quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O uso de animais em pesquisa

Recebi este interessante artigo de Antonio Sérgio Ferreira Baptista, médico em Joinville (SC). Deveria ser lido pelos ditadores politicamente corretos que jamais entraram num laboratório de pesquisa e desconhecem os cuidadosos procedimentos adotados no uso de cobaias. E se o tal vereador Deglaber Goulart (um sujeito que veio - vejam só! - da indústria de couro), autor da lei municipal que proíbe o uso de animais em pesquisa em Florianópolis, conhecesse opiniões como a de Baptista, talvez não tivesse apresentado o projeto obscurantista que virou lei.

O debate sobre o uso de animais em pesquisa, muito em voga após Peter Singer e Tom Regan, merece ser discutido em duas frentes: a filosófica e a científica. A filosófica, de Singer e Regan, é baseada num silogismo: homem sente dor e tem direitos, animais sentem dor, portanto também têm direitos. É um argumento ilusório porque os direitos dos homens não dependem de sua capacidade de sentir dor, dependem de sua capacidade de pensar.

Se com eles concordamos, temos que assumir que é tão ruim machucar um mosquito ou uma barata quanto um homem, a menos que criemos uma classificação de criaturas pela complexidade de seu sistema nervoso e definirmos a partir de que ponto a criatura não é senciente.

A resposta a esta questão parece depender de quanto os animais são semelhantes ou diferentes dos seres humanos. A visão dos animais que encontramos na Bíblia é primeiramente de utilidade e não de valor moral. Depois o assunto foi objeto de especulação de Aristóteles a Descartes, passando por Darwin, até hoje. A capacidade de julgamento moral é um dos elementos que nos diferenciam dos animais. Os atributos dos seres humanos dos quais esta capacidade moral nasce, foram descritos por vários filósofos: a consciência interna do livre-arbítrio em Santo Agostinho, a percepção, pela razão humana, do caráter de compromisso da lei moral em Thomas de Aquino, a participação autoconsciente dos seres humanos em uma ordem ética objetiva em Hegel, o desenvolvimento do “eu” humano através da consciência dos outros “eus” morais em Mead e a cognição intuitiva, não derivativa da correção, da justeza de uma ação, em Prichard.

Nenhuma delas encontramos nos animais, portanto falar em direito dos animais equiparando-os a seres humanos é uma atitude muito arriscada. Direitos implicam em uma obrigação e responsabilidades recíprocas, que só são aplicáveis a seres capazes de raciocinar e fazer escolhas baseadas na razão.

Só o homem tem o poder, guiado por um código de moralidade, para lidar com outros membros de sua própria espécie, por meios voluntários e persuasão racional ao invés da força física. Nada disto é relevante aos animais. Eles sobrevivem através de reflexos inatos e percepção sensório-perceptual. Não podem aprender um código de ética. Um leão não é imoral ou criminoso por atacar uma zebra, ou mesmo um homem. A predação é seu natural e único meio de sobrevivência; eles não têm como aprender outro meio. E não tente argumentar com um tigre que ele não deve mordê-lo devido às várias razões éticas e morais.

Enquanto os humanos conquistaram tremendos avanços ao longo do tempo, todos os animais, incluindo os que têm grande proximidade genética conosco, permaneceram no mesmo nível em que começaram. Continuam a levar o mesmo tipo de vida que seus ancestrais levavam há milhares de anos.

Não se pode concluir desta análise que os animais não tenham direitos. Diversos filósofos argumentam que os animais sencientes têm direito a um tratamento humano. No entanto, nenhum animal pode ter direitos como a liberdade religiosa ou o direito à educação, não porque nós humanos sejamos tiranos, mas simplesmente porque estes animais não possuem as capacidades mentais para exercer tais direitos. Além disso, se os animais têm direitos, os que trabalham no campo ou os de estimação teriam que ser considerados escravos.

O comparação de que um homem em coma ou um bebê não têm a capacidade de julgamento moral e portanto poderiam ser utilizados em experiências científicas, como pondera Singer, não leva em conta que esta capacidade que distingue homens de animais não é um teste que tenha que ser administrado aos seres humanos um a um, todo o tempo.

Temos que encarar a realidade: gostem ou não, não é possível pesquisar medicamentos ou desenvolver novas técnicas cirúrgicas sem a utilização de animais, e ponto final. Afirmar que terapias funcionam diferentemente em homens e mulheres é total non-sense. O argumento de que os organismos dos animais e dos homens não são idênticos é uma meia verdade, pois temos mais semelhanças fisiológicas do que diferenças desde o nível subcelular até os grandes sistemas (cardíaco, digestivo, etc). Este argumento também não considera que os mecanismos das doenças são estudados em todos os níveis de organização dos seres vivos. Só a ausência de cauda e pelos vai diferenciá-lo de um cão raivoso se você não procurar um hospital para tomar uma vacina anti-rábica, depois que foi mordido pela pobre criatura.

Além disso, cria-se a idéia de que os animais utilizados em pesquisa são de grande porte, quando 83% são ratos e camundongos, os mesmos que estes ativistas se apressam a matar quando entram em sua casa; 12% são répteis, peixes e pássaros; 3% são outros pequenos mamíferos; 1,3% são grandes mamíferos (vacas, ovelhas etc); 0,4% são gatos e cães; e 0,2% são primatas (Statistics of Scientífic Procedures on Living Animals - 1995- HMSO, London).

Estes animais são utilizados em estudos de genética (32%), mecanismos para tratamento e/ou prevenção de doenças e testes de eficácia e segurança de medicamentos (31%), pesquisa médica e biologica fundamental (p.ex. para saber como o cérebro funciona) (31%), testes de segurança para produtos não médicos, p.ex. pesticidas (4%) e desenvolvimento de novos métodos de diagnósticos (25). nenhum teste para cosméticos desde 1998 (Home Office 2003/RDS).

Aqueles que são contra o uso de animais em pesquisa científica deveriam, por uma questão de coerência moral, rejeitar para si o uso de qualquer conhecimento médico ou cirúrgico baseado em pesquisas com animais, o que abrangeria quase todos os medicamentos e as técnicas cirúrgicas em uso atualmente.

Em face do exposto acima, só nos resta concluir que a proibição do uso de animais em pesquisas científicas será um grande passo em direção ao obscurantismo da Idade Média e considerar a possibilidade de que alguns destes críticos têm pouco ou nenhum conhecimento de pesquisas científicas e de como os cientistas pensam.

Antonio Sergio Ferreira Baptista
asbaptista@terra.com.br

11 comentários:

Ricardo Rayol disse...

Um raciocínio intrigante e matador esse.

Anônimo disse...

Mais uma vez, vou no pop e destaco o parágrafo de que mais gostei:
"Aqueles que são contra o uso de animais em pesquisa científica deveriam, por uma questão de coerência moral, rejeitar para si o uso de qualquer conhecimento médico ou cirúrgico baseado em pesquisas com animais, o que abrangeria quase todos os medicamentos e as técnicas cirúrgicas em uso atualmente."

E mais: vão comer cimento a partir de agora. Quem garante que um pé de alface não sofre ao ser degolado?

PBR disse...

Os animais não têm direitos, mas nós humanos temos o dever de tratá-los bem justamente porque somos nós os seres guardiões com capacidade para julgamento moral.

É contraditório que aquele autor queira exaltar a capacidade humana para julgamento moral em defesa de, vejam só, abdicarmos de exercer julgamento moral ao impôr os citados 31% de experimentos inúteis e frívolos em animais que não dão segurança alguma aos humanos.

É non-sequitur dizer que se um leão não é imoral por atacar uma zebra, por causa disso um homem teria licença para fazer o mesmo e defende a predação como modelo de comportamento. Bem, o PT inteiro e as FARC devem concordar... ser predador é bom!

Por acaso decidimos nos comportar segundo os animais? Ora, se temos julgamento moral é exatamente por não copiarmos o comportamento dos leões.

Não adianta o autor brandir Tom Regan e Peter Singer (ou outras pessoas com julgamento moral distorcido tipo PETA e ALF) como espantalho - como se os únicos argumentos em favor dos animais se resumisse a eles - e usar ele mesmo de outras falácias.

O argumento do autor - de que "os direitos dos homens não dependem de sua capacidade de sentir dor, dependem de sua capacidade de pensar" é que é ilusório.

Uma criança, desde o útero a até pouco tempo depois do nascimento, pode não pensar, mas ela tem todo o direito à sua vida e bem estar. Claramente, o que importa depois da sua vida é a sua capacidade de sentir dor - o próprio autor se desmente parágrafos depois ao citar o bebê e o homem em coma.

A complexidade do sistema nervoso é sim, um dos critérios dignos de serem considerado quanto à possibilidade de sofrimento e à moralidade do ato.

É possível pesquisar e desenvolver novas técnicas sem a utilização de animais e afirmar que as substâncias atuam diferentemente em homens e animais por terem organismos diferentes não é nonsense nenhum.

O autor nem sequer se deu ao trabalho de justificar a negação desses fatos, que são justamente os pontos mais importantes que evidenciam que a pesquisa em animais é praticamente fraudulenta por não garantir a segurança dos humanos (vide TALIDOMIDA e outros episódios de fracasso e tragédia causadas pela experimentação animal).

Toda vez que um experimento em animais "dá certo", a substância ou terapia terá que fatalmente ser testada em humanos, pois até então não se sabe se é uma cura ou um veneno para humanos.

É ridículo o argumento do autor de que um benefício oriundo de pesquisa em animais deveria ser rejeitado por aqueles que são contra.

Ora, há um sistema de classificação de fraturas que foi resultado de experimentos nazistas em judeus. Por acaso ele recusaria os avanços da medicina advindos desses crimes hediondos sob sua alegada coerência moral?

Por último, ele termina com o lugar-comum de que a Idade Média era obscurantista. *bocejo*

Orlando Tambosi disse...

PBR,

não me parece que o autor tenha defendido que se maltrate os animais.

O que ele diz, corretamente - e é erro contumaz no discurso dos que querem impedir o uso de animais -, é que os animais não têm os mesmos direitos de "nosotros", animais benevolamente ditos racionais.
O cérebro da maioria, afinal, está mais para chimpanzé do que para humano.
Em termos evolucionários, temos um código genético único. Temos todos a mesma origem, e isto desagrada o criacionismo (embora a teoria darwiniana não conteste a existência de um criador).
Por isso mesmo já há restrições ao uso de macacos nas pesquisas (e é justo que assim seja).

Mas não estou nem um pouco preocupado com os ratinhos de laboratório, mesmo porque conheço os procedimentos de laboratório e sei como funciona o comitê de ética em pesquisa com seres animais. Nenhum animal é entregue à tortura ou coisa parecida.

Talvez se deva fazer como fazem alguns laboratórios norte-americanos, que pagam cobaias humanas para experimentar remédios.
Até hoje, não vi ninguém protestar contra isso. Quem se submete? Certamente os mais necessitados de dinheiro.

No mais, acho que Antonio pode responder.

Anônimo disse...

1-Nenhum dos experimentos citados são frívolos. Dizer que os experimentos citados são frívolos e não dão segurança aos humanos é desconhecer rudimentos de pesquisa científica.
2- PBR não entendeu que em momento algum o texto fala em que o homem teria licença para atacar um leão. Está implícito que os animais não possuem uma avaliação moral, por assim dizer, que o impeçam de atacar um outro animal (homem inclusive) e, ao contrário, o homem é o único que pode avaliar a situação e não provocar dano a um animal, se assim for possível.
3- O texto não menciona que substâncias químicas atuem igual ou diferentemente em homens e animais (apesar de ser parcialmente verdade). No texto está claro que afirmar que substâncias atuem diferentemente em homens e mulheres é total non-sense. Há mínimas diferenças entre a ação de drogas nos diversos indivíduos devido a nossas pequenas diferenças genéticas e de vias metabólicas ainda em desenvolvimento (como nas crianças). Isto não invalida as pesquisas e menos ainda o uso destas drogas.
4-O sr. PBR não entendeu ainda que a pesquisa em animais oferece uma oportunidade para que a ação de uma substância química seja observada nos diferentes órgãos e tecidos, observadas suas ligações com proteínas do sangue, sua maneira de excreção e sua dose tóxica etc. Se apresentar algum problema nestes experimentos, nem será testada em humanos. As que demonstrarem eficácia irão a testes em culturas de tecidos humanos etc... Na fase final é que serão usadas em humanos. Exatamente pelas diferenças entre os nossos organismos e os dos animais inferiores é que nunca poderemos ter 100% de certeza da eficácia (ou malefício) de determinada droga. Mas chegamos o mais perto possível deste valor, para nossa segurança. Se hoje, para citarmos um exemplo, os diabéticos podem viver normalmente, é por causa da experimentação com insulina retirada de animais e mais tarde, sintetizada em laboratórios.
5- Nenhuma classificação de fraturas foi desenvolvida em experimentos em judeus. Tudo o que foi pesquisado nos prisioneiros dos campos de concentração não gerou nada que prestasse. Lembro também que os nazistas foram os primeiros a proibir as experimentações com animai, assinada por Hitler em 24/11/1933. (Die Weisse Fahne 14, 1933, 710-711) Honi soit qui mal y pense.
5- É unanimidade entre os cientistas que não se pode pesquisar drogas, estudar os sistemas biológicos e desenvolver terapias clinicas e cirúrgicas sem a utilização de animais. (Centenary Survey of Nobel Laureates in Physiology or Medicine (1996) SIMR)
6- Dá sono ler a quantidade de bobagens que os defensores dos animais jogam na imprensa, quando citam as opções à utilização de animais nos experimentos científicos, sem terem a menor noção de farmacologia, do que seja um organismo biológico e de metodologia científica. Parece até que vivem na obscurantista Idade Média...

Orlando Tambosi disse...

Raciocínio irretocável, Antônio. Só deixaria de fora a Idade Média. O pensamento reinante em torno do assunto está mais, mesmo, é para o tempo das cavernas.
Acho que devo fazer mais um capítulo para o meu livro a sair este ano, "A cruzada contra as ciências".

Anônimo disse...

Obscurantistas, pós modernos e vegetarianos, não é professor? Sim, porque no tempo das cavernas se matava javali e mamute à dentadas pra fazer churrasquinho...

Unknown disse...

Olá caros amigos! "Quase" de volta...

Estou com a Letícia:

"Aqueles que são contra o uso de animais em pesquisa científica deveriam, por uma questão de coerência moral, rejeitar para si o uso de qualquer conhecimento médico ou cirúrgico baseado em pesquisas com animais, o que abrangeria quase todos os medicamentos e as técnicas cirúrgicas em uso atualmente."

Durante minha formação participei de muitas pesquisas com animais e posso garantir que (pelo menos lá no Laboratório da UNICAMP) a conduta era extremamente ética e moral com os animais. Aliás foi em um destes momentos em que primeiro pensei em escolher a especialidade que tenho hoje: Anestesia... Ainda não entendia muito bem como se fazia a anestesia, e muitas vezes me vi completamente atento e preocupado quanto à correta administração dos fármacos anestésicos aos animais enquanto meus colegas cuidavam mais da parte da "mão na massa", só pra exemplificar. Ninguém faz tortura em pesquisa, pois que se dispõe a toruturar um animal, por que razão não faria sofrer um ser humano sob seus cuidados?

Avante, ciência, Vade Retro obscurantismo e terceirização mental!

Abraços, e parabéns ao colega Antônio Sérgio pelo excelente artigo!

PBR disse...

Antônio,

Os experimentos são frívolos no sentido em que só servem para proteger a entidade que fabrica o medicamento de um futura ação na justiça caso seja descoberto tarde demais que seu produto é nocivo e fez vítimas. Basta alegar "Mas nós testamos conforme manda a lei!" e sair impune diante de todas as vítimas, como foi no caso da Talidomida.

E são inúteis porque os resultados dos experimentos em animais não são preditivos quanto ao que acontece nos organismos humanos. Nos anos 70, testes de cigarro foram realizados em cachorros beagles com resultados negativos como "prova" de que o cigarro não fazia mal.

Você mesmo admite que se uma substância ou terapia apresentar problemas nos experimentos em animais, deixará de ser testada e aplicada em humanos. O resultado óbvio é que uma substância benéfica ou crucial à sobrevivência de pacientes humanos será descartada, ou na melhor das hipóteses terá seu desenvolvimento atrasado, por causa de um experimento inútil feito em animais do qual não se pode extrapolar uma conclusão válida para humanos.

Tanto é verdade que não se pode extrapolar os resultados animais que as substâncias serão fatalmente testadas em humanos antes de liberar o consumo geral. Quantos medicamentos e avanços da medicina que salvariam vidas humanas já foram perdidos para os experimentos em animais? Quantos medicamentos e avanços já foram "provados" nos testes em animais levando à um falsa segurança e causaram problemas cardíacos e hepáticos, hemorragias e morte em humanos?

Os experimentos em animais são pseudo-ciência, ou na melhor das hipóteses, uma ciência primitiva e ultrapassada, que devia ser relegada como mero item histórico como a sangria e a anestesia à base de uísque. Os verdadeiros obscurantistas são os que defendem extrapolar resultados dos animais para os humanos: "Se curou o camundongo, vai curar você também." Ora, isso não é ciência.

E o maior problema daqueles que defendem essa prática é que seu discurso é muito falacioso. Por exemplo: "Os experimentos em animais podem nos levar às curas para doenças humanas. Nós, como autoridades em experimentação animal, atestamos que ela de fato leva às curas. Portanto, 'provamos' que os experimentos são bons." - Mas provaram coisa nenhuma! É falácia de apelo à autoridade.

É interessante você mencionar a insulina. Depois de milhões de testes em animais, a diabetes continua a afetar populações de humanos de forma crescente. Câncer é outra doença que envolve um grande número de testes em animais e não se vê cura. Ademais, insulina ainda não é cura e causa efeitos colaterais.

Ao defender experimentos em animais, vocês também ajudam a máfia ambientalista a promover a histeria contra inúmeras substâncias úteis que poderiam salvar vidas humanas como o DDT e pesticidas e substâncias inócuas como corantes, já que os experimentos animais podem ser manipulados de modo a "provar" que qualquer substância é cancerígena.

Os testes em animais falham em predizer se uma substância causa câncer em humanos porque as doses excessivas da substância testada são administradas em populações pequenas de animais de vida curta. As altas doses causam trauma e podem causar tumores e morte prematura. Além disso, de um animal para o outro, a toxicidade varia dramaticamente. Se um teste com animais for repetido com bastante persistência, um resultado positivo vai ser gerado por mero acaso. A repetição dos testes e a seleção na hora de publicar os resultados significam que mais e mais substâncias estão sendo falsamente rotuladas de cancerígenas.

Por isso é que a maior parte da histeria ambientalista é totalmente infundada. Ecologistas promovem os testes em animais que falham em detectar câncer com confiabilidade em roedores, quem dirá para humanos. Apesar dessas evidências, eles continuam a fazer alarde contra substâncias usadas nos países industrializados pois esses testes servem para dar um ar respeitável de ciência.

Ambientalismo hoje em dia é um grande negócio, com salários de 6 dígitos para seus executivos, escritórios em Washington e muitos advogados e grupos de lobby. Boa parte disso à custa de testes fraudulentos feitos em animais.

Maria do Espírito Santo disse...

Entre alfaces degoladas, ou tulipas, ou ainda rosas, ceifadas em nome da beleza, viver é matar. Para ser mais amena, viver é predar, atualmente com níveis de sutileza dos mais sofisticados, a ponto de nos fazer esquecer os cadáveres que diariamente devoramos. Os budistas tibetanos têm um mantra para aliviar o mau karma causado pelos insetos que inadvertidamente matamos sem sequer o percebermos. 99 entre 100 Budas ocidentais, porém, gostam muito do Mac Donald´s.
Tenho pena dos ratinhos, camundongos, garças e avestruzes usados em testes científicos. Garças e avestruzes não são usadas em testes científicos? Fênix também não? Bem, tenho pena deles porque poderão vir a ser usados, em que pese os nomes tão belos que têm.
Tenho pena principalmente daquela aranha que teve todas as suas oito pernas arrancadas uma a uma e quando perdeu a última delas levou o pesquisador à conclusão que a pobre aranha, quando perdia todas as suas pernocas, ficava surda, coitada!
No mais, estou com a Letícia: por questões de coerência, os defensores da causa dos pobres animaizinhos usados em testes científicos deveriam não usufruir de nenhum benefício advindo dessas mesmas pesquisas.
Gostamos todos de falar "em tese". Queria ver se nós mesmos ou uma pessoa que nos seja cara adoecesse gravemente e dependesse de testes com animais para a descoberta da cura dessa hipotética doença. Se ainda assim os defensores mantivessem a sua defesa eu os aplaudiria.
Farinha pouca meu pirão primeiro. No fundo, no fundo, defendemos o nosso profundo egoísmo que se enraíza por entre os meandros e melindres dos nossos valores morais.
Orfeu desceu ao Hades para salvar sua amada Eurídice. Nós, os mais céticos ou completamente agnósticos, talvez não chegássemos ao ponto de roubar um rim humano compatível para servir a um nosso filho, mas se rim de rato servisse, certamente a gente o arrancaria na unha mesmo sem se importar a mínima com os agudos e doridos guinchos do pobre animalzinho.

Anônimo disse...

Na minha última tentativa de mostrar a PBR como seu raciocínio está absolutamente errado, inicio pela Talidomida que não mostrou seus efeitos teratogênicos para o feto porque, naquela época, não foi testada em animais grávidos. Não se sabia que drogas poderiam ser ótimas para a mãe e danosas para o feto. Depois que os testes foram refeitos em animais grávidos a teratogenia apareceu. È um bom exemplo de uma droga que foi pouco testada em animais.
A alegação de que beagles foram usados para testes com cigarros com resultado negativo para o câncer, PBR, é falsa. Desde 1970 ninguém conseguiu reproduzir tal experiência sem provocar câncer nos cães. Há farta bibliografia sobre o assunto.
Não há “medicamentos e avanços da medicina que salvariam vidas humanas ... perdidos para os experimentos em animais”, como você afirma, exatamente porque a experiência em animais irá sugerir sua eficácia. Não utilizá-la em animais é que poderia fazer-nos descartá-la, pois não saberíamos para que serviria.
Todos os mamíferos são descendentes de um ancestral comum e um resultado disto é que somos biologicamente muito semelhantes aos outros mamíferos. Todos temos os mesmos órgãos, realizando, basicamente, as mesmas funções e controlados pelos mesmos mecanismos, via sanguínea e sistema nervoso. È claro que há pequenas diferenças mas que são, em muito, ultrapassadas pelas enormes semelhanças. Até as diferenças são importantes. Ao sabermos que os ratos com distrofia muscular sofrem menos atrofia do que os humanos, podemos estudar quais são os fatores que nos permitirão chegar a um tratamento mais eficaz para esta terrível doença.
Talvez por não conhecer bem a área de pesquisa científica você esteja sendo induzido a esta idéia de que os animais são tão diferentes de nós que não podemos extrapolar um experimento em animais para os humanos. È exatamente o contrário. Ratos modificados geneticamente para desenvolverem Fibrose Cística apresentam os mesmos problemas das crianças com a doença e estão sendo estudados para o futuro tratamento desta terrível condição. A insulina (de porcos e vacas), a Tirotropina (de bois), a Calcitonina (da glândula paratireóide do salmão), o Hormônio Adrenocorticotròfico (de ovelhas e outros animais), a Ocitocina (do porco) e a vasopressina (do porco) são exemplos de hormônios retirados de animais e que foram utilizados no homem, com grande sucesso, até, pouco a pouco, serem substituídos pelos hormônios sintetizados em laboratório, após a identificação da seqüência genética destes hormônios animais.
De 2000 tipos de medicamentos em uso desde 1961, na Inglaterra, EUA, França e Alemanha, menos de 40 foram retirados do mercado devido a efeitos colaterais, um resultado que mostra um sucesso de 98% dos procedimentos de testes em animais de laboratório (na verdade só 10 foram retirados conjuntamente nos 4 países).
A maioria das doenças dos humanos existe em pelo menos uma outra espécie (câncer, insuficiência cardíaca, asma, raiva, malária etc) e são tratadas basicamente da mesma maneira. O famoso veterinário Charles Cornelius compilou uma lista de 350 doenças em animais que acometem igualmente os humanos e é provável que quase toda doença humana tenha sua doença correspondente nos animais.
Os experimentos científicos, para serem aceitos, têm que ser reproduzidos em outros laboratórios com acreditação internacional. Portanto suas conclusões não são frutos de falácia de apelo à autoridade.
Concordo com sua preocupação com os ambientalistas xiitas, e com certeza partilho de muitas delas, mas o malefício que causam não têm nada a ver com experimentação científica em animais. Ecologistas não têm qualificação científica para fazerem experiências médicas em animais. Podem avaliar danos ao ecossistema. Isto parece mais a velha Teoria da Conspiração. Shalom