sábado, 27 de dezembro de 2008

Freud está morto?

Não, não é bem assim. Um grupo de neurocientistas desenvolve, no Rio Grande do Norte, uma pesquisa que mostra que algumas intuições do pai da psicanálise estavam corretas. Um dos pesquisadores do Instituto criado por Miguel Nicolelis "enfileirou vários artigos de neurocientistas que, na sua interpretação, vêm confirmando na virada do século XXI intuições e especulações que Freud ofereceu no início do século XX. Um dos pontos altos foi a apresentação de seu próprio trabalho, de setembro de 1999, publicado em conjunto com Claudio Mello e outros dois autores no periódico científico Learning & Memory, sob o título “Expressão de genes no cérebro durante sono REM depende de experiência prévia em vigília”.

Cito um trecho da matéria assinada por Marcelo Leite na revista Piaui:

Se Freud disse que o comportamento humano é motivado por impulsos de vida e morte, Ribeiro o atualiza dizendo que “o comportamento humano é motivado por valores emocionais negativos e positivos codificados pela amígdala” (estrutura cerebral envolvida no processamento de emoções). Se os sonhos contêm restos do dia, como está escrito em A Interpretação dos Sonhos, o neurocientista traduz para “sonhos reverberam memórias no nível eletrofisiológico e molecular”. Sonhos satisfazem desejos, sim, porque “concatenam fragmentos de memórias de forma a simular expectativas futuras de recompensa e punição mediadas por dopamina”. Para cada afirmação do mestre da psicanálise, o neurocientista encontra, ou inventa, uma versão remasterizada para o gosto da neurociência contemporânea. Seguiram-se vários minutos de aplausos e meia hora de perguntas. A maioria das questões partiu de psicanalistas – por alguma razão, só mulheres da especialidade se animaram a levantar o braço – declaradamente incomodadas com a invasão de seu campo pela neurociência. O incômodo não impediu, porém, a psicanalista e estudante que falava em nome dos colegas da universidade de agradecer a Ribeiro, “uma graça”, o que arrancou risos de muitos dos presentes. “E não estou seduzindo-o”, tentou consertar a moça, sem sucesso. (Continua).

19 comentários:

Maria do Espírito Santo disse...

"Versão remasterizada?!"
Ah, nem... O que é que é isso?! Freud remarcado, a preços (apreços?!) de liqüidação científica?!
Não li o artigo na íntegra (já passa da meia-noite e estou numa lan) mas a combinação de sonho com dopamina me lembra o ambíguo título de um filme brega: fé demais não cheira bem.
Outra coisinha: a psicanalista deveria ter dito "E não o estou seduzindo" em lugar de "E não estou seduzindo-o" porque o pronome posposto, no caso, é caso de brochância imediata!
Imagine a mulher mais gostosa do mundo dizendo pra qualquer homem que "Não está seduzindo-O".
Bueno, parece que ela não estava meeeeeessss tentando seduzir o cientista...
Amanhã faço questão de ler o artigo inteiro...
Reverberam memórias no nível eletrofisiológico e molecular, é?!
A ver, a ver...

Anônimo disse...

Tenho que concordar, froidianos são um saco.

Maria do Espírito Santo disse...

"Froidianos", com ói, então... Nosinhopiricidimamãe!
Quando ao texto do Marcelo Leite, achei extremamente interessante o dito "Se os sonhos fossem mesmo acidentais, e seu conteúdo irrelevante, argumenta Ribeiro, ficaria difícil explicar os sonhos repetitivos, mais comuns após grandes traumas. Onde há regularidade não pode haver acaso."
E embora não entenda lhufas de neurociência, de Freud eu entendo um cadiquim.
Dizer que as reminiscências do dia anterior se refletem nos sonhos é verdadeiro mas epidêrmico.
Sonhos, para Freud, são muito mais do que isso: fazem a necessária catarse de nossos medos e desejos.
Não é o que nos "aconteceu" no dia anterior o que mais importa e sim como cada um de nós processa esses acontecimentos em função dos tais medos e desejos particularíssimos.
E se a repetição em ciência é fundamental, na psicanálise ela é indispensável: certos padrões de comportamento repetitivo (e também de sonhos)mostram que há conteúdos recalcados que querem se expressar de qualquer jeito... O difícil é encontrar um bom psicanalista que direcione a interpretação desses comportamentos repetitivos (reais ou oníricos) para o lado correto...

Maria do Espírito Santo disse...

E ainda bem que o meu gmail está funcionando muito bem hoje...

Anônimo disse...

é, pode ser...ou não.

Anônimo disse...

Bastou falar em ciência e lá veio o dogmático Chester com suas perorações de crente. Dá enjôo, cara


Felipe, aquele que não gosta de Chester nem assado no natal

Maria do Espírito Santo disse...

Bola no barbante, Felipe.
Eu também não gosto de Chester nem no natal.
E ando perdendo o gosto e a graça com o Peru também...

Anônimo disse...

desistir do Peru é uma época sombria na vida de uma mulher...mas psicanálise é ciência?

Maria do Espírito Santo disse...

Sombrio é desistir do desejo e não de um determinado objeto de desejo, Chester.
Sombrio é crer ter superado o estágio do pensamento mítico e estar atrelado em julgamentos e atitudes ideológicas (e o que são ideologias se não forem os neo-mitos "pós-modernos"?), jurando por nenhum deus que é capaz perfeitamente de distinguir entre o logos e o ideológico.
Sombrio é colocar a tradição, a família e a propriedade em primeiro lugar e acreditar que se está efetivamente investindo em verdades.
Sombrio é não perceber quem nos ama de fato, quem se preocupa com o nosso próprio bem, e quem só quer tirar proveito de nós.
Sombrio é respeitar o instituído em detrimento do desejo.
Sombrio é se deixar manipular fingindo não perceber que se está sendo manipulado.
Sombrio é perder as chances que a vida nos oferece de sermos felizes em nome de compromissos, responsabilidades e outras baboseiras de natureza "cristã", o mais das vezes.
Sombrio é não perceber a natureza cristã de tantas de nossas deploráveis escolhas.
Sombrio é declinar do desejo em nome de um imposto "compromisso".
Sombrio, enfim, é optar pela infelicidade.
Desistir de um Peru natalino?! Ora, ora, Chester... Melhor desistir de um peru do que da vida e da real felicidade.
Mas tem gente que nasce para a frustração, não resta dúvida.
Tem gente, aliás, para quem a frustração trás um certo resíduo de felicidade... (A necessidade de se autoferrar é muito grande...)
Se psicanálise é ciência?
E se for? E se não for?
Meus quinze anos de psicanálise me ensinaram a investir na minha felicidade.
Eu quero a felicidade de qualquer jeito: a minha, pessoal e intransferível.
Com Peru ou sem Peru.
Mas há quem não se permita ser feliz, há - e como há - os que colocam empecilhos sobre empecilhos para a própria felicidade.
E depois, quando perdem (porque é claro que acabam perdendo) todas as chances de serem felizes, se julgam sacaneados...
E foram sacaneados mesmo: por eles próprios.

Anônimo disse...

Quinze anos de psicanálise? E quantos mais você prevê à frente? Caramba.....bem, é fácil sair do PT, difícil é tirar o PT de dentro de si.

Maria do Espírito Santo disse...

Não prevejo mais nenhum, Chester.
Previsões por Ayberê da BBC?
Tenha dó, ou dê...
Os meus quinze anos de "debu psi" me valeram "muiti".
Bueno, pelo menos posso dizer que eu acredito em asneiras, sometimes, mas acredito nelas pra valer e também para, se for necessário, desvaler.
A psicanálise me ensinou a não ter medo de mudar de idéia, de confessar que errei ou que estou enganada, enfim...
A psicanálise ajuda a quem tem tutano a se libertar de certos freios ridículos, como o medo de parecer frágil, por exemplo.
Quantos anos você fez de psicanálise, Chester?
- 15?
Bem que eu imaginava...
Há, de fato, quem não precise de psicanálise...
Lamento informar, mas não é o seu caso.

Anônimo disse...

Lá pelos meus 20 anos sonhava, recorrentemente, com pessoas que me cercavam, só que no sonho elas estavam muito, mas muito decrépitas... Aconteceu algumas vezes, com umas três pessoas diferentes, com as quais eu não tinha pendengas, do tipo "vou me vingar de você".

Depois disso li de tudo: Freud (ou Fróide), Jung e Pedro de Lara, e não consegui atinar do porquê desses sonhos caquéticos. Alguém opina?

Maria do Espírito Santo disse...

Eu opino, Lets, mas é no plano da "opiniática" mesmo, sem querer dar nenhuma "solucionática" ao seu sonho recorrente.
São Paulo é quatrocentão, pois não?
Você é paulista e ama São Paulo, pois sim?
Tudo nos sonhos que temos são aspectos do que a gente é "lato sensu". (É claro que você não é caquética e muito menos decrépita!)
Talvez - insisto: talvez! - você, no "alto" dos seus vinte aninhos, estivesse querendo se livrar de certas marcas que esse passado quatrocentão tão looooonnnnngggggoooo tenha imprimido (imprimido ou impresso?)na sua personalidade...
Querer se livrar de um certo tradicionalismo, um certo conservadorismo, são sentimentos mais do que naturais para quem está na casa dos 20.
Mas sempre é bom lembrar: Freud explica muito algumas vezes, mas por outras complica demais...
Em relação ao seu sonho, não me parece que o freudianismo tenha complicado muito não...
Eu, na minha pretensão analítica (como diria a Lucy do Charlie Brown: a "doutora" está!)imagino ter encontrado a "chave" do seu sonho recorrente.
Mas é claro que posso estar enganada...
Psicanálise via internet? Pior! Via Blog do Tambosi?! Um iconoclasta, cético, que professa o científico acima de todas as coisas?!
Ai, ai, ai, ai, ai...
Beijocas psicanalíticas da Maricota!

Anônimo disse...

Faz sentido, Maria! Óia que faz! Não tanto pelo quatrocentoanismo paulistano, até porque sou vira-lata. Mas achei sua análise pertinente e hoje, aos quase 45, e já quatrocentona, dá pra repensar a coisa.

Bjoca,

Maria do Espírito Santo disse...

15 anos de psicanálise direto e reto dão nisto, Letícia...
E se somarmos a esses 15 anos os meus 3 de psicologia...
Se o seu Tambosinho ouvir isso vai dizer Vade Retro Psi, Vade Retro Psi!!!!
Mas quer ele queira ou não queira, sou fã do Freud ou do Froid, como queira.
Há mais mistérios-interregnos entre o dito e o não-dito do que possa imaginar nossa vã filosofia?
Filosofia? Sei lá!
O que sei é que sonhos nos interrogam, tipo assim, trouxeste a chave?
Sei lá se a chave está ou não está na bolsa...
Esta noite sonhei que um cabeleireiro bicha, sei lá porque cargas d´água, ao fazer a minha sobrancelha em vez de pinçar a dita cuja resolveu raspar todos os pelos!
Já pensou, Lets?! Eu com cara de extra-terrestre ou equivalente?!
E por que foi que eu sonhei um despautério desses?!
Vá lá se saber!
O pior, Letícia, é se esse sonho virar recorrente!!!
Será que eu estou querendo me transformar num transformista?!
Tá danado, né não?!
Danado e pra lá de complicado...
Outras bicotas pra ti.

Anônimo disse...

Orlandinho! Danadinho, apagou minha mensagem onde eu dizia que 15 anos de psicanalise é muita vontade de se confessar, Maria. Mas quem sou eu para impedir você de ir a igrejas?

Maria do Espírito Santo disse...

"Vai tomar no cu, vai tomar no cu, vai tomar no cu, bem no meio do olho do seu cu..."
Conhece esta musiqueta, Chesterton?
Pergunto por mera curiosidade, cara...
Vontade de confessar?
Confessar o quê e a quem, Chesterela?
Psicanálise, se for confissão, é uma autoconfissão.
Eu me conheço, Chester. Eu, a Galinha Maricota, me conheço muito bem.
E por me conhecer muito bem, sei perfeitamente bem que não sou um ser artificial, uma ave de laboratório como você.
Sou uma galinha natural e julgo isso muito melhor do que ser uma ave artificial, produzida especialmente para o Natal.

Orlando Tambosi disse...

Chesterton, não cortei nada. Deve ter sido problema de postagem.
Voltei ao blog somente agora, à noite.

Anônimo disse...

Maria Mate Leão, já vem queimada. Certo Tambosi, certo.