêmios.

Anderson analisa a passagem do mercado de massa para o mercado de nicho. "A teoria da Cauda Longa", sintetiza ele próprio, "pode ser resumida nos seguintes termos: nossa cultura e nossa economia estão cada vez mais se afastando do foco em alguns hits relativamente pouco numerosos (produtos e mercados da tendência dominante), no topo da curva da demanda, e avançando em direção a uma grande quantidade de nichos na parte inferior ou na cauda da curva de demanda. Numa era sem as limitações do espaço físico nas prateleiras e de outros pontos de estrangulamento da distribuição, bens e serviços com alvos estreitos podem ser tão atraentes em termos econômicos quanto os destinados ao grande público."

Nessa longa cauda entram, por exemplo, os blogs informativos que, no conjunto, competem com a grande mídia. A internet propicia, de fato, o surgimento de uma cultura paralela, que se estende a todas as mídias, do mercado de música ao mercado de filmes. Tudo - ou quase tudo - está acessível on-line.

Anderson penetrou fundo na estrutura de empresas como a Google, o Yahoo, a Amazon e a RealNetworks. O presidente do Google chegou a dizer que as idéias de Anderson exercem "profunda influência sobre o pensamento estratégico" da empresa, considerando seu livro "brilhante e oportuno", principalmente para quem quiser "vislumbrar o futuro dos negócios."

A revista The Economist não errou ao descrever a obra como "o mais elegante conceito de negócios da atualidade. Um excelente livro."

Leitura agradável e, sobretudo, útil.

P.S.: Chris Anderson mantém o blog The Long Tail (ver lista de blogs). E você pode acessar também, na revista Época, uma entrevista com o autor.

A bomba de Alá

O perigo da proliferação nuclear não é brincadeira. Ainda mais se a construção de bombas tiver motivação religiosa.

Eis um livro que deveria ser traduzido por aqui.

Esculhambação bananeira

Editorial da Folha de hoje, na linha do que foi dito aqui. Vale reproduzir.

TUDO NA MESMA

JÁ SE vão quase seis meses desde o acidente com o Boeing da Gol que matou 154 pessoas. A balbúrdia deste fim de semana, a prolongar-se ao menos até hoje, reitera que a crise aérea da qual o desastre foi catalisador veio para ficar.
A incompetência das autoridades federais voltou a manifestar-se. Espanta que nem sequer um sistema ágil de prestação de contas e assistência a passageiros esteja em operação. Quem se atrapalha nas tarefas básicas tampouco se mostra capaz de atacar as causas da crise. Eventos estranhos continuam a prejudicar o fluxo de aviões. Agora o pretexto para o engarrafamento foi uma pane no software de Brasília. Em outros "apagões", haviam sido a falha no rádio da capital federal e a queda de energia em Curitiba.
O governo de novo alimenta suspeitas de bastidor contra controladores de vôo. Seria cômico se não fosse caótico. Responsáveis pelo tráfego aéreo fizeram uma greve branca, ou "operação-padrão", no início da crise. Em vez de conduzir o caso dentro da hierarquia militar, o governo Lula abriu um diálogo sindical com a categoria e nutriu suas expectativas de tirar o serviço da alçada da Aeronáutica.
De resto, a comissão criada pelo governo para analisar o problema tomou há pouco sua mais importante decisão: adiou o prazo para apresentar as conclusões. É lamentável que a gestão Lula não tenha produzido nem mesmo um diagnóstico consensual acerca das causas estruturais que levaram à enervante situação de hoje - a crise acarreta prejuízos de monta à economia nacional e solapa a credibilidade de todo o sistema aeroportuário.
Está claro que o Brasil não se preparou para o forte aumento na procura por transporte aéreo ocorrido nos últimos anos.
Congonhas, cujo movimento cresceu acima da média do país, foi alvo de reformas apenas cosméticas, repletas de indícios de fraude. Por temer a abertura dessa caixa-preta, e outras do gênero, o governo batalha a fim de barrar a CPI da crise aérea na Câmara.
Mas uma apuração parlamentar autônoma do colapso nos aeroportos é urgente -do que dão prova as filas e o desrespeito ao passageiro, agora rotina nos terminais brasileiros.

Sponholz e o Zé Rico


As estripulias da Infraero

Em meio a denúncias de corrupção, a Infraero, responsável pela baderna geral nos aeroportos, é acusada de ter dado dinheiro até para o MST. No Estadão:

Apesar de todos os problemas nos aeroportos, a Infraero não se furtou a direcionar R$ 150 mil para a Conferência Nacional Terra e Água, promovida pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) em 2004. Com um detalhe que impressionou os técnicos: o pagamento do patrocínio ocorreu dois meses após o evento, mas o recibo, emitido pela Cáritas Brasileira, é anterior à quitação da dívida.

No Bananão apetralhado, nada mais espanta.

Juntos outra vez

Da Folha de hoje, em matéria sobre o aniversário do comissário Zé Dirceu (que, segundo a Veja, ganha 150 mil reais por mês, ora pois). Estavam todos lá, a começar pelo tesoureiro Delúbio (alguém lembra?). Foram convidadas 2000 pessoas. Festa modesta, bem ao gosto petista: para os mais íntimos, deve ter jorrado champanhe francês.
Ah, o Zé disse, com aquele falso sotaque caipira, que tem saudade de "goveinar". Nós não temos saudade não, comissário.

Um dos protagonistas da crise que levou à cassação do ex-deputado José Dirceu, Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, esteve presente ontem na festa dos 61 anos do ex-ministro da Casa Civil.Distantes na maior parte do tempo, ambos trocaram cumprimento rápido por volta das 23h40, mas a assessoria de Dirceu, discretamente, afastou Delúbio para evitar que eles fossem fotografados juntos. Sorridente e cumprimentado por boa parte dos convidados, Delúbio, ao ser questionado por jornalistas sobre o presente que deu a Dirceu, disse que levou um "abraço".
Delúbio e Dirceu fazem parte do grupo de 40 pessoas denunciadas pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, no inquérito do mensalão.Dirceu chegou ao bar Avenida, em Pinheiros (zona oeste de São Paulo), por volta de 21h e disse não sentir falta do poder. "Sinto falta do governo, de meus amigos e de governar".O petista, que está inelegível por oito anos, disse, entretanto, que começará a campanha pela sua anistia após a Semana Santa. "Quem vai fazer minha campanha são os que me apóiam, não sou eu, não é o PT, não é o governo. São os que me apóiam ao longo de 47 anos de vida pública, 27 anos de PT."
Indagado se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha sido convidado para o evento, Dirceu disse que não, pois Lula tinha "mais o que fazer".Para o parabéns, foi servido um bolo de gelatina vermelha, com uma estrela semelhante à do PT e o nome de Dirceu escrito em glacê. Depois de cantarem parabéns, os convidados emendaram com a música "What a Wonderful World".
Foram convidadas 2.000 pessoas. Entre as que apareceram, estavam o ator José de Abreu, o deputado Sigmaringa Seixas (PT-DF) e o líder sem-terra José Rainha, que levou um buquê de flores.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Humoristas certinhos

Do cartunista Jaguar, em entrevista à Folha de S. Paulo:

FOLHA - Houve um retrocesso no humor brasileiro com relação aos anos da ditadura?

JAGUAR - Sim. Essa coisa de não poder chamar crioulo de crioulo, por exemplo. Fui casado dez anos com uma crioula. Não é pejorativo. Não vou começar a dizer que casei com uma afro-descendente. É uma hipocrisia. Mas a maioria dos humoristas hoje é muito certinha. Criou-se um limite e, se a gente passa um pouco, leva pito. Eu não levo mais porque sou velho e sou o Jaguar. Aí as pessoas dizem: "Ah, é o Jaguar, deixa ele".

Boa, Jaguar. Assino embaixo. Aliás, outro dia escrevi aqui que até o humor virou chapa-branca "nesspaís".

Caos administrativo

No Apagão anterior, Lula se reuniu com ministros e pediu providências. Nada aconteceu. Hoje, nova reunião, e que ninguém espere qualquer medida concreta. Reunião, assembléia - velho vício petista, com resultados sempre inócuos.

O ministro do Apagão, Valdir Pires, não bota o pijama e se limita a dizer bobagens, como essa de esperar que o tempo colabore. Repito, nenhum país em guerra vive ou viveu tanta esculhambação, com a exceção, talvez, do Iraque.

Até a semana passada, apenas 14% do total previsto para o programa de Segurança de Vôo e Controle do Espaço Aéreo Brasileiro tinham sido desembolsados, segundo o Contas Abertas. Neste ano, por exemplo, o governo aplicou apenas 1% do montante autorizado para 2007.

O apagão revela apenas o caos administrativo imperante em Brasília. O Pequeno Timoneiro ainda nos fará andar de carroça...

Hay gobierno?

Sapinha na livraria


A amiga Regina Carvalho - que já colaborou com este blog quando em passeio pelo nordeste - lança no dia 21, a partir das 19 horas, na Livros & Livros, aqui em Floripa, seu livro A Sapinha Meiga. As belas ilustrações são do chargista e professor Clóvis Geyer.
Boa sorte, Regina!

O humor do Sponholz


Só na China...

Pois é, na China comunista a propriedade privada passa a ser respeitada e protegida legalmente. No Bananão patrimonialista acontece o contrário: invasões de fazendas e propriedades rurais, destruição obcurantista de centros de pesquisa científica etc. Tudo sob a bênção dos padrecos da "Teologia da Libertação", a conivência das autoridades e o silêncio cúmplice do empresariado em geral, além de entidades como a OAB, que no passado zelou pelo Estado de Direito.

Arriba, Bananão.

domingo, 18 de março de 2007

Notícias do Acampamento

Bene, o computador chegou no sábado de manhã (a previsão de entrega era quarta-feira passada). Viva a "ilha da magia". Juro que ainda aprendo algumas mágicas. Preciso me inspirar em alguns "mágicos" daqui - principalmente políticos.

Nosso governador, como de praxe, está viajando pela Europa, com o firme propósito de tornar "pujante" o lote catarinense do Acampamento Brasil com a suposta vinda de empresas, ahn, teutônicas. O vice, de bangalinha, passeia o tempo todo pelo interior.

E o ex-governador Esperidão Amin, que concorreu com o governador viajante, aparece hoje nos jornais abraçando e beijando a Ideliiiiiiiiii, que fez, sei lá, uma feijoada de aniversário junto com a ex-deputada Luci Choinacki, que o amigo Aluízio chama apropriadamente de "Joana Darc dos milharais". Ah, nada como a "magia" da amizade. PPB e PT - tudo a ver.

Mas, voltando ao drama informático: o computador chegou mas o modem da Net/Virtua é incompatível com placas atualizadas. Resultado: eles - os mágicos Net- juraram que vêm amanhã para trocar a coisa, embora tenham um serviço "24 horas". Nada como a magia, viram? Portanto, estou com uma bela máquina em casa, mas sem conexão, caracas!

Quem pôde provar um pouco das peculiaridades mágicas da ilha, neste final de semana, foi o Claudio Shikida, do inteligente blog De Gustibus (link ao lado). Acabamos não nos encontrando pessoalmente, mas conversamos e rimos bastante pelo telefone.

Perder o humor - ainda que negro (êpa, cuidado com os politicamente corretos!) de vez em quando -, jamais. Aqui no Bananão as coisas não são apenas trágicas, mas tragicômicas.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Peripécias de acampado

Continuo fora da rede até amanhã. O computador deveria chegar hoje. Nova promessa: amanhã. É Florianópolis, lote catarinense do Acampamento Brasil. Não há capitalismo, não há concorrência. E graças à "reserva da informática" dos anos 80, estamos atrasadíssimos. Nas lojas, ainda tentam te impingir a porcaria do processador Celeron como ponta de linha. Ridículo. Isto só acontece aqui. Até a velha Europa já está no Core Duo - e a ótimos preços.

Bene, mas não caí no conto das lojas celeradas. Mandei montar um a dedo. Coisa boa, pra não encher o saco tão cedo. Até breve, então.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Lula e seus 40 ministérios

Pane no computador. Definitivo. A solução foi arranjar outro. Tudo deve estar normalizado até amanhã. Mas não posso deixaar de fazer, aqui de uma Lan-House, um pequeno comentário sobre o tardio ministério lulático.

Mediocridade, como sempre. Arrumaram, enfim, uma boquinha no Turismo para a bruxa do botox, Martaxa Suplício. O pior, contudo, é a entrega do ministério da Justiça a Tarso Illich Genro, aquele que nega de noite o que afirmou de manhã (copy do Jus Sperniandi, link ao lado). Isto significa que o leninista Genro terá o controle da Polícia Federal, que tem tudo para virar uma Stasi (lembram da polícia política da falecida Alemanha Oriental?). Duvido, desde já, que alguma denúncia ou investigação contra figuras do governo e do partido prospere. Blindagem total.

É lamentável. E mais lamentável não ouvir ninguém da "oposição" falar em barrar esta nomeação. Um chefe partidário e ideólogo do PT na Justiça? Coisa de Acampamento sem rumo.

Venezuela, lá vamos nós. E vem aí também a TV oficial (falo disso mais tarde).

terça-feira, 13 de março de 2007

Pão e circo

É disso que o Acampamento gosta

E Lula sabe e faz tudo para atender: tira da saúde para jogar na esbórnia do Pan-Americano no Rio. Ah, aquela cidade maravilhosa e pacífica, cantada em prosa e verso (e sangue, muito sangue).

Certamente teremos novas modalidades "esportivas": maratona de arrastamento de crianças, "tiro a esmo" (antigamente conhecido como "tiro ao alvo") etc. Lá as crianças já brincam de "seqüestro relâmpago" (antigamente conhecido como "esconde-esconde"), e assim por diante. Eis o adorável mundo lulesco.

Desculpem, amigos cariocas, mas não dá para deixar por menos. Culpa da imprensa, né, que só divulga coisa ruim?

Mas é claro que também temos monstros, como o pedreiro que estuprou e estrangulou uma criança aqui em SC. Os detentos, porém, darão conta dele já, já. Para alguns crimes, não há impunidade atrás das grades. Estou fascista demais?

Terceiro Setor é isso aí?

Até o Frei Betto tira uma casquinha...

Palestras sobre o tal Terceiro Setor sempre me deixaram com um pé atrás. Em geral, o temário segue a pauta da ideologia politicamente correta. Cheira a oficialismo. Não faltam cascateiros para falar de noções tão vagas e batidas como "cidadania", "direitos humanos", "inclusão social" e por aí vai. Boas intenções e poucas conclusões.

O 3º Encontro Catarinense do Terceiro Setor, a ser promovido em Florianópolis de 28 a 30 de março, não foge à regra. Adivinhem quem vai fazer a abertura solene... Sim, ele mesmo, o Frei Betto, apresentado no programa como "escritor, educador, jornalista [atenção, Fenaj!], antropólogo e filósofo" (!). Caracas!, não está faltando alguma coisa? Ah, sim, faltou dizer que é também "assessor espiritual" do Pequeno Timoneiro, além de entusiasta da ditadura de Fidel Castro, de quem é amigo pessoal. Nas horas vagas, é gourmet, preparando iguarias com as quais seus amados pobres jamais sonharam (veja aqui).

Mas sobre o que vai falar o nosso bom frei e ex-guerrilheiro? Tchan, tchan, tchan: sobre "Cidadania e Direitos Humanos", precisamente. Que originalidade!

P.S.: o encontro é financiado - ou vocês pensam que o frei é franciscano radical? - pela Fundação Casan (Fucas). A Casan, por sua vez, é a falida estatal catarinense que trata de "água e saneamento" - mais conhecida aqui, porém, como reduto de funcionários de altíssimos salários.

Abraçando árvore


"Os sistemas de valores humanísticos devem ser substituídos por valores sobre-humanísticos que coloquem a vida vegetal e animal na esfera daquilo que goza de consideração legal e moral. E, no longo prazo, gostemos ou não, será talvez necessário recorrer à força para lutar contra aqueles que continuam a arruinar o ambiente."

O trecho acima integra um dos manifestos do Greenpeace (de 1979), unanimidade mundial que já se tornou temerário criticar. Em poucas palavras, árvores, animais, rios etc. possuem "direitos" - como se ter direitos não implicasse o reconhecimento também de deveres (mas onde estão os deveres dos mares, com seus monstruosos tsunamis?).

Como diz Fernando Savater, o filósofo espanhol que já citei outro dia, o funcionamento dos sistemas ecológicos se torna o paradigma da "política sã", ao qual, em última instância, deve se submeter a ralé humana. Não é à toa que já tem seita abraçando e beijando árvore.

Ave, Natureza, os que vão morrer te saúdam!

P.S.: prometo não mais incomodar com esses assuntos indigestos e, digamos, pouco "naturais".

Pronto, pegou!

Pronto, o mote do "aquecimento global" já pegou em tudo quanto é canto. Vi há pouco um pescador manezinho da "Ilha da Magia" (Florianópolis) culpar, na TV, o tal aquecimento pelo pouco peixe que ele conseguiu hoje na rede.

Nada como o marketing constante de oportunistas e cientistas (?) na mídia. Nesse alarmismo catastrofista, ainda há pouca ciência e muita picaretagem.

Repito o que disse em alguns posts abaixo: o ambientalismo se transforma, cada vez mais, em uma nova religião

Como não sigo religiões, me excluam desta também. Logo, sou um pecador, poluidor, destruidor, porco capitalista/materialista. Nem me olho no espelho, porque lá vejo um monstro...

Quem sopra nos ouvidos de Chávez?

Quem são os assessores do coronel Hugo Chávez rumo ao tal "socialismo do século XXI"? Gente estranha, muito estranha. Fidel à parte, primeiro foi um argentino, uma mistura de fascista-bolchevista. Agora quem lhe sopra ao ouvido é Haiman El Trudi, representante do ditador líbio Muammar Khadafi na Venezuela. Não é de espantar, portanto, que o fanfarrão cucaracho tenha se aproximado da teocracia iraniana. Diante do "socialismo bolivariano", Marx, Lênin e outros pediriam um saquinho. Leia artigo no Cadal (cito um trecho).

A Chávez primero lo asesoró el argentino Norberto Ceresole, indefinible entre la extrema derecha y la extrema izquierda, un "facho-bolche" pintoresco, seductor e irresponsable, como no podría ser de otra forma. Después le dio abundantes lecciones Fidel Castro, basadas en su medio siglo de ininterrumpida experiencia en el Alcatraz del Caribe. Ahora le sopla al oído Haiman El Trudi. ¿Quién es? No un personaje de historieta, sino un representante de Muamar Khadafi en Venezuela, desde antes de que Chávez fuera presidente.
Haiman dirigió durante años un centro comunitario en el estado de Barinas, a imagen y semejanza de los que existen en Libia, que permiten realizar exitosos lavados de cerebro. Ahora acompaña al teniente coronel como intérprete y asesor en sus giras por Medio Oriente y Africa, y se ha convertido en su representante frente a miembros de la banca privada, industriales y empresarios ricos (y corruptos) para explicarles la dirección del gobierno en la transición hacia un edén llamado socialismo siglo XXI, donde seguro que no disminuirán sus ganancias.
Gracias a Haiman El Trudi no sorprenden los lazos que viene tejiendo Caracas con el régimen ultrarreaccionario de Teherán. Esos lazos hubieran provocado infartos masivos a Marx, Engels y Lenin.

Balaio de gatos

Do incansável Sponholz

segunda-feira, 12 de março de 2007

Essa é da Arca!

(Noah's Ark, H. Takino)

Os criacionistas norte-americanos não tomam jeito mesmo. Copiando a Wikipédia, acabam de criar a "Conservapedia", segundo o jornal alemão Der Spiegel. Eita, mundo variado! Sempre tem alguém tentando apagar a lamparina que ilumina o caminho da espécie. Divirtam-se, filhos de Adão e Eva.

Christian Stöcker, HAMBURGO
“Os cangurus, como todos os animais modernos, se originaram no Oriente Médio e são descendentes de dois membros fundadores do moderno baramin canguru que foram transportados na Arca de Noé antes do Dilúvio.” A frase acima foi extraída de uma enciclopédia que pretende ser séria: a
Conservapedia. Seguindo os moldes da Wikipédia (enciclopédia eletrônica e interativa, site), trata-se de mais um lance de fundamentalistas cristãos na concorrência com o ensino científico nas escolas.“Baramin” é um termo que indica uma linhagem dos primórdios da vida. Para os criacionistas, é resultado da ordem direta de Deus e corresponde mais ou menos ao termo secular “espécie”. Mas, diferentemente do conceito que se baseia nas teorias de Darwin, baramins não se transformam em outros baramins. A Conservapedia é, em síntese, a resposta dos cristãos fundamentalistas à Wikipédia. É uma tentativa de abalar a suposta hegemonia que os teóricos evolucionistas têm na internet quando se trata de explicar a origem dos seres vivos.O projeto religioso tem até uma irmã mais velha - a CreationWiki (creationwiki.org) - que dissemina crenças como “Deus criou os seres humanos separadamente dos animais há menos de 10 mil anos”. Segundo eles, a teoria da evolução é “ensinada como um fato nas escolas financiadas com os impostos pagos pelas pessoas que discordam desses pontos de vista”. Entre os verbetes da Conservapedia, é possível encontrar um com o título “As Cruzadas: boas ou ruins?” Muitos são extremamente curtos. Procure “Monte Sinai” e você será informado concisamente de que se trata do monte no qual Moisés recebeu os Dez Mandamentos.A Conservapedia foi criada pelo advogado Andy Schlafly e por 58 alunos de escolas de ensino médio em novembro do ano passado. Ele acredita que o mundo precisa de “uma fonte de informação sem os defeitos da Wikipédia”. Ele considera o site “uma necessária alternativa à Wikipédia, que é cada vez mais anticristã e antiamericana”. Dedica uma página a “Exemplos de como a Wikipédia é tendenciosa”. E calcula que a enciclopédia gratuita é “seis vezes mais liberal do que a população americana”.
MUSEU DA CRIAÇÃO
A iniciativa vem se juntar ao Museu da Criação, em Cincinnati, no Estado americano de Ohio. Com inauguração marcada para junho, o projeto custou US$ 27 milhões. “Provamos que a teoria da evolução está errada e que a ciência confirma a Bíblia”, diz Mark Looy, um dos fundadores.Os criacionistas repudiam a teoria da evolução de Darwin e negam que o mundo tenha sido originado pelo Big Bang. Sua convicção é de que a Terra foi criada instantaneamente a partir de ordens de Deus, em seis dias, há menos de 10 mil anos. Suas posições em cosmologia derivam de uma hermenêutica radical - entendem que todo e qualquer texto bíblico tem de ser interpretado literalmente.

No país dos apagões


E a oposição, de vez em quando, se mexe. Vai ao STF para garantir a CPI do Apagão Aéreo. Só pra refrescar: "nunca antes neste país" houve tamanha esculhambação nos aeroportos. É coisa que só acontece em países em guerra. A incompetência das autoridades, a propósito, merecia demissões, que jamais acontecerão. Não é à toa que o Acampamento está apetralhado. Tudo começou com o Apagão Ético

Mãe Natureza


Logo, logo, teremos uma "ecocracia".

Prosseguindo, desculpem, o tema dos posts anteriores, recordo o que disse Fernando Savater, filósofo espanhol contemporâneo, a propósito do conceito de natureza, principal reivindicação da ideologia ambientalista. O adjetivo "natural", segundo Savater, tem um significado, digamos, elevado, que atualmente é aplicado só a certos cenários serenos: "as árvores agitadas pela brisa, as praias imaculadas, as águas cristalinas que surgem nas montanhas ou a pureza dos gelos árticos."

Em outras palavras, é natural aquilo que não foi tocado ou mexido pela mão humana, ou que não é produto do artifício humano. O caos imprevisto, ao contrário, "é sempre o resultado, direto ou indireto, das paixões dos homens e das astutas malvadezas com que pretendem violar a natureza." Observe-se que não se trata de idéias do povo inculto, mas de diatribes dos intelectuais, que pretendem indicar o "rumo" da própria humanidade, condenando a ciência e a tecnologia.

A natureza é entendida como o substrato último da realidade (salvo, claro, as coisas produzidas pelo vil "ser humano"). É criativa e normativa ao mesmo tempo, pois dita aos seres vivos alguns modelos de comportamento, respeitados pela bicharada em geral - menos, uma vez mais, pelo maldito "ser humano", esse indisciplinado que ousa pensar. Em resumo, a natureza assume o papel da divindade, suscitando respeito, temor, veneração. Dizer que "a natureza é sábia" equivale a dizer que "não se pode enganar a Deus." Ah, a natureza "cobra o que lhe foi tomado."

Tudo isso desemboca na condenação do presente. Quanto mais uma coisa é recente, atual, tanto pior. É o artificial, produto da ação humana, é o arbitrário, o egoístico, o injustificado, a destruição. Não se estranhe, portanto, o difuso desprezo à modernidade no pensamento contemporâneo.

No fundo, natural é somente o pré-humano.

P.S.: o citado livro de Savater é o Dicionário filosófico, que tem tradução em várias línguas. Não é bem um dicionário, ressalte-se: os verbetes seguem os interesses do filósofo pelos vários temas.


(Foto: Foz do Iguaçu/Silnei Laise).