quinta-feira, 31 de maio de 2007

Chávez e o comunismo soviético


O "socialismo do século XXI" é o totalitarismo do século XX

O leitor Paulo Araújo pescou na Internet um documento importante sobre que diabo é o tal "socialismo do século XXI", preconizado pelo coronel Hugo Chávez. No dia 22 de abril passado, o ditador conclamou seus seguidores a lerem O Programa de Transição, de Leon Trotsky (foto), um dos líderes da Revolução Comunista de 1917, além de ter citado Lênin, ao falar do papel dirigente do partido.

A matéria do site bolivariano Aporrea revela claramente o que pensam Chávez e seus acólitos sobre a democracia. Como diz Paulo, "seus amigos e defensores no Brasil deveriam seguir o exemplo, sem ter medo ou vergonha de dizer que o futuro da Venezuela bolivariana tem encontro marcado e anunciado com o totalitarismo soviético."

Cito adiante um trecho do artigo do Aporrea, que se apresenta como agência de notícias "popular e alternativa", identificada com o "processo de transformação revolucionária do país". Entre seus colaboradores figuram o onipresente Noam Chomsky, que abandonou a ciência pela ideologia, o alemão Heinz Dieterich, que também anda muito pelos campi universitários brasileiros, a tia chilena Marta Harnecker, que escreveu um dos livros prediletos da idiotia latino-americana, Conceitos elementares do materialismo histórico, e, claro, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, autor da bíblia do idiota: As veias abertas da América Latina. Ah, também não podia faltar o jornalista francês Ignacio Ramonet. Essa turma gosta de usar o país alheio como laboratório para suas idéias delirantes, motivo de chacota em sua própria terra. Pobre Venezuela...

Durante el programa semanal Aló Presidente, transmitido el pasado domingo 22 de abril, el Presidente Hugo Chávez invitó a los venezolanos a estudiar los escritos del revolucionario ruso León Trotsky, y especialmente lo expresado por éste en el folleto El Programa de Transición, programa de acción elaborado por Trotsky y aprobado en el Congreso Fundacional de la Cuarta Internacional en 1938, el cual constituye una de las bases fundamentales de la corriente trotskista dentro del marxismo.

Luego de una llamada al programa por parte del señor Ramón Gonzalez, un oyente del programa, Chávez afirmó haber leído recientemente el folleto de Trotsky que le fuera regalado por el Ministro del Poder Popular para el Trabajo y Seguridad Social, José Ramón Rivero, quien es seguidor del pensamiento del revolucionario ruso.

"No me puedo clasificar como trotskista, no, pero tengo tendencia, porque yo respeto mucho el pensamiento de León Trotsky, y cada vez que lo respeto más lo percibo mucho mejor. La revolución permanente por ejemplo es una tesis importantísima. Hay que leer, hay que estudiar, todos, aquí nadie está aprendido," afirmó el líder del proceso revolucionario bolivariano. El programa de transición planetea entre otras cosas, el establecimiento de medidas como la escala móvil de salarios y escala móvil de las horas de trabajo, la eliminación del llamado "secreto comercial", el establecimiento del control obrero sobre la industria, la expropiación de ciertos grupos de capitalistas, la expropiación de los bancos privados y la estatización del sistema de créditos, entre otras.

Chávez destacó aspectos relativos a la teoría de la transición, planteada por Tortsky en su folleto y afirmó que en Venezuela están dadas todas las condiciones para construir un país socialista. "León Trotsky en un folleto que no me lo traje, me lo iba a traer y se me quedó. Bueno, estaba leyéndolo esta madrugada, es la teoría de la transición, es un librito de no más de 30, 40 paginitas, pero vale oro puro, un pensador luminoso León Trotsky. Entonces él dice, cuando tú hablas Ramón, Rafael Ramón González Ramírez, desde Valera, nos está diciendo él en su llamada que en Venezuela están dadas todas las condiciones para que seamos un país, pero un país socialista, una sociedad próspera socialista, socialistamente desarrollada, porque cuando uno habla de desarrollado hay que tener cuidado. ¡No, que Venezuela va a ser un país desarrollado! Cuidado, porque no se trata de copiar el modelo del norte, ese modelo está acabando con el mundo, compadre, por eso digo un término que me ha brotado: socialistamente desarrollada, ecológicamente desarrollada," dijo.

Os culpados

As regiões em vermelho (hummm) são as grandes responsáveis pelo pujante e honestíssimo governo que aí está. (Fonte: Brazilian Politics).

Jornalistas?


Que jornalistas são estes que defendem o confisco de uma rede de televisão por governantes? Não falo dos jornalistas venezuelanos, claro, mas daqueles que, aqui no Bananão, apóiam o avanço da ditadura chavista. Eles estão nos órgãos de representação profissional dos jornalistas (sindicatos, federações etc.), mas não são jornalistas. Têm diploma, mas não são jornalistas. São militantes, sindicalistas, funcionários de partido ou de ideologias, mas não jornalistas. Porque nenhum verdadeiro jornalista defende o fechamento da empresa em que trabalha. Nenhum jornalista comemora o fim de um jornal, de uma revista ou de uma rede de televisão.

Jornalista que não preza a liberdade de expressão e de imprensa, em qualquer lugar do mundo, não merece o título, ainda que tenha diploma.

Tristes tempos, os da América do Sul.
* * *
P.S.: Marcelo Soares demorou a obter o diploma (enfadado com tanta "teoria da comunicação"), mas está no time dos melhores jornalistas brasileiros. Vejam aqui um exemplo: Chutatísticas.

Fora, tirano!




Enquanto o governo Lula silencia sobre o avanço do autoritarismo na Venezuela, o legislativo catarinense, em atitude corajosa, aprova moção condenando o fechamento da RCTV.

Mas não é só isso: agora o coronel Hugo Chávez passa a ser considerado "persona non grata" , pelo menos em território catarinense.

Parabéns, deputados.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Sob as botas de Chávez

Protestos continuam sem cessar em Caracas e outras cidades da Venezuela. Acompanhe no vídeo a violenta reação das tropas do ditador ao panelaço realizado pela população. Tiros foram disparados contra as janelas das casas, na tentativa de sufocar a manifestação pacífica.

Detalhes no blog de Ana Júlia Jatar (links).

Pelegos da UNE ameaçam universidades

"Pettinha" se reúne com Lula
e anuncia onda de invasões

Devagarinho, o lulo-petismo solapa as instituições. O alvo agora são as universidades públicas, ameaçadas de invasão pela pelegada da UNE ("nunca neste país" existiram lideranças estudantis tão oficialistas). Mal acabou de ser recebido por Lula, que o chama carinhosamente de Pettinha, o líder dos estudantes, Gustavo Petta, disse que a pelegada invadirá outras reitorias na próxima quarta-feira.

Como todos sabem, a UNE recebe apoio financeiro do governo.

Sobre a pena de morte

Outro tema maldito
Merece reflexão o artigo publicado por Denis Rosenfield, professor de filosofia da UFRGS, no site Diego Casagrande (links), que tomo a liberdade de reproduzir abaixo. Rosenfield parte da manifestação do Desembargador Marco Antônio Barbosa Leal, presidente do Tribunal de Justiça do RS, que, contrariando a mentalidade politicamente correta reinante no Bananão, defende a pena capital não só para os assassinos, mas também para aqueles crimes que atingem toda a população brasileira, como os golpes aplicados no erário público, "que não matam com arma de fogo, mas pela fraude."
A pena de morte e o desembargador
É digna de apoio a manifestação do Desembargador Marco Antônio Barbosa Leal, Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, relativa à pena de morte e à redução da maioridade penal. Com coragem, enfrenta preconceitos dos que se representam como os politicamente corretos, encarnações do enfim definitivo e verdadeiro conceito de direitos humanos. Em seus dogmas, terminaram se esquecendo do homem, das vítimas, dos mortos, dos mutilados em mãos daqueles que são apresentados como carentes de responsabilidade, como se suas ações tivessem sido dirigidas por alguma potência mágica.

A pena de morte é uma pena capital, empregada contra aqueles, cujos crimes são irremissíveis, não podendo ser redimidos. E o são tanto do ponto de vista da vítima – e indiretamente da sociedade -, quanto do ponto de vista do próprio autor desses atos. Do ponto de vista da vítima, pois: a) aquela pessoa que foi assassinada exige, por intermédio dos seus familiares e amigos, a justa retribuição daquela ação, que se faz por uma pena proporcional ao ato cometido. No caso de um crime, feito com intenção e com todos os requintes, alguns inimagináveis, hediondos como se diz, a justa retribuição se faz pela pena capital; b) a sociedade merece ser resguardada da repetição de tais atos. Se o criminoso volta à convivência social, ele estará propenso à repetição do mesmo tipo de ato, ameaçando outras pessoas inocentes. É um direito da sociedade ser resguardada desses indivíduos, que devem ser retirados da sociabilidade humana normal; c) há indivíduos que são inclinados para a maldade e isto independe de causas sociais. Pensar que a sociedade pode regenerar esse tipo de indivíduo é um dos mais puros preconceitos, que orientam o pensamento daqueles que se dizem “progressistas”. Onde está aqui o “progresso”? Na liberação total da violência? No deixar a sociedade refém de tais pessoas? Há indivíduos que não são suscetíveis de ser regenerados. Pense-se em Stálin, Hitler, Pol Pot, Mao e outros. Segundo os progressistas, deveriam voltar ao convívio humano normal depois de serem “reeducados”! Receberiam aulas de direitos humanos?

Do ponto de vista do autor de atos criminosos, um dos maiores humanistas e moralistas da história, Kant, dá uma resposta que frisa, principalmente, a livre escolha, a responsabilidade moral. Segundo ele, um indivíduo que rouba, se rouba, um indivíduo que mata se mata. Ao optar por matar alguém, tal pessoa, por esse ato mesmo, está escolhendo se matar. É ela que se escolhe desta maneira, saindo, por si mesma, do convívio social. Não há nenhum cabimento considerar que o autor de crimes hediondos foi completamente determinado em seus atos, pois todo ato humano tem a característica da escolha, por menor que seja. Os primeiros cristãos, quando iam às feras, escolhiam a morte para não abjurar de sua fé. Mesmo nesta situação extrema, a escolha se fez presente. Logo, considerar que os indivíduos são, por natureza, irresponsáveis, não respondendo por seus atos, equivale, na verdade, a considerar o homem como não homem. Hegel dizia que o Estado ao punir os criminosos o faz honrando-os, pois os tem por homens, responsáveis por seus atos. O Estado, ao usar a força, ao proferir a pena capital, age no exercício legítimo de sua autoridade. Equiparar o uso da força do Estado, no uso legítimo de sua autoridade, a uma violência do mesmo tipo da do criminoso é uma indigência mental.

Quanto à redução da maioridade penal, os ditos “progressistas” têm também produzido algumas pérolas. Uma delas é a de os menores infratores já estariam sendo “punidos” por ser objeto de medidas sócio-educativas. Isto vale para pequenos delitos. Ora, pergunto-me que medida de cunho educativo pode ser tomada em relação a um criminoso que mata uma criança levando-a, amarrada, a reboque de um carro por várias quadras. Crime mais atroz é difícil de ser concebido. Seria interessante que os que defendem tal tipo de posição “educativa” fossem educar tais pessoas e se responsabilizar por seus atos. E responsabilidade mesmo e não mera demagogia. Seriam responsáveis, em sua própria pessoa, pelos atos de tais indivíduos “reeducados”, que sairiam livres, “maiores”, e com ficha limpa para o convívio humano normal. Tal “progressismo”, ademais, seria interessante de ser atestado em relação a outros países. Com bem frisou o Desembargador Marco Antônio Barbosa Leal, querem eles que o Brasil se nivele ao Peru e à Colômbia ou à Inglaterra no que diz respeito à idade de responsabilidade penal? Pobre Inglaterra que desconhece as verdadeiras posições progressistas! País não civilizado!

Pocilga




Só acrescento que a (segunda) charge do incansável Sponholz vale também para outras instituições públicas, inclusive as universidades. O corporativismo impera. Todas essas instituições são infensas ao indivíduo ou a quem pensa por si próprio. Pensar com autonomia equivale a heresia. Diante desse tipo de comportamento gregário (ô, Nietzsche! - olha eu aí invocando um desafeto), só me resta repetir, desculpem os leitores: acreditaria que temos um ancestral comum com o macaco mesmo que Darwin não tivesse existido.
* * *
P.S.cáustico: se nacionalidade fosse algo vendável, torraria a minha. Baratinho, baratinho.

Chávez é a lanterna das "esquerdas"

Pouca luz, pouca luz...

Perdidas, as "esquerdas" latino-americanas elegeram o coronel Hugo Chávez como Grande Guia. Cínicas, confundem estatização com democratização e dizem que o ditador venezuelano é "amigo da democracia". Isto vale para os bolivarianos daqui e d'acolá. Bota pouca luz nisso! A propósito, vejam um comentário sobre a "esquerda" mexicana:

Y es que, en efecto, el de Chávez es un gobierno amigo de la democracia. Un gobierno a perpetuidad que modifica y maneja a placer constitución, poder legislativo, poder judicial, empresas públicas, tierras, empresas privadas, recursos energéticos, agenda informativa y hasta escudo nacional. Un gobierno que mantiene listas de quienes lo apoyan y reparte, en consecuencia, reprimendas o favores. Un gobierno que engaña, malgasta y miente. Un gobierno sólo interesado en su propia supervivencia. Todo un ejemplo a seguir. En fin, así es la izquierda mexicana, aunque no tenga trono ni reina, ni nadie quien la comprenda…. (León Krauze, Letras Libres, links).

Mídia é o inimigo na América do Sul


A jornalista Inés Capedvila, do La Nación, é outra que vê com preocupação o crescente ataque à imprensa na América do Sul. A tática dos governantes, segundo ela, tem diferentes facetas, desde o "hermetismo da administração" de Michelle Bachelet, no Chile, até a "ironia próxima do desprezo" do governo de Lula. No mais, temos a guerra declarada do ditador Hugo Chávez, seguida por Evo Morales e Rafael Correa.

Embora as táticas de confrontação sejam diferentes, as causas são as mesmas, diz a jornalista. Em poucas palavras, a imprensa é vista como rival, assumindo muitas vezes o papel de oposição política, nos países mais castigados pelas crises institucionais.

O fato é que os partidos políticos se enfraqueceram. "Já não são representativos", segundo uma fonte em Caracas. "Então a sociedade se volta para os meios, que absorvem a crítica e assumem a função de atores políticos. E os governos os castigam, procurando calar a dissidência."

Na América do Sul, de fato, a imprensa é o alvo.

O pitoco de Napoleão



Qual a origem do ímpeto militar de Napoleão Bonaparte? Psicólogos chegaram a cogitar, evidentemente, que se devia a problemas sexuais. Se tem algo a ver com isso, ninguém sabe, mas o mundo ficou sabendo que o pênis do corso, quando ereto, media 6,6 centímetros, e, em repouso, não passava dos 4,1.

A "relíquia" pertencia ao urologista John Lattimer (falecido recentemente), que alegou tê-la adquirido, em 1969, por "interesse científico".

Humm, os urologistas e suas manias...
(Fonte: aqui).

terça-feira, 29 de maio de 2007

Vergonha é o que eles não têm


Não esperem que nossos políticos tenham vergonha na cara. Enlameados, agarram-se aos cargos, prejudicando as instituições a que pertencem. Foi assim com os ministros de Lula, é assim com o presidente do Senado.

Tudo pelo pudê.

Viciado em ketchup

Cliente queria mais molho para seu hamburguer, mas o gerente da lanchonete negou. Enfurecido, pregou fogo no sujeito.

Não resisto ao humor negro (êpa): se não tem ketchup, vai sangue mesmo...

Asssunto interno

A esse aí também
ninguém deu
palpites...

Lula andou dizendo que não dá palpites sobre o cerco à mídia promovido na Venezuela. Assunto interno, alega. Silêncio cúmplice, digo eu.

Não foi o Pequeno Timoneiro que afirmou, certa vez, que no país vizinho há democracia até demais?

Convém lembrar que vizinhos da Alemanha também não deram palpite quando Hitler começou a destruir a democracia em seu país.

Engravatado


O rabino Henry Sobel, que foi pego surrupiando gravatas nos EUA, cumprirá pena por aqui mesmo. Serão 6 meses de trabalhos comunitários.
Fosse julgado no Brasil, dificilmente seria condenado.
Update: ôps, o G1 corrigiu: a pena é de 100 horas.

Raças?

O geneticista Sérgio D. Pena, da UFMG, desmonta de vez a idéia de que existem "raças". No caldeirão brasileiro, por exemplo, tudo está misturado. As diferenças são apenas fenotípicas. Cor de pele é questão de pigmentação, como diz outro geneticista, Luigi Cavalli-Sforza.

Pena e sua equipe demonstram que há muito negro com DNA predominantemente europeu, assim como deve haver muito branco com os dois pés na África. Só para citar um exemplo, o Neguinho da Beija-Flor é mais "branco" do que muito galego que anda por aí.

Leia detalhes aqui. E conheça um pouco do pensamento do cientista em Deriva Genética (links).

P.S.: os defensores das "quotas raciais", vejam só, são involuntariamente eurocentristas...

(Dica do CFE).

Apoio à tirania

Enquanto a tirania se instala na Venezuela, o governo brasileiro silencia. E seu partido, o PT, junto com Psol, restolho de um ideário que a história atirou ao lixo, apóiam o cerco à mídia promovido pelo coronel Hugo Chávez, que fechou a mais antiga rede de TV do país. Na Venezuela, agora, tudo é do Estado e só se ouve a voz do ditador.

A apoio da autodenominada "esquerda" brasileira não surpreende. Foi ela que engendrou um tal de Fórum pela Democratização da Comunicação, cujo inimigo principal é a Rede Globo. Se pudesse, faria aqui o mesmo que o tirano faz no país vizinho. Essa gente vê a Globo como o chavismo via a RCTV e nutre desprezo pelas instituições democráticas.

O que sobrou da "esquerda", no Brasil, namora o autoritarismo que ressurge na América do Sul, com nuances claramente fascistas. Seu ídolo é o fanfarrão Hugo Chávez.

Com licença, desta vez vou vomitar.

Na mosca, Sponholz!


segunda-feira, 28 de maio de 2007

A máquina de matar



De agitador comunista a grife capitalista, Che Guevara nada tem da imagem romântica que lhe atribuem os ingênuos que vestem camisetas ou exibem tatuagens com sua efígie. A esse Che mitológico o escritor Álvaro Vargas Llosa contrapõe, em artigo, a história real de um homem que se valia de métodos brutais, defendia o ódio como fator de luta e cultuava a violência como redentora da humanidade. Transcrevo uma parte do texto:

Guevara puede haberse enamorado de su propia muerte, pero estaba mucho más enamorado de la muerte ajena. En abril de 1967, hablando por experiencia, resumió su idea homicida de la justicia en su “Mensaje a la Tricontinental”: “El odio como factor de lucha; el odio intransigente al enemigo, que impulsa más allá de las limitaciones del ser humano y lo convierte en una efectiva, violenta, selectiva y fría máquina de matar.” Sus primeros escritos se encuentran también sazonados con esta violencia retórica e ideológica. A pesar de que su ex novia Chichina Ferreyra duda de que la versión original de los diarios de su viaje en motocicleta contenga la observación de “siento que mis orificios nasales se dilatan al saborear el amargo olor de la pólvora y de la sangre del enemigo”, Guevara compartió con Granado en esa temprana edad esta exclamación: ¿Revolución sin disparar un tiro? Estás loco. En otras ocasiones, el joven bohemio parecía incapaz de distinguir entre la frivolidad de la muerte como un espectáculo y la tragedia de las víctimas de una revolución. En una carta a su madre en 1954, escrita en Guatemala, donde fue testigo del derrocamiento del gobierno revolucionario de Jacobo Arbenz, escribió: “Aquí estuvo muy divertido con tiros, bombardeos, discursos y otros matices que cortaron la monotonía en que vivía.”

La disposición de Guevara cuando viajaba con Castro desde México a Cuba a bordo del Granma es capturada en una frase de una carta a su esposa que redactó el 28 de enero de 1957, no mucho después de desembarcar, publicada en su libro Ernesto: Una biografía del Che Guevara en Sierra Maestra: “Estoy en la manigua cubana, vivo y sediento de sangre.” Esta mentalidad había sido reforzada por su convicción de que Arbenz había perdido el poder debido a que había fallado en ejecutar a sus potenciales enemigos. En una carta anterior a su ex novia Tita Infante, había observado que “Si se hubieran producido esos fusilamientos, el gobierno hubiera conservado la posibilidad de devolver los golpes”. No sorprende que durante la lucha armada contra Batista, y luego tras el ingreso triunfal en La Habana, Guevara asesinara o supervisara las ejecuciones en juicios sumarios de muchísimas personas –enemigos probados, meros sospechados y aquellos que se encontraban en el lugar equivocado en el momento equivocado.

En enero de 1957, tal como lo indica su diario desde la Sierra Maestra, Guevara le disparó a Eutimio Guerra porque sospechaba que aquel se encontraba pasando información: “Acabé con el problema dándole un tiro con una pistola del calibre 32 en la sien derecha, con orificio de salida en el temporal derecho... sus pertenencias pasaron a mi poder.” Más tarde mató a tiros a Aristidio, un campesino que expresó el deseo de irse cuando los rebeldes siguieran su camino. Mientras se preguntaba si esta victima en particular “era en verdad lo suficientemente culpable como para merecer la muerte”, no vaciló en ordenar la muerte de Echevarría, el hermano de uno de sus camaradas, en razón de crímenes no especificados: “Tenía que pagar el precio.” En otros momentos simularía ejecuciones sin llevarlas a cabo, como un método de tortura psicológica. (Mais).

Invasores "reinvindicam"

E os invasores da reitoria da USP continuam depredando o idioma:

"Assembléia Geral dos Estudantes - 28/5, 18h, em frente à reitoria

A todos os estudantes da USP:
É extremamente importante que todos compareçam para que possamos prosseguir com nosso processo democrático de reinvindicações e deliberações. Quanto maior o número de estudantes, maior será a legitimidade das nossas decisões.
Comissão de Comunicação – Ocupação USP."

Fonte: aqui.

Benefícios do aborto

Walter Carrilho vê insuspeitados benefícios na liberação do aborto. Ele sugere que toda gestante se submeta a alguns exames e, caso se identifique alguma possibilidade de a futura criança se tornar artista da MPB, o aborto deverá ser incentivado.

Assino embaixo, Walter, mas com um adendo: nesse caso o aborto deverá ser obrigatório.

Divirtam-se.

Lula e seus 40 ministérios

O ministério definitivo

Divino Lula

Ele ilumina a filósofa Marinela Chauí sempre que abre a boca. E agora já é comparado a Jesus Cristo por um cardeal da Igreja católica. A que ponto chegou a devastação causada pela "teologia da libertação"...

Em missa que marcou ontem a reabertura da capela do Palácio da Alvorada, dom Cláudio Hummes, "ministro" do papa na Congregação para o Clero, comparou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Jesus Cristo e a são Francisco de Assis. Dom Cláudio, amigo de Lula desde os tempos de sindicato dos metalúrgicos do ABC, comandou uma missa restrita a poucos convidados.Além de Lula e da primeira-dama, Marisa Letícia, o vice-presidente, José Alencar, sua mulher, Mariza, e o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) acompanharam a celebração, no final da manhã.Durante a missa, na Capela Nossa Senhora do Alvorada, dom Cláudio enalteceu a preocupação social do governo petista e o fato de Lula ter recebido nesta semana um grupo de hansenianos no Palácio do Planalto."Lula fez como são Francisco de Assis, que ficou célebre na história ao beijar os hansenianos. Ele [Lula] fez o que Jesus Cristo também faria, amar um irmão mais desamparado", disse dom Cláudio. "Sentimentos e atitudes concretas de consolo e de ajudar a levantar a dignidade humana", completou o religioso, na capela restaurada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Fotos antigas, segundo a assessoria da Presidência, ajudaram no trabalho de restauração do piso de granito e das paredes de jacarandá. Nos dias abertos para a visita ao Alvorada, o público poderá conhecer a capela.(EDUARDO SCOLESE).

Nunca antes...


Festa no inferno

Um ditador já está no inferno (Pinochet), outro está a caminho (Fidel) e - ufa! - agora o tampinha da Coréia do Norte também anda mal das pernas.

Bye, bye, ditadores.

P.S.: o Tibinga já está de olho na América do Sul...

domingo, 27 de maio de 2007

Venezuela (III)





(Fotos: AP via Yahoo).

Venezuela (II)


Embromações do "jornalismo cultural"

Lembro do jornalista Sérgio Augusto desde os tempos do falecido Pasquim. Um bom texto, dízíamos nós, os leitores. Reencontrei-o outro dia, num passeio pela Internet. Faz comentários e/ou resenhas de livros para jornais. Continua com bom texto, sim. Mas é resenha aquilo que escreve? Francamente, acho que ele fala do que não lê - como quase todos os "jornalistas culturais", aliás.

Sérgio Augusto conta historinhas sobre os autores e trata de informações secundárias, mas não discute nem sequer uma das ídéias apresentadas nos livros supostamente analisados. É o que acontece, por exemplo, com seus comentários (?) sobre o novo livro de Richard Dawkins, The God Delusion, que ele vaticina até quando será lançado (sempre pela Companhia das Letras, claro) no Brasil. Informações sobre o conteúdo do livro? Ah, você quer demais.

Vejam aqui se não é embromação...

Venezuela silenciada





Sobre o assunto, leia os posts abaixo. E fica a constatação: nenhum político, no Brasil, fez qualquer manifestação contra a nova punhalada de Chávez na democracia.

Para trás, América Latina, sempre para trás!

Museu da anticiência


Ao custo de 27 milhões de dólares, os criacionistas norte-americanos abrem hoje, no Kentucky, o "Museu da Criação". Tem de tudo, ou melhor, coube de tudo na Arca de Noé. Nosso mundo véio só tem 6 mil anos e viemos prontinhos de Adão e Eva - como se sabe, o Gênesis bíblico é interpretado literalmente pelos fundamentalistas cristãos dos EUA.

Ah, não perguntem por que há dinossauros - que desapareceram há 65 milhões de anos - no "museu", se o planeta é tão fresquinho.

Darwin, o pai da teoria da evolução - inimigo número um dos criacionistas - , disse que dividimos um ancestral comum com os macacos, não que descendemos deles. Mas, com um "museu" desses aí, não sei, não...
***
(Foto: Tom Uhlman/NYT. Veja aqui a reação dos cientistas).

sábado, 26 de maio de 2007

A diáspora venezuelana


O coronel Hugo Chávez, que consagra amanhã sua tirania sobre a Venezuela com o fechamento da maior rede de televisão, está provocando uma verdadeira diáspora no país.

Calcula-se que só nos Estados Unidos vivem hoje 200 mil venezuelanos. Uma pesquisa revelou que 43 por cento da população iria embora caso tivesse oportunidade. Mas há um dado ainda mais assustador: mais de metade dos jovens até 24 anos gostaria de abandonar o país. Entre os motivos apontados estão a ausência de oportunidades, a insegurança pessoal, a impossibilidade de realização profissional e a incerteza política. (Veja em mequieroir.com).

Eis o resultado do "socialismo do século XXI".
UPDATE: Senado norte-americano iniciará ofensiva diplomática.

Relações promíscuas

O Congresso em Foco acaba de publicar matéria sobre a relação promíscua entre o deputado distrital Pedro Passos, um dos acusados na Operação Navalha, e o dono de um jornal de Brasília. Gente finíssima...

Leia e ouça a conversa dessa dupla aqui.

"Fejoada" na USP

A tigrada que ocupa a reitoria da USP há três semanas, com as bênçãos da filósofa da corte Marilena Chauí, fez uma banquete para as mamães no prédio tomado. Oh, quanta ternura, quanta poesia!

A indigestão ficou por conta da língua-mãe. "Fejoada" - é assim que escrevem os pupilos da tia Marilena, do tio Antônio Cândido e de outros monumentos do "pensameinto" paulista...

(Dica da Clínica da Palavra, links)

sexta-feira, 25 de maio de 2007

A morte do porco capitalista


Ou seria o porco chauvinista? Não sei, mas o bicho foi morto por um moleque do Alabama...

Calhau

Serei lacônico:

Renan Calhau, ex-comuna, braço direito de Collor, presidente do Senado e aliado do lulo-petismo.

Um saquinho de 20 litros, por favor.

Ele nada viu, nada sabe.

Meu novo computador

Depois de tanto penar num computador velho, enfim pude adquirir uma máquina melhor. E não foi propriamente numa loja de hardware. Fico feliz em apresentar aos leitores (com a ajuda dos colegas Hélio e Mauro César) um legítimo Biritium GL 5.6, que nem sequer precisa de software para rodar. A memória é a do próprio usuário. Ei-lo, como diria o Jânio:


Rumo à tirania


O jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, publica hoje artigo deste escrevinhador sobre o ataque do coronel Hugo Chávez à mídia, com o fechamento, no próximo dia 27, da RCTV, a emissora de televisão mais antiga e mais popular da Venezuela. Com essa medida autoritária, Chávez usufruirá enfim o poder sem limites, sonho de todo ditador.

A Venezuela caminha a passos largos para a tirania. Eleito pela segunda vez, o coronel Hugo Chávez pôs de joelhos o Congresso (tem carta branca para impor o que quiser durante um ano e meio), substituiu os integrantes da Corte suprema e agora se volta contra a mídia, anunciando a revogação da concessão da RCTV, o mais antigo e mais popular canal de televisão do país. A oposição não terá mais voz.

Democraticamente eleito, Chávez tem corroído por dentro as instituições democráticas, do Legislativo ao Judiciário. O fim da liberdade de expressão e de imprensa é apenas o coroamento desse processo que atende pelo nome de “bolivarianismo” ou “socialismo do século XXI”. No fundo, o chavismo nada mais faz do que recolher restos do comunismo e do fascismo, temperados ao molho do típico populismo latino-americano. Aniquilando a democracia representativa, arroga-se o direito de falar ao “povo” sem intermediários. (Mais).
* * *
A Folha também publica editorial sobre o tema: "Ditador em obras". E o G1 informa que o ditador vai abolir o vestibular e as provas na Venezuela. O mérito é subtituído pela demagogia, numa decisão que lembra os rebeldes de maio de 68, na França.
Adelante, América Latina!

USP continua aguardando um "mártir"

E a tia Marilena se ilumina...

Os gatos pingados que ocupam a USP não cedem. Há mandado judicial para a desocupação da reitoria, mas a polícia reluta em cumprir a determinação. Ex-líder estudantil, o governador Serra certamente está segurando a PM.

E agora os professores (a minoria partidária, bem entendido) também entraram em greve, seguindo a "delinquência juvenil", como diz o blog ph ácido, do meu amigo (e ex-aluno) Paulo Henrique, jornalista premiado que trabalhou na Folha, no Valor e em outras publicações e hoje vive - e muito bem - como free-lancer em Balneário Camboriú, enquanto prepara papelada para mudar-se para o Canadá, que ninguém é de ferro.

Mas, voltando à greve, está claro que os líderes auguram um "mártir" - e não faltam ingênuos para servir de escudo aos militantes partidários, no caso de a polícia enfim cumprir o que determina a lei, isto é, acabar com a ocupação da reitoria da veneranda USP.

Não me surpreende nem um pouquinho ver que uma das signatárias do manifesto de apoio à ocupação é a filósofa da corte Marilena Chauí, petista de carteirinha que, deslumbrada, vê "o mundo se iluminar" quando Lula fala.

Não se iludam, a campanha de 2010 já começou. Nessa briga de foice, conviria a muitos grudar um cadáver (toc, toc, toc) nas costas de Serra.

P.S.: e dizem que há gasolina estocada no prédio da reitoria - suficiente para iluminar o rosto da tia Marilena lá longe, na sua confortável mansão de "revolucionária".

UPDATE: leia editorial do Estadão de hoje: Um projeto antidemocrático.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Inverno lulático


Jornalismo e verdade


Política (e saquinho) à parte, volto ao tema que apresentei no Espaço Intercom, em SP, na semana passada. A Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, publicada pela entidade, traz no v. 30 um artigo de minha autoria, "Jornalismo e teorias da verdade". Deixo para os leitores a introdução, se é que interessa. Verdade, ai, ai, ai...

1. Não há conhecimento sem verdade, isto é, todo conhecimento é verdadeiro ou não é conhecimento. Assim, não podemos sustentar que temos conhecimento do falso (não há “fatos falsos”), embora possamos saber que uma afirmação é falsa ou mentirosa. Por exemplo, se alguém se depara com a afirmação de que “Luiz das Neves é o atual governador de Santa Catarina” e acredita nisto, não poderá afirmar que conhece. Isto significa que verdadeiras ou falsas são as nossas afirmações, sentenças, crenças, proposições etc. – não a realidade, o mundo objetivo -, e que afirmações ou proposições falsas não geram conhecimento[1].

Aqui já se percebe que a verdade não é questão pacífica. Há séculos a filosofia se defronta com várias teorias, algumas delas não necessariamente próximas, mas tampouco excludentes ou antagônicas. O fato é que não existe uma teoria geral e completa da verdade. Sendo um dos mais controversos conceitos filosóficos, a verdade ora tem sido considerada absoluta, ora relativa, ora apenas um ideal a ser alcançado, ora um conceito simplesmente dispensável - quando não decretada a sua inexistência (“não há verdade”). Trata-se de uma questão relevante não só para a filosofia, mas que se estende aos domínios da teoria do conhecimento, da lógica, da lingüística, das ciências e também do jornalismo.

No jornalismo, especificamente, observa-se a tendência de reduzir a verdade a imperativo ético, sem o esforço, por parte dos estudiosos, de enfrentar a questão epistemológica da verdade, relacionando-a com as teorias compartilhadas pela filosofia e pelas ciências. Transformada em princípio ético - tal como a referem os códigos deontológicos -, a verdade jornalística parece tornar-se, no fundo, apenas um ideal de honestidade ou credibilidade do repórter e de suas fontes, ou dos próprios media. Ora, se o jornalismo não trata apenas de opiniões ou juízos de valor, mas procura relatar imparcialmente fatos ou acontecimentos, não poderá escapar a questionamentos epistemológicos formulados também na esfera filosófico-científica.

Para elucidar tais questões, o primeiro passo é analisar as principais teorias da verdade e identificar qual ou quais delas melhor se aplicam à atividade jornalística em geral. Identificada a teoria mais apropriada, será então o momento de apontar se, quanto ao problema da verdade, apresenta o jornalismo algumas características específicas em relação às teorias correntes em outras áreas. E, caso a verdade jornalística seja algo absolutamente diferente, que se mostrem as cartas.

[1] Sobre a relação entre jornalismo e conhecimento, tomo a liberdade de indicar meu artigo “Informação e conhecimento no jornalismo”, publicado na revista Estudos em jornalismo e mídia, Florianópolis, Insular, vol. 2, nº 2, II semestre de 2005, pp. 31-38.
(Ilustr.: "Sol da manhã", Louis Ritman).

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Mina de ouro na internet


O sujeito aí é médico, mas não pensem que vive de consultas e receitas. Kevin Ham (foto)ganha 70 milhões de dólares por ano apenas registrando, comprando e explorando domínios na Internet. Bateu o olho em alguma url, ele registra.

Filho de coreanos, o canadense fugiu tanto da tinturaria paterna quanto da medicina, descobrindo um bom negócio na rede. Eticamente, é condenável?

Saquinho na bandeira

Cai ministro, entra ministro. Aquele que indicou um corrupto tem direito a indicar outro. Todos os partidos juntos, repartindo o bolo.

A Arena, dos tempos da ditadura, era uma creche perto do que "aí está" (copy do velho Ulisses Guimarães, notável por ter consagrado o "aí está"). Pois bem, o que aí está, sempre esteve.

Por mim, haveria um saquinho na bandeira brasileira.

À espera de um mártir

Os estudantes que ocupam a reitoria da USP há três semanas prometem não ceder. Ou seja, desobedecem a lei e as decisões judiciais, coisa comum no Acampamento, particularmente sob o governo lulo-petista. Quem sabe, anseiam por um mártir, para brandir contra Serra. Não, jamais dirão qualquer coisa contra o lulismo.

A Folha de hoje revela que apenas a Escola de Comunicações e Artes (ECA) e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) estão totalmente paralisadas. Pudera, são os últimos redutos da ideologia no campus. Creio não estar equivocado no que disse no post abaixo, "Uma longa agonia".

Mussolini sul-americano

Veja aqui o permanente ataque do coronel Hugo Chávez contra a mídia e a liberdade de imprensa. Ele não se cansa de insuflar a população contra os jornalistas.

O tal "socialismo do século XXI" significa apenas isto: o ressurgimento do fascismo.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Uma longa agonia


A crise da USP e as "ciências humanas"

A ocupação da reitoria da USP revela a longa agonia das chamadas "ciências humanas/sociais" nas instituições de ensino superior, particularmente as públicas. A maioria dos cursos perdeu o rumo com o fim das ilusões desencadeado pelo desmoronamento do marxismo e do comunismo. Incapazes de se reciclar, suas lideranças apegam-se a velhas teses, ainda fiéis a conceitos que a história despedaçou. E são essas lideranças que dominam as entidades representativas ou "de classe", tanto nas estaduais paulistas quanto nas federais - apesar de as paulistas não esconderem o ar de superioridade. Mas estão no mesmo barco, sim.

Nessa área há pouca ciência e muita ideologia. Dificilmente se encontrará, fora da universidade, alguém que defenda um tirano como o coronel Hugo Chávez, dono absoluto da Venezuela. Na universidade, porém, fatalmente você cruzará com algum entusiasta do autoritarismo "bolivariano", em nome de sonhos pessoais que ele se nega a reconhecer mortos. São cientistas? Não, porque a primeira coisa que um cientista digno do nome faz é reconhecer quando suas hipóteses ou teorias fracassam. Trial and error, eis o caminho da ciência. O resto é certeza a priori, peculiar ao mundo religioso, mas estranho à esfera secular.

Folheie-se alguma revista das ditas "humanidades" e não se verá qualquer contato com idéias e conceitos que revolucionaram as ciências naturais. A teoria da evolução, por exemplo, é tão estranha a esse mundo paralelo das "ciências moles" quanto ao fundamentalismo criacionista norte-americano. Salvam-se, é bem verdade, alguns setores da filosofia, desprezada por aqui talvez porque ainda não dominada pelos relativismos cognitivo, cultural e ético.

A tomada da principal universidade do país por militantes partidários, com a anuência de boa parte dos professores, é a clara demonstração de que a crise é profunda. E tem muito mais a ver com as ciências humanas do que com as ciências naturais, menos permeáveis ao delírio ideológico que ainda inflama algumas mentes. O desfecho da invasão, hoje, com a intervenção da polícia, sob determinação judicial, não será o fim dessa longa crise - que não é só da USP, mas de todas as universidades públicas.

Aprenda a escrever com o tio Mino

"E não falta, na própria mídia, quem lhes atice as ambições, nunca sopitadas".

"Tenho duas informações a respeito do Papa Ratzinger (...). Podem ser proveitosas para uma mídia empenhada com o denodo invulgar em iluminar a opinião pública."

E por aí vai...

O Mundus Minor já está freqüentando a escolinha do grande mestre do jornalismo.

Update: já corrigi o link, e aproveito para acrescentar mais um aperitivo do endeusado jornalista: "Leiam o post hodierno em Conversa Afiada." Lembro que o tal Conversa (Fiada seria mais adequado) é do chapa-branca Paulo Henrique Amorim. Saquinho, por favor.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Pobre Sponholz...


Acampamento em guerra

Da antropóloga Alba Zaluar, hoje, na Folha:

A prioridade hoje no Brasil é, sem dúvida, a defesa da vida. O quadro é grave. Entre 1997 e 2004, de 40 mil a 50 mil pessoas morreram por ano de morte matada, totalizando 367.636 homicídios em oito anos. Em 2004, com uma taxa de 20,7 mortes por armas de fogo em cada 100 mil habitantes, o Brasil só perdia para a Venezuela. Mas, considerando apenas as mortes de jovens, com a taxa de 43,1 jovens mortos em cada 100 mil, o Brasil já era o líder de 65 países do mundo. Em 1980, 52% das mortes de jovens no Brasil eram devidas à violência; em 2002, este percentual já era de 72%, sendo 40% das mortes devidas a homicídios.

Como se vê, Zaluar confirma o que diz o "reloginho da morte", aí ao lado - a carnificina que acontece diariamente nesta terra do homem cordial. Com a escandalosa - e criminosa - omissão das autoridades.

"Espelhinhos" para os paraguaios

A imprensa paraguaia deita e rola em cima da visita do Pequeno Timoneiro. Eis a manchete do ABC Color: "Lula llega com sus espejitos". O presidente brasileiro, diz o jornal, chega com uma maleta cheia de promessas e boas intenções - nada mais que isso.

domingo, 20 de maio de 2007

"Socialismo do século XXI"

Conheça o blog da brava economista Ana Júlia Jatar, opositora da tirania chavista, de onde surrupiei esta ilustração.

Escolinha antiimprensa

Democracia não é com eles

Acabo de ler na revista Imprensa que o presidente-cocaleiro boliviano imita Chávez até na aversão à mídia. Danem-se os fatos, o que interessa é a versão que favorece o governante. Versão falsa, bem entendido.

Numa comemoração de aniversário de uma rádio indígena, Evo Morales andou batendo no jornal La Razón, que pertence ao grupo espanhol Prisa (o mesmo que edita o ótimo El País). Tudo porque o diário noticiou a queda nas arrecadações do governo depois das privatizações, além de ter informado que a Bolívia seria excluída da lista de países que recebem fundos norte-americanos.

O pupilo de Chávez ameaçou - eita! - "nacionalizar" também o jornal.

A propósito, a revista traz uma entrevista com um dos melhores jornalistas da televisão, William Waack (a capa é dele), que diz, entre outras coisas, que Chávez "é um desequilibrado". E bota desequilibrado nisto!

Dá-lhe, Sponholz!

Querem humor politicamente correto? Então leiam os jornalecos e sites petralhas.

sábado, 19 de maio de 2007

Racismo

"Bença", tia Matilde.

Incentivados pela política governista de introduzir no Brasil o conflito racial, minorias interesseiras se tornam cada vez mais intolerantes. Quem discorda das quotas raciais, por exemplo, "deve apanhar na rua".

Dona Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir - eita, nome!), deve estar exultante.

Reproduzo matéria da Veja, assinada por Marcelo Bortoloti:

O poeta alemão Heinrich Heine cunhou, no século XIX, a seguinte frase a respeito da intolerância intelectual: "Os que queimam livros acabam queimando homens". Heine alertava para a existência de um caminho natural da censura ao pensamento, que levaria à barbárie. No Brasil, há grupos tentando criar um atalho. O debate em torno da Lei de Cotas e do Estatuto da Igualdade Racial tem provocado manifestações destemperadas de integrantes do movimento negro. A simples notícia do lançamento de um livro sobre o tema, Divisões Perigosas: Políticas Raciais no Brasil Contemporâneo, publicado pela editora Civilização Brasileira, fez com que seus organizadores começassem a sofrer ameaças. A obra traz 34 artigos que, no conjunto, questionam a racialização em curso no país. Atacam principalmente a idéia de que o preconceito racial é que define as desigualdades sociais. Imediatamente surgiram, na internet, textos que falam em guerra, sugerem ações organizadas no dia do lançamento do livro e chamam de "escravos" dois dos autores, que são negros e militantes do movimento, mas têm opinião própria. "Eu estou com medo", diz a antropóloga da UFRJ Yvonne Maggie, que está entre os organizadores.
A discussão sobre as cotas vem gerando uma crescente exasperação. Em uma reportagem sobre o tema no jornal
O Estado de S. Paulo, na semana passada, o antropólogo Júlio César de Tavares, militante do movimento negro, pregou a violência física. "Chega um momento em que o diálogo se esgota", disse. "Acho que o racista na rua tem de apanhar." Frases assim são ainda mais assustadoras quando encontram respaldo no governo. Em março deste ano, a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, puxou o coro da intolerância em entrevista à BBC: "Não é racismo quando um negro se insurge contra um branco", disse. Com manifestações desse tipo e ameaças cifradas, quem perde são todos os brasileiros. Sem distinção de cor.

Desafio

A Era Petralha já está no Ano V.

Desafio o leitor a apontar aqui alguma obra relevante do lulo-petismo (não vale citar o arremedo do que os governantes anteriores fizeram de bom). Uma rodovia, uma escola, um hospital, um presídio? Alguém conhece?

SP tem prefeito

É isso aí. O prefeito de São Paulo, Gilbeto Kassab, foi massacrado antes mesmo de assumir a prefeitura. Mas, em pouco tempo, já fez um ótimo trabalho: livrar a cidade da propaganda que desfigurava sua arquitetura. Agora promete atacar a poluição atmosférica, terrível na capital paulista. Pretende reduzi-la em 30 por cento num prazo de dois a três anos - e nada de leis feitas a toque de caixa: basta fazer valer as que já existem.

Dá-lhe, prefeito!

P.S.: os eventuais novos leitores deste blog, que não pensem tratar-se de página partidária. Tomem ao pé da letra o iconoclástico que menciono no cabeçalho. Não tenho partido nem igreja, nem pertenço a associações secretas que pululam por aí. Mas ando, até agora em vão, à procura de alguma boa obra petralha para render homenagem aqui...

Navalha nele !


sexta-feira, 18 de maio de 2007

A nova São Paulo. E Darwin...

Estive em São Paulo (no vapt-vupt) a convite da Intercom, para uma palestra sobre "jornalismo e teorias da verdade" (aliás, título de artigo meu publicado no novo número - v.30, janeiro/junho 2007 - da Revista Brasileira de Ciências da Comunicação, que acaba de sair do forno).

São Paulo, para quem não a visitava há mais de dois anos, parece agora outra cidade, uma nova cidade. Limpa, sem poluição visual. Eliminaram todo aquele lixo de propaganda, que desfigurava a arquitetura urbana. Enfim, São Paulo está bonita. Espero que o exemplo seja seguido por outras cidades.

Hoje às 10 da manhã me mandei lá para o MASP. Não podia perder, é claro, a Exposição Darwin. É visita para muito tempo. Saí de lá quase três horas depois. No subsolo do museu, em dois andares, percorre-se a história da teoria da evolução, da origem à atualidade - acompanhada, evidentemente, da biografia de Darwin .

Textos, vídeos em grandes telas, réplicas de fósseis, escritos de próprio punho do naturalista, animais vivos, depoimentos de cientistas sobre a importância da teoria da evolução na biologia e em outras ciências contemporâneas - todo um mundo para ver.

À saída da exposição, num painel, a demonstração de que Darwin é malvisto ainda hoje, por obra do fundamentalismo criacionista, com sua falsa teoria do "Projeto Inteligente", uma nova roupagem para o velho argumento teleológico sobre a existência de Deus.

Ah, há também uma reprodução da sala em que Darwin trabalhava em Downing Street, com alguns objetos que pertenceram a ele. Tem até a mesa de trabalho, com as coisas que ele utilizava. E, no canto, a bengala preta, de madeira retorcida, com a qual caminhava no bosque que ele próprio criou.

Quem mora em São Paulo ou visitar a cidade, não pode perder. A exposição continua até 15 de julho.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Se a moda pega...

Nossos políticos fazem qualquer coisa para ganhar voto. Mas ninguém bate essa candidata belga aí, Tanja Derveaux.

Ela promete sexo oral a todos os eleitores...

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Baderna universitária

O blog do Reinaldo tem dado ampla cobertura, praticamente solitária, à invasão da reitoria da USP por grupos de estudantes. A coisa já se estende há mais de duas semanas. Parece que agora vai terminar, com a intervenção da polícia, a mando judicial.

Invadir terra, sem que nada aconteça, indica que não vivemos em país com lei. Tomar a reitoria de uma universidade pública, sem providências imediatas, indica não somente um país sem lei, mas a existência de uma instituição à beira da morte.

Delenda, veneranda USP, onde aprendi a pensar...

Murmúrios contra o etanol

E Fidel sai da cova (certamente com as orações dos amigos Frei Betto e ex-frei Leonardo Boff) para atacar mais uma vez o etanol brasileiro.

Leia as "reflexiones" de Fidel no Granma, porta-voz da ditadura cubana.

Aliás, alguém acredita que o macilento ditador ainda tem forças para escrever? Bota ghost-writer nisto!

Cadê a imprensa?

Apenas o Marcelo Soares, do Blog do Deu no Jornal, repercutiu a matéria do Congresso em Foco, ignorada pela mídia em geral. Walfrido dos Mares Guia pinta e borda no ministério das Relações Institucionais. E dá-lhe dinheiro para Ongs, igrejas, sindicatos etc.

Lula gosta muito dele. Pudera, Walfrido sabe "amaciar" parlamentares. Leia aqui a matéria de Lúcio Lambranho (abraço ao meu ex-aluno).

O TCU já está de olho.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Elogio da tirania


Um dos representantes do "bolivarianismo" (que agora também se autodenomina "socialismo do século XXI") no Brasil é professor da UFSC. Em artigo publicado na jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, ele defende as medidas do coronel Hugo Chávez contra a mídia, que, com a maior cara-de-pau, chama de "luta pela liberdade de imprensa".

O professor e seu grupo mantêm, na universidade, o site "Observatório Latino-Americano" (Ola), dedicado à divulgação do exótico ideário bolivariano que tiraniza a Venezuela.

O porta-voz do chavismo concorrerá à reitoria da UFSC pela terceira vez. Se ganhar, teremos "la revolución" no campus: acampamentos de lonas pretas dos "sem-terra" nas praças, escritórios da Via Campesina e dos pelegos da CUT, encontros internacionais com cubanos, venezuelanos, bolivianos etc.

Saquinho, por favor.
UPDATE: leia também o artigo do professor e jornalista venezuelano Bóriz Muñoz: "Chávez contra o demônio da RCTV".

Inácio no país das maravilhas


E precisava coletiva de imprensa, se a imprensa dá destaque a Lula todos os dias?

País do nepotismo

"Jeitinho" é patrimônio nacional

Não tem jeito mesmo, o tal "jeitinho" é universal no Bananão pré-capitalista. Já chega a dissuadir empresários estrangeiros de abrir alguma empresa por aqui. O empresariado brasileiro conhece a coisa de berço e se submete. Os estrangeiros, porém, fogem para países onde o patrimonialismo já não existe há séculos.

O Financial Times - diz O Filtro, serviço da revista Época a cargo de Thomas Trauman - traz hoje reportagem devastadora. Uma empresa espanhola simplesmente desistiu de investir aqui porque o parceiro brasileiro, da área de comunicações, exigia um emprego para o filho.

O nepotismo, como se vê, não é coisa só dos Poderes, como denuncia a imprensa. Não fogem à regra os lamurientos empresários nacionais.

Capacidade mental tardia

Primatas (incluindo nosotros) não estão com essa bola toda.

A gente sabe, a gente sabe...

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Do Sponholz


Sarkozy e as ilusões francesas

Não será fácil a França se livrar da ilusão socialista e do trambolho estatal preservado tanto pela "esquerda" quanto pela "direita". E é muito cedo para dizer que esse país está livre do "pensamento 68" que influenciou academias no mundo inteiro. Como diz Álvaro Vargas Llosa, o problema não é Sarkô, mas o país que o elegeu.

El problema no es Nicolás Sarkozy, flamante Presidente electo de Francia. El problema es el país que lo ha elegido. Sarkozy sabe lo que hay que hacer para rescatar a Francia de la ilusión socialista en la cual lleva viviendo demasiado tiempo bajo gobiernos tanto de izquierda como de derecha, y de la mentalidad nacionalista que explica gran parte de su declive. Pero la pregunta es: ¿están los franceses dispuestos a hacer lo necesario para revertir esa decadencia o harán de Sarkozy otra oportunidad perdida? (Leia mais).

Banana para o Brasil


Humm, Evo viu a uva e...

Depois de ter tomado as refinarias da Petrobras (e ter pago algo para lavar a cara do governo brasileiro), o presidente-cocaleiro Evo Morales anuncia que está buscando sócios estrangeiros para explorar o gás boliviano. Fica implícito, portanto, que o capital brasileiro não é estrangeiro, mas "da casa"...

Adivinhem quem já está com contrato garantido. Tchã, tchã, tchã: sim, o coronel Hugo Chávez. Sai a Petrobras, entra a PDVSA.

Toma lá também o Acre, Evo, toma!

Regalias para o apocalíptico

Al Gore, o ex-vice-presidente norte-americano, esteve no Brasil para palestras. Cobra 200 mil dólares por "cascata". E ainda teve regalias que o cidadão comum jamais teria. Segundo Ancelmo Gois, em sua coluna em O Globo, Gore quase não entrou no país por falta de visto. A PF e o Itamaraty deram um "jeitinho". Afinal, todos sabemos que aqui no Bananão a lei não é para todos.

Mas, bem feito, o canastrão foi praticamente ignorado. O Papa ofuscou o catastrofista hollywoodiano.

Pelo Estado laico

Turcos saem às ruas outra vez para defender o Estado laico. Não querem viver sob a espada do islã. Aliás, não há nada pior do que uma teocracia, ditadura exercida em nome de divindades.

O brejo latino-americano

Marchar para trás é coisa típica da América Latina. Até países que, na sua história, já ensaiaram algum progresso, voltam a regredir. Argentina e Venezuela são o grande exemplo. A região fez a opção preferencial pela pobreza.

domingo, 13 de maio de 2007

Não há igreja sem dogmas

Há quem critique o Papa Bento XVI por ser "contra a modernidade" e por se bater pelos dogmas da Igreja. Ora, entre as funções de um papa está exatamente a de zelar pelos dogmas fundamentais da instituição.

Não vou me estender sobre o assunto, mas nenhuma igreja vive sem dogmas. Se os derrubar, ingressará no terreno secular, isto é, abandonará a religião. As igrejas, em geral, cultivam certezas a priori - e por isso mesmo estão longe dos procedimentos e métodos das ciências.

Quem não se contenta com dogma, que tome outro caminho, fora das igrejas. Bem-vindo ao mundo secular.

UPDATE: para os seculares (ou laicos, como dizem os italianos), é inaceitável que os adeptos de quaisquer religiões tentem lhes impor suas convicções e proibições baseadas no pensamento religioso. O aborto é uma dessas questões. Se a religião proíbe, obedeçam, mas não tentem invadir a esfera civil-secular e impor seus valores (respeitáveis, é claro) a todos os outros. Eu, como agnóstico, não digo como os católicos ou luteranos devem agir ou pensar, mas também não quero que os adeptos me digam o que fazer ou pensar. São mundos distintos, porém permeáveis ao diálogo razoável.

Ataque às liberdades

Em alguns países da Cucaracholândia, as liberdades estão encolhendo, particularmente a de imprensa. Basta citar o exemplo das iniciativas do fanfarrão Hugo Chávez, na Venezuela, que tem seguidores na Bolívia e no Equador.

Por aqui, se não há censura, não faltam ataques à mídia por parte de figuras do governo e de seu partido, o PT. Não passa semana sem alguma investida. E algumas medidas que estão sendo tomadas pelo governo preocupam a Associação Nacional dos Jornais, que, junto com outras entidades, lançou um "Manifesto pela liberdade de expressão".

Cito um trecho:

Apesar de toda uma legislação garantidora dessa liberdade, preocupam a ocorrência, no Brasil, de algumas iniciativas isoladas contrárias a ela. Um exemplo é a ameaça à liberdade de expressão comercial contida na pretensão de uma agência governamental de legislar sobre conteúdo publicitário, numa clara afronta à Constituição. Outro exemplo é a norma de classificação indicativa para os programas de televisão, que determina restrições à liberdade de criação e de exibição, tornando, na prática, obrigatória e não indicativa tal classificação. Também a sociedade deve ser alertada para as recorrentes decisões judiciais que impedem a divulgação de conteúdos jornalísticos e que significam censura prévia, além de estar igualmente atenta a projetos de lei restritivos à liberdade de comunicação, em trâmite no Congresso Nacional.

Digo Mainardi diz que o governo está criando um novo Dops.

sábado, 12 de maio de 2007

Aborto não é assassinato de "bebês"

A propósito das discussões sobre a legalização do aborto, vale a pena relembrar o projeto apresentado pela Comissão Tripartite (que incluiu representantes do governo, do Legislativo e da sociedade - inclusive católicos), que publiquei aqui no ano passado e dorme em alguma gaveta do Congresso.

Pelo projeto, a interrupção da gravidez é assegurada até o terceiro mês. Depois disso, e só até o quinto mês, apenas em casos especiais. Portanto, não se trata de liberar o assassinato de "bebês", como alegam os detratores. Até o terceiro mês, o suposto "bebê" é apenas um embrião. A partir do terceiro mês, é considerado feto.

O Congresso Nacional decreta:
Artigo 1º – Toda mulher tem o direito à interrupção voluntária de sua gravidez, realizada por médico e condicionada ao consentimento livre e esclarecido da gestante.
Artigo 2º – Fica assegurada a interrupção voluntária da gravidez em qualquer das seguintes condições:
I – até doze semanas de gestação;
II – até vinte semanas de gestação, no caso de gravidez resultante de crime contra a liberdade sexual;
III – no caso de diagnóstico de grave risco à saúde da gestante;
IV – no caso de diagnóstico de malformação congênita incompatível com a vida ou de doença fetal grave e incurável.
Ficam asseguradas, ainda, a realização do procedimento no âmbito do Sistema Único de Saúde ou sua cobertura pelos planos privados de assistência à saúde.

Um santo no Inferno

Pronto, o Acampamento onde ocorrem 50 mil assassinatos por ano já tem um santo.

Bem-vindo ao Inferno, Galvão, e livrai-nos das "pílulas" de chumbo.

Mãe dos bolivianos


sexta-feira, 11 de maio de 2007

Mulheres

Faço questão de reproduzir aqui, a propósito do post anterior (sobre as "extraterrestres"), o comentário feito pela Letícia, que é uma verdadeira colaboradora deste blog. É um retrato sob o ponto de vista feminino que a maioria dos homens não enxerga, com ou sem religião.

Pois é. Vem passar uns dias de cólica menstrual. Tenta colocar (ou tirar) um DIU e sair do consultório médico, andando pela rua. Tenta ter um filho, e depois ficar com os seios explodindo, e ainda ter de acordar invariavelmente a noite inteira (sim, a maioria dos maridos tem o direito sagrado de dormir, porque têm de levantar cedo no dia seguinte - como se a mulher não precisasse). Tenta lidar com os ciúmes do marido com o bebê. Tenta cuidar dois dois ao mesmo tempo, a distância, do trabalho. Tenta criar um filho sozinha, porque o cara se mandou - também a distância, do trabalho. Se não tem filhos nem quer tê-los, tenta fazer uma laqueadura em algum hospital pra ver se deixam. Se nada disso apetece, tenta fazer um aborto pra ver a bifa moral que vai levar, inclusive das próprias mulheres.

Lula & Evo


"Extraterrestres"

Do presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ênio Candotti, lamentando "as manifestações de intolerância e de discriminação da mulher registradas nestes dias em declarações de importantes líderes católicos":

- A Igreja Católica insiste em ver a mulher como um ser extraterrestre e resiste em trazê-la para a Terra, onde alegrias e sofrimentos são reais e comuns a homens e mulheres.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Populismo e fascismo

O professor de Filosofia Gonzalo Kuschel, do Chile, em artigo no site Cadal, é outro que vê semelhanças entre o fascismo e o populismo à la Chávez. O fascismo, diz ele, é populista por essência. Tal como o fascismo, o populismo chavista cria um inimigo, seu principal sócio comercial (os EUA), ataca um fenômeno, a globalização, e gera uma um mito fundacional, o bolivarianismo. E, contrariamente, à democracia, busca "a manipulação, o domínio retórico e a unidade entre o líder e o 'povo", entendido como sujeito único." (Leia aqui).

O tal povo não passa de abstração. Nele não existem indivíduos.

Dá-lhe, Sponholz!


Lula 1, Papa zero.

Ponto para Lula, que não aceitou o acordo com o Vaticano. E também para Temporão, seu ministro da Saúde, que não teme excomunhão. Zero para o pontífice, que aqui chegou ameaçando os políticos favoráveis à legalização do aborto. Pelo jeito, não quer nem discussão sobre o tema.

Era só o que faltava reintroduzir na escola o ensino de religião (católica, evidentemente), conforme prevê o tal acordo. Não sou contra, por exemplo, que se ensine história das religiões nas escolas públicas. Mas religião é coisa para as igrejas, que já se intrometem demais na esfera laica, dando palpite até em relação às ciências. Fé não é conhecimento, bolas!

Quanto à questão do aborto, chega de brigar com fatos. Aproximadamente um milhão de mulheres praticam aborto anualmente no Brasil. O aborto existe de fato, portanto. Com a legalização, o que se quer é tirar essas mulheres da ilegalidade e das mãos dos "açougueiros" clandestinos. Trata-se de uma questão de saúde pública, como tem dito o ministro. O resto é hipocrisia.

P.S.: e pela primeira vez este escrevinhador elogia Lula.

Recado ao Papa

A Igreja é contra a educação sexual, o uso de preservativos e a legalização do aborto. O vídeo é para ela.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Lembrando o Estado policial

Encontrando um ex-aluno, que agora é professor de Ciência Política, conversamos sobre a situação a que se chegou aqui no Acampamento. Pior não poderia ser. Os sindicatos viraram correias de transmissão do governo, bem ao estilo leninista. A pelegada fecha com o governo até no salário mínimo e preocupa-se mais com temas midiáticos (ambientalismo etc.) do que com o trabalhador. E a Polícia Federal virou linha de frente da política, o que lembra o Estado policial fascista. Não falta nada, aliás, já que Florianópolis viu grupos aplaudindo a PF, em frente ao prédio onde estavam empresários e políticos presos na Operação Moeda Verde. Quem, nos anos 80, imaginaria cidadãos aplaudindo os "home"?

Certamente, muitos desses contentes eram militantes partidários. Ah, isso, por sua vez, lembra a juventude hitlerista...

Santinho


Leva o Acre, Evo!

Querido Evo, tome de volta também o Acre. Você já disse certa vez, na Europa, que o Acre foi trocado por um cavalo. A brava Bolívia não pode tolerar essa agressão do imperialismo bananeiro.

Aproveite a ocasião, glorioso farol da América do Sul, e invada aquele Estado. Ninguém vai impedir. Lula e seu assessor de Relações Internacionais, Marco Aurélio "Sargento" Garcia, dirão apenas que é questão interna da Bolívia, um país soberano, que tem direito de decidir sobre seu território.

Vai, Evo!

A propósito, leiam o editorial do Estadão, que arremata: "A Petrobrás e o governo Lula estão colhendo agora os resultados de sua política frouxa e entreguista diante da escalada do avanço sobre o patrimônio público brasileiro na Bolívia." (Mais).

Para as privadas, tudo.

Fernando Rodrigues, hoje, na Folha ("Capitalismo sem risco"):

BRASÍLIA - O governo Lula aprofunda sua aposta no ensino superior privado. O projeto de lei 920, enviado ao Congresso no último dia 30, é uma mãe para esses estabelecimentos universitários. O setor tem aproximadamente 2.000 escolas. Deve mais de R$ 1 bilhão em impostos atrasados. A cifra pode ser maior. O governo não revela o montante exato. Com a lei proposta por Lula, os donos de faculdades privadas poderão liquidar seus débitos em 120 parcelas mensais. O juro cobrado será o da taxa Selic: 12,5% ao ano. Mortais comuns não têm essa moleza. Mas ainda tem mais. Essas instituições de ensino superior também gozarão de outra dádiva. Poderão saldar dívidas fiscais vencidas e já protestadas usando títulos públicos recebidos em troca das matrículas de estudantes vindos do sistema do crédito educativo. Hoje, 420 mil pessoas se beneficiam do Fundo de Financiamento Estudantil, o Fies. Cada aluno custa cerca de R$ 6 mil por ano. A conta passa de R$ 2,5 bilhões. Há uma contrapartida no projeto de Lula. Se a lei for aprovada, as escolas privadas passam a repartir o risco de inadimplência com o governo, na base de 50% cada um. Na regra atual, o Tesouro Nacional morre com 95% do prejuízo de um estudante caloteiro. Os donos de escola resistem a essa nova regra -a obrigação tende a se liqüefazer durante a tramitação da lei. Essa benevolência de Lula produzirá um número maior de estudantes universitários nas escolas privadas. O nível médio desses estabelecimentos -com as honrosas exceções- é um lixo completo. Não há na proposta uma exigência sobre o padrão educacional das faculdades privadas para receberem os benefícios. Ensinam mal, acumulam dívidas e são salvas pelo governo. Lula assim reforça esse curioso oximoro da economia brasileira, o "capitalismo sem risco".

terça-feira, 8 de maio de 2007

O tampinha ressuscitou




O chato cucaracho Maradona é notícia quando internado na clínica por overdose e também quando sai, cheio de pó de arroz na cara gorda. Saiu hoje, de novo.

É um brucutu com tatuagens de Che Guevara e Fidel. Louva Chávez, Evo e o que mais o delírio inspirar abaixo do Equador.

A foto definitiva do macaquito é essa aí.