segunda-feira, 30 de junho de 2008

Valei-me, São Kant!

A Deutsche Welle diz que os alemães acreditam cada vez menos na democracia. Não seria de surpreender, já que inventaram o nazismo, mas me espanto mesmo assim. E a coisa é ainda pior na ex-Alemanha Oriental, cevada sob a ditadura comunista antes que o império soviético ruísse (nesse caso, nenhuma surpresa).

Que desabe sobre todos esses saudosos do nazismo e do comunismo uma bomba de chucrute!

Lá vai o Brasil/Descendo a ladeira...

domingo, 29 de junho de 2008

Fúria politicamente correta

Insisto na lei supostamente anti-álcool. Como sempre fez, o Estado não prende o bandido (o bêbado que "dirige" automóvel), mas transforma todos em bandidos. Universalização às avessas, nivelação por baixo. A propósito, Reinaldo foi na couve neste comentário:

Os lobistas da droga devem estar felizes a esta altura, não? A lei já lhes faculta carregar um fuminho apenas para seu consumo. No máximo, o sujeito leva um pito. Se, numa festa, o valente fumar maconha até ficar com os olhos esgazeados ou cheirar pó até eles ficarem vidrados, nada a temer: pode soprar o canudo, que a passagem está livre. É um homem de bem. Perigoso é o pobre contador que vem atrás, coitado, ou um gerente de banco: tomaram uma cerveja... Como é mesmo? “Dançou, playboy!”. Ah, sim: também dá pra mandar ver no ecstasy. O viciado tem até direito a bebedouro, garantido por lei. É um despropósito!

Sorry, criacionistas...

A teoria da evolução está mais jovem do que nunca, diz Marcelo Nóbrega -professor-assistente do Departamento de Genética Humana da Universidade de Chicago -, em artigo na Folha, que publica uma série de matérias sobre a revolução darwiniana.

Diz-se que, ao ouvir sobre a teoria de Darwin, uma senhora da sociedade vitoriana resumiu assim seu desconforto: "Vamos torcer para que o Sr. Darwin esteja errado. Mas, se estiver certo, vamos torcer para que essas idéias não se espalhem muito".

Darwin, mais do que ninguém, entendia as implicações desalentadoras de sua teoria para a noção de que os humanos ocupam uma posição especial na natureza. "É como confessar um crime", dizia.

Foram necessários 70 anos para provar que Darwin estivera certo desde o início.Vários remendos foram necessários à teoria evolutiva original. O mais importante deles foi o reconhecimento de outras forças evolutivas além da seleção natural. No que é conhecido como "deriva genética", é amplamente aceito que várias características genéticas podem se disseminar em uma população puramente ao acaso, sem que a seleção natural precise ficar "escrutinando dia e noite cada variação", como escreveu Darwin na "Origem das Espécies".

Curiosamente, há um recente clamor, especialmente nas ciências sociais, de que uma mudança radical nas nossas idéias sobre hereditariedade e evolução se faz mister, frente a supostas descobertas bombásticas na biologia molecular que traem os preceitos "genocêntricos" do darwinismo.

Entre estas, a descrição de que certos traços podem ser herdados de uma geração para outra sem correspondente variação no DNA -fenômeno chamado de "epigenética"-, ou que modificações ou surgimento de certos traços às vezes precedem variação genética nessas populações, violando o preceito de que evolução se dá exclusivamente em variações genéticas preexistentes, randômicas. Acredita-se, por exemplo, que variações genéticas que tornaram humanos adultos tolerantes à lactose podem ter aparecido somente depois de estes terem instituído o consumo de leite, há cerca de 10 mil anos.

Se esses são os melhores argumentos justificando tal revolução conceitual, a cruzada é quixotesca, e o exército, maltrapilho. Esses novos mecanismos e conceitos vêm simplesmente agregar-se a um sem número de outras descobertas, que se tornaram possíveis nas últimas quatro décadas com o advento da biologia molecular.

O verdadeiro testemunho da herança de Charles Darwin pode ser aferido ao andar-se pelos corredores de qualquer departamento de biologia moderno.

Rapidamente se verá que o anseio da senhora inglesa de abafar as idéias sobre evolução não se concretizou. Os preceitos centrais de teoria evolutiva tornaram-se o eixo de virtualmente toda a pesquisa biomédica.

Graças às teorias de genética e evolução de populações, uma nova forma de medicina, chamada farmacogenética ou "medicina individualizada", tem rapidamente se desenvolvido nos últimos anos. Hoje já é possível analisar diferenças genéticas entre pessoas e usar essa informação para escolher que remédios serão mais eficazes e terão menos efeitos colaterais para cada paciente em uma série de doenças.

Evolução e seleção natural são o motivo pelo qual ainda não existe uma cura para a Aids e pelo qual estamos perdendo a guerra contra bactérias resistentes a antibióticos. Mas são também os conceitos que têm nos permitido procurar novas formas de combater essas doenças - por exemplo, tentando entender o que na genética faz com que algumas pessoas que são verdadeiras cartilhas ambulantes de fatores de risco nunca adoecem. Desvendados esses mecanismos, novas estratégias terapêuticas poderão ser desenvolvidas.

A procura das causas genéticas de doenças é hoje pesquisada usando os genomas de múltiplas espécies e procurando trechos de DNA que foram mantidos intactos durante longos períodos evolutivos.

O entendimento de como as proteínas -os produtos dos genes- interagem em redes complexas para desenvolver uma função biológica é também amplamente sustentado pela teoria evolutiva. São novos rearranjos e interações entre proteínas que promovem o aparecimento de "novidades" evolutivas em espécies. Assim, uma esponja-do-mar já tem a maioria dos genes que são responsáveis pela organização do plano corporal humano. Os genes que são usados para formar dentes em peixes foram recrutados para funções diferentes quando nossos ancestrais saíram da água. Esses mesmos genes hoje coordenam a formação de estruturas aparentemente distintas como pele, glândulas mamárias e penas em aves.

Tentar descrever qualquer fenômeno biológico fora da esfera conceitual de evolução de Darwin equivale a conceber personagens sem um enredo que os contextualize e una.

República Lulista do Grotão

Só não pode beber e dirigir. Quanto ao resto, pode fazer tudo (ao arrepio da lei, claro, como dizem os juristas)...

sábado, 28 de junho de 2008

Lei seca



Não se descuidem também com o sagu e o bombom de licor...

Bom domingo a todos.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Patrimonialismo über alles

Isto é coisa que os chargistas chapas-brancas (legítima criação da era petralha) não enxergam. Eles só fazem charges em que o Pequeno Timoneiro asperge "bondades". Argh!
***
P.S.: e pau nos corruptos pelo uso e abuso dos nomes dos animais. Ah, mas disso os ecólatras e ambientalistas ongueiros não cuidam...

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Papai-Estado protege neném...

O próximo alvo da Providência, digo, governo, é a propaganda de alimentos. Nada escapa à sanha dos agentes controladores do lulo-petralhismo, sempre atentos à voracidade capitalista.

Quem pescou essa idéia contra a liberdade de consumo foi o Reality is out there. Ainda bem que deixaram a cerveja de fora, Avolio (se bem que agora só se pode beber dentro de casa).

P.S.: por isso mesmo já pedi, aí ao lado, "One bourbon, one scotch, one beer"...

O monstro


Quem faz compras em supermercados sabe que o monstro está com a maquininha remarcadora nas patas.

Ufa, TSE!

Até que enfim o Tribunal Superior Eleitoral pôs um basta à fúria dos jovens promotores e juízes que confundem entrevista jornalística com propaganda eleitoral (e por isso censuram jornais e revistas). Antes tarde do que nunca.

O idiota latino é imortal

Em entrevista à revista Época, que me passou despercebida, o escritor e jornalista Carlos Alberto Montaner diz que o "idiota latino-americano" é imortal, ao contrário do que pensava quando escreveu, junto com Plinio Apuleyo Mendoza e Álvaro Vargas Llosa, o Manual do perfeito idiota latinoa-mericano, seguido recentemente do livro A volta do idiota.

Montaner não poupou críticas a Lula:

É lamentável que Lula, que tem um grande respaldo popular dos brasileiros, tenha o repúdio de 60%, 70% dos venezuelanos. Eles o vêem como um aliado de Chávez. Quando as coisas na Venezuela mudarem, a população não vai sentir o governo de Lula como amigo. Vai vê-lo como um governo que ajudou um regime que violou seus direitos.

E explicou por que motivo, até hoje, as idéias liberais não prosperaram na América Latina:

Desde o século XIX até agora, houve a influência de uma das mais perniciosas idéias, que é a crença de que a solução dos problemas econômicos vem do Estado. Isso é assim no Brasil, desde os positivistas e a criação da República, no México e nos demais países da região. Durante todo o século XX, os fascistas, os comunistas, a doutrina social da Igreja, os militares concordavam com esse ponto de vista. O pensamento liberal praticamente desapareceu na América Latina. A idéia de que alguém vai solucionar nossos problemas, que nossas dificuldades são conseqüência de alguém que tirou algo de nós e que depois o Estado virá para solucionar tudo, é poderosa. O populismo tem uma atração muito grande.

A livre iniciativa, o espírito empresarial, não faz parte da tradição latino-americana. Nossa tradição intelectual é antiempresarial, antimercado, contrária ao sucesso. Geralmente, acredita-se que quem conseguiu se dar bem é porque tirou algo de alguém. Isso explica por que alguns povos que eram muito mais atrasados que a América Latina hoje têm um nível de desenvolvimento muito maior. Talvez isso esteja mudando, mas essa é uma batalha longa.

O escritor tem razão. Por aqui, invejamos e temos ressentimento dos países que deram certo e buscamos "alternativas" em experiências que deram errado.

Não tem peixe?

...Ah, tem cofre público. E como tem! As urnas agradecem...

Avanço da censura

Alguma coisa deu errado na formação de alguns advogados que optaram pela carreira no Ministério Público e no Poder Judiciário. Eles confundem entrevista com propaganda eleitoral, criando obstáculos ao trabalho da imprensa. O nome disso é censura.

O juiz Marco Antonio Martin Vargas, titular da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, condenou ontem a Editora Abril S.A., responsável pela revista "Veja São Paulo", a pagar R$ 21.282 por ter publicado entrevista, considerada propaganda eleitoral antecipada, com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), pré-candidato à reeleição, também multado. (Continua).

Boa, Sponholz!

Mas olha que eles acabam aproveitando a idéia, Roque...

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Como acabará o Universo?

A "energia escura" ainda é um enigma cósmico à espera de um Einstein. Sabe-se, porém, que ela tem profundas implicações no futuro do nosso Universo:

Os cosmólogos acreditavam que o destino do cosmo seria determinado pela densidade de matéria no Universo. Se ela fosse alta o suficiente, a gravidade por fim pararia a expansão, dando início a um colapso, um cataclísmico big crunch; senão ele se expandiria para sempre. No entanto, é evidente que a energia escura tem sido a força dominante no cosmo pelos últimos sete bilhões de anos, e está fazendo com que expansão seja cada vez mais rápida.

Resultado:

Parece que o Universo irá se expandir para sempre. Se isso ocorrer, nosso Universo se tornará um lugar muito ermo. Por exemplo: nossa galáxia ficará inteiramente isolada nos próximos 100 bilhões de anos, pois o resto do Universo terá sido transportado para regiões tão longínquas que suas luzes jamais nos alcançarão.

Durma-se com tantas elucubrações cosmológicas!

(Fonte: 25 grandes idéias, de Robert Matthews, recém-publicado pela Zahar).

Menos Estado

Adolfo Sachsida organiza o III Encontro de Liberais lá em Brasília ("Pela redução do tamanho do Estado"):

O Terceiro Encontro de Liberais tem uma novidade: menos palavras e mais ação. O objetivo de nosso encontro é criar uma mobilização, a nível nacional, pela redução do tamanho do Estado. (Confira aqui).

É isso aí, Adolfo: menos Estado e mais sociedade.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Um petralha em NY

Costumo assistir o Manhattan Connection, no domingo à noite, mas é difícil aturar o tal de Ricardo Amorim, sujeito que trabalha no setor financeiro e arrota grandezas sobre o Grotão sempre que lhe dão oportunidade (e o mineiro dono do programa, Lucas Mendes, sempre lhe dá). Aliás, é difícil aturar conversa de jornalistas.

Fico intrigado porque o Amorim não pisca e cospe números com a maior facilidade. E é sempre, claro, politicamente correto. Costuma criticar apenas os Estados Unidos.

No último programa, cometeu uma barbaridade. Dêem uma espiada no Reinaldo Azevedo.

Adeus, Professora Ruth.

A professora e antropóloga Ruth Cardoso, ex-primeira dama, faleceu de infarto em São Paulo nesta noite. O blog não costuma fazer necrologia, mas homenageia Dona Ruth, sempre discreta, fugindo às ostentações do poder. Uma pessoa civilizada vivendo num país de broncos. Adeus, mestra.

Festa da favelização nacional


Também estão convidados todos os carroceiros que atravancam as ruas da cidade, as crianças de rua que aprenderam malabares em oficinas de inclusão social e não saem das sinaleiras porque a rua é um espaço lúdico - como uma secretária da Juventude declarou ao Estadão, em 2004 -, os camelôs que dominam o centro, as máfias das cooperativas de llixo, os engenheiros que compraram alvarás para construções irregulares - como a Igreja Universal - e, por último mas não menos importante, toda a tigrada que se instalou a mando do PT como uma verdadeira quadrilha nas seções do Orçamento Participativo.

Ao post do blog A Nova Corja (links) só tenho a acrescentar: este é o quadro nacional sob o petismo. Ainda virarei carroceiro.

P.S.: para quem não lembra, o bigodudo líder sindical bancário Olívio Dutra foi o bigodudo desgovernador do RS e, depois, o bigodudo ministro das Cidades do governo Lula. Sempre esteve em casa...

P.S. 2: os convivas do convescote poderão entoar as pesquisas do Pochman (aquele de camisinha branca com gola Mao), que vê o paraíso se realizar sob o lulismo.

Maria da Penha?


E não é tráfico de influência?

O compadre Roberto Teixeira esteve com Lula no palácio várias vezes, em encontros não registrados na agenda pública do presidente. Ganhou milhões intermediando a venda da VarigLog.

Tivéssemos efetiva independência de Poderes, a coisa levaria a conseqüências gravíssimas.

Mas, como sempre, vai passar batido...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Na alcova de JK...

Ranking cucaracho

O presidente colombiano Álvaro Uribe, odiado pelos vizinhos por combater os narcotraficantes das Farc e ter boas relações com os Estados Unidos, é imbatível em termos de popularidade na América Latina, com 84 por cento de aprovação. Em segundo está o presidente do México, Felipe Calderón.

O Pequeno Timoneiro Lula disputa o terceiro lugar com "estadistas" como Evo Morales, da Bolívia, e um tal de Antônio Saca, de El Salvador. Leia aqui.

Delírios da cientologia

Janer pegou bem:

Há 75 milhões de anos, dezenas de planetas eram governados por um líder maligno, Xenu. Para sanar um problema de superpovoamento, Xenu teria segregado bilhões de seus habitantes na Terra. Eles foram mortos com bombas de hidrogênio, e seus espíritos - os thetans - passaram a vagar pelo planeta. Os thetans foram ainda submetidos a um processo que os tornou inaptos a tomar decisões. Cada habitante da Terra atual seria uma reencarnação desses espíritos.

Que tal? Parece história em quadrinhos. No entanto, são os fundamentos de uma nova crença em franca expansão, a cientologia. (Continua).

Sponholz, sempre na mosca!

domingo, 22 de junho de 2008

Era de ouro da comunicação?

É o que diz o jornalista norte-americano Kurt Loder, que produz reportagens sobre a vanguarda cultural gringa desde os anos 70 e atualmente trabalha na MTV. Otimismo é o que não lhe falta (ingenuidade, dirão os amantes da cultura européia). Ressalto alguns trechos de sua entrevista à Reason, traduzida aqui:

Nós estamos em uma situação melhor com as novas tecnologias. A música está proliferando como nunca. Os CDs morreram. Os DVDs morrerão logo. Nós baixaremos tudo pela internet. E eu acho que isso é bom. As gravadoras vão mudar. Elas têm que mudar.
(...)
Nós costumávamos viver em um mundo comandado pela mídia. Você não tinha escolha alguma, a não ser assistir à NBC, à CBS ou à ABC. Se você quisesse grandes reportagens, você lia o The New York Times ou o The Washington Post. Acredito que os blogs e a internet mudaram isso completamente. Eles demoliram o monopólio sobre a informação.
(...)
Algumas pessoas sempre vão chamar você de idiota. Algumas pessoas sempre vão dizer que você é ótimo ou que você é um imbecil. Você tem que se acostumar com isso. Mas isso também é bom. É ótimo ouvir diretamente o que as pessoas pensam. É ótimo nos livrarmos dos filtros. Eu acho que estamos vivendo uma grande e promissora era para a mídia. Acredito que esse seja o melhor dos tempos.
(...)
Eu acho que deveríamos perceber que o rock and roll é algo que aconteceu e acabou, como o período da música folk. Existe o rock, que é uma coisa completamente diferente, é algo visto como o que aconteceu após os Beatles se tornarem mais conscientes de suas ações. Hoje, quando alguns meninos de 19 anos têm uma banda, eles chegam e assinam um contrato para gravar um disco. Já chegam com advogados e assessores. É difícil ser rebelde assim. As bandas dizem “vamos mudar o mundo” e “abaixo o sistema” enquanto trabalham para a Time Warner.
Mais uma vez, não acredite no que as celebridades dizem. Elas não vão salvar o mundo de ninguém. Muitas vezes, não salvam nem sua própria vida.

Ideologia emburrece

O casal Kirchner está em guerra com os produtores agrícolas. Mas o desprezo à "sociedade rural" não é exclusividade dos K: atinge também alguns intelectuais do peronismo. A sociedade rural, diz um deles, "é o nosso inimigo histórico".

Prisioneiro de uma ideologia ultrapassada, o peronismo é incapaz de analisar a realidade. Sobraram apenas os jargões. Assim caminha a "idiotia latino-americana". (Leia aqui).

("Ideologia emburrece" é uma frase da profa. Maria Sylvia de Carvalho Franco, em entrevista à revista Veja. Aliás, vale a pena reler...).

João Ubaldo analisa Lula

Como todos andam comentando a coluna de João Ubaldo Ribeiro no Estadão de hoje, aí vai:

Pode ser que ele esteja maluco.

Sei que, para os lulistas religiosos, a ressalva preliminar que vou fazer não adiantará nada. Pode ser até tida na conta de insulto ou deboche, entre as inúmeras blasfêmias que eles acham que eu cometo, sempre que exponho alguma restrição ao presidente da República. Mas tenho que fazê-la, por ser necessária, além de categoricamente sincera. Ao sugerir, como logo adiante, que ele não está regulando bem do juízo, ajo com todo o respeito. Dizer que alguém está maluco, principalmente alguém tido como sagrado, pode ser visto até como insulto, difamação ou blasfêmia mesmo. Mas não é este o caso aqui. Pelo menos não é minha intenção. É que às vezes me acomete com tal força a percepção de que ele está, como se diz na minha terra, perturbado da idéia que não posso deixar de veiculá-la. É apenas, digamos assim, uma espécie de diagnóstico leigo, a que todo mundo, especialmente pessoas de vida pública, está sujeito.

Além disso, creio que não sou o único a pensar assim. É freqüente que ouça a mesma opinião, veiculada nas áreas mais diversas, por pessoas também diversas. O que mais ocorre é ter-se uma certa dúvida sobre a vinculação dele com a realidade. Muitas vezes - quase sempre até -, parece que, quando ele fala "neste país", está se referindo a outro, que só existe na cabeça dele. Há alguns dias mesmo, se não me engano e, se me engano, peço desculpas, ele insinuou ou disse claramente que o Brasil está, é ou está se tornando um paraíso. Fez também a nunca assaz lembrada observação de que nosso sistema de saúde já atingiu, ou atingirá em breve, a perfeição, até porque está ao alcance de qualquer cidadão, pela primeira vez na História deste país, ter absolutamente o mesmo tratamento médico que o presidente da República.

Tal é a natureza espantosa das declarações dele que sua fama de mentiroso e cínico, corrente entre muitos concidadãos, se revela infundada e maldosa. Ele não seria nem mentiroso nem cínico, pois não é rigorosamente mentiroso quem julga estar dizendo a mais cristalina verdade, nem é cínico quem tem o que outros julgam cara-de-pau, mas só faz agir de acordo com sua boa consciência. Vamos dar-lhe o benefício da dúvida e aceitar piamente que ele acredita estar dizendo a absoluta verdade.

Talvez haja sinais, como dizem ser comum entre malucos, de uma certa insegurança quanto a tal convicção, porque ele parece procurar evitar ocasiões em que ela seria desmentida. Quando houve o tristemente célebre acidente aéreo em Congonhas, a sensação que se teve foi a de que não tínhamos presidente, pois os presidentes e chefes de governo em todo o mundo, diante de catástrofes como aquela, costumam cumprir o seu dever moral e, mesmo correndo o risco de manifestações hostis, procuram pessoalmente as vítimas ou as pessoas ligadas a elas, para mostrar a solidariedade do país. Reis e rainhas fazem isso, presidentes fazem isso, primeiras-damas fazem isso, premiers fazem isso. Ele não. Talvez tenha preferido beliscar-se para ver ser não estava tendo um pesadelo. Mandou um assessor dizer umas palavrinhas de consolo e somente três dias depois se pronunciou a distância sobre o problema. O Nordeste foi flagelado por inundações trágicas, o Sul assolado por seca sem precedentes, o Rio acometido por uma epidemia de dengue, ele também não deu as caras. E recentemente, segundo li nos jornais, confidenciou a alguém que não compareceria a um evento público do qual agora esqueci, por temer receber as mesmas vaias que marcaram sua presença no Maracanã.

Portanto, como disse Polônio, personagem de Shakespeare, a respeito do príncipe Hamlet, há método em sua loucura. Não é daquelas populares, em que o padecente queima dinheiro (somente o nosso, mas aí não vale) e comete outros atos que só um verdadeiro maluco cometeria. Ele construiu (enfatizo que é apenas uma hipótese, não uma afirmação, porque não sou psiquiatra e longe de mim recomendar a ele que procure um) um universo que não pode ser afetado por cutucadas impertinentes da realidade. Notícia ruim não é com ele, que já tornou célebre sua inabalável agnosia ("não sei de nada, não ouvi nada, não tive participação nenhuma") quanto a fatos negativos. Tudo de bom tem a ver com ele, nada de ruim partilha da mesma condição.

Agora ele anuncia que, antes de deixar o mandato, vai registrar em cartório todas as suas realizações, para que se comprove no futuro que ele foi o maior presidente que já tivemos ou podemos esperar ter. Claro que se elegeu, não revolucionariamente, mas dentro dos limites da ordem (?) jurídica vigente, com base numa série estonteante de promessas mentirosas e bravatas de todos os tipos. Não cumpriu as promessas, virou a casaca, alisou o cabelo, beijou a mão de quem antes julgava merecedor de cadeia e hoje é o presidente favorito dos americanos, chegando mesmo, como já contou, a acordar meio aborrecido e dar um esbregue em Bush. Cadê as famosas reformas, de que ouvimos falar desde que nascemos? Cadê o partido que ia mudar nossos hábitos e práticas políticas para sempre? O que se vê é o que vemos e testemunhamos, não o que ele vê. Mas ele acredita o contrário.

Acredita, inclusive, nas pesquisas que antigamente desdenhava, pois os resultados o desagradavam. Agora não, agora bota fé - e certamente tem razão - depois que comprou, de novo com o nosso dinheiro, uma massa extraordinária de votos. Não creio que ele se julgue Deus ainda, mas já deve ter como inevitável a canonização e possivelmente não se surpreenderá, se lhe contarem que, no interior do Nordeste, há imagens de São Lula Presidente e que, para seguir velha tradição, uma delas já foi vista chorando. Milagre, milagre, principalmente porque ninguém vai ver o crocodilo por trás da imagem.

Picolé de Chuchu dará vitória ao PT

Pois é, Alckmin, aquele médico de Pindamonhangaba que jogou no lixo 40 milhões de votos e presenteou Lula com um segundo mandato, será mesmo candidato a prefeito de São Paulo pelo PSDB. Martaxa Suplicy deve estar esfregando as mãos de contentamento.

De qualquer modo, fica tudo em família. Tucanos e petralhas são primos, como sempre disse o amigo Roberto Romano.

Parlamento grotense

Três características distinguem o Parlamento brasileiro do das nações democráticas. Todas são de envergonhar. A observação é do belo editorial do Estadão de hoje, que merece ser lido na íntegra.

Difícil acreditar que este acampamento de caboclos um dia vire país civilizado.

Milhões para o compadre

Roberto Teixeira, o compadre de Lula, recebeu mais de três milhões de dólares por conta da negociata da Varig. Se isto não é tráfico de influência, então nada mais é. Está tudo na matéria do Estadão. Não vou comentar porque minha provisão de saquinhos de vômito terminou.

sábado, 21 de junho de 2008

Desonestidade criacionista

Criacionistas, como se sabe, são aqueles que acreditam que o Universo foi criado por Deus, em conformidade com o que está escrito no Gênesis bíblico, tudo no vapt-vupt. Negam a teoria da evolução e, a exemplo de movimentos radicais nos EUA, tentam expulsá-la das aulas de ciência, já que, na visão deles, nascemos prontinhos, filhos de Adão e Eva etc.

A desonestidade dos criacionistas é examinada aqui a propósito do filme "Expelled".

Carnaval científico

Jovens cientistas brasileiros escrevem sobre os mestres que os levaram tomar o caminho da biologia, da física, da astronomia etc. Virou blogagem coletiva: "Um cientista em minha vida".

Nippo-overdose

O Shikida que me perdoe, mas vou ficar uns dois meses sem encarar sushi e sashimi, que muito aprecio. É que, há pelo menos 10 dias, somos bombardeados pelas Tvs locais, estaduais e nacionais - de dia e de noite -com programas em homenagem aos imigrantes japoneses, sua cultura, sua culinária etc.

Chega, saturou. Já virou bajulação. Por isso não resisti a surrupiar a foto do blog A Torre de Marfim, que também já está de saco cheio com tanta louvação.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Só ele pode...

A lei é draconiana

Grotão de botocudos

Este é o trágico quadro das escolinhas grotenses. "Formando" botocudos, como diria o amigo Aluízio...

Um reator nuclear sob os pés

Ecochatos, ecocratas e ecólatras falam muito no que acontece na superfície terrestre, que melhor estaria sem a presença da "humanidade" (excetuados eles próprios, claro). Nunca se preocuparam com o que se passa debaixo de seus pés.

O fato é que nós todos andamos sobre um reator nuclear. Os isótopos naturais do urânio, do tório e do potássio, aprisionados dentro da Terra na época de sua formação, transformaram este "pálido ponto azul" (Carl Sagan, saudoso) num reator gigantesco.

A crosta atua como um "recipiente de contenção", embora muito ineficiente. A cada ano, dezenas de milhares de pessoas morrem por causa da "poluição" radioativa que escapa do interior da Terra na forma do gás de radônio, que causa câncer.

O trecho citado é do livro 25 grandes idéias (como a ciência está transformando nosso mundo), de Robert Matthews, recém-lançado pela Zahar. Entre os temas abordados, a consciência, a teoria dos jogos, a teoria da informação, o catastrofismo, o "emaranhamento quântico" e a teoria de tudo.

Trata-se de um rápido passeio pelas principais idéias das ciências contemporâneas. A diagramação da obra deixa a desejar: mais parece uma apostila do segundo grau, com seus quadros, resumos e glossários em negro.

Quanto aos ecochatos, que olhem um pouco para o que se passa abaixo da superfície. Ali não há como culpar os "seres humanos".

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Tolerância 100 por cento

Reproduzo comentário de meu ex-aluno Victor Carlson, jornalista, fotógrafo e sócio-gerente da Lagoa Editora, empresa sediada em Florianópolis e especializada em livros-fotográficos e guias turísticos, além de autor de belos livros:

A insegurança só vai aumentar. Não importa o delito cometido, seja pequeno furto, agressão, estupro, assassinato, não importa, o que impera é a tolerância 100%. Todos, sem exceção, vão prestar depoimentos e serão liberados.

Basta conversar com a faxineira para saber qual a impressão que o povão tem da impunidade, e fica claro que todos prestarão depoimentos e serão liberados. Não precisa nem de advogado.

E cada vez que publicam na imprensa que alguém prestou depoimento e foi liberado, enviamos um recado para a população: vocês serão liberados.

Em Sorocaba (SP), por exemplo, oito assassinos (não são jovens e nem "dimenor"), espancaram de forma cruel um homem. Adivinha: prestaram depoimentos e foram liberados. Não há como imaginar mais segurança com essa lógica na rua.

Tens razão, caro Victor. Mas, sabes como é, essas críticas são coisa de "direitistas", "reacionários", "positivistas", "americanófilos", "cientificistas" e por aí vai.

De minha parte - e acho que esta parte é também sua -, somos apenas (horror dos horrores!) liberais, isto é, a favor das liberdades - da econômica à liberdade de ir e vir etc. Se bem que teu amigo, aqui, cometeu um erro que não cometeste: já foi um marxista.

A Justiça e a lista suja

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Palavras cansam



Bill Evans Trio, "Emily".

Viva a Arrrentina!

Este nefando blog ficará fora do ar por algumas horas para que seu igualmente nefando administrador veja o jogo Brasil X Argentina. Claro que, como mau patriota, o blogueiro torcerá pelos "hermanos" - que, pelo menos, esperneiam contra o governo, quando este lhes retalha os bolsos e brande impostos como "distribuição de renda" (la Kirchner dixit).

E olha que o blogueiro traidor abomina futebol, além de estar doido por umas férias...

P.S.: quem perde para o Paraguai, não merece empatar com a Arrrentina.

Desfazendo mitos

De Ricardo Neves, consultor de várias organizações nacionais e internacionais, no livro Pegando no tranco (o Brasil do jeito que você nunca pensou), Senac-Rio, 2005:

Além do mito da pobreza como raiz do crime, ainda subsistem visões fantasiosas, conspiratórias e paranóicas, como a cantilena que diz que o tráfico de drogas, essa moderna Hidra de Lerna, com milhões de cabeças, tem seus chefões a viver impunemente nas coberturas da Zona Sul carioca, enquanto os peixes pequenos vivem nas favelas. Essa visão equivocada é parente daquela que acha que o crime é extremamente organizado, quando, na verdade, o Estado é que é desorganizado e incompetente no combate ao crime.

(...)

Basta de ouvir a lengalenga dos chefes de polícia e a arenga de secretários e subsecretários. Chega de irresponsabilidade e incompetência dos sucessivos governadores que têm passado ao longo das décadas sem assumirem claramente que necessitamos de uma nova política nacional de segurança pública e que o Governo Federal deve estar no comando.

Vamos descobrindo, todos nós, que a criminalidade brota mesmo é da impunidade. Basta!

Inverno lulista


Sponholz é meu refúgio quando meu próprio humor anda a zero.

Estado marginal

Pelo que li, não há sequer uma repreensão, nos jornais, aos crimes praticados pelos narcotraficantes. É como se eles tivessem direito de fazer o que bem entendem em seu Estado-paralelo.

E, convenhamos: os soldados botaram "seres humanos" entre "seres humanos" - e não numa jaula de leões.

Que os narcotraficantes se matem, ora bolas. Não sejamos piedosos com gente que não tem piedade.

Exército pode atuar em questões de violência urbana

Quem diz isso é o historiador José Murilo de Carvalho, autor do livro Forças Armadas e política no Brasil. Geraldo Cavagnari, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp (que conheci em meus tempos de Unicamp), concorda, mas observa que essa atuação deve ter período de tempo determinado. Portanto, barbas de molho, bandidos e ongueiros do crime.

Matéria da Folha:

Para o historiador José Murilo de Carvalho, autor do livro "Forças Armadas e Política no Brasil", apesar da falta de transparência e dos resultados desastrosos do Exército no morro da Providência, o uso das Forças Armadas em questões de violência urbana ou em ações sociais não deve ser descartado.
"Dizer que elas não estão preparadas leva à pergunta sobre se as duas polícias [civil e militar do Rio] estão. Por relatórios que se tem da atuação das Forças Armadas no Haiti, ela tem sido bastante exitosa. Poderia ser o caso de usar essa experiência no Rio. Mas toda a cautela é pouca para evitar danos à população, às Forças Armadas e ao Estado de Direito."
O fundador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp, Geraldo Cavagnari, também defende que não é fora de propósito o emprego de Exército na segurança pública. Ele diz, no entanto, que isso só deve acontecer em situações excepcionais e por um período de tempo determinado.
"A sociedade, quando emprega as Forças Armadas em ações policiais, deve estar ciente de que, antes de pacificar uma região, elas vão combater os grupos criminosos, e matar em combate não é um desatino. No caso de uma reviravolta muito grande, podem até ser chamadas, mas segurança pública não é um problema militar", diz.
Carvalho e Cavagnari também concordam que as Forças Armadas podem ser usadas, secundariamente, em ações sociais. Para o pesquisador da Unicamp, que é também coronel da reserva, isso é comum na região amazônica."As Forças Armadas consomem recursos do contribuinte. Na ausência de emprego militar na defesa externa, não é fora de propósito o uso tópico delas em outras atividades. A Constituição prevê isso. Mas tem que ser feito com total transparência. Não foi o que se deu na Providência", diz o historiador.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Toma, Fancolino!

O chapa-branca Franklin Martins, secretário do DIP de Lula, acaba de levar uma na cabeça e outra no bolso por censurar e processar o colunista Diogo Mainardi, da revista Veja. Ainda por cima, os juízes acharam inusitado um jornalista, que defende a liberdade de imprensa, processar outro por exercer a liberdade de imprensa. O chapão poderia dormir sem essa...

Franklin Martins? Tem dois minutos, Franklin Martins? Está de bobeira aí no ministério? Já leu a sentença do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro? Viu o que decidiu o desembargador Paulo Mauricio Pereira naquele seu processo contra mim? Pegou muito mal, né? Sobretudo o trecho sobre a liberdade de imprensa. Sorte sua que uma parte da imprensa calcule a própria liberdade na ponta do lápis. Nessas horas, é sempre bom poder controlar a verba de propaganda do maior anunciante do país. Aparentemente, porém, ninguém se interessa em saber se o dinheiro da publicidade estatal é usado para financiar os cupinchas infiltrados na imprensa em detrimento daqueles que fazem somente - como dizer? - jornalismo.

A promiscuidade com o poder público é o maior perigo enfrentado pela imprensa. Eu sei que você discorda, Franklin Martins. Eu sei que você não vê nenhuma estranheza nisso. Mas o desembargador Paulo Mauricio Pereira viu. E os outros dois desembargadores concordaram com ele. Ouça só os termos da sentença que me inocentou:

"Os fatos afirmados pelo primeiro réu em sua coluna [o primeiro réu sou eu] devem ser tidos como verdadeiros, principalmente porque não negados pelo autor [Franklin Martins], além de públicos e notórios. Efetivamente, parentes seus (um irmão, uma irmã e a esposa), exercem ou exerceram funções públicas de confiança no governo, não por força exclusiva de concurso, mas também por livre nomeação dos dirigentes do país.

Induvidoso, também, que o autor veio a ser nomeado pelo Presidente da República para o cargo de Secretário de Comunicações Sociais, com status de Ministro, passando a integrar a cúpula do governo, daí que não se vislumbra qualquer ofensa na conclusão a que chegou o primeiro réu e que deve ser a mesma a que chegaram várias outras pessoas que se interessam pela política, no sentido de que o autor teria proximidade com o poder público e que, por isso, não exerceria sua função de jornalista com a necessária isenção que exige a profissão.


As matérias em foco, rotuladas de ofensivas à honra e à imagem do autor, não contém o ânimo de ofender, injuriar ou difamar, mas apenas de informar uma situação realmente estranha, acrescida da opinião do articulista.
(...)
No caso dos autos a situação ainda é até inusitada, pois temos a ação de um jornalista, defensor da liberdade de imprensa, contra outro jornalista, que usou de tal liberdade de imprensa
.

Diante de todo o exposto, dá-se provimento ao primeiro recurso, dos réus, para julgar improcedente o pedido inicial, (...) com inversão dos ônus sucumbenciais, fixada a verba honorária em 20% sobre o valor da causa".

Isso mesmo, Franklin Martins. Cabe recurso. Mas os juízes decidiram - e decidiram unanimemente - que, por dizer a verdade, eu não o ofendi. Eles decidiram também que meus advogados ficam por sua conta. O governo Lula é uma ameaça constante à liberdade de imprensa. Seu azar é que, do outro lado, está a Justiça. (Do Podcast do Diogo Mainardi).

Impostura científica na "Nature"

Nem sempre dá para acreditar no que publicam as revistas científicas, mesmo que seja a prestigiosa Nature. A peer-review (revisão de artigos pelos pares) pode levar à impostura científica - principalmente quando se trata de aquecimento global, tema tão atraente para os catastrofistas quanto para os picaretas.

Pois bem, a Nature caiu numa dessas...

(Obrigado, CFE).

Lista suja


Chavismo mata outro jornalista

É o segundo jornalista crítico do bolivarianismo a ser assassinado:

O jornalista venezuelano Javier García, da rede de televisão opositora Rádio Caracas Televisão (RCTV), foi encontrado morto em seu apartamento em Caracas, de acordo com a imprensa local. García foi assassinado a punhaladas. Ele foi o segundo jornalista opositor morto na Venezuela neste mês. No dia 3, Pierre Fould Gerges, vice-presidente do jornal Relatório Diário da Economia - que publicou uma série de denúncias de corrupção em estatais e na administração pública - levou pelo menos dez tiros quando voltava para casa no carro de seu irmão, diretor do jornal. (Continua).

Não por acaso, diz um articulista que a Venezuela já virou um matadouro.

CNBB exporta truculência do MST

Quando este blog afirma que não haveria MST sem os "teólogos da libertação" da Igreja católica, é recriminado. Mas vejam o que diz a própria CNBB, que exportará a "método" da truculência contra o agronegócio e a pesquisa científica - desenvolvido impunemente aqui pelo exército de mercenários de Pol Pot Stédile - para a África:

A Conferência Episcopal da África do Sul enviará ao Brasil, no mês que vem, um grupo de representantes para conhecer a estrutura e o funcionamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT), que é vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e também para manter contatos com o Movimento dos Sem-Terra (MST). De acordo com explicações do padre Nelito Dornelas, assessor da CNBB para o setor de Superação da Miséria e da Fome e um dos encarregados de organizar a visita, os africanos vêm aprender com os brasileiros.
"Querem implantar lá a metodologia desenvolvida pela CPT", disse o padre. "Também estão interessados em ter missionários brasileiros que ajudem os trabalhadores rurais a organizarem seus movimentos, como foi feito no Brasil. Como se sabe, o MST é filho da CPT." (Continua).

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Querem o Exército distribuindo bombom?

Agora há uma campanha contra o Exército, que ocupa o tal de Morro da Providência, no Rio. Aparece gente da OAB, da banda dos "dereitos humanos", das ongs, como aquele chato da Viva Rio - movimento que não faz outra coisa que organizar gatos pingados vestidos de branco para protestar contra a "violência" -, para atacar a força militar, diante do desaparecimento de três anjinhos. Nesta, estou com o comentário do Reinaldo:

Ninguém sabe quantos corpos o narcotráfico faz por dia. Por ocasião do assassinato de Tim Lopes, a polícia chegou a áreas antes restritas aos criminosos. Encontraram-se verdadeiros cemitérios clandestinos. Tudo é resolvido por lá mesmo, como se fosse um problema da “própria comunidade”, sem “interferência externa”, da polícia ou do Exército. Quando são as forças legais que matam ou, como parece ser o caso, deixam matar, então temos os protestos em penca: ONGs, entidades de defesa dos direitos humanos, OAB... Não as censuro por isso, não. Se não pudermos contar com a lei, com quem vamos contar? Há que se protestar mesmo! O Exército está lá para oferecer segurança. Mas por que essa gente é tão seletiva? Justifico o clamor de agora diante das mortes excepcionais. O que não entendo é o silêncio cúmplice diante das mortes rotineiras. Fui claro?

Quando se dá a guerra de facções ou quando um grupo ajusta as contas com aqueles que não cumprem as ordem do comando, o asfalto branco se cala. Fica parecendo que logo ali acima estão, sei lá, os ianomâmis ou alguma tribo isolada, com direito a viver segundo as suas próprias leis. Os que rejeitam que o estado de direito suba o morro — e, lamento dizer, será à força, sim — estão apenas sendo cruéis à sua maneira. Mas, é certo, é para garantir a lei que as Forças Armadas deveriam ocupar o morro, não pra praticar o crime.

Por que faço essas observações? Porque já começo a perceber o narcotráfico a ditar a pauta, opondo uma suposta comunidade vítima da truculência a um suposto Exército assassino. E esse, obviamente, é o falso confronto. O verdadeiro é outro: é o que se dá entre o crime organizado e os cidadãos honestos que moram na favela.

Aliás, os narcotraficantes são muito humanos, demasiado humanos. Sirva de exemplo o que aconteceu na "pacífica" Florianópólis no último final de semana: Vítima foi queimada, teve os dedos cortados e a boca fechada por um cadeado.

Os abomináveis

Estamos todos enregelados, Spon (agora, 19:30, 8 graus em Floripa, e caindo). Mas contentes por sermos abominados por petralhas, chapas-brancas, governistas, corruptos et caterva. No mais, uma sopa bem quente, bom vinho e cama mais cedo...

Couro

Bola de couro é um dos símbolos deste Grotão. E atrás do couro vem cartola corrupto e trogloditas que vão a campo para extrair dinheiro, no primeiro caso, e sangue, no segundo.

Mas nem este esporte hoje corrompido o Grotão criou: é coisa bretã.

Desculpem a antipatia, mas um time de futebol e uma vaca mugindo são, para mim, a mesma coisa. Cartolas, times e trogloditas que se roçem nas ostras!

P.S.: se ser brasileiro é gostar de futebol, eis mais uma razão para eu me considerar fora do mapa.

domingo, 15 de junho de 2008

Bombachas em chamas, o filme.



O pessoal da Nova Corja (links) mostra ao Brasil o que está acontecendo no Bovinão (RS) sob o descomando da generalíssima Yeda Crusius (credo!).

Filósofos, cientistas e animais.

Dois filósofos e um cientista discutem o espaço ocupado pelos animais no pensamento contemporâneo.

No ensaio "De filósofos e bestas", Élisabeth de Fontenay afirma que as ciências acabaram de vez com a fé humanista e criacionista na "superioridade" da nossa espécie:

Las investigaciones científicas convergentes de paleoantropólogos, primatólogos, zoólogos, etólogos y genetistas, y lo que llamamos teoría sintética de la evolución (el conjunto de teorías contemporáneas de la evolución), no pueden más que echar por tierra, en sus fundamentos implícitos y conformistas, la sacrosanta fe humanista y todavía un poco creacionista que tenemos en la unicidad y la preeminencia de nuestra especie. Estas disciplinas invalidan la idea de la supremacía del hombre, poniendo fin a una arrogancia occidental casi inmemorial.

Em entrevista, o célebre primatólogo Frans de Waal fala de suas pesquisas com chimpanzés, cujos resultados evidenciam que não somos a única espécie com "sentimentos morais":

Sostengo que la psicología elemental de los grandes simios es un componente básico de la moral humana. Los humanos le añaden cosas a eso, haciendo de nuestra moral algo mucho más complejo. Y es por ello que no quiero llamar a los chimpancés seres morales, al menos no exactamente.

Outro entrevistado, o onipresente filósofo australiano Peter Singer, discute, como sempre, a "liberação animal".

Não digo nada. Boa leitura, apenas.

sábado, 14 de junho de 2008

Vocabulário lulesco

E recordemos que Lula, quando fala, "ilumina" a filósofa da corte Marilena Chauí.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Patrimonialismo grotesco

Patrimonialismo é a marca da América Latina. É sobrevivência do velho mercantilismo, com partidos, elites empresariais e sindicatos, todos unidos, tomando o Estado como seu, isto é, como propriedade privada. Rapinagem é a regra.

E aí vem a "esquerda" malhando o tal do capitalismo - algo que ainda nem alcançamos. Na falta, dá-lhe malhação no liberalismo, confundido com o próprio. Foto fátuo é com as "esquerdas".

O fato é que não temos regras para nada e nossas instituições vivem ao sabor das ondas. O país não é capitalista nem liberal e somos anti-capitalistas e antiliberais a priori. A inveja e o ressentimento contra os norte-americanos são um indicativo.

Não há como esconder que a maior coalizão de representantes do patrimonialismo, na história da república do Grotão, é a do governo Lula. Paralisia garantida para os próximos 20 anos, com apoio de partidos e empresários e dos pobres que recebem bolsa-migalha.

Vocês podem chamar isto de país, mas, neste blog, o nome será sempre Grotão.

A solução final

Vem aí o holocausto do contribuinte...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Não exagere, Spon!

Do nosso chargista (e professor de arquitetura no Paraná) Roque Sponholz, um e-mail que me deixa enrubescido:

De: sponholz - zzzz@sponholz.arq.br -
Para: sponholzBLOGS
Assunto: obrigatório
Data: Thu, 12 Jun 2008 12:37:41 -0300

Eles nos fazem pensar, refletir, rir, aprender…Privilegiados os que estudaram ou estudam com professores da grandeza de Roberto Romano, Ramiro Corrêa e Orlando Tambosi.

Conseguem eles transformar a complexidade da filosofia em meras peças de “lego”, com as quais nos divertimos alimentando o cérebro e a alma, pois com o preço do arroz e do feijão, se o físico é débil, ao menos mentalmente débeis não seremos.

Um recado aos mestres; mais textos como sempre brilhantes e menos charges do sponholz, as quais só conseguem retratar as vãs e torpes filosofias do Inácio e seus discípulos.

1grandabraço em todos e não esqueçam de colocar em seus favoritos…


……roq

Minha resposta: suas charges é que não vão faltar, amigo, nem a pau. E nos encontraremos de novo em Camboriú (o bigodudo Sponholz está ao lado da mulher, Marilena, em foto do Aluízio. O chopp é em homenagem ao Roque e ao "fotógrafo", abstêmios).

É de dar medo

O melhor retrato do último escândalo patrocinado pelo governo Lula - o da venda da Varig - está aqui. Os jornais brasileiros sabem de tudo, mas se calam.

O novelo da coisa dá arrepios.

Bem-vindos, senhores ladrões!

(Minotauro, bebedor e mulheres, de Picasso).
* * *
Num país que cuida mal da saúde e da educação e que entrega a população à bandidagem, não é de estranhar que instituições que cuidam da arte sejam igualmente tão maltratadas.

Desta vez, levaram Picasso, Di Cavalcanti e Segall.

Acho que o único lugar inviolável, hoje, é o palácio presidencial do Grotão. Para o bem e para o mal.

Solidariedade a Montaner

Personalidades internacionais assinam manifesto de apoio ao escritor e jornalista Carlos Alberto Montaner, que sofre campanha de difamação por parte do diretor do jornal chapa-branca Granma, voz da ditadura cubana.

Montaner, exilado nos EUA, é um combatente das liberdades e merece a solidariedade de todos os democratas.

Fim da história

E viva o patrimonialismo, o "partido único" e o pensamento único (isto é, a ausência de pensamento). Como todo país latino-americano, o Grotão vê o futuro pelo retrovisor.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A lista dos traidores

Como já era esperado, a Câmara aprovou o imposto substituto da CPMF. Foi por apenas dois votos, mas aprovou.

Resta ao Senado salvar a honra. Ou o Grotão vira, definitivamente, uma pocilga.

A lista da canaille que votou a favor está aqui. Que tenham vida breve. Bleargh!

Merecem citação os deputados do DEM, do PSDB, do Psol e do PV, que, por unanimidade, votaram contra. Clap, clap!




Por enquanto, Lula dorme feliz...

E lá vem deboche...

Tudo engatilhado para raspar o bolso do contribuinte com imposto clonado. Que venham logo as eleições. Estou esfregando as mãos, senhores deputados. E prometo que este blog fará campanha diária contra os traidores.

Cadeia para Stédile!

O "exército" de Pol Pot Stédile, o chefão do MST, inferniza o agronegócio, as indústrias e as universidades. É um movimento de bandidos que mostra diariamente não existir lei neste Grotão apodrecido, desafiando todos os poderes. E sempre mostrando sua face obscurantista, ao destruir centros de pesquisa ligados a instituições de ensino superior. Desta vez, foi destruída uma estação experimental de cana-de-açúcar pertencente à Universidade Federal de Pernambuco. (Leia aqui).

Se não há lei para os mercenários de Stédile nem para o próprio, por que nós, cidadãos, devemos respeito à legislação ou às autoridades?

Ser brasileiro é uma condição vergonhosa e humilhante. Pelo menos nos últimos anos.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Terroristas confiam em Lula

Ao que parece, Hugo Chávez não é mais o único queridinho dos narcotraficantes colombianos. Lula também mora no coração dos terroristas:

O ex-senador colombiano Luis Eladio Pérez, que ficou quase sete anos em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), disse nesta terça-feira (10) que a guerrilha cogita entregar seqüestrados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Pérez, libertado em fevereiro passado, reiterou, antes de se reunir com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, que há operações em andamento para libertar vários seqüestrados. (
Continua).

Charuto-bomba

Tomara que seja assim, Sponholz. Talvez conheçamos mais de perto as entranhas dessa República podre. E como Denise Abreu já solicitou segurança para comparecer à Câmara amanhã, conforme informação divulgada pela CBN (e captada por nosso amigo Aluízio), pode vir mais bomba por aí.

Nutrição como pseudociência

Os caderninhos de final de semana dos jornais costumam repetir essa sandice: "Diz-me o que comes e dir-te-ei quem és". E não faltam nutricionistas para referendar tudo o que o repórter chuta a respeito da alimentação "nutricionalmente correta".

Raciocínio lógico, ao que parece, não é o forte de alguns nutricionistas - e deve passar longe de algumas escolas de nutrição (e de jornalismo, claro).

O blog de uma nutricionista lusa, por exemplo, expressa a seguinte patetice:

Adolf Hitler, o Fuehrer da Alemanha nazi, era vegetariano, mas um vegetariano algo estranho. Ele dizia que os elefantes eram o animal mais forte porque não comiam carne e acreditava que os judeus tinham venenos na barriga graças à sua alimentação de carne.

(Via De Rerum Natura).

Lancelotti e Greenghalg, argh!

Estava esperando a Lets comentar o "episódio" e ela não falhou. Ninguém a supera na análise de costumes. Seguinte: o padre Lancellotti, chegado na pobreza de rua, foi acusado de abusar de menores sob sua guarda. Dedicado a "causas sociais", deu dinheiro para um deles comprar um carrão. Como a coisa veio à luz, processou os rapazes por "extorsão".

Pois bem, a Justiça disse que não há nada contra os rapazes. Vamos à lógica, portanto...

Conclusão óbvia: quem deve explicações à "sociedade" é o ilustre padre com carteirinha de petista, defendido pelo advogado predileto de todos os petralhas envolvidos em coisas inconfessáveis: o bigodudo Luíz Eduardo Greenhalg.

E, antes que me esqueça: ah, essas "pastorais" igrejeiras.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Maquiagem

Quem vai aos supermercados percebe a sacanagem dos empresários: 50 gramas passam a 40; 1 litro passa a 900 ml. Mesmo assim, o preço aumenta. E isto vai do pacotinho de queijo ralado ao iogurte. Já acontece há anos e não há vigilância. Duvido que falcatrua semelhante aconteça em países civilizados da Europa ou nos Estados Unidos.

Sociologia de araque

Aluízio mandou ver no post sobre o sociólogo norte-americano Immanuel Wallerstein, entrevistado de hoje na Folhona. O professor, que escreveu um trambolho sobre "O Declínio do Poder Americano", é outro que vê com benevolência - sempre à distância, claro, no conforto do odiado capitalismo - figuras como Chávez, Evo Morales et caterva. Nas mãos dele, sociologia vira ideologia.

Bueno, que esperar de um sociólogo freqüentador do Forum Social Mundial?

domingo, 8 de junho de 2008

Bombachas em chamas!

Entrevero feio no Rio Grande, tchê! Era território do PT!

UPDATE (9/6): e até bomba explodiu numa padaria...

Casa civil

A Argentina K e o chavismo

Paralelos que dão medo aos argentinos

Hay muchos y crecientes paralelos entre la Argentina K y la Venezuela en la que reina don Hugo Rafael Chávez Frías. En Venezuela todo el mundo descuenta que Hugo no se irá del poder por las buenas. O sea, no perderá una elección y se irá a su casa. El mismo sistema de poder "revolucionario y bolivariano" que ha construido en estos años desmiente por sí solo esa alternativa. En Argentina sobreentendemos que no hemos llegado a ese punto y que nunca lo haremos; que los K serán desalojados, tal vez tan pronto como en 2011, especialmente si siguen desbarrancándose como en el letal trimestre marzo-mayo. Pero a la vez no se los "ve" a los K resignándose, diciendo algo así como: "perdimos, mala suerte. Todos al Calafate".

La rápida radicalización del gobierno que se vio en este breve lapso, bajo la batuta de Néstor, ayuda a poner en duda esa futura entrega del poder sin convulsiones.

Argentina muestra otras inquietantes similitudes con Venezuela. Anotemos algunas: oposición muy débil y fragmentada, ausencia total de división de poderes y de un poder federal real, enormes recursos discrecionales en manos del gobierno central, que exhibe una indeclinable tendencia hegemónica, organizaciones violentas a sueldo, etc. (Continua).


Alguém nota alguma semelhança com o resto da Narcoaméria do Sul? Bota medo nisso...

Jornais em discussão

Bons no factual, fracos na análise.

A Folha de hoje traz uma série de artigos sobre o futuro dos jornais, supostamente - segundo alguns catastrofistas - à beira do fim, pelo menos na forma impressa.

Sejamos breves: os jornais impressos não desaparecerão tão cedo porque é chato ler, na internet, textos mais longos.

Quanto às atividades jornalísticas propriamente ditas, ninguém, isoladamente, superará a cobertura do factual - o dia-a-dia - feita pelos jornais.

O problema está com os comentaristas, colunistas etc. É cada vez mais visível que não dispõem de formação e informação suficientes para manter um espaço privilegiado nos jornais, a não ser arremedando os editoriais...

Convenhamos, nenhum blog superará os jornais no quotidiano, mas estes progressivamente ficam devendo aos blogs a análise, os comentários e as críticas que não fazem, principalmente por não dominarem a linguagem da blogosfera. Não adianta reproduzir a coluna do jornal na internet ou num suposto blog, que apenas clona, na verdade, o estilo do jornal impresso. Os diários ainda não entenderam a blogosfera.

Os impressos não estão em extinção, mas ficarão restritos ao factual. É o que sabem fazer como ninguém, justamente porque dispõem de uma estrutura básica. Mas, repito, cambaleiam na opinião e na análise.

Os jornais condensam uma credibilidade difícil de ser replicada em outros meios e funcionam como uma bússola para o leitor imerso no caos informativo atual. Apresentam um resumo organizado das notícias mais importantes das últimas 24 horas, selecionando e hierarquizando fatos, análises e opiniões. Já foi dito que editores atuam como curadores de notícias para seus leitores.

O trecho em itálico corresponde à visão de Eleonora de Lucena (para assinantes), que apresenta as matérias da Folha sobre o tema na edição de hoje. Está certa ao dizer que os jornais organizam as notícias, mas as boas argumentações, em grande parte, passam ao largo do papel. Nisto, os jornalões estão velhos. Velhos e demasiado ideológicos. Refletem uma sociedade pasteurizada.

P.S.: e, como lembra PH em comentário, nem o factual os jornais tratam bem, pois chegam depois da TV e da internet. Os jornalões impressos não vão morrer, mas precisam de uma boa alimentação e muita ginástica...

sábado, 7 de junho de 2008

Fim do "império"? Conversa mole...

O fim do "império" norte-americano vem sendo cantado em prosa e verso há algumas décadas. Nos anos 70, a hegemonia ficaria com o Japão; nos 90, com a Europa; e agora é a China, com sua ditadura, que desbancará os EUA. Conversa mole: essa hegemonia não tem prazo de validade. A propósito, Giuliano Guandalini fez uma boa matéria na Veja:

A história das decadências americanas está confinada aos best-sellers. Nos anos 70, o perigo vinha do outro lado do mundo e foi propagado pelo livro Japão, Como Número 1 – Lições para a América, de Ezra Vogel. Nos anos 90, o papel de anunciar o fim da hegemonia econômica nas livrarias ficou por conta do economista Lester Thurow com seu Cabeça a Cabeça, narrativa então levada a sério sobre como a Europa engoliria a economia americana, risco elevado pelo autor à mesma categoria da ameaça representada na Guerra Fria pela União Soviética. Mais recentemente, as notícias da decadência inevitável dos Estados Unidos saltaram para os jornais das páginas de outro best-seller, Colosso: Ascensão e Queda do Império Americano. Fala-se em mundo multipolar e aponta-se agora a China como a sucessora dos Estados Unidos na liderança do planeta. Prevê-se que até 2020 o PIB chinês terá alcançado o americano. Isso pode vir mesmo a ocorrer, embora projeções sejam por natureza apenas a amplificação no tempo de uma realidade atual que pode ou não se materializar. A liderança mundial não se dá somente pela pujança econômica, mas pela superioridade intelectual, moral, política, cultural, tecnológica e científica. Isso não se constrói apenas enchendo contêineres com badulaques produzidos com mão-de-obra escrava e vendidos a preço de banana nas feiras de desconto do mundo.

(...) Os Estados Unidos dispõem das melhores universidades do mundo, são campeões disparados em cientistas premiados com o Nobel, registram mais patentes do que todos os seus concorrentes diretos somados. Com um PIB de 14 trilhões de dólares, mesmo que eles cresçam apenas 1%, estaremos falando de um Chile por ano sendo agregado à riqueza do país.

(...) Acima de tudo, os americanos mantêm o seu espírito empreendedor e arrojado, calcado na livre iniciativa, na democracia e no império da lei. Essas virtudes continuam inabaláveis e independem do que pensam seus presidentes. Enquanto essa situação perdurar, a decadência americana vai ficar confinada à prateleira de best-sellers das livrarias.

(Continua, para assinantes).

Revisitando 2001

Cenas de "2001, Uma Odisséia no Espaço", filme de Stanley Kubrick com roteiro de Arthur Clarke, ao som de "Zarathustra", na célebre interpretação do brasileiro Eumir Deodato.

Bom final de semana a todos.

Petralhas do BB

Petralhas usam norma do Banco do Brasil para meter a mão em pequenas fortunas:

O caso mais emblemático envolve o atual vice-presidente de crédito do BB, Adézio de Almeida Lima. Ele está no banco há 35 anos e, graças à sua militância no PT, eliminou etapas na carreira. Antes de Lula tomar posse, Adézio era gerente executivo. Em 2003, assumiu o cargo de vice-presidente, com um salário de 27 000 reais, por indicação do PT de Minas Gerais. Em agosto passado, ele aderiu ao Paex. Embolsou, no total, mais de 800 000 reais. Dias depois da aposentadoria, porém, Adézio reassumiu o mesmo cargo, indicado como funcionário de confiança do presidente do BB, e manteve o salário de 27 000 reais. Investigado no escândalo dos aloprados, quando petistas ligados ao comitê de campanha do presidente Lula foram presos comprando um falso dossiê contra tucanos, Adézio era superior hierárquico de Expedito Afonso Veloso, um dos mentores da operação. Procurado por VEJA, ele mandou dizer, por meio da assessoria de imprensa do BB, que o caso "é pessoal" e que não se manifestaria. (Na Veja, para assinantes).