sábado, 17 de outubro de 2020

Lula e Dilma ignoram que a internet não esquece nem perdoa


A dupla de farsantes por pouco não inventou o mendigo magnata. Augusto Nunes, via Oeste:


Lula e Dilma Rousseff parecem acreditar que continua em vigor a grande frase de Ivan Lessa: “A cada 15 anos, o Brasil esquece o que aconteceu nos 15 anos anteriores”. Alguém precisa avisar aos chefões do PT que, embora a memória nacional ainda não seja lá essas coisas, o país mudou com o mundo. Todos os dias, incontáveis portadores de amnésia conveniente tropeçam nas evidências de que a internet não esquece e não perdoa. Ou por não saber disso, ou por fingir que não sabe — o que dá na mesma —, o casal 171 que presidiu a República por 13 anos tem escutado, com desoladora constância, a mesma advertência: nós sabemos o que vocês fizeram entre 2005 e 2020, essas lembranças escancaram o que fariam caso voltassem ao coração do poder.

Por sonharem com a retomada do Palácio do Planalto, e se imaginarem capazes de tapear também a internet, os comandantes do partido que virou bando agora acusam o presidente Jair Bolsonaro de desprezar as carências dos pobres e miseráveis. Vídeos e textos armazenados na rede informam que, no Evangelho segundo o PT, Lula acabou com a pobreza em 2007 e, como atesta o vídeo que ilustra esta coluna, a miséria foi erradicada por Dilma em 2013. Assim, a dupla de tratantes exige que Bolsonaro trate com mais deferência algo que, pelo que ambos disseram, deixou de existir. O poste e seu fabricante, por exemplo, vivem declamando que “quase 55 milhões foram retirados da pobreza e subiram para a classe média”.

“Mais 2,5 milhões de brasileiras e brasileiros estão deixando a extrema pobreza”, afirmou Dilma em 17 de fevereiro de 2013. Eram os últimos miseráveis cadastrados pelo governo federal. Graças aos trocados distribuídos pelo programa Brasil Carinhoso, todos haviam passado a ganhar R$ 71 por mês (ou 2 reais e 36 centavos por dia). Nas contas do PT, a miséria era privativa de quem ganhava menos de R$ 70 (ou 2 reais e 33 centavos por dia). Portanto, bastava R$ 1 a mais por mês (ou 3 centavos por dia) para trocar o crachá de miserável pela carteirinha de pobre. Pouco depois, no programa Café com a Presidenta, Dilma anunciou a iminente ampliação do milagre: faltava muito pouco para o completo sumiço, em todo o território nacional, daquela gente que não tinha um gato para puxar pelo rabo, nem sequer um tostão para fazer um cego cantar.

Ao cumprimentar-se pela proeza, a presidente explicou que o miserável-brasileiro só não fora inteiramente extinto porque cerca de 500 mil famílias em situação de pobreza extrema estavam fora do Cadastro Único de Programas Sociais. Como não sabia o nome e o sobrenome de cada um, como desconhecia os endereços de tais raridades, o governo não pudera transferir para a divisão superior os recalcitrantes. Mas Dilma não descansaria até que o derradeiro exemplar da espécie agonizante desaparecesse da face da terra brasileira. “O Estado não deve esperar que essas pessoas em situação de pobreza extrema batam à nossa porta para que nós as encontremos”, ensinou a mulher que fala dilmês.

Até dezembro de 2014, prometeu, todos seriam encontrados e cadastrados um por um. Quisessem ou não, fosse qual fosse seu paradeiro, haveria de localizá-los a tropa de servidores incumbida da caça ao último lote dos depenados pela crueldade da elite golpista. Todos seriam encontrados, inclusive os homiziados em aldeias das tribos isoladas da Amazônia ou nos cafundós do Centro-Oeste, no último metro quadrado dos pampas ou disfarçados de mandacaru em Sergipe. E todos seriam obrigados a subir na vida pela sucessora do presidente que a Divina Providência enviou a Pernambuco para acabar com os problemas do Brasil.

Enquanto isso, perguntaram os que não haviam perdido o juízo, que tal resolver a situação dos incontáveis pedintes visíveis a olho nu que seguiam congestionando as esquinas mais movimentadas das grandes cidades? O que esperava a supergerente de araque para estender os braços misericordiosos às crianças que tentavam vender balas nas ruas, aos jovens que pouco arrecadavam nas esquinas com seus malabares prodigiosos, aos adultos que limpavam para-brisas sem pedir licença, às mulheres que sobraçavam bebês desnutridos, aos velhos hemiplégicos e a tantos outros passageiros do último vagão? Porque não são miseráveis, recitaram os especialistas em ilusionismo estatístico a serviço dos farsantes no poder.

Desde maio de 2012, vigorava a pirâmide social redesenhada por Wellington Moreira Franco, chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (com status de ministro). Amparado em cálculos malandros produzidos por organizações internacionais, Moreira Franco decidiu que a faixa dos miseráveis se restringia a quem ganhava individualmente entre zero e R$ 70 reais por mês. A pobreza começava em R$ 71 e terminava em R$ 250. A classe média tinha seu início em R$ 251 e se estendia até R$ 850. Os que embolsavam mais de R$ 851 eram ricos. Assim, foram pendurados no topo da pirâmide milhares de pedintes que permaneciam plantados do começo da manhã ao fim da tarde nas ruas, praças e avenidas de São Paulo. Esmolando oito horas por dia, cada um ganhava de R$ 35 a R$ 40. Quase todos rondavam os R$ 1.200 por mês. Eram, portanto, pedintes milionários.

O país tinha quase 13 milhões de analfabetos, além dos 30 milhões de analfabetos funcionais. O sistema de ensino público estava em frangalhos, metade da população não tinha acesso à rede de coleta de esgotos e distribuição de água tratada, o sistema de saúde pública continuava indecente, o programa Fome Zero morrera de desnutrição meses depois do lançamento, em fevereiro de 2003, quando Lula assegurou que até o fim da década todos os brasileiros estariam engordando com três refeições por dia. Mesmo assim, o oceano dos deserdados da sorte tinha o dever de deslumbrar-se com o despertar do gigante adormecido. Graças ao governo que só pensava nos desamparados, todos poderiam sobreviver com pelo menos 2 reais e 36 centavos por dia.

Durante alguns anos, os trapaceiros no poder fizeram de conta que o Primeiríssimo Mundo era aqui. E uma imensidão de vítimas do embuste acreditou na existência do Brasil Maravilha, e multidões de eleitores votaram nos gigolôs de gente humilde com a esperança de que logo estariam desfrutando da vida mansa numa Dinamarca com muito sol, muita praia e Carnaval. A parceria entre o cinismo e a ignorância faz coisas de que até Deus duvida. Lula inventou o pobre que sobe para a classe média sem aumento de salário. Dilma inventou o ex-miserável que não tem onde cair morto. Se a Operação Lava Jato não tivesse entrado em ação, e escancarado as patifarias dos chefões do partido que virou bando, outro poste fabricado por Lula talvez inventasse o mendigo magnata.

2 comentários:

Land disse...

Augusto Nunes sempre cáustico. Acho que jamais esqueceremos que Lula tirou milhões da pobreza... e depositou tudo na conta dele.

Anônimo disse...

Com vocês o Novo Normal do Cinema Brasileiro, o Filme "Bonnie e Clyde Petralhas" com Lula e Dilma , com Direção dos Atores Esquerdopatas e Música de Cantores e Músicos Esquerdopatas , eles adorariam filmarem a Vida dos Ídolos Amados e Adorados !!!! Augusto Nunes, Leitura Obrigatória dos Homens de Bem do Brasil , perfeito !