quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Os defensores de cloroquina que viraram vítimas da Covid-19


Conhecer tem seu preço. Negar o conhecimento, então, pode ser fatal. A propósito segue coluna de Célio Martins para a Gazeta do Povo:


Desde que o presidente Jair Bolsonaro passou a fazer campanha em defesa do uso de cloroquina no tratamento contra Covid-19, um grande número de pessoas influentes no Brasil seguiu o mesmo caminho. Mas muitos dos defensores do medicamento originalmente usado na profilaxia de malária foram infectados pelo novo coronavírus e alguns deles morreram.

Luciano Hang, dono da Havan

O caso mais recente entre os que ficaram doentes é do empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, que teve diagnóstico de Covid-19 e foi internado em um hospital da Prevent Sênior, na cidade de São Paulo. Na mesma unidade também foram internadas com Covid-19 Andrea Hang, esposa de Luciano, e Regina Modesti Hang, de 82 anos, mãe do empresário.

Bolsonarista, Hang compartilhou nas redes sociais no último dia 9 de janeiro uma cartilha sobre o tratamento precoce contra a Covid-19. O tratamento inclui o uso hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina.

O apresentador de TV que morreu de Covid-19

Outro caso que chamou a atenção e chocou muitas pessoas foi a morte do apresentador da TV Alterosa, afiliada ao SBT, Stanley Gusman, no dia 10 de janeiro passado. Ele tinha 49 anos e estava internado em estado grave na UTI do Hospital Villa da Serra, em Nova Lima, na Grande Belo Horizonte.

Negacionista da pandemia, Gusman contestava o isolamento social, se dizia seguidor de Bolsonaro e defendia o uso de cloroquina. “E que fique claro. Estou com o PR (presidente da República) nessa também. Sem garantias eu não tomo a vacina”, escreveu em dezembro ao comentar a afirmação de Bolsonaro de que não iria tomar vacina contra coronavírus.

Sikêra Jr. esteve à beira da morte

O também apresentador de TV Sikêra Jr. gerou polêmica por ter se declarado contra o isolamento social durante a pandemia. À frente do programa Alerta Nacional, na RedeTV!, Sikêra passou mal ao vivo com sintomas da doença. Internado, ficou vários dias respirando com auxílio de oxigênio.

Após se recuperar, Sikêra voltou a defender cloroquina para tratamento contra coronavírus. “A cloroquina, gente, finalmente liberaram, porra! O negócio já era pra tá na mão do povo”, declarou o apresentador, usando palavrões, em um vídeo quando ainda doente.

Senador de deputado

No mundo político, o senador Arolde de Oliveira (PSD) foi internado no hospital Samaritano, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em 5 de outubro após ser infectado e apresentar os sintomas da Covid-19. Ele morreu duas semanas depois, no dia 21 de outubro. Oliveira defendia o uso da cloroquina contra o novo coronavírus e criticava o isolamento social como forma de conter a propagação da doença.

Em 19 de abril de 2020, Arolde de Oliveira chegou a postar no Twitter: “Os números do vírus chinês no mundo e no Brasil demonstram a inutilidade do isolamento social”.

O deputado estadual Gil Vianna (PSL), morto em 19 de maio em decorrência de complicações de Covid-19, fez uso de cloroquina enquanto esteve internado no Hospital da Unimed, em Campos, no Rio de Janeiro. A informação foi dada pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Na religião e na medicina

Defensores de cloroquina no mundo da religião e nos meios médicos também viraram vítima da Covid-19. O pastor Thiago Andrade de Souza, integrante do Movimento São Paulo Conservador, fazia propaganda do uso preventivo de ivermectina e cloroquina.

“Se você tomou ivermectina, azitromicina ou hidroxicloroquina, poste no Facebook e, se não precisou tomar e é a favor, poste que é a favor. Vamos forçar as prefeituras a começarem a prevenção urgente. E fazer a distribuição gratuita”, publicou nas redes sociais, no dia 25 de novembro.

Jovem, Thiago Andrade morreu no último dia 3 de janeiro, aos 36 anos, vítima da Covid-19, em São Paulo. Ele estava internado havia 30 dias com a doença.

O médico Lécio Patrocínio, além de defender a cloroquina, também criticava o papel da Organização Mundial de Saúde (OMS) frente à pandemia. Patrocínio morreu vítima de Covid-19 aos 68 anos de idade, no último dia 2, após ter ficado um mês internado em Macaé e cerca de três semanas no Hospital Copa D’Or, no Rio de Janeiro.

Até o momento, não há comprovação científica de eficácia de cloroquina no tratamento contra Covid-19. Estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado em outubro, mostra que a hidroxicloroquina não teve efeito sobre os tempos de internação ou chances de sobrevivência de pacientes da Covid-19.

8 comentários:

Land disse...

Estamos diante de uma estupidez política, diante da qual uma parcela dos médicos se calou em razão do alinhamento ideológico com o poder. E a outra foi ao palácio coonestar uma farsa negacionista. O troço é tão asqueroso que, na prática, o que se está a fazer é pedir que o presidente incentive a população a aderir à automedicação. Para que isso salte para o uso preventivo do remédio, não custa nada.

Anônimo disse...

Aviso aos incautos: não existe panacéia!!! Mesmo os medicamentos de fato eficazes contra determinadas doenças não são 'milagrosos'. Outra coisa: ao contrário do que a introdução sugere, o remédio em questão não é profilático e sim 'curativo'.

Anônimo disse...

Não cometi a burrice de me "curar" da Covid com cloroquina. Prefiro me "curar" com a vacina.

AHT disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Anonimo diz:
Comentários sob censura no blog. Infelizmente, não dá mais.

AHT disse...

No país ideal, “Ordem e Progresso”
No país real, “Toma_Lá_Dá_Cá e Retrocesso”
No país real em meio ao extraoficial e traquina
“Negacionismo e louvores à Deusa Cloroquina”.

Land disse...

Pois é, o bom da cloroquina é que ela cura a covid e mata o paciente.

Land disse...

Políticos que indicavam cloroquina e criticavam a vachina agora apadrinham imunização: já há casos de fura-filas em 5 Estados.