quinta-feira, 2 de abril de 2009

Pedagogia da "libertação"

O culto da inveja
Recebi do site Escola sem Partido (links) um artigo de seu coordenador, Miguel Nagib, que reproduzo em parte aqui. Não bastasse, nas igrejas, a "teologia da libertação" (uma escatologia), agora temos nas escolas a pedagogia da "libertação". O nome certo é lavagem cerebral. Tudo isso aprovado pelo MEC. Mais uma prova de que a escola brasileira, em geral, forma mais militantes politicamente corretos e ideológicos do que cientistas. Afunda, Grotão!
"No capítulo 3º do livro didático “Português - Linguagens - 5º ano”, de autoria de William Roberto Cereja e Thereza Cochar (Editora Atual, pertencente ao grupo Saraiva - clique aqui para ver), os estudantes encontram, logo abaixo do título – “O gosto amargo da desigualdade” –, o seguinte parágrafo:
Você alguma vez já se sentiu injustiçado? Seu amigo com duas bicicletas, uma delas novinha, e você nem bicicleta tem... Sua amiga com uma coleção inteirinha da Barbie, e você que não ganha um brinquedo novo há muito tempo... Se vai reclamar com a mãe, lá vem ela dizendo: ‘Não reclama de barriga cheia, tem gente pior do que você!’. Será que há justiça no mundo em que vivemos?
A resposta negativa é apresentada sob a forma de um texto, em estilo pretensamente literário, seguido de uma bateria de perguntas destinadas a atiçar o “pensamento crítico” dos alunos (supondo-se, é claro, que crianças de 10 anos possuam conhecimento e maturidade para pensar criticamente).O texto consiste, resumidamente, no seguinte: ao ver o filho entretido com um globo terrestre, o pai lhe confessa a sua “birra contra geografia”, atribuindo a aversão a uma professora que tivera no ginásio. Um dia, conta o pai, a professora Dinah resolveu dar aos alunos uma aula prática sobre a distribuição de renda no Brasil. Dizendo que o conteúdo de uma caixa de doces representava a riqueza do país, a professora começou a distribuir os doces entre os alunos, dando a uns mais que a outros. Os primeiros da lista de chamada ganharam apenas um doce; da letra G até a M, dois doces; de N a T, três; Vanessa e Vítor ganharam seis, e Zilda, finalmente, ganhou a metade da caixa, 24 doces. A satisfação inicial dos primeiros se transformava em revolta à medida que percebiam a melhor sorte dos últimos: “Ninguém na sala conseguia acreditar que a Dinah tava fazendo aquilo com a gente. Até naquele dia, todo mundo era doido com ela, ótima professora, simpática, engraçada, bonita também.” A história termina com o filho, frustrado, entregando ao pai o globo terrestre: “Toma esse negócio. Se a geografia é assim desse jeito que você tá falando, eu não vou querer aprender também não”.
Seguem os questionamentos:

– A distribuição dos doces promovida pela professora serviu para ilustrar como é feita a distribuição de riquezas no Brasil. Associe os elementos da aula ao que eles correspondem no país:

• a caixa de [doces] • os patrões, os empresários, o governo, etc.

• os alunos • o povo

• a professora • a riqueza

– Dos alunos da sala, quem você acha que reclamou mais? E quem você acha que não reclamou? Por quê?

– Na opinião da maioria dos alunos, como a professora deveria ter distribuído os doces?

– A distribuição de doces feita pela professora ilustra a situação de distribuição de renda entre os brasileiros. De acordo com o exemplo:

a) Quem fica com a metade da riqueza produzida no país?

b) Para quem fica a outra metade?

c) Na sua opinião, a minoria privilegiada reclama da situação?

d) E os outros, deveriam reclamar? Por quê?

– Dona Dinah, pela aula prática que deu, talvez não tenha agradado a todos os alunos. No entanto, você acha que eles aprenderam o que é distribuição de renda?

– No final do texto, Mateus diz ao pai: “Toma esse negócio!”. E começa a dormir sem o globo terrestre.

a) O que você acha que o menino está sentindo pelo globo nesse momento?

b) Na sua opinião, é pela geografia que ele deveria ter esse sentimento?

– Segundo o narrador, a turma tinha entre onze e doze anos e não estava interessada no assunto distribuição de renda. Na sua opinião, existe uma idade certa para uma pessoa começar a conhecer os problemas do país? Se sim, qual? Por quê?

– Os alunos que ganharam menos doces sentiram-se revoltados com a divisão feita pela professora.

a) Na vida real, como você acha que se sentem as pessoas que têm uma renda muito baixa? Por quê?

b) Que consequências a baixa renda traz para a vida das pessoas? Dê exemplos.

c) Na sua opinião, as pessoas são culpadas por terem uma renda baixa?

– Muitas pessoas acham que uma das causas da violência social (roubos, furtos e sequestros, por exemplo) é a má distribuição de renda. O que você acha disso? Você concorda com essa opinião."

12 comentários:

adam smith disse...

E dalhe odio de classe. Gente educada assim vai partir facilmente para o radicalismo. É claro que muitas pessoas tem muito dinheiro por diversos motivos; o que deve ser denunciado é a forma de enriquecimento ilicito; alguem como Bill Gates que ficou milhonario nao é culpado, pelo contrario, vendeu um produto que vende bem.

Eles querem sempre dar a ideia de que o pobre é bom e explorado, o rico é vadio e explorador. Quem nao me garante que a pessoa rica tenha ralado e o "pai" dessa historinha seja um vagabundo que quer o que o outro tem mas nao quer trabalhar.

Leticia disse...

Tá bom.

Vou sair daqui agora para o Rio de Janeiro e matar minha vizinha (e seus dois lindos filhos) só porque ela, que morou um tempo nos EUA quando criança, tinha a Barbie, e eu me via obrigada a me contentar com uma reles Susi.

E aproveito vou passar um sabão nos meus pais porque tive de desenvolver minha criatividade nos móveis & utensílios da minha Susi, já que dinheiro pra comprar aquele carro e aquele guarda-roupa horrorosos, eles não tinham.

Não tava sabendo que eu deveria metralhar alguém por causa disso.

É coisa rápida, não demoro não.

Leticia disse...

Agora terminei de ler o resto, a parte dos "doces". Mas que gente doente, meu Deus!!!!

Maria do Espírito Santo disse...

Muitas vezes me senti injustiçada nesta vida maledetta! Imagina que num certo natal eu ganhei não duas, mas duas dúzias de bicicletas! E também cento e vinte e nove Barbies, algumas delas criadas exclusivamente para mim, como, por exemplo, a Barbie Psicopata e a Ecochata. Só por causa de ninharias que tais todas as minhas amiguinhas mais se pareciam filhas do Zeca Pimenteira: engordavam o olho pra cima de mim!

Tem coisa mais revoltante?!

E eu era também a única que ganhava, não meia, mas meia centena de caixas inteiras de bombons da Kopenhagen... E as filhinhas do Zeca Pimenteira lá... Firmes e fortes, só me secando! Vai daí que acabei ficando diabética.

Tem coisa mais revoltante?!

Frodo Balseiro disse...

Como se vê, a loucura tem método!
Vou já doar a minha coleção de "Comandos em Ação" para uma dessas ONS Cumpanheras....

adam smith disse...

Voce tem diabete mesmo? Se sim bem vinda ao clube.

Maria do Espírito Santo disse...

Entrei em coma diabético no dia 27 de agosto de 2007, Adam. E como você pode constatar, sobrevivi.

De lá pra cá perdi 30 quilos (os quais não encontrarei jamais!) fiz duas cirurgias plásticas e aprendi a me amar inteiramente.

A diabetes foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida... Às vezes é preciso se privar do açúcar para descobrir o doce da existência.

E você também é diabético? Olha só... Não é a melhor coisa do mundo ser diabético?

Tirésias disse...

Vi lá no site do EscolaSemPartido um artigo do Cláudio Tellez, cujo título é "Pedofilia Intelectual".

Formidável essa expressão, não é?

O último parágrafo:

"O idealismo ingênuo, tão ardente nos jovens que desejam transformar o mundo e fazer a diferença na sociedade, faz parte da idade. É uma etapa da vida. Doutrinadores que se aproveitam dessa fase para inculcar suas propagandas político-partidárias, arrebanhando assim adeptos para a sua causa, estão cometendo uma covarde pedofilia intelectual."

Maria do Espírito Santo disse...

Educar vem de Ducere, conduzir, como você bem sabe, Tirésias.

Assim sendo, de maneira larga ou lata, ou extensa, todo professor seria um pedófilo potencial.

Pedofilia intelectual, portanto, todos os professores cometem, se nos damos ao trabalho de irmos às archés da questão.

E se assim o for - e assim o é - que distinção nos resta fazer?

A que separa os bons professores dos maus professores, ou, em outras palavras, daqueles que professam a ciência e dos outros que reproduzem ideologias.

Os métodos utilizados podem ser idênticos. A diferença se estabelece na distinção quase nunca fácil de ser estabelecida entre verdades e mentiras, acertos e logros.

O resto é resto, ou melhor, restolho.

Tirésias disse...

Perfeito, Maria. A palavra "educador" serve bem ao propósito e nada a opor. Mas em sendo um errante cego grego, chamo a sua atenção para o contraste na metáfora, que foi com a palavra "pedagogia", lá no título do post (agogé = conduzir). Por isso, alternativamente à sua fórmula, preferiria que, se somos todos pedagogos - a começar pelos pais -, somente alguns merecessem o apanágio da filia. Não creio haver bons e maus pedófilos intelectuais, mas acredito firmemente em bons e maus pedagogos. Filigranas às urtigas, é isso, no final das contas, que estamos dizendo.

Maria do Espírito Santo disse...

Entre filias e granadas, pedras preciosas vermelhas e bombas detonadas, as palavras não dão conta do todo, as palavras não dão conta de nada.

Ou quase de nada.

Melhor é riobaldar como a personagem monológica do Grande Sertão e desconfiar de muita coisa sem saber de nada.

Anônimo disse...

Na universidade o espírito da coisa é o mesmo em alguns departamentos!

Felipe