domingo, 14 de agosto de 2011

Dalrymple: bandido não é "vítima da sociedade".

O entrevistado da semana na revista Veja é o psiquiatra e escritor inglês Anthony Daniels, mais conhecido como Theodore Dalrymple. Ele não passa a mão na cabeça de bandidos e critica as teorias sociológicas e psicológicas que produzem cidadãos que não assumem suas responsabilidades (caso dos criminosos e dos viciados). Dalrymple também critica duramente o filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), a quem acusa de ter prejudicado a noção de responsabilidade individual. Cito alguns trechos da entrevista:

Rousseau difundiu a ideia de que o ser humano é naturalmente bom, e que a sociedade o corrompe. Eu não sou religioso, mas considero a visão cristã de que o homem nasce com o pecado original mais realista. Isso não significa que o homem é inevitavelmente mau, mas que tem de lutar contra o mal dentro de si. Por influência de Rousseau, nossas sociedades relativizaram a responsabilidade dos indivíduos. O pensamento intelectual dominante procura explicar o comportamento das pessoas como uma consequência de seu passado, de suas circunstâncias psicológicas e de suas condições econômicas. Infelizmente, essas teses são absorvidas pela população de todos os estratos sociais. Quando trabalhava em prisões, com frequência ouvia detentos sem uma boa educação formal repetindo teorias sociológicas e psicológicas difundidas pelas universidades. Com isso, não apenas se sentiam menos culpados por seus atos criminosos, como de fato eram tratados dessa maneira. Trata-se de uma situação muito conveniente para os bandidos, pois permite manter a consciência tranquila. Podem dizer que roubam porque não tiveram oportunidades de estudo, porque nasceram na pobreza ou porque sofreram algum trauma de infância, entre outras desculpas. "Enquanto a sociedade não mudar, não se pode esperar que eu me comporte de outra forma", tal é o discurso corrente entre os presos.

As ideias de Dalrymple vão na contramão da cultura dominante no Brasil, que vê o bandido como "vítima da sociedade", um coitadinho que não age por vontade própria, que é desprovido da liberdade de escolher e que não sabe distinguir o certo do errado. Esse é o discurso da esquerda nas universidades e fora delas, martelado por ongs, igrejas e "especialistas" em criminalidade. É um discurso que desresponsabiliza os bandidos por seus atos.

Dalrymple também identifica semelhanças entre o norueguês Breivik, que assassinou dezenas de pessoas, e Cesare Battisti, o terrorista italiano condenado pela morte de quatro pessoas e que aqui recebeu apoio de partidos esquerdistas, ganhando, inclusive, visto de permanência para viver no Brasil.

Ambos tinham certeza de que, com seus crimes, estavam fazendo o bem. Isso, evidentemente, demonstra que não tinham nenhum senso de proporção. Eles não conseguiam perceb er que sua irritação em relação à sociedade, ao sistema político e ao governo de seu país era, na verdade, irrelevante e de uma dimensão muito inferior comparada a todos os outros problemas da humanidade. Sem esse freio psicológico ou moral, eles se consideraram no direito de dispor da vida de inocentes como bem entenderam.

Quanto à simpatia dos intelectuais e políticos brasileiros por Battisti, diz o psiquiatra:

Acho que, na visão dessas pessoas, Battisti teve coragem de exibir uma brutalidade que elas gostariam de ter tido em algum momento da vida. Ao apoiá-lo, elas dão respaldo simbólico a um passado pessoal perdido. Além disso, os crimes perpetrados por estados e grupos totalitários de esquerda encontram justificativa ideológica. Muita gente acredita piamente que os erros cometidos em nome do comunismo foram por uma causa nobre, o que é uma absurdo. Em especial, os intelectuais que compactuavam com o marxismo. Dá para entender: eles eram levados a acreditar que tinham um papel de liderança na sociedade. Com o desmoronamento do Muro de Berlim, foram empurrados para a irrelevância. Tudo o que esses intelectuais mais odeiam é uma sociedade que não precisa deles. Por isso, protegem indivíduos como Battisti: para reviver um passado idealizado.

P.S.: vale lembrar que Rousseau é, de fato, o pai do esquerdismo.

10 comentários:

Maria do Espírito Santo disse...

Achei essa entrevista excelente.

É muito interessante aquele trecho em que ele discorre sobre a tese que alguns criminologistas e psicólogos estavam defendendo na Inglaterra de que furtar carros era uma espécie de vício (não pelo fator de lucro, mas pela questão da emoção que o furto causava nos bandidos).

Daí Daniels diz que: "Em pouco tempo os ladrões de carro começaram a me dizer na cadeia que eram viciados em furtar veículos. Eles obviamente não chegaram a essa conclusão sozinhos. Apenas estavam repetindo uma tese produzida por arrogantes intelectuais da classe média que desconsideravam o fato de os bandidos serem capazes de escolher entre o certo e o errado independentemente de fatores externos. Negar sua capacidade de discernimento é o mesmo que diminuir sua humanidade.

Esta última frase dá o que pensar: Negar sua capacidade de discernimento é o mesmo que diminuir sua humanidade.

Cfe disse...

Nem tanto ao mar nem tanto a terra.

Sendo certo que desculpabilização, por parte da sociedade, dos crimes individuais incitam o crime de um modo geral então existe sim uma influência do meio no comportamento delinquente do indivíduo.

Mas ao contrário do que que a esquerda caviar defende nao é o tratamento ruim que incita o crime mas a falta de repreensão.

Cfe disse...

Mas a entrevista está boa mesmo, como disse a Maria.

A esse respeito achei este interessante artigo a respeito dos distúbios londrinos:

http://abrupto.blogspot.com/2011/08/coisas-da-sabado-e-um-movimento-social.html

Anônimo disse...

Brilhante, pena que na banânia esse tipo de pensamento é de "reacionário di direitcha", e na grande banânia só há esoaço para os "hintelequituais di isquerda"

lgn disse...

Considero uma disfunção do intelecto considerar que um ato individual tenha como responsável toda uma sociedade. Nesse caso não existe responsabilidade para nenhum indivíduo e nos resta imaginar que um dia - naquele paraíso pensando pelos marxistas - todos, sem exceção, serão bons, mesmo que sejam por decreto.

lgn disse...

Depois que escrevi vi que pisei feio na bola. Consideo uma disfunção do intelecto considerar...Hum...dislexia funcional.
Corrijam, por favor, Penso que seja uma disfunção do intelecto considerar...

Maria do Espírito Santo disse...

Muito bom o texto do Abrupto, CFE.

Duas coisas antípodas, dicotômicas e antiparalelísticas: movimentos sociais e atos de vandalismo.

Atitudes vândalas como incendiar carros e destruir lojas (ainda por cima encapuzados) não passam nem perto de qualquer conceito de sociabilidade. E, portanto, nos remetem à guerra de todos contra todos.

Como é que pode qualquer movimento que se diga social defender aqueles que se creem no direito de destruir o que lhes der na telha, em nome de suas particulares frustrações, revoltas e indignações?

Já pensou se cada um de nós resolvesse sair incendiando carros e quebrando lojas por causa de nossos problemas?

Anônimo disse...

tô na área
Estes "movimentos sociais"terão o meu INTEGRAL E INCONDICIONAL apoio quando forem invadir favelas e cracolândias,para lá sim,queimar e quebrar tudo.A turma só pensa em quebrar e destruir O QUE FUNCIONA!!!.

fui...

Anônimo disse...

SE ALGUÉM TEM A ENTREVISTA COMPLETA , FAVO MANDAR PARA

MEDEROVSK@GMAIL.COM

Orlando Tambosi disse...

Mederovsk,

a partir da semana que vem a entrevista estará disponível no arquivo da Veja.