segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Rapper? Argh!!!

Já estou com o saquinho nas mãos

Reproduzo o artigo de Reinaldo Azevedo hoje na Folhona sobre a "A pluralidade e a revolução dos idiotas". É sobre "rappeiros", como um tal Ferréz e o onipresente Mano Brown. Não sou conhecedor de rapper mas detesto já de cara. Acho que não estou equivocado ao identificar os detritos sonoros dessa gente com a lengalenga cuspida com voz de presidiário ou traficante de morro, em musiquinhas arrastadas e monótonas, para dizer o mínimo. Aí vai:

Há uma revolução em curso: a dos idiotas. Eles começam agredindo a lógica e terminam justificando o assassinato. Voltarei a esse ponto. Na semana passada, o escritor e rapper Ferréz escreveu um artigo neste espaço em que tratou do assalto de que Luciano Huck foi vítima. Lê-se: "No final das contas, todos saíram ganhando, o assaltado ficou com o que tinha de mais valioso, que é sua vida, e o correria ficou com o relógio. Não vejo motivo pra reclamação, afinal, num mundo indefensável, até que o rolo foi justo pra ambas as partes". Ele não pode ser mal interpretado porque não pode ser bem interpretado: fez a apologia do crime, o que é crime. Será este jornal tão pluralista que admite alguém como Ferréz? Será este jornal tão pluralista que admite alguém como eu? Lustramos ambos o ambiente de tolerância desta Folha? A resposta é "não".
O artigo do tal é irrespondível. Vou eu lhe dizer que o crime não compensa? Ele tem motivos para acreditar que sim. Lênin mandaria que lhe passassem fogo -não sem antes lhe expropriar o relógio. Apenas sugiro ao jornal que corrija seu pé biográfico: ele é um empresário; o bairro do Capão Redondo é seu produto, e a voz dos marginalizados, o fetiche de sua mercadoria. Ir além na contestação de seu libelo criminoso seria reconhecê-lo como voz aceitável na pluralidade do jornal. Eu não reconheço.
Na democracia, o direito à divergência não alcança as regras do jogo. Um democrata não deve, em nome de seus princípios, conceder a seus inimigos licenças que estes, em nome dos deles, a ele não concederiam se chegassem ao poder. Ao publicar aquele artigo, a Folha aceita que potencialmente se solapem as bases de sua própria legitimidade. Errou feio.
O poeta Bruno Tolentino é autor de um verso e tanto: "A arte não tem escrúpulos, tem apenas medida". O mesmo vale para a ação política. Idealmente, há quem ache que o mundo seria melhor sem propriedade privada -eu acredito que, sem ela, estaríamos de tacape na mão, puxando as moças pelos cabelos.
Posso acalentar quantos sonhos quiser, sem escrúpulos. Mas o regime democrático tem medidas. Uma delas é o respeito às leis -inclusive às leis que regulam a mudança das leis. Se admitimos a voz do assalto, por que não a da pedofilia, a do terrorismo, a da luta armada, a do racismo? Aceito boas respostas.
O empresário Ferréz, ao lado de Mano Brown, é um bibelô mimado pelas esquerdas e pelo pensamento politicamente correto, para quem o crime é uma precognição política a caminho de uma revelação.
Tal suposição, somada à patrulha que tentou transformar Luciano Huck no verdadeiro culpado pelo assalto, contribuiu para esconder um fato relevante. A cidade de São Paulo teve 49,3 homicídios por 100 mil habitantes em 2001. Em 2006, 18,39 (uma redução de 62,69%). Em 2001, havia presas no Estado 67.649 pessoas; em 2006, 125.783 (crescimento de 85,93%). Não é espantoso? Quanto mais bandidos presos, menos crimes. Quanto mais eficiente é a polícia, menos mortos.
Eis que, no dia 11, abro esta mesma página e dou de cara com um artigo de Sérgio Salomão Shecaira. Escreve: "(...) O Estado de São Paulo concentra quase a metade dos cerca de 419 mil presos brasileiros (...). Enquanto, no Brasil, existem 227,63 presos por 100 mil habitantes, em São Paulo essa relação salta para 341,98 por 100 mil habitantes".
Ele está descontente. Quer prender menos: "Enquanto, no Estado de São Paulo, em 2005, houve 18,9 homicídios por 100 mil habitantes, no Rio de Janeiro a cifra foi de 40,5, e, em Pernambuco, de 48. No entanto, nesses dois últimos Estados, o número relativo de presos é bem menor que o paulista".
Shecaira é mestre e doutor em direito penal e professor associado da Faculdade de Direito da USP. Mas ainda não descobriu a lógica, coitado! Ora, por que será que São Paulo tem, por 100 mil, menos da metade dos homicídios que tem o Rio e quase um terço do que tem Pernambuco? Porque há mais bandidos na cadeia! Mas ele quer menos. Logo... Em vez de Ferréz se alfabetizar politicamente no contato com Shecaira, é Shecaira quem se analfabetiza no contato com Ferréz.
A tragédia não é recente. Aconteceu com a universidade: em vez de ela fornecer teoria aos sindicatos, foram os sindicatos que lhe forneceram táticas de greve. Em vez de Marilena Chaui ensinar ao companheiro as virtudes do pensamento, foi o companheiro que explicou a Marilena por que pensar é uma bobagem. A minha pluralidade não alcança tolerar idiotas que querem destruir o sistema de valores que garantem a minha existência. E, curiosamente, até a deles.

14 comentários:

Anônimo disse...

A america latina é um verdadeiro ninho de idiotas. Basta ver que mesmo cercados de riquezas por todos os lados, seja A seja B só pensam em roubar enquanto continuam na eterna merda.

Anônimo disse...

E São Paulo prende mais duas vezes: 1) porque prende mais.
2) Porque, ao contrário do que acontecia antes da década de 40, quando a gente recebia os melhores cérebros, é para cá que tem vindo toda a escória do resto do país nos últimos 50 anos.

Ninguém assalta em vilarejo pobre, não é mesmo? Vem assaltar é aqui, um lugar de difícil vigilância social, e onde rola a grana.

Maria do Espírito Santo disse...

Marcelo D2 (E eu fico extremamente receosa de perguntar o que significa esse D2, porque pode querer dizer que faltam 2 dedos na mão rapaz, o que seria duplamente catastrófico considerando que um só dedo faltando já faz, às vezes, um estrago considerável na vida das pessoas...)
Pois muito bem. Marcelo D2 "compôs" um rap com o seguinte "estribilho":

Essa onda que tu tira, qual é ?
Essa marra que tu tem, qual é ?
Tira onda com ninguém, qual é ?
Qual é neguinho ? Qual é ?Me diz
Essa onda que tu tira, qual é ?
Essa marra que tu tem, qual é ?
Tira onda com ninguém, qual é ?
Qual é neguinho ? Qual é ?

Imaginemos que o "compositor" estivesse fazendo estas desafiadoras perguntas a um "colega" compositor que tenha "perdido" anos e anos da sua vida fazendo a "besteira" de estudar Música. Sim, porque qualquer "neguinho-qual-é" pode ir até a Ordem dos Músicos e tirar a sua carteirinha azul de "músico profissional", conhecendo música ou não. Saber música para ser músico é um mero detalhe. Creio que o mesmo não aconteça (por enquanto?) em outras áreas do conhecimento.
Quer dizer então que a Música pode ser considerada uma área do conhecimento? Perguntaria hipoteticamente esse "Neguinho D2" na minha delirante fantasia.
E eu então, didaticamente responderia a ele:
O curso de Graduação em Música é oferecido em duas modalidades: Licenciatura e Bacharelado. Na Licenciatura, o aluno é preparado para atuar como professor de Educação Artística (Música) na rede de Ensino Fundamental e Médio. No Bacharelado, a formação do aluno visa, principalmente, à atuação profissional como instrumentista, cantor, compositor ou regente.
Licenciatura:
Prevê um total de oito semestres.
Habilitações do Bacharelado:
Composição e Regência, Canto, Instrumentos (Oboé, Clarinete, Flauta, Fagote, Saxofone, Trompa, Trompete, Trombone, Harpa, Piano, Percussão, Violino, Viola, Violoncelo, Contrabaixo e Violão). As habilitações Composição e Regência têm duração padrão de dez semestres. Todas as demais habilitações do Bacharelado prevêem oito semestres.
Formação Complementar e Formação Livre
Estas são possibilidades opcionais que o aluno de Música tem para cursar atividades em outras áreas do conhecimento. Na Formação Livre, o aluno pode freqüentar disciplinas de qualquer outro curso da UFMG até um limite de 10% do seu currículo. Já a Formação Complementar é um percurso previamente traçado que visa dar ao aluno condições de atuar em áreas que exigem um conhecimento interdisciplinar. Ex.: um aluno de Composição que queira trabalhar com trilhas sonoras poderá freqüentar disciplinas do curso de Comunicação Social ou na Escola de Belas Artes para se inteirar do processo de elaboração de vídeos, filmes, etc.

Disciplinas e Atividades obrigatórias
Este é o núcleo mais rígido do curso. É constituído por aquelas disciplinas e atividades consideradas imprescindíveis para a formação musical básica.

Ex.: Instrumento
Laboratório de Criação
Percepção Musical
Fundamentos de Harmonia
História e Música, etc

Disciplinas Optativas
Aqui o aluno é incentivado a cursar disciplinas em vários campos do conhecimento e atuação musical, podendo também dedicar mais atenção ao campo pelo qual tem mais interesse. As disciplinas optativas estão distribuídas em cinco grupos, sendo que exige-se um mínimo de créditos em cada grupo para a integralização curricular.

grupo 1
Estruturação da Linguagem Musical
Análise
Contraponto
Arranjo
Orquestração, etc.
grupo 2
Teoria da Música
Musicologia
História da Arte
Folclore Musical
Hist. da Música Brasileira, etc.

grupo 3
Música de Conjunto
Oficina de Performance
Música de Câmara
Prática em MPB, etc.
grupo 4
Música e Pedagogia
Filosofia da Educação Musical
Oficina Pedagógica, etc.

grupo 5
Música e Tecnologia
Música Eletro-acústica
Acústica Musical
Técnicas de Gravação, etc.


Outras atividades geradoras de créditos
Aqui o aluno pode integralizar créditos com atividades que não são disciplinas. Como? Participando de projetos de iniciação científica ou de extensão, através de programas de monitoria e até mesmo comprovando participação ativa em eventos (Congressos, Festivais, etc.) fora da UFMG.

Pois é... e no tempo em que o Sérgio fez as graduações em Composição e Regência, D2, a duração do curso para ambas as modalidades era de de 12 semestres!
Outro detalhe: o "neguinho" para passar nas provas específicas do vestibular de Música precisa de ter "perdido tempo" estudando disciplinas teóricas musicais por no mínimo uns seis ou sete anos.
Espero ter explicado o porquê "dessa marra" que qualquer aluno dos cursos de graduação em Música pode ter. E quanto "à onda que tu tira", não é onda, como queríamos demonstrar e demonstramos.
Uma última coisinha Marcelo D2 e outros "compositores" similares: dificilmente um Músico de formação erudita - e dificilmente é um super-eufemismo - teria uma opinião vândala como essa que foi comentada sobre o assalto do Luciano Huck. E sabe porquê? Porque "perdeu e perde e perderá" todos os anos da sua vida estudando Música.
Qual é, neguinho, qual é? Uma última e definitiva palavra: competência. Palavra muito provavelmente desconhecida no seu vocabulário.

Maria do Espírito Santo disse...

G-3
Rap Proibido 9
Composição: Cidinho e Doca

Eu queria um g-3 e varios pentes pra botar a chapa quente e os x9 pra correr Sampaio aê lá no engenho novo é nóis que manda nosso bonde é severo vai lá que voce vai ver.
Se liga nessa:
Vô toma banho pra tira plantão na esquina
avisa minha mina que hoje eu vou me atrasar
vo no Matuto buscar uma branca fina
e tu nem imagina
mas ve se nao me acompanha
mais vo te da um papo legal
Na de Deus ta na moral
vamo la pro Jacaré ou pro Templo do seu Zé
Pro Complexo du Alemão ou pra Vaginha, Chapéu, Mangueira ,Formiga eo Sampaio é fé em Deus,
Chapéu, Mangueira ,Formiga eo Sampaio é fé em Deus,
Ai Chega um cara devagrazinho e pergunta assim pra tú ó
Vai bater ou vai apertar?
Ceda ou nota é que tú que?
Vai bate uu vai aperta?

Essa "obra" foi a menos fétida que eu encontrei na procura Google "Letras de Raps".
... ´Já se foram sete saquinhos... Alguma alma caridosa poderia me levar pro hospital? Vou precisar de soro. Sem glicose porque eu sou diabética.

Anônimo disse...

Caro Reinaldo, tenho um monte de coisas para fazer, estou com pressa, mas não poderia de vir aqui dar-lhe meus elogios.

Li o que o senhor escreveu no jornal e isso resume: GENIAL.

Um grande abraço.

Anônimo disse...

Maria, transpõe seu raciocínio para todas - TODAS - as outras áreas do conhecimento humano, em todos os níveis de mediocridade que puder.

No trabalho, estou lidando com o assunto design, e é sempre a mesma reclamação: com a chegada do computador, acessível a qualquer um que ache que cobrar dois merreca tá bom, explodiu todo o conhecimento gráfico: usa-se qualquer fonte que lhe parece bonitinha, as proporções foram para o espaço e o estudo cromático deu lugar ao bonitinho.

Muito triste isso tudo.

Orlando Tambosi disse...

Maria, tu "apára" que eu já tô aqui regurgitando. Neguim num precisa istudá, tá sabendo? A "genialidade" é natural, tá sabendo?
Só a Lets pode nos ajudar nessas imitações da nossa brava cultura "popular".

Marcos Alberto de Oliveira disse...

Perfeito o artigo do Reinaldo Azevedo. Até quando vamos aceitar, inermes, que bandidos analfabetos e professores universitários com propensão de meliante nos digam o que é bom e o que é mau, concedendo-se a prerrogativa de mudar as próprias regras do jogo democrático?
Esse Ferréz deveria estar na cadeia! E que dizer do Shecaira, da Chauí e todos esses escrotos que pretendem fazer a cabeça da juventude? Titulação acadêmica e empuleiramento em cátedra universitária tornaram-se, de uma vez por todas, a insígnia dos imbecis. Da perversão de pensamento ao atentado à vida, vai um pulo.

Orlando Tambosi disse...

Marcos, na academia ainda sobram alguns, como você.

Anônimo disse...

Me inclua fora dessa, Tambosi.

Parabéns pelo dia do professsooooorrrrr!!!!!

Those school girl daaaaays
of telling tales and biting nails are goooooone
But in my miiiiiiiind
I know they wiiiiill still live oooon and oooooooon
But how do you thank someone
who has taken you from crayons to perfuuuuuuuume
It isn't easy but I'll tryyyyyyy

If you wanted the sky
I'd write across the sky in leeeeetters
that would soar a thousand feet hiiiiigh
To Sir, With Looooooooooove

The time has coooooome
for closing books and long last looks must eeeeeend
And as I leeeeeeave
I know that IIII am leaving my best frieeeeeend
A friend who taught me right from wrong
and weak from strong, that's a lot to learn
What!
what can I give you in retuuuuuurn

If you wanted the moon
I would try to make a start but I
would rather you let me give my heaaaaaart
To Sir, With Looooooove

Those awkward yyyyyears
have hurried by why did they fly awaaaaay
Why is it Siiiiiir
children grow up to be people some daaaay
What takes the place of climbing trees
and dirty knees in the world outside
What is there for you I can buuuuy
If you wanted the world
I'd surround it with a wall I'd scraaaaawl
These words with letters ten feet taaaaall
To Sir, With Loooooove

Anônimo disse...

Este artigo mostra porque Reinaldo Azevedo é odiado pelos falsos intelectuais. Ele é muito competente. O texto é simples, objetivo e coerente. Ele mata o réptil e mostra o instrumento de madeira. Seus detratores não conseguem defender uma idéia com clareza e objetividade. Ele têm um péssimo hábito: Não gostam do que foi pactuado. Não gostam das leis e da democracia. Sempre estão a combatê-las de forma ordinária e sorrateira. A letra de rap é uma fotografia do intelecto destes leitores de Paulo Coelho. Coelhos; se reproduzem em escala industrial. Parasitas; sempre à procura de um hospedeiro.

Da C.I.A. disse...

Só para constar, o tal de Férrez não é Rapper não. Ele é do movimento RVS, rappers, vagabundos e simpatizantes, mas " a nível intelectual", entende? É um pobrólogo, escreve sobre a periferia. E se orgulha em dizer qeu vive no Capão Redondo. Aliás, o uqe mais vangloria no currículo é isto, de morar no Capão Redondo.
Morar lá falando bem dos bandidos é fácil, difícil é morar lá e dizer com todas as letras que traficante é criminoso e vagabundo.

Maria do Espírito Santo disse...

Hilfe mir, Ângelo!!!! Morar no Capão Redondo?! Nem se eu morasse no Capão Octogonal eu iria mencionar a tragédia! Nó, tô besta...

Anônimo disse...

Estou pasma com o tanto de baboseiras que acabo de ler. Um bando de pseudo-letrados que fazem apologia, assim como o alvo de suas críticas (Ferrez), à criminalidade. Isso é hipocrisia! Porque o posicionamento de vocês, meus caros, é de apoio à manutenção da atual política do "olho por olho, dente por dente". Mas vocês são tão hipócritas que não querem sujar as suas mãos ou os seus nomes e por isso dizem que a mehor solução é mandar todo mundo pra cadeia, já que lá são os próprios presos executam a justiça dos homens. E enquanto "a justiça está sendo feita" e a bola de neve vai crescendo, vocês ficam aí, no conforto do lar de vocês (que provavelmente não deve ser no Capão Redondo), assistindo mais um das macaquices apresentadas na televisão aos sábados á tarde achando q se as coisas funcionassem segundo à lógica tupiniquim de voc~es, o mundo estaria a salvo.

fernanda