quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Criacionismo na universidade

Portas abertas para a pseudociência

Em boa parte de suas áreas, as universidades estão mais próximas das ideologias que do conhecimento, notadamente o científico. Não é raro o ressentimento contra as ciências naturais, um instrumento que se revelou poderoso tanto na acumulação quanto na aplicação do conhecimento. Essas ideologias estão a serviço de causas e partidos que a história já rechaçou, mas ainda habitam mentes pouco inquietas e mais afeitas ao dogmatismo.

Não bastasse o que vem da política, agora surgem também tentativas de fazer da universidade espaço para discussão de pseudociências com base em visões fundamentalistas das religiões. É o caso do criacionismo - defendido particularmente por fundamentalistas cristãos nos EUA -, inimigo ferrenho da teoria da evolução. Aos poucos, o criacionismo penetra também no Brasil. Na USP de São Carlos, por exemplo, está prevista para hoje uma palestra em defesa da última versão do velhíssimo argumento teleológico, a "teoria do Design Inteligente".

Isto gerou, justamente, reação por parte dos cientistas. A propósito, recebi duas correspondências - entregues às autoridades universitárias - que me foram enviadas pelo professor Marco Antônio Batalha, do Departamento de Botânica da Ufscar, e que reproduzo abaixo, na íntegra.

CARTA 1

São Carlos, 14 de outubro de 2008

Ao Instituto de Física de São Carlos (IFSC),
Na pessoa de seu Diretor, Prof. Dr. Glaucius Oliva e do Chefe do Depto. de Física e Informática, Prof. Dr. Richard Garratt

Prezados Senhores,

Tomamos conhecimento de que o Instituto de Física de São Carlos (IFSC) promoverá a palestra intitulada: “O Universo – Teorias sobre a origem - Criacionismo Científico”, ministrada pelo M.Sc. Adauto Lourenço. O evento está marcado para acontecer na próxima quinta-feira, dia 16/10 (às 19:00 horas), no auditório Sérgio Mascarenhas do IFSC (Universidade de São Paulo).
Há três semanas, o grupo PET-Química da Universidade Federal de São Carlos tentou realizar uma palestra com o título: “A Vida e o universo: um grande acidente ou design inteligente?”, que seria ministrada pelo Prof. Dr. Marcos N. Eberlin (Universidade Estadual de Campinas).


Felizmente, tal promoção da idéia do “Design Inteligente” – um dogma religioso – foi em tempo rechaçada por alunos, professores e pelo Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, que corretamente cancelou a palestra. A mesma palestra (com o mesmo título e proposta) havia sido cancelada também na Unicamp por decisão do Coordenador Geral da 60ª Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

O aprendizado mais doloroso decorre de erros próprios. Em junho de 2007, foi permitida na Universidade Federal de São Carlos a promoção da série de palestras que visavam a “discutir” o Evolucionismo e o Criacionismo. Tal atitude foi fortemente repreendida pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) e, infelizmente, parece não ter surtido o efeito esperado para todas as universidades públicas.

Para esclarecimento, o Criacionismo ou “Design Inteligente” é uma doutrina mascarada cujos defensores dão uma roupagem supostamente científica a essas crenças para propagá-las dentro de universidades e escolas. Pretende concluir a existência de deus e da criação a partir da impossibilidade da ciência atual de explicar todos os fenômenos naturais e distorce descaradamente conhecimentos há muito consolidados. Tentativas como esta são um retrocesso a um passado distante, onde o homem atribuía fenômenos físicos naturais, como uma tempestade ou um eclipse, a um castigo divino e não a fenômenos físicos hoje elucidados.

O “Design Inteligente”, ou “Criacionismo Científico”, é reconhecidamente uma forma de criacionismo cristão. Nos Estados Unidos da América, essa questão foi a tribunal por mais de uma vez devido à insistência dos seus defensores em implementar as idéias do “Design Inteligente” em salas de aula. Em 2005, o julgamento (Tammy Kitzmiller, et al. v. Dover Area School District, et al., Case No. 04cv2688) mais importante sobre a questão terminou com a decisão do juiz John E. Jones III que declarou o “Design Inteligente” como mais uma forma de criacionismo religioso, e sua inclusão na escola pública em questão foi proibida por ferir o princípio de separação entre Igreja e Estado (protegido pela Constituição estadunidense e também pela brasileira). No mês passado, na Inglaterra, o reverendo Michael Reiss sugeriu que a teoria de evolução por seleção natural deveria ceder ao criacionismo parte de seu espaço no currículo escolar. A esse pronunciamento, que Reiss se afirma vítima de má interpretação, seguiu-se uma forte oposição e terminou com a demissão do reverendo do cargo de diretor de educação da Royal Society, a mais prestigiada associação científica da Inglaterra.

Confiamos na missão e dever de todas as universidades públicas deste país, incluindo a Universidade de São Paulo, em promover o conhecimento. Não podemos aceitar que ideais religiosos de qualquer vertente sejam apresentados a nossa comunidade como alternativa ao pensamento racional, crítico e científico. Esse tipo de evento, que visa a promover uma ideologia religiosa disfarçada de ciência alcança a inconstitucionalidade, segundo a Constituição Federal do Brasil (CF/88 - Art. 19). O Brasil é um país laico, e assim, nenhuma crença ou religião pode exercer pressão ideológica junto aos cidadãos livres, nem imprimir sua presença em órgãos e espaços públicos (que é o caso da USP). Caso a supracitada palestra ocorra, o Instituto de Física de São Carlos (com a conivência da USP) estará infringindo a lei ao fazer uso de recursos públicos para a promoção e divulgação de um pensamento dogmático baseado na religião cristã – por meio do oxímoro “Criacionismo Científico” – como suposta alternativa ao método científico universalmente aceito pela comunidade acadêmica mundial.

Ressaltamos que não se trata de uma restrição à liberdade de expressão, mas é imperativo respeitar a missão desta e de toda a universidade: a busca do saber e a propagação do pensamento crítico e racional e não a divulgação de ideologias religiosas como contraponto ao pensamento científico e racional. Para esse tipo de prática existem outros locais apropriados. Além disso, é missão vital de uma democracia a proteção das minorias religiosas, que não devem sofrer discriminação ou desconforto pela promoção de alguma religião majoritária dentro de espaços públicos.

Entendemos, e estamos certos que os senhores compartilham de nossa opinião, de que a defesa do ensino laico e do conhecimento científico é uma questão fundamental da sociedade moderna. Para quem está absolutamente à margem do conhecimento científico, como estão os criacionistas, o prestígio de falar em universidades de renome tem sido utilizado como moeda de reconhecimento de mérito. Isto é absolutamente preocupante, uma vez que dá-se um verniz de respeitabilitade e faz crer que na universidade ainda se discutem idéias retrógradas que já foram rechaçadas há pelo menos 150 anos. Pelas razões acima, consideramos que a palestra “Criacionismo Científico” deva ser cancelada, outrossim, sentir-nos-emos na obrigação de relatar o uso indevido de recursos públicos junto a autoridades competentes. No entanto, reconhecendo a autonomia deste prestigioso instituto e, conhecendo vosso prestígio e compromisso científico já historicamente consagrados, estamos certos que esta palestra esteja ocorrendo à vossa revelia e que os senhores farão o necessário para que vosso nome não fique indelevelmente associado a palestras como esta.

Sem mais para o momento, subscrevemo-nos.

Atenciosamente,

Bruno Sauce Silva – mestrando no Departamento de Genética (Ufscar)
Cíntia Camila S. Angelieri - mestranda no Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada (USP)
Fábio Toshiro Taquicava Hanashiro – mestrando no Departamento de Hidrobiologia (Ufscar)
Felipe Bannwart Perina - Especialista de Sistemas
Marcus Vinicius Cianciaruso – doutorando no Departamento de Botânica (Ufscar)
Marco Antônio Portugal Luttembarck Batalha – professor do Departamento de Botânica (Ufscar)
Priscila de Paula Loiola – mestrando no Departamento de Botânica (Ufscar)
Vinícius de Lima Dantas – mestranda no Departamento de Botânica (Ufscar)
Reinaldo Otávio Alvarenga Alves de Brito – professor do Departamento de Genética (Ufscar).



CARTA 2

São Carlos, 15 de outubro de 2008

Ao Instituto de Física de São Carlos (IFSC),
Na pessoa de seu Diretor, Prof. Dr. Glaucius Oliva e do Chefe do Depto. de Física e Informática, Prof. Dr. Richard Garratt

Prezados professores,

Em carta enviada ontem, manifestamo-nos contra a promoção da palestra “O Universo – Teorias sobre a origem - Criacionismo Científico”, organizada pelo Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e a Aliança Bíblica Universitária (ABU), e ministrada pelo mestre Adauto Lourenço. As razões para a nossa posição foram apresentadas na carta anterior, mas gostaríamos ainda de lhes comunicar algumas informações sobre o Sr. Lourenço.


Como sói acontecer nesse tipo de propaganda da pseudoteoria do “criacionismo científico”, o cartaz que a anuncia (vide anexo) usa e abuso de argumentos falaciosos de autoridade (argumentum ad verecundiam), enfatizando a formação do palestrante, pesquisas que teria desenvolvido em institutos no exterior, apoios financeiros que teria recebido de agências de fomento e um trabalho publicado. Embora esses pontos não tenham nenhuma relação com o que é apresentado na palestra, eles são apresentados de modo a dar uma credibilidade científica ao palestrante.

É claro que mesmo que o palestrante tivesse de fato produção científica considerável, isso não contribuiria em absolutamente nada para corroborar a pseudoteoria. Contudo, é ainda mais inapropriado neste caso, em que, como mostraremos, o palestrante está longe de ter a credibilidade científica que o cartaz insinua. Em casos, acreditamos, as informações beiram a falsidade ideológica. Se não, vejamos:

1. A mencionada Bob Jones University, onde o palestrante obteve seu diploma de graduação, é uma universidade fundamentalista cristã particular, em cuja página (
http://www.bju.edu/about/creed/), por exemplo, encontramos o seu credo, que é recitado todos os dias na capela da universidade:

“University Creed – Each day in chapel we recite the University Creed. It is a concise statement of the most important truths taught in God's Word.

I believe in the inspiration of the Bible (both the Old and the New Testaments); the creation of man by the direct act of God; the incarnation and virgin birth of our Lord and Savior, Jesus Christ; His identification as the Son of God; His vicarious atonement for the sins of mankind by the shedding of His blood on the cross; the resurrection of His body from the tomb; His power to save men from sin; the new birth through the regeneration by the Holy Spirit; and the gift of eternal life by the grace of God.”
Na descrição sobre o curso de Biologia (
http://www.bju.edu/academics/cas/undergrad/divns/ biology.html), está escrito que:

“While most secular biologists are commited to evolution as the basic principle of evolution, Bob Jones University trains Christian biologists who see the living world indelibly marked with the fingerprints of God of limitless wisdom and power”.

Obviamente, todos têm direito de acreditar no que quiserem, mas em um ambiente onde se pretende fazer ciência, o pensamento crítico e racional não pode ser contaminado pelas crenças. Gostaríamos de saber se o Ministério da Educação e Cultura reconhece o diploma do Sr. Lourenço.

2. As “pesquisas realizadas” pelo Sr. Lourenço resultaram em um único artigo, publicado em 1992: T. Thundat, R. J. Warmack, D. P. Allison, L. A. Bottomley, A. J. Lourenco, and T. L. Ferrell. 1992. Atomic force microscopy of deoxyribonucleic acid strands adsorbed on mica: The effect of humidity on apparent width and image contrast. Journal of Vacuum Science & Technology A10 (4, pt.1): 630-635. Notem que esse único artigo trata de um tema que não tem nenhuma relação com o assunto da palestra. Notem também que nesse artigo ele é o quinto autor. Notem ainda que esse artigo foi publicado em 1992 e ele defendeu o seu mestrado em 1994, ou seja, quando esse artigo foi publicado ele estava ou na graduação ou no início do mestrado. A sua contribuição, portanto, para o artigo deve ter sido mínima.

3. O processo Fapesp que é mencionado no cartaz (01/08254-4) NÃO está no nome dele, mas sim no de Ary Biazotto Corte Júnior, como pode ser observado na base pública do Agilis (
http://internet.aquila.fapesp.br/agilis/publico/). Ainda, o referido processo se trata de um PIPE sobre um tema que também não tem nenhuma relação com o assunto da palestra, pois visa a estudar a “Proteção eletrônica anticorrosiva ox-free”.

4. Finalmente, e devemos dizer, nada surpreendentemente, ele não possui currículo no sistema Lattes do CNPq, e nenhuma informação é dada sobre sua vinculação profissional atual.

Acreditamos, portanto, que o Instituto de Física deve ter conhecimento da pessoa a cujo nome está se associando. Esperamos ter contribuído para tal. Sem mais para o momento, subscrevemo-nos.

Atenciosamente,

Bruno Sauce Silva – mestrando no Departamento de Genética (Ufscar)
Cíntia Camila S. Angelieri - mestranda no Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada (USP)
Fábio Toshiro Taquicava Hanashiro – mestrando no Departamento de Hidrobiologia (Ufscar)
Felipe Bannwart Perina - especialista de Sistemas, graduando em Ciências da Computação (Ufscar)
Marcus Vinicius Cianciaruso – doutorando no Departamento de Botânica (Ufscar)
Marco Antônio Portugal Luttembarck Batalha – professor do Departamento de Botânica (Ufscar)
Priscila de Paula Loiola – mestrando no Departamento de Botânica (Ufscar)
Vinícius de Lima Dantas – mestranda no Departamento de Botânica (Ufscar)
Reinaldo Otávio Alvarenga Alves de Brito – professor do Departamento de Genética (Ufscar).


Sobre o tema, tomo a liberdade de sugerir a leitura de artigo que escrevi há alguns anos: A cruzada contra Darwin.

35 comentários:

Maria do Espírito Santo disse...

Universidade fundamentalista cristã... Que horror!
Por falar em cristã, olha só como é que o Cristo resolve uma pendenguinha entre Religião e Estado:
"...Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar tributo a César, ou não?
Jesus, porém, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas?
Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um denário.
Perguntou-lhes ele: De quem é esta imagem e inscrição?
Responderam: De César. Então lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. (Mateus, cap. 22 vers.17-21)

Entendo que se pode dizer também, por extensão, dai à ciência o que é da ciência e à religião o que é da religião.
Assim como creio ser absurdo um cientista, durante a liturgia da palavra de uma missa católica, tomar o lugar do oficiante e começar a dar uma aula sobre, por exemplo, a teoria darwiniana da evolução das espécies, também é igualmente absurdo, ridículo e incoerente, palestras religiosas travestidas de ciência serem aceitas nas universidades públicas.
Se os templos de quaisquer religiões merecem respeito, os templos do saber que são as universidades também merecem profundo respeito pelas convicções implícitas que todas as universidades públicas professam: busca laica do saber e ponto.
Esse tipo de palestra é uma profanação aos princípios do conhecimento científico!
E convém lembrar Jesus Cristo mais uma vez, o Jesus Cristo que expulsou os vendilhões do templo, na base do chicote.
A casa do meu Pai é casa de oração!
Pois é, Jesus...
E as úniversidades públicas são casas do conhecimento.
Assim sendo, fora cambada das ideologias disfarçadas de ciência!

Anônimo disse...

eu acho essa história de design inteligente (é isso?) uma idiotice. mas acho também idiotice esses abaixo-assinados (parece coisa de petralha), ainda mais acompanhados de atos explícitos de dedurismo (idem).

impingir o estudo do criacionismo é uma aberração, mas, pelo que entendi, é uma palestra, pô. vai quem quer. será que esses doutos abaixo-assinados acham que o professorzinho fraquinho vai contaminar com sua verve a cabecinha idiota dos ouvintes? façameofavor...
sou (sempre) a favor da liberdade de escolha do indivíduo acima de tudo

[]'s

Anônimo disse...

Ô, Nelson, tão certos os caras em protestar. Universidade (pública ou privada) não é lugar disso, não.

É assim que começa. Com palestrinhas. Se deixar, o Bispo Maiscedo logo logo terá uma cátedra nas federais, pensa bem...

Maria, vamos entrar para um convento?

nelson disse...

letícia,

respeito (muito) sua opinião, mas nesse caso eu discordo. repito, sou (sempre) pela liberdade individual: da mesma forma que acho um absurdo tentarem impingir o criacionismo como disciplina obrigatória, acho uma babaquice o ajuntamento de um monte de dotô para proibir um mané de falar as besteiras dele para quem quiser ouvir. mesmo numa universidade pública.
aliás, o que eu ouvi de besteiras, principalmente ideológicas, ditas pelos meus professores quando estudei, jálássevão alguns anos. e hoje sabemos que está muito pior.
enfim...

[]'s

Anônimo disse...

Petróleo a $70?
Pia agora, Chavez!

Anônimo disse...

Que 70? Já vai nos 65...

http://diarioeconomico.com/edicion/diarioeconomico/internacional/mercados/pt/desarrollo/1175882.html

Maria do Espírito Santo disse...

Convento? Já tem convento misto? Se tiver até que é uma, Lets!
Melhor ainda seria um mosteiro beneditino misto, assim bem à moda medieval, Ego sunt abbas cucaniensis, in taberna quando sumus, um remake "pós-moderno" de Carmina Burana.
Aí entramos nós duas primeiro e a gente chama o Paulo e o Tambosi também.
Mas não sei se você combina com a vida monástica não, Letícia.
Faz promessas e não as cumpre, menina.
O Viaduto do Chá o vento levou?

Anônimo disse...

Quando chegar aos 40: bye, bye Chavez!

E quero ver duas coisas:

1º) Como a Argentina vai rolar sua dívida (comprada em grande parte pelo Chavez).

2º) Onde a Petrobrás vai arrumar dinheiro para explorar o Pré-sal.

Anônimo disse...

Maria,

Cês vão fazê procissão?

Maria do Espírito Santo disse...

Uai, CFE, eu queria muito, num sabe?
Mas parece que a Letícia, o Paulo e o Tambosi desistiram da idéia...
São seres de "pô café" pra enfrentarem o Viaduto do Chá...
Ficaram só na promessa... Agora que a Martacha já sifu, ninguém mais toca no assnto.

Anônimo disse...

Óra, esse persuau num quer aparece porque cê num disse qui levava os quejo aí de Minas.

Queijinho de minas com doce di leite, hummm

Maria do Espírito Santo disse...

Eu levo, uai.
Levosqueij, levosdocedileit e inda levumaspinga tamém!
Agora tem um trem que eu num tô entendeno não, sô...
O que que tem a vê pres do petrói com o assundopost?
Eu, hein?

Anônimo disse...

nadica di nada. Mas tem a vê cum Chavis, "migo" do dono do negócio qui.
I dipois nóis num podi iscrivinhá otra coisa não?

Orlando Tambosi disse...

Maria, você disse tudo. Os que querem a tal da "convergência", que cedam também espaço nos cultos das igrejas para, na hora da prédica, físicos, biólogos e outros cientistas ensinarem a verdadeira ciência.

Orlando Tambosi disse...

Pois é, Maria,

a Lets fez a provocação e sumiu...

Anônimo disse...

Nelson, sob esse ponto de vista você tem toda razão. Já que a universidade nos fez ler "Para ler o Pato Donald", que abra as comportas pro desáiguine inteligente, que faça também uma jornada de estudos do Código Da Vinci e pra toda produção editorial da (Editora) Madras logo de uma vez. Valendo nota pra prova.
Não estou sendo irônica, não, estou falando sério.

Maria, quem disse que eu não cumpro promessas? Me ajuda aí, eu não disse que iríamos em penitência da Cerro Corá até o Viaduto do Chá quando Kassab fosse reempossado? Ainda não chegou, pô!

Eu não sumi, Tambosi. Estou, como sempre e graças a Deus, cheia de silviço. Venho aqui diariamente, leio e não é sempre que consigo me concentrar pra comentar.

E sugiro também que organizemos, com o CFE, uma penitência, do Méier até o prédio da Prefeitura (onde está agora, CFE? No Centro? No Piranhão?) quando da posse. Não sei em quem vota o CFE, mas, no Rio, qualquer coisa é melhor que Crivella.

Anônimo disse...

Ah, em tempo, Maria!
É convento misto, sim, senhora. Beneditinos do lado é tudo de bom. Quando eu morava no Rio, pegava turno em rádio, e saía ao meio-dia. Ia ler meus livros no jardim do Convento de São Bento. Aquilo era um jardim das delícias. Não houve tempo hábil para conversas mas profundas, mas os primeiros contatos foram tãããão promissores...

Orlando Tambosi disse...

Letícia e Nelson,
vocês querem esculhambar de vez a universidade? Vade retro...
Mais tarde tasco um post sobre as religiões, ai, ai, ai.

Anônimo disse...

Tambosi, o fado é o fado. Fazer o quê?
Confesso que era muito melhor conviver em meio a porra-loucas maconheiros do que cercada de crentes cujo epíteto de baixa extração não ousaria repetir aqui.

Mas...

CFE, minha distração esqueceu que você tinha se mandando pra Portugal! Não tem importância. Começamos a peregrinação desde a Torre do Tombo. Atravessamos a nado. Pronto! Pelo menos a Praça Mauá é mais perto do centro.

Anônimo disse...

Se votasse no Rio apoiaria o Eduardo Paes.

Reclamam dele por ter mudado de partido várias vezes mas isso aconteceu porque ele tem voz própria, não é aspone doutros.

Admin disse...

Sou aluna de graduação do IFSC, e ontem (dia da palestra) circulou o comunicado oficial do IFSC, negando o apoio a palestra. Conforme escrito no comunicado, a palestra se realizou a pedido de um professor da EESC (Escola de Engenharia de São Carlos - USP) e de um aluno, preenchendo todos os requisitos legais para que o auditório fosse cedido. Porém, nesse mesmo comunicado o IFSC se isentou de qualquer apoio ao evento, chegando a mensioná-lo como 'obscurantista'.

Anônimo disse...

Eu votaria no Gabeira. De qualquer maneira, tudo menos a IURD e seus templos cafonas. Hirc!

Maria do Espírito Santo disse...

Pois é, Lets. Beneditinos e beneditinas são o lado "bem" da Idade Média.
Sabia que é a primeira ordem religiosa da igreja católica?
Os monges e monjas são geralmente cultíssimos! Não têm nada dessa ralé dos execráveis Amém, Jesus.
Quando eu não tô legal, baixo no mosteiro das beneditinas daqui.
É lindo, é limpo, é zen!
A burrice foi exorcizada de lá.
As monjas rezam e trabalham. Cuidam lá da vida delas e nunca teriam a pretensão de se meterem numa universidade querendo provar teorias descabeladas e pseudo-científicas sobre a criação do mundo.
Cada macaco no seu galho... Elas sabem disso muito bem.

Orlando Tambosi disse...

Maria, naquele templo zen até eu ficaria...

Anônimo disse...

Pois não são, Maria? No Mosteiro de São Bento daqui de SP, ao contrário do do RJ ou de BH, não tem essa moleza contemplativa para os ímpios. É tudo fechado, o público não pode chegar lá. E a biblioteca é vedada às mulheres, sabia? Mas eles abrem aos sábados, se não me engano (nunca fui) pra um brunch, e vendem pães e doces maravilhosos.

E sou fã do João Kovas, o pior de lá. Tão educado, tão elevado...

Maria do Espírito Santo disse...

Lets,
os mosteiros beneditinos de todo o Brasil seguem a regra de São Bento de igual maneira.
O público também não saracoteia por lá não.
Eu sempre saracoteei porque meu pai foi dentista das monjas por mais de vinte anos. Montou o consultório com a grana dele e bancava tudo de graça pra todas elas. Tinha uma irmã dele que era monja de lá (Tia Marieta que virou irmã Maria Cecília). Ainda tenho mais duas parentas no mosteiro daqui.
Freqüento o mosteiro N.Sra. das Graças desde que nasci.
A biblioteca daí é vedada às mulheres porque é uma biblioteca num mosteiro de homens, não é não, Letícia?
Porque na biblioteca do mosteiro daqui eu já entrei e bisbilhotei bastante.
A visita semanal ao mosteiro era sagrada. E a antiga senhora abadessa fundadora, dona Luzia, gostava muito de mim. E eu dela.

Maria do Espírito Santo disse...

Tambosi,
eu sabia que você iria gostar muito daquela tranqüilidade de lá.
Dá até inveja das freirinhas, não dá?

Anônimo disse...

A, é, né, Maria... Mas podiam dar uma liberada nos livros...

O mosteiro daqui não libera nem jardim, nem nada. No do Rio a gente tinha essa sopa. Era tão bom... uma ilha de silêncio no caldeirão da cidade...

Marta Bellini disse...

Muito bom este texto. Aqui na Má-ringa uma vereadora adventista telefonou-me para aceitar o pedido de um aluno da mesma seita. Ele não podia fazer a seleção do mestrado na sabado. Indeferi o pedido e fiquei uma "arara" com o telefonema me intimidando Este mesmo aluno reclamou que no mestrado em Educação para Ciência somos ideológicos, i é, estudamos darwin. Ai meus sais e minerais.

abç
Marta

Enézio E. de Almeida Filho disse...

Olá, Dr. Tambosi:

O Design Inteligente, ao contrário do afirmado em seu blog, não é criacionismo. É tão-somente uma proposição teórica afirmando que sinais de inteligência são detectados na natureza todas as vezes que encontrarmos complexidade irredutível de sistemas biológicos e informação complexa especificada.

A universidade é lugar de debates de idéias. Seu artigo "A cruzada contra Darwin" eu respondi no Observatório da Imprensa. Não tenho o link no momento.

Nós estamos assistindo a uma iminente e eminente mudança paradigmática em Biologia Evolutiva -- a nova teoria da evolução -- Síntese Evolutiva Ampliada, que somente será anunciada após as comemorações dos 200 anos de Darwin e os 150 anos do "Origem das Espécies".

A ciência segue as evidências aonde elas forem dar, e o moto da Royal Society em Londres é "Nullius in verba" -- não acreditar na palavra de ninguém. Inclusive Darwin.

Um abraço fraterno,

Enézio E. de Almeida Filho
Mestre em História da Ciência - PUC-SP
http://pos-darwinista.blogspot.com

Orlando Tambosi disse...

Ô, Enézio, conheço bem A caixa preta de Darwin, do Behe, que levanta a tese do Design Inteligente. É a última roupagem do velhíssimo argumento teleológico.
Bom para as religiões, não para as ciências.
Universidade é lugar de debate de idéias, sim. Idéias filosóficas, científicas etc. Lugar de religião é nos templos.

Abs.

Elyson Scafati disse...

Ola prof.


dê uma olhadela nisto


http://criacionista.blogspot.com/2008/10/intolerncia-dos-centros-do-pensamento.html

Compactuo com a sua visão, pois como um ex-cientista indigna-me a postura de grupos fundamentalistas quererem pregar a ideologia cristã travestida de ciência.

Elyson Scafati disse...

Só uma perguntinha Sr Enézio:



quem é o criador inteligente?

Orlando Tambosi disse...

Já vou lá Elyson.

E você fez uma boa pergunta. Se o projeto (ou design) é inteligente, qual é a inteligência por trás? Ora, ora...

Roberto G. S. Berlinck disse...

Na verdade, o design inteligente não se constitui em ciência, ou abordagem científica, nem se baseia em princípios científicos, como alegam seus defensores, por um único e simples motivo: não pode ser refutada nem comprovada experimentalmente. Logo, não é ciência - é crença.