domingo, 28 de fevereiro de 2021

Humanidade caminha para o mundo dos imunes e o submundo dos vulneráveis


Como sustentar que pessoas vacinadas contra a Covid-19 continuem em prisão domiciliária? João Pereira Coutinho via FSP:


O dia que eu mais temia chegou: minha mulher está vacinada contra a Covid-19, eu não. Aliás, eu não sei quando estarei —fim do ano? Próximo ano? É indiferente. Ela, entrando em casa com uma coroa de rainha, foi buscar as malas e disse: “Meu bem, tente aproveitar a vida aqui em casa". "É isso que eu vou fazer lá fora. Adeus.”

Foi nesse momento que eu acordei, perturbado por meus sonhos de abandono. A minha senhora está vacinada, sim, mas num gesto de amor e sacrifício resolveu ficar na leprosaria.

Abençoada seja. Mas como negar que a humanidade caminha, cada vez mais, para dois planetas —o mundo dos imunes e o submundo dos vulneráveis?

Pensei no assunto quando lia sobre o programa israelense dos “crachás verdes”. Israel é caso de sucesso mundial na vacinação. E agora, para reabrir a economia e o país, exige que os cidadãos mostrem uma espécie de passaporte para provar que já foram vacinados (ou, em alternativa, que já tiveram o vírus e estão imunes). Sem passaporte, não há restaurantes, bares, academias ou sinagogas para ninguém.

Instintivamente, minha costela liberal reage com dor. E então relembro o famoso “princípio do dano”, popularizado por John Stuart Mill, e que funciona como um bom barômetro para as liberdades públicas. O Estado só deve interferir na liberdade dos indivíduos quando existe a possibilidade de dano para terceiros?

É um bom princípio, razão pela qual não me oponho ao uso obrigatório de máscaras: não é apenas a vida do sujeito que está em causa; são as vidas dos outros.

Mas as vacinas deveriam alterar esse cenário. Conferem proteção a quem as toma e, até ao momento, as variantes conhecidas do vírus parecem não cancelar essa proteção. A pergunta é inevitável: se a vacinação continuar a ser voluntária e eficaz, o ónus da responsabilidade não deve estar apenas nos indivíduos que decidem ou não tomá-la?

Infelizmente, não estou seguro sobre as premissas. Para começar, não sei até quando as mutações do vírus serão benevolentes. Sobretudo quando a resistência à vacinação pode criar as condições perfeitas para fortalecer o vírus. Nessas condições, a não vacinação pode representar um dano para terceiros.

Por outro lado, e por mais desconfortável que seja, a imagem de uma sociedade dividida entre imunes e vulneráveis, como sustentar que pessoas imunes devem continuar em prisão domiciliária?

E por que motivo as economias devem continuar fechadas quando uma parte da população pode começar a reverter essa ruína?

Esmagado pelas evidências, digo à minha mulher: “Não posso ser egoísta e prender você nessa masmorra". "Vai e viva!”

Ela me olha com preocupação psiquiátrica e, encolhendo os ombros, comenta apenas: “Não seja dramático e não se esqueça de usar a máscara quando sairmos". "Você ainda precisa, né?”

Um comentário:

EDJAILSON XAVIER CORREIA disse...

Caro Professor Orlando, quem conhece Administração e seus Controles precisa fazer umas perguntas aos Órgãos Fiscalizadores do Brasil, caso não possam responder, silencie diante de Crimes contra a Humanidade que assistimos sob o riso sarcástico de Jornalistas Morticidas brasileiros:
1. Quando serão feitas Auditorias Médicas e Cartoriais sobre os Quantitativos de Mortos pela Covid 19, e as Legais Prestações Estatísticas Registradas com o Nome e Registro dos Hospitais e Médicos que Atestaram o Óbito juntamente com os Registros do Conselho Federal de Medicina e Cartórios de Registros Legalmente responsáveis por esses Controles, com os devidos Registros do CRM de cada Médico e os Quantitativos daqueles que Assinaram e Provaram essas Mortes por Covid ??? Não vale Comitê de Imprensa já que Jornalista ainda não virou Médico nessa Pandemia, temo que Doutos Juristas já preparem essa Formatura.

2. Se há Órgãos de Transparências na Administração Pública desde a União Estados e Municípios, que Legalmente essas mesmas Informações Legais, Constitucionais e Institucionais sejam Abertas com Clareza Técnica dos Profissionais de Medicina entre Hospitais Públicos e Privados para a População, formalizada nesses Controles a Situação real de Estados e Municípios , Quantitativos com o Nome dos Responsáveis Profissionais pela Assinatura do Óbito e Hospital ou Clínica onde aconteceram e se são Públicos ou Privados.

No mais é o que o o momento exige, porque não soa sério um Comitê de Imprensa vir Contabilizar Doentes e Mortes em meio a Pandemias, quando isso é de Responsabilidade de Saúde Pública da União , Estados e Municípios, lembrando que esse Consórcio de Governadores nada tem de Legal para está Gestando Dinheiro Público Federal, sem Controles ou Prestações de Contas ou se arvorando e criarem um Orçamento Público Próprio desse Consórcio, Intervindo até no Orçamento da União, quando Legalmente temos Orçamento Público da União, Estados e Municípios e seus Controles e Gestores legalmente Responsáveis .

Alguém pode responder o que se Exige, Constitucional e Institucionalmente das Autoridades Fiscalizadoras da União sobre tudo isso que ocorre ao bel prazer de Governadores , Prefeitos e Jornalistas desse Consórcio sem garantias Constitucionais e Institucionais de Governadores ???

Deus nos Abençoe e Proteja !