quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

A geração ingrata e a demonização do passado


Nunca na história uma geração tão medíocre, ingrata e narcisista deveu tanto a seus antepassados. Artigo do historiador Victor David Hanson, publicado por The Daily Signal e traduzido para a Gazeta do Povo:


Os últimos dois anos testemunharam um aumento sem precedentes na antiga guerra contra o passado norte-americano. Mas há várias falhas de lógica no ataque às gerações passadas.

Os críticos pressupõem que sua geração é moralmente superior às gerações passadas. Assim, eles usam seus padrões para condenar os mortos que supostamente não chegam a seus pés.

Além disso, os críticos do século XXI raramente reconhecem que sua riqueza e tempo ocioso se devem sobretudo às gerações passadas, cujo trabalho duro ajudou a criar o ambiente de conforto atual.

E o que será que os críticos do futuro dirão da geração atual que vivenciou mais de 60 milhões de abortos desde a sentença do caso Roe vs. Wade [que legalizou o aborto nos EUA], mesmo depois de avanços na tecnologia que permite a viabilidade fetal fora do útero?

O que nossos netos dirão de nós, que emitimos mais de US$30 trilhões em dívidas – boa parte disso como empréstimos desnecessários?

Que tipo de sociedade dorme enquanto os assassinatos atingem números recordes em 12 de suas maiores cidades? O que há de civilizado em tirar o dinheiro da política, nos saques endêmicos e no roubo de carros?

Nossa imprensa era mais responsável, profissional e esclarecida em 1965 ou 2021? Hollywood produziu filmes mais sofisticados e agradáveis em 1954 ou 2021? Havia mais espírito esportivo entre os atletas profissionais de 1990 ou 2021?

Foi realmente virtuoso desprezar os princípios do “conteúdo do nosso caráter” e das “oportunidades iguais” do movimento pelos direitos civis de 60 anos atrás? A obsessão atual pela “cor da nossa pele” e “resultados iguais” é superior?

Os Estados Unidos teriam vencido a Segunda Guerra Mundial tendo, como hoje, apenas seis em cada dez norte-americanos trabalhando? Nossa geração teria trazido as tropas para casa e desistido da Primeira Guerra Mundial com medo da pandemia de Gripe Espanhola em 1918?

Temos orgulho de ver os índices de educação em queda, apesar do investimento recorde em educação?

Você já parou para pensar que só atingimos esse padrão de vida e de segurança porque já fomos uma meritocracia que desistiu de avaliar a força de trabalho por meio de afinidades tribais e antigos preconceitos?

Nossa geração fala o tempo todo sobre infraestrutura. Mas quando foi a última vez que construímos algo comparável à Represa Hoover, ao sistema interestadual de estradas ou ao California Water Project — sem falar no fato de que levamos o homem à Lua?

Se as gerações passadas eram tão tóxicas, por que continuamos aceitando, sem a devida valorização, o mundo moral e material que elas nos legaram, com a Constituição e Declaração de Direitos, com aeroportos, estradas e usinas de energia? Nós já derrotamos forças comparáveis às do Eixo ou da União Soviética comunista?

Conhecemos bem os sintomas de epidemia atual de ódio ao passado.

Um deles é a destruição orwelliana de estátuas. O revisionismo histórico geralmente reage ao frenesi das multidões puritanas, e não à discussão democrática e ao voto de autoridades eleitas.

Onde está o panteão de heróis lacradores que substituirão Thomas Jefferson e Teddy Roosevelt?

Que tipo de moralidade e realizado deveria ser imortalizada? A vida pública e privada de pessoas como Che Guevara, Angela Davis, Malcolm X, Margaret Sanger, e Franklin D. Roosevelt estão isentas de pecado?

A obsessão racial tende, previsivelmente, a seguir uma única direção. Exatamente como os confederados, reunimos todas as pessoas de acordo com a aparência, como “brancos”, “negros” e “pardos” – geralmente para estereotipar os supostos males da supremacia branca.

Mas, se seguirmos por esse caminho tribal e simplista da luta caricatural entre opressores e oprimidos, as gerações futuras avaliarão os méritos e deméritos de cada grupo a fim de julgar o papel dos indivíduos na melhora ou piora do país?

Que padrão será usado para julgar o mundo ignorante dos estereótipos raciais – a representação proporcional nos prêmios Nobel, a filantropia, as descobertas científicas e a arte em contraposição aos homicídios, ataques violentos, divórcios e ocorrência de filhos ilegítimos?

A imigração – quando legal, diversa, comedida e meritocrática – é um dos pontos fortes dos Estados Unidos, como se vê no caso de pessoas trabalhadoras que optaram por deixar sua terra e correr o risco de criar uma nova vida nos Estados Unidos.

Mas se os Estados Unidos são um país tão ruim e irreparável, por que no ano de 2021 quase 2 milhões de estrangeiros entraram no país – ilegalmente, em massa e com o objetivo de fincar raízes numa nação supostamente racista e que seria inferior ao país que esses imigrantes abandonam?

De acordo com uma ideia antiga, a assimilação e integração garantem aos imigrantes o direito ao presente e ao passado dos Estados Unidos tanto quanto eles tinham direito ao presente e ao passado de sua terra nativa. Mas será que a antítese disso não é também verdadeira?

Será que os imigrantes não deveriam ao menos respeitar os antepassados que ajudaram a criar o país que agora eles desejam ansiosamente habitar e que, para preservar esse mesmo país, morreram em lugares horríveis, de Valley Forge a Bastogne?

Nunca na história uma geração tão medíocre, ingrata e narcisista deveu tanto a seus antepassados.

Victor Davis Hanson é historiador e classicista no Hoover Institution da Universidade de Stanford.

3 comentários:

Anônimo disse...

Os grandes genocidas nunca são punidos!! E por isso que a existência do Inferno é tão necessária!!

Anônimo disse...

Vários probleminhas de tradução e revisão, como por exemplo "tirar o dinheiro da política" - não seria da polícia?

Anônimo disse...

Vou-me embora pra Pasárgada! Não quero ver nosso povo cancelar Ruy Barbosa de Oliveira em prol de Felipe Neto.