segunda-feira, 30 de abril de 2007

Bingão dos pelegos


Saquinho, por favor.

Primeiro de maio nas mãos da república sindicalista é isso aí: prêmios, brindes e comida grátis para arrebanhar as vítimas dos chefetes. A Força Sindical (ah, Darth Vader) quer reunir um milhão na zona norte de São Paulo. Promete levar um grande símbolo do trabalho, o presidente da Câmara, Arlindo Petraglia (com licença, Aluízio), além do ministro da Previdência, o ex-sindicalista Luiz Marinho (aquele das orgias pagas pela Volks na Alemanha). Pega carona também o falastrão Carlos Lupi, novo ministro do Trabalho (Brizola se vira no túmulo!).

Esses dinâmicos representantes dos trabalhadores, é claro, também participarão da festança da CUT, desta vez em companhia da ministra do Turismo, Martaxa Suplicy, que o populacho merece.

Tudo em São Paulo. Pobres paulistanos...

Bovinos

"Economista critica gado na Amazônia", diz a Folha.

Será que o gado, ahn, retorquiu?

E atentem para a cacofonia: critica...gado.

O Acampamento é deles

Na coluna Painel, da Folha:

Virada. Senadores contrários à redução da maioridade penal atribuem sua aprovação na CCJ à manobra do relator Demóstenes Torres (PFL-GO) de incluir de última hora no texto itens da proposta de Tasso Jereissati (PSDB-CE), mais branda, o que teria "confundido" os tucanos. No plenário, dizem, será diferente.

Que ninguém se iluda: o Acampamento é dos bandidos.

P.S.: repito a minha praga: que um anjinho de 13 anos, desses que os políticos dizem ser "vítimas da sociedade", desmanche em óleo fervente o filhote de alguma autoridade - e, ainda por cima, depois de ter metido a mão no resgate...

domingo, 29 de abril de 2007

Ele sabe onde pisa

Nada menos de 10 mil homens trabalharão na segurança do Papa Bento XVI, que virá ao Bananão na semana que vem. Ele sabe que o país é habitado por gente cordial, pacífica, religiosa, mas...o reloginho do crime aí ao lado que o diga.

Sponholz disse tudo (ver post abaixo).

Na terra do Frei Galvão

Cuidado com as "pílulas" de chumbo!

A favor da Justiça


Historiadora faz um alerta: condene-se os maus juízes, não o Judiciário. Ela tem razão. Há apocalípticos querendo confundir as coisas. Solapar este importante poder republicano interessa a alguns grupos autoritários que circundam o governo Lula. São os mesmos que costumam atacar a liberdade de imprensa. (Leia aqui).

Novo blog

O irrequieto Guilherme, do Gazeta Cultural, está com blog novo na praça. É o Ação Humana, não menos cultural que o anterior: para começar, está traduzindo Teoria da moeda e do crédito, de Ludwig von Mises. Bom trabalho.

sábado, 28 de abril de 2007

Imortal

Ditadores, de "direita" ou de "esquerda", em geral são longevos. O diabo não os carrega facilmente, temendo que com ele concorram no inferno. Um que ainda se arrasta por aí é o Fidel, já com olhar de além. E agora vem um pupilo jurar que ele reassumirá o governo no feriadão do primeiro de maio.

Bem, o pupilo é fonte pouco fidedigna...

Bandidos mirins protegidos

E os cidadãos que se danem...

"Especialistas" ongueiros, padres, petistas, o governo federal e até juízes se manifestam contra a redução da maioridade penal (de 18 para 16). A eles pouco importa que a maioria dos crimes sejam cometidos por menores. Alguns costumam perguntar: você quer mais escola ou mais presídios? Ora, quero os dois: muita escola e muitos presídios.

Outro dia li no blog do Roberto Romano (ver links) que, segundo dados da própria Febem, a redução da maioridade penal para 16 anos atingiria 64 por cento dos atos infracionais em geral e mais de 90 por cento dos atos violentos e contra a pessoa.

No mais, 76 países aplicam penas a menores de 18 anos. Aqui, claro, prefere-se afagar bandidos, já que os coitadinhos são produto de uma "sociedade desigual" e, com seus crimes hediondos, não fazem mais que "protestar" contra a "injustiça social".

Afinal, somos uma civilização superior, mais humana, mais cordial e fraterna. Estamos longe das ferozes ditaduras que, como a Suiça, botam bandidos mirins na cadeia aos 7 anos; Inglaterra, aos 8; Noruega, aos 15; Austrália, aos 16; Espanha, aos 14; Israel, aos 12; Itália, aos 14. Outros países, como Polônia, Luxemburgo e México, não fixam idade mínima para a responsabilidade penal (veja o quadro mundial aqui).

Os anjinhos do lulismo, que já podem votar aos 16, estão protegidos do rigor penal desses países atrasados.



Aos hipócritas pró-bandido,
a homenagem do Garotinho de Ouro -
lá do blog do Romano -, que veio passar
uns dias aqui em casa.

PT contra a liberdade de imprensa

Reproduzo outro editorial, este do Jornal do Brasil, que comenta os ataques do presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, à liberdade de imprensa (assunto já tratado aqui - ver mais abaixo). Que ninguém se engane com a mentalidade autoritária do petismo.

PT planeja o golpe da censura

O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini, é um incansável defensor de causas polêmicas e um assíduo combatente da adoção de princípios stalinistas no Brasil. Na terça-feira, durante seminário sobre "o funcionamento dos sistemas políticos-eleitorais do Uruguai, Espanha e da Alemanha", em Brasília, aproveitou o palco para acrescentar um item a mais ao debate sobre a reforma política no Brasil: a censura à informação.
"Existem questões mais importantes (do que fidelidade partidária, financiamento público e voto em lista), como discutir o poder dos meios de comunicação no processo eleitoral", afirmou. Em sua interpretação, o controle sobre o que é veiculado por rádios e TVs e publicado em jornais e revistas se justifica porque, no ano passado, "vários meios de comunicação abriram mão do bom jornalismo e fizeram campanha declarada pela oposição".
O que é bom jornalismo para o presidente do PT não tem nada a ver com jornalismo. A segunda constatação, é opinião dele. Meios de comunicação não fazem campanha. Veiculam informações. Analisam fatos. Quem precisa de vigilância, e a história recente confirma, é quem negocia dossiês, quem monta e usa caixa dois. O deputado Ricardo Berzoini continua a dever explicações sobre os dois episódios que envolvem companheiros seus do PT e ele mesmo, não importa que o Tribunal Superior Eleitoral tenha arquivado o caso.
Quem precisa de vigilância são os protagonistas da notícia, não quem as veicula ou imprime. A propósito, presidente do PT, como está o caso dos mensaleiros que o partido prometeu investigar na comissão de ética, e punir os envolvidos, depois da eleição? O PT censurou os processos? Ou apenas se preocupa em censurar a imprensa?

Aborto e crime

Reproduzo editorial da Folha de S. Paulo sobre a questão do aborto, abordando argumentos tratados aqui algumas vezes por este escrevinhador e pelos comentaristas. Resumindo: não existe planejamento familiar e nem há política de controle de natalidade - o que poderia, talvez, reduzir o alto número de abortos no país. O editorial tem razão em apontar a Igreja católica como uma das grandes responsáveis por esta situação. Ela é contra a contracepção, contra a educação sexual e contra o aborto.

Dentro ou fora da lei, o aborto induzido é uma realidade. No Brasil, estima-se que, a cada ano, até 1 milhão de mulheres interrompam clandestinamente a gravidez. As péssimas condições em que normalmente o fazem são responsáveis por um número não desprezível de óbitos e seqüelas à saúde reprodutiva.Nenhuma delas o faz por prazer mórbido. O aborto só ocorre porque é o único remédio contra a gravidez indesejada. Assim, quer sejamos favoráveis ou contrários à descriminalização do procedimento, a melhor forma de combatê-lo é instruindo a população sobre como evitar filhos e oferecendo-lhe meios contraceptivos adequados. Estamos fracassando em ambos.Estudo do Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas (Cemicamp) publicado em novembro de 2006 revela um quadro desolador, tanto na gestão dos recursos investidos em planejamento familiar como na qualidade dos serviços.Nas etapas iniciais, até que o sistema funciona. Só 4% das quase 500 Secretarias Municipais de Saúde (SMSs) pesquisadas não receberam nenhum método anticoncepcional do Ministério da Saúde; 66% declararam ter recebido o kit básico (pílula, minipílula e camisinha) completo.Por graves falhas de gestão, entretanto, os produtos não chegam à ponta final. A proporção de Unidades Básicas de Saúde (UBSs) que nada recebeu chega a 17%; apenas 28% delas tiveram acesso ao kit completo.A situação fica ainda pior quando se consideram métodos de aplicação um pouco mais complexa. Embora 93% das SMSs tenham recebido o kit complementar, que inclui DIU e hormônio injetável, essas opções chegaram a apenas 8% das UBSs.Os pesquisadores constataram ainda problemas na regularidade do fornecimento e na oferta de opções. Conclusão inescapável: o sistema não é capaz de usar aquilo de que já dispõe.O panorama tampouco é bom no quesito educação. Faltam campanhas de prevenção da gravidez precoce. Muitos diretores de escola resistem a admitir a temática da educação sexual. Além disso, as UBSs não estão aparelhadas para fornecer esse tipo de informação. O quadro é especialmente preocupante no que diz respeito a adolescentes. São poucas as que procuram as UBSs antes de engravidar. Quando o fazem, há médicos que exigem a presença dos pais para passar-lhes um método anticoncepcional. É como se o sistema tivesse sido desenhado para dar errado. Enfrentar esse problema vai exigir não apenas melhorias na gestão do SUS como também uma profunda mudança de mentalidade. Com efeito, políticos, administradores, educadores e médicos ainda relutam em dar ao planejamento familiar a importância que merece. Muito por influência da Igreja Católica -a qual, por motivos que transcendem à razão humana, não quer o aborto, mas também não admite nenhum método contraceptivo eficiente-, esse tema vem sendo relegado há décadas.Tal omissão coletiva é um verdadeiro crime que se comete. De um lado, contribui para uma sexualidade pouco responsável. De outro, nada de prático acarreta para evitar mortes e sofrimento desnecessários.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Morrendo na praia

O blog do Deu no Jornal traz um post interessante sobre processos judiciais que chegam às cortes superiores, em Brasília. Há cidadãos que ganham ações em todas as instâncias inferiores, mas, quando elas chegam aos tribunais da capital federal, a coisa vai por água abaixo. É como nadar, nadar e morrer na praia. Tem gente que suspeita de venda de sentença.

Para não ser maculado pelos maus juízes, o Judiciário precisa, de fato, ser mais transparente.

Chick Corea no jazz de hoje


Na barra lateral, o pianista Chick Corea contracena com outros músicos. Num dos vídeos, ele e Keith Jarrett tocam...Mozart.

Não sei quanto a Corea, mas Jarret estudou música erudita. Menino prodígio, começou a tocar aos 5 anos de idade.

Divirta-se.

Crime hediondo



Concordo com o Claudio, do De Gustibus (links). O crime descrito aí embaixo é hediondo:

Nove mil garrafas de cervejas com a marca adulterada foram apreendidas na zona norte de São Paulo, na quinta-feira, 26. Uma denúncia anônima revelou a suposta farsa. Segundo o delegado titular do 33º Distrito Policial - de Pirituba, Jair de Castro Vicente, o dono de duas adegas trocava os rótulos e tampinhas originais das garrafas de bebida de qualidade inferior, pelos das marcas Skol e Brahma. (Mais).

Também não bebo dessas marcas aí...
(Gravura de Man Ray).

Capitão Stédile e seus cangaceiros

Analisando as ações cada vez mais ousadas do bando de João Pedro Stédile (MST), o Estadão vai ao ponto. Vale a pena ler "Cangaço no século XXI".

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Mãos ao alto, cidadão!

Gatilhos

Para o presidente e os parlamentares, gatilho salarial. Para os cidadãos, o gatilho dos bandidos (ver reloginho da morte na barra lateral).

Anjinhos do lulismo

Comissão do Senado aprovou a proposta de Emenda Constitucional que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, pelo menos para crimes hediondos. Ainda é pouco, mas já é um passo adiante.

Pois bem, o governo quer dar um passo atrás, barrando no plenário a aprovação da PEC. Não surpreende. Toda proteção aos anjinhos criminosos, portanto.

Já disse aqui uma vez e repito: a situação só mudará quando um desses anjinhos ferver em óleo algum filhote de petista ou ministro. Enquanto o crime for contra os cidadãos, tanto faz como tanto fez.

Que fique aqui, então, a minha praga!

P.S.: os anjinhos, coitados, não seguem a trilha do crime porque querem, mas porque são "vítimas da sociedade". (Alô, Cris, já estou com uma boa provisão de saquinhos).

Los hermanos del Sur

Cucaracholândia, farol do universo.

Aqueles que, acreditando em certos colunistas brasileiros, acham que Lula deu um chega-pra-lá no fanfarrão Hugo Chávez (em gestos, cada vez mais parecido com Benito Mussolini), devem ler os jornais estrangeiros.

Não precisa ir muito longe. Basta ler a entrevista que o Pequeno Timoneiro deu aos jornais argentinos, hoje. Chávez? Ah, um "aliado excepcional".

E, com a habitual modéstia, Lula tascou: "a evolução política na América do Sul é a novidade do planeta no século 21, é onde estão ocorrendo as novidades políticas, é fantástico."

Sim, sim, o mundo só tem a aprender com a Cucaracholândia, farol da humanidade. Azar dos países ricos, que sempre ignoraram nossa pujante ciência, nossa riquíssima cultura e nossa incomparável tecnologia...

Olha o Emir aí, gente!

Ângelo fez um grande sacrifício: foi a uma palestra do Emir Sader. Como era de se esperar, saiu furioso e desce a lenha no stalinista carioca.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Ecologistas do outro mundo

Profetas de uma nova religião

Voltando ao tema suscitado por Savater (ver post abaixo) a propósito das deturpações sofridas pela ecologia, descobri que já existe também a ecotopia.

Tal como o filósofo Savater, o jornalista da área científica e escritor argentino Manuel Toharia lastima que a ecologia, uma ciência cética e crítica, como todas as ciências, tenha virado trincheira de grupos pseudocientíficos que descambaram na ecolatria e na ecotopia - a utopia dos que, por aqui, muitos chamam justificadamente de ecochatos.

Assino embaixo, citando um trecho do artigo de Toharia:

Algunos ecólatras persiguen un conjunto de mitos, en la vida cotidiana -todo el mundo es bueno y generoso, la industria debe anteponer a su lucro el beneficio del medio ambiente, la producción industrial es mala por necesidad y hay que volver al pasado, etc.-, que hacen pensar que su modelo de sociedad no es de este mundo. Algunos autores lo han denominado "Ecotopía", es decir, el lugar utópico de los ecologistas, donde imperan todos los mitos habidos y por haber. (Mais).

Bem, para horror de alguns, este escrevinhador disse outro dia que o ecologismo está se transformando numa nova religião. Ao que parece, criticar ecologistas já é quase visto como condenável heresia. Esses novos hereges são estigmatizados como inimigos da natureza, do ambiente, dos animais etc.

Comissário defende censura à mídia


O negócio dele é boletim oficial

E o comissário Berzoíni, o carrancudo e arrogante deputado engendrado nas batalhas sindicais de bancários petralhas, vem com mais um ataque à liberdade de imprensa. Ele fala em "reduzir o poder dos meios de comunicação no processo eleitoral". Leia-se, vindo de quem vem: censurar a mídia em época de eleições.

Vira e mexe, tem sempre alguém do PT achando que a liberdade de imprensa é excessiva, que é preciso domar a "imprensa burguesa" etc. Já falei disso aqui muitas vezes, e documentos do partido não escondem essa ojeriza.

Essa turma gosta mesmo é de jornalismo chapa-branca, particularmente o setor do partido oriundo dos sindicatos. Que, aliás, conserva ranços típicos do ideário fascista.

Se pudessem, Berzô e seus acólitos transformariam os jornais em grandes boletins oficiais. TV Estatal, imprensa estatal. Eis o sonho de todo petralha.

Leiam a matéria publicada na Folha:

O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), defendeu ontem que a reforma política, que tramita no Congresso, também discuta mecanismos para discutir "o poder dos meios de comunicação no processo eleitoral". Durante seminário que tinha como objetivo debater o "funcionamento dos sistemas políticos eleitorais do Uruguai, da Espanha e da Alemanha", ele disse que a reforma não pode se limitar ao financiamento público, à fidelidade partidária e ao voto em lista. "Há questões mais importantes, como discutir o poder dos meios de comunicação no processo eleitoral." Berzoini também sugeriu que a Justiça Eleitoral poderia controlar os meios de comunicação, mas não disse de que forma isso seria feito. Para defender sua tese de que é preciso controlar a mídia durante as campanhas, Berzoini citou a disputa de 2006. "Vários meios de comunicação abriram mão do bom jornalismo nas últimas eleições e fizeram campanha declarada para a oposição", afirmou. "Com um Judiciário mais atento com relação a isso", respondeu ele ao ser questionado como seria exercido o controle. O partido sentiu-se perseguido pela mídia, sobretudo após o escândalo do dossiê contra tucanos, que teve como um dos protagonistas Berzoini. O líder do PT na Câmara, Luiz Sérgio (RJ), e o deputado José Genoino (PT-SP) concordaram com Berzoini. "Temos crise no financiamento das campanhas, mas também temos uma crise com o poder dos meios de comunicação. Muitos agem de forma partidária nas eleições, sem assumir suas posições", disse Luiz Sérgio. Palestrante do evento, Genoino complementou: "Algumas pessoas do Judiciário, do Ministério Público e da mídia partem da idéia de que algumas instituições encarnam o bem e fazem um julgamento preconceituoso e elitista do que consideram o mal numa tentativa de tirar a legitimidade da política".

E tome Karl Marx!


A ditadura chinesa quer que os "meios de comunicação" promovam "produtos culturais saudáveis" voltados para a Internet, já que muitos conteúdos da rede são "decadentes". E sabem o que ela propõe? Lançar as obras de Karl Marx no ciberespaço.

Ora, isso não é novidade. O que não falta é site dedicado a Marx (aqui no Bananão mesmo), apesar da decadência de seu pensamento no mundo ocidental desenvolvido.

Enquanto a ditadura se preocupa com coisas assim, o capitalismo avança pelas bordas da China, que já conta com uma classe média de mais de 100 milhões de habitantes. E quando a lógica capitalista enfim se implantar, adeus ditadura. As regras do mercado livre implicam democracia, ou seja, livre circulação de idéias.

Vai demorar, é claro.

Infiel

Um livro que merece tradução

As feministas petralhas e as nossas antropólogas culturais não vão recomendar (ou fazer) a tradução, aqui, do livro Infidel, de Ayaan Hirsi Ali?

Ayaan, para quem não lembra, é a bela moça somali que fugiu para a Holanda, onde se tornou deputada, passando a denunciar a cultura que oprime a mulher no mundo muçulmano. Ela sofreu mutilação genital, prática comum em alguns países africanos.

Vivendo atualmente nos Estados Unidos, a escritora faz uma dura crítica ao Islã - segundo ela, um sistema de crenças que "conduz à crueldade."

Há tempos, Ayaan concedeu uma entrevista à revista Veja, que não encontrei na rede. Mas há um bom artigo de Álvaro Vargas Llosa sobre este comovente livro de memórias.
(Foto: AP)

terça-feira, 24 de abril de 2007

Socialismo ou "neofujimorismo"?

Fujimori fez escola...

Que diabo de socialismo será este de que tanto falam alguns presidentes latino-americanos que surfam na onda neopopulista de Hugo Chávez? Ora, nem eles próprios sabem definir.

Ao coronel bolivariano, por exemplo, não faltam nem sequer alguns trejeitos histriônicos do fascista Benito Mussolini. No fim das contas, eles são mesmo é neofujimoristas, como diz o historiador argentino Ricardo Göttig.

Tal como Fujimori, o ex-presidente peruano hoje exilado no Japão, eles demonstram apetite especial para reduzir ou eliminar os congressos de seus países. Não acreditam no sistema de partidos políticos, no parlamento e no debate democrático. Querem soluções rápidas, que só os regimes autoritários podem tomar.

Transcrevo parte do interessante texto de Göttig, publicado no site Cadal:

El neofujimorismo viene encarnado por la oleada de nuevos presidentes que dicen ser de izquierda, pero que no sólo no logran definir qué entienden por socialismo, sino que además tienen un tufillo que recuerda el histriónico estilo de Benito Mussolini. El presidente venezolano Hugo Chávez tiene la potestad de legislar por un año y medio, tras la delegación que le hizo el congreso de su nación. El presidente ecuatoriano Rafael Correa, recientemente asumido, ha logrado la destitución de parlamentarios opositores y la asunción de diputados suplentes que están de acuerdo con su plan de reforma constitucional. El nicaragüense Daniel Ortega también acaricia el proyecto de cambio del texto constitucional, contemplando la creación de "asambleas del poder popular" que disminuirían las atribuciones del parlamento. (Mais).

UPDATE: acabo de ver na TV que a demolição das instituições se acelera no lote equatoriano da Cucaracholândia: os juízes do Tribunal Constitucional foram destituídos. Como se vê, o presidente Rafael Correa segue direitinho as pegadas do tirano Chávez, que agora tenta eliminar a liberdade de imprensa. E alguns "esquerdiotas" do Bananão chamam isto de "revolução"!

Ecologia, sim; ecolatria, não.

E, por falar em meio ambiente, é bom recordar o que disse o filósofo espanhol (basco) Fernando Savater a propósito da diferença entre ecologia e "ecolatria". A primeira é logos, isto é, instrumento racional, e tão importante quanto outras ferramentas de conhecimento. A segunda é uma espécie de misticismo, que revela até um certo grau de perversidade do ecologismo radical.

Para os ecólatras, a denúncia da poluição e do saqueio da natureza, por exemplo, não tem por objetivo principal a preservação dos recursos ou espécies naturais, mas "humilhar o homem - particularmente o homem moderno e ocidental" -, submetendo-o à "sábia ordem natural". Ajoelha-te, homem.


A ecolatria, completa Savater, tem uma vocação mística semelhante àquela que, no nosso século, "caracterizou negativamente tantos movimentos revolucionários."

Dá o que pensar...

(Foto: Europa Press).

Humor negro

Só pra sacanear os ambientalistas dogmáticos (tipo Ibama): meio ambiente não pode significar, também, ambiente pela metade?

Ai, ai, ai...

Francolino Chapa-Branca

Não assisti a entrevista do chefe do DIP de Lula, Franklin Martins, ao "Roda Viva" da TV Cultura, ontem. Reinaldo Azevedo acompanhou e analisa-a ponto a ponto. Recomendo a leitura.

Acampamento sem lei

Na mosca de novo, amigo Sponholz!

O PAC da publicidade

Nunca antes "nesspaís" se torrou
tanto dinheiro em publicidade

Convenhamos, ninguém bate o governo Lula e o PT em publicidade e marketing. Duda - onde andará? - não nos deixa mentir. Pois Lula acaba de alcançar mais um recorde. Temos agora também o PAC da publicidade. Nada menos de um bilhão de reais foram consumidos pelas estatais.

Fica a pergunta: por que devem as estatais gastar em propaganda se são praticamente monopolistas na maioria das áreas em que atuam, isto é, não têm concorrência?

Matéria de Fernando Rodrigues na Folha de hoje (cito um trecho):

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva bateu seu próprio recorde e os gastos com propaganda estatal federal passaram de R$ 1 bilhão pela primeira vez na história do Brasil em 2006. O valor consumido pelos órgãos da administração direta e indireta sob o comando do PT chegou a R$ 1.015.773.838. Essa soma é divulgada pelo governo federal para o setor de publicidade estatal. A contabilidade unificada começou em 1998. Para períodos anteriores não há cifras disponíveis.Segundo o ministro Franklin Martins (Secretaria de Comunicação Social), os números da publicidade "refletem uma presença forte das estatais, pois estão entre as maiores do Brasil e precisam competir no mercado". A Secom deve divulgar todos os dados referentes a 2006 nesta semana, na internet (www.planalto.org.br).As tabelas mostrarão que, nos anos (para os quais há dados disponíveis) em que Fernando Henrique esteve no Palácio do Planalto, o maior gasto do tucano se deu em 2001, com um investimento de R$ 953,7 milhões -a Secom corrigiu essa cifra pelo IGPM, da Fundação Getulio Vargas.Sob FHC, os valores sobem e descem de um ano para o outro. Com a chegada de Lula ao Planalto, os valores não param de subir. No seu primeiro ano, em 2003, o petista foi modesto. Investiu R$ 667,6 milhões, menos do que em todos os anos anteriores com FHC. Os gastos subiram para R$ 956,1 milhões em 2004. No ano seguinte, quando estourou o esquema do mensalão, o governo usou R$ 963 milhões em propaganda. Para chegar ao recorde de R$ 1,015 bilhão no ano passado, Lula teve de fazer gastos concentrados no primeiro semestre e nos últimos dois meses do ano passado -pois durante a fase eleitoral há restrições legais à publicidade estatal. É raro um político aumentar seus investimentos publicitários oficiais em anos de eleição.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Morte ao leão!

Eis um animal odioso

Calma, ambientalistas e protetores dos animais, estou falando do Leão predatório da Receita Federal, alvo do Millôr na Veja desta semana. E para que os leitores não fiquem com água na boca, cito pelo menos um trecho:

Bem, vamos deixar de lado o imposto de renda propriamente dito (o mais injusto dos impostos, um bonde errado social em que o mundo inteiro embarcou achando que os ricos iam mesmo pagar igual) pra falar só no Leão, seu detestável e caricato símbolo brasileiro.

Se estamos numa democracia – mesmo feita com farinha de mandioca misturada com urina – esse símbolo deve ser imediatamente eliminado da logotipia oficial. Ele ruge odiosamente, como se fôssemos todos criminosos (o país ainda tem duas ou três pessoas que não o são), numa publicidade sempre grosseira, e humilhante pro contribuinte (leia-se extorquido). Fim com ele, Leon-liberalismo!

O leão é o símbolo maior da heráldica, e, como já lembramos, o mais prepotente, odioso, animal das fábulas.

E, se deixarmos os leões simbólicos e os selvagens e ficarmos apenas com os históricos, como os dos circos romanos, aí a coisa piora. Esses leões só entravam na arena pra perseguir, mutilar e devorar os pobres, os famintos, os cristãos. Nunca se viu um leão comendo um Jader Barbalho. Ou um Paulo Maluf, pelo menos.

Saldo macabro

Desculpem a insistência no tema, mas a única coisa que cresce no Acampamento são os assassinatos. Temos um PAC da criminalidade. Vejam o "relógio da morte" aí ao lado: em duas semanas, mais de 2.000 assassinatos!

Aliás, o saldo estimado do primeiro mandato de Lula é o seguinte: aproximadamente 200 mil assassinatos, 120 mil mortes no trânsito, 10 milhões de assaltos, 200 mil quilos de cocaína despejados no mercado interno, 1,2 milhão de veículos furtados ou roubados e 50 mil roubos de cargas nas estradas (os dados foram revelados pela repórter Eliane Cantanhêde - confira aqui).

Realmente, nunca antes "nesspaís"...

Lenço curto, não!


Cadeia para as mulheres iranianas

A ditadura teocrática iraniana dá mais um passo rumo à caverna. As mulheres agora não podem mais usar lenço que deixe o rosto à mostra, nem saias curtas ou justas. Nada no vestuário deve lembrar o satânico estilo ocidental.

As mulheres que não cumprem as ordens de Ahmadinejad - aquele mesmo que afirma não ter existido o holocausto - estão sendo presas.

As feministas petralhas não vão dizer nada? Ah, sim, são adeptas do relativismo cultural...
(Foto: AP)

Vai, Lula, vai.

Até que enfim Lula olha um pouco mais longe na América do Sul. Vai se encontrar com a presidente do país menos cucaracha da região, Michelle Bachelet, do Chile.

Chega de alugar os ouvidos aos fanfarrões Hugo Chávez e seus pupilos, mui amigos do secretário de Relações Internacionais Marco Aurélio "Sargento" Garcia (que, por sinal, anda muito quietinho).

Veja o que o Bananão tem a aprender com o Chile sobre a Ásia.

domingo, 22 de abril de 2007

Ah, as eleições na França...



A França vota e a vaca muge

Ué, a França ainda é notícia fora dos arredores da USP? Que surpresa!

Sim, sim, de um lado tem um "direitista", de outro uma "esquerdista", e ambos vão para as finais do campeonato. Um tal "Sarkô" e uma tal de "Royal".

Foi lá que inventaram essa dicotomia esquerda/direita. A França é a terra do existencialismo brega de Sartre, do desconstrucionismo de Derrida, da "micropolítica" de Foucault etc., etc. Oh, a "humanidade" mudou profundamente com a filosofia desses caras...

Bien, se alguma coisa os gauleses fizeram de bom, no pleito de hoje, foi deixar de fora o arruaceiro José Bové, produtor de queijo com as benesses do Estado e inimigo do "imperialismo".

O resto a gente vê depois, enquanto a vaca muge.
* * *
P.S.: pronto, agora acabo de arrumar mais uma encrenca na academia...

A utopia regressiva do MST

Os leitores mais assíduos já conhecem o tema, que tratei algumas vezes aqui. Sintetizei os argumentos em artigo que está hoje no site do Diego Casagrande, de Porto Alegre.

Apenas acrescento uma idéia que é preciso desenvolver: não existiria o MST sem o ideário da chamada "teologia da libertação", que em vão o Papa João Paulo II pensou ter desbaratado. Ela continua forte - e sua expressão máxima é o exército comandado por João Pedro Stédile.

Mas, claro, nenhum "cientista político" orientaria um estudo tão politicamente incorreto e tão "neoliberal" etc.

Update: e acabo de ver que o Diego tem um blog. Vai para os links já, já.

Ainda o filósofo gringo-baiano


Vai lá, Mangabeira, Looongo Prazo é balaio de promessas...
Delira, meu povo!

Devorador seletivo

O Monstrengo estatal, como se sabe, raspa os bolsos da classe média. Não mexe nas fortunas, cujos capitães - na indústria, nos bancos e no comércio - estão todos alegres. Tão alegres quanto silenciosos, principalmente sobre a violação das leis no Bananão. Não estão nem aí para o tal Estado de Direito, desde que faturem o seu. Ora, que invadam fazendas, centros de pesquisa, propriedades etc. Mutismo total.

Que esses senhores faturem, não é problema. Mas não são capitalistas, que retribuem à sociedade, nos países efetivamente capitalistas, o lucro que dela extraem. Não, eles são apenas rapineiros. Velha tradição bananeira. O Estado-monstrengo é bom quando funciona exclusivamene a seu favor.

É esse Estado que, nas mãos da cultura pobrista reinante, esfola na fonte a classe média para distribuir marmitas ao Brasil do século XVIII. Resumindo, o monstro tira dos remediados para dar aos miseráveis.

Mas boa parte da classe média merece mesmo o inferno. Entregou-se ao monstro sorridentemente. E o monstro lhe devolve apenas insegurança, inclusive de vida. Que morra na esquina. Apenas figurará na única estatística que revela índice de aumento por aqui: a dos assassinatos.

Bem feito!

Leia aqui: "Impostos devoram renda".

Diálogo de pianos

O tecladista Chick Corea, num encontro com a japonesa Hiromi Uehara, interpretando "Spain", que é uma de suas composições mais populares.

Bom domingo.

sábado, 21 de abril de 2007

A última do Mangabeira

O neolulista pratica autocensura

E cada vez mais a gente fica conhecendo novas facetas do ministro do Loooongo Prazo, o gringo-baiano Mangabeira Unger. Entre outras coisas, ele foi consultor da Brasil Telecom, recebendo do banqueiro Daniel Dantas a módica quantia de dois milhões de reais pelos serviços prestados.

Mas agora acabo de ler em no mínimo (links) que o homem tirou de sua página em Harvard o artigo publicado na Folha em 2005, no qual pedia "o fim do governo Lula". O texto simplesmente sumiu. Podem conferir.

Quer que esqueçamos, de fato, o que ele escreveu. Não é atitude de filósofo, mas de político rasteiro.

Ceguinha, ceguinha...

Do incansável Sponholz

Ciência e simulação


As simulações e visualizações em super-computadores expandem a capacidade cognitiva, ultrapassando limites e superando a imaginação. Desses recursos dependerão cada vez mais as ciências do século XXI - da física à biologia, da nanotecnologia à astronomia, sem falar na medicina. A revolução virá da simulação. Veja um exemplo aqui.

O$ custo$ do contrabando

O governo gasta milhões para destruir material apreendido, entregue a empresas terceirizadas. E os gastos, aí nesse setor de baixa fiscalização, deram saltos estratosféricos: aumentaram 457 nos últimos quatro anos.

Que destruam o contrabando, mas não torrem o nosso dinheiro. Nessa era de gatunagem galopante, é bom ficar de olho vivo (leia no Contas Abertas).

Bem-vindos, a casa é toda sua.


Mainardi e o jornalismo vidente

Na Veja desta semana, Diogo Mainardi escreve sobre o jornalismo vidente (ver post abaixo) do repórter Kennedy Alencar, capaz até de prever sentenças judiciais. Mas o que dizer do juiz sentenciador?

Faço uma pergunta inconveniente: de onde vêm os juízes? Eu mesmo respondo: ora, dos péssimos cursos de Direito existentes no país, como definem os próprios advogados que os freqüentaram e por isso malham as escolas. Mas vamos ao texto do Diogo:

Sou o Bacuri do Kennedy

Eu sou o Bacuri do petismo. Bacuri foi torturado e morto pelo regime militar. Os informantes que a imprensa tinha no Deops e os informantes que o Deops tinha na imprensa souberam que ele seria morto duas semanas antes de o assassinato de fato ocorrer. Ao contrário do que fizeram com Bacuri, ninguém arrancou minhas orelhas, ninguém perfurou meus olhos. O regime militar era brutal. O petismo é só rasteiro. O colunista da Folha Online Kennedy Alencar noticiou que eu seria condenado no processo contra Franklin Martins um dia antes que o juiz efetivamente me condenasse. Se eu sou o Bacuri do petismo, Kennedy Alencar é o informante do Deops.
Na semana passada, aqui na coluna, dei um peteleco em Franklin Martins. Na segunda-feira, o antigo assessor de imprensa de Lula, Kennedy Alencar, publicou uma nota vaticinando qual seria o resultado do processo do ministro contra mim. Ele acertou até a quantia que eu teria de pagar: 30.000 reais. No dia seguinte, atropelado pelos eventos, o juiz Sergio Wajzenberg decidiu me condenar às pressas, antes de analisar minhas provas e antes de interrogar minhas testemunhas. Como sou parte em causa, tenho de tratar do assunto com uma certa cautela. A OAB, a corregedoria e a imprensa podem se ocupar do caso bem melhor do que eu. Mas a sentença do juiz Wajzenberg merece um comentário.
O juiz Wajzenberg, como José Dirceu, só me chama de Diego na sentença. É Diego para cá, Diego para lá. Eu, Diego, sou descrito como um camarada da melhor qualidade: inteligente, brilhante, digno, leal, honesto e cumpridor de meu papel social. Mas cometi um erro ao identificar Franklin Martins como simpatizante de Lula, embora ele tenha sido nomeado, um ano depois do meu artigo, ministro de Lula. O juiz Wajzenberg se define como uma "velhinha de Taubaté". Ele afirma que, como a velhinha de Taubaté, "prefere acreditar" que um jornalista pode desempenhar seu trabalho com autonomia, mesmo que todos os seus parentes sejam beneficiados com cargos no governo.
O juiz Wajzenberg absolve também o "povo brasileiro". Ele alega que, como um bando de índios, nós toleramos a prática do "escambo". Por isso, "um ato que pode parecer uma troca de favores na verdade pode significar um reconhecimento do poder político". O juiz Wajzenberg diz que, diante da falta de trabalho, moradia e saúde, temos dificuldade de "entender o que é bom e o que é ruim". Mas ele "prefere acreditar" que "a maioria do povo brasileiro é digna, acredita em Deus e age para que nosso futuro seja melhor". Contaminado pelo espírito benevolente do juiz Wajzenberg, prefiro acreditar que em nenhum momento ele sentiu o peso de julgar um ministro, prefiro acreditar que ele nem considerou a hipótese de favorecer um membro do governo para obter algum tipo de vantagem em sua carreira, prefiro acreditar que ele conduziu meu processo com lisura, prefiro acreditar que ninguém arrancou minhas orelhas e ninguém perfurou meus olhos.

Livros? Ora, livros...


Chris Anderson, editor da Wired e autor do livro A Cauda Longa (ver seção na margem direita), apresenta dados surpreendentes sobre a produção e venda de livros em língua inglesa, o maior mercado mundial. Editam-se 200 mil livros por ano, porém menos de 20 mil chegam às livrarias médias - e a maioria nada venderá.

Em 2004, por exemplo, 950 mil livros, entre os 1,2 milhão monitorados pela Nielsen Bookscan, venderam menos de 99 exemplares. Outros 200 mil não chegaram a mil exemplares, e apenas 25 mil venderam mais de 5 mil exemplares!

E sabem qual é a média dos livros vendidos nos EUA? Nada mais de 500 exemplares. Trocando em miúdos, 98 por cento dos livros simplesmente não são comerciais, qualquer que seja a intenção dos editores.

Se lá é assim, "imagina na Jamaica"...

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Duelo de baterias

O sóbrio Elvin Jones, que faria a "cozinha" de John Coltrane por muito tempo, e o frenético Art Blakey, que formaria várias bandas, se enfrentam em 1968.
Divirta-se.

Todos no colo


Politicamente, o pensamento único já tomou conta do país faz tempo. Só falta mesmo o partido único. As "oposições" bem que estão dando generosa contribuição para a sua formação.

Jornalismo vidente

Uma nova modalidade na praça

O repórter Kennedy Alencar, que já foi assessor de Lula e tem livre trânsito no Palácio, tenta justificar sua reportagem antecipatória.

Relembrando: ele publicou no dia 16 matéria sobre a condenação, em primeira instância, do colunista Diogo Mainardi, em ação movida pelo chefe do DIP de Lula, Francolino Martins. Acontece que a sentença judicial só veio a público em 17 de abril (data de sua assinatura, aliás). Kennedy, portanto, é um vidente.

Dê-se ao jornalista o crédito por ter criado uma nova modalidade de jornalismo. Ele enxerga fatos em gestação - ou que ainda nem aconteceram. Eis um talento especial.

Kennedy fala em "teoria conspiratória", atribuindo-a a Reinaldo Azevedo. Mas quem levantou a lebre foi um site mantido por advogados e juristas, o Migalhas.

Ora, fatos são fatos. No mínimo, o repórter da Folha teve informação privilegiada. Com apenas um interesse: dizer que Francolino não é tão chapa-branca assim...

Há muito que certo jornalismo bananeiro conspira contra a decência.

Saquinho, por favor.

Verdadeiros marginais, no Brasil, são aqueles que ainda conseguem pensar com independência. Os bandidos, com ou sem colarinho, são a situação, isto é, estão no poder.
Pra iniciar esta sexta-feira no país do matadouro, da corrupção e da incompetência, vamos ao blues de Howlin Wolf, com sua voz rascante (na barra de vídeo, à direita). O saquinho não é pra ele, claro.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Atenção, blogueiros.

Aqui vai uma nota de serviço público, dirigida principalmente aos que estão se iniciando na blogosfera e "territórios" afins (mas ela é útil também para os que os que já estão na rede há mais tempo). Não deixem de acessar a página da CreativeCommons Brasil. Lá estão disponíveis para download alguns livros de orientação aos blogueiros - gratuitamente, é claro. O site conta com apoio da FGV.

O CCB assim se apresenta: "o Creative Commons Brasil é um projeto sem fins lucrativos que disponibiliza licenças flexíveis para obras intelectuais".

Tenho o selinho da Creative lá embaixo, na margem direita, desde que esta maledetta página começou.

Na mosca, Sponholz!


E lá vai Mangabeira...

Esqueçam o que ele escreveu

Intelectuais brasileiros - caipiras ou com sotaque gringo - nunca resistiram à tentação do poder. Traem o que escrevem e abraçam quem, até ontem, era considerado inimigo.

O insone Reinaldão flagrou uma dessas traições no caso do professor Mangabeira Unger, prestes a embarcar no governo Lula para pensar (hummm) no "longo prazo"...

Mangabeira, que na foto já contempla o looooongo prazo, é o homem que assim vociferava em 15 de novembro de 2005:

Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. Corrupção tanto mais nefasta por servir à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agências reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos.

Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente. As provas acumuladas de seu envolvimento em crimes de responsabilidade podem ainda não bastar para assegurar sua condenação em juízo. Já são, porém, mais do que suficientes para atender ao critério constitucional do impedimento. Desde o primeiro dia de seu mandato o presidente desrespeitou as instituições republicanas. Imiscuiu-se, e deixou que seus mais próximos se imiscuíssem, em disputas e negócios privados. E comandou, com um olho fechado e outro aberto, um aparato político que trocou dinheiro por poder e poder por dinheiro e que depois tentou comprar, com a liberação de recursos orçamentários, apoio para interromper a investigação de seus abusos.
Leia a notícia no Estadão.

Boas notícias

Eppur si muove...

Genoíno, Delúbio, Marcos Valério et caterva pensavam que iam escapar de fininho. Não mesmo. O STF acaba de "capturá-los" numa ação penal.

Que fim levou Delúbio, com aquele ar de peixe morto? E por que será que o outrora loquaz Genoíno, reeleito deputado, anda mudinho, mudinho?

Outra: a CPI do Apagão dá mais um passo no Senado.

Lei neles!

quarta-feira, 18 de abril de 2007

A "redação" infantil de Ruy Castro

Nariz Gelado já foi ao ponto, mas não resisti: vou botar mais uma brasa para assar essa sardinha. Um dos textos mais simplórios que já li na imprensa brasileira é de Ruy Castro - incensado biógrafo de celebridades (mortas, felizmente, porque biografar vivos é bajulação) -, publicado hoje na Folha (e reproduzido lá embaixo). Parece mais uma redação de colégio

Castro demonstra desprezo pela cultura norte-americana a propósito da chacina provocada por um estudante sul-coreano numa universidade. Culpa os gringos pela disseminação do cigarro, do fast food e das armas. E foram eles que nos inculcaram a "admiração" pelos pistoleiros.

Convenientemente, o jornalista carioca não fala dos bandidos que infestam sua cidade, o Rio de Janeiro, cuja maravilha só sobrevive em crônicas. O textinho de Castro parece coisa de quem passou a vida no cineminha da esquina.


Não vejo poesia nesta lengalenga. Só vejo alguém que vive fora do próprio mundo, incapaz de discernimento sobre o que acontece hoje no Bananão.
Ruy Castro pode ser um bom biógrafo de famosos, mas é péssimo observador da realidade. Análise, observação atenta do presente, não são do seu ramo. Seu Rio é a cidade de suas reminiscências. Ah, a senil memória...

Pois bem, Castro é da "elite" jornalística bananeira. Não exagero ao dizer que seu pensamento reflete a média do jornalismo brasileiro. Para boa parte dos jornalistas, vivemos no melhor dos mundos.


Algo compartilhado com o MST de Stédile e os bandidos.

Prefiro outro Ruy, o
Goiaba.

P.S.: outro jornalista, este um chapa-branca explícito, está escrevendo a biografia do "bispo" Edir Macedo, dono da Igreja Universal e da TV Record, onde mantém programa. Se Ruy vive dos mortos, este vive dos vivos. O nome? Paulo Henrique Amorim.
O que mais falta nessa área é vergonha na cara.

O que o mestre mandar

RIO DE JANEIRO - Durante quase um século, eles nos ensinaram que fumar era bacana, adulto e moderno. Para isso, tinham professores fascinantes: Bette Davis, Joan Crawford, Humphrey Bogart, Lauren Bacall. Podia-se fumar cantando, como Sinatra; dançando, como Fred Astaire; beijando, como Lana Turner. Fumava-se à vontade em elevadores, igrejas e hospitais. Nós e o mundo fizemos o mesmo.Mas, então, eles descobriram que fumar não fazia bem, e a ordem foi banir o cigarro dos filmes, restaurantes, escritórios, fábricas, shoppings, bares e até boates. Nós e o mundo fizemos o mesmo.No mesmo período, eles nos ensinaram que a comida ideal era aquela carne moída, tipo pré-digerida, ou uma salsicha de recheio incerto, servida entre dois pães e pingando, para ser devorada em pé, na rua, com as mãos. Era a fast food. E, para isso, também tinham um elenco de garotos-propaganda: do Wimpy, louco por hambúrgueres, ao gordo Bolinha e ao palhaço do McDonald's. Nós e o mundo aderimos com gula e sofreguidão.Mas, há pouco, eles descobriram que a fast food contém gorduras letais, provoca obesidade e pode levar a doenças horríveis. Nasceu uma campanha contra ela, exortando os americanos a evitá-la. E nós e o mundo, em que ficamos?Por fim, e por igual período, eles nos ensinaram a admirar os pistoleiros Jesse James, Billy the Kid e Wyatt Earp. Ficamos íntimos da Magnum 44, do Colt 45, da Winchester 73 e de outras ferramentas da civilização americana. Tanto que nos dedicamos furiosamente a usá-las uns contra os outros, entre nós mesmos.Às vezes, como anteontem, eles descobrem que ferramentas análogas, nas mãos de um animal doente e agressivo, como o ser humano, costumam ser mortíferas. Alguns até já cogitam proibi-las. Pode ser que, lá, nos EUA, eles consigam.


Bem pequeninho: perderei as poucas amizades que me restam..

UPDATE: e por falar em jornalistas, o repórter Kennedy Alencar, que já foi assessor de Lula, poderia explicar como publicou a sentença de condenação (em primeira instância) de Diogo Mainardi, em ação movida por Francolino Chapa-Branca Martins, agora ministro, ANTES MESMO QUE O JUIZ A PUBLICASSE (a notícia saiu no blog Migalhas e foi reproduzida pelo Aluízio e pelo Reinaldão). Depois dessa, vou dormir, pois não tenho vida fácil...

O que quer o Papa?

Nem tudo foi dito sobre a visita do Papa Bento XVI. Na verdade, o Vaticano está pressionando para uma nova Concordata com o Brasil, cuja aprovação lhe dará direito de intervir em questões seculares, com sérias restrições à ordem civil democrática.

Roberto Romano toca no tema em sua coluna em jornal de Campinas, reproduzida em seu blog. Cito um trecho:

O Sumo Pontífice retoma a idéia de nosso território como “país de missão”, ao elevar aos altares um homem que pertence ao Estado federal que perde bom número de católicos. No mesmo tempo, o monarca antecipa o bom acolhimento a um ato até hoje pouco divulgado. Após a Concordata, assinada em data recente com Portugal, a Santa Sé acelera os tratos para uma nova Concordata com o Brasil. Tal acordo trará restrições para a ordem civil democrática. Os cientistas devem se prevenir, porque medidas polêmicas, como as leis reguladoras dos laboratórios que operam com a genética humana, serão determinadas pelos compromissos assumidos segundo a lógica dos tratados internacionais. (Mais).

Horror sem fim

Infelizmente, o Rio é a cidade que mais contribui para a disparada do reloginho do crime aí ao lado (relembro: os dados são do IBGE).

Mercado é cultura?

O Claudio, do De Gustibus, diz que sim. Os grupos culturalistas que vivem à sombra do Estado não vão gostar. As estatais é que são generosas...

O pensamento católico enraizado por aqui ensina desde os velhos tempos que ..."mercador, logo, pecador."

Boa leitura.

Furacão de dúvidas

Marcelo Soares, do blog do Deu no Jornal, levanta "um furacão de dúvidas" sobre a Operação Hurricane montada pela PF e que resultou na prisão de figurões do Judiciário e do bicho carnavalesco carioca.

Vale a pena conferir.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Quotidiano brasileiro


Eles estão no poder

Ou, pelo menos, se sentem no poder - tanto o exército de Stédile quanto os bandidos.

A afoiteza com que grupos organizados como o MST, exército particular de João Pedro Stédile, invadem qualquer propriedade, não é de espantar. É o braço armado - ainda que de foice - do lulo-petismo. Transita bem no Incra e nos ministérios, tem cobertura de setores político-partidários. Pressiona só porque os líderes querem garantir participação no orçamento da União, não porque estejam preocupados com distribuição de terras.

Essa tal de "luta pela terra" é retórica: mais de 80 por cento da população brasileira é urbana, isto é, nada mais tem a ver com a roça. E por mais pobre que seja, ela não quer voltar ao idílico campo sonhado pelo MST e os "teólogos libertadores" da Igreja Católica, portadores de uma mensagem que, talvez, iluminasse ainda seus avós. Isto sugere que, caso estivesse na presidência, Stédile seria o nosso Pol Pot, o genocida do Camboja que desmantelou as cidades, obrigando a população a regressar ao campo. Resultado: um milhão de mortos (aproximadamente metade da população do país).

Pois bem, a afoiteza é tanta que ontem um bando do exército de Stédile invadiu terras do Exército (o verdadeiro) no Oeste de Santa Catarina. A coisa durou menos de 24 horas porque as Forças Armadas enviaram tanques e tropas. A turma da foice "amarelou" e foi promover arruaças em outro local. O fato ocorrido em Santa Catarina, e que se espalha pelo país, indica que não vivemos efetivamente num Estado de Direito.

Mas o que mais espanta, na verdade, é que este mesmo "sentimento" de que agora tudo é permitido transitou para a marginalidade. Os bandidos e foragidos das prisões se sentem igualmente no poder. Para além da garantia de impunidade, a criminalidade cresce também em função do incentivo que alguns grupos organizados (inclusive o tal crime organizado) captam na atual conjuntura, leniente com a violação das leis. Tais setores são em geral considerados - via discurso politicamente correto - "vítimas" da sociedade, da célebre "injustiça social".

Em poucas palavras, parece que o tal livre-arbítrio não funciona quando alguém escolhe o caminho do crime. Se você é cidadão honesto e age corretamente, então você possui livre-arbítrio. Mas se você é bandido, é "vítima" da sociedade, não tem vontade própria, coitadinho. A você, todos os privilégios, todo a atenção de algumas entidades públicas ou não-governamentais que acreditam na sua "reabilitação".

Cito como exemplo desse incentivo difuso à infração das leis (nós chegamos lá, gente, estamos no poder!) a desfaçatez com que bandidos principiantes assaltam, aqui em Florianópolis, bares e restaurantes apinhados de gente. Já se pode dizer que virou uma modalidade típica da "Ilha da Magia", embora a polícia e os jornais não comentem. O que os leva a tais façanhas que, racionalmente, deveriam ser temerárias? Ora, a certeza de que dificilmente serão presos, porque não há vigilância do poder público. E, no caso de a polícia chegar, é mais fácil escapar: qual é o policial que vai atirar num restaurante cheio de gente?

Abaixo, a matéria da Folha. Quem foi intermediária das "negociações" entre o MST e os militares? Ahá!, a senadora Ideliiiiiiiiiiiii Salvatti.

Durou menos de 24 horas a invasão promovida na manhã de domingo pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) em uma propriedade do Exército, de 10,5 mil hectares, em Papanduva (353 km de Florianópolis), norte de Santa Catarina.Cerca de 500 famílias deixaram o local ontem pela manhã. Afirmaram que foram ameaçadas pelos militares durante as negociações para a saída.Segundo o movimento, cinco tanques de guerra foram usados na ação, que contou com aproximadamente 500 militares. Eles teriam cercado o local pela tarde e, portando escopetas e fuzis, ordenaram a retirada dos invasores.Após tensas negociações, os agricultores deixaram o local. As conversas entre os sem-terra e o comando do Exército foram intermediadas pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC). À Folha a senadora afirmou ontem que, ao ser informada sobre o impasse, no domingo, localizou o ministro da Defesa, Waldir Pires, e pediu que ele fizesse contato com o Exército.Ontem, o Exército disse que somente após fazer levantamento sobre a situação da área iria se pronunciar. O MST anunciou que seguirá exigindo a desapropriação da área. Segundo o movimento, cerca de 41 famílias de pequenos produtores viveram na área até os anos 1960 e deixaram a propriedade para que fosse cedida ao Exército. As famílias não teriam sido ressarcidas. (MATHEUS PICHONELLI)



A negociadora Ideliiiiiiiiiiiiii, por Sponholz.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

A guerra é nossa

Para o jovem carioca seria mais seguro viver em zonas de guerra. Entre 2002 e 2006, morreram 1857 menores nas favelas do Rio. Compare com crianças palestinas ou israelenses mortas no mesmo período: 729. Quem é que está em guerra?

O marcador aí ao lado, aliás, não deixa dúvida. Muda tão rapidamente quanto contador de bomba de gasolina, como observou o Rayol, do Jus Indignatus: mais de 50 assassinatos desde ontem.

O tema rendeu reportagem publicada hoje no The Washington Post.

Más notícias

A situação está preta (êpa!) para os jornais norte-americanos. Estatísticas mostram que a leitura de diários, que alcançou o pico em 1987, tem diminuído sensivelmente desde então. Está hoje nos níveis dos anos 60.

Não é à toa que, somente entre 1992 e 2002, seis mil jornalistas perderam o emprego. Mas a crise não é só dos gringos: é global.

Hoje tem Coltrane

A seção Jazz apresenta hoje vídeos do saxofonista John Coltrane. Veja ao lado.

Populismo cucaracha

Chávez faz escola na vizinhança. Seguindo o figurino, o presidente equatoriano Rafael Corrêa acaba de obter uma vitória: nova Constituinte permitirá que ele concentre poderes. O próprio Chávez já está comemorando: "Correa assumiu com valentia o socialismo do século 21"...

Veja, na Folha, como a coisa já começou bem ao estilo...

Ontem, 9,2 milhões de equatorianos foram obrigados a votar. No entanto os 57 deputados de oposição cassados no dia 7 de março por serem contra a nova Constituinte foram impedidos de entrar nos locais de votação. A sanção do tribunal eleitoral inclui a suspensão dos direitos de cidadãos por um ano, incluindo o voto.
A deputada Gloría Gallardo, do Partido Renovador Institucional Ação Nacional, disse ir acompanhada de um cartorário para confirmar que a impediram de participar do referendo.
Pascual del Cioppo, do direitista Partido Social-Cristão, comentou que esse será "mais um argumento" na ação que os deputados vão entrar, em duas semanas, na Corte Interamericana de Direitos Humanos.

domingo, 15 de abril de 2007

O sono dos injustos

Dorme, deputado, dorme...

As "veias abertas" do ressentimento

Nove entre 10 idiotas latino-americanos leram e acreditaram no livro As veias abertas da América Latina, do uruguaio Eduardo Galeano, que pode ser encontrado (o autor, é claro) por aí, em algum transatlântico. A peça está mais para ficção, de péssima qualidade, do que para jornalismo ou análise.

Calcada nesse metáfora vampiresca, de gosto duvidoso, a obra responsabiliza os Estados Unidos por todos os males que assolam o planeta. Em resumo, nosotros somos pobres porque eles nos tomaram tudo. Se somos miseráveis, a culpa é deles. Eis o catecismo do ressentimento.

Chega dessa lengalenga. Somos pobres porque temos uma mentalidade atrasada. Economias pujantes pressupõem uma cultura também pujante, aberta, empreendedora. O resto depende do deus Estado, eternamente patrimonialista abaixo do Equador.

O Estado é o nosso Nosferatu. Ele é o vampiro que suga nossas veias e drena nossos bolsos, sem nada nos dar em troca. A sociedade é pobre porque o Estado é rico. Somos pobres porque nossa cultura também é pobre, marmiteira, bolsista, dependente. Com essa mentalidade, jamais seremos a tal "potência" vaticinada por alguns profetas doidos. É ela que nos fez o que somos, assim como a cultura norte-americana fez dos EUA o que eles são: um país altamente desenvolvido.

Infância


Não sou dado a reminiscências. O passado passou e basta. Mas ao ler a página do conterrâneo Ilton (o título do blog é Jus Sperniandi), lembrei da minha infância, diferente da dele apenas em alguns detalhes (vejam lá o post "O direito de fazer cocô no banheiro do Pedrinho")

Eram tempos duríssimos, mas a gente não fugia da escola, único meio de sair do grotão (o Ilton não vai gostar da designação para a sua amada Taió). De noite ou de dia, sob chuva ou sob o escaldante sol do Vale do Itajaí, ou ainda pisando em geada, lá íamos para aquelas salas que, no fim das contas, nos abriram o mundo.

Eu e o Ilton, que é um pouco mais velho do que eu, nos conhecemos só de vista, acho, porque ele saiu do vale - sempre para estudar, o infeliz - antes que eu deixasse de brincar de cowboy. Ele não deve saber, mas eu e o Celito, seu irmão, sentamos no mesmo banco da escola primária (na época era banco mesmo, não havia cadeira individual) durante todo o curso primário.

Ah, mas termino por aqui. Meus 10 leitores estão cansados de saber que não sou chegado a crônicas (salve, de novo, Ivan Lessa...).

P.S.: o pior, Ilton, é quando a gente vê um sujeitinho dizer na televisão que não vai para a escola porque não tem campo de futebol, e por isso vai à rua vender quinquilharias (ah, segue a "pedagogia do oprimido" do canastrão Paulo Freire). E, depois, quando a gente critica esse brasileirinho, tão brasileirinho quanto nós, apanha até de amigo esclarecido e filósofo famoso. Não tenha dúvida: somos "politicamente incorretos", herdeiros de mentalidade "superada". Culpa do "Seu" Chico, no seu caso, e do Celeste e do velho Luigi, no meu.
P.S.: a foto - que achei ontem, por acaso, na maléfica internet - é do meu "nonno" Luigi (jovem, claro), que me iniciou nas leituras. Noninho, a culpa não é sua. Saudade.

sábado, 14 de abril de 2007

Açougueiros "pró-vida"



Para os radicais que se intitulam "pró-vida" e pensam que ser favorável à legalização (ou descriminação, eita palavra horrível!) do aborto é ser a favor do homicídio, aqui vai uma pequena relação de ilustres senhores "pró":
  • Adolf Hitler

  • Joseph Stálin

  • Benito Mussolini

  • Nicolai Ceausescu.

Logo que chegaram ao poder, essas celebridades históricas criminalizaram (argh!) o aborto, antes legal.

Obviamente, isto não constitui um argumento pró-aborto, mas serve para alertar os radicais (como estes aqui): ser contra o aborto nem sempre implica um compromisso com a defesa da vida.

(A foto do homenzinho brabo é da BBC).

Estou no seu lobby, Diogo.

Também quero derrubar Lula, embora os políticos rastejantes queiram lhe dar um ano a mais, senão a própria re-reeleição (Chávez continua sendo um exemplo tácito - ou melhor, é um paradigma, como gostam de dizer acadêmicos de quinta categoria). Cito Mainardi:

Ninguém mais quer derrubar o Lula. Eu quero. Eu o derrubaria todas as semanas. Em vez de perder tempo comigo, leia atentamente a reportagem sobre Jader Barbalho. Se dependesse de mim, o caso derrubaria o presidente agora mesmo. O que falta para pedir a abertura de uma CPI da Bandeirantes? O que falta para responsabilizar Lula pelo rolo de 80 milhões de reais? (Íntegra).

Miles Davis ao vivo



À margem direita, lá embaixo, há vídeos com o jazzista Miles Davis e as várias formações de sua banda. Para começar, sugiro um clique no último quadradinho ("Rare Miles Davis in the fusion era. Live 1970") para ver Miles tocando com Keith Jarrett, Wayne Shorter, Joe Zawinul, entre outros (ah, tem o brasileiro Airto Moreira na percussão). Todos seguiriam, depois, brilhantes carreiras solo.

O vídeo retrata bem a época da fusão entre jazz e rock, para desgosto dos puristas. E, para maior horror, da adoção dos instrumentos elétricos. Foi o período em que surgiu uma obra fundamental do jazz contemporâneo, Bitches Brew.

Só pra provocar: é mais um brinde do Google, este infernal produto do imperialismo ianque, que vive sugando "as veias abertas da América Latina"...
OBS.: ao clicar na imagem, abre-se uma tela no início da página. Se quiser interromper, clique em "acabei de assistir". Divirta-se.

Genuflexão geral

Brasil: de centrão em centrão ao beleléu.

Vírus HIV? Ora, um fantasma...

Charlatanismo, pseudociência, milagres e crendices sempre foram bem aceitos em território latino-americano. E as ciências? Ah, ciência dá muito trabalho, desenraíza o senso comum, fere convicções arraigadas.

Não é à toa que começa a se alastrar pela região uma idéia contrária a todas as evidências científicas: a de que não existe o vírus da Aids. Há até um livro a respeito do tema, Sida y agentes estresantes, do médico Roberto Giraldo - não por acaso, um latino-americano, da Colômbia precisamente.

O homem tem uma página na internet em que afirma o seguinte:

El Sida no es infeccioso ni se transmite sexualmente. Este es un síndrome tóxico-nutricional causado por el alarmante incremento mundial de agentes estresantes para el sistema inmunologico.

Procure no Google e você verá que esse charlatanismo diplomado começa a se alastrar também no Brasil.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Para Bento XVI


Um tema incômodo

Pegando carona na visita do Papa (pelo qual, já disse aqui, tenho alguma simpatia), proponho que a Igreja por ele liderada assuma e mantenha todas as crianças abandonadas nos países em que o catolicismo é predominante. Ficariam sob sua guarda todas as creches e associações que cuidam de crianças sem pai nem mãe. Proponho também que boa parte do dinheiro da igreja seja destinado aos bairros e favelas mais populosos desses países, onde, sem controle de natalidade, prolifera a pobreza.

Desculpem, católicos, mas o Papa deveria assumir esse compromisso porque sua instituição é contrária não só ao aborto, mas aos métodos contraceptivos e também à educação sexual. O mínimo que podemos dizer é que isto é contraditório.

Em vastas regiões do chamado Terceiro Mundo (ao qual pertencem, reconheçamos, algumas regiões metropolitanas brasileiras) predominam a miséria e a marginalidade, mas a Santa Madre, insensivelmente, recusa o uso de preservativos e outros métodos. Ora, o controle da natalidade, baseado numa efetiva educação sexual, poderia diminuir de maneira considerável a quantidade de indigentes que, despejados no mundo, são condenados a uma morte precoce (por doenças, drogas ou assassinato).

Quem é contra todas essas alternativas deveria assumir grande parte das conseqüências. O resto, deculpem uma vez mais, é irresponsabilidade.

Perigo na terra e no ar

Bem, voltei da esquina. Alguém pode ter pensado que fiz como certos homens que vão comprar cigarro e não retornam mais (ou porque abandonam a família ou porque são assassinados no matadouro nacional).

Mal chego em casa e já vejo, de cara, na televisão: franceses são orientados a tomar cuidado ao viajar pelo Brasil; e a federação internacional dos aviadores diz que é perigoso voar nos céus bananeiros (a coisa está em nível africano).

Os "nacionalisteiros" que pensem e resmunguem o que quiserem, porque há muito pararam de pensar e observar a seu redor. De minha parte, a vontade não é voltar para o armazém da esquina, mas tomar o caminho do aeroporto.

Ave, Ivan Lessa!

P.S.: nada de esquina: seis horas de aula, hoje.

O futuro é isso aí

"Tucanos se dizem 'aniquilados' ". E já estão negociando com o governo. Eis as notícias desta sexta-feira, 13.

Vou ao armazém da esquina renovar minha provisão de saquinhos...

Campeões


Que venha...

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Mais um Tube

Desta vez, dedicado ao Islã. Pra variar, falando em "guerra santa" e mostrando a fabricação de uma bomba, utilizada em cilada no Afeganistão.
Confira aqui.

Buuummm!

Lavanderia STF

O blog Selva pegou bem: contrariando a Polícia Federal, o STF excluiu o nome do senador Mercadante do inquérito que investiga o dossiê fajuta contra os candidatos tucanos na última eleição.

O bigodudo petista se sente de "alma lavada". Pudera, nem sabão em pó lava tão branco...

Pêsames, cidadãos brasileiros.

Enquanto os políticos discutem sobre um tema tão relevante como o de usar ou não chapéu nordestino no Congresso, a matança continua país afora.

No post publicado pouco depois da meia-noite (ver abaixo), o widget indicava o assassinato de 391 pessoas desde 08 de abril. Agora, enquanto escrevo, o número já está fechando nos 500 assassinatos.

Este é o país habitado por gente "pacífica e ordeira". Esta é a nação do "homem cordial".

Meus pêsames às famílias que perderam alguém nessa guerra subterrânea.

E meus pêsames também aos cidadãos brasileiros por terem as autoridades e políticos que têm.


EM TEMPO: "Homicídios S.A." é o próprio Brasil...

O Santo e o Rei


Cadáveres e mais cadáveres

Na margem ao lado, há um widget criado pelo Zappi sobre os assassinatos cometidos no Brasil desde 1980. Os números serão atualizados automaticamente com dados do IBGE. Somente de 8 de abril até hoje, 391 pessoas foram mortas.

É um chamamento aos poderes constituídos (Executivo, Legislativo e Judiciário, em todos os níveis) para que façam a sua parte para conter esta guerra subterrânea. Do contrário, nunca deixaremos de ser um Acampamento.

E é bom lembrar que, diferentemente do que pensa a ideologia politicamente correta, as pessoas escolhem o banditismo por livre vontade. Por aqui, parece que o tal "livre-arbítrio" só funciona quando a pessoa comete boas ações, agindo corretamente. Quando ela age com violência e pratica crimes, não possui "livre-arbítrio", mas é "vítima" da sociedade.

Nosso presidente disse isto com outras palavras anteontem, responsabilizando a todos nós pela violência. E bem fez o Aluízio ao responder de bate-pronto: não mesmo, presidente! O texto também está disponível no site do Diego Casagrande.

P.S: no breve tempo em que escrevi este post, três pessoas foram assassinadas.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Não há alternativa à democracia

As "esquerdas" ainda cultivam a ilusão de que é possível uma alternativa à democracia, que sorrateiramente continuam designando como "burguesa" ou "capitalista". Por que isto é uma ilusão? Vamos às lições da história, com seus fartos exemplos ditatoriais.

No sangrento século XX, houve três grandes tentativas de "escapar" do sistema capitalista e das instituições democráticas (que, aliás, só funcionam razoavelmente bem nos países capitalistas): a nazista, a fascista e a comunista.

Nenhuma delas deixou qualquer contribuição em termos institucionais, ou seja, essas pretensas alternativas não produziram nem sequer uma "instituição nova", ou mesmo remendada. Se estendermos a questão ao campo da estética, veremos que não deixaram um só traço novo também nas artes ou na arquitetura. Nada, absolutamente nada.

Além do zero em estética, em termos institucionais apenas destruíram o que funcionava, solapando a democracia e produzindo os horrores que a história jamais esquecerá. Não deixaram dúvida de que ditadura, em qualquer tempo, é simplesmente ditadura, seja à esquerda ou à direita - seu único produto é a supressão absoluta das liberdades e dos direitos, quando não da vida.

Por mais frágeis que sejam, as instituições e as regras da democracia são o que criamos de melhor no labirinto da história em que nos movemos, sem a desvairada pretensão de profetizar uma "saída". Todas as tentativas de "superá-las", sob a ilusão de realizar o paraíso na terra, engendraram apenas o inferno. E, se há alguma diferença entre essas tentativas, é apenas quanto ao número de cadáveres que deixaram para trás.

Em relação à história, nenhum partido ou movimento tem a posse de um saber definitivo ou de uma verdade absoluta. Somente aprendemos (nem todos, é verdade) tentando: errando e, eventualmente, acertando. Mas sem a convicção de sermos os depositários de algum conhecimento superior ou exclusivo sobre a "finalidade" da história, isto é, seu miraculoso "fim último". Tudo isto não passa de uma teologia sem Deus.

La lucha continua...

O site América Libre, perpetrado na Argentina, é um bom retrato da falta de rumo das "esquerdas" na América Latina. Geléia geral. Ali há artigos pós-modernos sobre "gêneros", "subjetividade", "sexualidades" e, claro, "revolución", mucha revolución!

Ahá! Quem dirige a "revista" é o nosso stalinista-mor, o Emir Sader, que comparece com um artigo sobre..."La lucha de clases en Brasil".

Mas há curiosidades ainda maiores no conselho editorial. Lá estão o bruxo new-age Leonardo Boff, o nosso cantante Chico Buarque de Hollanda, o deputado petista Luís Eduardo Greenhalgh e, last but no least, o comandante João Pedro Stédile (de novo!), do MST.

Até a Martinha Harnecker, que escreveu aquele célebre manualzinho sobre "materialismo dialético" (lido por 9 entre 10 "idiotas latino-ameicanos"), integra o conselho em nome do Chile. É garantia de que o século XX ainda não acabou.

Ambientalismo de araque

Sempre oportunista, o MST pega carona até na lengalenga ambientalista. Logo ele, que depreda propriedades, plantações e laboratórios de pesquisa nas invasões que patrocina junto com a multinacional arruaceira Via Campesina.

O Estadão comenta o assunto na edição de hoje. Cito um trecho:

A associação cada vez mais sólida entre o MST e a transnacional da depredação - a Via Campesina - parece ter juntado “a fome com a vontade de comer” no campo do primitivismo ideológico. Veja-se, a propósito, as conclusões a que chegaram, em fevereiro, 600 representantes de movimentos rurais de diversas partes do mundo, em reunião na pequena cidade africana de Sélingué, no Mali. Pretendendo defender a “soberania alimentar”, discutiram durante cinco dias e concluíram que devem reforçar a luta contra “o imperialismo, o neoliberalismo, o neocolonialismo e o patriarcado, e todo sistema que empobrece a vida, os recursos, os ecossistemas e os agentes que os promovem, como as instituições financeiras internacionais, a Organização Mundial do Comércio, os acordos de livre-comércio, as corporações transnacionais e os governos que prejudicam seus povos”.

Em tempo: Stédile, o chefão do MST, é o nosso Pol Pot.

No brejo

Bastou que as excelências que nos "representam" em Brasília aprovassem menos trabalho e muito mais dinheiro para que os de baixo se lambuzassem também.

Vem cascata por aí. Vão todos chafurdar. Às nossas custas, claro.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Desmontando a noção de "raça"


Insisto: quem ainda leva muito a sério o (pre)conceito de "raça", por favor leia o biólogo e geneticista Luigi Cavalli-Sforza (foto). Dona Matilde, daquele dispensável ministério de "promoção do conflito racial", a tal Seppir, deveria ser obrigada a lê-lo para não dizer mais bobagens.

Recomendo especialmente Genes, povos e línguas (ver seção Livros), obra em que o autor demonstra o entrecruzamento de adaptações biológicas e culturais, observando que "as diferenças genéticas entre os diversos povos são superficiais e que o racismo é uma falácia que pode ser cientificamente desvelada e combatida."
A cor da pele, as proporções corporais e os tipos de cabelo, segundo o cientista, nada mais são que "vernizes passados sobre uma estrutura biológica idêntica".

Acesse a página do pesquisador em Stanford. Mais informações, aqui.

Nunca antes...


A Unb e seu "tribunal da raça"

Demétrio Magnoli faz uma boa análise das trapalhadas cometidas na Universidade de Brasília em nome do vetusto conceito de "raça" - com o reitor Thimothy Mulholland na linha de frente.

A UnB de Mulholland é um campo de provas da engenharia das raças. Nela se introduziram as cotas raciais e um “tribunal da raça”, na forma de uma comissão que certifica, pelo exame de fotografias, a “negritude” dos candidatos inscritos no sistema de cotas. Sob o silêncio cúmplice da reitoria, estudantes-ativistas gravam aulas em busca de pretextos para acusar docentes de “racismo”. A raça converteu-se em obsessão, e divergências de opinião ou desentendimentos casuais adquirem sentidos estapafúrdios na tela política da racialização. (Na íntegra).

E lá vai a turba da "teologia libertadora"


As hordas do MST iniciam o tal "abril vermelho" (a cor não é por acaso) invadindo uma empresa de celulose. Dom Tomás Balduíno, chefete da Pastoral da Terra e um dos profetas do retorno do Acampamento ao cabo da enxada, deve estar exultante. Hoje ele acende uma vela para os Santos Mao, Guevara e Fidel, trio que inspira os "libertadores" (está faltando Pol Pot, o genocida do Camboja).

Qual é o inimigo desses "progressistas"? O pobre eucalipto, essa planta "direitista", "neoliberal", "burguesa" etc. O "dialético" Lyssenko, que enterrou a agricultura soviética, era fichinha perto desses neoluditas de batina.

Belo país: aqui o atraso é festejado como progresso. Desrespeito à propriedade sob a bênção da igreja, liberdade para os bandidos (cujos mandados de prisão não são cumpridos - ver notas abaixo) e por aí vai.
Ainda existe o Estado de Direito?
(Na ilustração, o grande símbolo do progresso...)